3. LITURGIA
DO 29.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A
- As Leituras deste dia nos convidam a
refletir que o cristão é um cidadão como todos os outros: desfruta dos mesmos
direitos e tem os mesmos deveres. Contudo, ele deverá sempre refletir sobre
a escolha fundamental que deve fazer em sua vida e no exercício da missão, ou
seja, voltar-se para Deus no serviço do seu Reino no mundo, anunciando o
Evangelho da salvação.
- Na primeira Leitura, um rei pagão foi
"instrumentos de Deus" para libertar o seu povo da escravidão da
Babilônia: Ciro, rei da Pérsia. Ele foi um excelente comandante e político
iluminado. Conquistou todos os impérios do Oriente, inclusive a Babilônia. No
ano 538, depois de conquistar a Babilônia, permitiu que os judeus voltassem à
própria terra e começassem a reconstruir o templo e a cidade de Jerusalém. O
profeta chama o rei pagão de "ungido do Senhor". Ciro torna-se
instrumento de Deus, mesmo sem o conhecer ou ser membro do povo da Aliança.
Para nós, o texto sugere que Deus é o verdadeiro "Senhor da História"
e que é Ele quem conduz a caminhada do seu povo. Deus pode se servir de
qualquer pessoa para realizar seus projetos. Pode se servir de dirigentes até
sem religião, desde que sejam competentes, honestos e saibam promover o bem
comum e a paz. O contrário também pode acontecer: nem toda pessoa
"religiosa" e bem intencionada tem a necessária competência para uma
função pública.
- Já na segunda Leitura, Paulo louva o Senhor
porque a Comunidade de Tessalônica abraçou com entusiasmo o Evangelho e, pela
ação do Espírito Santo, deu frutos de fé, de amor e de esperança. Os
missionários que lá estiveram revelam o que ainda hoje acontece em nossas
comunidades: o esforço da caridade e a firmeza da esperança em nosso Senhor
Jesus Cristo.
- No Evangelho, Jesus responde a uma pergunta
política que os discípulos dos fariseus e herodianos fizeram: "É permitido
ou não pagar o tributo a César?" Se dissesse "sim", Ele
apareceria como colaborador da dominação romana. Se dissesse "não",
Jesus seria denunciado às autoridades como subversivo. Contudo, Jesus percebe a
armadilha. Pede uma moeda e pergunta: "De quem é essa imagem? e depois,
diz: "Dai, pois a César o que é de César...", acrescentando: "e
a Deus o que é de Deus". "Dar" significa aqui
"devolver" a cada um o que lhe pertence. Não se deve dar a César o
que não lhe pertence: a adoração, devida unicamente a Deus, não aos imperadores
deste mundo. Assim, vemos que Jesus não nega o pagamento do tributo imperial. O
amor a Deus não tira as obrigações para com a nação. Mas questiona a pretensão
de César de se nivelar a Deus e exigir dos súditos culto só devido a Deus. A
resposta do Mestre reduzia César às suas devidas dimensões.
- Um perigo atual é tirar o lugar de Deus.
Uns reconhecem a autoridade do império, por isso servem aos interesses dele,
pagando o imposto; outros querem reconhecer a autoridade de Deus, mas deixam de
lado o que é de Deus. O dinheiro, o poder, o êxito, a realização profissional,
a ascensão social, o clube de futebol e outras atividades, sentimentos, pessoas
ou instituições podem tomar o lugar de Deus e passar a dirigir e a condicionar
a vida de muitas pessoas.
- Deus é, de fato, nosso único
"Senhor", a quem servimos? "Dar a César..." (a imagem de
César na moeda) significa que o seguidor de Jesus tem obrigações com a
sociedade em que vive. Nenhum país funciona se a população não se
comprometer com a justiça social e o bem comum. O cristão deve ser um bom
cidadão. É uma obrigação moral, além de civil, contribuir para o bem comum com
o pagamento de impostos justos. Ao passo que "Dar a Deus" significa
devolver a Deus o homem salvo e liberto, pois o ser humano foi criado à
"imagem" de Deus. Por isso, seus direitos e sua dignidade devem ser
respeitados por todos. Nós somos o povo de Deus que não pode ser vendido a
nenhum César. Só Deus é o Senhor de nossa vida! Devolvemos, também, a Deus: a
proteção da natureza, a vida dos jovens, famílias saudáveis, impostos
convertidos em saúde e educação de qualidade para todos, liberdade religiosa, o
domingo como dia de descanso, a solidariedade, a erradicação da fome e tantos
outros gestos concretos de que o Reino já está entre nós.
- A missão de todos nós é sermos agentes de
transformação nas realidades que nos cercam, segundo a Palavra que
meditamos e os Sacramentos que celebramos, para que o mundo creia. Jesus conta com nossa colaboração neste Mês
Missionário e sempre
https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/07/18_10_26.pdf
Nenhum comentário:
Postar um comentário