sexta-feira, 12 de junho de 2026

BEM-VINDOS AO SB SABENDO BEM DE 14 DE JUNHO DE 2026- 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A



 A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. (I Coríntios 1, 18).

(Ano A/Verde) 11º Domingo do Tempo Comum

14 de junho de 2026

CHAMADOS POR JESUS E ENVIADOS EM MISSÃO

“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” (Mt 9,37-38)


TU ÉS A RAZÃO DA JORNADA

https://youtu.be/f939wo6BHPE?si=ez0Yq8ymGFHcULkx

QUANDO CHAMASTES OS DOZE PRIMEIROS

https://youtu.be/zo2C3EE6k00?si=b99GJ0E097IhGk-S

SB SABENDO BEM DE 14 DE JUNHO DE 2026 INFORMA.

Caro(a) Leitor(a) amigo(a):

O meu abraço fraterno e um ótimo mês de Junho a todos!

ACESSE SEMPRE O BLOG: sbsabendobem.blogspot.com e divulgue aos seus amigos, conhecidos e contatos nas redes sociais.

Comente, faça sugestões. Agradeço.

ESCREVA PARA sbsabendobem@gmail.com

 

SEJA BEM-VINDA! SEJA BEM-VINDO!

1-SEJAM BEM-VINDOS AO SB SABENDO BEM DO 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A 1.1-Bem-vindos Irmãs e Irmãos!

 

 

1-SEJAM BEM-VINDOS AO SB SABENDO BEM DO 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

1.1-Bem-vindos Irmãs e Irmãos!

Irmãos e irmãs, sejam todos bem-vindos! Na alegria, nos encontramos para celebrar nossa fé em Deus que, em Jesus Cristo, nos chama para uma vocação e nos envia em missão para cuidar e defender a vida de todos.

 

Com alegria, neste domingo, Dia do Senhor, somos chamados a nos reunir como comunidade para celebrar a fé, ouvir a Palavra e renovar nossa esperança em Cristo. Atentos às palavras de Jesus: "A messe é grande e os operários são poucos", rezemos para que o Senhor da messe continue chamando e enviando homens e mulheres para a missão, para estar junto do povo e servir com amor. Celebramos em comunhão com os dizimistas, pois o Dízimo é sinal de gratidão, partilha e compromisso com a Igreja. Pelo dízimo, colaboramos com a missão evangelizadora e com a vida da Comunidade.

1.2- VIAGEM DO PAPA LEÃO XIV

 

1.2- VIAGEM DO PAPA LEÃO XIV

"O PAPA É DE TODOS OS TIMES, MAS PREVOST É DO REAL MADRID", DIZ LEÃO XIV

"O papa é de todos os times, mas Prevost é do Real Madrid", disse Leão XIV neste sábado, em tom de brincadeira, ao iniciar uma visita de sete dias à Espanha, onde terá um encontro multitudinário com fiéis no estádio Santiago Bernabéu, do clube madrileno.

O pontífice respondeu a um jornalista que lhe disse no avião que o trouxe a Madri que a grande pergunta da viagem era se o papa era do Real Madrid ou do Barcelona.

"Isso é fácil. O papa é de todos os times, mas Prevost é do Real Madrid", disse Leão XIV com um sorriso, em alusão ao seu sobrenome. "O papa é do Real Madrid. Bem-vindo, Leão XIV!", escreveu no X o clube espanhol, juntamente com um vídeo das declarações do pontífice.

Na Copa do Mundo, que começa na próxima semana, "sem dúvida vou torcer pelos Estados Unidos, embora não tenha certeza de quantas partidas poderei ver", disse o papa, de nacionalidade americana e peruana. O Peru não se classificou para o Mundial.

Leão XIV chegou na manhã deste sábado para iniciar sua visita à Espanha, durante a qual passará por Madri, Barcelona e Ilhas Canárias.

https://www.gazetaesportiva.com/times/real-madrid/o-papa-e-de-todos-os-times-mas-prevost-e-do-real-madrid-diz-leao-xiv/

 

O Blog SB SABENDO BEM traz mais sobre a quarta viagem do Papa Leão XIV no item 8. Leia e confira.

2-LITURGIA DA PALAVRA DO 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A

 

2-LITURGIA DA PALAVRA DO 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM –  A

A Palavra do Senhor que vamos escutar é um convite à obediência à sua vontade. Acolhamo-la com o coração aberto e disponível.

 PRIMEIRA LEITURA (Ex 19,2-6a) Leitura do livro do Êxodo.

 Naqueles dias, os israelitas, 2 partindo de Rafidim, chegaram ao deserto do Sinai, onde acamparam. Israel armou ai suas tendas, defronte da montanha. 3 Moisés, então, subiu ao encontro de Deus. O Senhor chamou-o do alto da montanha, e disse: “Assim deverás falar à casa de Jacó e anunciar aos filhos de Israel: 4 Vistes o que fiz aos egípcios, e como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim. 5 Portanto, se ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim a porção escolhida dentre todos os povos, porque minha é toda a terra. 6aE vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.” - Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

 SALMO 99(100)

Somos o povo e o rebanho do Senhor.

1. Aclamai o Senhor, ó terra inteira, + servi ao Senhor com alegria, * ide a ele cantando jubilosos!

2. Sabei que o Senhor, só ele é Deus, + ele mesmo nos fez e somos seus, * nós somos seu povo e seu rebanho.

3. Sim, é bom o Senhor e nosso Deus, + sua bondade perdura para sempre, * seu amor é fiel eternamente!

 SEGUNDA LEITURA (Rm 5,6-11) Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

Irmãos: 6 Quando éramos ainda fracos, Cristo morreu pelos ímpios, no tempo marcado. 7 Dificilmente alguém morrerá por um justo; por uma pessoa muito boa, talvez alguém se anime a morrer. 8 Pois bem, a prova de que Deus nos ama é que Cristo morreu por nós, quando éramos ainda pecadores. 9 Muito mais agora, que já estamos justificados pelo sangue de Cristo, seremos salvos da ira por ele. 10Quando éramos inimigos de Deus, fomos reconciliados com ele pela morte do seu Filho; quanto mais agora, estando já reconciliados, seremos salvos por sua vida! 11Ainda mais: nós nos gloriamos em Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. É por ele que, já desde o tempo presente, recebemos a reconciliação.

- Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

ACLAMAÇÃO (Mc 1,15)

Aleluia, aleluia, aleluia.

O Reino do céu está perto! Convertei-vos, irmãos, é preciso! Crede todos no evangelho!

 

EVANGELHO (Mt 9,36-37;10,1-8)

P. O Senhor esteja convosco. T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. T. Glória a vós, Senhor.

P. Naquele tempo, 36vendo Jesus as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor. Então disse a seus discípulos: 37“A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. 38Pedi pois ao dono da messe que envie trabalhadores para a sua colheita!” 10,1Jesus chamou os doze discípulos e deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade. 2 Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão João; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelota, e Judas Iscariotes, que foi o traidor de Jesus. 5 Jesus enviou estes doze, com as seguintes recomendações: “Não deveis ir aonde moram os pagãos, nem entrar nas cidades dos samaritanos! 6 Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel! 7 Em vosso caminho, anunciai: ‘O reino dos céus está próximo’. 8 Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios. De graça recebestes, de graça deveis dar!” - Palavra da Salvação. T. Glória a vós, Senhor.

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ano-50A-37-11o-DOMINGO-DO-TEMPO-COMUM.pdf

3-LITURGIA DO 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

3-LITURGIA DO 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

- A liturgia deste domingo nos faz refletir sobre a nossa missão de cristãos no mundo. Jesus, ao ver as multidões, enche-se de compaixão, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Essa compaixão não fica apenas no sentimento, ela gera missão. Jesus chama, envia, confia responsabilidades e pede que seus discípulos cuidem do povo, curem, anunciem e libertem. A missão nasce do amor e se sustenta na corresponsabilidade. É Deus que ama primeiro, salva gratuitamente e chama à missão. A resposta adequada a esse amor nos faz entender que a evangelização e o cuidado com os irmãos não são tarefa de poucos, mas de todos os batizados. Somos povo escolhido, reconciliado pelo amor de Cristo e enviados a servir com alegria. A fé autêntica sempre se transforma em compromisso concreto com a missão do Reino.

- Na primeira leitura, Deus recorda ao povo tudo o que fez por ele: libertou-o do Egito, cuidou, protegeu e conduziu. Antes de pedir qualquer coisa, Deus lembra sua ação amorosa. Só depois faz o convite: "Sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa" (Ex 19,6a). Aqui fica claro que a missão nasce da experiência de ser amado e salvo. O povo não pertence a Deus por obrigação, mas por eleição e gratuidade. Assim também nós: tudo o que oferecemos a Deus é resposta a um amor que veio primeiro.

- O salmo reforça essa atitude: "Sabei que o Senhor, só Ele é Deus; nós somos seu povo e seu rebanho" (Sl 99,3). Louvar, agradecer e servir com alegria são atitudes de quem reconhece que pertence ao Senhor. A fé verdadeira gera gratidão e compromisso.

- Na segunda leitura, São Paulo aprofunda ainda mais: Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores. A salvação é pura graça. Não foi mérito nosso, foi iniciativa de Deus. Quem compreende isso não vive uma fé fria ou interesseira, mas uma fé que se traduz em entrega, reconciliação e serviço.

- O coração do Evangelho é a compaixão de Jesus. Ele vê o povo cansado, ferido, sem direção. Diante dessa realidade, Jesus não age sozinho, chama discípulos, confia a eles a missão e os envia. A messe é grande e a missão é compartilhada. Os discípulos são enviados não em nome próprio, mas como instrumentos do amor de Deus.

- É nesse horizonte que compreendemos o valor do dízimo. O dízimo não é uma simples ajuda financeira, mas um gesto concreto de participação na missão de Jesus. Quando contribuímos com o dízimo, ajudamos a Igreja a olhar as multidões com os olhos de Cristo. Ao partilharmos, ajudamos a sustentar a evangelização, a vida da comunidade e o cuidado com os mais pobres. O dízimo se torna, portanto, um ato de fé, porque reconhece que tudo vem de Deus; um ato de amor, porque se volta para o bem do próximo; e um ato de compromisso, porque assume a missão da Igreja como nossa.

https://diocesedesaomateus.org.br/wp-content/uploads/2026/04/14_06_26.pdf

4-REFLEXÕES PARA O 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- A 4.1- ROGAI AO SENHOR DA MESSE QUE ENVIE OPERÁRIOS PARA A MESSE

 

 

4-REFLEXÕES PARA O 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- A

4.1- ROGAI AO SENHOR DA MESSE QUE ENVIE OPERÁRIOS PARA A MESSE

Diante da imensa e urgente tarefa de anunciar a Boa-Nova a todas as pessoas para que encontrem um sentido e comecem a fazer parte do Reino de Deus, Jesus chama e escolhe alguns discípulos para o acompanhar mais de perto, a fim de que aprendam d’Ele mesmo como ser a fonte que traz a todos felicidade e realização. A missão de ajudar a implantar o Reino de Deus, é tão grande e tão importante. Ela é motivada pela misericórdia de quem enxerga o cansaço e opressão dos pequenos e abandonados e de quem se preocupa para que a novidade e alegria da fé que Jesus traz, não fique escondida, pois o mundo inteiro deve ter a oportunidade de conhecer o caminho que leva ao amor de Deus. Tarefa árdua e grandiosa, mas que necessita ser feita por pessoas que tenham bom coração sejam generosas e disponíveis para ouvir a voz de Jesus que chama. Por isso Ele quis precisar das pessoas para levar em frente o seu Reino. Deus pode tudo, e podia fazer tudo sozinho, mas desde sempre quis precisar da colaboração de quem aceita o chamado. Então Ele chama e escolhe aqueles que quer. Esses são escolhidos pelo próprio Jesus que os chama e os conhece pelo nome. Vivem uma amizade profunda com o Mestre, que lhes confia a tarefa de anunciarem novos valores, devolvendo a dignidade, curando os corações feridos, expulsando para longe aquilo que é impuro e que não se compra com riquezas, cargos ou títulos. Para que nunca falte lideranças às comunidades que irão viver a fraternidade e o ideal do Reino, é que Jesus ensina que é necessário “pedir ao Senhor da messe, que envie operários para a messe”. A súplica da comunidade que crê, toca o coração de Deus; “A vocação é a resposta de Deus às orações da comunidade”. Deus chama do meio da comunidade, pessoas cheias de entusiasmo, alegria e com total dedicação e disponibilidade, para se colocar generosamente a serviço desta mesma comunidade. É da oração fervorosa da comunidade, que nascem as vocações. Uma comunidade que compreende o valor de se ter um sacerdote, uma religiosa, uma pessoa consagrada a Deus, constantemente ergue sua prece pedindo que Deus não deixe faltar na Igreja, em todas as partes do mundo, quem seguindo o exemplo do Mestre, queira também servir e não ser servido; doar a vida para que a fraternidade e a dignidade se concretizem na prática de todos os dias. Rezar pelas vocações, rogar ao Senhor da messe, nos ensina a valorizar os consagrados de nossas comunidades que vivem uma vida santa e de doação ao povo, celebrando as missas, atendendo as confissões, visitando as famílias e os doentes, organizando as pastorais e sendo eles mesmo uma presença de ternura para as crianças, os jovens, os casais, os idosos. A todos ele sabe trazer uma boa palavra, um bom ensinamento. Para que tenhamos pessoas consagradas, que sejam santos e nos animem a sermos santos, peçamos com confiança a Deus que esses “operários da messe”, nasçam das famílias fervorosas, das comunidades piedosas que sempre rezam para que não se perca o campo maduro e pronto para a colheita. Acolhamos o pedido de Jesus e rezemos sempre pedindo sacerdotes, religiosos e religiosas com o coração grande e santo do Bom Pastor para o bem da Igreja.

Pe. Carlos Alberto Doutel Vigário Geral Adjunto Região Santana

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ano-50A-37-11o-DOMINGO-DO-TEMPO-COMUM.pdf

4.2- 14 de junho – 11° DOMINGO DO TEMPO COMUM Por Pe. Gustavo César dos Santos* / Pe. Dr. Junior Vasconcelos do Amaral** Nós somos o povo e o rebanho do Senhor

 

4.2- 14 de junho – 11° DOMINGO DO TEMPO COMUM

Por Pe. Gustavo César dos Santos* / Pe. Dr. Junior Vasconcelos do Amaral**

 

Nós somos o povo e o rebanho do Senhor

I. INTRODUÇÃO GERAL

O domingo sempre será o dia privilegiado do cristão, pois nele celebramos a Páscoa semanal de nosso Senhor. Por isso, é o dia da reunião da comunidade, em torno da Palavra e da Eucaristia, em memória da ressurreição de Cristo. Neste 11º Domingo do Tempo Comum, desejamos, mais uma vez, realizar essa experiência de proximidade e de encontro com Deus.

Nesta liturgia, podemos considerar que o refrão do texto dos Salmos sintetiza todo o mistério celebrativo: “Nós somos o povo e o rebanho do Senhor” (Sl 99). Esse refrão, na verdade, é a tomada de consciência do povo da Escritura – mas também de cada um de nós, no agora de nossa vida – de que fazemos parte do povo de Deus, de que Ele olha por nós e se aproxima, repleto de amor e misericórdia, para nos libertar do pecado e nos salvar do poder da morte.

Na primeira leitura, o povo liberto da escravidão do Egito começa a caminhar no deserto da purificação. Deus continua a guiá-lo e orientá-lo, ressaltando o poder da aliança e da escuta da sua voz. A segunda leitura tem como grande temática a justificação, que é, na verdade, o modo pelo qual Deus nos reconciliou com ele mesmo por meio da ação do Filho, Jesus. Por fim, no Evangelho, Jesus chama o grupo dos doze, constituindo o novo povo de Deus, fundado sob a herança de Israel. Seus discípulos recebem do Mestre autoridade para realizarem, em sua missão, ações parecidas com as do próprio Jesus.

Que, na vivência desta liturgia dominical, possamos fazer esta experiência que nos é proposta: termos a consciência de que somos o povo e o rebanho do Senhor, de que ele nos ama incondicionalmente e está sempre próximo a nós, guiando-nos e protegendo em nossas maiores angústias e necessidades.

II COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

 

1. I leitura (Ex 19,2-6a)

O trecho do livro do Êxodo coloca-nos diante do anúncio da eleição e da aliança de Deus com o povo. Na verdade, Israel já foi libertado das mãos do faraó do Egito. Agora, no deserto, os libertos se aproximam do monte Sinai, lugar em que Deus anuncia a Moisés a eleição do povo e a conclusão da aliança. O texto deste domingo tem a função de ser como que um “prólogo” daquilo que se desenvolverá posteriormente. A ideia que perpassa todo o bloco é que o povo necessita deixar-se purificar e iluminar por Deus. O deserto se caracterizará por ser tempo de libertar a mente e o coração de quaisquer estruturas de escravidão, pecado e morte. Somente um povo liberto poderá habitar, plenamente, na terra de liberdade, terra da promessa divina.

Moisés sobe à montanha para se encontrar com Deus. Chama-nos a atenção que, antes mesmo de transmitir um ensinamento ao grande líder ou ao povo, o Senhor faz memória de quem Ele é e do que já fez em favor de Israel: “Vistes o que fiz aos egípcios, e como vos levei sobre asas de águia e vos trouxe a mim” (v. 4). Deus rememora os grandes feitos do passado, como agiu com mão poderosa em favor da libertação do povo. O Senhor trouxe Israel até os pés da montanha sagrada, o Sinai, para ratificar tanto sua eleição quanto a aliança e renovar a promessa da posse da terra que mana leite e mel.

Consciente disso, o povo continua a ouvir o Senhor. Nos v. 5-6a, Deus apresenta ao povo sua responsabilidade em todo esse processo existencial e espiritual: ouvir sua voz e guardar sua aliança. É preciso, pois, permanecer junto a Deus, pois é ele quem conduz todo o processo libertador/salvador de Israel, que se iniciou lá atrás, no Egito, e desembocará na posse da terra. Escutar a voz do Senhor é sinônimo de fidelidade, consciência e compromisso com ele. Quando o povo se distancia da proposta divina, dá espaço para que o mal, o pecado e a morte participem de sua realidade. Podemos dizer que, nesse trecho, Deus quer despertar todo o Israel para a seguinte conscientização: ele é seu povo e seu rebanho, nação santa e sacerdotal.

2. II leitura (Rm 5,6-11)

A carta de São Paulo aos Romanos é a mais teológica e sistemática entre todos os escritos paulinos. Foi redigida, possivelmente, em Corinto, entre os anos 55 e 60 d.C. Em síntese, objetiva apresentar, de forma clara e distinta, o Evangelho da salvação anunciado por Jesus Cristo, Filho de Deus encarnado, que justifica o ser humano pela fé – e não pela observância da Lei – e o insere numa vida renovada por meio do Espírito Santo. Nessa carta, sobressai o tema da justificação. A justiça de Deus não é punitiva, mas é ação salvadora que faz que o pecador se torne justo. Dessa forma, a justificação é um dom gratuito, imerecido e incondicional; portanto, não é resultado de méritos humanos ou de práticas puramente exteriores.

O último versículo do trecho da segunda leitura proposta para esta liturgia sintetiza, de modo claro, a reflexão do apóstolo: “Nós nos gloriamos em Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. É por ele que, já desde o tempo presente, recebemos a reconciliação” (v. 11). Nossa fé está em Deus: por intermédio de Jesus, fomos reconciliados, ou seja, justificados. Antes do tempo da justificação, erámos ainda, segundo o texto, fracos (v. 6a), ímpios (v. 6b), pecadores (v. 8b) e inimigos de Deus (v. 10a). Na plenitude dos tempos, podemos pensar qual a novidade trazida pelo Senhor a nós. Com a morte e ressurreição de Cristo, Deus Pai nos reconciliou com ele: fez-nos justos (v. 7b), salvou-nos (10c), redimiu-nos e reconciliou-nos (v. 11c). Por isso, cumpre nos esforçarmos para viver à altura da dignidade à qual fomos chamados.

3. Evangelho (Mt 9,36-10,8)

O trecho do Evangelho proposto para esta liturgia pode ser dividido ao menos em três partes: a primeira, sobre a compaixão de Jesus e a missão; a segunda, sobre a escolha daqueles que comporão o grupo dos doze; e a terceira, em que o Senhor transmite algumas instruções missionárias àqueles que ele mesmo chamou. Vejamos cada uma dessas partes com mais detalhes.

Na primeira parte do texto, Jesus vê a multidão e move-se de compaixão por ela. O povo estava cansado e abatido, como ovelhas que não têm pastor. Por um lado, o povo parece disperso; por outro, tem vontade de se encontrar verdadeiramente com Deus. O olhar de Jesus para as pessoas sempre será repleto de compassividade, ternura e afeto. Por isso, deseja fazer-lhes algo. Diante das muitas exigências e desafios da missão, Jesus fala da grandeza da messe e da escassez de trabalhadores. É preciso rezar a Deus e pedir-lhe mais pessoas que cooperem na messe. Dessa forma, a missão destas será de reunir o povo de Deus disperso para o Reino dos Céus, que vem ao nosso encontro.

Depois, na segunda parte do trecho evangélico, vemos o chamado dos doze discípulos. Jesus os escolhe e os envia em missão, o que significa a formação, ou melhor, a restauração do povo de Deus, constituído sob a herança das doze tribos de Israel. Segundo o texto, Jesus “deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e para curarem todo tipo de doença e enfermidade” (Mt 10,1b). A ação dos discípulos se assemelha à ação do próprio Mestre: eles serão sinal da presença de Deus, que restaura e renova tanto Israel (durante a vida de Jesus) quanto todas as nações (após a morte e ressurreição do Senhor). É listado, nessa oportunidade, o nome de todos aqueles que foram escolhidos pelo Senhor.

Por fim, na terceira e última parte do Evangelho, encontramo-nos com o Senhor, que instrui seus discípulos e lhes dá recomendações para a missão. A expressão “não deveis ir aonde moram os pagãos” (v. 5b) significa que, no tempo da vida de Jesus, seus escolhidos direcionarão seus esforços para o povo de Israel: “Ide, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel” (v. 6a). A missão atingirá sua universalidade – até os confins da terra – a partir do evento da paixão, morte e ressurreição de Cristo. O conteúdo do anúncio missionário sempre será a proximidade do Reino dos Céus e será testemunhado pelos sinais realizados: a cura dos doentes, a ressurreição dos mortos, a purificação dos estigmatizados como “leprosos” e a expulsão dos demônios (v. 8).

III. Pistas para reflexão

Despertar na comunidade a consciência de que somos o povo e o rebanho do Senhor. Salientar como Deus age em nosso favor, libertando-nos e salvando-nos de realidades físicas e, principalmente, espirituais. Dar centralidade à pessoa de Jesus Cristo, como aquele que nos justifica diante do Pai. Contribuir para que a comunidade sinta e compreenda que o Senhor sempre nos observa com olhar compassivo, terno e misericordioso.

Pe. Gustavo César dos Santos* / Pe. Dr. Junior Vasconcelos do Amaral**

*é presbítero da diocese de Divinópolis-MG e vigário paroquial da paróquia Nossa Senhora
do Carmo, na cidade de Carmo do Cajuru-MG. Graduado em Filosofia e Teologia pela Pontifícia Universidade Católica
de Minas Gerais (PUC-Minas), atualmente é o assessor eclesiástico da Comissão Vida e Família e Pastoral Familiar da
diocese. E-mail: gustavocesar339@gmail.com
**é presbítero da arquidiocese de Belo Horizonte-MG e vigário episcopal da Região
Episcopal Nossa Senhora da Esperança. Doutor em Teologia Bíblica pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia
(Faje – Belo Horizonte), realizou parte de seus estudos de doutorado na modalidade “sanduíche”, estudando
Narratologia Bíblica na Universidade Católica de Louvain (Louvain-la-Neuve, Bélgica). Atualmente, é professor de
Antigo e Novo Testamentos na PUC-Minas e pesquisa sobre psicanálise e Bíblia. E-mail: jvsamaral@yahoo.com.br

https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/14-de-junho-11-domingo-do-tempo-comum/

 

 

 

4.3- HOMILIA DO 11º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A A VIDA CRISTÃ É PERENE MISSÃO

 

4.3- HOMILIA DO 11º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

A VIDA CRISTÃ É PERENE MISSÃO

Ao ver as multidões, Jesus encheu-se de compaixão por elas, porque estavam cansadas e abatidas, como ovelhas que não têm pastor.” (Mt. 9,36)

Depois de nos apresentar a vocação de Mateus como modelo de discipulado e de fé, a liturgia nos convida a tomar parte nesta comunidade nascente – a comunidade dos Discípulos – e nos deixar formar pelos valores do Reino na escola do divino Mestre através das catequeses que Jesus Cristo, ao longo de três anos de missão, ofereceu a todos que a Ele buscavam. Posteriormente esta comunidade será enviada em missão para fazer o Reino dos Céus ser conhecido por todo o mundo.

primeira leitura (Ex. 19,2-6ª) nos transporta para o deserto do Sinai, lugar onde aos pés de um Monte, Deus realizou sua Aliança com o seu Povo. Este “pacto” proposto por iniciativa de Deus, juridicamente implica direitos e deveres que devem ser observados pelas partes envolvidas, e do ponto de vista religioso, se tratava de um compromisso sagrado que incluía juramentos solenes e a realização de oblações e sacrifícios.

Como acontece em toda história da salvação, a iniciativa da Aliança é de Deus. Dentre todos os povos da terra, o Senhor escolhe Israel para laços de comunhão e familiaridade. Este povo escolhido recebe uma missão de tornar-se uma nação sacerdotal que será um sinal do amor e da santidade de Deus para todas as nações. Este compromisso assumido por Deus será uma indicação do que Ele deseja realizar com toda a humanidade. Do mesmo modo, não foram os discípulos que escolheram Jesus dentre todos os mestres que havia em Israel. A iniciativa do chamado foi e é sempre de Jesus Cristo (cf: Mt. 9,9-13; Mc. 1,16-20; Mc. 3,13-19; Lc.5,4-11). Assim como Deus escolheu Israel dentre todos os povos para ser um povo sacerdotal, Jesus Cristo, dentre as multidões que o seguiam, escolheu 72 discípulos e deste grupo de discípulos elegeu 12 apóstolos para se tornar a semente do novo Israel, a Igreja, que deveria se tornar sinal do Evangelho para toda a humanidade.

segunda leitura (Rm. 5,6-11) o Apóstolo Paulo, na maturidade de seus anos de missão, apresenta para a comunidade cristã de Roma a síntese de sua teologia. Como vimos no domingo passado, a comunidade de Roma possuía certas divisões por ser constituída de cristãos vindo tanto do judaísmo quanto do paganismo e que possuíam visões diferentes sobre a lei de Moisés e sobre a salvação. O Apóstolo lhes recorda que o essencial da fé e da salvação é a pessoa de Jesus Cristo. Toda a humanidade pecou e foi destituída da graça, Deus em sua benevolência se dignou nos resgatar através do seu Filho. Cabe a humanidade aceitar a proposta realizada por Jesus através da vivência eclesial da fé. Para Paulo, a comunidade dos discípulos é o sinal inegável do amor de Deus. E este amor jamais deverá parar de causar encanto e espanto no coração humano. Deus aceitou morrer por nós quando ainda estávamos mergulhados nas mazelas do mal e do pecado. Se trata de um amor inigualável e que subverte os princípios da racionalidade. A missão da comunidade cristã não é discutir quem deve ser salvo ou como deve ser salvo, mas dar testemunho deste amor incomensurável cujo ápice é apresentado na loucura da Cruz.

 O Evangelho (Mt. 9,36-10,1-8) após ter apresentado Jesus anunciando a chegada do Reino em palavras, obras, vida e verdade, e de ter mostrado a vocação de Mateus como modelo de discipulado, a liturgia nos introduz no chamado “discurso da missão”. Afinal, quem foi chamado e respondeu positivamente, antes de anunciar, deve aprender com Aquele que é o Reino em pessoa, Jesus Cristo. Pois, só pode ser verdadeiramente discípulos quem “caminhou” com Jesus, escutou seus ensinamentos, testemunhou os sinais operados por sua Graça e deixou os valores do Reino adentrar no coração e criar raízes perenes em sua vida. Esses “doze” – que representam a totalidade de Israel e de toda a humanidade – serão os continuadores da missão de Jesus e deverão anunciar a salvação e libertação que Deus fez a toda a criação.

Mateus introduz a pessoa e as ações de Jesus Cristo imbuído dos mesmos sentimentos que os profetas manifestaram nos oráculos divinos no Antigo Testamento. Como acontecera outrora com Israel que fora abandonado pelos reis e sacerdotes a própria sorte (Ez. 34,2-10), Jesus encontra o povo desnorteado, cansado e indefeso. Ele os aconselha e exorta a clamar ao Pai pedindo zelosos pastores através da oração. E Deus escuta os clamores, pois a vinda do Filho é a manifestação desta escuta divina. E o Filho escolhe discípulos conforme o seu coração (Jr. 3,17).  Ao pecar a humanidade inteira se perdeu, Deus em seu amor escolheu Israel para resgatar a todos os povos (Ex. 28,1; Lv. 20.24,26; Dt. 7,6-11; Is. 41,8-9). Do mesmo modo, Jesus escolhe os discípulos para que através do anúncio do evangelho eles façam a humanidade ter conhecimento de que a salvação já se aproxima.

Essa missão – que é o prolongamento da própria missão de Jesus – consiste em anunciar o Reino e em se opor decididamente contra tudo aquilo que escraviza o homem ferindo a sua dignidade – “deu-lhes poder para expulsarem os espíritos maus e curarem todo tipo de doença e enfermidade” (Mt. 6,7). A missão acontece primeiramente na proclamação jubilosa de que o alvorecer da salvação se aproxima, pois “o Reino dos céus está próximo!” (Mt. 10,7) Todavia a missão não é apenas teoria, logo não são suficientes discursos e pregações. O Reino precisa ser comunicado também em atos – eles devem curar, ressuscitar, purificar e expulsar o mal (Mt. 10,8).

Os discípulos recebem instruções sobre como realizar a missão. Jesus os convida viver à pobreza, à simplicidade, ao despojamento dos bens materiais, fugindo do desejo de poder e dominação que muitas vezes leva a buscar os próprios interesses. O Reino é também fraternidade, então um discípulo deve apoiar o outro – sem rivalidade ou divisão – e juntos devem se comprometer fielmente com o anúncio da mensagem de Jesus.

O envio e as instruções do Evangelho proclamado permanecem válidos, pois a verdade independe do tempo. As condições para a missão e os contextos variam a cada era e a cada cultura onde o evangelho é semeado, todavia a recomendação de que da Palavra de Deus permaneça como centro da missão e que nossas atitudes sejam reflexos da pregação são e permanecem condições essenciais para que todas as atividades missionárias frutifiquem em sinais concretos do Reino de Céus.

Às vezes imaginamos a missão unicamente como um tempo (uma semana missionária, por exemplo), viagem para visitas e partilha da Palavra de Deus. No entanto, a missão não é um momento esporádico na nossa vida cristã, na verdade, a missão constitui a nossa essência. Não é a toa que o Documento de Aparecida se refere aos cristãos de todos os tempos como “Discípulos Missionários”. Assim sendo, um monge ou uma freira que vivem enclausurados em oração são tão missionários quanto o leigo ou sacerdote que ajuda em um país distante. Todos os discípulos são convidados a assumir a vida cotidiana como missão, pois se trata da realidade na qual devemos servir a Deus em cada pessoa com a qual nos encontramos. Assim compreendemos que não realizamos uma missão, nossa vida é missão.

Pe. Paulo Sérgio Silva.

Paróquia Nossa Senhora da Conceição – Farias Brito

https://diocesedecrato.org/homilia-do-11o-domingo-do-tempo-comum-ano-a/

 

 

 

5-LEITURAS DA SEMANA: DE 15/06 A 21/06 DE 2026- ORAÇÃO VOCACIONAL

 

5-LEITURAS DA SEMANA: DE 15/06  A 21/06 DE 2026- ORAÇÃO VOCACIONAL

15- 2ª 1Rs 21,1-16 / Sl 5 / Mt 5,38-42

16- 3ª 1Rs 21,17-29 / Sl 50(51) / Mt 5,43-48

17- 4ª 2Rs 2,1.6-14 / Sl 30(31) / Mt 6,1-6.16-18

18- 5ª Eclo 48,1-14 / Sl 96(97) / Mt 6,7-15

19- 6ª 2Rs 11,1-4.9-18.20 / Sl 131(132) / Mt 6,19-23

20- Sáb.: 2Cr 24,17-25 / Sl 88(89) / Mt 6,24-34

21- Dom.: 12º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Hoje, omite-se a Memória de São Luís Gonzaga, religioso

Jr 20,10-13;Sl 68(69),8-10.14.17.33-35 (R. 14c);Rm 5,12-15;Mt 10,26-33

 

ORAÇÃO VOCACIONAL

Neste dia em que o Evangelho nos recorda a vocação dos Doze Apóstolos, rezemos juntos a oração vocacional: Senhor Jesus, enviado do Pai e Ungido do Espírito Santo, que fazeis os corações arderem e os pés se colocarem a caminho, ajudai-nos a discernir a graça do vosso chamado e a urgência da missão. Continuai a encantar famílias, crianças, adolescentes, jovens e adultos, para que sejam capazes de sonhar e se entregar, com generosidade e vigor, a serviço do Reino, em vossa Igreja e no mundo. Despertai as novas gerações para a vocação aos Ministérios Leigos, ao Matrimônio, à Vida Consagrada e aos Ministérios Ordenados. Maria, Mãe, Mestra e Discípula Missionária, ensinai-nos a ouvir o Evangelho da Vocação e a responder com alegria. Amém! 

 

 

6-CANTOS PARA O 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A

 

6-CANTOS PARA O 11.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – A

ENTRADA

O Senhor me chamou e eu respondi

O Senhor necessitou de braços- 220

PERDÃO

Como a ovelha perdida

Tende compaixão de nós porque somos pecadores

Senhor que vieste salvar ao corações

GLÓRIA

Glória, glória, anjos nos céus cantam todo seu amor  

Glória, Min. Amor e Adoração

SALMO RESPONSORIAL

Salmo 99- Nós somos o povo e o rebanho do Senhor

ACLAMAÇÃO

Aleluia.quando estamos unidos

Aleluia, como o Pai me amou

OFERTÓRIO

As sementes que me deste- 1323

Meu coração é para ti 647

Vou te oferecer a vida

SANTO

Hosana  (hosana)  hosana (hosana)

Santo..... É o Senhor Deus do universo.

CORDEIRO

Cordeiro -Min Amor e Adoração

COMUNHÃO

Eis que sou o pão da vida

Pelos prados- 593

Dai-lhes de Comer-1733

PÓS COMUNHÃO

Amar-te mais

Chamado -Adriana

FINAL

Eu creio nas promessas de Deus

Quem é esta que avança como aurora-724

Rei Senhor-498

PARCEIRO DO BLOG:
Blog do Jura-Canal Youtube

https://www.folhetosdecanto.com/2016/05/cantos-missa-11-domingo-comum.html

7- Como um documento de 135 anos inspirou a primeira encíclica de Leão XIV Por Erich Thomas Mafra, especial para a Gazeta do Povo ·

 

7- Como um documento de 135 anos inspirou a primeira encíclica de Leão XIV

Por Erich Thomas Mafra, especial para a Gazeta do Povo

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Robert Prevost foi eleito Papa em 8 de maio de 2025 e escolheu chamar-se Leão XIV. A decisão chamou a atenção: nenhum líder da Igreja Católica havia adotado o nome Leão desde Leão XIII, morto em 1903. Em seus primeiros discursos, o novo pontífice explicitou o motivo: pretendia enfrentar a inteligência artificial como seu homônimo havia enfrentado a Revolução Industrial. A pista virou programa em 15 de maio de 2026, exatamente 135 anos depois da promulgação da Rerum Novarum. Nesse dia, Leão XIV assinou sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas, sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da IA. A escolha da data não foi casual.

A pergunta que essa coreografia toda coloca é se a encíclica nova consegue fazer pela IA o que a antiga fez pelo trabalho industrial. A resposta exige começar pelo documento de 1891.

 

O que Leão XIII inventou

Antes da Rerum Novarum, a Igreja não tinha uma doutrina social organizada. Tinha princípios morais sobre justiça e caridade, espalhados em sermões, teologia escolástica, decisões pastorais. O que faltava era um corpus articulado, capaz de dialogar com a modernidade econômica em seus próprios termos. Leão XIII formulou esse corpus diante de uma transformação que já não podia ser ignorada: a Revolução Industrial havia produzido uma classe operária urbana cuja condição moral e material exigia uma palavra que não viesse nem do socialismo nem do liberalismo dominantes.

O método foi a invenção mais durável do documento. Leão XIII recusou simultaneamente as duas saídas que se apresentavam como evidentes. Contra o socialismo, defendeu a propriedade privada como direito natural, enraizada na vocação do homem ao trabalho e ao cuidado da família. Contra o laissez-faire liberal, sustentou que há uma justiça anterior ao contrato livremente acordado: o salário deve ser suficiente para sustentar com dignidade o trabalhador "sóbrio e honrado" e sua família, independentemente do que as partes tenham combinado. A propriedade é legítima, mas tem função social. O mercado é legítimo, mas não dispensa o critério moral.

Entre essas duas afirmações abriu-se o espaço em que se desenvolveria toda a doutrina social do século XX. Pio XI formalizou a subsidiariedade. João XXIII trouxe os direitos humanos para o centro. O Concílio Vaticano II reorganizou a relação da Igreja com a modernidade. João Paulo II construiu sobre Leão XIII a defesa da dignidade do trabalho contra o utilitarismo do mercado e contra a opressão dos regimes comunistas. Bento XVI insistiu na caridade como critério econômico. Francisco trouxe a crise ambiental e os descartáveis para o centro. Mas a estrutura básica, como a recusa simultânea dos extremos, o primado da pessoa e a justiça anterior ao contrato, vem de 1891.

 

Duas transformações, uma estrutura

Magnifica Humanitas começa explicitando essa filiação. Logo no parágrafo 3, Leão XIV escreve que celebra com "viva gratidão" o 135º aniversário do documento de seu predecessor. Reconhece que o Papa de 1891 "deu impulso, com este documento, àquela reflexão sobre a sociedade, a economia e a política a que hoje chamamos Doutrina social da Igreja". E faz a transposição: se Leão XIII falava de rerum novarum (coisas novas) referindo-se à indústria e ao conflito entre capital e trabalho, as novas "coisas novas" do nosso tempo são a digitalização, a inteligência artificial e a robótica.

A analogia é audaciosa. Implica que estamos diante de uma transformação tecnoeconômica de magnitude civilizacional comparável àquela do fim do século XIX. Os números podem dar substância à comparação. A Revolução Industrial reorganizou o trabalho de centenas de milhões de pessoas ao longo de várias décadas. A revolução da IA está fazendo o mesmo em ritmo muito mais rápido: pesquisa do World Economic Forum de 2025 estimou que 41% dos empregadores globais pretendem reduzir suas equipes em função da inteligência artificial. Empresas como Amazon, Microsoft, Meta e Google já fizeram cortes massivos em meio a reestruturações voltadas à adoção da tecnologia. O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, afirmou no fim do ano passado que, ajustada pela criação real de postos, a geração de empregos nos Estados Unidos está próxima de zero, em parte por causa da automação.

O diagnóstico que Leão XIV apresenta no parágrafo 5 ecoa, em outra chave, o que Leão XIII descrevia em 1891. Mas há um deslocamento decisivo. "Outrora, eram sobretudo os Estados a orientar e a dirigir a inovação", escreve o novo Papa. "Hoje, pelo contrário, os principais motores do desenvolvimento são sujeitos privados, frequentemente transnacionais, dotados de recursos e capacidades de intervenção superiores aos de muitos Governos." A configuração de poder mudou. E a doutrina social precisa mudar com ela.

 

Onde os princípios precisaram se mover

O exercício central da Magnifica Humanitas é a reformulação de princípios clássicos para responder a essa nova configuração. O caso mais notável é o da subsidiariedade. Desde Pio XI, na década de 1930, o princípio era pensado como proteção da pessoa, da família e dos corpos intermediários contra a absorção pelo Estado. Era, no fundo, um princípio antitotalitário, formulado num continente que assistia à ascensão dos fascismos e do comunismo soviético.

Leão XIV mantém a estrutura mas inverte o vetor. "Aqui, a instância superior não é o Estado, mas cada um dos grandes sujeitos econômicos e tecnológicos que exercem um poder real sobre as condições da vida em comum", escreve no parágrafo 71. A subsidiariedade precisa ser aplicada, portanto, contra o capital tecnológico concentrado — não em substituição ao princípio clássico, mas em extensão dele. É uma atualização significativa que mostra, em ato, o que significa manter viva uma tradição: não repetir suas conclusões, mas refazer seus gestos diante de problemas novos.

O movimento se repete em outros pontos. No princípio da destinação universal dos bens,  o novo Papa inclui dados, algoritmos, plataformas digitais e infraestruturas tecnológicas entre os bens cuja propriedade não pode permanecer exclusivamente privada. "A propriedade dos dados não pode ser confiada apenas a particulares, mas deve ser regulamentada", afirma no parágrafo 108. "Estes são fruto da contribuição de muitos e não podem ser vendidos ou confiados a poucos." A afirmação tem implicações regulatórias massivas se levada a sério.

No princípio da justiça social, Leão XIV reconhece que algoritmos opacos podem reproduzir e amplificar discriminações sem que a injustiça resultante seja identificável como tal, porque "o descarte dos fracos é revestido de neutralidade e objetividade, perante as quais é impossível protestar". É o velho problema da exclusão estrutural, descrito por João Paulo II nos anos 1980 como "estruturas de pecado", agora amplificado por sistemas técnicos cuja opacidade torna a denúncia mais difícil.

 

A ferida que volta como espelho

Há um trecho da Magnifica Humanitas em que Leão XIV faz algo que Leão XIII não fez — e que constitui, talvez, a passagem mais arriscada do documento. Está nos parágrafos 173 a 178, dentro de uma discussão sobre as novas formas de dependência geradas pela economia digital.

O Papa descreve, com franqueza incomum em documento magisterial, o que sustenta materialmente a inteligência artificial. "No mundo da IA, nada é imaterial ou mágico", escreve. "Cada resposta que parece imediata e perfeita provém de uma longa cadeia de mediações, de uma rede alargada de recursos naturais, de infraestruturas energéticas e, sobretudo, de pessoas." Enumera os trabalhadores invisíveis empregados na etiquetagem de dados e moderação de conteúdos, em geral jovens mulheres pagas por remuneração mínima; adolescentes e crianças "em condições perigosas na trituração dos materiais donde se extraem as terras raras"; vítimas de tráfico humano recrutadas pelas mesmas plataformas que sustentam a economia global. As realidades são documentadas: a Time reportou em 2023 que a OpenAI usou trabalhadores quenianos pagos menos de dois dólares por hora para tornar o ChatGPT menos tóxico; pesquisadores como Mary L. Gray e Siddharth Suri mapearam o trabalho fantasma da indústria algorítmica no livro Ghost Work.

A novidade é o que vem em seguida. Leão XIV recorda que foi Leão XIII, em 1888, na encíclica In Plurimis, quem formulou a primeira condenação papal absoluta da escravidão. Antes disso, durante quase dezoito séculos, instituições e pessoas eclesiásticas tiveram escravos. A Santa Sé chegou a regular e legitimar, por meio de bulas pontifícias, as condições em que era lícito reduzir certos povos à servidão. "Trata-se duma ferida na memória cristã, à qual não podemos ficar alheios", escreve o novo Papa. "Em nome da Igreja, peço sinceramente perdão."

E completa, no parágrafo seguinte: "Se não quisermos, no futuro, pedir perdão por termos sido infiéis ao tesouro da dignidade humana que a nossa fé encerra, cabe-nos hoje ser diretos e firmes em denunciar as múltiplas manifestações" das novas dependências digitais.

A lógica é cortante e une os dois Leões em ato. Foi Leão XIII quem fechou, com um documento de 1888, dezoito séculos de cumplicidade institucional com a escravidão. É Leão XIV quem invoca essa virada para argumentar contra outra cegueira moral em formação. A passagem não está afirmando que trabalhadores de IA são "novos escravos" no sentido estrito — categoria que exigiria cuidado para não banalizar a violência específica da escravidão racial moderna. Está dizendo algo mais sutil: a estrutura moral que tornou a escravidão tolerável por tantos séculos é a mesma estrutura que está se reorganizando em torno das margens do sistema digital. A diferença é que em 2026 não temos a desculpa da ignorância. Sabemos como funciona esse tipo de cegueira. Se errarmos agora, erramos com olhos abertos.

 

O que cabe ao fiel

Os dois momentos guardam semelhança histórica que ajuda a entender por que cada Papa achou que precisava se pronunciar. Em 1891, a Europa industrial vinha de quatro décadas de transformação acelerada: ferrovias, telégrafo, motor a vapor, eletricidade, produção em massa. As estruturas tradicionais de proteção ao trabalhador haviam sido desmontadas sem substituição. Era preciso uma palavra antes que o vazio fosse preenchido apenas pelas duas ideologias então em ascensão. A Rerum Novarum chegou nesse intervalo, e fundou um vocabulário que ainda hoje organiza o pensamento social católico.

O paralelismo com 2026 é mais que retórico. As últimas duas décadas viram a digitalização da vida cotidiana, a expansão das plataformas, a chegada dos grandes modelos de linguagem. As estruturas tradicionais de mediação (escola, família, jornalismo e instituições representativas) convivem com tecnologias que reorganizam atenção, trabalho, comunicação e decisão em ritmo que nenhuma geração anterior conheceu. Magnifica Humanitas chega no mesmo tipo de intervalo: antes que o vazio seja ocupado apenas pelas lógicas que hoje disputam o controle da tecnologia. Em ambos os casos, a Igreja se pronuncia não para regular o novo mundo, mas para nomear princípios que sobrevivam à transição.

E o documento traz recomendações concretas. Aos pais, Leão XIV pede atenção especial à exposição precoce de crianças e adolescentes a dispositivos digitais, redes sociais e conteúdos prejudiciais — pede que não enfrentem sozinhos a influência de modelos de negócio que capitalizam a atenção, e que cobrem do poder público medidas legislativas que estabeleçam limites de idade e responsabilizem as plataformas. Às escolas, pede que recuperem o tempo lento da formação, contra a cultura do imediato e da hiperestimulação: "devemos educar-nos ao jejum da IA", escreve no parágrafo 140, "e proteger os nossos jovens das promessas da máquina perfeita".

Aos trabalhadores e às organizações sindicais, pede que se abram às novas formas de trabalho que a economia digital cria, sem aceitar a precariedade como condição normal. Aos empresários e investidores, pede que adotem critérios claros de avaliação ética preventiva, transparência nas cadeias produtivas, e que reconheçam o trabalho invisível que sustenta os sistemas algorítmicos. Aos programadores e pesquisadores de IA, dirige um apelo específico no parágrafo 111: "cada escolha feita no projeto expressa uma visão da humanidade", e por isso eles "são chamados a tratar com a devida seriedade os valores que infundem nos seus projetos".

Aos cidadãos comuns, pede algo que parece menos exigente mas talvez seja o mais difícil: que olhem. Que perguntem, antes de cada nova ferramenta lançada, quem está pagando o preço material por aquela inteligência aparentemente desencarnada. Que se recusem a tratar a opacidade como neutralidade. Que cultivem o que o documento chama, no parágrafo 137, de "ecologia da comunicação". Ou ssja, sobriedade no consumo digital, valorização do encontro presencial e atenção aos vínculos que as redes ameaçam dissolver.

Nada disso é novo no sentido de inédito. Leão XIII também pedia aos patrões que respeitassem a dignidade do trabalhador, aos operários que recusassem a violência como instrumento de reivindicação, ao Estado que protegesse os mais fracos sem absorver os corpos intermediários. O que era novo em 1891 era a aplicação desses princípios ao mundo das fábricas. O que é novo em 2026 é a aplicação ao mundo das plataformas, dos algoritmos e da inteligência artificial. A continuidade é deliberada. Quando Leão XIV cita Leão XIII repetidamente ao longo da Magnifica Humanitas, está afirmando que a tarefa é a mesma. Mudou o terreno, não o método.

Rerum Novarum levou décadas para produzir efeitos visíveis. Inspirou sindicatos católicos, partidos democratas-cristãos, encíclicas posteriores que aprofundaram seus princípios. Sua leitura completa, hoje, exige paciência: o texto tem mais de cem anos e fala de um mundo que já não existe. Mas seu método sobreviveu, e foi esse método que Leão XIV decidiu retomar. Cento e trinta e cinco anos depois, outro Papa escreve sobre as coisas novas e devolve aos fiéis a mesma tarefa antiga: discernir, dentro do que está sendo construído, o que protege a pessoa humana e o que a reduz.

 

https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/como-um-documento-de-135-anos-inspirou-a-primeira-enciclica-de-leao-xiv/