01-04- REFLEXÕES PARA O QUARTO DOMINGO DO TEMPO
COMUM
4.1- BEM-AVENTURADOS
OS POBRES
Jesus, o Divino Mestre, sobe ao Monte – como fez outrora
Moisés no Sinai. Lá, era um profeta a transmitir o código da Antiga Aliança,
aqui é o Filho de Deus a dar-nos a Nova Lei do amor na Nova Aliança. Fala aos
discípulos e às multidões que o buscavam, porque sua mensagem é destinada à
humanidade inteira. Nas bem-aventuranças Ele anuncia uma promessa de vida, de
esperança e consolação para aqueles que se põe a caminho como discípulos e não
se conformam com este mundo, e desejam ver o Reino de Deus manifestar-se na
história. O motivo da bem-aventurança não está na condição atual em que a
pessoa se encontra (pobre, aflita, com fome e sede de justiça, perseguida), mas
naquilo que virá, como bem esclareceu o Papa Francisco numa catequese de
29/01/2020, ou seja, na promessa de vida que o Senhor anuncia: o Reino dos
Céus, a consolação, a posse da verdadeira terra prometida, a saciedade, a visão
de Deus, a filiação divina, enfim a recompensa pela perseverança no bem, na
justiça e no amor, forças que podem transformar o mundo. As bem-aventuranças
são o caminho para subir ao Monte do Senhor, para segui-Lo e conhecê-Lo, pois
são um retrato do próprio Jesus, de como ele viveu sua fidelidade ao Pai por
amor à humanidade. Elas são um caminho de santidade para todo aquele que deseja
seguir a Cristo, amando a Deus e ao próximo. É bem-aventurado, isto é, feliz,
aquele que é pobre em espírito porque tem a Deus como sua riqueza e segurança,
se aflige na busca por ver a justiça do Reino acontecer, sabe que de Deus virá
a sua consolação, cultiva a mansidão por acreditar na força do amor e do
perdão, é sedento e faminto de justiça, pratica a misericórdia, cultiva a
pureza de coração, constrói a paz e, mesmo perseguido por causa da justiça,
sabe que pode esperar pelo Reino dos céus, progredindo na graça e no caminho de
Deus, sustentado pela fé e a esperança. A primeira bem-aventurança, a da
pobreza em espírito, é a chave para que se possa viver todas as demais, pois
por meio dela o discípulo é capaz de pôr no Senhor a sua esperança (cf. Sf
3,12). A Igreja como um todo é chamada a vivê-la sendo uma Igreja pobre para os
pobres (Dilexi te, n. 35-36), pois “a Igreja, se deseja ser de Cristo, deve ser
Igreja das Bem-aventuranças, Igreja que dá vez aos pequeninos e caminha pobre
com os pobres, lugar onde os pobres têm um espaço privilegiado (cf. Tg 2,
2-4).” (Dilexit te, 21). A Igreja, ao viver as bem-aventuranças, está seguindo
os passos de seu Mestre e Senhor que, sendo rico, se fez pobre para nos
enriquecer (cf. 2Cor 8,9), suportou aflições por causa do Reino, mostrou
mansidão, anunciou a justiça e exerceu a misericórdia; na pureza de seu
coração, cheio de amor pela humanidade, amou-nos até o ponto de dar a própria
vida e, sendo perseguido, maltratado e morto, nunca revidou o mal com o mal,
mas perdoou aos algozes. Sua ressurreição é a garantia de que a promessa que
anunciou nas bem-aventuranças será cumprida, pois o Pai não abandona os seus.
Dom Edilson de Souza Silva. Bispo
Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal Região Lapa
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Ano-50A-13-4o-DOMINGO-DO-TEMPO-COMUM.pdf
4.2- "AS BEM-AVENTURANÇAS"
O chamado “Sermão da Montanha ou das Bem Aventuranças” sempre
corre o risco de ter duas interpretações equivocadas: primeiro pensar que se
trata do anúncio de uma revolução social, Agora chegou a vez dos pobres! Visto
por esta ótica esvazia-se totalmente o seu rico conteúdo, não é e nunca foi
missão de Jesus, resolver os problemas sociais resultantes das desigualdades e
injustiças praticadas contra as classes menos favorecidas,a má distribuição de
renda, o mau uso dos Bens públicos etc. Se fosse isso, podem ter certeza de que
, usando de seus poderes Jesus já teria botado as coisas no “eixo”, ele não
pode ser reduzido a um Líder Revolucionário mesmo porque, é bom lembrar que as
pessoas que o viam dessa maneira em seu tempo, viram seus sonhos e projetos
revolucionários ir por água abaixo quando Jesus passou pela morte vergonhosa da
cruz, enterrando de vez todos os anseios de liberdade humana, presente no
coração dos Judeus.
A outra interpretação, também equivocadíssima, principalmente
nas Bem Aventuranças de Mateus, que escreveu o seu evangelho para os Judeus, é
vê-lo como um belo discurso moral, ensejando um modo de viver que nos conduza a
uma ascese e nesse caso, Pobre em Espírito, Mansos e Puros de Coração,
nos remete ao meramente espiritual, interpretação predileta de muitos, que não
querem viver uma religião comprometida com a transformação das pessoas e da
sociedade, tornando assim suas relações mais justas e fraternas.
Na verdade, as Bem Aventuranças são o programa de Vida de Jesus,
pois pode se ver Nele a realização plena de cada uma delas, é Jesus esse Pobre
em Espírito, é ele esse Manso que herdará a terra, é ele esse puro de coração
que tem permanentemente a visão de Deus, é ele esse perseguido, injuriado e
incompreendido, esse aflito que foi consolado, esse que tem sede e fome de Justiça,
basta olhar atentamente os evangelhos.
É exatamente essa proposta de vida que é toda sua, que Jesus nos
apresenta nesse evangelho, como Dom que o Pai oferece, como um chamado que
requer uma resposta.
Não é um ideal de vida compatível com o que o mundo nos propõe,
onde, Ser Feliz e Bem Aventurado é ter uma sorte melhor que a do pobre,
trata-se de uma Bem Aventurança terrena que supõe a riqueza, e tudo o mais que
está atrelado nela, Ter, Poder, prestígio, influência, e ainda a impunidade,
que se consegue nos meandros da política, das negociatas e do Poder
constituído, que ainda está muito longe de ser uma instituição a serviço do
Povo.
Os sequiosos por mudanças sociais irão indagar, cheios de
indignação “Mas então esse Jesus de Mateus está “em cima do muro”? Não se
importa com a sorte dos pobres e miseráveis, dos famintos e injustiçados, dos
marginalizados e explorados? “ Claro que Jesus se importa....
Mas ele prefere ir direto a raiz do mal, que é a ausência de
espiritualidade no coração do homem, a falta de reconhecimento de que Deus é o
Senhor da História, por isso Mateus acrescentou a sábia expressão “...em
espírito” depois da palavra pobre, ficando assim muito claro que, a situação
social não é o fator determinante das Bem Aventuranças pois, um rico pode sim,
fazer experiência de Deus, e um pobre poderá não fazê-lo, depende muito de quem
é Deus para o rico e quem é Deus para o pobre.
Portanto, não se trata de “Ser Pobre” mas de fazer-se pobre pelo
Reino, o que é bem mais difícil uma vez que requer humildade, desapego,
esvaziamento de si mesmo, pureza de coração, e acima de tudo o reconhecimento
de que só Deus é a Segurança, ser manso é exatamente não abusar do poder para
se impor e exigir (até nas comunidades isso acontece...) mas sim submeter-se
aos outros, mesmo sendo superior.
Portanto, ser bem aventurado e feliz diante do evangelho,é
ter se tornado discípulo do Senhor, vivendo a vida de acordo com os valores do
seu reino que é a justiça e a paz, conseqüência da igualdade, partilha e
fraternidade. Quem trilha este caminho, sem se desviar para os tentadores
atalhos que o mundo nos coloca, será feliz e bendito porque confiou e colocou
toda sua esperança, não naquilo que o mundo oferece mas sim na vida nova que
vem da graça de Deus, e que se estende para muito além dos limites da nossa
vida biológica.
É para estes Benditos e Benditas que o evangelho traz a boa
nova, pessoas que não estarão isentas de sofrimentos, privações e até
perseguições, por terem optado pelo evangelho de Cristo, que desafia e põe em
cheque o conceito de felicidade que o mundo nos ensina, porque mostra-nos no
Senhor Ressuscitado, que esta vida terrena é apenas caminho para se chegar na
verdadeira vida, sonhada, desejada e construída ainda nesta nossa peregrinação
por este mundo.
Nossas comunidades cristãs nas quais participamos, já aderiram
com fidelidade a proposta que Deus nos faz em Jesus Cristo, ou pelo contrário,
acabamos trazendo para dentro da comunidade certos valores sedutores que o
mundo nos apresenta? A resposta a essa pergunta nos indicará se pertencemos ou
não ao grupo dos Bem Aventurados...
José da Cruz é Diácono
da
Paróquia Nossa Senhora
Consolata – Votorantim – SP
E-mail jotacruz3051@gmail.com
http://npdbrasil.com.br/religiao/rel_hom_gotas0250.htm#msg01
Nenhum comentário:
Postar um comentário