01- 04-REFLEXÕES PARA ESTE DOMINGO- 25/01/2026
4.1- QUEM ÉS TU,
SENHOR?
Na festa da Conversão de São Paulo, celebramos o
Padroeiro da arquidiocese de São Paulo. O Apóstolo também é Padroeiro da Cidade
e do Estado de São Paulo. Por isso, como comunidade católica, hoje unimos nossa
celebração religiosa às comemorações civis do “dia da Cidade”, recordando o
marco histórico inicial de sua fundação. De fato, o marco fundacional da atual
cidade de São Paulo foi a missão dos Jesuítas, em meados do século XVI, e a
missa que marcou a inauguração da primeira capelinha e da escolinha da missão,
no lugar do atual Páteo do Colégio, justamente, no dia 25 de janeiro de 1554,
festa da Conversão de São Paulo. A conversão de São Paulo foi um momento
extraordinário na vida do Apóstolo e também da Igreja de Cristo, que dava os
seus primeiros passos na História. De perseguidor feroz e muito convencido de
estar fazendo a coisa certa, ele reconheceu seu erro e se tornou um ardoroso
discípulo de Jesus, entregando generosamente suas capacidades e energias, até
ao martírio, pela pregação do Evangelho e para o conhecimento de Jesus. O que
aconteceu de tão extraordinário na vida desse homem, e em tão pouco tempo? Ele
mesmo conta a experiência do seu encontro com Jesus diversas vezes nos seus
escritos e nos Atos dos Apóstolos (At 9,1-22; 22,1-21; 26,9- 18; Gl 1,13-24).
Na verdade, deveríamos falar do encontro de Jesus com Paulo, e não o contrário,
pois não era ele quem procurava encontrar Jesus, mas o contrário: “”eu mesmo
fui alcançado por Cristo Jesus” (Gl 3,12). Paulo queria destruir Jesus e seus
seguidores. Mas foi encontrado por Jesus de uma maneira tão forte, que ele
nunca mais esqueceu. Pelo contrário, foi esse encontro que marcou uma virada
radical em sua vida e seus propósitos. Paulo dirá, depois que ele foi
encontrado por Jesus e que foi amado e perdoado, apesar de ser um pecador e
violento perseguidor da Igreja iniciante; ele usa uma expressão de significado
muito forte, que retrata a experiência do seu encontro com Jesus: “Ele me amou
e por mim se entregou na cruz” (Gl 2,20) Ef 5,2). Paulo experimentou
profundamente o que significa ser perdoado e ter recebido a misericórdia de
Deus. Por isso, sem renegar sua história passada, ele se lança para a frente e
dedica a sua vida inteiramente a Jesus e à pregação do Evangelho, não medindo
nenhum sacrifício para isso. Mais tarde, depois de já ter sofrido muito por
Cristo, ele diz que a melhor coisa que poderia ter acontecido na sua vida foi
ter encontrado e conhecido Jesus Cristo e ser conhecido por ele (Fl 3,4-11).
Foi um encontro marcante, que encheu Paulo de uma luz tão forte, que ele ficou
cego por um momento (cf At 22,11). Foi a luz da verdade do Evangelho, verdade
sobre Jesus Cristo e luz nova sobre a vida e a missão do próprio Paulo. Penso
que o fenômeno da conversão de São Paulo nos interpela: Como são nossos
encontros com Deus e com seu Filho Jesus Cristo? Superficiais, apenas
intelectuais, como vagas lembranças de coisas históricas? Ou são encontros
pessoais e vivos, a partir da fé, com a pessoa do Pai, do Filho e do Espírito
Santo? Quem verdadeiramente encontra o Senhor, não sai o mesmo depois desse
encontro. Nossa fé cristã tem essa característica: Ela é uma resposta a alguém,
a um Tu divino, que nos interpela e a quem nós respondemos, como Paulo, com
nossas perguntas, mas também com a resposta de nossa vida convertida.
Cardeal Odilo P. Scherer Arcebispo de São
Paulo
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Ano-50A-12-CONVERSAO-DE-SAO-PAULO.pdf
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