5 -A LITURGIA
DO 27.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A
- A alegoria da vinha inaugura o tema das
núpcias do Senhor com Israel, tema que voltará frequentemente na literatura
bíblica. Às vezes, Israel é designado como vinha; outras vezes, como a
esposa acariciada e, depois, repudiada. Neste cântico de Isaías, as duas linhas
se misturam perfeitamente, por meio de uma superposição de imagens. A
intervenção do profeta lembra o papel do amigo do Esposo.
- Na 1ª Leitura, Isaías, com o "Cântico
da Vinha", narra a história do amor de Deus e a infidelidade do seu Povo.
É um lindo poema composto pelo profeta, talvez a partir de uma canção de
vindima. Através do profeta (o trovador), Deus (o Amigo) julga seu povo (a
vinha), descrevendo o amor de Deus e a resposta do Povo. Assim, apresenta-nos
um agricultor que escolheu o terreno mais adequado, selecionou cepas da melhor
qualidade e tomou todos os cuidados necessários. Seu sonho era colher os frutos
do próprio trabalho, mas a decepção foi grande: a vinha produziu apenas uvas
azedas. Disse ele: "Que mais poderia eu ter feito por minha vinha e não
fiz?" Sua reação foi transformar o seu grande amor em ódio: derruba o muro
de proteção, permite que os transeuntes a pisem livremente e que o mato tome
conta dela.
- Os frutos, que o Senhor esperava eram o
direito e a justiça, o respeito aos Mandamentos e a fidelidade à Aliança.
Em vez disso, viu sangue derramado e gritos de horror: infidelidade, injustiça,
corrupção e violência. Havia muitas manifestações religiosas solenes, mas sem
uma verdadeira adesão a Deus. Então, o profeta relata o "castigo de
Deus": a invasão dos assírios e, depois, dos babilônios, que destruíram a
vinha (Israel) e deportaram os israelitas como escravos.
- No
Evangelho, Jesus retoma e desenvolve o poema da vinha. O evangelista
destaca que um senhor planta uma vinha com todo o cuidado e recursos
necessários, confiando-a a alguns vinhateiros, conhecedores da profissão. Chega
o tempo da vindima, e ele envia mensageiros para receber os frutos da colheita.
Então, vem surpresa: os vinhateiros não entregam os frutos e maltratam os
enviados. Não respeitam nem memso o próprio filho do dono, chegando a matá-lo.
Contudo, a "Vinha" não será destruída, mas os trabalhadores serão
substituídos.
- A parábola é uma releitura da História da
Salvação: ilustra a recusa de Israel ao projeto salvífico de Deus. A vinha
é o Povo de Deus (Israel); o dono é Deus, que manifestou imenso amor por sua
vinha; os vinhateiros são os líderes do povo judeu; e os enviados são os
profetas e o próprio Cristo, "morto fora da vinha". O resultado foi
que a vinha será retirada deles e confiada a outros trabalhadores, que ofereçam
ao Senhor os frutos devidos e acolham o Filho enviado. Já o povo reagiu
tentando prender Jesus, pois percebeu que a parábola se referia a eles.
- À Igreja foram entregues os cuidados da vinha
do Senhor. Todos nós, membros do novo Povo de Deus, temos a missão de produzir
frutos, para não frustrarmos as expectativas do Senhor no tempo da colheita.
Nesse sentido, São Paulo nos ajuda a entender que, ainda hoje, somos capazes,
pela força do Santo Espírito, de produzir bons frutos.
Na 2ª Leitura, ele apresenta os frutos que
Deus espera de sua vinha ao indicar aos cristãos de Filipos algumas atitudes
que resultam do seu compromisso com Cristo e com o Evangelho: a verdade, a
justiça, a honradez, a amabilidade, a tolerância e a integridade.
-
Infelizmente, existem grupos religiosos, famílias, políticos e tantas outras
pessoas que são aparentemente vigorosos (árvores cheias de folhas), mas estão
desprovidos de frutos, ou seja, não têm compromisso com a justiça, a paz, a
fraternidade, o diálogo, o amor e o bem comum. Com esta parábola, Jesus nos
pede a coerência de vida que brota da confiança em Deus, que nos cumula de
muitos dons para que tenhamos uma vida cheia de bons frutos. Outro perigo é o
dos guardas da vinha quererem se transformar em "donos da vinha".
Ainda hoje, em nossas Comunidades e setores da vida pública, há pessoas que, em
nome de Deus, impõem o que se passa na própria cabeça, sem legitimidade ou
discernimento. Não dão ouvidos a ninguém e buscam apenas o próprio benefício,
desejando só explorar a vinha (o povo), sem se preocupar com o bem comum. É
sempre muito importante recordar que não somos donos da vinha; somos
colaboradores do Reino.
- Uma verdade consoladora é que Deus não
desiste de seu povo. Mas também, há um alerta: se, em algum lugar, a vinha não
produzir frutos bons, Ele recomeça com outra. Que sejamos colaboradores de
Deus na construção de uma sociedade mais justa e fraterna, produzindo frutos
que permaneçam.
https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/07/04_10_26.pdf
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