sábado, 31 de outubro de 2026

3. LITURGIA DA COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS

 

 

3.    LITURGIA DA COMEMORAÇÃO DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS

 

- Na primeira leitura, Jó pede trégua aos amigos que se aliaram para fazê-lo sofrer. Jó deseja que, ao menos, sua queixa permaneça para sempre e não seja esquecida. Mas, embora mergulhado na dor, declara sua imensa esperança em Deus. Jó tem a certeza de que o seu Redentor está vivo. Sabe que Ele está ao seu lado e tem certeza de que, antes da morte ou mesmo depois dela, o Eterno, o Senhor da Vida, se erguerá ao seu lado como seu defensor e proclamará, diante de todos, a sua inocência. Ao contrário de seus amigos, que pensam que Deus é alguém que age de modo mágico e que deveria livrá-lo de todos os sofrimentos, Jó é capaz de sentir a presença de Deus também nas dores e perdas da vida. Jó faz a experiência de um Deus que é companheiro, alguém que permanece ao seu lado e é Senhor da vida e da história. Ver a Deus na própria carne, como diz Jó, significa saber, não somente com a inteligência, mas, sobretudo, com o coração, que Deus jamais o abandonaria. É a experiência mais profunda da proximidade de Deus em meio às suas dores.

- Na segunda leitura, São Paulo, escrevendo aos Coríntios (1Cor 15,20-28), nos recorda da centralidade da ressurreição em nossa fé. Jesus Cristo ressuscitou, e por meio dele, todos seremos vivificados. Essa é a nossa esperança e a razão pela qual, hoje, rezamos pelos nossos entes queridos. Não rezamos apenas por saudade, mas com a certeza de que eles já estão inseridos nesse mistério de vida nova, de vida eterna.

- Assim, queridos irmãos e irmãs, ao celebrarmos este dia de Finados, lembremo-nos de que a nossa saudade é cheia de esperança. Não é uma saudade de desesperança, mas de confiança em Deus, que nos prepara para a vida eterna. Como diz a oração eucarística: "Para os que creem no Cristo, a vida não é tirada, mas transformada, e desfeita essa morada terrena, nos é dada uma eterna mansão no céu."

- A liturgia do dia de Finados poderia ser chamada também de liturgia da esperança, pois, a vitória sobre a morte é o critério da esperança do cristão.  Diante da morte a resposta do cristão deve ser: “A vida não é tirada, mas transformada”.  E esta resposta baseia-se na fé na Ressurreição de Jesus. Somos unidos com Ele na vida e na morte.  Somente quem pode reconhecer uma grande esperança na morte, pode também viver uma vida a partir da esperança. O homem tem necessidade de eternidade e esse desejo de eternidade foi o que Jesus veio trazer quando disse: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá” (Jo 11,25-26).

"Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá." (João 11,25)

Neste diálogo profundo entre Jesus e Marta, vemos a tensão entre o luto humano e a esperança divina. Marta, na sua dor, expressa a fé em Jesus como o Messias, mas Jesus a leva além, revelando-se como a própria ressurreição e vida. Este encontro nos desafia a transcender a nossa visão limitada da vida e morte, convidando-nos a uma fé que vê além do presente sofrimento para a promessa de vida eterna. É um chamado a confiar plenamente em Jesus, mesmo nas circunstâncias mais sombrias, crendo que em sua presença, a vida triunfa sempre sobre a morte.

No coração do Evangelho de João 11,19-27, encontramos um dos momentos mais profundos e comoventes do ministério de Jesus: Sua declaração de ser a ressurreição e a vida. Marta, profundamente entristecida pela morte de seu irmão Lázaro, confronta Jesus com uma fé que é ao mesmo tempo desesperada e esperançosa. A resposta de Jesus a Marta não é apenas um consolo para ela, mas uma revelação de uma verdade eterna que transcende o tempo e a morte.

"Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá." Nesta declaração, Jesus se coloca como o ponto de encontro entre a finitude humana e a eternidade divina. Ele não oferece apenas uma promessa futura de vida após a morte, mas afirma que a vida eterna começa aqui e agora, através da fé Nele. Esta verdade é um convite para que vejamos a nossa própria existência sob uma nova luz, onde a morte não é o fim, mas uma transição para uma nova dimensão de vida.

Marta representa todos nós em nossos momentos de perda e dúvida. Sua interação com Jesus mostra que a fé verdadeira não é isenta de questionamentos e dor. Ao expressar sua crença e ao mesmo tempo sua tristeza, Marta nos ensina que é possível estar genuinamente vulnerável diante de Deus. E é precisamente nesta vulnerabilidade que encontramos a força e a esperança que só Cristo pode oferecer.

O poder de Jesus sobre a morte, demonstrado pela ressurreição de Lázaro, é um sinal do poder transformador de Deus em nossas vidas. Este milagre aponta para a realidade de que, em Jesus, somos chamados a uma vida plena e abundante, que não é limitada pelas circunstâncias temporais, mas enraizada na eternidade do amor divino.

Ao refletir sobre este encontro, somos desafiados a reavaliar nossas próprias respostas ao sofrimento e à morte. Somos chamados a abraçar uma fé que reconhece a dor, mas que também celebra a esperança indestrutível que temos em Cristo. É uma fé que nos capacita a viver com coragem e compaixão, sabendo que em Jesus, a ressurreição e a vida já estão presentes entre nós.

- A oração pelos defuntos é uma tradição da Igreja. Ela acredita que morrer, também significa morrer para o mal. A nossa morte, como crê a Igreja, pode ser uma purificação, a definitiva e total volta à luz de Deus. Por isso, acreditamos que as nossas orações pelos nossos falecidos chegam ao coração de Deus, porque são expressões do desejo de que, às pessoas que amamos e que já faleceram, seja concedida a graça de viverem para sempre, na luz e no amor, agora perfeitos.

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