sábado, 31 de janeiro de 2026

03-LITURGIA DO 4.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

 

03-LITURGIA DO 4.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

- As leituras deste Domingo nos apresentam uma linha muito clara e coerente: Deus não age segundo a lógica humana e nem se deixa seduzir pelo poder, pela riqueza ou pela soberba, mas se volta para os pequenos, para os humildes e para aqueles que colocam nele toda a sua confiança.

- Na primeira leitura, o profeta Sofonias convida o povo a buscar o Senhor com humildade e justiça. Jerusalém havia se tornado uma cidade rebelde, que não ouvia mais a voz de Deus, que rejeitava a correção e se afastava do Senhor. Mas Deus não desiste do seu povo: Ele promete conservar um "povo pobre e humilde" que encontrará nele o seu refúgio. Aqui aparece a grande lição do Antigo Testamento: quando o povo se apoia em sua própria força, cai no orgulho e na ruína; mas quando se coloca diante de Deus em atitude de pequenez e confiança, encontra salvação. O "pobre e humilde" é aquele que deposita sua segurança em Deus, não no poder humano.

- Na segunda leitura, São Paulo retoma esse mesmo princípio para recordar à comunidade de Corinto a sua própria origem. Os cristãos daquela cidade não eram, em sua maioria, ricos, sábios ou poderosos. Pelo contrário, eram simples, fracos, gente sem prestígio social. Mas Paulo não vê nisso um defeito; pelo contrário, enxerga um sinal da ação de Deus: "O que é fraco no mundo, Deus o escolheu para confundir o que é forte; o que é desprezado, Deus o escolheu para anular o que é importante." Essa escolha não é apenas uma inversão de valores, mas revela o estilo de Deus. Ele age justamente naquilo que o mundo considera pequeno e inútil, para que ninguém se glorie em si mesmo, mas todos reconheçam que a glória e a vitória vêm do Senhor. É Cristo a nossa sabedoria, nossa força, justiça e redenção.

- O Evangelho das Bem-aventuranças é a culminância desse ensinamento. Jesus sobe à montanha e proclama quem são os verdadeiros bem-aventurados. Aos olhos do mundo, felizes seriam os ricos, os poderosos, os que têm prestígio. Mas Jesus declara que são felizes: os pobres em espírito, os que choram, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os misericordiosos, os puros de coração, os que promovem a paz, os perseguidos por causa da justiça. Essa é a lógica do Reino: a felicidade não está nas aparências, mas em viver de acordo com os mandamentos de Deus. A verdadeira alegria não depende de circunstâncias externas, mas nasce de uma vida enraizada no amor, na justiça, na misericórdia e na fidelidade ao Senhor. Assim, as leituras se completam. É a mesma mensagem dita em tempos e formas diferentes: Deus prefere os humildes e derruba os soberbos.

- Vivemos em um mundo que valoriza a competição, o sucesso, a riqueza e a aparência. Muitas vezes, até na vida da Igreja corremos o risco de pensar segundo a lógica do mundo, valorizando quem tem influência, quem sabe falar bonito, quem tem prestígio. Mas a Palavra de Deus nos recorda que o Senhor olha para o coração humilde, para a vida simples, para aquele que confia nele sem reservas. O verdadeiro discípulo de Cristo é aquele que busca viver as bem-aventuranças no dia a dia, mesmo que isso traga incompreensão ou perseguição. E é nessa lógica, tão diferente da lógica humana, que encontramos a verdadeira felicidade e a vida eterna.

 

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