03-LITURGIA DO 4.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A
- As leituras deste Domingo nos apresentam uma linha
muito clara e coerente: Deus não age segundo a lógica humana e nem se deixa
seduzir pelo poder, pela riqueza ou pela soberba, mas se volta para os
pequenos, para os humildes e para aqueles que colocam nele toda a sua
confiança.
- Na primeira
leitura, o profeta Sofonias convida o povo a buscar o Senhor com humildade
e justiça. Jerusalém havia se tornado uma cidade rebelde, que não ouvia mais a
voz de Deus, que rejeitava a correção e se afastava do Senhor. Mas Deus não
desiste do seu povo: Ele promete conservar um "povo pobre e humilde"
que encontrará nele o seu refúgio. Aqui aparece a grande lição do Antigo
Testamento: quando o povo se apoia em sua própria força, cai no orgulho e na
ruína; mas quando se coloca diante de Deus em atitude de pequenez e confiança,
encontra salvação. O "pobre e humilde" é aquele que deposita sua
segurança em Deus, não no poder humano.
- Na segunda
leitura, São Paulo retoma esse mesmo princípio para recordar à comunidade de
Corinto a sua própria origem. Os cristãos daquela cidade não eram, em sua
maioria, ricos, sábios ou poderosos. Pelo contrário, eram simples, fracos,
gente sem prestígio social. Mas Paulo não vê nisso um defeito; pelo contrário,
enxerga um sinal da ação de Deus: "O que é fraco no mundo, Deus o escolheu
para confundir o que é forte; o que é desprezado, Deus o escolheu para anular o
que é importante." Essa escolha não é apenas uma inversão de valores, mas
revela o estilo de Deus. Ele age justamente naquilo que o mundo considera
pequeno e inútil, para que ninguém se glorie em si mesmo, mas todos reconheçam
que a glória e a vitória vêm do Senhor. É Cristo a nossa sabedoria, nossa
força, justiça e redenção.
- O Evangelho das
Bem-aventuranças é a culminância desse ensinamento. Jesus sobe à montanha e
proclama quem são os verdadeiros bem-aventurados. Aos olhos do mundo, felizes
seriam os ricos, os poderosos, os que têm prestígio. Mas Jesus declara que são
felizes: os pobres em espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e
sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a
paz, os perseguidos por causa da justiça. Essa é a lógica do Reino: a
felicidade não está nas aparências, mas em viver de acordo com os mandamentos
de Deus. A verdadeira alegria não depende de circunstâncias externas, mas nasce
de uma vida enraizada no amor, na justiça, na misericórdia e na fidelidade ao
Senhor. Assim, as leituras se completam. É a mesma mensagem dita em tempos e
formas diferentes: Deus prefere os humildes e derruba os soberbos.
- Vivemos em um
mundo que valoriza a competição, o sucesso, a riqueza e a aparência. Muitas
vezes, até na vida da Igreja corremos o risco de pensar segundo a lógica do
mundo, valorizando quem tem influência, quem sabe falar bonito, quem tem
prestígio. Mas a Palavra de Deus nos recorda que o Senhor olha para o coração
humilde, para a vida simples, para aquele que confia nele sem reservas. O
verdadeiro discípulo de Cristo é aquele que busca viver as bem-aventuranças no
dia a dia, mesmo que isso traga incompreensão ou perseguição. E é nessa lógica,
tão diferente da lógica humana, que encontramos a verdadeira felicidade e a
vida eterna.
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