3-LITURGIA DO 4.º DOMINGO DA PÁSCOA- ANO A
- Irmãos e irmãs, neste 4º
Domingo da Páscoa, a Igreja nos convida a contemplar Jesus como o Bom Pastor: aquele que conhece, ama e dá
a vida por suas ovelhas. A imagem do pastor é muito antiga para Israel. Por
séculos, ela expressou a relação de Deus com seu povo: um Deus que guia,
protege, busca os perdidos, cura e conduz às pastagens seguras.
- Mas nem sempre os chefes de Israel foram
fiéis a esse modelo. Muitos se deixaram levar pelo egoísmo, abusaram do povo e
"destruíram o rebanho". Em contraste com esses maus pastores, Jesus se apresenta com autoridade e
ternura, tendo em vista que Ele é o Pastor verdadeiro, enviado pelo Pai para
conduzir o rebanho às "verdes pastagens", como canta o Salmo 22.
Ele não entra à força: Ele entra pela porta, porque é o enviado de Deus. E mais
ainda: Ele é a própria Porta, o acesso ao Pai, o caminho seguro que nos conduz
à vida verdadeira.
- A primeira leitura nos
mostra Pedro, cheio do Espírito Santo, pregando diante do povo de Israel.
Sua palavra toca os corações porque, por meio de Pedro, o povo reconhece a voz
do próprio Pastor. Por isso perguntam: "O que devemos fazer?" E Pedro
os conduz ao encontro do Senhor: "Convertei-vos e cada um de vós seja
batizado". Assim age um verdadeiro pastor, que conduz a Cristo e não a si
mesmo.
- A segunda leitura afirma que Jesus nos guia com autoridade, porque Ele
mesmo é o "Cordeiro de Deus que carregou nossos pecados". Ele
conhece suas ovelhas porque compartilhou nossa caminhada, nossas dores e
limitações. Seu pastoreio nasce da compaixão. Hoje, a voz do Pastor continua
ressoando na Igreja por meio daqueles que Ele chamou para guiar seu povo. O
Papa, primeiro entre os pastores, é sinal de unidade para todo o rebanho. O
Bispo, na Igreja local, é o pai e guia da família diocesana. Os padres e
diáconos exercem o pastoreio cotidiano nas paróquias e comunidades, dedicando
sua vida ao povo. E também nossas lideranças comunitárias (coordenadores,
ministros, animadores, agentes de pastoral) participam da missão de orientar e
conduzir a Cristo.
- A autoridade desses pastores não é absoluta; é relativa a Cristo
Ressuscitado, única fonte do pastoreio. E a obediência do povo não é
servil, mas "obediência da fé": uma confiança que vê no ministério de
homens limitados a presença de Deus que chama e conduz. Do mesmo modo, o
rebanho de Deus não deve apenas exigir de seus pastores, mas também os amar,
apoiar, rezar e caminhar com eles. Assim nasce a comunhão sonhada por Jesus:
"As ovelhas escutam a minha voz; eu as conheço; e elas me seguem".
Escutam a voz do Pastor na Palavra, são conhecidas e amadas por Ele e o seguem
com a confiança de quem sabe que nunca está sozinho, mesmo nos vales escuros da
vida.
- Hoje, unimo-nos à Igreja inteira na celebração do 63º Dia Mundial de
Oração pelas Vocações. Rezemos para que o Senhor da Messe continue a
suscitar pastores segundo o seu coração, que conduzam o povo com humildade,
zelo e alegria. Rezemos também pelos pastores
que já servem em nossas comunidades, para que permaneçam firmes na missão,
consolados pelo amor do Bom Pastor. Que possamos, como rebanho amado, escutar a voz de Jesus, seguir seus
passos e renovar a confiança de que Ele caminha à nossa frente. Ele é o Pastor, a Porta, o Caminho seguro.
Nele encontramos vida, segurança e alegria.
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