3. LITURGIA
DA COMEMORAÇÃO
DE TODOS OS FIÉIS DEFUNTOS
-
Na primeira leitura, Jó pede trégua aos
amigos que se aliaram para fazê-lo sofrer. Jó deseja que, ao menos, sua
queixa permaneça para sempre e não seja esquecida. Mas, embora mergulhado na
dor, declara sua imensa esperança em Deus. Jó tem a certeza de que o seu
Redentor está vivo. Sabe que Ele está ao seu lado e tem certeza de que, antes
da morte ou mesmo depois dela, o Eterno, o Senhor da Vida, se erguerá ao seu
lado como seu defensor e proclamará, diante de todos, a sua inocência. Ao
contrário de seus amigos, que pensam que Deus é alguém que age de modo mágico e
que deveria livrá-lo de todos os sofrimentos, Jó é capaz de sentir a presença
de Deus também nas dores e perdas da vida. Jó faz a experiência de um Deus que
é companheiro, alguém que permanece ao seu lado e é Senhor da vida e da
história. Ver a Deus na própria carne, como diz Jó, significa saber, não
somente com a inteligência, mas, sobretudo, com o coração, que Deus jamais o
abandonaria. É a experiência mais profunda da proximidade de Deus em meio às
suas dores.
- Na segunda
leitura, São Paulo, escrevendo aos Coríntios (1Cor 15,20-28), nos recorda da
centralidade da ressurreição em nossa fé. Jesus Cristo ressuscitou, e por
meio dele, todos seremos vivificados. Essa é a nossa esperança e a razão pela
qual, hoje, rezamos pelos nossos entes queridos. Não rezamos apenas por
saudade, mas com a certeza de que eles já estão inseridos nesse mistério de
vida nova, de vida eterna.
- Assim, queridos irmãos e irmãs, ao celebrarmos este dia de Finados,
lembremo-nos de que a nossa saudade é
cheia de esperança. Não é uma saudade de desesperança, mas de confiança em
Deus, que nos prepara para a vida eterna. Como diz a oração eucarística:
"Para os que creem no Cristo, a
vida não é tirada, mas transformada, e desfeita essa morada terrena, nos é
dada uma eterna mansão no céu."
- A liturgia do dia de Finados poderia ser chamada também de liturgia da esperança,
pois, a vitória sobre a morte é o critério da esperança do cristão.
Diante da morte a resposta do cristão deve ser: “A vida não é tirada, mas transformada”. E esta resposta
baseia-se na fé na Ressurreição de Jesus. Somos unidos com Ele na vida e na
morte. Somente quem pode reconhecer uma grande esperança na morte, pode
também viver uma vida a partir da esperança. O homem tem necessidade de
eternidade e esse desejo de eternidade foi o que Jesus veio trazer quando
disse: “Eu sou a ressurreição e a vida; quem
crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em
mim, jamais morrerá” (Jo 11,25-26).
"Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem crê em mim, ainda que morra, viverá." (João 11,25)
Neste
diálogo profundo entre Jesus e Marta, vemos a tensão entre o luto humano e a
esperança divina. Marta, na sua dor, expressa a fé em Jesus como o Messias, mas
Jesus a leva além, revelando-se como a própria ressurreição e vida. Este
encontro nos desafia a transcender a nossa visão limitada da vida e morte,
convidando-nos a uma fé que vê além do presente sofrimento para a promessa de
vida eterna. É um chamado a confiar plenamente em Jesus, mesmo nas
circunstâncias mais sombrias, crendo que em sua presença, a vida triunfa sempre
sobre a morte.
No coração do Evangelho de João 11,19-27,
encontramos um dos momentos mais profundos e comoventes do ministério de Jesus: Sua declaração de ser a ressurreição
e a vida. Marta, profundamente entristecida pela morte de seu irmão Lázaro,
confronta Jesus com uma fé que é ao mesmo tempo desesperada e esperançosa. A resposta de Jesus a Marta não é apenas um
consolo para ela, mas uma revelação de uma verdade eterna que transcende o
tempo e a morte.
"Eu
sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá." Nesta
declaração, Jesus se coloca como o ponto de encontro entre a finitude humana e
a eternidade divina. Ele não oferece apenas uma promessa futura de vida após a
morte, mas afirma que a vida eterna começa aqui e agora, através da fé Nele.
Esta verdade é um convite para que vejamos a nossa própria existência sob uma
nova luz, onde a morte não é o fim, mas uma transição para uma nova dimensão de
vida.
Marta representa todos nós em nossos
momentos de perda e dúvida.
Sua interação com Jesus mostra que a fé verdadeira não é isenta de
questionamentos e dor. Ao expressar sua crença e ao mesmo tempo sua tristeza,
Marta nos ensina que é possível estar genuinamente vulnerável diante de Deus. E
é precisamente nesta vulnerabilidade que encontramos a força e a esperança que
só Cristo pode oferecer.
O poder de Jesus sobre a morte,
demonstrado pela ressurreição de Lázaro, é um sinal do poder transformador de
Deus em nossas vidas.
Este milagre aponta para a realidade de que, em Jesus, somos chamados a uma
vida plena e abundante, que não é limitada pelas circunstâncias temporais, mas
enraizada na eternidade do amor divino.
Ao
refletir sobre este encontro, somos desafiados a reavaliar nossas próprias
respostas ao sofrimento e à morte. Somos
chamados a abraçar uma fé que reconhece a dor, mas que também celebra a
esperança indestrutível que temos em Cristo. É uma fé que nos capacita a
viver com coragem e compaixão, sabendo que em Jesus, a ressurreição e a vida já
estão presentes entre nós.
-
A oração pelos defuntos é uma tradição
da Igreja. Ela acredita que morrer, também significa morrer para o mal. A nossa
morte, como crê a Igreja, pode ser uma purificação, a definitiva e total volta
à luz de Deus. Por isso, acreditamos que as nossas orações pelos nossos
falecidos chegam ao coração de Deus, porque são expressões do desejo de que, às
pessoas que amamos e que já faleceram, seja concedida a graça de viverem para
sempre, na luz e no amor, agora perfeitos.
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