quinta-feira, 24 de setembro de 2026

BEM-VINDOS AO SB SABENDO BEM DE 27 DE SETEMBRO DE 2026- 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM - ANO A - DIA DA BÍBLIA



 A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. (I Coríntios 1, 18).

(Ano A/Verde) 26º Domingo do Tempo Comum

27 de Setembro de 2026

MÊS DA BÍBLIA - LIVRO DE DANIEL "Seu Reino jamais será destruído" (Dn 7,14)

A SALVAÇÃO É OFERECIDA A TODOS


A Bíblia é a Palavra de Deus ( Frei Fabreti)

https://youtu.be/nuiCNLMidW4?si=mCQq9x9EQhGniPU-

Toda Bíblia é Comunicação (Pe. ZEZINHO)
https://youtu.be/jdzIGvyzQqE?si=YUUE9gbEhboRIkHi

 

SB SABENDO BEM DE 27 de Setembro de 2026 INFORMA.

Caro(a) Leitor(a) amigo(a):

O meu abraço fraterno e um ótimo mês de Setembro

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SEJA BEM-VINDO!

CONTEÚDO DO SB SABENDO BEM DE 27/09/26

 

CONTEÚDO DO SB SABENDO BEM DE 27/09/26

- AMBIENTAÇÃO

- ACOLHIDA

- ELEIÇÕES 2026 E MODELO DE COLINHA PARA LEVAR NO DIA DAS ELEIÇÕES( 04 DE OUTUBRO)

- A BÍBLIA PARA OS CATÓLICOS

 

- LEITURA DA PALAVRA DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM-A

- LITURGIA DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

- 3 REFLEXÕES DO 26. º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

- LEITURAS PARA A SEMANA: DE 28 DE SETEMBRO DE 2026 A 04 DE OU TUBRO - ORAÇÃO PARA  ANTES DE LER A  BÍBLIA

- CANTOS PARA O 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

- REFLETINDO COM Lindolivo Soares Moura: “ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE...”

- SANTO AGOSTINHO E A PALAVRA DE DEUS

- ELEIÇÕES 2026

- DICAS DE LEITURA DA PALAVRA DE DEUS

 

1- SEJAM BEM-VINDOS AO SB SABENDO DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

 

 

1-  SEJAM BEM-VINDOS AO SB SABENDO DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

1.1-        Ambientação

Antes da Celebração

- Ornamentar o Ambão da Palavra de maneira bem bonita com flores naturais e velas.

- Uma mesa, bem enfeitada, com a bíblia aberta pode ser colocada na entrada da Igreja.

- Cartazes sobre o Mês da Bíblia podem ser colocados na entrada da Igreja, no altar ou próximos do Ambão da Palavra, mas nunca no Ambão da Palavra.

- Espalhar pela igreja cartazes com versículos bíblicos ou de conscientização bíblica.

 

Procissão de Entrada

- Fazer a procissão de entrada solene com o Lecionário.

- É importante que o livro que entra na Procissão de entrada seja o mesmo onde se proclama as leituras, isto é o Lecionário.

- A pessoa que entra com o livro seja a mesma que irá proclamar uma das leituras.

- Ao lado da pessoa com o Lecionário podem entrar mais duas com uma vela e um vasinho de flores naturais.

- Escolher cânticos bíblicos para procissão de entrada.

- Ao chegar à frente do altar a pessoa apresenta o livro da Palavra de Deus, a assembleia aplaude, e o livro é colocado no Ambão da Palavra para as leituras.

 

https://padremarciocanteli.blogspot.com/2017/08/sugestoes-liturgicas-para-o-mes-da.html

 

1.2-      SEJAM BEM-VINDOS!

 

Sejam todos bem-vindos! Na alegria do Senhor nos encontramos para celebrar nossa fé em Deus. Estamos no 26º Domingo do Tempo Comum, no qual, juntos, celebraremos a salvação que vem de Deus e é oferecida a todos, pois Ele nos ama sem limites.

           Irmãos e irmãs, o Senhor nos reúne em seu amor para nos oferecer o dom da   salvação. Aproximemo-nos dele com humildade, reconhecendo que muitas vezes dizemos “sim” com os lábios, mas não correspondemos com a vida ao seu chamado. Peçamos a graça de um coração verdadeiramente convertido, atento à sua Palavra e disposto a colocá-la em prática, especialmente anunciando o Evangelho aos que vivem desanimados e sem esperança.

A Liturgia deste Domingo deixa claro que Deus chama todos os homens e mulheres a empenhar-se na construção desse mundo novo de justiça e de paz que Deus sonhou e que quer propor a todos os homens. Diante de sua proposta, nós podemos assumir duas atitudes: dizer "sim" e colaborar com o seu Reino, ou escolher caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento e afastarmos do compromisso que Ele nos pede.

Encerramos hoje o Mês da Bíblia com o Dia Nacional da Bíblia. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e coerente com Deus: construirmos um mundo novo de justiça, de fraternidade e de paz.

1.3-       São Jerônimo é celebrado no dia 30 de setembro

Primeira Tradução da Bíblia para o Latim

Chamado pelo Papa

Voltou para Roma em 382, chamado pelo Papa Dâmaso, para ser seu secretário particular. Jerônimo foi incumbido de traduzir a Bíblia (do grego e do hebraico) para o latim. Nesse trabalho, dedicou quase toda a sua vida. O conjunto final de sua tradução da Bíblia em latim chamou-se “Vulgata” e tornou-se oficial no Concílio de Trento.

ELEIÇÕES 2026 E COLINHA PARA O DIA 04/10

 

 

1.1-       ELEIÇÕES 2026 E COLINHA PARA O DIA 04/10

As Eleções 2026 acontecerão no dia 4 de outubro, primeiro domingo do mês. Já se houver segundo turno, ele ocorrerá no último domingo do mesmo mês, 25 de outubro. Quem dita as regras dessa escolha é a Constituição de 1988, em seus artigos 28, 29, inciso II, e 77, que tratam das eleições para cargos municipais, estaduais e federais.

Com a redemocratização, ficou firmado o primeiro domingo de outubro como data das eleições gerais e municipais. O site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possui uma página com a cronologia das eleições brasileiras desde sua instituição, discriminando os cargos em disputa para cada pleito.

imprensa@tre-sp.jus.br

Saiba mais: https://www.tresp.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Maio/eleicoes-2026-outubro-tem-datas-do-1o-e-do-2o-turnos-definidas-pela-constituicao

 

1.2-       Veja como montar sua colinha para levar no dia das Eleições

 

A ordem de votação na urna no 1º turno nas Eleições 2026, no dia 4 de outubro, será a seguinte: deputado federal, deputado estadual, senador (1ª vaga), senador (2ª vaga), governador e presidente da República. Anotar os números dos 6 candidatos na colinha eleitoral antes de ir às urnas ajuda a evitar erros e também contribui para reduzir filas nas seções eleitorais. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) preparou um modelo de cola eleitoral para auxiliar o eleitor na hora de digitar os votos. Disponível para download e impressão, o material traz os cargos em disputa na mesma sequência da urna. A colinha também pode ser retirada nos cartórios eleitorais, que dispõem de uma quantidade equivalente a 10% do eleitorado cadastrado na zona eleitoral.

Cada cargo é identificado por uma sequência numérica. Para votar em deputado federal, é necessário teclar 4 dígitos na urna eletrônica. Para deputado estadual, são 5 números. Para senadores, 3 dígitos. Já para governador e presidente da República, são 2 dígitos. Após escolher o candidato ou candidata, o eleitor deve conferir as informações exibidas na tela e pressionar a tecla “Confirma” para cada cargo a fim de registrar o voto.

É importante lembrar que o eleitor deve levar a colinha em papel já que não é possível entrar com celular na cabina de votação. A restrição está no artigo 23 da Resolução TSE nº 23.759/2026, que também proíbe o uso de câmeras fotográficas, filmadoras ou qualquer outro equipamento eletrônico para proteger o sigilo do voto. O celular pode ser utilizado apenas para a identificação do eleitor perante a mesa receptora de votos por meio do aplicativo e-Título (desde que mostre a foto do eleitor) ou pela apresentação de outros documentos oficiais em formato digital, como a CNH Digital e o RG Digital.

 

https://www.tre-sp.jus.br/imagens/fotos/cola-eleitoral-eleicoes-2026/@@images/image-600-010af9b67ba86ba8558823aa151b38cf.jpeg

Atenção para não anular voto para o Senado

Com duas vagas em disputa para o Senado nas Eleições 2026, o eleitor deve votar obrigatoriamente em dois candidatos diferentes. Isso ocorre porque, no pleito deste ano, haverá a renovação de dois terços da Casa, o equivalente a 54 das 81 cadeiras. A regra está relacionada ao mandato de oito anos dos senadores, que difere da periodicidade de quatro anos dos mandatos dos outros cargos eletivos.

https://www.tre-sp.jus.br/comunicacao/noticias/2026/Setembro/eleicoes-2026-ordem-de-votacao-esta-na-colinha-eleitoral-veja-como-baixar

1 a 08/10: Semana da Vida e Dia do Nascituro

 

1.1-        1 a 08/10: Semana da Vida e Dia do Nascituro

No dia 08 celebramos o dia do Nascituro, que vem do Latim Nascituru – aquele que há de nascer. A data celebra então  o direito à proteção da vida e saúde, à alimentação, ao respeito e a um nascimento sadio. O objetivo é suscitar nas consciências, nas famílias e na sociedade o reconhecimento do sentido e valor da vida humana em todos os seus momentos.

Desde 2005 a Igreja realiza entre os dias 1º a 7 de outubro a Semana Nacional da Vida, instituída pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), culminando hoje com o Dia do Nascituro (08). É uma data fixa no calendário da CNBB.

A Comissão Vida e Família da CNBB destaca que:  “A atividade da Semana Nacional da Vida e do Dia do Nascituro é uma feliz iniciativa da Igreja. Busca ecoar na consciência, não só dos católicos, mas também de todos os homens e mulheres de nossa sociedade, o quão é necessário criar uma cultura da vida numa realidade que, muitas vezes, passou a considerar certas condições humanas como descartáveis”.

https://diocesedeamparo.org.br/a-igreja-celebra-dia-do-nascituro-8-de-outubro/

 

2- A BÍBLIA PARA OS CATÓLICOS (CONTINUAÇÃO) VI- A Bíblia e a História da Igreja

 

2- A BÍBLIA PARA OS CATÓLICOS  (CONTINUAÇÃO)

VI- A Bíblia e a História da Igreja

 

A difusão das Escrituras ao longo dos séculos

A história da difusão das Escrituras reflete o profundo desejo de Deus de comunicar Sua palavra a todas as nações e culturas. Desde os primeiros séculos, a tradução da Bíblia para vários idiomas foi importante para evangelizar e fortalecer a fé. Um marco importante foi a Septuaginta, a tradução da Bíblia Hebraica para o grego, realizada no século III a.C, que tornou o conteúdo acessível aos judeus da diáspora e serviu também aos primeiros cristãos.

Com o avanço do Cristianismo, surgiu a necessidade de uma versão em latim, língua oficial do Império Romano e, posteriormente, da Igreja. No século IV, São Jerônimo foi encarregado dessa tarefa, resultando na Vulgata, que se tornou a versão oficial da Bíblia na Igreja Católica por muitos séculos. A Vulgata consolidou o conhecimento das Escrituras em toda a Europa, facilitando sua transmissão nas liturgias e ensinamentos e tornando-se uma grande referência na espiritualidade cristã medieval.

Mais tarde, a invenção da imprensa no século XV revolucionou o acesso às Escrituras, permitindo que versões traduzidas se tornassem amplamente disponíveis.

 

 Os Padres da Igreja e a interpretação bíblica

Os Padres da Igreja, entre eles grandes nomes como Santo Agostinho e São Jerônimo, desempenharam um papel fundamental na interpretação e divulgação das Escrituras, lançando as bases da exegese cristã e transmitindo a Palavra de Deus às gerações posteriores. Esses primeiros teólogos dedicaram-se profundamente ao estudo da Bíblia, combinando reflexão teológica com uma vida de oração, contribuindo para uma compreensão mais profunda e fiel da mensagem divina.

Santo Agostinho, em suas inúmeras obras, explorou questões fundamentais da doutrina cristã a partir das Escrituras, especialmente sobre o pecado, a graça e a redenção. Ele afirma que a Bíblia deveria ser interpretada à luz do amor a Deus e ao próximo; sua obra “Confissões” é um exemplo poderoso de como a Escritura moldou sua vida e pensamento. Para Agostinho, a Palavra de Deus é viva e transformadora, e ele buscava interpretá-la para guiar os cristãos em uma vida de santidade.

São Jerônimo, por outro lado, é mais conhecido por sua tradução da Bíblia para o latim, a Vulgata, que se tornou a versão oficial das Escrituras para a Igreja por muitos séculos. Sua profunda familiaridade com as línguas originais – hebraico e grego – permitiu-lhe produzir uma tradução precisa e acessível para a época.

Além disso, São Jerônimo acreditava que “desconhecer as Escrituras é desconhecer Cristo”, e ele dedicou sua vida ao estudo e à divulgação das Escrituras, fornecendo um fundamento sólido para a interpretação bíblica na Igreja. A obra dos Padres da Igreja não apenas preservou a integridade da mensagem bíblica, mas também promoveu uma leitura espiritual e teológica das Escrituras, cuja influência permanece na Igreja até hoje.

 

 O impacto da Bíblia na civilização ocidental

A Bíblia teve um impacto profundo e duradouro na civilização ocidental, moldando não apenas a espiritualidade, mas também a cultura, a arte e a filosofia ao longo dos séculos. Como fonte de inspiração, orientação moral e reflexão teológica, a Bíblia influenciou escritores, artistas, músicos e filósofos, além de ter desempenhado um papel central no desenvolvimento das instituições e do pensamento ocidental.

Na arte, cenas bíblicas inspiraram grandes obras de artistas como Michelangelo, Leonardo da Vinci e Caravaggio, que representaram passagens bíblicas de maneira que transmitiam não apenas a narrativa, mas também a espiritualidade e a profundidade dos temas sagrados. A pintura de “Criação de Adão” e “A Última Ceia” são apenas alguns exemplos de como as Escrituras deram vida a expressões artísticas memoráveis.

Na literatura e filosofia, a Bíblia influenciou profundamente autores e pensadores que recorreram às suas histórias e ensinamentos como base para explorar questões de moralidade, existência e propósito. Obras clássicas como “A Divina Comédia”, de Dante, e “Paraíso Perdido”, de Milton, não apenas refletem a cosmovisão cristã, mas também abordam dilemas éticos e teológicos que permanecem atuais. Além disso, muitos dos conceitos e valores éticos ocidentais, como dignidade humana, compaixão e justiça, têm raízes bíblicas e moldaram o desenvolvimento de leis e políticas sociais.

Na música, a Bíblia também proporcionou grandes composições, desde os cânticos gregorianos até oratórios barrocos, como o “Messias” de Handel, que celebram uma narrativa cristã. Com isso, a Bíblia não apenas influenciou o aspecto religioso da sociedade, mas também se tornou uma pedra angular da cultura ocidental, ressoando nas artes, nas leis e nos valores que ainda hoje definem essa civilização.

 

VII-    Perguntas Comuns sobre a Bíblia

 

Por que a Igreja Católica não segue a Bíblia “somente”?

A doutrina de Sola Scriptura, defendida por algumas tradições cristãs, afirma que a Bíblia é a única fonte de autoridade para a fé. No entanto, a Igreja Católica entende que, embora a Bíblia seja essencial e inspirada por Deus, a Tradição e o Magistério são igualmente importantes na preservação e na transmissão da fé.

Esse entendimento baseia-se no fato de que a própria Bíblia surgiu dentro de uma tradição viva, transmitida de geração em geração até a consolidação dos textos sagrados. A Tradição inclui os ensinamentos orais e as práticas dos primeiros cristãos, além de interpretações e decisões doutrinais feitas pela Igreja ao longo dos séculos.

O Magistério, que é a autoridade docente da Igreja, assegura que os ensinamentos permaneçam consistentes e fieis ao depósito da fé recebida dos apóstolos. Assim, a Igreja Católica ensina que Escritura, Tradição e Magistério atuam em harmonia, garantindo que a fé seja vívida e compreendida de forma integral e segura.

 

A Bíblia é inerrante?

A inerrância bíblica é a doutrina de que a Bíblia, como Palavra de Deus, é verdadeira e sem erro em tudo aquilo que ensina sobre fé e moral.

Isso significa que os escritos sagrados têm autoridade e precisão em questões que conduzem à salvação e à santidade dos fiéis. Contudo, a inerrância não implica que todos os aspectos científicos ou históricos sejam exatos em conformidade com os padrões modernos.

Os autores bíblicos, inspirados pelo Espírito Santo, adquiriram o conhecimento e a linguagem de suas épocas para comunicar verdades eternas. A Igreja Católica, ao afirmar a inerrância da Escritura, entende que ela é fiel e sem erro em tudo o que Deus quis ensinar através dela, sobretudo nos princípios morais e doutrinais. Com isso, a Bíblia é reconhecida como fonte segura de verdade para guiar os cristãos em sua fé.

 

  Como conciliar a ciência e a Bíblia?

Para a Igreja Católica, não há conflito fundamental entre fé e ciência. Nas passagens bíblicas, especialmente no Gênesis, a linguagem usada é muitas vezes simbólica, poética ou teológica, e não uma descrição científica ou literal de eventos.

A criação do mundo, por exemplo, é um ensino profundo sobre a origem e a finalidade da humanidade, mais do que um relato técnico de como o universo foi formado. A ciência busca compreender os processos e especificidades naturais, enquanto a Bíblia trata da relação de Deus com a criação e do propósito humano.

Assim, a Igreja Católica enxerga a ciência e a fé como complementares: a ciência explora como o mundo funciona, e a Bíblia revela o porquê, o significado e a moralidade. A Igreja, portanto, incentiva a busca pelo conhecimento científico, valorizando tanto o raciocínio quanto a fé.

Na encíclica Fides et Ratio, por exemplo, o Papa João Paulo II enfatiza que a fé e a razão são duas dimensões que permitem ao espírito humano ascender em busca da verdade, convidando a todos a aprofundar sua compreensão sobre as Escrituras e o mundo ao seu redor.

 

Por que a Bíblia católica tem mais livros?

A Bíblia Católica inclui sete livros adicionais no Antigo Testamento em relação à Bíblia Protestante. Esses livros, conhecidos como deuterocanônicos (como Tobias, Judite e Sabedoria), foram considerados parte das Escrituras desde os primeiros séculos da Igreja e fazem parte da Septuaginta, a versão grega do Antigo Testamento usada por Jesus e os apóstolos.

Durante a Reforma Protestante, os reformadores decidiram excluir esses textos por não existirem no cânon hebraico, aceito no Judaísmo. A Igreja Católica, por outro lado, reafirma esses textos como inspirados, por seu valor espiritual e doutrinal. Eles contêm ensinamentos importantes sobre a oração, a intercessão, e a misericórdia divina, sendo valiosos para a compreensão da fé cristã.

 

Como saber se estou interpretando a Bíblia corretamente?

Interpretar a Bíblia corretamente é um caminho que exige humildade e orientação, pois compreender a Palavra de Deus, muitas vezes, vai além entendimento individual. A Igreja Católica, ao longo dos séculos, preserva o ensinamento de que o sentido autêntico das Escrituras é iluminado pelo Espírito Santo e confiado ao Magistério da Igreja – isto é, ao Papa e aos bispos em comunhão com ele.

Através do Magistério, a Igreja orienta os fiéis a evitar interpretações isoladas que possam distorcer o sentido original das passagens bíblicas. Em vez disso, ela oferece um suporte constante por meio de documentos, homilias, encíclicas e catequeses que ajudam a esclarecer o significado das Escrituras. O Catecismo e os ensinamentos dos padres e doutores da Igreja são os melhores recursos ​​para aprofundar o entendimento bíblico e aplicá-lo com segurança na vida cristã.

Além disso, a Igreja incentiva práticas como a Lectio Divina, um método de oração com as Escrituras, e promove o estudo bíblico comunitário, ajudando os fiéis a interpretar a Bíblia à luz da Tradição e dos ensinamentos de Cristo. Assim, a Igreja conduz os fiéis a compreenderem a Palavra de Deus com fidelidade e a viverem plenamente a verdade que ela transmite.

 

CONCLUSÃO

 

A Bíblia como centro da vida cristã

A Bíblia ocupa um lugar central e insubstituível na vida do católico, sendo muito mais que um livro de ensinamentos: ela é a Palavra viva de Deus, fonte constante de fé, inspiração e guia moral. Através das Escrituras, somos convidados a encontrar, ouvir e seguir Cristo, o Verbo Encarnado, que se comunica conosco pessoalmente a cada leitura. Por meio da oração, da meditação ou da liturgia, a Bíblia nos conduz a uma comunhão mais profunda com Deus e revela o Seu plano de amor e salvação para toda a humanidade.

À medida que lemos a Bíblia e aplicamos métodos práticos de compreensão, como a Lectio Divina, com o auxílio de homilias, encíclicas etc., as passagens bíblicas tornam-se em um refúgio e um guia em nossa vida cotidiana. Elas nos oferecem as virtudes e os valores do Evangelho, que moldam nosso caráter e fortalecem a nossa fé.

Além disso, as Escrituras inspiram os fiéis a perseverar nos caminhos da justiça, da compaixão e da humildade. Suas histórias e ensinamentos bíblicos revelam a vontade de Deus e nos orientam para escolhas morais corretas, lembrando-nos de nossa vocação à santidade — viver em comunhão com Ele e com o próximo.

Por isso, a Igreja sempre nos encoraja a conhecer profundamente as Escrituras, a estudá-las e a meditá-las, pois a Bíblia é, em última análise, uma base sobre a qual construímos nossa caminhada cristã. Ao colocar a Palavra de Deus no centro de nossas vidas, abrimos nossos corações para uma relação cada vez mais íntima com Cristo, que é o caminho, a verdade e a vida.

 

O chamado para redescobrir as Escrituras

Neste mundo marcado pela pressa e por tantas distrações, somos chamados a redescobrir o tesouro inesgotável das Escrituras e colocá-las, de novo, no centro de vidas nossas. A Bíblia não é um livro distante ou de linguagem difícil; ao contrário, é uma fonte acessível e viva, que nos fala diretamente, especialmente quando abrimos com o coração em oração. Nas palavras das Escrituras, encontramos o próprio Cristo, que nos convida a caminhar com Ele, a aprender de Suas palavras e a viver a verdade que Ele revelou.

Para muitos, redescobrir a Bíblia começa pela oração diária, como na leitura orante e na Lectio Divina, que nos levam a escutar, meditar e rezar com as palavras inspiradas. Outros procuram sentido ao estudar as passagens em grupos ou no contexto da Missa, onde a Palavra de Deus é proclamada para o povo e a Igreja nos ajuda a compreender seu significado.

A Bíblia também nos une, fortalecendo os laços da comunidade cristã e abrindo nossos olhos para a vida divina que compartilhamos em Cristo. Redescobrir as Escrituras é reavivar essa comunhão, é encontrar forças para viver os valores do Evangelho no dia a dia, é lembrar que não estamos sozinhos em nossa jornada.

Este é um convite à redescoberta genuína de nossa fé, pois, como afirmou Santo Agostinho, “Quando lemos as Escrituras, Deus fala conosco.” Que todos nós possamos acolher esse chamado com entusiasmo e um coração aberto, permitindo que a Palavra de Deus transforme nossas vidas e nos conduza a uma união mais profunda com Ele.

https://bibliotecacatolica.com.br/blog/formacao/biblia-para-catolicos/

II- LITURGIA DA PALAVRA DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

 

III- LITURGIA DA PALAVRA  DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

A Bíblia contém tudo aquilo que Deus quis comunicar em relação à nossa salvação. Jesus é o centro e o coração da Bíblia. Nele se cumprem todas as promessas feitas no Antigo Testamento para o povo de Deus. Acolhamos a Palavra que nos salva, cantando: A Bíblia é dos livros... nº 259.

PRIMEIRA LEITURA (Ez 18,25-28) Leitura da Profecia de Ezequiel.

Assim diz o Senhor: 25Vós andais dizendo: “A conduta do Senhor não é correta. Ouvi, vós da casa de Israel: É a minha conduta que não é correta, ou antes é a vossa conduta que não é correta? 26Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre. 27Quando um ímpio se arrepende da maldade que praticou e observa o direito e a justiça, conserva a própria vida. 28Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá”.

- Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

SALMO 2(25)

Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura! (bis)

1. Fazei-me conhecer a vossa estrada, * vossa verdade me oriente e me conduza, / Porque sois o Deus da minha salvação; * em vós espero, ó Senhor, todos os dias!

2. Recordai, Senhor meu Deus, vossa ternura * e a vossa compaixão que são eternas! / De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia * e sois bondade sem limites, ó Senhor!

3. O Senhor é piedade e retidão, * e reconduz ao bom caminho os pecadores. / Ele dirige os humildes na justiça, * e aos pobres ele ensina o seu caminho.

SEGUNDA LEITURA (Fl 2,1-11 | + longa) Leitura da Carta de São Paulo aos Filipenses.

Irmãos: 1 Se existe consolação na vida em Cristo, se existe alento no mútuo amor, se existe comunhão no Espírito, se existe ternura e compaixão, 2 tornai então completa a minha alegria: aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade. 3 Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante, 4 e não cuide somente do que é seu, mas também do que é do outro. 5 Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus. 6 Jesus Cristo, existindo em condição divina, não fez do ser igual a Deus uma usurpação, 7 mas esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens. Encontrado com aspecto humano, 8 humilhou-se a si mesmo, fazendo-se obediente até a morte, e morte de cruz. 9 Por isso, Deus o exaltou acima de tudo e lhe deu o Nome que está acima de todo nome. 10Assim, ao nome de Jesus, todo joelho se dobre no céu, na terra e abaixo da terra, 11e toda língua proclame: “Jesus Cristo é o Senhor!” – para a glória de Deus Pai.

- Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

ACLAMAÇÃO (Jo 10,27)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Minhas ovelhas escutam minha voz, minha voz estão elas a escutar; / eu conheço, então, minhas ovelhas, que me seguem, comigo a caminhar!

EVANGELHO (Mt 21,28-32)

P. O Senhor esteja convosco. T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. T. Glória a vós, Senhor.

P. Naquele tempo, Jesus disse aos sacerdotes e anciãos do povo: 28 “Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, ele disse: ‘Filho, vai trabalhar hoje na vinha!’ 29O filho respondeu: ‘Não quero’. Mas depois mudou de opinião e foi. 30O pai dirigiu-se ao outro filho e disse a mesma coisa. Este respondeu: ‘Sim, senhor, eu vou’. Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade do pai?” Os sumos sacerdotes e os anciãos do povo responderam: “O primeiro”. Então Jesus lhes disse: “Em verdade vos digo, que os cobradores de impostos e as prostitutas vos precedem no Reino de Deus. 32Porque João veio até vós, num caminho de justiça, e vós não acreditastes nele. Ao contrário, os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. Vós, porém, mesmo vendo isso, não vos arrependestes para crer nele”.

 - Palavra da Salvação. T. Glória a vós, Senhor

1V- LITURGIA DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

 

1V- LITURGIA DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

- A Liturgia de hoje nos coloca diante da prerrogativa de que a salvação é oferecida a todos. O convite para o serviço é feito para todos os filhos, mas também nos interpela quanto à responsabilidade pessoal pela salvação. Diante da vontade de Deus que chama e a vontade humana que responde, é preciso entender, com clareza, esta questão, pois dela depende o nosso destino. A mensagem de hoje é fruto de nossa livre colaboração e de nossa liberdade. Diante do chamado de Deus, cada pessoa é chamada a dar uma resposta. A fidelidade a Deus e à sua justiça não se limita apenas a dizer "sim" em palavras, mas também em agir conforme os seus ensinamentos. "Nem todo aquele que diz: Senhor, Senhor, entrará no Reino do Céu. Só entrará aquele que põe em prática a vontade de meu Pai que está no Céu" (Mt 7,21). Isso revela que temos grande responsabilidade dentro do processo de salvação, pois as escolhas e decisões são nossas.

- Na primeira leitura, o profeta Ezequiel fala ao povo que está no exílio. Estas pessoas estão imbuídas de ideias erradas e fatalistas sobre o pecado e a salvação. Afirmam que Deus faz cair sobre os filhos a culpa pelos erros dos pais. Isso para justificar a condição que estavam vivendo e, dessa forma, não se comprometerem com a realidade vivida e com a mudança de vida. O profeta se opõe a esse modo de pensar e agir e afirma que Deus não castiga uns pelos erros dos outros, mas sim que cada um é responsável pelos seus atos, seja pelo pecado ou pela salvação.

- No Evangelho, Jesus explica a responsabilidade pessoal na salvação, usando a parábola dos dois filhos. A salvação, que é a vontade de Deus para todos os seus filhos, não se trata de uma concessão, mas exige um esforço pessoal. Jesus derruba a compreensão cômoda de alguns que se sentiam privilegiados. Não basta apenas dizer "sim", ter uma vinha, ser filho de Abraão, pertencer a uma casta privilegiada, bem como outros privilégios. A salvação é coisa pessoal, exige a livre resposta e o comprometimento com o projeto assumido. Na parábola, um filho disse "sim" e não foi trabalhar; o outro disse "não", depois mudou de ideia e foi realizar a atividade. Com essa parábola, Jesus convida os sacerdotes e anciãos do Templo a reverem suas atitudes, que eram de se beneficiar dos privilégios e desprezar os pecadores. Deixa claro que esses vivenciam um processo de conversão e acolhem a Boa-Nova, enquanto aqueles continuam em suas arrogâncias.

- Nesta mesma sintonia, Jesus fala também a nós. Como estamos nos relacionando com o processo de salvação? Como estamos acolhendo o chamado de Deus para servir? Estamos assumindo a proposta salvífica de Jesus, que é servi-lo nos mais necessitados e colaborar com a evangelização? Com qual dos dois filhos nos assemelhamos? Não se trata de achar que já estou salvo ou condenado, mas de compreender que preciso assumir a responsabilidade na condução de minha vida. E o melhor modelo para essa caminhada de fé é Jesus Cristo. Foi isso que nos ensinou o Apóstolo Paulo na segunda leitura. "Ele não afirmou com arrogância e orgulho a sua condição divina, mas aceitou fazer-se homem, assumindo com humildade a condição humana, para servir, para dar a vida, para revelar totalmente aos homens o ser e o amor do Pai. Ele aceitou uma morte de cruz para nos ensinar a suprema lição do serviço, do amor radical, da entrega total da vida." - Que nossas ações não sejam feitas por obrigação, imposição ou raiva, mas sim com amor, conservando os mesmos sentimentos de Cristo, que em tudo foi obediente ao Pai.

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V- REFLEXÕES DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A 5.1- REALIZAR A VONTADE DE DEUS NA VIDA

 

V- REFLEXÕES DO 26.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

5.1-  REALIZAR A VONTADE DE DEUS NA VIDA

Na primeira leitura deste domingo, o profeta Ezequiel, rejeitando a ideia de que o pecado devia marcar para sempre o pecador, bem como sua descendência, como porta-voz de Deus, anuncia que Deus não castiga os pais nos filhos, mas castiga o justo que deixa o seu caminho, e acolhe o pecador que se converte: “Com efeito, ao renunciar o justo à sua justiça e ao fazer o mal, é em virtude do mal que praticou que ele morre. E se o ímpio renunciar à sua impiedade, passando a praticar o direito e a justiça, salva a sua vida” (Ez 18,26). Jesus expõe esse tema na parábola dos dois filhos, o do “sim, senhor”, que promete e não faz, e o do “não”, que se arrepende e faz. Com a parábola dos dois filhos, o evangelista São Mateus quer nos fazer refletir acerca de duas perguntas colocadas por Jesus: “Que vos parece?” e “qual dos dois fez a vontade do pai?” Perante o chamamento do Senhor, qual é a nossa resposta? O ensinamento de Jesus no Evangelho deste domingo é que aquilo que importa não é o que se diz, mas o que se faz. O próprio Senhor já havia ensinado no Evangelho: “Nem todo aquele que me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que pratica a vontade de meu Pai que está nos céus” (Mt 7,21). No ensinamento de Jesus, o importante para Deus não é uma vida aparentemente virtuosa, mas uma fé que se torna operativa na obediência ao Senhor e na caridade para com os irmãos. Com a nossa vida de cada dia somos chamados a responder aos apelos do Senhor. O apelo que São Paulo nos dirige no texto da Carta aos Filipenses é simples e poderoso: “Tende entre vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus” (Fl 2,5). Para São Paulo, o ser cristão se realiza quando percorremos um caminho concreto, avançando no mesmo caminho indicado por Jesus, identificando-nos com ele, com sua Palavra e com seus ensinamentos, tal como descobrimos nos evangelhos. No ensinamento de São Paulo, os sentimentos não são as emoções que as diferentes circunstâncias provocam em nós, são antes os motivos e as convicções mais profundas que nos levam a agir de um modo específico. Ter os mesmos sentimentos de Jesus supõe que O conheçamos verdadeiramente: o Seu agir; as Suas preocupações; o Seu critério de vida; as Suas opções na vida; a Sua relação pessoal com o Pai; a Sua disposição para com os outros. Conhecemos os sentimentos de Jesus somente através da leitura atenta do Evangelho, da oração confiante, da celebração sincera dos sacramentos, da vida da comunidade cristã, da partilha da fé vivida em comunidade. São Paulo, no desenvolvimento da Carta aos Filipenses, sublinha alguns dos sentimentos que Jesus viveu em profundidade: a fortaleza perante a prova; a compaixão perante as necessidades do outro; a humildade; a obediência à vontade do Pai (cf. Fl 5,6-8). Foram estes os motores da vida de Cristo, que o conduziram aos acontecimentos salvíficos da sua morte e ressurreição. Liguemos o texto de São Paulo ao texto do Evangelho, antecipado também nas leituras deste final de semana pelo Profeta Ezequiel. Ter os mesmos sentimentos de Jesus não é uma questão de palavras, mas de fatos. Jesus louva o segundo filho da parábola porque, não obstante a sua resposta negativa inicial, vai depois trabalhar na vinha do pai. Ser cristão, discípulo de Cristo, não é uma questão de palavras ou de falsas ações, mas é um progredir no caminho da fé, no seguimento de Jesus. Organizemos toda a nossa vida como uma contínua procura por Deus; façamos como Jesus, que procurou a Deus em cada pessoa, de modo a poder amar os outros com a mesma intensidade com a qual nós somos amados por Deus. Pensarmos orgulhosamente que não precisamos nem de Deus, nem dos outros, seria agir como o primeiro filho da parábola, afirmando apenas formalmente ao Senhor a nossa disponibilidade: “Sim, Senhor, eu vou”. Mas não foi (Mt 21,29).

Dom Celso Alexandre Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Ipiranga

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5.2- 27 de setembro – 26º DOMINGO DO TEMPO COMUM Por Pe. Ms. Maicon André Malacarne* O discípulo “fala” menos e “faz” mais!

 

 5.2- 27 de setembro – 26º DOMINGO DO TEMPO COMUM

Por Pe. Ms. Maicon André Malacarne*

 

O discípulo “fala” menos e “faz” mais!

1. INTRODUÇÃO GERAL

A obediência ou a desobediência à Palavra de Deus não se realiza com discursos imediatistas, mas na configuração da vida. De fato, somos mais do que decisões isoladas, somos mais do que um erro ou um acerto. Somos a soma das decisões que definem a direção para a qual orientamos nossa existência. Pode acontecer que, uma hora ou outra, seja necessário repensar o caminho, e isso não faz de ninguém melhor ou pior. O horizonte de todo discípulo-missionário está na vida e no mistério de amor de Jesus, capaz de viver um “sim” permanente, até a doação total na cruz. A humildade e a entrega se transformam, em Jesus, em sinal de “glória”.

1. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

1. I leitura (Ez 18,25-28)

Ezequiel é o profeta do exílio babilônico (século IV a.C.). Junto dele estão outros israelitas deportados. Imaginemos um grupo que se encontra distante de sua terra e de sua cultura conversando sobre essa situação, lembrando-se da família e do lugar onde viviam e tentando encontrar um culpado de tudo o que estava acontecendo: quem pecou para provocar a ira de Deus?

O profeta Ezequiel recorda ao povo que não se trata de descobrir “quem pecou”, mas de assumir a responsabilidade pessoal diante de todos os acontecimentos: “Quando um justo se desvia da justiça, pratica o mal e morre, é por causa do mal praticado que ele morre” (v. 26). Não é difícil também para nós cair na tentação de buscar culpados, de buscar os “maus” da história, sem tomar consciência das nossas maldades.

A profecia recorda ainda que existe a tensão entre a perversão do justo e a conversão do injusto. Por isso, a vida não pode ser resumida em uma ou outra prática, mas na direção do bem, na conversão constante em vista de uma existência orientada para o caminho do Senhor. Todos erramos em algum momento, mas Deus está sempre de braços abertos para acolher quem decide regressar ao seu plano de amor: “Arrependendo-se de todos os seus pecados, com certeza viverá; não morrerá” (v. 28).

2. II leitura (Fl 2,1-11)

A vida comunitária carrega sempre tensões, por mais madura que seja. É bonito aquilo que São Paulo escreveu à comunidade de Filipos: “aspirai à mesma coisa, unidos no mesmo amor; vivei em harmonia, procurando a unidade” (v. 2). A disputa pelo poder, a busca por prestígio, os cargos utilizados para a imposição de ideias são armadilhas às relações fraternas e à vivência da fé.

O caminho para “sarar” essa ferida é reconhecer no outro um irmão, um “tu” muito amado por Deus: “Nada façais por competição ou vanglória, mas, com humildade, cada um julgue que o outro é mais importante” (v. 3). Para viver essa condição de humildade, Paulo evocou um hino que apresenta Jesus Cristo como aquele que “esvaziou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e tornando-se igual aos homens” (v. 7). Jesus é Deus que se abaixa, que se esvazia, que assume a natureza humana para viver o amor até o fim, na cruz.

Cabe a todo seguidor de Jesus, na experiência da comunidade cristã, não se colocar como o centro de tudo nem buscar privilégios, mas, sim, assumir o imperativo da humildade, a qual abre as portas para relações fraternas e justas e tem seu fundamento naquilo que Paulo sintetizou de maneira muito direta: “Tende entre vós o mesmo sentimento que existe em Cristo Jesus” (v. 5).

3. Evangelho (Mt 21,28-32)

Os dois filhos de que nos fala o Evangelho deste domingo podem ser o espelho das nossas tensões mais profundas. De um lado, um filho cumpridor das regras, obediente, que não questiona, não interroga, mantém todas as aparências intactas, mas, internamente, contraria tudo, com vergonha de dizer a verdade...; de outro, o filho rebelde, contestador da autoridade paterna, desobediente, que, porém, deixando aberto o espaço do pai, vai descobrindo o mapa do caminho que precisa fazer e, pouco a pouco, deixa-se transformar.

Jesus conta a parábola de um pai que mandou seus dois filhos trabalhar na sua vinha. O primeiro resmungou, não queria, mas depois pensou melhor e foi para a vinha. O segundo reagiu com entusiasmo – um entusiasmo imediato que, entretanto, não permaneceu. Alguns estudiosos interpretam esses dois filhos como a imagem do povo de Israel e dos pagãos. Os israelitas estabeleceram uma aliança com Deus rapidamente, mas tiveram dificuldade de vivê-la. Os pagãos, por sua vez, não acolheram a Deus de imediato, mas foram aderindo ao projeto de Jesus.

O seguimento de Jesus Cristo se realiza no passo a passo da nossa vida. Não é uma decisão rasa e imediata, nem mesmo uma obediência exterior. Seguir Jesus Cristo é sempre um movimento de discernimento da liberdade, da responsabilidade, dos erros e dos acertos, porque é essa a dinâmica da vida. O primeiro filho, que teve a dificuldade inicial de acolher o chamado, descobriu que a vinha do pai também era sua e foi trabalhar. Não basta dizer “sim, Senhor”, como o segundo filho. Deus pede mais!

A parábola é contada aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, ou seja, àqueles que tinham se tornado a imagem do segundo filho: rígidos nas leis e calculistas no medir os outros. Em contraposição a eles estão “as prostitutas e os publicanos” (v. 32), que eram acusados de serem filhos maus, mas, para Jesus, precederão àquele outro grupo no Reino de Deus (v. 31).

Jesus inverte a lógica e mexe com nossos preconceitos. De fato, quando nos achamos superiores, como indicou Paulo na segunda leitura, o Evangelho nos convida a tomar consciência da nossa pequenez, a buscar o abaixamento, a reconhecer que nossas atitudes de acusação do outro ou de algumas categorias sociais podem ser a tradução de uma hipocrisia de que nosso coração está cheio. O caminho é sempre a mudança, a conversão e a consciência que o salmista ajuda a tecer: “De mim lembrai-vos, porque sois misericórdia e sois bondade sem limites, ó Senhor!”

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

A liturgia da Palavra deste domingo é uma oportunidade de avaliar e meditar a intencionalidade das nossas ações: por que dizemos “sim” e por que dizemos “não”; quanto tempo persevera nosso “sim” e quanto persevera nosso “não”. Um mundo “líquido” e fluido parece que transforma tudo em imediatismo, em velocidade, o que acaba distorcendo e diminuindo a seriedade de decisões importantes. O amor exige tempo, demora, opção de vida que não se desfaz na primeira dificuldade. De fato, Rilke, o grande poeta, já ensinou que “amar é durar, luzir com uma luz que não tem fim”.

Pe. Ms. Maicon André Malacarne*

*Maicon André Malacarne é presbítero da diocese de Erexim-RS, pároco na paróquia São Cristóvão, em Erechim, e professor de Teologia Moral na Itepa Faculdades, em Passo Fundo-RS. Mestre e doutorando em Teologia Moral pela Pontifícia Academia Alfonsiana, de Roma. E-mail: maiconmalacarne@gmail.com

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