sábado, 28 de maio de 2022

DOMINGO DA ASCENSÃO DO SENHOR

 

DOMINGO, 29 de maio DE 2022

SEJA BEM-VINDO!

DOMINGO, 29 DE MAIO DE 2022

- Em sua Ascensão, Cristo envia os discípulos a continuar sua missão

- 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais - “Escutar com o ouvido do coração”

- Semana de oração pela unidade cristã – "Vimos seu astro no oriente e viemos prestar-lhe homenagem” - Mt 2,2).

 

“Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”. (At 1,11).



SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR– ANO C

OLÁ: PRA COMEÇO DE CONVERSA...               

1-    Liturgia da Solenidade da Ascensão do Senhor – Ano c

  

Neste domingo, celebrando a Ascensão do Senhor, agradeçamos a Deus Pai a elevação sagrada de seu Filho e recebamos d’Ele a confirmação de que todos nós fomos, com Ele, introduzidos na intimidade definitiva de Deus. Com Maria e os apóstolos, aguardemos a vinda do Espírito Santo, conforme a promessa de Cristo.(Folheto O Povo de Deus SP).

Com a Ascensão do Senhor, recordamos a grandeza do Pai, que vence a morte e eleva Jesus. No mistério pascal de Cristo, Deus nos mostra que a nossa missão consiste em realizar sempre a sua vontade. Somos fortalecidos pela graça e força do Espírito Santo para sermos continuadores da missão de Jesus. A Ascensão do Senhor é o selo da nossa vitória sobre as forças desse mundo e é uma garantia de nossa participação na glória eterna. Hoje, também celebramos o Dia Mundial das Comunicações Sociais. Em nossa Arquidiocese temos a Rádio 9 de Julho, que é um grande veículo de comunicação do Evangelho em nossa cidade de São Paulo. Na mensagem dirigida ao povo por ocasião deste dia, o Papa Francisco pede aos fiéis para escutar com o ouvido e com o coração.

Porque Cristo seguiu o caminho da doação generosa até a morte na Cruz, o Pai O glorificou, como celebramos nesta solenidade da sua Ascensão ao céu. Nela, renovamos nossa esperança na vida eterna com Ele; rezamos pela missão da Igreja e pela unidade cristã; louvamos a Deus pelos recursos de evangelização dos Meios de Comunicação Social.

1-    56º Dia  Mundial dos Meios de Comunicação Social

 

Sob o título “Escutar com o ouvido do coração”, o Papa Francisco divulgou no último dia 24 de janeiro, data dedicada a São Francisco de Salles, a sua mensagem para o 56º Dia Mundial das Comunicações Sociais (56º DMCS). A data será celebrada no dia 29 de maio de 2022, Domingo da Ascensão do Senhor.

 

2-    Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos( SOUC)

- Este ano, a Semana acontece de 29 de maio a 05 de junho com o tema: "Vimos o seu astro no oriente e viemos prestar-lhe homenagem" (cf.: Mateus 2:2). A arte escolhida foi enviada por Alexandre Amorim. Baseada na técnica da xilogravura, representa os três reis magos indo ao encontro do menino Jesus que, com José e Maria, estavam na tenda de Belém. O Evangelho de Mateus nos lembra que o aparecimento do astro/estrela no céu da Judeia representa um sinal de esperança que conduz os magos e os povos da terra ao lugar de nascimento de Jesus. Esse astro é um dom, uma indicação da presença amorosa de Deus para toda a humanidade. A jornada realizada pelos magos até a manjedoura representa a busca da humanidade pela amorosidade de Deus e diversidade da criação. Eles nos revelam que, a partir de Jesus, Deus deseja a unidade entre todas as nações. Os magos viajam vindo de países distantes e representam culturas diversas, mas estão impulsionados pela mesma esperança que é a da inauguração de um novo tempo em que os conflitos, discriminações e violências sejam, por fim, superados. Por isso, as pessoas cristãs são chamadas a ser um sinal de Deus, vivendo de forma concreta a unidade na diversidade.

- Mais informações no site do CONIC: https:// www.conic.org.br/portal/

 

 

 

 

 

SB SABENDO BEM DESTE DOMINGO E DESTA SEMANA

 

01-   OLÁ! PRA COMEÇO DE CONVERSA...

 

1.    Liturgia da  Solenidade da Ascensão do Senhor– Ano C;

 

2.    56.º Dia Mundial dos Meios de Comunicação Social;

 

3.    Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos(SOUC).

 

 

02-   LEITURAS DA MISSA DA SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR- ANO C;

 

03-   LITURGIA DA SEMANA DE 30 DE MAIO A 05 DE JUNHO;

 

04-   ORAÇÃO OFICIAL DA SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE CRISTÃ( SOUC 2022); da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC 2022)

05- REFLEXÃO DOMINICAL I - ASCENSÃO: PROMESSA E ESPERANÇA;

06-  REFLEXÃO DOMINICAL II: APÓS A ASCENSÃO DE JESUS INICIA-SE A NOSSA MISSÃO;

07- MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 56º DIA MUNDIAL DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SOCIAL;

08- A EDUCAÇÃO AGOSTINIANA: PRINCÍPIOS E APLICAÇÃO: SUGESTÕES AGOSTINIANAS PARA A INSTRUÇÃO(II);

09- A MÍSTICA DO COMUNICADOR;

10- A ASCENSÃO DO SENHOR: O QUE SIGNIFICOU E O QUE SIGNIFICA?

11- SANTO AGOSTINHO E A ASCENSÃO DO SENHOR;

 12- SUGESTÃO DE LEITURA

1.    Em busca de sentido (Viktor E. Frankl);

2.    O banquete dos deuses: conversa sobre a origem da cultura brasileira (Daniel Munduruku).

 

















Caro(a) Leitor(a) amigo(a):

O meu abraço fraterno e uma ótima semana a todos!

ACESSE SEMPRE O BLOG: sbsabendobem.blogspot.com e divulgue aos seus amigos, conhecidos e contatos nas redes sociais. Comente, faça sugestões. Agradeço!

Escreva para: sbsabedobem@gmail.com

 

# VACINAR É UM ATO DE AMOR!

EU CUIDO DE VOCÊ E VOCÊ CUIDA DE MIM E DEUS CUIDA DE NÓS!









 

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

LEITURAS DA MISSA SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR - ANO C

   PRIMEIRA LEITURA (At 1,1-11)            

O que significa a Ascensão do Senhor? - Santuário São José

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

1 No meu primeiro livro, ó Teófilo, já tratei de tudo o que Jesus fez e ensinou, desde o começo, 2 até o dia em que foi levado para o céu, depois de ter dado instruções pelo Espírito Santo, aos apóstolos que tinha escolhido. 3 Foi a eles que Jesus se mostrou vivo depois da sua paixão, com numerosas provas. Du- rante quarenta dias, apareceu-lhes falando do Reino de Deus. 4 Durante uma refeição, deu-lhes esta ordem: “Não vos afasteis de Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes falar: 5 ‘João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito Santo, dentro de poucos dias’”. 6 Então os que estavam reunidos perguntaram a Jesus: “Senhor, é agora que vais restaurar o Reino em Israel? “ 7 Jesus respondeu: “Não vos cabe saber os tempos e os momentos que o Pai determinou com a sua própria autoridade. 8 Mas recebereis o poder do Espírito Santo que descerá sobre vós, para serdes minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e na Samaria, e até os confins da terra”. 9 Depois de dizer isto, Jesus foi levado ao céu, à vista deles. Uma nuvem o encobriu, de forma que seus olhos não mais podiam vê-lo. 10Os apóstolos continuavam olhando para o céu, enquanto Jesus subia. Apareceram então dois homens vestidos de branco, 11que lhes disseram: “Homens da Galileia, por que ficais aqui, parados, olhando para o céu? Esse Jesus que vos foi levado para o céu, virá do mesmo modo como o vistes partir para o céu”.

- Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

SALMO 46(47)

Por entre aclamações Deus se elevou, / o Senhor subiu ao toque da trombeta.

1. Povos todos do universo, batei palmas, * gritai a Deus aclamações de alegria! / Porque sublime é o Senhor, o Deus Altíssimo, * o soberano que domina toda a terra.

2. Por entre aclamações Deus se elevou * o Senhor subiu ao toque da trombeta. / Salmodiai ao nosso Deus ao som da harpa, * salmodiai ao som da harpa ao nosso Rei!

3. Porque Deus é o grande Rei de toda a terra, * ao som da harpa acompanhai os seus louvores! / Deus reina sobre todas as nações, * está sentado no seu trono glorioso.

SEGUNDA LEITURA (Ef 1, 17-23

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.                       

 Irmãos: 7O Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai a quem pertence a glória, vos dê um espírito de sabedoria que vo-lo revele e faça verdadeiramente conhecer. 18Que ele abra o vosso coração à sua luz, para que saibais qual a es- perança que o seu chamamento vos dá, qual a riqueza da glória que está na vossa herança com os santos, 19e que imenso poder ele exerceu em favor de nós que cremos, de acordo com a sua ação e força onipotente. 20Ele manifestou sua força em Cristo, quando o ressuscitou dos mortos e o fez sentar-se à sua direita nos céus, 21bem acima de toda a autoridade, poder, potência, soberania ou qualquer título que se possa mencionar não somente neste mundo, mas ainda no mundo futuro. 22Sim, ele pôs tudo sob os seus pés e fez dele, que está acima de tudo, a Cabeça da Igreja, 23que é o seu corpo, a plenitude daquele que possui a plenitude universal.

 -Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

 

ACLAMAÇÃO (Mt 28,19a.20b)

 

 Aleluia, aleluia, aleluia

Ide ao mundo, ensinai aos povos todos: / “convosco estarei todos os dias”, diz Jesus.

 

EVANGELHO (Lc 24, 46-53)

Dia da Ascensão 2022, 2023 e 2024 - Data e origem - iCalendário.br.com

 

P. O Senhor esteja convosco. T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas. T. Glória a vós, Senhor.

P. Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 46“Assim está escrito: O Cristo sofrerá e ressuscitará dos mortos ao terceiro dia 47e no seu nome, serão anunciados a conversão e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. 48Vós sereis testemunhas de tudo isso. 49Eu enviarei sobre vós aquele que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade, até que sejais revestidos da força do alto”. 50Então Jesus levou-os para fora, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. 51Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado para o céu. 52Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria. 53E estavam sempre no Templo, bendizendo a Deus.

- Palavra da Salvação. T. Glória a vós, Senhor.

                                                                                                             

LITURGIA DA SEMANA DE 30 DE MAIO A 05 DE JUNHO

 

LITURGIA DA SEMANA DE 30 DE MAIO A 05 DE JUNHO

Dia 30, 2ªf: At 19,1-8;Sl 67(68); Jo 16,29-33;

Dia 31, 3ªf, Visitação de Nossa Senhora: Sf 3,14-18 ou Rm 12,9-16b; Is 12,2-3.4bcd.5- 6 (R.6b); Jo 1,39-56;

Dia 1º, 4ªf, São Justino: At 20,28-38; Sl 67(68); Jo 17,11b-19;

Dia 02, 5ªf, Santos Marcelino e Pedro: At 22,30.23,6-11; Sl 15(16); Jo 17,20-26;

Dia 03, 6ªf, São Carlos Lwanga e companheiros: At 25,13b-21; Sl 102(103); Jo 21,15-19;

Dia 04, sáb.: At 28,16- 20.30-31; Sl 10(11); Jo 21,20- 25;

Dia 05, dom., DOMINGO DE PENTECOSTES: At 2,1-11; Sl 103(104); 1Cor 12,3b-7.12- 13 ou Rm 8,8-17; Jo 20,19-23 ou Jo 14,15-16.23b-26.

 

Oração Oficial da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC 2022)

 Deus, Pai misericordioso e de bondade infinita! Dirigimo-nos a Ti, como filhos e filhas, pois... “Vimos a sua estrela e viemos prestar-lhe homenagem” (Mt 2,2). Guia-nos como guiaste os magos que, vendo a estrela, seguiram-na pelo caminho. Ilumina nosso caminho com este astro que é dom, realização de tua amorosa presença para toda humanidade, mediante a nova luz que é Jesus. Fortalece e abre nossos corações para o encontro com as diferentes culturas, tradições, religiosidades, etnias, línguas e sonhos. Queremos ser pequenas pontes de unidade e amorosidade, partilhando os tesouros que, gratuitamente, nos deste. Queremos caminhar juntos e juntas com todos os povos da Terra. Enquanto fazemos caminho ao caminhar, ensina-nos a viver a cultura do encontro, nos despojando para experiências mais profundas da cultura da paz. Que os presentes entregues pelos magos a Jesus simbolizem para nós: O ouro – sinal de que o rosto do irmão e da irmã é o fundamento ético para a acolhida; O incenso – sinal de que a melhor forma de te louvar é nos comprometermos com a superação de todas as formas de violência; A mirra – perfume valioso que nos envolve e nos desafia a sermos responsáveis pelo cuidado com a Criação. Bom Deus! Que a Epifania ocorrida em Belém faça de nós testemunhas da unidade e da paz. Deus, revelado em Jesus Cristo e presente pela ação transformadora do Espírito Santo, que a Tua ternura seja para toda a humanidade, do Norte e do Sul, do Leste e do Oeste, e que ela faça morada em nossos corações. É o que te pedimos em nome de Teu Filho, Jesus Cristo, e do Espírito Santo, amém!

REFLEXÃO DOMINICAL I



 

ASCENSÃO: PROMESSA E ESPERANÇA

Segundo o relato de Lucas, Cristo sobe ao Céu do mesmo local em que passou a agonia: no horto da Oliveiras. Os discípulos, ao verem novamente Jesus ressuscitado, adoram-no, prostram-se diante dEle como seu Mestre e seu Deus. Jesus fala-lhes com a majestade própria de Deus: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra”. Jesus confirma a fé dos que o adoram e ensina-lhes que o poder que irão receber deriva do próprio poder divino: “O Espírito Santo descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo. Dizendo isto, elevou-se da terra à vista deles, e uma nuvem o ocultou”. Assim nos descreve São Lucas a Ascensão na primeira leitura da Missa. Foi-se elevando pouco a pouco. Os Apóstolos permaneceram olhando para Jesus que subia ao céu com toda a majestade, en- quanto lhes dava a última bênção, até que uma nuvem o ocultou. A Ascensão aos céus é o último mistério da vida do Senhor aqui na terra. É um mistério redentor, que constitui, com a Paixão, a Morte e a Ressurreição, o mistério pascal. Cristo, também como Homem, com seu Corpo, é glorificado pelo Pai com aquela Glória que Ele, como Filho de Deus, tinha ainda antes de que o mundo fosse criado. Ele é a Cabeça do seu Corpo Místico que é a Igreja. Todos os membros da Igreja, membros do seu Corpo Místico – de certa maneira – também subimos junto com Cristo ao Céu: em promessa e em esperança. Os Apóstolos voltam a Jerusalém com grande alegria porque sabem que Jesus não os abandonará: sobe ao céu, onde vai preparar-lhes um lugar. Nós também estamos contentes porque a Ascensão nos garante que Cristo voltou para o Pai e que também nós iremos ao Pai: Jesus sobe ao Céu para preparar-nos um lugar junto do Pai. Por outro lado, a Ascensão garante também que Ele está conosco: Ele foi ao Pai e voltará do mesmo modo como subiu ao Céu. A Ascensão fortalece e estimula a nossa esperança de alcançarmos o Céu e incita-nos cons- tantemente a levantar o coração a fim de procurarmos as coisas do alto, como nos sugere o Prefácio da Missa. Em seguida, aparecem uns anjos: “Homens da Galileia, por que ficais aí a olhar para o céu?” Dizem aos Apóstolos que é hora de começar a imensa tarefa que os espera, e que não devem perder um só instante. Com a Ascensão termina a missão terrena de Cristo e começa a dos seus discípulos, e também a nossa. Os Apóstolos seguem a sugestão dos anjos e nenhum deles se retrai: não se assustam, não têm medo. Hoje também nós, recebemos esta missão da expansão do reino do Céu. Devemos nós também falar de Deus às pessoas, num clima de amizade. Contar a nossa própria experiência. Transmitir, com segurança, a alegria de saber-nos filhos de Deus. Estamos vivendo a experiência do Sínodo: todos e cada um de nós somos responsáveis pela Igreja, pelas pessoas que temos à nossa volta. Devemos deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo e sermos apóstolos, discípulos missionários de Jesus Cristo em nossa Arquidiocese de São Paulo.

D. Carlos Lema Garcia Bispo Auxiliar de São Paulo

https://arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/ano-46-c-35-ascensao-do-senhor.pdf

 

 

 

REFLEXÃO DOMINICAL II

 

COM A ASCENSÃO DE JESUS INICIA-SE A NOSSA MISSÃO

A paixão de Jesus mostra-nos o quanto ele foi fiel à vontade do Pai. Não que o Pai quisesse de antemão a sua morte mas, ele a assumiu como conseqüência da missão que o Pai lhe confiou: anunciar a Boa Nova do Reino. Por sua fidelidade a esta missão, Jesus foi resgatado da morte com poder e elevado à direita de Deus, nos céus. Sua Ressurreição e Ascensão são sinais da aprovação de Deus Pai a tudo o que o Filho fez. A Jesus foi dada toda a autoridade no céu e na terra. Ele está acima de todo principado, potestade, fortaleza e senhorio ou qualquer outro título que se possa nomear. Ele é a plenitude da qual recebemos todo bem e toda graça! Todas estas verdades da nossa fé, nos foram transmitidas através do relato da Ascensão. Celebrar a Ascensão é celebrar a exaltação de Jesus Cristo ressuscitado, vencedor do pecado e da morte. Com Ele, celebramos a certeza da nossa vitória sobre a morte eterna.

- Lucas é o único autor do Novo Testamento que narra a exaltação de Jesus como um arrebatamento ante os olhos dos discípulos quarenta dias após a páscoa. Esta é uma catequese de Jesus ressuscitado com seus discípulos que o evangelista dá destaque. Ele pretende responder de modo muito concreto e palpável à Igreja do seu tempo, um problema importante para a plenitude da fé: a crença na segunda vinda de Cristo, que alguns achavam que era imediata. Diz o texto: "Homens da Galileia, por que estais aí a contemplar o céu?" Com esta frase o autor quer ressaltar que a Páscoa de Jesus não é uma realidade terrena. Pelo contrário, sua força renovadora se espalha em todo o tempo e espaço da vida e missão da Igreja. Pode-se dizer que nesta cena temos o despertar missionário da Igreja. Ele ganha força e significado com a presença do Ressuscitado. É atitude errada ficar parado, olhando para o céu. Pois a ordem de Jesus é movimento: "Ide e fazei discípulos meus todos os povos". Ao discípulo compete ser testemunha do Ressuscitado na Igreja e no mundo.

 - Nesta tarefa, não estamos sozinhos. Ele prometeu estar conosco. Com sua Ascensão, Jesus nos priva de sua presença física na terra. Mas essa privação tornou-se uma nova forma de presença. Jesus abre para nós, que fomos batizados, a possibilidade de viver com Ele "todos os dias até o fim do mundo". O Deus em quem nós cremos não é um Deus distante, mesmo sendo um Deus muito além da natureza humana. Por isso tantas vezes repetimos na liturgia: "Ele está no meio de nós!"

 - Olhando para o Cristo que sobe aos céus, vemos nele realizado o nosso próprio destino: a vida junto de Deus, na intimidade da Trindade. A solenidade de hoje revela, assim, o verdadeiro sonho de Deus para a humanidade: a vida plena, perfeita e imortal. A ascensão de Jesus é portanto, uma nova presença do Mestre, que se manifesta mediante sinais da missão evangelizadora dos discípulos.

 - Neste tempo que se iniciou com a ascensão do Senhor e vai até o dia de sua volta, cabe aos cristãos trabalharem incansavelmente pela unidade dos seguidores de Jesus; pela construção da paz e reconciliação dos povos; e tantas outras atividades que nos fazem testemunhas do Cristo. Ele mesmo, através de seu Espírito, é quem nos inspira a promoção e defesa da vida. O projeto divino de salvação e libertação da humanidade passou para as mãos da Igreja. Ela, como comunidade missionária, deverá prosseguir seu caminho conduzindo a humanidade para a eternidade, para a vida plena.

http://diocesedesaomateus.org.br/wp-content/uploads/2022/04/29_05_22.pdf

 

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O LVI DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS

 



Escutar com o ouvido do coração

Queridos irmãos e irmãs!

No ano passado, refletimos sobre a necessidade de «ir e ver» para descobrir a realidade e poder narrá-la a partir da experiência dos acontecimentos e do encontro com as pessoas. Continuando nesta linha, quero agora fixar a atenção noutro verbo, «escutar», que é decisivo na gramática da comunicação e condição para um autêntico diálogo.

Com efeito, estamos a perder a capacidade de ouvir a pessoa que temos à nossa frente, tanto na teia normal das relações quotidianas como nos debates sobre os assuntos mais importantes da convivência civil. Ao mesmo tempo, a escuta está a experimentar um novo e importante desenvolvimento em campo comunicativo e informativo, através das várias ofertas de podcast e chat audio, confirmando que a escuta continua essencial para a comunicação humana.

A um médico ilustre, habituado a cuidar das feridas da alma, foi-lhe perguntada qual era a maior necessidade dos seres humanos. Respondeu: «O desejo ilimitado de ser ouvidos». Apesar de freqüentemente oculto, é um desejo que interpela toda a pessoa chamada a ser educadora, formadora, ou que desempenhe de algum modo o papel de comunicador: os pais e os professores, os pastores e os agentes pastorais, os operadores da informação e quantos prestam um serviço social ou político.

Escutar com o ouvido do coração

A partir das páginas bíblicas aprendemos que a escuta não significa apenas uma percepção acústica, mas está essencialmente ligada à relação dialogal entre Deus e a humanidade. O «shema’ Israel – escuta, Israel» (Dt 6, 4) – as palavras iniciais do primeiro mandamento do Decálogo – é continuamente lembrado na Bíblia, a ponto de São Paulo afirmar que «a fé vem da escuta» (Rm 10, 17). De fato, a iniciativa é de Deus, que nos fala, e a ela correspondemos escutando-O; e mesmo este escutar fundamentalmente provém da sua graça, como acontece com o recém-nascido que responde ao olhar e à voz da mãe e do pai. Entre os cinco sentidos, parece que Deus privilegie precisamente o ouvido, talvez por ser menos invasivo, mais discreto do que a vista, deixando conseqüentemente mais livre o ser humano.

A escuta corresponde ao estilo humilde de Deus. Ela permite a Deus revelar-Se como Aquele que, falando, cria o homem à sua imagem e, ouvindo-o, reconhece-o como seu interlocutor. Deus ama o homem: por isso lhe dirige a Palavra, por isso «inclina o ouvido» para o escutar.

O homem, ao contrário, tende a fugir da relação, a virar as costas e «fechar os ouvidos» para não ter de escutar. Esta recusa de ouvir acaba muitas vezes por se transformar em agressividade sobre o outro, como aconteceu com os ouvintes do diácono Estêvão que, tapando os ouvidos, atiraram-se todos juntos contra ele (cf. At 7, 57).

Assim temos, por um lado, Deus que sempre Se revela comunicando-Se livremente, e, por outro, o homem, a quem é pedido para sintonizar-se, colocar-se à escuta. O Senhor chama explicitamente o homem a uma aliança de amor, para que possa tornar-se plenamente aquilo que é: imagem e semelhança de Deus na sua capacidade de ouvir, acolher, dar espaço ao outro. No fundo, a escuta é uma dimensão do amor.

Por isso Jesus convida os seus discípulos a verificar a qualidade da sua escuta. «Vede, pois, como ouvis» (Lc 8, 18): faz-lhes esta exortação depois de ter contado a parábola do semeador, sugerindo assim que não basta ouvir, é preciso fazê-lo bem. Só quem acolhe a Palavra com o coração «bom e virtuoso» e A guarda fielmente é que produz frutos de vida e salvação (cf. Lc 8, 15). Só prestando atenção a quem ouvimos, àquilo que ouvimos e ao modo como ouvimos é que podemos crescer na arte de comunicar, cujo cerne não é uma teoria nem uma técnica, mas a «capacidade do coração que torna possível a proximidade» (Francisco, Exort. ap. Evangeliigaudium, 171).

Ouvidos, temo-los todos; mas muitas vezes mesmo quem possui um ouvido perfeito, não consegue escutar o outro. Pois existe uma surdez interior, pior do que a física. De fato, a escuta não tem a ver apenas com o sentido do ouvido, mas com a pessoa toda. A verdadeira sede da escuta é o coração. O rei Salomão, apesar de ainda muito jovem, demonstrou-se sábio ao pedir ao Senhor que lhe concedesse «um coração que escuta» ( 1Rs 3, 9). E Santo Agostinho convidava a escutar com o coração ( cordeaudire), a acolher as palavras, não exteriormente nos ouvidos, mas espiritualmente nos corações: «Não tenhais o coração nos ouvidos, mas os ouvidos no coração» [1]. E São Francisco de Assis exortava os seus irmãos a «inclinar o ouvido do coração» [2].

Por isso, a primeira escuta a reaver quando se procura uma comunicação verdadeira é a escuta de si mesmo, das próprias exigências mais autênticas, inscritas no íntimo de cada pessoa. E não se pode recomeçar senão escutando aquilo que nos torna únicos na criação: o desejo de estar em relação com os outros e com o Outro. Não fomos feitos para viver como átomos, mas juntos.

A escuta como condição da boa comunicação

Há um uso do ouvido que não é verdadeira escuta, mas o contrário: o espionar. De fato, uma tentação sempre presente, mas que neste tempo da social web parece mais assanhada, é a de procurar saber e espiar, instrumentalizando os outros para os nossos interesses. Ao contrário, aquilo que torna boa e plenamente humana a comunicação é precisamente a escuta de quem está à nossa frente, face a face, a escuta do outro abeirando-nos dele com abertura leal, confiante e honesta.

Esta falta de escuta, que tantas vezes experimentamos na vida quotidiana, é real também, infelizmente, na vida pública, onde com freqüência, em vez de escutar, «se fala pelos cotovelos». Isto é sintoma de que se procura mais o consenso do que a verdade e o bem; presta-se mais atenção à audience do que à escuta. Ao invés, a boa comunicação não procura prender a atenção do público com a piada foleira visando ridicularizar o interlocutor, mas presta atenção às razões do outro e procura fazer compreender a complexidade da realidade. É triste quando surgem, mesmo na Igreja, partidos ideológicos, desaparecendo a escuta para dar lugar a estéreis contraposições.

Na realidade, em muitos diálogos, efetivamente não comunicamos; estamos simplesmente à espera que o outro acabe de falar para impor o nosso ponto de vista. Nestas situações, como observa o filósofo Abraham Kaplan [3], o diálogo não passa de duólogo, ou seja um monólogo a duas vozes. Ao contrário, na verdadeira comunicação, o eu e o tu encontram-se ambos «em saída», tendendo um para o outro.

Portanto, a escuta é o primeiro e indispensável ingrediente do diálogo e da boa comunicação. Não se comunica se primeiro não se escutou, nem se faz bom jornalismo sem a capacidade de escutar. Para fornecer uma informação sólida, equilibrada e completa, é necessário ter escutado prolongadamente. Para narrar um acontecimento ou descrever uma realidade numa reportagem, é essencial ter sabido escutar, prontos mesmo a mudar de ideia, a modificar as próprias hipóteses iniciais.

Com efeito, só se sairmos do monólogo é que se pode chegar àquela concordância de vozes que é garantia duma verdadeira comunicação. Ouvir várias fontes, «não parar na primeira locanda» – como ensinam os especialistas do oficio – garante credibilidade e seriedade à informação que transmitimos. Escutar várias vozes, ouvir-se – inclusive na Igreja – entre irmãos e irmãs, permite-nos exercitar a arte do discernimento, que se apresenta sempre como a capacidade de se orientar numa sinfonia de vozes.

Entretanto para quê enfrentar este esforço da escuta? Um grande diplomata da Santa Sé, o cardeal Agostinho Casaroli, falava de «martírio da paciência», necessário para escutar e fazer-se escutar nas negociações com os interlocutores mais difíceis a fim de se obter o maior bem possível em condições de liberdade limitada. Mas, mesmo em situações menos difíceis, a escuta requer sempre a virtude da paciência, juntamente com a capacidade de se deixar surpreender pela verdade – mesmo que fosse apenas um fragmento de verdade – na pessoa que estamos a escutar. Só o espanto permite o conhecimento. Penso na curiosidade infinita da criança que olha para o mundo em redor com os olhos arregalados. Escutar com este estado de espírito – o espanto da criança na consciência dum adulto – é sempre um enriquecimento, pois haverá sempre qualquer coisa, por mínima que seja, que poderei aprender do outro e fazer frutificar na minha vida.

A capacidade de escutar a sociedade é ainda mais preciosa neste tempo ferido pela longa pandemia. A grande desconfiança que anteriormente se foi acumulando relativamente à «informação oficial», causou também uma espécie de «info-demia» dentro da qual é cada vez mais difícil tornar credível e transparente o mundo da informação. É preciso inclinar o ouvido e escutar em profundidade, sobretudo o mal-estar social agravado pelo abrandamento ou cessação de muitas atividades econômicas.

A própria realidade das migrações forçadas é uma problemática complexa, e ninguém tem pronta a receita para a resolver. Repito que, para superar os preconceitos acerca dos migrantes e amolecer a dureza dos nossos corações, seria preciso tentar ouvir as suas histórias. Dar um nome e uma história a cada um deles. Há muitos bons jornalistas que já o fazem; e muitos outros gostariam de o fazer, se pudessem. Encorajemo-los! Escutemos estas histórias! Depois cada qual será livre para sustentar as políticas de migração que considerar mais apropriadas para o próprio país. Mas então teremos diante dos olhos, não números nem invasores perigosos, mas rostos e histórias de pessoas concretas, olhares, expectativas, sofrimentos de homens e mulheres para ouvir.

Escutar-se na Igreja

Também na Igreja há grande necessidade de escutar e de nos escutarmos. É o dom mais precioso e profícuo que podemos oferecer uns aos outros. Nós, cristãos, esquecemo-nos de que o serviço da escuta nos foi confiado por Aquele que é o ouvinte por excelência e em cuja obra somos chamados a participar. «Devemos escutar através do ouvido de Deus, se queremos poder falar através da sua Palavra» [4]. Assim nos lembra o teólogo protestante Dietrich Bonhöffer que o primeiro serviço na comunhão que devemos aos outros é prestar-lhes ouvidos. Quem não sabe escutar o irmão, bem depressa deixará de ser capaz de escutar o próprio Deus [5].

Na ação pastoral, a obra mais importante é o «apostolado do ouvido». Devemos escutar, antes de falar, como exorta o apóstolo Tiago: «cada um seja pronto para ouvir, lento para falar» (1, 19). Oferecer gratuitamente um pouco do próprio tempo para escutar as pessoas é o primeiro gesto de caridade.

Recentemente deu-se início a um processo sinodal. Rezemos para que seja uma grande ocasião de escuta recíproca. Com efeito, a comunhão não é o resultado de estratégias e programas, mas edifica-se na escuta mútua entre irmãos e irmãs. Como num coro, a unidade requer, não a uniformidade, a monotonia, mas a pluralidade e variedade das vozes, a polifonia. Ao mesmo tempo, cada voz do coro canta escutando as outras vozes na sua relação com a harmonia do conjunto. Esta harmonia é concebida pelo compositor, mas a sua realização depende da sinfonia de todas e cada uma das vozes.

Cientes de participar numa comunhão que nos precede e inclui, possamos descobrir uma Igreja sinfônica, na qual cada um é capaz de cantar com a própria voz, acolhendo como dom as dos outros, para manifestar a harmonia do conjunto que o Espírito Santo compõe.

Roma, São João de Latrão, na Memória de São Francisco de Sales, 24 de janeiro de 2022.

 

Francisco

 

_____________

[1] «Nolitehabere cor in auribus, sedaures in corde» ( Sermo 380, 1: Nova Biblioteca Agostiniana 34, 568).

[2] Carta à Ordem inteiraFontes Franciscanas, 216.

[3] Cf. «The life of dialogue» , in J. D. Roslansky (ed.), Communication. A discussion at the Nobel Conference (North-Holland Publishing Company – Amesterdão 1969), 89-108.

[4] D. Bonhöfffer, La vitacomune (Queriniana – Bréscia 2017), 76.

[5] Cf. ibid., 75.

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/20220124-messaggio-comunicazioni-sociali.html

 

 

A EDUCAÇÃO AGOSTINIANA: PRINCÍPIOS E APLICAÇÃO – SUGESTÕES AGOSTINIANAS PARA A INSTRUÇÃO(II)

 

Sugestões agostinianas para a instrução

 

José Joaquim Pereira Melo(*)

Walmir Ruis Salinas(**)


O ponto de partida de quem busca a instrução ou o ensinamento, é a procura
da compreensão do significado de um determinado objeto. Por isso, antes de expor sobre como instruir, o teólogo colocou como indispensável para a compreensão, a necessidade de se crer. Santo Agostinho, tomando emprestadas as palavras do profeta Isaias, afirmou: “[...] se não crerdes não entendereis” (SANTO AGOSTINHO, 1995, p. 79). Para ele, a fórmula completa para o entendimento está em crer e
buscar em Deus o entendimento, pois n’Ele reside a verdade.
Ao se buscar o entendimento de algo, há de se levar em consideração três
fatores: o sujeito que irá intermediar o entendimento, o objeto de entendimento e aquele que alcançará o entendimento.


O primeiro fator, isto é, o sujeito que articula o entendimento, foi muito
lembrado por Santo Agostinho em suas instruções de oratória, principalmente as dirigidas ao orador cristão. Em A Doutrina Cristã ele apresentou três metas
essenciais para que o orador consiga se expressar com sabedoria e eloqüência, “[...] que consistem em fazer-se escutar com atenção, com prazer e com docilidade” (SANTO AGOSTINHO, 2002, p. 268).

Ao mesmo tempo em que ele aponta o caminho para o sucesso do bom
orador, também se mostra preocupado com aquele que ouve. Por esse motivo
enfatiza que não basta ter a atenção daquele que ouve, é preciso despertar nele o prazer para aquilo que ouve.


Nas sugestões dadas por Santo Agostinho para a prática do instruir, em
momento algum ele aponta o caminho da força para que se tenha a atenção do
ouvinte, seja ele aluno ou um fiel. O que ele sugere é de que a aprendizagem se dê “[...] em uma atmosfera de amor” (WILLS, 1999, p. 47). É a busca pela empatia, e não pelo amedrontamento, na tentativa de se alcançar a aprendizagem.
Para ter sucesso, no intento de cativar o ouvinte e despertar nele o prazer em
aprender, cabe ao mestre mostrar satisfação com aquilo que faz:
O fato é que somos ouvidos com maior prazer quando a nós mesmos
agrada o nosso trabalho: o fio da nossa educação é tocado pela
alegria e desenvolve-se mais fácil e mais inteligível. [...] A grande
preocupação reside na maneira de narrar, para que aquele que
catequiza, quem quer que seja o faça com alegria. (SANTO
AGOSTINHO, 1973, p. 37).


Esse tipo de conduta do orador ocasionaria uma espécie de simbiose, onde
as partes sairiam satisfeitas e realizadas naquilo a que se propuseram alcançar. O segredo estava na troca da truculência da violência pela atração desencadeada pelo prazer da ação educativa.


Para chegar a esse padrão de comportamento para com seu ouvinte,
professor e pregador deveriam ter sempre em mente de que Cristo é o Mestre, e a caridade deveria ser norteadora da ação instrutiva e desencadeadora do amor entre as partes envolvidas no processo do ensino e da aprendizagem (SANTO AGOSTINHO, 1987).

Herança da tradição paulina, a caridade simboliza a alteridade em seu sentido mais amplo, que é do homem novo que busca “[...] dar-se,
empenhar-se, prodigar-se até ao sacrifício pelos próprios semelhantes” (SCIACCA, 1966, p. 223). Nesse novo contexto, o homem abre mão de suas aspirações de promoção pessoal e volta-se para seu semelhante com um amor incondicional, capaz de suplantar qualquer desânimo ou reserva por parte do instrutor (SANTO AGOSTINHO, 1973).


Para Hannah Arendt, o conceito de caridade em Santo Agostinho transcende
o horizonte ôntico. Ao contrário de cupiditas (cobiça), que é o falso amor, e que prende o homem ao mundo, a caritas (caridade) é o amor que almeja a eternidade.
Sobre o aspecto prático de um e de outro, Arendt, assim se expressa:
Caridade e cobiça diferenciam-se pelo objeto que visam.
Descrevem desde logo a pertença a qualquer coisa e não à atitude, o
habitus. O homem é aquilo que se esforça por atingir. O amor é a
mediação entre o que ama e aquilo que ama; o que ama nunca está
isolado daquilo que ama, isso pertence-lhe. O desejo daquilo que é
da ordem do mundo é mundano, pertence ao mundo. O que cobiça
decidiu ele próprio, através de sua cobiça, a sua corruptibilidade,
enquanto a caridade, visto que tende para a eternidade, torna-se ela
própria eterna (ARENDT, 1997, p. 25).


A partir desse conceito de caridade, esta, a caridade, se enquadra não só
como uma determinação no magistério agostiniano, pois ela é um meio para a boa execução deste, mas como um princípio também, uma vez que é princípio básico da educação agostiniana. É o argumento defendido por Paulo de Tarso, na primeira carta aos Coríntios, de que sem a caridade nenhum dom tem valor. O professor que tem a caridade como princípio de sua ação, não só está bem respaldado, como sinaliza qual cidadania escolheu, a celeste.
Estabelecidos os princípios para a ação pedagógica, Santo Agostinho,
fazendo uso de sua experiência no campo da oratória, deu dicas para aqueles que se propunham a transmitir os ensinamentos da doutrina cristã. Para ele, a regra de ouro para um bom orador é ter a oração e a sabedoria acima da eloquência. Ele deve orar por ele e por quem o ouve. Mesmo com o cuidado de orar antes de pronunciar sua fala, é possível que haja entre os ouvintes, pessoas com sérias limitações de entendimento. Essas pessoas, segundo o teólogo, não devem ser ignoradas, mas deve-se ter um cuidado especial para que elas também aproveitem da pregação ou mesmo da aula (SANTO AGOSTINHO, 1973).


Àqueles que têm dificuldade em acompanhar o que está sendo falado, Santo
Agostinho sugere que orador desça o nível da fala até sua possível compreensão.
Mesmo que para isso tenha que falar mais compassadamente, e numa linguagem factível de compreensão a estes que demonstram dificuldade maior que os demais para acompanhar e entender a pregação da doutrina cristã (SANTO AGOSTINHO, 1973).


Para o mestre de Tagaste, ao fazer uso de tal estratégia, o orador corre o
risco de se aborrecer com essas pessoas, mas quando isso acontecer, a solução é simples, ser paciente. A motivação para a paciência, segundo Santo Agostinho, reside na possibilidade da surpreendente aprendizagem, e diz: “[...] agora, no entanto não se renova o nosso prazer pelo prazer de sua surpresa?” (SANTO AGOSTINHO, 1973, p. 59).

Quando o conhecimento se dá, o aborrecimento dá lugar
à alegria da conquista para aquele que menor possibilidade tinha de alcançá-la. Por isso, mais eficiente que envergonhar o aluno, expondo sua dificuldade, é ter a paciência necessária para que ele alcance a mesma alegria daqueles que já haviam compreendido o teor do ensinamento.


Sua experiência no púlpito lhe dava a certeza da diversidade de pessoas.
Diante deste fato, ao passar sugestões para a instrução aos catecúmenos Santo Agostinho diz:


[...] posso eu mesmo testemunhar que me impressiono
diferentemente ao ver diante de mim para serem catequizados o
erudito, o tímido, o cidadão, o estrangeiro, o rico, o pobre, o civil, o
magistrado, o poderoso, o representante desta ou daquela família,
desta ou daquela idade, ou sexo, desta ou daquela seita, partindo
deste ou daquele erro vulgar. [...] E apesar de que a mesma caridade
se deve a todos, a todos não se aplica o mesmo remédio. (SANTO
AGOSTINHO, 1973, p. 67).


Apesar desta ser uma indicação básica para um orador minimamente
preparado, Santo Agostinho lembrou aos catequistas e educadores de que para cada tipo de pessoa se aplica um tipo de mensagem. A experiência como professor de retórica, dava-lhe autoridade suficiente para afirmar que a instrução, na dose certa e de maneira adequada, tende a funcionar. Aliado à sua experiência estava o desejo de dirimir a ignorância daqueles menos preparados e menos instruídos sobre a doutrina cristã.


Caso aquele que buscasse a instrução, mesmo cercado de boa vontade em
aprender, mostrar-se entediado com a fala do instrutor, dizia Santo Agostinho que  o orador deveria utilizar-se de todo subterfúgio para recuperar a atenção deste que buscou o conhecimento da verdade (SANTO AGOSTINHO, 1973). Sendo assim, para ele, para que se tenha efeito positivo no alcance da verdade revelada pelas  escrituras (judaico-cristãs) é preciso que o orador seja paciente, sensível às diferenças e preparado para sua missão, para que consiga, com seu ofício, ensinar, convencer e agradar. Porém, Santo Agostinho foi irredutível em seu princípio de que
mais do que a palavra pronunciada, o que mais convence é o exemplo, pois o pregador tem que ser um modelo para seus fiéis. Aliado ao exemplo está o conteúdo a ser ministrado pelo orador (SANTO AGOSTINHO, 2002).


Considerações finais

Santo Agostinho soube tirar proveito da dualidade na sua formação
educacional. Da retórica romana tirou a base para suas aulas, enquanto professor, e para suas pregações, enquanto bispo. Do cristianismo tirou, com base na doutrina paulina de caridade, o espírito altruísta, que o colocou sempre atento à necessidade de aprendizagem dos mais variados tipos de pessoas. Essa sensibilidade para com o outro foi fundamental para que o bispo de Hipona lograsse êxito, tanto no seu
papel de professor, como de pregador cristão.

Notas
* José Joaquim Pereira Melo é doutor em História e Sociedade pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1998) e pós-doutor em História da Educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2007).  

Atualmente é Professor Associado da Universidade Estadual de Maringá – UEM e do programa de Pós-Graduação em Educação dessa universidade. E-mail: jjpmelo@hotmail.com


** Walmir Ruis Salinas possui graduação em filosofia pela PUC- PR e mestrado em educação pela UEM. Atualmente é professor da UNESPAR/Fecilcam – Câmpus de Campo Mourão. E-mail: walmir.salinas@gmail.com

 

Jo
1 O texto deste artigo é uma adaptação de dissertação de mestrado intitulada A docilização do corpo em Santo Agostinho a partir de sua educação doutrinária.
2 A Lei de Talião teria sido criada por Javé, como critério de justiça nas punições àqueles que causaram algum dano, de qualquer ordem, a qualquer pessoa.
3 Para Monroe, não é apenas Santo Agostinho que tem esse caráter salvífico em  sua doutrina educacional. Para ele o cristianismo trouxe uma nova perspectiva para educação, que passa dos interesses naturais e de tudo que estava ligado ao mundo para a preparação
para um momento futuro, ou seja, a parusia (MONROE, 1978).
4 A ideia de Deus como fonte de luz para o conhecimento do homem está baseada  na teoria da iluminação de Santo Agostinho. Para ele a alma está contaminada pelas paixões, o que impede o homem de ver a Verdade. Para vencer a escuridão, provocada pelas paixões, está
Deus como luz que permite ao homem ver a Verdade, que é o próprio Deus (SANTO AGOSTINHO, 2000). Tomando a imagem criada por Platão, Santo Agostinho afirma que Deus ilumina, mas cabe ao homem enxergar. Por isso é imprescindível que o homem mantenha a sua visão interna em boas condições. Desta forma, é imperativo: “[...] Uma fuga
completa das coisas sensíveis. [...] É necessário que estejam íntegras e perfeitas para voar das trevas à luz, esta que não se mostra aos encarcerados na prisão do corpo, a não ser
quando dele nos libertamos” (SANTO AGOSTINHO, 1995, p. 57). Por esse motivo é que o teólogo insiste na necessidade do homem romper com os bens terrenos e as paixões que estes despertam, pois assim o fazendo cria condições de contemplar a Verdade, e ver a luz.

 

Referências


ARENDT, Hannah. O Conceito de amor em Santo Agostinho. Lisboa: Instituto
Piaget, 1997.
BÍBLIA. Português. A bíblia de Jerusalém. São Paulo: Paulinas, 1980.
CAMBI, Franco. História da pedagogia. São Paulo: UNESP, 1993.
HUBERT, René. História da pedagogia. São Paulo: Companhia Editora Nacional,
1976.
LUZURIAGA, Lorenzo. História da educação e da pedagogia. 9. Ed. São Paulo:
Companhia Editora Nacional, 1977.
MONROE, Paul. História da educação. São Paulo: Companhia Editora Nacional,
1978.
NUNES COSTA, Marcos Roberto. Santo Agostinho: um gênio intelectual a serviço
da fé. Porto Alegre: EDIPUCRS, 1999.
PEREIRA MELO, José Joaquim. Santo Agostinho e a educação como fenômeno
divino. Revista Educação e filosofia, Uberlândia, v. 24, n. 48, jul./dez. 2010, p. 409-
434.
PLATÃO. República. São Paulo: Nova Cultural, 2000.
SANTO AGOSTINHO. A cidade de Deus. Petrópolis: Vozes, 1990.
SANTO AGOSTINHO. A doutrina cristã. São Paulo: Paulus, 2002.
SANTO AGOSTINHO. A verdadeira religião. São Paulo: Paulinas, 1987.
SANTO AGOSTINHO. A vida feliz. São Paulo: Paulinas, 1993.
SANTO AGOSTINHO. De magistro. São Paulo: Abril Cultural, 1984.
SANTO AGOSTINHO. Instrução dos catecúmenos. 2. ed. Petrópolis: Vozes, 1973.
SANTO AGOSTINHO. O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995.
SCIACCA. O problema da educação. São Paulo: Herder, 1966.
WILLS, Garry. Santo Agostinho. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.

 

http://www.fecilcam.br/revista/index.php/educacaoelinguagens/article/viewFile/633/369