sábado, 31 de janeiro de 2026

-04- REFLEXÕES PARA O QUARTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

01-04- REFLEXÕES PARA O QUARTO DOMINGO DO TEMPO COMUM

 

 

4.1- BEM-AVENTURADOS OS POBRES

 

Jesus, o Divino Mestre, sobe ao Monte – como fez outrora Moisés no Sinai. Lá, era um profeta a transmitir o código da Antiga Aliança, aqui é o Filho de Deus a dar-nos a Nova Lei do amor na Nova Aliança. Fala aos discípulos e às multidões que o buscavam, porque sua mensagem é destinada à humanidade inteira. Nas bem-aventuranças Ele anuncia uma promessa de vida, de esperança e consolação para aqueles que se põe a caminho como discípulos e não se conformam com este mundo, e desejam ver o Reino de Deus manifestar-se na história. O motivo da bem-aventurança não está na condição atual em que a pessoa se encontra (pobre, aflita, com fome e sede de justiça, perseguida), mas naquilo que virá, como bem esclareceu o Papa Francisco numa catequese de 29/01/2020, ou seja, na promessa de vida que o Senhor anuncia: o Reino dos Céus, a consolação, a posse da verdadeira terra prometida, a saciedade, a visão de Deus, a filiação divina, enfim a recompensa pela perseverança no bem, na justiça e no amor, forças que podem transformar o mundo. As bem-aventuranças são o caminho para subir ao Monte do Senhor, para segui-Lo e conhecê-Lo, pois são um retrato do próprio Jesus, de como ele viveu sua fidelidade ao Pai por amor à humanidade. Elas são um caminho de santidade para todo aquele que deseja seguir a Cristo, amando a Deus e ao próximo. É bem-aventurado, isto é, feliz, aquele que é pobre em espírito porque tem a Deus como sua riqueza e segurança, se aflige na busca por ver a justiça do Reino acontecer, sabe que de Deus virá a sua consolação, cultiva a mansidão por acreditar na força do amor e do perdão, é sedento e faminto de justiça, pratica a misericórdia, cultiva a pureza de coração, constrói a paz e, mesmo perseguido por causa da justiça, sabe que pode esperar pelo Reino dos céus, progredindo na graça e no caminho de Deus, sustentado pela fé e a esperança. A primeira bem-aventurança, a da pobreza em espírito, é a chave para que se possa viver todas as demais, pois por meio dela o discípulo é capaz de pôr no Senhor a sua esperança (cf. Sf 3,12). A Igreja como um todo é chamada a vivê-la sendo uma Igreja pobre para os pobres (Dilexi te, n. 35-36), pois “a Igreja, se deseja ser de Cristo, deve ser Igreja das Bem-aventuranças, Igreja que dá vez aos pequeninos e caminha pobre com os pobres, lugar onde os pobres têm um espaço privilegiado (cf. Tg 2, 2-4).” (Dilexit te, 21). A Igreja, ao viver as bem-aventuranças, está seguindo os passos de seu Mestre e Senhor que, sendo rico, se fez pobre para nos enriquecer (cf. 2Cor 8,9), suportou aflições por causa do Reino, mostrou mansidão, anunciou a justiça e exerceu a misericórdia; na pureza de seu coração, cheio de amor pela humanidade, amou-nos até o ponto de dar a própria vida e, sendo perseguido, maltratado e morto, nunca revidou o mal com o mal, mas perdoou aos algozes. Sua ressurreição é a garantia de que a promessa que anunciou nas bem-aventuranças será cumprida, pois o Pai não abandona os seus.

 

Dom Edilson de Souza Silva. Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal Região Lapa

 

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Ano-50A-13-4o-DOMINGO-DO-TEMPO-COMUM.pdf

 

4.2- "AS BEM-AVENTURANÇAS"

O chamado “Sermão da Montanha ou das Bem Aventuranças” sempre corre o risco de ter duas interpretações equivocadas: primeiro pensar que se trata do anúncio de uma revolução social, Agora chegou a vez dos pobres! Visto por esta ótica esvazia-se totalmente o seu rico conteúdo, não é e nunca foi missão de Jesus, resolver os problemas sociais resultantes das desigualdades e injustiças praticadas contra as classes menos favorecidas,a má distribuição de renda, o mau uso dos Bens públicos etc. Se fosse isso, podem ter certeza de que , usando de seus poderes Jesus já teria botado as coisas no “eixo”, ele não pode ser reduzido a um Líder Revolucionário mesmo porque, é bom lembrar que as pessoas que o viam dessa maneira em seu tempo, viram seus sonhos e projetos revolucionários ir por água abaixo quando Jesus passou pela morte vergonhosa da cruz, enterrando de vez todos os anseios de liberdade humana, presente no coração dos Judeus.

A outra interpretação, também equivocadíssima, principalmente nas Bem Aventuranças de Mateus, que escreveu o seu evangelho para os Judeus, é vê-lo como um belo discurso moral, ensejando um modo de viver que nos conduza a uma ascese e nesse caso, Pobre em Espírito, Mansos e Puros de Coração,  nos remete ao meramente espiritual, interpretação predileta de muitos, que não querem viver uma religião comprometida com a transformação das pessoas e da sociedade, tornando assim suas relações mais justas e fraternas.

Na verdade, as Bem Aventuranças são o programa de Vida de Jesus, pois pode se ver Nele a realização plena de cada uma delas, é Jesus esse Pobre em Espírito, é ele esse Manso que herdará a terra, é ele esse puro de coração que tem permanentemente a visão de Deus, é ele esse perseguido, injuriado e incompreendido, esse aflito que foi consolado, esse que tem sede e fome de Justiça, basta olhar atentamente os evangelhos.

É exatamente essa proposta de vida que é toda sua, que Jesus nos apresenta nesse evangelho, como Dom que o Pai oferece, como um chamado que requer uma resposta.

Não é um ideal de vida compatível com o que o mundo nos propõe, onde, Ser Feliz e Bem Aventurado é ter uma sorte melhor que a do pobre, trata-se de uma Bem Aventurança terrena que supõe a riqueza, e tudo o mais que está atrelado nela, Ter, Poder, prestígio, influência, e ainda a impunidade, que se consegue nos meandros da política, das negociatas e do Poder constituído, que ainda está muito longe de ser uma instituição a serviço do Povo.

Os sequiosos por mudanças sociais irão indagar, cheios de indignação “Mas então esse Jesus de Mateus está  “em cima do muro”? Não se importa com a sorte dos pobres e miseráveis, dos famintos e injustiçados, dos marginalizados e explorados? “ Claro que Jesus se importa....

Mas ele prefere ir direto a raiz do mal, que é a ausência de espiritualidade no coração do homem, a falta de reconhecimento de que Deus é o Senhor da História, por isso Mateus acrescentou a sábia expressão “...em espírito” depois da palavra pobre, ficando assim muito claro que, a situação social não é o fator determinante das Bem Aventuranças pois, um rico pode sim, fazer experiência de Deus, e um pobre poderá não fazê-lo, depende muito de quem é Deus para o rico e quem é Deus para o pobre.

Portanto, não se trata de “Ser Pobre” mas de fazer-se pobre pelo Reino, o que é bem mais difícil uma vez que requer humildade, desapego, esvaziamento de si mesmo, pureza de coração, e acima de tudo o reconhecimento de que só Deus é a Segurança, ser manso é exatamente não abusar do poder para se impor e exigir (até nas comunidades isso acontece...) mas sim submeter-se aos outros, mesmo sendo superior.

Portanto, ser bem aventurado e feliz diante do evangelho,é  ter se tornado discípulo do Senhor, vivendo a vida de acordo com os valores do seu reino que é a justiça e a paz, conseqüência da igualdade, partilha e fraternidade. Quem trilha este caminho, sem se desviar para os tentadores atalhos que o mundo nos coloca, será feliz e bendito porque confiou e colocou toda sua esperança, não naquilo que o mundo oferece mas sim na vida nova que vem da graça de Deus, e que se estende para muito além dos limites da nossa vida biológica.

É para estes Benditos e Benditas que o evangelho traz a boa nova, pessoas que não estarão isentas de sofrimentos, privações e até perseguições, por terem optado pelo evangelho de Cristo, que desafia e põe em cheque o conceito de felicidade que o mundo nos ensina, porque mostra-nos no Senhor Ressuscitado, que esta vida terrena é apenas caminho para se chegar na verdadeira vida, sonhada, desejada e construída ainda nesta nossa peregrinação por este mundo.

Nossas comunidades cristãs nas quais participamos, já aderiram com fidelidade a proposta que Deus nos faz em Jesus Cristo, ou pelo contrário, acabamos trazendo para dentro da comunidade certos valores sedutores que o mundo nos apresenta? A resposta a essa pergunta nos indicará se pertencemos ou não ao grupo dos Bem Aventurados...

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  
jotacruz3051@gmail.com

http://npdbrasil.com.br/religiao/rel_hom_gotas0250.htm#msg01

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