sexta-feira, 5 de maio de 2023

SB SABENDO BEM INFORMA

 


SB SABENDO BEM INFORMA

 

Caro(a) Leitor(a) amigo(a):

O meu abraço fraterno e uma ótima semana a todos!

ACESSE SEMPRE O BLOG: sbsabendobem.blogspot.com e divulgue aos seus amigos, conhecidos e contatos nas redes sociais. Comente, faça sugestões. Agradeço!

Escreva para: sbsabendobem@gmail.com

 

# VACINAR É UM ATO DE AMOR!

 

EU CUIDO DE VOCÊ E VOCÊ CUIDA DE MIM E DEUS CUIDA DE NÓS!

 

USE MÁSCARAS NOS HOSPITAIS

 

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MAIO

 

https://camarajandira.sp.gov.br/wp-content/uploads/2020/06/cor-mes-05.jpg 

O Maio Amarelo reacende o debate sobre a prevenção de acidentes de trânsito. Já o Maio Vermelho tem por objetivo prevenir a hepatite.

 

 

 

 

 

 


Um mês dedicado a Maria

 

 

Um mês dedicado a Maria

 

Durante vários séculos a Igreja Católica dedicou todo o mês de maio para honrar a Virgem Maria, Mãe de Deus. A tradição surgiu na antiga Grécia. O mês de maio era dedicado a Artemisa, deusa da fecundidade. Algo semelhante ocorreu na antiga Roma, pois maio era dedicado a Flora, deusa da vegetação. Naquela época, celebravam os ‘ludi florals’ (jogos florais) no fim do mês de abril e pediam sua intercessão.

Na época medieval abundaram costumes similares, tudo centrado na chegada do bom clima e o afastamento do inverno. O dia 1º de maio era considerado como o apogeu da primavera.

Durante este período, antes do século XII, entrou em vigor a tradição de Tricesimum ou “A devoção de trinta dias à Maria”. Estas celebrações aconteciam do dia 15 de agosto a 14 de setembro e ainda são comemoradas em alguns lugares.

A ideia de um mês dedicado especificamente a Maria remonta aos tempos barrocos – século XVII. Apesar de nem sempre ter sido celebrado em maio, o mês de Maria incluía trinta exercícios espirituais diários em homenagem à Mãe de Deus.

Foi nesta época que o mês de maio e de Maria combinaram, fazendo com que esta celebração conte com devoções especiais organizadas cada dia durante todo o mês. Este costume durou, sobretudo, durante o século XIX e é praticado até hoje.

As formas nas quais Maria é honrada em maio são tão variadas como as pessoas que a honram.

As paróquias costumam rezar no mês de maio uma oração diária do Terço e muitas preparam um altar especial com um quadro ou uma imagem de Maria. Além disso, trata-se de uma grande tradição a coroação de Nossa Senhora, um costume conhecido como Coroação de Maio.

Normalmente, a coroa é feita de lindas flores que representam a beleza e a virtude de Maria e também lembra que os fiéis devem se esforçar para imitar suas virtudes. Em algumas regiões, esta coroação acontece em uma grande celebração e, em geral, fora da Missa.

Entretanto, os altares e coroações neste mês não são apenas atividades “da paróquia”. Mas, o mesmo pode e deve ser feito nos lares, com o objetivo de participar mais plenamente na vida da Igreja.

Deve-se separar um lugar especial para Maria, não por ser uma tradição comemorada há muitos anos na Igreja ou pelas graças especiais que se pode alcançar, mas porque Maria é nossa Mãe, mãe de todo o mundo e porque se preocupa com todos nós, intercedendo inclusive nos assuntos menores. Por isso, merece um mês inteiro para homenageá-la.

Fonte: ACI Digital | Imagem: (fonte: Catholic Pictures)

 

https://franciscanos.org.br/vidacrista/especiais/maria/#gsc.tab=0

LEITURAS DA MISSA 5.º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO A

 

LEITURAS DA MISSA

 

5.º DOMINGO DA PÁSCOA - ANO A

Anim. Jesus, rosto amoroso do Pai, abre para nós o seu mistério e revela, por sua Palavra, o seu desígnio de amor: Ele veio nos salvar e nos oferecer uma vida nova unida a Ele e ao Pai. Acolhamos sua Palavra.

PRIMEIRA LEITURA (At 6,1-7)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

1 Naqueles dias, o número dos discípulos tinha aumentado, e os fiéis de origem grega começaram a queixar-se dos fiéis de origem hebraica. Os de origem grega diziam que suas viúvas eram deixadas de lado no atendimento diário. 2 Então os Doze Apóstolos reuniram a multidão dos discípulos e disseram: “Não está certo que nós deixemos a pregação da Palavra de Deus para servir às mesas. 3 Irmãos, é melhor que escolhais entre vós sete homens de boa fama, repletos do Espírito e de sabedoria, e nós os encarregaremos dessa tarefa. 4 Desse modo nós poderemos dedicar-nos inteiramente à oração e ao serviço da Palavra”. 5 A proposta agradou a toda a multidão. Então escolheram Estevão,  homem cheio de fé e do Espírito Santo; e também Felipe, Prócoro, Nicanor, Timon, Pármenas e Nicolau de Antioquia, um pagão que seguia a religião dos judeus. 6 Eles foram apresentados aos apóstolos, que oraram e impuseram as mãos sobre eles. 7 Entretanto, a Palavra do Senhor se espalhava. O número dos discípulos crescia muito em Jerusalém, e grande multidão de sacerdotes judeus aceitava a fé.

 – Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

SALMO 32(33)

Sobre nós venha Senhor, a vossa graça, da mesma forma que em vós nós esperamos!

1. Ó justos, alegrai-vos no Senhor! * Aos retos fica bem glorificá-lo. / Dai graças ao Senhor ao som da harpa,* na lira de dez cordas celebrai-o!

2. Pois reta é a palavra do Senhor * e tudo o que ele faz merece fé. / Deus ama o direito e a justiça, * transborda em toda a terra a sua graça.

3. O Senhor pousa o olhar sobre os que o temem * e que confiam, esperando, em seu amor, / para, da morte, libertar as suas vidas * e alimentá-las quando é tempo de penúria.

SEGUNDA LEITURA (1Pd 2,4-9)

Leitura da Primeira Carta de São Pedro.

 Caríssimos: 4 Aproximai-vos do Senhor, pedra viva, rejeitada pe- los homens, mas escolhida e honrosa aos olhos de Deus. 5 Do mesmo modo, também vós, como pedras vivas, formai um edifício espiritual, um sacerdócio santo, a fim de oferecerdes sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus, por Jesus Cristo. 6 Com efeito, nas Escrituras se lê: “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, escolhi- da e magnífica; quem nela confiar, não será confundido”. 7 A vós, portanto, que tendes fé, cabe a honra. Mas para os que não creem, “a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular, 8 pedra de tropeço e rocha que faz cair”. Nela tropeçam os que não acolhem a Palavra; esse é o destino deles. 9 Mas vós sois a raça escolhida, o sacerdócio do Rei- no, a nação santa, o povo que ele conquistou para proclamar as obras admiráveis daquele que vos chamou das trevas para a sua luz maravilhosa.

- Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

ACLAMAÇÃO (Jo 14,6)

Aleluia, aleluia, aleluia.

Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém chega ao Pai senão por mim.

 

EVANGELHO (Jo 14,1-12)

P. O Senhor esteja convosco. T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.

T. Glória a vós, Senhor.

 

P. Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: 1 “Não se perturbe o vosso coração. Tendes fé em Deus, tende fé em mim também. 2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós, 3 e quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós. 4 E para onde eu vou, vós conheceis o caminho”. 5 Tomé disse a Jesus: “Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” 6 Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. 7 Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes”. 8 Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” 9 Jesus respondeu: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra- -nos o Pai’? 10Não acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. 11Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras. 12Em verdade, em verdade vos digo, quem acredita em mim fará as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas. Pois eu vou para o Pai”.

 - Palavra da Salvação. T. Glória a vós, Senhor.

LEITURAS DA SEMANA DE 08 DE MAIO A 14 DE MAIO DE 2023- CULTURA VOCACIONAL

 

LEITURAS DA SEMANA DE 08 DE MAIO A 14 DE MAIO  DE 2023

Dia 08, 2ªf, At 14,5-18; Sl 113B(115); Jo 14,21-26;

Dia 09, 3ªf, At 14,19-28; Sl 144(145); Jo 14,27-31a;

Dia 10, 4ªf, At 15,1- 6; Sl 121(122); Jo 15,1-8;

Dia 11, 5ªf, At 15,7-21; Sl 95(96); Jo 15,9-11;

Dia 12, 6ªf, São Nereu e Santo Aquiles - São Pancrácio: At 15,22-31; Sl 56(57); Jo 15,12-17;

Dia 13, Sáb., Nossa Senhora de Fátima: At 16,1-10; Sl 99(100); Jo 15,18-21;

Dia 14, dom. 6º da Páscoa: At 8,5-8.14- 17; Sl 65(66); 1Pd 3,15-18; Jo 14,15-21; (O Espírito da Verdade); ou 2ª leitura e Evangelho do 7º domingo: 1Pd 4,13-16; Jo 17,1-11a (Glorificação de Jesus).

 

Cultura Vocacional

 O grande objetivo geral deste Ano Vocacional é promover uma cultura vocacional nas comunidades eclesiais. Como concretizar isso? (De entrevista com Dom Francisco Salm, Bispo de Novo Hamburgo, RS, Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada da CNBB) Cultura significa tudo o que é do povo, o que é da nossa vida, o modo de pensar, de ser, de agir, de se relacionar, como se vive na comunidade a fé, nas nossas catequeses, os movimentos, as pastorais, que haja ali um clima favorável a esse encontro com Deus, a essa compreensão de olhar o mundo ao redor, de responder aos desafios que existem, olhar o pobre, o necessitado, olhar esses ambientes de pessoas de onde sobe um clamor que Deus ouve e a que Ele responde enviando pessoas que se sensibilizam e se põem a caminho. Isso é muito bonito quando se começa a compreender que não é que Deus pega alguém e puxa para cá e para lá. Deus nos predispõe com sua graça, uma predisposição que Ele cria dentro da gente. Se a gente começa a perceber que Deus nos fez capazes de amar, capazes de dar a vida, e Ele nos deu inteligência de verdade, age através desses dons que nos concedeu, para a gente poder usar a própria liberdade e a gente ir tomando iniciativas, dando respostas a partir da vontade da gente. A vocação não é coisa predeterminada, que está escrito nas estrelas, porque o diálogo vocacional respeita sempre a liberdade humana. Essa compreensão de vocação assim vai ajudando a sentir-nos mais dignos, mais corresponsáveis com Deus e colaboradores com Ele. Ele opera nossa vida, mas nós também operamos a nossa parte. Ele sabe que tudo depende dele, mas Ele nos deu inteligência de verdade para nos colocarmos à disposição. Jesus diz: “se tu queres”, e a gente também tem que querer. Essa temática vocacional é muito bonita, biblicamente, antropologicamente e de fé profunda. A mim me ajuda muito em minha vida pessoal compreender assim essas coisas, cada vez mais, pois a gente sabe tão pouco...

https://www.diocesedeerexim.org.br/painel/admin/upload/revistas_pdf/rev-388-5.missasmaio-3.pdf

REFLEXÃO DOMINICAL I OS REMÉDIOS PARA A PERTURBAÇÃO DO NOSSO CORAÇÃO

 

 

REFLEXÃO  DOMINICAL   I

OS REMÉDIOS PARA A PERTURBAÇÃO DO NOSSO CORAÇÃO

No Evangelho de hoje (cf. Jo 14,1- 12), ouvimos o início do chamado “Discurso de despedida” de Jesus. São as palavras que ele dirigiu aos discípulos no final da Última Ceia, pouco antes de enfrentar a Paixão. Num momento tão dramático, Jesus começou por dizer: “Não se perturbe o vosso coração” (v. 1). Ele diz-nos isto também a nós, nos dramas da vida. Mas como fazer para que o coração não se pertur- be? Porque o coração perturba-se. O Senhor aponta dois remédios para a perturbação. O primeiro é: “Crede também em mim” (v. 1). Pareceria um conselho um pouco teórico e abstrato. Em vez disso, Jesus quer dizer-nos algo exato. Ele sabe que, na vida, a pior ansiedade, a perturbação, vem da sensação de não estar à altura, de se sentir sozinho e sem pontos de referência diante do que acontece. Esta angústia, em que a uma dificuldade se junta outra, não pode ser superada sozinha. Precisamos da ajuda de Jesus, e para isso Jesus nos pede para termos fé n’Ele, ou seja, para não nos apoiarmos em nós mesmos, mas n›Ele. Pois a libertação da perturbação passa pela confiança. Confiar-nos a Jesus, dar o “salto”. E esta é a libertação da perturbação. E Jesus res- suscitou e vive precisamente para estar sempre ao nosso lado. Então podemos dizer-lhe: “Jesus, eu creio que ressuscitaste e que estás ao meu lado. Penso que me ouves. Apresento-te o que me perturba, os meus problemas: tenho fé em ti e entrego-me a ti”. Depois há um segundo remédio para a perturbação, que Jesus ex- pressa com estas palavras: “Na casa do meu Pai há muitas moradas. [...] Vou preparar-vos um lugar” (v. 2). Foi isto que Jesus fez por nós: reservou-nos um lugar no Céu. Ele tomou sobre Si a nossa humanidade para a levar além da morte, para um novo lugar, o Céu, a fim de que, onde Ele estiver, estejamos nós também. É a certeza que nos consola: há um lugar reservado para cada um. Também há um lugar para mim. Cada um de nós pode dizer: há um lugar para mim. Não vivemos sem meta nem destino. Somos esperados, somos preciosos. Deus está apaixonado por nós, nós somos seus filhos. E para nós preparou o lugar mais digno e belo: o Paraíso. Não esqueçamos: a morada que nos espera é o Paraíso. Aqui estamos de passagem. Somos feitos para o céu, para a vida eterna, para viver para sempre. Para sempre: é algo que agora nem sequer podemos imaginar. Mas é ainda mais belo pensar que tudo isto será para sempre em alegria, em plena comunhão com Deus e com os outros, sem mais lágrimas, sem rancores, sem divisões nem perturbação. Mas como chegar ao Paraíso? Qual é o caminho? Esta é a frase decisiva de Jesus. Hoje ele diz: “Eu sou o caminho” (v. 6). Para subir ao Céu o caminho é Jesus: é ter uma relação viva com Ele, imitá-lo no amor, seguir os seus passos. E eu, cristão, tu, cristão, cada um de nós cristãos, podemos perguntar a nós mesmos: “Que caminho sigo?”. Há caminhos que não levam ao Céu: os caminhos da mundanidade, os caminhos da auto-afirmação, os caminhos do poder egoísta. E há o caminho de Jesus, o caminho do amor humilde, da oração, da mansidão, da confiança, do serviço aos outros. Não é o caminho do meu protagonismo, é o caminho de Jesus, protagonista da minha vida. É ir em frente todos os dias perguntando-lhe: “Jesus, o que achas desta minha escolha? O que farias nesta situação, com estas pessoas?”. Vai nos fazer bem perguntar a Jesus, que é o caminho, as indi- cações para o Céu. Que Nossa Senhora, Rainha do Céu, nos ajude a seguir Jesus, que abriu o Paraíso para nós. Papa Francisco Regina Caeli, 10/05/2020

https://arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/ano-47-a-32-5-domingo-de-pascoa.pdf

REFLEXÃO DOMINICAL II Reflexão para o 5º Domingo da Páscoa - Jo 14, 1-12 (Ano A)

 

 

REFLEXÃO  DOMINICAL   II

Reflexão para o 5º Domingo da Páscoa - Jo 14, 1-12 (Ano A)

 

Por   Pe. Francisco Cornélio F. Rodrigues(*)

 

Neste quinto domingo da Páscoa, o texto evangélico proposto pela liturgia é João 14,1-12. Trata-se de um trecho do grande discurso de Jesus na última ceia com seus discípulos. Apesar de não descrever os gestos de consagração do pão e do vinho, João é o evangelista que mais deu importância à última ceia de Jesus, dedicando-lhe nada menos que cinco capítulos, o que corresponde a um quarto de todo o seu Evangelho (Jo 13–17). Respondendo às necessidades concretas das comunidades cristãs da Ásia Menor, na última década do primeiro século, marcadas pela perseguição e com tendência ao desânimo na vivência da fé, o evangelista reuniu em um grande discurso os principais elementos de todo o ensinamento de Jesus. Esse discurso é considerado o “testamento de Jesus”; logo, o seu conteúdo é imprescindível para as comunidades cristãs de todos os tempos.

 

Para compreendermos melhor o trecho lido hoje, é necessário recordar o que lhe antecede, no contexto narrativo da última ceia. E encontramos quatro acontecimentos precedentes que, de certo modo, condicionam o texto de hoje: o lava pés ou o mandamento do serviço (Jo 13,1-15), o anúncio da traição de Judas e seu desligamento do grupo (Jo 13,21-30; ), a entrega do mandamento do amor por Jesus (Jo 13,31-35), e o anúncio da negação de Pedro (Jo 13,36-38). A isso, soma-se o fato de Jesus ter declarado que tinha chegado a sua hora de partir para o Pai (Jo 13,31-33), e os discípulos, lamentavelmente, compreendiam a sua partida como perda definitiva, como ausência e fim. Tudo isso deixou os discípulos desanimados e inquietos; a ceia tinha perdido o seu clima festivo. Jesus tenta recuperar a alegria e o entusiasmo dos discípulos com a continuidade do seu discurso.

 

Olhando para o texto, percebemos que as palavras iniciais de Jesus denunciam a inquietação e o mal-estar que havia entre os discípulos naquele momento: “Não se perturbe o vosso coração” (v. 1a). A agitação no coração é sinal de tristeza e confiança abalada. Significa que há uma situação difícil de ser aceita e compreendida. É interessante que, embora fale para todo o grupo dos discípulos, Jesus se refere ao coração (em grego: καρδία – kardía) no singular. Com isso, o evangelista evidencia a importância da unidade da fé na comunidade. Apesar dos conflitos internos, a comunidade não pode desistir de ter um só coração, ou seja, um mesmo amor e um único mandamento.

Mais do que um conforto intimista e individual, Jesus quer assegurar a unidade. Ora, a comunidade estava abalada e suscetível de rivalidades e exclusões; havia um clima de desconfiança entre eles, sobretudo após a saída de Judas e o anúncio da negação de Pedro (cf. 13,21-30; 36-38). O princípio da unidade na comunidade é a fé em Deus e no próprio Jesus. Por isso, ele pede que os discípulos lhe renovem a adesão plena, com uma fé renovada: “Tendes fé em Deus, tende fé em mim também” (v. 1b). O tema da fé é muito caro ao evangelho de João. Somente nesse texto de hoje, o verbo que expressa fé e confiança (em grego: πιστεύω – pistêuo), aparece cinco vezes (vv. 1.11.12). O evangelista está ensinando também que a fé em Deus e a fé em Jesus são uma única fé.



Na continuação, Jesus reforça cada vez mais a importância da comunidade cristã, apresentando-a como a nova casa do Pai, uma vez que a antiga, o templo, fora transformada em casa de negócio (cf. Jo 2,16). Por isso, a afirmação categórica e firme: “Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós” (v. 2). Essa é uma das afirmações mais revolucionárias de todo o Quarto Evangelho, embora tenha sido muito mal compreendida ao longo dos séculos. Ao contrário do que parece, Jesus não está se referindo ao céu enquanto morada do Pai, e nem prometendo reservar lugares para os seus discípulos lá. Ele está, na verdade, fazendo uma mudança radical de paradigma: a nova casa do Pai é a comunidade cristã, na qual há espaço para todos e todas, compreendendo a diversidade de dons e carismas.

No templo de pedras, a antiga casa de Deus, havia uma única morada. As pessoas iam até lá para encontrar-se com Deus, mas somente Ele habitava lá, como ensinava a religião. No diálogo com a Samaritana, Jesus já tinha antecipado que aquele modelo de religião estava com os dias contados, uma vez que chegaria o tempo de adorar a Deus somente em espírito e em verdade (Jo 4,21-24); esse tempo novo instaura-se com a ressurreição, compreendida como a construção definitiva da morada de Deus na humanidade (Jo 2,19-22), através da extensão do corpo do Ressuscitado que é a comunidade cristã. Ao invés de ir ao templo para encontrar-se com Deus, devemos acolhê-lo em nossa vida, uma vez que é Ele que vem ao nosso encontro, numa relação oposta ao que ensinava a antiga religião.

 

Jesus diz que “vai preparar” porque é a sua ressurreição que inaugura essa nova relação; por isso, garante: “E quando eu tiver ido preparar-vos um lugar, voltarei e vos levarei comigo, a fim de que onde eu estiver estejais também vós” (v. 3). Mais uma vez, recordamos que Ele não está prometendo transportá-los de um lugar para outro, mas conduzi-los a uma nova condição de vida, dando a certeza de que, acolhendo o ressuscitado com fé, a comunidade estará em relação contínua com o Pai. Mais do que levar a comunidade para Deus, na verdade Jesus traz Deus para a comunidade; essa será a casa do Pai quando nela vigorar a lei do amor e sua aplicação prática, o serviço.

 

Considerando tudo o que já havia ensinado, imaginava Jesus que os discípulos já conhecessem o caminho: “E para onde eu vou, vós conheceis o caminho” (v. 4); esse caminho é a sua própria vida, marcada pelo amor ilimitado e incondicional. No entanto, a incompreensão persiste nos discípulos, dominados pelos ideais messiânicos triunfalistas e incapazes de reconhecer o amor e a doação da vida como os únicos meios para uma relação autêntica com Deus. Com muita sinceridade, Tomé confessa a sua ignorância diante do que está sendo anunciado e vivido por Jesus: “Tomé disse a Jesus: ‘Senhor, nós não sabemos para onde vais. Como podemos conhecer o caminho?” (v. 5). De fato, ele não compreendia a morte de Jesus como passagem para uma presença permanente no meio da comunidade; ele via a morte como o fim, embora seja louvável a sua coragem para enfrentá-la, como havia demonstrado já no episódio da reanimação de Lázaro: “Nós iremos para morrer com ele” (Jo 11,16).

 

O questionamento de Tomé se torna uma oportunidade para Jesus fornecer uma das mais profundas revelações de si: “Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim” (v. 6). Com a declaração “Eu sou” (em grego: Εγώ είμι – egô eimí) Jesus reafirma a sua condição divina, pois essa é a fórmula de revelação do Deus do Êxodo, o Deus libertador (Ex 3,13ss); por sinal, o uso dessa fórmula é muito frequente no Evangelho de João, mas essa é a única vez em que vem seguida de três predicados: Caminho, Verdade e Vida. Embora pareça enigmática, essa tríplice predicação é bastante simples. Ora, Jesus está propondo um modelo de vida para uma comunidade, o que pode levantar muitas dúvidas e questões, uma vez que Ele não escreve nenhuma regra, não estabelece nenhuma lei e não deixa nenhuma doutrina. Isso gera dúvidas e medo nos discípulos: como se comportar após a partida de Jesus? Quais os parâmetros a seguir? Para simplificar, Jesus diz que ele mesmo é tudo o que a comunidade necessita, é Ele o parâmetro, a sua pessoa

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Ao apresentar-se como Caminho, Verdade e Vida, Jesus apenas diz que é tudo para a comunidade e essa não pode buscar nem viver algo que não esteja em consonância com a sua pessoa. O itinerário a ser percorrido pela comunidade cristã é a sua trajetória de vida, a verdade a ser transmitida é a sua própria pessoa e a vida a ser vivida é aquela que Ele viveu e doou em abundância, marcada pela liberdade, dignidade e amor. É claro que na tradição bíblica encontramos significados aprofundados para cada um destes termos: caminho, verdade e vida. Porém, o evangelista aplica aqui no sentido prático dos termos: sem Ele a comunidade não tem rumo, não tem o que anunciar e, consequentemente, não tem também razão para viver e existir, uma vez que sem Ele não há relação nem conhecimento de Deus, o Pai. Portanto, se auto declarando como Caminho, Verdade e Vida, Jesus diz que é tudo para a comunidade cristã e essa não pode alimentar-se de nada além da sua pessoa.

 

Na sequência, Jesus reafirma sua unidade com o Pai em tom de advertência e lamento pela falta de perspicácia dos discípulos: “Se vós me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. E desde agora o conheceis e o vistes” (v. 7). Num único versículo, o mesmo verbo conhecer aparece três vezes. Não se trata de um conhecimento intelectual, mas de uma experiência de intimidade e amor. O conhecimento de Deus não é fruto do intelecto, mas de uma disposição para amar e ser amado. Jesus está denunciando a falta de amor nos discípulos, até aquele momento. Se ainda não conheciam a Jesus e ao Pai, é porque ainda não estavam amando verdadeiramente, o que se evidencia pela intervenção de Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” (v. 8).

 

Como se vê, persistia nos discípulos a incompreensão e não aceitação da unidade entre Jesus e o Pai. Isso mostra, mais uma vez, que eles tinham dificuldade de aceitar e assimilar um Deus presente na história e relacionando-se diretamente com o seu povo, e é exatamente esse Deus que Jesus nos revela. Por isso, a resposta a Filipe é uma espécie de desabafo de Jesus, em tom de lamentação e repreensão: “Há tanto tempo estou convosco, e não me conheces, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como é que tu dizes: ‘Mostra-nos o Pai?” (v. 9). Ora, Filipe foi um dos primeiros discípulos chamados por Jesus (Jo 1,43); certamente, presenciou todos os sinais realizados, mesmo assim não tinha ainda assimilado Jesus como revelador do Pai.

 

Toda a vida de Jesus é revelação de Deus; em tudo o que faz, ele revela o Pai porque os dois vivem uma unidade perfeita: “Não acreditas que estou no Pai e o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, mas é o Pai, que, permanecendo em mim, realiza as suas obras” (v. 10). Os discípulos devem perceber essa unidade pelo amor incondicional de Jesus, expresso em suas palavras e ações. Como último critério, ou seja, quando a vida de Jesus marcada pelo amor incondicional não for capaz de convencer, que pelo menos considerem as suas obras, os sinais realizados, para reconhecê-lo como Um com o Pai: “Acreditai-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Acreditai, ao menos, por causa destas mesmas obras” (v. 11). É importante essa recomendação: as obras são o último critério para a fé. O primeiro critério é o amor envolvido e a certeza da vida abundante.

A propósito das intervenções de Tomé e Filipe, vale a pena ressaltar a importância que isso significa para a comunidade joanina e, obviamente, para as comunidades cristãs de todos os tempos. É perceptível que o Evangelho de João concede a palavra a discípulos que não fazem parte do trio predominante na tradição sinótica: Pedro, Tiago e João. No Quarto Evangelho, discípulos “secundários” para os sinóticos, como André, Filipe e Tomé, tem um certo protagonismo (Jo 2,35-51; 11,26; 20,19-27), sendo que o principal de todos os discípulos é um anônimo: o discípulo amado. Esse detalhe revela um cuidado do evangelista em relação à organização da comunidade e uma precaução com as tendências hierarquizantes. Na comunidade onde reina o amor, todos têm espaço, inclusive para questionar. O que importa é que o amor fraterno seja vivido.

 

Certamente, é vivenciando o mandamento do amor, estabelecendo relações fraternas e sinceras, cultivando a igualdade e a fraternidade que a comunidade poderá, não apenas repetir, mas realizar obras maiores que aquelas que o próprio Jesus fez; é Ele mesmo quem dá essa garantia (v. 12). A confiança e fé em suas palavras credencia a comunidade a manifestar a sua presença e, consequentemente, a presença do Pai, tornando sua obra ilimitada temporal e espacialmente; isso implica em compromisso para nós, cristãos de hoje: não devemos apresentar o Evangelho como uma história a ser contada, mas como um caminho a ser percorrido, uma verdade a ser anunciada e, principalmente, uma vida a ser vivida, marcada pelo amor, acolhimento e perdão para, de fato, ser uma vida em abundância (cf. Jo 10,10).

(*) Pe. Francisco Cornélio F. Rodrigues

Presbítero da diocese de Mossoró-RN. Mestre em Teologia Bíblica (Pontificia Università San Tommaso D’Aquino – Angelicum (Roma)); Licenciado em Filosofia (Instituto Salesiano de Filosofia – Insaf (Recife)) e Bacharel em Teologia (Ateneo Pontificio Regina Apostolorum (Roma)).

 

https://www.fiquefirme.com.br/159-reflexao-para-o-5o-domingo-da-pascoa-jo-14-1-12-ano-a

REFLEXÃO DOMINICAL III JESUS, CAMINHO, VERDADE E VIDA

 

REFLEXÃO DOMINICAL III

JESUS, CAMINHO, VERDADE E VIDA

Por Pe. Johan Konings, sj

 

 

I. INTRODUÇÃO GERAL

A liturgia de hoje deve ser contemplada à luz da leitura evangélica, tomada de João. Essa leitura, junto com o prólogo de João, fornece, como veremos, a chave da mensagem do Quarto Evangelho: a manifestação de Deus em Jesus Cristo. Por outro lado, a primeira e a segunda leituras dirigem nosso olhar para a comunidade nascida da fé em Jesus, a Igreja. Por isso, a dinâmica da homilia poderá desdobrar-se na ordem inversa das leituras, pois o que o evangelho faz entrever é a base daquilo que as leituras evocam.

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

 

1. I leitura (At 6,1-7)

A primeira leitura continua a narração dos primórdios da jovem comunidade nos tempos depois da Páscoa e Pentecostes. A caridade cria novas tarefas, porque o crescimento da comunidade tinha trazido um novo problema. Além dos convertidos do judaísmo tradicional de Jerusalém, entraram convertidos do “judeu-helenismo”, judeus helenizados, que viveram nas cidades comerciais do Mediterrâneo, ou pagãos convertidos, prosélitos, que tinham aderido ao judaísmo e agora passavam à comunidade cristã. A entrada dessas pessoas, que não pertenciam aos clãs tradicionais, tornou necessário um novo serviço na comunidade: a organização da assistência às viúvas desse grupo e do “ministério dos pobres” em geral, ao lado dos apóstolos, que serão em primeiro lugar servidores da Palavra e fundadores de comunidades.

2. II leitura (1Pd 2,4-9)

A segunda leitura casa bem com a primeira. Fala do mistério da Igreja, templo de pedras vivas, sustentadas pela pedra de arrimo que é Jesus Cristo, “pedra angular rejeitada pelos construtores” (1Pd 2,7; cf. o salmo pascal, Sl 118[117],22). Em 1Pd 2,9, a Igreja é chamada pelo título por excelência do povo de Israel segundo Ex 19,6, “sacerdócio régio”, sacerdócio do Reino. Assim como o povo de Israel foi escolhido por Deus para celebrar a sua presença no meio das nações, assim a Igreja é o povo sacerdotal, escolhido por Deus para santificar o mundo. Ela é chamada a ser o “sacramento do Reino”, sinal e primeira realização do Reino no mundo. Com essas imagens, Pedro destaca a dignidade e responsabilidade dos que receberam o batismo na noite pascal. Graças ao Concílio Vaticano II, valorizamos agora melhor esse sacerdócio dos fiéis, que designa a santificação do mundo como vocação do povo de Deus como tal, isto é, de todos os que podem ser chamados de “leigos” (em grego, laós = povo; nesse sentido, também os membros da hierarquia são “leigos”!). Como o sacerdote santifica a oferenda, assim todos os que levam o nome cristão devem santificar o mundo pelo exercício responsável de sua vocação específica, na vida profissional, no empenho pela transformação da sociedade, na humanização, na cultura etc. Tal “sacerdócio dos fiéis” não entra em concorrência com o sacerdócio ministerial, pois este é o serviço (“ministério”) de santificação dentro da comunidade eclesial, aquele é a missão santificadora da Igreja no mundo, como tal. O sacerdócio dos fiéis significa que a Igreja, como comunidade, e todos os fiéis pessoalmente, em virtude de seu batismo, recebem a missão de santificar o mundo, continuando a obra de Cristo.

3. Evangelho (Jo 14,1-12)

No domingo passado, Cristo foi chamado a “porta das ovelhas”. No evangelho de hoje, vemos com maior clareza por que Cristo é o acesso ao Pai: Caminho, Verdade e Vida. O sentido desses três termos, que constituem uma unidade (o Caminho da Verdade e da Vida), é apresentado mediante pequena encenação. Jesus inicia sua despedida (Jo 13,31-17,26) dizendo que sua partida é necessária: ele vai preparar um lugar para seus discípulos. Quando Jesus sugere que eles conhecem o caminho, Tomé, o cético, responde que não o conhecem. Então, Jesus explica que ele mesmo é o caminho da Verdade e da Vida, o caminho pelo qual se chega ao Pai. Na Bíblia, caminho e caminhar significam muitas vezes o modo de proceder. O caminho ou caminhar reto é o que hoje chamaríamos de moral ou virtude. Portanto, se Jesus chama a si mesmo de caminho, não se trata de algo teórico, uma doutrina, mas de um modo de viver. É vivendo como Jesus viveu que conhecemos o seu caminho e encontramos a vida e a verdade às quais ele nos conduz (v. 6a). Se, pois, ele diz que ninguém vai ao Pai senão por ele (v. 6b), não está proclamando uma ortodoxia que exclui os que não confessam o mesmo credo, mas dá a entender que os que chegam ao conhecimento/experiência de Deus são os que praticam o que ele, em plenitude, praticou: o amor e a fidelidade até o fim. E isso pode acontecer até fora do credo cristão.

Depois da pergunta de Tomé, temos a pergunta de Filipe: “Mostra-nos o Pai, isso nos basta” (Jo 14,8). Ora, qualquer judeu piedoso, qualquer pessoa piedosa, quer conhecer Deus – que Jesus costuma chamar de Pai. Porém, diz João no prólogo de seu evangelho, ninguém jamais viu a Deus (Jo 1,18). Agora, Jesus explica a Filipe: “Quem me viu, viu o Pai”. Nesse momento, quando (segundo a contagem judaica) já se iniciou o dia de entregar a vida por amor até o fim, Jesus revela que, nele, contemplamos Deus. Nosso perguntar encontra nele resposta; nosso espírito, verdade; nossa angústia, a fonte da vida. Nesse sentido, ele mesmo é o caminho que nos conduz ao Pai e, ao mesmo tempo, a Verdade e a Vida que se tornam acessíveis para nós. “O Unigênito, que é Deus e que está no seio do Pai, no-lo fez conhecer” (Jo 1,18). Jesus não falou assim quando realizava seus “sinais”: o vinho de Caná, o pão para a multidão, nem mesmo a cura do cego ou a revivificação de Lázaro. Pois o sentido último para o qual a atuação de Jesus apontava não era fornecer vinho ou pão, ou substituir um médico ou curandeiro, mas manifestar o amor do Pai, o Deus-Amor.

Trata-se de ver a Deus em Jesus Cristo na hora de sua entrega por amor. Para saber como é Deus, o Absoluto da nossa vida, não precisamos contemplar outra coisa senão a existência de Jesus de Nazaré, “existência para os outros”, na qual Deus imprimiu seu selo de garantia, no coroamento que é a ressurreição. Muitas vezes, tentamos primeiro imaginar Deus para depois projetar em Jesus algo de divino (geralmente, algo de bem pouco humano…). Devemos fazer o contrário: olhar para Jesus de Nazaré, para sua vida, para sua palavra e sua morte, e depois dizer: assim é Deus – isso nos basta (cf. Jo 14,8-9). E isso é possível porque Jesus, trilhando até o fim o caminho que ele mesmo é, assumindo ser a “graça e a verdade” (Jo 1,14), o amor e a fidelidade de Deus até o fim, mostra Deus assim como ele é, pois “Deus é amor”, diz o mesmo João em sua primeira carta (1Jo 4,8.16). Podemos dizer, com Paulo, que Jesus é o rosto do Pai, a perfeita imagem dele (cf. Cl 1,15). Assim como Jesus procede, Deus é. Ele está no Pai e o Pai está nele (Jo 14,11), e quem a ele se une fará o que ele fez, e mais ainda, agora que ele se vai para junto do Pai (14,12) e deixa, por assim dizer, o campo aberto para a ação dos que creem nele, animados pelo Espírito-Paráclito (14,13-17, continuação do texto de hoje).

III. DICAS PARA REFLEXÃO: A manifestação de Deus-Amor em Cristo e em sua comunidade

 

Para o cristão, o gesto de amor e fidelidade de Jesus até o fim é a suprema revelação de Deus. Não podemos, nesta existência terrena, conhecer a Deus em si. Ele é “o além de nossos horizontes”. Mas ele se manifesta a nós no justo e santo, aquele que faz sua vontade e lhe pertence por excelência, Jesus de Nazaré. Mais exatamente: quando este, “na carne” (cf. 1Jo 4,2), leva a termo o amor e a fidelidade (“a graça e a verdade”, Jo 1,14), os traços fundamentais de Deus já manifestados no seu agir em relação a Israel (veja, por exemplo, Ex 34,6). Jesus, Palavra de Deus “acontecendo em carne” (cf. Jo 1,14), não se limita a um só povo. Toda a carne humana é assumida nesse homem, que vive o amor e a fidelidade de Deus até o fim, de modo que o que se pode dizer de Deus é isto: “Deus é amor”. Amor que ama primeiro e é conhecido em Jesus, mas também quando amamos nossos irmãos (1Jo 4,10-12).

Aí entra o pensamento acerca da comunidade eclesial, que constitui o segundo grande tema deste domingo. Como Cristo encarnou o que Deus fundamentalmente significa para a humanidade – amor radical –, sua comunidade é chamada a manifestar essa mesma realidade de Deus ao mundo. Aí está sua santa vocação, seu sacerdócio, de que participam todos os que foram batizados em Cristo (e, assim, no Pai e no Espírito). Ser cristão não é simplesmente proclamar um credo ou pertencer a uma instituição, mas encarnar o Deus-Amor trilhando o “caminho” que é Jesus.

(*) Pe. Johan Konings, sj

 

Nascido na Bélgica, reside há muitos anos no Brasil, onde leciona desde 1972. É doutor em Teologia e mestre em Filosofia e em Filologia Bíblica pela Universidade Católica de Lovaina. Atualmente é professor de Exegese Bíblica na Faje, em Belo Horizonte. Dedica-se principalmente aos seguintes assuntos: Bíblia – Antigo e Novo Testamento (tradução), evangelhos (especialmente o de João) e hermenêutica bíblica. Entre outras obras, publicou: Descobrir a Bíblia a partir da liturgia; A Palavra se fez livro; Liturgia dominical: mistério de Cristo e formação dos fiéis – anos A-B-C; Ser cristão; Evangelho segundo João: amor e fidelidade; A Bíblia nas suas origens e hoje; Sinopse dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da “Fonte Q”.

https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/18-de-maio-5o-domingo-da-pascoa/

Mês de maio: as origens da devoção à Virgem

 

Mês de maio: as origens da devoção à Virgem

 

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Honrada como a Mãe de Deus

A Virgem Maria foi honrada e venerada como Mãe de Deus desde os inícios do cristianismo.

“Os primeiros cristãos, aos quais devemos recorrer sempre como modelo, renderam um culto amável à Virgem. Nas pinturas dos primeiros três séculos do cristianismo, conservadas nas catacumbas romanas, ela é representada com o Deus Menino nos braços. Nunca imitaremos o suficiente os primeiros cristãos nesta devoção à Santíssima Virgem!”, afirmou São Josemaría Escrivá.

Em ocasião do mês de maio, falemos das origens da devoção mariana nos primeiros cristãos.

Irão me chamar de Bendita

Como evidenciaram os estudos marianos recentes, a Virgem Maria foi honrada e venerada como Mãe de Deus e Mãe dos cristãos desde os inícios do cristianismo. 

Nos três primeiros séculos, a veneração a Maria foi incluída basicamente na adoração do Seu Filho. 

Um padre da Igreja resume a sensação deste primeiro culto mariano referindo-se a Maria com estas palavras: “Os profetas te anunciaram e os apóstolos te celebraram com os mais altos louvores”.

Dos primeiros séculos se podem recolher os testemunhos indiretos do culto mariano. Entre estes existem alguns restos arqueológicos nas catacumbas, que demostram o culto e a veneração dos primeiros cristãos por Maria.

É o caso das pinturas marianas das catacumbas de Priscilla: em uma dessas se mostra a Virgem santificada com o Menino no colo e um profeta (talvez Isaías), ao lado; outras duas representam o Anúncio e a Epifania. São todas pinturas do final do segundo século. Nas catacumbas de São Marcos e São Marcelliano admira-se também uma pintura do século III-IV que representa Maria entre São Pedro e São Paulo, com as mãos estendidas e em atitude de oração.

Uma esplêndida demonstração do culto mariano é a oração Sub tuim praesidium, datando século III-IV, pela qual se pede a intercessão de Maria. 

Os padres do século IV louvam de modos diversos a Mãe de Deus. Santo Epifanio, combatendo o erro de uma seita na Arábia que rendia culto de idolatria a Maria, depois de terem recusado tal culto, escreveram: “Seja honrada Maria! Seja honrado o Senhor”.

A mesma distinção se aprecia em Santo Ambrósio, que depois de ter louvado a “Mãe de todas as virgens” é claríssimo quando diz que “Maria não é o Deus do templo, mas o templo de Deus”, para colocar na posição justa o culto mariano, distinguindo daquele professado a Deus.

Há evidências de que, no tempo do Papa São Silvestre, nos Fóruns, onde antes foi elevado um templo à deusa romana Vesta, construiu-se um do qual a invocação era Santa Maria Antiqua. O bispo Alessandro de Alexandria consagrou uma Igreja em honra à Mãe de Deus. Sabe-se também que na Igreja da Natividade, na Palestina, datando da época de Constantino, ao lado do culto ao Senhor tinha o de Maria, recordando a milagrosa concepção de Cristo.

Na Liturgia Eucarística existem dados confiáveis que mostram a menção de veneração de Maria na oração eucarística datada do ano de 225, e que nas festas do Senhor – Encarnação, Natal, Epifania… – se honrasse também Sua Mãe. Relata-se em geral que por volta do ano 380 foi instituída a primeira festividade mariana, denominada indistintamente “Memória da Mãe de Deus”, “Festa da Santíssima Vírgem”, ou “Festa da gloriosa Mãe”.

O testemunho dos Padres da Igreja

O primeiro Padre da Igreja a escrever sobre Maria foi Santo Inácio de Antioquia (+ c. 110), que defende a realidade humana de Cristo afirmando que pertence a estirpe de Davi, tendo nascido realmente de Maria Virgem. “Foi concebido e gerado pela Santa Maria; esta concepção foi virginal, e esta virgindade pertence a um daqueles mistérios ocultos no silêncio de Deus”.

Em São Justino (+ c. 167), a reflexão mariana parece referida a Gen 3,15 e ligada ao paralelismo antitético Eva-Maria.

No diálogo com Trifone, Justino insiste sobre a verdade da natureza humana de Cristo, e consequentemente sobre a realidade da maternidade de Santa Maria; e como Santo Inácio de Antioquia realça a verdade da concepção virginal e insere o paralelismo Eva-Maria no seu argumento teológico. 

O paralelismo servirá de fio condutor para a mais rica e constante teologia mariana dos Padres.

Santo Irineu de Lião (+ c. 202), em um contexto polêmico contra os gnósticos e professores, insiste na realidade corporal de Cristo e sobre a verdade da sua geração no ventre de Maria. Faz também da maternidade divina uma das bases da sua cristologia: é a natureza humana assumida pelo Filho de Deus no seio da Maria que torna possível o fato de que a morte redentora de Jesus abrace todo o gênero humano. Ressalta também que o papel materno da Santa Maria na sua relação com o novo Adão e na sua cooperação com o Redentor.

No Norte da África, Tertulliano (+ c. 222), na sua controvérsia com o gnóstico Marcione, afirma que Maria é a Mãe de Cristo porque Ele foi gerado no seu seio virginal.

No século III se iniciou a utilizar o título Theotókos (Mãe de Deus). Orígenes (+ c. 254) foi a primeira testemunha conhecida deste título. Em forma de súplica aparece pela primeira vez a oração Sub tuum praesidium, a oração mariana mais antiga a nós observada. Já no século IV o mesmo título vem utilizado na profissão de fé de Alexandre de Alexandria contra Ario.

A partir daquele momento adquire universalidade, e são muitos os Santos Padres que param para explicar a dimensão teológica desta verdade – Santo Efrem, Santo Atanásio, São Basílio, São Gregório Nazareno, São Gregório de Nissa, Santo Ambrósio, Santo Agostinho, Proclo de Constantinopla…-, ao ponto que o título de Mãe de Deus se torna o mais usado quando se fala de Santa Maria.

A verdade da maternidade divina foi definida como dogma de fé no Concílio de Éfeso em 431.

“E depois da morte do Salvador? Maria é a Rainha dos Apóstolos; encontra-se no Cenáculo e ali acompanha na recepção daquele que Cristo tinha prometido, o Paráclito; exorta-os nas suas dúvidas, ajuda-os a superar os obstáculos que a fraqueza humana põe sobre seus caminhos; é guia, luz e encorajamento dos primeiros cristãos”, afirma São Josemaría Escrivá.

As prerrogativas ou privilégios marianos

A descrição dos inícios da devoção mariana restaria incompleta se não se mencionasse um terceiro elemento fundamental na sua elaboração: a firme convicção da excepcionalidade da pessoa de Santa Maria – exepcionalidade que faz parte do seu mistério -, que se sintetiza na afirmação de sua total santidade, conhecida como “privilégios” marianos.

Trata-se de “privilégios” que encontram a própria razão na relação materna de Santa Maria com Cristo e com o mistério da salvação, mas que estão realmente nela, dotando-a de modo superabundante das graças necessárias para realizar a sua missão única e universal.

Estes privilégios marianos não se entendem como algo acidental, ou supérfluo, mas como algo necessário para manter a integridade da fé.

Santo Inácio, São Justino e Tertulliano falam da virgindade. Fala também Santo Irineu. No Egito, Orígenes defende a perpétua virgindade de Maria e considera a Mãe do Messias, modelo e auxílio dos cristãos.

No século IV foi criado o termo aeiparthenos – sempre virgem -, que Santo Epifânio introduziu no seu símbolo de fé, e em seguida o II Concílio ecumênico de Constantinopla o acolheu em sua declaração dogmática.

Junto a esta afirmação da virgindade da
Santa Maria, que se torna sempre mais frequente e universal, destaca-se com o passar do tempo a afirmação da total santidade da Virgem. Rejeitada sempre a existência do pecado na Virgem.

Assim se deu com Santo Irineu, Tertulliano, Orígenes, São Basílio, São João Crisóstomo, Santo Efrem e São Cirilo de Alexandria, enquanto que Santo Ambrósio e Santo Agostinho recusaram a possibilidade de imperfeição na Virgem.

Depois da definição dogmática da maternidade divina no Concílio de Éfeso (431), a prerrogativa da santidade plena aconteceu consolidando e foi generalizado o título de “toda santa” – panaghia. No Akathistos se canta “o Senhor te fez toda santa e gloriosa” (canto 23).

Do século Vi, e em conexão com o desenvolvimento da afirmação da maternidade divina e da total santidade da Santa Maria, aprecia-se também um evidente desenvolvimento de afirmação das prerrogativas marianas.

Assim acontece concretamente em temas relativos à Dormição, Assunção da Virgem, total ausência de pecado (incluindo o pecado original), nela ou ao seu compromisso de Mediadora e Rainha. Citam-se em particular São Modesto de Jerusalém, Santo André de Creta, São Germano de Constantinopla e São João Damasceno como os Pais dos últimos séculos do período patrístico que aprofundaram as prerrogativas marianas.

(Tradução e adaptação: Clarissa Oliveira)

https://pt.aleteia.org/2014/05/08/mes-de-maio-as-origens-da-devocao-a-virgem/