quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

0l03-LITURGIA DO 5.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

0l03-LITURGIA DO 5.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

A liturgia de hoje retoma a perspectiva da luz abordada no 3º Domingo. Contudo, há uma diferença: se lá o foco era o próprio Cristo como luz, hoje é o discípulo que é chamado a iluminar. Imediatamente percebemos isso na Primeira Leitura: aquele que pratica a caridade para com o próximo e deixa de lado a maldade brilhará como luz. Ser sal da terra e luz do mundo é fazer a diferença no meio em que vive. Ao mesmo tempo, observa-se que há aqueles que se destacam no sentido negativo. É o reverso do que Jesus propõe no Evangelho. Na própria comunidade de fé, encontram-se pessoas que são sal e luz: ajudam o próximo, trabalham em sintonia com demais membros, enfim, interessam-se verdadeiramente pela causa de Cristo. Por outro lado, há os que fazem a diferença para atrapalhar: os que fofocam, os que se sentem donos da comunidade, ou, ainda, aqueles que não abrem espaço para mais pessoas darem sua contribuição. Ofuscados pelo, brilho do próprio egoísmo, eles não conseguem ser a luz que Jesus pede e nem deixam outros sê-la. Ser luz, como o Evangelho nos apresenta, é o contrário da mentalidade deste mundo. Com efeito, muitos imaginam que o que torna a vida mais luminosa e saborosa é o prazer, a ostentação, o luxo e a erudição. Na verdade, é justamente o contrário: ser luz é ocupar-se com o que não tem valor aos olhos deste mundo, isto é, os fracos e os pequenos, muito valiosos para Deus. O cristão é aquele que possui “mau gosto”, porque se ocupa com aquilo que não é atraente para as vaidades humanas. A liturgia de hoje nos recorda a importância do “bom gosto” pelas coisas de Deus: à medida que são integradas em nosso modo de ser e agir, o mundo vai se tornando um lugar mais colorido e saboroso para se viver. Com relação ao sal, além de dar sabor, há outro uso: no mundo antigo, era empregado na preservação dos alimentos. Da mesma forma, o discípulo do Reino tornase sal quando as pessoas ao redor se voltam para o mal. Com efeito, os maus exemplos são abundantes em nossa sociedade e facilmente muitos se deixam arrastar por eles. Vale a pena ser honesto? É o que muitos se perguntam. Por outro lado, se todos resolvessem fazer maldades, o mundo entraria em colapso. Dessa maneira, o discípulo que é verdadeiramente sal, perseverando no bem, ajuda a preservar o mundo da corrupção. Apesar de fazerem diferença, o sal e a luz são discretos. De fato, o Papa Francisco recorda que, quando alguém se deleita com uma refeição, não diz que o sal está bom: apenas afirma que a comida está boa. Quando estamos em casa à noite, não dizemos que a luz é boa, mas apenas vivemos com ela. Essa dimensão “faz com que nós cristãos sejamos anônimos na vida”. Desse modo, “não somos protagonistas dos nossos méritos”. Isso recorda a humildade de Paulo: é por meio do poder do Espírito que seu ministério deu frutos (cf. 1Cor 2,4). Assim como ele, todos nós somos simples instrumentos, como o sal e a luz: embora não sejam expressamente elogiados, sem eles, não seria possível fazer a diferença. Que nossa comunidade possa ser cada vez mais uma Luz que brilha nas trevas para o Justo permanecendo para o bem que fizemos. (Igreja em Reflexão 2025 - CNBB)

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