1.2- 38.º CAPÍTULO PROVINCIAL DA PROVÍNCIA SANTO TOMÁS DE
VILANOVA
O Capítulo teve início
no dia 13 de julho de 2026 no Rio Janeiro.
A Eucaristia presidida pelo Prior Geral, frei Miguel Ángel Hernández,
abriu oficialmente os trabalhos capitulares com um convite a viver o
discernimento comunitário a partir da escuta, da oração e da caridade.
A
Província Santo Tomás de Villanueva da Ordem de Agostinhos Recoletos iniciou no
passado 13 de julho o
seu 38.º capítulo provincial com
a celebração da Eucaristia do Espírito Santo no Sítio
Santo Agostinho, no Rio de Janeiro (Brasil). A
celebração foi presidida pelo Prior Geral, frei
Miguel Ángel Hernández, que convidou os
capitulares a compreender este tempo como uma autêntica experiência espiritual
de discernimento e não unicamente como um processo de governo.
Desde o início
da homilia, o Prior Geral situou o sentido profundo do capítulo:
“Hoje não estamos simplesmente
iniciando um capítulo provincial. Estamos entrando em um tempo de graça, um
tempo em que o Senhor nos reúne como comunidade para ouvir sua voz e discernir
juntos os caminhos do futuro”.
Um capítulo para buscar juntos a vontade de Deus
Tomando
como referência o Concílio de Jerusalém narrado nos Atos dos Apóstolos, frei
Miguel Ángel recordou que a Igreja enfrentou desde os seus primeiros anos
desafios que só puderam resolver-se mediante o discernimento comunitário.
O Prior
Geral destacou a célebre expressão usada pelos apóstolos: “Pareceu bem
ao Espírito Santo e a nós”, sublinhando que a ordem dessas palavras não é
casual.
“Ele não diz: ‘Pareceu bem a nós e esperamos que pareça bem ao Espírito
Santo’. Ele diz primeiro que o Espírito vem primeiro e a comunidade o segue,
discernindo onde sopra”,
explicou.
A partir
desta cena bíblica, definiu qual deve ser a identidade de todo capítulo
provincial: “Esse é o programa de todo capítulo autêntico. Este tem que ser o
coração do nosso capítulo. Não se trata apenas de organizar, analisar e votar.
Trata-se de buscar juntos a vontade de Deus ”.
Neste
sentido, recordou que um capítulo não pode reduzir-se a uma dinâmica
parlamentar.
“Um capítulo não é um parlamento. Não viemos defender interesses, nem
impor maiorias, nem garantir cotas. Viemos para ouvir”, afirmou.
Ele foi
ainda mais longe ao descrever a natureza espiritual desta assembleia: “O
capítulo, em sua raiz mais profunda, é um ato litúrgico prolongado. É um ato de
adoração que se expressa na busca conjunta da vontade de Deus para a nossa
província neste momento da história”.
Escutar a Deus também através dos irmãos
Inspirando-se
em santo Agostinho, o Prior Geral recordou que o discernimento só é possível a
partir da comunhão.
“Santo Agostinho nos lembra que Deus fala também por meio dos irmãos.
Ele sabia que ninguém possui a verdade em sua totalidade e que a comunhão não
nasce quando todos pensamos igual, mas quando nos colocamos todos juntos à
escuta do único Mestre”,
assinalou.
Por isso animou
os capitulares a cultivar uma escuta humilde e sincera durante todo o processo
capitular.
“Quando uma comunidade escuta com humildade, dialoga com sinceridade e
coloca Cristo no centro, o Espírito encontra espaço para agir”, assegurou.
Frei
Miguel Ángel expressou ainda seu desejo de que as conclusões do capítulo não
sejam apenas fruto do trabalho humano, mas da ação de Deus: “Não
será simplesmente o fruto de nossas deliberações, mas da ação silenciosa do
Espírito em uma comunidade que se deixa conduzir por Ele”.
Uma casa construída por Deus
Meditando
o salmo responsorial, o Prior Geral recordou que toda renovação autêntica
começa pondo Deus no centro.
“Se o Senhor não constrói a casa, em vão se cansam os construtores.
Podemos trabalhar muito, discutir muito, planejar muito; mas, se o Senhor não
está no centro, tudo se torna vazio”,
afirmou.
Por isso
convidou a viver o capítulo a partir de uma profunda atitude de humildade.
“Temos que trabalhar, sim, mas sabendo que a obra é do Outro. Temos que
contribuir, sim, mas não pretender controlar. Temos que discernir, sim, mas não
impor”, assinalou.
E
acrescentou uma das ideias centrais de toda a homilia: “Talvez
o melhor serviço que possamos oferecer nestes dias não seja tanto o brilho de
nossas ideias, mas a docilidade com que deixamos Deus ir construindo a
Província”.
Permanecer no amor para dar fruto
A
reflexão concluiu com o Evangelho do discurso de despedida de Jesus durante a
Última Ceia.
O Prior
Geral recordou que o fundamento último de qualquer decisão capitular não são as
estruturas nem as estratégias, mas o amor.
“Não se trata de doutrina, não se trata de estruturas, não se trata de
regulamentos. Trata-se de amor. Permanecer no amor de Cristo é a condição de
possibilidade de todo o resto: do apostolado, do governo, da renovação e do
discernimento”,
explicou.
Com essa
mesma força advertiu:
“Um capítulo que não brota do amor se transforma em uma reunião de
gestão. Um capítulo que nasce do amor pode mudar o rumo de uma província”.
Esse
amor, acrescentou, é o amor concreto de Cristo: “Um amor que lava os pés; um amor que vai ao encontro de quem erra; um
amor que dá a vida; um amor que vai além das afinidades naturais, além das
gerações e além das diferentes visões sobre o futuro da Ordem e da Província”.
Três imagens para viver o capítulo
Antes de
concluir a homilia, frei Miguel Ángel Hernández deixou aos capitulares três
imagens que servissem de guia durante as jornadas de trabalho.
A
primeira foi a dos apóstolos reunidos em Jerusalém: “Homens que não estavam de
acordo, mas que encontraram o Espírito no meio de suas discussões honestas e
fraternas. O Espírito não foge do conflito; bem conduzido, Ele o habita e o
fecunda”.
A segunda
foi a da casa que só Deus pode construir: “Uma província, uma
comunidade, uma Ordem, um capítulo, é sempre uma obra em construção. E aqui
está o decisivo: não somos nós os principais arquitetos”.
Por fim,
recordou as palavras de Jesus: “Não fostes vós que me escolhestes, mas
fui eu que vos escolhi e vos destinei para que vades e deis fruto”,
afirmando que “o capítulo não cria a vocação; ele a reconhece e a
coloca a serviço de todos”.
Como
desejo para o futuro, expressou: “Que, quando já tivermos ido embora do Rio
de Janeiro, recordemos este capítulo não pelos documentos que aprovamos, mas
porque aqui aprendemos mais uma vez a escutar o Espírito do Senhor”.
A homilia
concluiu com uma referência à Regra de Santo Agostinho e uma oração pelos
trabalhos capitulares: “Que tudo o que fizerdes, o façais com
amor, in caritate, e que o
amor que nos une seja mais belo ao final do capítulo do que no começo”.
https://recoletos.org/pt-br/espirito-santo-inaugura-o-38o-capitulo-provincial-de-sao-tomas-de-villanueva/