OLÁ! PRA COMEÇO DE
CONVERSA...
01-GRANDE SILÊNCIO
Orientações:
O ambiente é de total silêncio. O
altar está inteiramente desnudado e só será preparado com a toalha e as velas,
na hora da comunhão; terminada a comunhão, será novamente desnudado. No início,
quando quem preside se prostrar, todos ficam de joelhos, em profundo silêncio,
meditando sobre a Paixão do Senhor. Depois, se levantam para a seguinte oração:
02-RITOS INICIAIS ORAÇÃO (MR
p. 254, 2ª opção) 1
P. (Não se diz Oremos): Ó Deus, pela paixão de
nosso Senhor Jesus Cristo, destruístes a morte que o primeiro pecado transmitiu
a todos. Concedei que nos tornemos semelhantes ao vosso Filho e, assim como
trouxemos, pela natureza, a imagem do homem terreno, possamos trazer, pela
graça, a imagem do homem novo. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amém.
03- Liturgia da Sexta-Feira
Santa do Ano A
SEXTA-FEIRA DA PAIXÃO DO
SENHOR
Celebramos na Sexta-Feira Santa, o segundo
dia do Tríduo Pascal, que iniciou na Quinta-Feira Santa à noite e terminará com
a celebração da Missa após a Vigília Pascal. Na Sexta-Feira Santa, recordamos a
condenação, prisão, paixão e morte de Jesus na Cruz. Na Sexta-Feira Santa, é o
único dia em que a Igreja não celebra missa, mas celebra-se, sobriamente, uma
ação litúrgica fazendo memória da entrega de Jesus por nós quando recebemos a
comunhão nas espécies consagradas no dia anterior. Temos também a liturgia das
horas.
A celebração inicia-se em silêncio, pois a
Igreja nesse momento está em profunda oração, pela entrega do Senhor por nós.
Não tem procissão de entrada, mas faz-se uma entrada curta. Aquele que preside
a celebração, se prostra diante do altar e os demais ministros se ajoelham. Não
tem os ritos iniciais como de costume, e depois de um instante de silêncio, o
presidente da celebração profere a oração do dia.
A Igreja deve estar sem flores e o altar
desnudado, somente na hora da comunhão, coloca-se as velas e a toalha no altar
e retira-se logo após a comunhão novamente. Todos os fiéis católicos devem
participar desse momento, bem como em toda a Semana Santa e durante o tríduo
pascal. O católico deve participar de todos os momentos da vida de Jesus, desde
o nascimento, vida pública, morte e até a ressurreição.
A Igreja nesse dia vive um grande silêncio,
não é um silêncio de luto, pois sabemos que Nosso Senhor está vivo, mas um
silêncio de respeito e gratidão pela entrega do Senhor por nós. Nesse momento
fazemos esse silêncio profundo, mas no Sábado Santo à noite, uma grande alegria
tomará conta de nós, pela ressurreição de Jesus. Não podemos pular a
Sexta-Feira Santa, temos que passar por ela para chegar às alegrias da
ressurreição. O mesmo acontece em nossa vida, muitas vezes temos que passar por
sofrimentos para se chegar às alegrias.
As celebrações do tríduo pascal são
meditativas e cheias de símbolos. É para acolhermos a palavra e os sinais e
deixarmos que marquem os nossos corações.
Após o momento inicial de silêncio e a
oração inicial, inicia-se a liturgia da Palavra e profere-se a primeira
leitura, de Isaías (Is 52,13 – 53,12). Esse trecho de Isaías é sobre o
servo sofredor, que podemos relacionar a Cristo. Da mesma forma que o servo
sofredor Jesus sofre em silêncio e aceita tudo aquilo que os adversários fazem
contra ele. Da mesma forma que o servo sofredor Jesus pregava a justiça e
condenava a injustiça, e isso desagradava muita gente. Essa foi a causa da
morte de Jesus, pregar o amor e a justiça e quem queria continuar no ódio e na
injustiça, preferiu condená-lo.
Esse trecho do profeta Isaías que fala sobre o servo sofredor aparece, sobretudo,
nas celebrações da Semana Santa, iniciando no Domingo de Ramos. Essa leitura
nos ajuda para nos indicar o caminho que devemos seguir em nossa vida. Temos
que optar pelo caminho da justiça, da paz e do amor. Fomos batizados e chamados
a ser sacerdotes, profetas e reis e a construir o Reino de Deus aqui na terra.
Almejemos, pois, vivenciar esse Reino eternamente no céu.
O salmo
responsorial é o 30 (31), cujo refrão diz: “Ó Pai, em vossas mãos, entrego
o meu espírito”. É um salmo de entrega do servo nas mãos do seu Senhor. O servo
que se encontra ferido e machucado pelos inimigos espera que o Senhor venha em
seu socorro e o liberte das mãos daqueles que o oprimem.
A segunda
leitura é da carta aos Hebreus, (Hb 4, 14 -16; 5, 7-9). O autor do livro
sagrado diz que temos um sumo sacerdote eminente que entrou no céu, Jesus
Cristo, o filho de Deus. Ele entrou no céu uma vez por todas para abrir o
caminho para nós. Aproximemo-nos do trono da graça e da misericórdia de Deus.
Alcançando D’Ele o perdão para as nossas faltas adentraremos no céu.
Pratiquemos enquanto caminhamos nessa terra o amor, a justiça e a misericórdia.
O
Evangelho dessa celebração da Paixão é a narrativa da Paixão segundo João
(Jo 18, 1-19, 42). No Domingo de Ramos, já ouvimos a narrativa da paixão,
segundo o evangelista do ano litúrgico corrente, que é Lucas. Agora, na
Sexta-Feira Santa é a narrativa da paixão tradicional, segundo João.
Nessa narrativa da paixão, acompanhamos
todos os passos de Jesus até sofrer a paixão e morte. Desde a sua condenação,
prisão, flagelação e o caminho que fez até o calvário com a cruz as costas.
Momentos marcantes acontecem nesse caminho de Jesus até a sua morte. O encontro
com a sua mãe e as mulheres de Jerusalém, Simão Cireneu que o ajuda a carregar
a cruz e temos a tradição que coloca na via sacra todo um caminho de reflexão
sobre a subida ao calvário.
Após ter lavado os pés dos discípulos e
realizado a última ceia, Jesus sente uma grande angústia e vai para o deserto
rezar. Os discípulos vão com Ele, também Judas (o traidor) conhecia o lugar e
vai até o local com um grupo de guardas e soldados. Para que eles soubessem
quem era Jesus, ele combina de dar um beijo em Jesus e o próprio Jesus diz a
ele: “Com um beijo tu trai o filho do homem”. Jesus fica sozinho, todos os
discípulos correm diante do medo de verem Jesus sendo preso e achando que
pudesse acontecer o mesmo com eles.
A partir desse momento, Jesus é preso e
passa a noite no palácio de Anás, que era sumo sacerdote na época e sogro de
Caifás. Anás, após interrogar Jesus, o envia a Caifás, e depois Caifás o envia
ao palácio do governador. Já era no outro dia de manhã. Pilatos então interroga
Jesus e não vendo em Jesus nenhum crime que o levasse a morte, decide
libertá-lo. E, ainda, diz que os próprios judeus deveriam julgá-lo, pois ele
não poderia condená-lo. Então, os sumos sacerdotes dizem a Pilatos que
apresentassem Jesus ao povo, junto com Barrabás e o povo escolhesse quem
deveria ser condenado.
O povo escolhe por soltar Barrabás, um
bandido que havia cometido muitos crimes, e por isso estava sendo condenado.
Dessa forma, o povo escolhe que Jesus fosse condenado à morte. O mesmo povo que
havia aclamado Jesus ao entrar em Jerusalém, no Domingo de Ramos. A partir
disso, Jesus é flagelado, tecem nele uma coroa de espinhos e colocam um manto
vermelho. Dão a Jesus uma cruz para que ele carregasse durante o caminho até o
calvário.
Ao carregar a cruz, Jesus carrega as dores
e os sofrimentos do mundo inteiro, por meio de sua morte na cruz, Ele nos salva
do pecado e nos dá a garantia da vida eterna. Entreguemos a Cruz de Cristo,
nossas dores e sofrimentos. Em especial peçamos que por meio da cruz de Cristo,
sejamos livres da pandemia da Covid-19, que em mais um ano nos assolou.
Jesus, ao carregar a cruz, carrega o peso
do pecado da humanidade inteira, e ao se entregar na cruz, abre para nós o
caminho da vida eterna. Jesus nos mostra que a morte não tem a última palavra,
mas a vida venceu a morte. A cruz deve ser o sinal da nossa vitória e da nossa
redenção. Não adoramos um Deus morto, mas um Deus vitorioso. Sabemos que na
Sexta-Feira Santa ele morreu, mas ressuscitou no Domingo de Páscoa.
Celebremos cheios de esperança essa
Sexta-feira Santa, pedindo ao Senhor que nos liberte de nossos pecados e nos
ensine a carregar a nossa cruz do dia a dia. Que Ele que nos abriu o
caminho da ressurreição possa nos ensinar o caminho para adentrarmos a vida
eterna.
Participemos ativamente de toda a Semana
Santa, passemos pelo calvário com Jesus, para chegarmos à glória da
ressurreição. Que ao chegar na Páscoa, possamos ser homens e mulheres novos,
segundo a graça de Deus. Amém.
Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo Metropolitano
de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)
https://www.cnbb.org.br/cardeal-orani-sexta-feira-da-paixao-do-senhor/
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