sábado, 3 de janeiro de 2026

Liturgia da Epifania do Senhor- Ano A

 

1-    Liturgia da Epifania do Senhor- Ano A

 

- Com a epifania de Jesus, celebramos a vontade de Deus que deseja salvar a todos. Cristo é o centro. Todos os reis e nações da terra devem buscá-lo. Nele se converge e se recapitula o plano de Deus. Tudo o que estava dividido encontra unidade. O termo unidade em muitos momentos é mal interpretado por uniformidade. Há conflitos, por querer impor pela força, poder, riqueza, armas e ideologias à vontade de alguns sobre todos. A liturgia nos revela que a unidade não pode ser imposta, mas conquistada. Ela se vive no acolhimento, reconhecimento, valorização da simplicidade, diferenças e vivência do amor.

- Na primeira leitura, temos um cenário do pós-exílio. O povo está diminuído, prostrado por falta de recursos. Tudo está para ser feito. Diante disso, o profeta suscita ânimo e esperança. Ele convida o povo a se levantar e resplandecer, pois Deus continua sustentando a caminhada. Pela imagem do casamento, ele diz que Deus é o esposo fiel que não abandona a esposa amada e a faz fecunda e repleta de luz. A ação de Deus faz a comunidade, outrora desanimada, fecunda em filhos, acolhedora, justa e fraterna a ponto de atrair todos a si.

- Na segunda leitura, São Paulo ensina que os horizontes da Aliança firmada com os judeus são ampliados em Jesus Cristo. Nele, somos um ser humano novo e membros do mesmo povo escolhido. Todos os povos formam um só corpo, onde todos são participantes das promessas feitas aos antepassados. Isso significa que a missão do cristão é trabalhar pela reconciliação entre as pessoas e a unidade na diversidade dos povos.

- O Evangelho mostra o nascimento de Jesus e a visita dos magos. Deus se manifesta a todos no Menino de Belém. Os magos, representando os pagãos, traduzem à abertura da salvação de Deus a todos os povos. O menino que nasce é aclamado e adorado como verdadeiro rei dos Judeus. Ele é filho do povo, simples e humilde. É o grito do povo oprimido que quer liberdade. A nova Sião não é, Jerusalém, mas Belém, também isso, é cumprimento das profecias (v. 6; Mq 5,1). O evangelista Mateus continua a descrever os acontecimentos da infância de Jesus, à luz das profecias que dizem: "O cetro não será tirado de Judá" (Gn 49,10); "Uma estrela surge de Jacó, um cetro se levanta de Israel" (Nm 24,17).

- A vida nova trazida por Jesus é um poder libertador que atrai a raiva dos poderosos, inclusive de Herodes, homem violento, assassino, prepotente, dominado pelo poderio romano opressor. O Messias nascido, aos cuidados de sua mãe, nos ensina que sua Epifania é contrária à avareza do poder, comodismo, intolerância religiosa, xenofobia e toda forma de divisão e violência. Todas essas coisas provocam trevas na vida humana. O Senhor nascido em Belém é luz que ilumina os povos e diante dele ficamos radiantes, nosso coração vibra e bate forte de alegria (cf. Is 60,5).

- Os magos representam os verdadeiros adoradores espalhados em todos os povos e nações. Os que em meio a uma sociedade conflituosa sabem que a salvação vem por Jesus. A violência, falsas religiões e o poder tirano não podem salvar. Como os magos, cada cristão deverá encontrar formas alternativas para adorar Jesus Cristo e anunciá-lo a todos. A Igreja de Cristo deverá sempre ser sinal do respeito às culturas de todos os povos. Todavia, deverá ter diante de si a firme missão de anunciar a Boa Notícia de Deus que se revela como Deus da justiça e da paz em Jesus Cristo nascido em Belém. Em Cristo, uma multidão de raças, povos, línguas e nações saúdam a Deus. - Esclarecidos por sua Palavra, sejamos luzes nos caminhos por onde passarmos. Deixemo-nos ser guiados por Jesus neste mundo em que habitam tantas trevas. Sirvamos o Senhor que nasceu pequenino em Belém para sermos robustecidos com os dons do vosso Espírito.

 

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