0l03-LITURGIA DO 5.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A
A liturgia de hoje retoma a perspectiva da luz abordada
no 3º Domingo. Contudo, há uma diferença: se lá o foco era o próprio Cristo
como luz, hoje é o discípulo que é chamado a iluminar. Imediatamente percebemos
isso na Primeira Leitura: aquele que
pratica a caridade para com o próximo e deixa de lado a maldade brilhará como
luz. Ser sal da terra e luz do mundo é fazer a diferença no meio em que vive.
Ao mesmo tempo, observa-se que há aqueles que se destacam no sentido negativo. É o reverso do que Jesus propõe no
Evangelho. Na própria comunidade de fé, encontram-se pessoas que são sal e
luz: ajudam o próximo, trabalham em sintonia com demais membros, enfim,
interessam-se verdadeiramente pela causa de Cristo. Por outro lado, há os que
fazem a diferença para atrapalhar: os que fofocam, os que se sentem donos da
comunidade, ou, ainda, aqueles que não abrem espaço para mais pessoas darem sua
contribuição. Ofuscados pelo, brilho do próprio egoísmo, eles não conseguem ser
a luz que Jesus pede e nem deixam outros sê-la. Ser luz, como o Evangelho nos apresenta, é o contrário da mentalidade
deste mundo. Com efeito, muitos imaginam que o que torna a vida mais
luminosa e saborosa é o prazer, a ostentação, o luxo e a erudição. Na verdade,
é justamente o contrário: ser luz é ocupar-se com o que não tem valor aos olhos
deste mundo, isto é, os fracos e os pequenos, muito valiosos para Deus. O
cristão é aquele que possui “mau gosto”, porque se ocupa com aquilo que não é
atraente para as vaidades humanas. A liturgia de hoje nos recorda a importância
do “bom gosto” pelas coisas de Deus: à medida que são integradas em nosso modo
de ser e agir, o mundo vai se tornando um lugar mais colorido e saboroso para
se viver. Com relação ao sal, além de dar sabor, há outro uso: no mundo antigo,
era empregado na preservação dos alimentos. Da mesma forma, o discípulo do
Reino tornase sal quando as pessoas ao redor se voltam para o mal. Com efeito,
os maus exemplos são abundantes em nossa sociedade e facilmente muitos se
deixam arrastar por eles. Vale a pena ser honesto? É o que muitos se perguntam.
Por outro lado, se todos resolvessem fazer maldades, o mundo entraria em
colapso. Dessa maneira, o discípulo que é verdadeiramente sal, perseverando no
bem, ajuda a preservar o mundo da corrupção. Apesar de fazerem diferença, o sal
e a luz são discretos. De fato, o Papa Francisco recorda que, quando alguém se
deleita com uma refeição, não diz que o sal está bom: apenas afirma que a
comida está boa. Quando estamos em casa à noite, não dizemos que a luz é boa,
mas apenas vivemos com ela. Essa dimensão “faz com que nós cristãos sejamos
anônimos na vida”. Desse modo, “não somos protagonistas dos nossos méritos”. Isso recorda a humildade de Paulo: é por meio do poder do Espírito que seu ministério
deu frutos (cf. 1Cor 2,4). Assim como ele, todos nós somos simples
instrumentos, como o sal e a luz: embora não sejam expressamente elogiados, sem
eles, não seria possível fazer a diferença. Que nossa comunidade possa ser cada
vez mais uma Luz que brilha nas trevas para o Justo permanecendo para o bem que
fizemos. (Igreja em Reflexão 2025 - CNBB)
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