1- Liturgia da Epifania do
Senhor- Ano A
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Com a epifania de Jesus, celebramos a vontade de Deus que deseja salvar a
todos. Cristo é o centro. Todos os reis e nações da terra devem buscá-lo. Nele
se converge e se recapitula o plano de Deus. Tudo o que estava dividido
encontra unidade. O termo unidade em muitos momentos é mal interpretado por
uniformidade. Há conflitos, por querer impor pela força, poder, riqueza, armas
e ideologias à vontade de alguns sobre todos. A liturgia nos revela que a
unidade não pode ser imposta, mas conquistada. Ela se vive no acolhimento,
reconhecimento, valorização da simplicidade, diferenças e vivência do amor.
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Na primeira leitura, temos um
cenário do pós-exílio. O povo está diminuído, prostrado por falta de recursos.
Tudo está para ser feito. Diante disso, o profeta suscita ânimo e esperança.
Ele convida o povo a se levantar e resplandecer, pois Deus continua sustentando
a caminhada. Pela imagem do casamento, ele diz que Deus é o esposo fiel que não
abandona a esposa amada e a faz fecunda e repleta de luz. A ação de Deus faz a
comunidade, outrora desanimada, fecunda em filhos, acolhedora, justa e fraterna
a ponto de atrair todos a si.
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Na segunda leitura, São Paulo ensina
que os horizontes da Aliança firmada com os judeus são ampliados em Jesus
Cristo. Nele, somos um ser humano novo e membros do mesmo povo escolhido. Todos
os povos formam um só corpo, onde todos são participantes das promessas feitas
aos antepassados. Isso significa que a missão do cristão é trabalhar pela
reconciliação entre as pessoas e a unidade na diversidade dos povos.
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O Evangelho mostra o nascimento de
Jesus e a visita dos magos. Deus se manifesta a todos no Menino de Belém. Os
magos, representando os pagãos, traduzem à abertura da salvação de Deus a todos
os povos. O menino que nasce é aclamado e adorado como verdadeiro rei dos
Judeus. Ele é filho do povo, simples e humilde. É o grito do povo oprimido que
quer liberdade. A nova Sião não é, Jerusalém, mas Belém, também isso, é
cumprimento das profecias (v. 6; Mq 5,1). O evangelista Mateus continua a
descrever os acontecimentos da infância de Jesus, à luz das profecias que
dizem: "O cetro não será tirado de Judá" (Gn 49,10); "Uma
estrela surge de Jacó, um cetro se levanta de Israel" (Nm 24,17).
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A vida nova trazida por Jesus é um poder libertador que atrai a raiva dos
poderosos, inclusive de Herodes, homem violento, assassino, prepotente,
dominado pelo poderio romano opressor. O Messias nascido, aos cuidados de sua
mãe, nos ensina que sua Epifania é contrária à avareza do poder, comodismo,
intolerância religiosa, xenofobia e toda forma de divisão e violência. Todas
essas coisas provocam trevas na vida humana. O Senhor nascido em Belém é luz
que ilumina os povos e diante dele ficamos radiantes, nosso coração vibra e
bate forte de alegria (cf. Is 60,5).
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Os magos representam os verdadeiros
adoradores espalhados em todos os povos e nações. Os que em meio a uma
sociedade conflituosa sabem que a salvação vem por Jesus. A violência, falsas
religiões e o poder tirano não podem salvar. Como os magos, cada cristão deverá
encontrar formas alternativas para adorar Jesus Cristo e anunciá-lo a todos. A
Igreja de Cristo deverá sempre ser sinal do respeito às culturas de todos os
povos. Todavia, deverá ter diante de si a firme missão de anunciar a Boa
Notícia de Deus que se revela como Deus da justiça e da paz em Jesus Cristo
nascido em Belém. Em Cristo, uma multidão de raças, povos, línguas e nações
saúdam a Deus. - Esclarecidos por sua Palavra, sejamos luzes nos caminhos por
onde passarmos. Deixemo-nos ser guiados por Jesus neste mundo em que habitam
tantas trevas. Sirvamos o Senhor que nasceu pequenino em Belém para sermos
robustecidos com os dons do vosso Espírito.
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