quinta-feira, 1 de outubro de 2026

5 -A LITURGIA DO 27.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

 

 5 -A LITURGIA DO 27.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

- A alegoria da vinha inaugura o tema das núpcias do Senhor com Israel, tema que voltará frequentemente na literatura bíblica. Às vezes, Israel é designado como vinha; outras vezes, como a esposa acariciada e, depois, repudiada. Neste cântico de Isaías, as duas linhas se misturam perfeitamente, por meio de uma superposição de imagens. A intervenção do profeta lembra o papel do amigo do Esposo.

- Na 1ª Leitura, Isaías, com o "Cântico da Vinha", narra a história do amor de Deus e a infidelidade do seu Povo. É um lindo poema composto pelo profeta, talvez a partir de uma canção de vindima. Através do profeta (o trovador), Deus (o Amigo) julga seu povo (a vinha), descrevendo o amor de Deus e a resposta do Povo. Assim, apresenta-nos um agricultor que escolheu o terreno mais adequado, selecionou cepas da melhor qualidade e tomou todos os cuidados necessários. Seu sonho era colher os frutos do próprio trabalho, mas a decepção foi grande: a vinha produziu apenas uvas azedas. Disse ele: "Que mais poderia eu ter feito por minha vinha e não fiz?" Sua reação foi transformar o seu grande amor em ódio: derruba o muro de proteção, permite que os transeuntes a pisem livremente e que o mato tome conta dela.

- Os frutos, que o Senhor esperava eram o direito e a justiça, o respeito aos Mandamentos e a fidelidade à Aliança. Em vez disso, viu sangue derramado e gritos de horror: infidelidade, injustiça, corrupção e violência. Havia muitas manifestações religiosas solenes, mas sem uma verdadeira adesão a Deus. Então, o profeta relata o "castigo de Deus": a invasão dos assírios e, depois, dos babilônios, que destruíram a vinha (Israel) e deportaram os israelitas como escravos.

 - No Evangelho, Jesus retoma e desenvolve o poema da vinha. O evangelista destaca que um senhor planta uma vinha com todo o cuidado e recursos necessários, confiando-a a alguns vinhateiros, conhecedores da profissão. Chega o tempo da vindima, e ele envia mensageiros para receber os frutos da colheita. Então, vem surpresa: os vinhateiros não entregam os frutos e maltratam os enviados. Não respeitam nem memso o próprio filho do dono, chegando a matá-lo. Contudo, a "Vinha" não será destruída, mas os trabalhadores serão substituídos.

- A parábola é uma releitura da História da Salvação: ilustra a recusa de Israel ao projeto salvífico de Deus. A vinha é o Povo de Deus (Israel); o dono é Deus, que manifestou imenso amor por sua vinha; os vinhateiros são os líderes do povo judeu; e os enviados são os profetas e o próprio Cristo, "morto fora da vinha". O resultado foi que a vinha será retirada deles e confiada a outros trabalhadores, que ofereçam ao Senhor os frutos devidos e acolham o Filho enviado. Já o povo reagiu tentando prender Jesus, pois percebeu que a parábola se referia a eles.

- À Igreja foram entregues os cuidados da vinha do Senhor. Todos nós, membros do novo Povo de Deus, temos a missão de produzir frutos, para não frustrarmos as expectativas do Senhor no tempo da colheita. Nesse sentido, São Paulo nos ajuda a entender que, ainda hoje, somos capazes, pela força do Santo Espírito, de produzir bons frutos.

Na 2ª Leitura, ele apresenta os frutos que Deus espera de sua vinha ao indicar aos cristãos de Filipos algumas atitudes que resultam do seu compromisso com Cristo e com o Evangelho: a verdade, a justiça, a honradez, a amabilidade, a tolerância e a integridade.

- Infelizmente, existem grupos religiosos, famílias, políticos e tantas outras pessoas que são aparentemente vigorosos (árvores cheias de folhas), mas estão desprovidos de frutos, ou seja, não têm compromisso com a justiça, a paz, a fraternidade, o diálogo, o amor e o bem comum. Com esta parábola, Jesus nos pede a coerência de vida que brota da confiança em Deus, que nos cumula de muitos dons para que tenhamos uma vida cheia de bons frutos. Outro perigo é o dos guardas da vinha quererem se transformar em "donos da vinha". Ainda hoje, em nossas Comunidades e setores da vida pública, há pessoas que, em nome de Deus, impõem o que se passa na própria cabeça, sem legitimidade ou discernimento. Não dão ouvidos a ninguém e buscam apenas o próprio benefício, desejando só explorar a vinha (o povo), sem se preocupar com o bem comum. É sempre muito importante recordar que não somos donos da vinha; somos colaboradores do Reino.

- Uma verdade consoladora é que Deus não desiste de seu povo. Mas também, há um alerta: se, em algum lugar, a vinha não produzir frutos bons, Ele recomeça com outra. Que sejamos colaboradores de Deus na construção de uma sociedade mais justa e fraterna, produzindo frutos que permaneçam.

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