sexta-feira, 13 de março de 2026

BEM-VINDOS AO SB SABENDO BEM DE 15 DE MARÇO DE 2026- QUARTO DOMINGO DA QUARESMA



A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. (I Coríntios 1, 18).

quarto DOMINGO DA QUARESMA – 15 DE MARÇO DE 2026

 (Ano A/Roxo) 4.º DOMINGO DA QUARESMA- 15/03/2026

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2026

TEMA: “Fraternidade e Moradia” LEMA: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14)

"Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, nas trevas, mas a Luz da vida terá!"

"VIVEI COMO FILHOS DA LUZ"

Hino da CF 2026

https://youtu.be/aaO9Uqjok4?si=ldn46WmP2TQtCLa4

O HOMEM CHAMADO JESUS

https://youtu.be/JkNHnOnDk4o?si=GLUwKAIAjT85gR4l


 

SB SABENDO BEM DE 15 DE MARÇO DE 2026 INFORMA

Caro(a) Leitor(a) amigo(a):

O meu abraço fraterno e uma

 ótima semana a todos!

ACESSE SEMPRE O BLOG: sbsabendobem.blogspot.com e divulgue aos seus amigos, conhecidos e contatos nas redes sociais. Comente, faça sugestões. Agradeço!

Escreva para: sbsabendobem@gmail.com

 

SB SABENDO BEM DE 15 DEMARÇO DE 2026

 

SEJA BEM-VINDA! SEJA BEM-VINDO!

 

1- SB SABENDO BEM 15 DEMARÇO DE 2026 - QUARTO DOMINGO DA QUARESMA – ANO A

 

 

1-  SB SABENDO BEM  15 DEMARÇO DE 2026

-   QUARTO DOMINGO DA QUARESMA – ANO A

 

1.1-       Orientação sobre o espaço celebrativo

 

Durante o Tempo da Quaresma o espaço celebrativo deve ser simples e despojado, sem flores, sem enfeites. Usar poucos instrumentos musicais. Manter no lugar preparado a cruz de madeira com pano roxo, o símbolo da casa e o cartaz da Campanha da Fraternidade 2026 que deverão permanecer durante os quarenta dias. Para iniciar a celebração, cantar de forma orante até a assembleia silenciar.

 

1.2-       Bem-vindos à Celebração do 4.º Domingo da Quaresma

 

Irmãos e irmãs, este domingo nos lembra que o tempo da Quaresma é um forte convite à purificação, por meio da conversão e da nossa profissão de fé no Cristo vivo e ressuscitado.

 

O Quarto Domingo da Quaresma é conhecido como Domingo Laetare, ou Domingo da Alegria. A Liturgia de hoje nos oferece um oásis de esperança em nossa caminhada penitencial, recordando-nos que a Páscoa da Ressurreição está próxima. Jesus é a Luz do mundo, que veio para curar nossas cegueiras espirituais e nos fazer viver como filhos e filhas da luz. Nesta Liturgia transborda a misericórdia de Deus, que não veio para condenar, mas para salvar o mundo. A Quaresma é o tempo favorável para a conversão, para voltarmos à casa do Pai misericordioso.

Irmãos e irmãs, neste quarto domingo da nossa caminhada quaresmal, somos convidados a abrir o coração à luz do Senhor. Ele vem ao nosso encontro para dissipar as sombras e nos fazer ver por sua luz. Pelo Batismo, fomos iluminados por Cristo e chamados a viver como verdadeiros filhos da luz. Que esta Eucaristia nos prepare para a Páscoa que se aproxima, a fim de que, cheios da alegria do Evangelho, possamos refletir a luz divina a todos que encontrarmos.(INTRODUÇÃO DO FOLHETO POVO DE DEUS EM SÃO PAULO).

1.3- 4.º DOMINGO DA QUARESMA— Iluminação: A Fé que Abre os Olhos e 1.4- CF MORADIA 2026

 

 

1.3-        4.º DOMINGO DA QUARESMA— Iluminação: A Fé que Abre os Olhos

O Evangelho: O Cego de Nascença (João 9,1-41)

Estamos na quarta semana de Quaresma. Você já venceu tentações, encontrou esperança e se abriu para conversão. Agora vem a iluminação espiritual.

Jesus encontra um homem que era cego de nascença. Ninguém sabia por quê. Havia uma crença de que o pecado causava cegueira. Mas Jesus desafia tudo isto:

"Nem ele pecou nem seus pais; mas é para que nele se manifestem as obras de Deus." (João 9,3)

Jesus faz lama, coloca nos olhos do cego e diz: "Vai, lava-te na piscina de Siloé". O homem vai, lava-se, e volta vendo.

Significado Teológico: Jesus é a Luz do Mundo

Este evangelho é especial porque Jesus não apenas cura — Ele ilumina. Note que Jesus diz: "Eu sou a luz do mundo" (João 9,5).

Há uma progressão magnífica através dos domingos:

1.    1º domingo: Você vence a tentação (purificação)

2.    2º domingo: Você  a esperança da glória (esperança)

3.    3º domingo: Você se converte radicalmente (transformação)

4.    4º domingo: Você é iluminado pela fé (compreensão)

Agora, com olhos espirituais abertos, você pode ver verdadeiramente quem é Jesus. Não como tradição, não como religião herdada, mas como encontro pessoal com a Luz divina.

Aplicação Prática

Neste quarto domingo, ore: "Jesus, abre meus olhos. Que eu não apenas conheça sobre Ti, mas que eu Te veja, Te sinta, e Te conheça pessoalmente."

https://www.santoscatolicos.blog.br/2026/01/quaresma-2026-qual-liturgia-de-cada.html

1.2-        QUARESMA E CF DA FRATERNIDADE

 

O Texto-Base da CF 2026 nos diz, em seu número 153: “Lutar por moradia digna, por exemplo, é lutar para que todas as pessoas possam viver com dignidade. Isso faz parte da missão da Igreja. Não é apenas uma questão social e política, mas é também, mais radicalmente, uma questão de fé. É uma dimensão fundamental da missão evangelizadora da Igreja. Diz respeito aos direitos humanos, à promoção da família, á função social da propriedade e à dimensão política da fé”. (Círculo Bíblico - CF 2026).

2. LITURGIA DA PALAVRA DO QUARTO DOMINGO DA QUARESMA - ANO A

 

 

2.    LITURGIA DA PALAVRA DO QUARTO DOMINGO DA QUARESMA - ANO A

 

O Senhor ilumina nossos caminhos por meio da sua Palavra. Escutemos com atenção, para que sua luz dissipe as sombras das nossas cegueiras e nos conduza à verdadeira vida.

 

PRIMEIRA LEITURA (1Sm 16, 1b.6-7.10-13a) Leitura do Primeiro Livro de Samuel.

 

Naqueles dias, o Senhor disse a Samuel: 1b“Enche o chifre de óleo e vem para que eu te envie à casa de Jessé de Belém, pois escolhi um rei para mim entre os seus filhos”. 6 Assim que chegou, Samuel viu a Eliab e disse consigo: “Certamente é este o ungido do Senhor!” 7 Mas o Senhor dis‑ se-lhe: “Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei. Não julgo segundo os critérios do homem: o homem vê as aparências, mas o Senhor olha o coração”. 10Jessé fez vir seus sete filhos à presen‑ ça de Samuel, mas Samuel disse: “O Senhor não escolheu a nenhum deles”. 11E acrescentou: “Estão aqui todos os teus filhos?” Jessé respondeu: “Resta ainda o mais novo que está apascentando as ovelhas”. E Samuel ordenou a Jessé: “Manda buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa enquanto ele não chegar”. 12Jessé mandou buscá-lo. Era Davi, ruivo, de belos olhos e de formosa aparência. E o Senhor disse: “Levanta-te, unge-o: é este!” 13aSamuel tomou o chifre com óleo e un‑ giu a Davi na presença de seus irmãos. E a partir daquele dia o espírito do Senhor se apoderou de Davi - Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

 

SALMO 22(23)

 

 O Senhor é o pastor que me conduz; / não me falta coisa alguma.

 

 1. O Senhor é o pastor que me conduz; * não me falta coisa alguma. / Pelos pra‑ dos e campinas verdejantes * ele me leva a descansar.

2. Para as águas repousantes me encaminha, * e restaura as minhas forças. / Ele me guia no caminho mais seguro, * pela honra de seu nome. 3. Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, * nenhum mal eu temerei; / estais comigo com bastão e com cajado; * eles me dão a segurança!

4. Preparais à minha frente uma mesa, * bem à vista do inimigo; / e com óleo vós ungis minha cabeça; * o meu cálice transborda.

 5. Felicidade e todo o bem hão de seguir-me, * por toda a minha vida; / e, na casa do Senhor, habitarei * pelos tempos infinitos.

 

 SEGUNDA LEITURA (Ef 5, 8-14) Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.

 

Irmãos, 8 outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como fi‑ lhos da luz. 9 E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade. 10Discerni o que agrada ao Senhor. 11Não vos associeis às obras das trevas, que não levam a nada; antes, desmascarai-as. 12O que essa gente faz em segredo, tem vergonha até de dizê-lo. 13Mas tudo que é conde‑ nável torna-se manifesto pela luz; e tudo o que é manifesto é luz. 14É por isso que se diz: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá”. - Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

 

ACLAMAÇÃO (L.: Lecionário e Jo 8,12 | M.: Pe. José Weber, SVD)

 

Louvor e honra a vós, Senhor, / a vós, Senhor Jesus.

 Pois, eu sou a luz do mundo, quem nos diz é o Senhor; / e vai ter a luz da Vida quem se faz meu seguidor!

 

EVANGELHO (Jo 9,1-41 | + longo)

 

 P. O Senhor esteja convosco. T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João. T. Glória a vós Senhor.

 

P. Naquele tempo, 1 ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. 2 Os discípulos perguntaram a Jesus: “Mestre, quem pecou para que nascesse cego: ele ou seus pais?”. 3 Jesus respondeu: “Nem ele nem seus pais pecaram, mas isso serve para que as obras de Deus se ma‑ nifestem nele. 4 É necessário que nós realizemos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia. Vem a noite, em que ninguém pode trabalhar. 5 Enquanto estou no mundo, eu sou a luz do mundo”. 6 Dito isto, Jesus cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. 7 E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando. 8 Os vizinhos e os que costumavam ver o cego – pois ele era mendigo – diziam: “Não é aquele que ficava pedindo esmola?” 9 Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam: “Não é ele, mas alguém parecido com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!”. 10Então lhe perguntaram: “Como é que se abriram os teus olhos?” 11Ele respondeu: “Aquele homem chamado Jesus fez lama, colocou-a nos meus olhos e disse-me; ‘Vai a Siloé e lava-te’. Então fui, lavei-me e comecei a ver”. 12Perguntaram-lhe: “Onde está ele?” Respondeu: “Não sei”. 13Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. 14Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. 15Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!” 16Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais sinais?” 17E havia divergência entre eles. Perguntaram ou‑ tra vez ao cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta”. 18Então, os judeus não acre‑ ditaram que ele tinha sido cego e que tinha recuperado a vista. Chamaram os pais dele 19e perguntaram-lhes: “Este é o vosso filho, que dizeis ter nascido cego? Como é que ele agora está enxergando?” 20Os seus pais disseram: “Sabemos que este é o nosso filho e que nasceu cego. 21Como agora está enxergando, isso não sabemos. E quem lhe abriu os olhos também não sabemos. Interrogai-o, ele é maior de idade, ele pode falar por si mesmo”. 22Os seus pais disseram isso, porque tinham medo das autoridades judaicas. De fato, os judeus já tinham combinado expulsar da comunidade quem declarasse que Jesus era o Messias. 23Foi por isso que seus pais disseram: “É maior de idade. Interrogai-o a ele”. 24Então, os ju‑ deus chamaram de novo o homem que tinha sido cego. Disseram-lhe “Dá glória a Deus! Nós sabemos que esse homem é um pecador”. 25Então ele respondeu: “Se ele é pecador, não sei. Só sei que eu era cego e agora vejo”. 26Perguntaram-lhe então: “Que é que ele te fez? Como te abriu os olhos?”. 27Respondeu ele: “Eu já vos disse, e não escutastes. Por que quereis ouvir de novo? Por acaso quereis tornar-vos discípulos dele?” 28Então insultaram-no, dizendo: “Tu, sim, és discípulo dele! 29Nós somos discípulos de Moisés. Nós sabemos que Deus falou a Moisés, mas esse, não sabemos de onde ele é”. 30Respondeu-lhes o homem: “Espantoso! Vós não sabeis de onde ele é? No entanto, ele abriu-me os olhos! 31Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade. 32Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos a um cego de nascença. 33Se este homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada”. 34Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?” E expulsaram-no da comunidade. 35Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?” 36Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?” 37Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou ele: 38“Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus. 39Então, Jesus disse: “Eu vim a este mundo para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem, vejam, e os que veem se tornem cegos”. 40Alguns fariseus, que estavam com ele, ouviram isto e lhe disseram: “Porventura, também nós somos cegos?”. 41Respondeu-lhes Jesus: “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis: ‘Nós vemos’, o vosso pecado permanece”. - Palavra da Salvação. T. Glória a vós, Senhor.

3. LITURGIA DO QUARTO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

3.    LITURGIA DO QUARTO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

- O quarto Domingo da Quaresma, também chamado Domingo da alegria (Laetare), apresenta de forma mais evidente os sinais da Páscoa que se aproxima. É como um oásis encontrado no deserto, ou uma luz no fim do túnel. A luz é, portanto, o tema central deste Domingo, que prossegue com uma catequese batismal e nos apresenta mais um símbolo essencial para a preparação daqueles que receberão o Batismo na Vigília Pascal, bem como para todos nós, batizados, que nos preparamos para a Páscoa. É a luz que ilumina nossa inteligência para enxergarmos a realidade com os olhos de Deus e a não fazer julgamentos precipitados. É a luz pela qual renascemos no Batismo, que nos faz agir com bondade, justiça e verdade. É a luz trazida por Jesus, que dissipa as trevas das nossas cegueiras.

- A primeira leitura, de Samuel, nos mostra, no processo de escolha e unção do rei Davi, um apelo para que saibamos olhar as pessoas sem julgá-las pela aparência, como costumamos fazer. Samuel, quando chega à casa de Jessé para ungir um de seus filhos, logo imagina que o mais belo de todos, Eliab, seria o escolhido por Deus, mas o Senhor lhe diz: "Não olhes para a sua aparência nem para a sua grande estatura, porque eu o rejeitei". Samuel julga pelos critérios humanos, mas Deus não. O escolhido nem estava presente. Era o menor de todos, Davi, desclassificado pelos critérios humanos, mas escolhido por Deus, que vê o coração e não a aparência dos seus filhos. Assim, Deus nos ensina a ver as pessoas com o seu olhar. Não são poucas as vezes em que nos precipitamos, julgando pela aparência para depois sermos surpreendidos quando elas se revelam de outra maneira.

- Na segunda leitura, Paulo nos orienta a viver como filhos da luz. Os filhos da luz revelam quem são de fato por seus frutos, por suas ações. Elas consistem em atos de bondade, justiça e verdade. O filho da luz sabe discernir o que agrada a Deus, procura fazer a sua vontade e não compactua com as obras das trevas. Ao contrário, tem atitude profética e as desmascara. O filho da luz anda de cabeça erguida, não por orgulho, mas porque tem a consciência tranquila. Seus atos não precisam ser escondidos porque são bons, justos e verdadeiros. Ele enxerga a realidade conforme Deus a quer e age de maneira condizente com a vontade divina. - O Evangelho de hoje, da cura do cego de nascença, é destinado à catequese daqueles que serão batizados. Ela mostra que Deus nos resgata da lama dos nossos pecados e nos propõe vida nova, transformando nossa história para sermos libertos da escuridão do pecado, da cegueira que nos impede de vermos a realidade com o olhar de Deus. Para além do Batismo, é preciso ser discípulo, seguir Jesus, como fez o cego do Evangelho.

- Jesus, ao curar o cego de nascença, suscita uma polêmica na comunidade. Primeiro, porque fez isso em dia de sábado. Os judeus o acusavam de desrespeitar a lei de Deus e, por essa razão, Ele não podia ser alguém vindo da parte de Deus. Por outro lado, é acolhido pelo que foi curado e pelos que presenciaram a cura. Como pode alguém que não vem de Deus fazer coisas tão boas para o seu próximo? Questionava aquele que foi curado, ao afirmar: "Sabemos que Deus não escuta os pecadores, mas escuta aquele que é piedoso e que faz a sua vontade". Se Jesus fosse, de fato "um pecador", como afirmavam alguns, Ele não teria feito tal obra.

- Não obstante a cura e a polêmica por ela suscitada, Jesus quer mostrar quanto ainda somos cegos. Enquanto nosso olhar estiver condicionado àquilo que as estruturas opressoras propõem, não estamos ainda prontos para as obras da luz. É preciso libertar nosso olhar, nossa consciência, para enxergarmos a realidade de outra maneira. Somente assim estaremos prontos para segui-lo.

 - Ao ter seus olhos abertos, aquele que era cego faz a sua profissão de fé e se propõe a seguir Jesus. Ele nos chama a atenção para olharmos para dentro de nós e avaliar como anda a nossa profissão de fé, a nossa prática religiosa, o nosso processo de conversão, enfim, o nosso seguimento. A Quaresma é esse convite de Cristo a fazermos a revisão da nossa caminhada e ver se estamos enxergando bem os caminhos que promovem e defendem a vida como Deus quer.

 

https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/02/15_03_26.pdf

4. REFLEXÕES PARA ESTE 4.º DOMINGO DA QUARESMA 4.1- A ALEGRIA NOS VEM DO SENHOR!

 

4.    REFLEXÕES PARA ESTE 4.º DOMINGO DA QUARESMA

 

4.1-      A ALEGRIA NOS VEM DO SENHOR!

A liturgia deste 4º Domingo da Quares‑ ma propõe uma reflexão sobre o projeto salvador de Deus, que oferece a todos, independentemente de méritos, o dom da vida eterna. Essa iniciativa requer uma resposta pessoal, convidando ao fortalecimento da esperança e à vivência da alegria, tema central deste que é também chamado Domingo da Alegria. Símbolos dessa liturgia, como a possibilidade do uso da cor rósea, os cânticos e o enfoque na misericórdia divina, nos fazem vivenciar a leveza e a esperança acessíveis mesmo nos momentos de dificuldade. A alegria cristã não se limita a uma emoção passageira, mas pode ser uma escolha diária, mesmo diante das dificuldades. Crer em Deus e em Sua promessa nos dá razões para sorrir e enfrentar as adversidades com coragem. Assim, cada experiência pode se transformar em oportunidade de crescimento espiritual, seja um problema no trabalho que ensina paciência, seja um desentendimento familiar que nos desafia a perdoar. O exercício diário da gratidão, por meio da oração e reflexão, nos ajuda a perceber as pequenas e grandes bênçãos que Deus nos concede constantemente. Na primeira leitura, ao escolher o menos provável, o profeta Samuel nos fala dos critérios do nosso Deus, que não julga pela aparência, mas enxerga o coração. É Ele quem capacita a pessoa para a missão. Valorizar a dignidade do outro é também uma atitude concreta que podemos viver no cotidiano: cumprimentar os subalternos, ouvir com atenção alguém que se sente ignorado, ou respeitar colegas independentemente de cargos. São gestos pequenos, mas que transformam ambientes e mostram a presença da luz de Deus em nós. Na Carta aos Efésios, Paulo nos apresenta o projeto salvador desde sempre proclamado pelos profetas, concretizado em Jesus e anunciado ao mundo pela Igreja. Como cristãos, somos convidados a viver na “luz”, marcando nossas vidas pela bondade, justiça e verdade. Isso pode se traduzir em atitudes simples, como ser honesto em nossos negócios, ajudar alguém que precisa de um favor, ou promover justiça social em ações cotidianas, como por exemplo, respeitar as filas e vagas para vulneráveis, não furar compromissos, apoiar campanhas de solidariedade, como, por exemplo, marmitas para pessoas em situação de rua. Mais do que viver na luz, somos chamados a dissipar as trevas. E isso pode acontecer nas situações mais comuns do dia a dia: recusar-se a compartilhar fake news, ou posicionar-se contra fofocas e comentários maldosos no ambiente de trabalho, na escola ou na família; denunciar injustiças, mesmo que isso gere desconforto, e não compactuar com atitudes discriminatórias são for‑ mas práticas de seguir o Evangelho. A cada escolha, podemos perguntar: Estou promovendo luz ou permito que as trevas se espalhem? No Evangelho deste domingo, presencia‑ mos o encontro de Jesus com um cego, representante dos excluídos e marginalizados de todas as épocas. Muitos ainda hoje acreditam que deficiências físicas e infortúnios são punição pelo pecado, mas Jesus desconstrói essa visão, mostrando que sofrimento não é consequência direta do erro. Ele aproveita a ocasião para revelar sua missão: ser “a luz do mundo” e iluminar a vida dos que vivem nas trevas. O gesto de misturar saliva à terra lembra a criação do ser humano em Gênesis, simbolizando que Jesus traz nova vida, o sopro de Deus. A cura, porém, não acontece sem a colaboração do cego. Jesus lhe ordena: “Vai lavar-te na piscina de Siloé, que significa: Enviado!”. Jesus é o Enviado do Pai, a água da vida no qual somos batizados. A disposição de obedecer, porém, é essencial para que o milagre aconteça. É também um convite para que, durante a Quaresma, façamos pequenos gestos de adesão à proposta de Jesus. Pode ser pedir desculpas, fazer uma visita a alguém que está sozinho, talvez doente, dedicar um tempo para escutar quem precisa de apoio, ou o gesto concreto e generoso na coleta nacional da Campanha da Fraternidade, no próximo dia 29 de março. O Evangelho nos mostra que há diferentes formas de recusar a luz libertadora de Jesus: alguns resistem por estarem confortáveis na mentira; outros têm medo das críticas ou se deixam levar pela opinião dominante; muitos optam pelo comodismo e não querem mudar. É importante refletir: com qual desses grupos eu me identifico? Quais atitudes pequenas posso tomar para romper com padrões que me afastam da luz?

 Pe. Jorge Bernardes Presbítero da Arquidiocese de São Paulo - Região Ipiranga.

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Ano-50A-20-4o-DOMINGO-DE-QUARESMA.pdf

4.2- O Senhor olha o Coração – Iluminados por Cristo – Os Frutos da Luz

 

4.2-      O Senhor olha o Coração – Iluminados por Cristo –  Os Frutos da Luz

A Liturgia da Palavra desse Quarto Domingo da Quaresma é marcada por um outro símbolo batismal que é a luz, presente na Segunda Leitura e também no Quarto Evangelho. A unção de Davi, o mais novo dos filhos de Jessé, revela os critérios de Deus, pois, o Senhor olha o coração do homem. Pois, é esse o parâmetro que utiliza em suas escolhas, desde o povo de Israel, pequeno e frágil, chegando até aos discípulos de Jesus. No encontro de Jesus com o cego torna-se presente, mais uma vez, o modo de escolher de Deus, pois, ao curá-lo, Jesus ilumina seus olhos e coração, de modo que ele se torna seu discípulo. Os discípulos, ontem e hoje, iluminados por Cristo, à exemplo do cego, são convidados a produzir frutos próprios da luz: a bondade, a justiça e a verdade, como indica a Segunda Leitura da Carta aos Efésios.    

Diante da cena descrita na Primeira Leitura fica claro o modo de escolher de Deus, já que prefere o frágil e jovem Davi a seus irmãos, descritos por suas imponentes aparências. Coloca-se assim, em evidência o critério divino utilizado no chamado, já que Deus não julga como os homens, mas, olha o coração e não a aparência. Em sua liberdade de escolha, o Senhor pousa os olhos no pequeno Davi, que nem mesmo foi levado em consideração, quando Samuel chegou para ungir um dos filhos daquela casa. Mas, como os pensamentos de Deus não são iguais aos pensamentos dos homens (Is 55,8-9), a sua predileção recai sobre o pequeno pastor, que estava junto de suas ovelhas nos campos. Deus escolhe os fracos, os menores, os indefesos, aqueles que muitas vezes não contam, a fim de manifestar a sua força e o seu poder. Isso ocorreu sempre em toda a história de Israel, com Davi, com o cego do Evangelho, com todos os discípulos e discípulas de Jesus e acontece ainda hoje. O Senhor continua chamando e convidando aqueles que deseja para a realização de seu projeto de amor, pois, ao escolher ele se dirige aos homens, buscando a bondade e a verdade, próprias dos que servem a Deus de coração sincero.     

A cura do cego junto à piscina de Siloé é introduzida por uma afirmação de Jesus que se encontra no capítulo anterior ao texto litúrgico, quando afirma: Eu sou a Luz do mundo (Jo 8,12). O texto litúrgico em questão também possui um contexto bastante próprio e importante de ser ressaltado que é o da Festa das Tendas. Uma festividade anual que ocorria na cidade de Jerusalém e reunia judeus e pessoas vindas de toda a parte para recordarem o período de Israel no deserto guiado pelo Senhor. Um momento peculiar da cidade que se via invadida por várias tendas, nas quais os que participavam da festa permaneciam. A cidade era iluminada pela luz que partia do Templo e era espalhada em meio a todos, fazendo com que fossem iluminadas as várias tendas dispostas por todos os lados. Todavia, neste contexto de tamanha festa, cheia das luzes e cantos, o homem cego continuava o seu caminho, privado da luz e do convívio social. Ao encontrar-se com Jesus, ele é curado e também iluminado interiormente, iniciando assim, o seu caminho que o levará à sua profissão de fé. Junto dele se apresentam os seus vizinhos, os fariseus e seus pais, todos incrédulos diante do sinal realizado por Jesus. O cego curado e iluminado por Cristo vai aos poucos se abrindo à profissão de fé que fará, enquanto os demais, por sua vez, se fecham tornando-se cegos diante da Luz que é Cristo. A distinção entre o cego, os seus vizinhos e pais é clara, já que esses tinham medo de reconhecer o sinal realizado, professando assim a fé em Cristo, sob pena de serem expulsos da sinagoga. No que diz respeito aos fariseus, por se sentirem instruídos nas coisas divinas, iluminados segundo os seus próprios critérios, mas, não segundo os de Deus, fecham-se ao sinal se perdem, tornando-se cegos e longe da salvação. O cego, por sua vez, ao encontrar-se com Jesus, no final do relato, já curado de sua cegueira física e iluminado pela Luz de Cristo, pôde professar a fé, prostrando-se diante Daquele que o tinha curado plenamente. Neste caso, muito além da cura física a questão que se coloca é a vida nova daquele que era cego e que em seu encontro com Cristo foi iluminado interiormente, assim como diz a carta aos Efésios: "Desperta tu que dormes e sobre ti Cristo resplandecerá" (Ef 5,14). Todos os cristãos, à exemplo do cego, são chamados a ir à Cristo nesse período de quaresma, a fim de que, encontrando-se com Ele sejam iluminados por sua Luz e por sua Palavra, confirmados na fé e acolhidos como seus discípulos e discípulas missionários.

A Carta aos Efésios é bem direta quando propõe o modo de vida daqueles que foram iluminados por Cristo que, por sua graça, nasceram para uma vida nova. É direta a afirmação: "Outrora éreis trevas, mas, agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz. E o fruto da luz chama-se: bondade, justiça, verdade” (Ef 5,8). O autor reconhece que todos os que foram marcados pelo encontro com Cristo, que morreram com Cristo para a vida velha e nasceram com Ele para a vida nova, são chamados a viver segundo os valores do Evangelho. Na verdade, aos seus discípulos Jesus apresentou um caminho diferenciado e novo, marcado por valores que iam além dos limites de um amor já provado e reconhecido. Ele indica uma estrada que deve ser trilhada respondendo ao chamado daqueles que foram escolhidos, segundo os critérios de Deus como Davi e iluminados pela sua Luz, à exemplo do cego do Evangelho. O que o autor da Carta aos Efésios pede aos seu ouvintes é que deixem-se tocar pela Luz de Cristo, a fim de que sejam iluminados e renovados interiormente. De fato, o cristão que se torna discípulos de Cristo assume para si o caminho do Mestre, marcado por escolhas que o aproximam da vontade do Pai e o afastam de toda a espécie de mal. Por isso, ao afirmar que os frutos da luz são bondade, justiça e verdade, ele apresenta uma estrada a ser percorrida e um tipo de postura de vida a ser adotada por aqueles que são chamados ao caminho do discipulado missionário. Isto é, todos os que foram iluminados pela Luz de Cristo e curados de suas cegueiras, tornam-se sinais da presença de Deus no mundo e na história, trazendo a novidade de Deus para o dia a dia da vida. Sendo assim, espera-se dos cristãos posturas que reflitam a bondade de Deus, principalmente com os pequenos e pobres, com os que mais precisam e são excluídos. Que se tornem profetas da justiça divina, que é a misericórdia dirigida aos seus filhos e filhas, de modo especial na direção dos mais fracos e indefesos. Que sejam a voz da verdade do Evangelho que questiona as escolhas da sociedade quando não oferece condições dignas para todos e ainda privilegia uns poucos em detrimento de tantos. Algo que é bem descrito na proposta da Campanha da Fraternidade, ao convidar a todos a mudarem a forma de olhar para os necessitados, tornando-se sinais do amor de Deus junto aos que mais precisam.    

Que o Quarto Domingo da Quaresma forme a todos segundo os critérios de Deus e desperte nos corações o desejo de ir a Cristo à exemplo do cego de nascença, a fim de que iluminados por sua presença, graça e Palavra, todos se tornem seus discípulos. De modo que, os frutos da Luz de Cristo na vida da Igreja seja a presença de cristãos autênticos, capazes de dar razões à sua fé e de viverem como novos homens e mulheres, marcados pelos valores da bondade, da justiça, da solidariedade e da verdade.

Pe.  Andherson Franklin Lustoza de Souza

https://diocesecachoeiro.org.br/dicas-de-homilia-4o-domingo-da-quaresma-2/

5. LEITURAS PARA A SEMANA: DE 16/03 A 22/03 E ORAÇÃO DA CF 2026

 

5.    LEITURAS PARA A SEMANA: DE  16/03 A 22/03 E ORAÇÃO DA CF 2026

 

16- 2ª feira: Is 65,17-21 / Sl 29 / Jo 4,43-54

17- 3ª feira: Ez 47,1-9.12 / Sl 45 / Jo 5,1-3a.5-16

18- 4ª feira: Is 49,8-15 / Sl 44 / Jo 5,17-30

19- 5ª feira: 2Sm 7,4-5a.12-14a.16 / Sl 88 / Rm 4,13.16- 18.22 / Mt 1,16.18-21.24 ou Lc 2,41-51a

20- 6ª feira: Sb 2,1a.12-22 / Sl 33 / Jo 7,1-2.10.25-30

21- Sábado: Jr 11,18-20 / Sl 7 / Jo 7,40-53

22- Domingo: 5.º Domingo da Quaresma- Ano A

      Ez 37,12-14 / Sl 129 / Rm 8,8-11 / Jo 11,1-45

 

Oração da Campanha da Fraternidade de 2026

 

Deus, nosso Pai, em Jesus, vosso Filho, viestes morar entre nós e nos ensinastes o valor da dignidade humana. Nós vos agradecemos por todas as pessoas e grupos que, sob o impulso do Espírito Santo, se empenham em prol da moradia digna para todos. Nós vos suplicamos: dai-nos a graça da conversão, para ajudarmos a construir uma sociedade mais justa e fraterna, com terra, teto e trabalho para todas as pessoas, a fim de, um dia, habitarmos convosco a casa do Céu. Amém!

 

 

 

 

6. CANTOS PARA A MISSA DO QUARTO DOMINGO DA QUARESMA – ANO A -15/03/2026

 

6.    CANTOS PARA A MISSA DO QUARTO DOMINGO DA QUARESMA – ANO A -15/03/2026

ENTRADA:
Alegres vamos à casa do Pai
Rejubila-te, Cidade Santa
Alegra-te, Jerusalém, e quem no mundo te quer bem
Alegra-te, Jerusalém, canta contente ao teu Senhor
Rejubilai-vos, Jerusalém
ATO PENITENCIAL:
Sugestões para o tempo da Quaresma
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Mais sugestões

SALMO:
O Senhor é o pastor que me conduz (Salmo 22/23)

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO:
Louvor e honra a vós! Pois, eu sou a luz do mundo, quem nos diz é o Senhor
Louvor e glória a Ti, Senhor! Eu sou a luz do mundo, tu és Salvador
Glória a vós, ó Cristo, verbo de Deus! Eu sou a luz do mundo, nos diz o Senhor
Louvor e glória a ti, Senhor! Pois eu sou a luz do mundo, quem nos diz é o Senhor

PREPARAÇÃO DAS OFERTAS:
O vosso coração de pedra se converterá
Sê bendito, Senhor, para sempre
Escuta, Senhor, a voz do povo teu
Criai em nós um coração que seja puro
 
COMUNHÃO:
O homem chamado Jesus

https://youtu.be/JkNHnOnDk4o?si=GLUwKAIAjT85gR4l

 

Dizei aos cativos: "saí"!

Tu és a luz, Senhor
Vem, meu povo, ao banquete da vida

FINAL:
Hino da Campanha da Fraternidade de 2026

https://musicasdamissa.blogspot.com/2017/01/cantos-para-missa-do-4-domingo-da.html

7. Campanha da Fraternidade 2026: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14) Por Ir. Dra. Zuleica Aparecida Silvano*

 

7.       Campanha da Fraternidade 2026: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14)

Por Ir. Dra. Zuleica Aparecida Silvano*

 

O artigo visa oferecer uma abordagem panorâmica acerca do conceito de “casa”, “moradia” ou “morada” na Sagrada Escritura, articulando esses significados com a temática da moradia e, de modo particular, com o lema da Campanha da Fraternidade 2026, extraído do Evangelho segundo João (1,14): “Ele veio morar entre nós”. Busca-se, ao final, indicar algumas possibilidades de vivência da campanha no tempo quaresmal.

 

 

Introdução

Na Bíblia, o termo “moradia” tem múltiplos significados. A palavra “casa” pode designar um espaço físico, uma construção; um bem ou propriedade; a família e a descendência; a morada divina, como lugar da presença de Deus; a comunidade de fé; ou pode assumir sentido escatológico e espiritual. Este texto visa apresentar o conceito de “casa” na Sagrada Escritura e refletir sobre o lema da Campanha da Fraternidade 2026: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14), priorizando os significados ligados à moradia digna e aos direitos relacionados a ela.

1. Casa como bem e propriedade

A luta pelo direito à “moradia”, na Bíblia, está vinculada à luta pela distribuição da terra e pelo trabalho digno. Ainda que esse movimento por direitos possa ser percebido desde o período em que o povo era nômade, torna-se mais evidente quando este passa a viver de forma sedentária, dedicando-se à agricultura. De fato, inicialmente o povo subsistia por meio de atividades pastoris e vivia em moradias provisórias, condicionadas aos locais que ofereciam pasto para os rebanhos. Nesse período, em que eram comuns os conflitos entre diferentes grupos, os mais fortes prevaleciam, permanecendo em territórios mais férteis e expulsando os mais frágeis, que, por falta de recursos, muitas vezes não sobreviviam.

Um grande desafio na história de Israel é explicar quando o povo se estabeleceu em Canaã, no final do segundo milênio antes de Cristo, e como se tornou sedentário. Diversas teorias procuram responder a essa questão (Silva, 2022, p. 15-39), mas não entraremos nessa discussão.

Nos relatos bíblicos, vários grupos se unem em cidades e territórios em busca de subsistência. A história de José ilustra esse processo, mostrando que, por causa da seca, o povo migra para o Egito, onde encontra condições de vida, mas depois sofre com a escravidão. É claro que fatores naturais estavam presentes, mas havia governantes que, prevendo tais dificuldades, se organizaram para sobreviver, sem se preocupar em favorecer o povo com recursos.

Após a travessia pelo deserto (Ex 12-24), o povo conseguiu se fixar em Canaã (Nm 20-36), convivendo com quem já habitava a região e tornando-se sedentário. Nesse sentido, o termo “casa” passa a designar a “terra” e a “propriedade” coletiva, o espaço de habitação e de subsistência garantida pela agricultura (Js e Jz). Ainda que em Josué se descreva uma conquista bélica, os estudos indicam que, na realidade, o povo se estabeleceu em terras abandonadas.
A finalidade da narrativa da distribuição da terra entre as tribos (Js 13-21) é destacar a condição anterior, marcada pela falta de direitos e pela vida como peregrinos e migrantes, e a condição posterior, caracterizada pela liberdade e pela possibilidade de viver dignamente numa terra entendida não como propriedade privada, mas como bem coletivo. Dessa forma, não é possível falar em moradia sem ter presente a concepção de terra como algo dado primeiramente por Deus e, depois, em herança, sendo, portanto, um bem sagrado, assim como a moradia presente nessa terra. Por isso, era proibida sua venda (Lv 25,23-28; Nm 36,5-12). O episódio de Nabot ilustra bem esse princípio (1Rs 21) e enfatiza a denúncia de que tirar o direito de uma pessoa é também um pecado contra Deus. Quando tais práticas se tornam recorrentes, configuram um pecado estrutural, que clama aos céus.

Essa Terra Prometida sempre foi motivo de disputa entre os grandes impérios; não tanto por sua riqueza, mas por estar localizada em um corredor estratégico de passagem, facilitando a expansão territorial dessas potências. O povo, assim, foi vítima de guerras, destruição e exílios. Muitas vezes presenciou a devastação de suas casas, a ocupação de seus campos por exércitos invasores e o saqueio de seus bens. Por isso, nos projetos de reconstrução no pós-exílio, destacam-se a reconstrução da morada de Deus (Ez 40-47) e a redistribuição da terra entre as tribos (Ez 48).

Quanto às leis que preservavam o direito à terra, citamos Lv 25,23-34. Essas leis prescreviam o resgate de terras ou pessoas em situação de dívida, reforçando a ideia de que ninguém deveria ser privado definitivamente de sua moradia ou liberdade. Com a estrutura familiar ampliada, prevalecia um sistema de subsistência em que a solidariedade e a colaboração eram essenciais para garantir as necessidades básicas. Aos poucos, tornou-se imprescindível adquirir outros produtos por meio da troca ou da compra. Para tal intento, era indispensável um excedente de produtos agrícolas que, por sua vez, dependia da capacidade de troca e de um “investimento” maior. Esse panorama econômico e político gerou a perda de propriedade por endividamento (Gerstenberger, 2014, p. 206; Kippenberg, 1988, p. 39). Tais mudanças possibilitaram a concentração de terras (Westbrook, 1991, p. 44-52) e a exploração de membros do grupo familiar, causando a pobreza da grande maioria e originando a desigualdade econômica e social (Kippenberg, 1988, p. 22-39). A escassez de recursos naturais e manufaturados, as catástrofes naturais, os abalos políticos, o sistema pesado de tributos cobrados pelo templo (Ez 22,12; 18,8.13.17; Pr 28,8; Ne 5,1-7) e pelo império (Ne 5,15; 10,33), bem como a ruptura com o sistema solidário de parentesco, provocaram a migração, o empobrecimento e a escravidão.

É nesse cenário que se compreende a importância dessas leis, que buscavam evitar o empobrecimento extremo, a perda definitiva da terra, e estabeleciam como critério a proibição da venda definitiva da terra, por pertencer a Deus (Lv 25,23-24) e ser um dom divino, cabendo ao grupo de parentesco apenas o direito de usufruto. Assim, há a unificação do caráter sacro da terra (ela pertence a Deus) e da organização social do Antigo Israel, partindo do princípio de que a terra não é vendável; e se, por motivos de sobrevivência, for vendida, deve ser resgatada para manter a ordem social. A inalienabilidade da terra pode ser interpretada à luz do princípio de que a terra, tanto no sentido amplo (o mundo) quanto no restrito (terra de Canaã), é o lugar da morada de Deus; ele é o Criador, e o ser humano recebe a missão de cuidado e de cultivo do que foi criado, não podendo usá-la para seu bel-prazer. Por conseguinte, a lei do jubileu evita a concentração de terras nas mãos de uma única família e atribui à família a responsabilidade de assumir o papel de resgatador (goel) do parente que, por causa de dívidas, fosse obrigado a vender suas terras ou até mesmo a si próprio com sua família. A função do resgatador era devolver ao parente a terra e a liberdade mediante o pagamento da dívida (Lv 25,25-28; 35-43; 47-55; Silvano, 2018, p. 43-58; 2025, p. 1-12). A ideia de que a terra é um dom divino está igualmente presente em toda a travessia do deserto. A experiência do êxodo tinha como meta não somente a “obtenção de uma terra”, mas também a construção do santuário, morada de Deus no meio do povo. Essa constatação não deseja atribuir menor importância à terra em relação ao santuário, e sim recordar que ela era sagrada, destinada exclusivamente a garantir vida e dignidade ao povo, e não a reduzir-se a mercadoria.

 

2. A casa como família e descendência

A casa assume significado simbólico, representando a família – entendida não apenas como um núcleo formado por laços sanguíneos, mas também como uma unidade social estruturada por vínculos legais e sociais – e também os clãs e as tribos, que constituíam uma unidade familiar, chamada “grupo doméstico”. A casa, entendida como família, era também concebida como lugar de proteção, abrigo, segurança e cuidado. Esse aspecto não era oferecido por nenhuma estrutura social ou política, conforme se observa na Bíblia. No âmbito familiar, pode ser vista também como “descendência”, isto é, como aqueles que fazem parte da mesma linhagem (Ex 2,1; Is 7,13; Mc 6,4; Lc 1,27).

No sentido de proteção e cuidado dos membros mais vulneráveis no âmbito familiar, percebe-se a exortação para as famílias cuidarem das viúvas e respeitarem os idosos (1Tm 5,3-4). Quando a família não tinha condições, essa assistência era dada pela comunidade.

3. Jesus como lugar da presença de Deus em nosso meio (Jo 1,14)

Segundo Jo 1,14, o Filho de Deus, ao assumir a condição humana, veio habitar em nosso meio. Essa expressão remete às manifestações de Deus em Israel: no deserto, na tenda da reunião (Ex 26; Nm 7,89) e no templo. Da mesma forma que Deus morava no meio do povo (Lv 1,1), também a comunidade pode se encontrar com Ele em Jesus, no qual se tornam visíveis os sinais da presença da “glória” divina (Sl 29,9; Is 6,3), de sua presença em diálogo com a humanidade (1Rs 8,30-53). Então, a manifestação de Deus, de sua glória (de sua ação potente), de sua presença, bem como o acesso a Ele, não estarão no Santo dos Santos, onde apenas poucos podiam entrar, mas na pessoa de Jesus, associada à sua carne. O termo “carne” não só expressa toda a fraqueza e fragilidade na qual se desenvolve a existência humana (Is 40,6-8), mas também define o ser humano como um ser em relação com outras pessoas. “Carne” e “corpo” são conceitos relacionais. Assim, toda a ação de Jesus será a manifestação da ação salvífica de Deus e de seu Reino, e tem seu ponto culminante em sua morte na cruz (Jo 12,23-28). Portanto, a cruz será a manifestação decisiva do amor e da solidariedade de Deus e do seu Filho para com toda a humanidade.

Contudo, a glorificação de Jesus não acontece somente na cruz, mas também em toda sua vida histórica (carne). Toda sua vida é revelação da graça e da verdade de Deus (Jo 3,16). No prólogo, não há referência à morte de Jesus, o que acentua que sua própria humanidade é a graça de Deus em nosso meio. Por esse motivo, o fundamental é a vinda de Jesus como luz e vida para todos, o que se exterioriza em sua carne, dado que ele veio para que “todos tenham vida e a tenham em abundância” (Jo 10,10). Portanto, em sua humanidade, experimentamos quem é Deus e quem é o ser humano, e encontramos a manifestação do plano de amor de Deus. À vista disso, a comunidade é convocada para dar testemunho de que a morada definitiva de Deus é a vida doada e entregue de Jesus, realizando a promessa feita no Antigo Testamento (Lv 26,11-12; Ez 37,26). A presença de Deus não só recorda de onde viemos e quem somos, mas também abre nosso olhar para discernir em direção a que meta se encaminham nossa vida e a história (Ap 21,22; Jl 4,17-18).

 

 

Conclusão

Como vimos, o termo “casa” ou “moradia” (morada) na Bíblia assume vários significados e traz profundas implicações teológicas. A pergunta que, contudo, permanece é: o que esses significados de “casa” e, de forma especial, a citação de Jo 1,14 podem nos ajudar a refletir sobre a Campanha da Fraternidade, que traz como tema a moradia? Eles contribuem para ressaltar o objetivo da CF-2026, que é promover moradia digna como “direito e prioridade”, e para ampliar nossa visão, dado que a moradia, na Palavra de Deus, abarca os chamados três “Ts”: terra, teto e trabalho. Ao mesmo tempo, ajudam-nos a tomar consciência de que a moradia não é mercadoria, mas dom concedido a todos, e de que é necessário haver leis que garantam esse dom.

Com os conceitos bíblicos de casa, percebe-se que a ideia de moradia vincula-se à de construção de um espaço para morar, mas também supõe condições dignas para conviver, como um lugar seguro para permanecer e estabelecer vínculos.

Quanto a Jo 1,14, é importante retomar o que foi dito: diante das mudanças de concepção de moradia na Bíblia, da tenda para o palácio, também se altera a concepção de Deus. Passa-se de uma mais acessível para a de um rei em um palácio, sentado em um trono. No entanto, não é por esse caminho que Deus opta a fim de se manifestar plenamente, mas escolhe habitar na “carne de Jesus Cristo”, o Filho de Deus encarnado. Isso também transforma nosso modo de conceber o Deus de Jesus Cristo: ele não é alguém distante dos problemas sociais e políticos, mas aquele que se envolve com nossa realidade; não está num palácio, numa transcendência apartada de nós, mas na vida humana de Jesus e de todos os crucificados de nosso mundo. Assim, podemos perceber que os fundamentos dos direitos humanos estão na dignidade da pessoa humana, conforme vimos em Jesus, que assume essa condição para mostrar que o ser humano é o lugar onde Deus habita e escolheu morar. Por conseguinte, tudo o que vai contra o ser humano e sua dignidade afeta o próprio Deus, pois tudo o que diz respeito à vida humana e à sua dignidade tem a ver com Ele, com Jesus e com nossa fé, com cada um e cada uma de nós, que optamos por seguir Jesus e tornar seu Reino visível em nosso meio. Cabe ao cristão e à cristã, ao contemplar Jesus crucificado-ressuscitado, o Filho de Deus que veio habitar a “carne” humana e “morar entre nós”, denunciar todas as injustiças que ferem a “carne” e a “vida” de tantos irmãos e irmãs, pois a injustiça fere o plano de Deus, o projeto de amor que ele tem para a humanidade. Também somos convidados a denunciar esse pecado estrutural – que leva tantas pessoas a viver na indigência – e a tomar consciência dos argumentos que justificam nossa acomodação e contribuem para que nossos irmãos e irmãs permaneçam nessa condição indigna e desumana.

Com efeito, a moradia é não apenas um problema de uma pessoa ou de uma família, mas também um problema social e religioso, pois somos chamados a exercer nossa missão profética, que denuncia e traz esperança a milhares de pessoas que vivem na condição de “sem-teto, sem-trabalho e sem-terra”. Ao mesmo tempo, somos chamados a empoderar essas pessoas para que lutem por seus direitos e apresentem suas necessidades com base em suas próprias experiências. Oxalá, nesta Campanha da Fraternidade, as comunidades aprofundem a dimensão da “caridade” na perspectiva da fé bíblica, que não pode se restringir a ações assistencialistas, ainda que estas sejam importantes. Como vemos nos profetas e profetisas, nas exortações dos sábios e dos autores do Novo Testamento, caridade significa empenhar-se em procurar juntos formas de exigir e contribuir para que haja políticas públicas que assegurem o direito à moradia e à cidade e promovam transformações estruturais em nossa sociedade. Outros elementos que podem ajudar a celebrar a Quaresma são o estudo da Doutrina Social da Igreja e o incentivo aos movimentos populares, às pastorais sociais e à participação ativa em suas ações. Uma atitude cristã relevante consiste em escolher nossos candidatos e candidatas nas eleições federais e estaduais tendo como um dos critérios os temas das últimas Campanhas da Fraternidade – principalmente na escolha de deputados(as) e senadores(as) –, para que realmente sejam nossos representantes e se empenhem em defender nossos direitos à educação, à saúde, ao cuidado com a Casa Comum, à ecologia integral e, sobretudo, à moradia e à cidade.

Referências Bibliográficas

BRITO, J. R. de. O Senhor está neste lugar e eu não sabia: teologia da presença. São Paulo: Paulinas, 2005. (Bíblia em Comunidade. Série Teologias Bíblicas, n. 4).

CNBB. Campanha da Fraternidade 2026: texto-base. Brasília, DF: Ed. CNBB, 2025.

GERSTENBERGER, E. S. Israel no tempo dos persas: séculos V e IV antes de Cristo. São Paulo: Loyola, 2014. (Bíblica Loyola, n. 67).

KIPPENBERG, H. G. Religião e formação de classes na antiga Judeia: estudo sociorreligioso sobre a relação entre tradição e evolução social. São Paulo: Paulinas, 1988. (Bíblia e Sociologia, n. 4).

REDE, M. Família e patrimônio na Antiga Mesopotâmia. Rio de Janeiro: Mauad X: CEIA-UFF, 2007. p. 22-24.

SILVA, A. J. da. O problema das origens de Israel e o livro de Josué. In: VITÓRIO, J.; LOPES, J. R.; SILVANO, Z. A. (org.). Livro de Josué: nós serviremos ao Senhor. São Paulo: Paulinas, 2022, p. 15-39.

SILVANO, Z. A. “G’L” como chave hermenêutica para a “redenção” na carta aos Gálatas em diálogo com “Textes messianiques” de Emmanuel Lévinas. Tese (Doutorado em Teologia) – Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia, Belo Horizonte, 2018.

SILVANO, Z. A. O jubileu e a função do resgatador em Lv 25,23-34. Perspectiva Teológica, Belo Horizonte, v. 57, n. 3, p. 1-25, 2025.

WESTBROOK, R. Property and the family in biblical law. Sheffield: Academic Press, 1991. p. 44-52. (JSOT.SS, n. 113).

 

Ir. Dra. Zuleica Aparecida Silvano*

*é irmã paulina, doutora em Teologia Bíblica pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje), mestra em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico e assessora do Serviço de Animação Bíblica (SAB/Paulinas). E-mail: zuleica.silvano@paulinas.com.br

https://www.vidapastoral.com.br/edicao/campanha-da-fraternidade-2026-ele-veio-morar-entre-nos-jo-114/