sexta-feira, 28 de abril de 2023

LEITURAS DA SEMANA DE 01 DE MAIO A 07 DE MAIO DE 2023- ORAÇÃO DO ANO VOCACIONAL

 

 

LEITURAS DA SEMANA DE 01 DE MAIO A 07 DE MAIO  DE 2023

01/05 (2.ª feira)- At 11,1-18;Sl 41(42),2.3 e 42(43),3.4 (R. cf. Sl 41(42), 3a);Jo 10,11-18 (O Bom Pastor)

02/05 (3.ª feira)- Santo Atanásio, bispo e doutor da Igreja, Memória:

At 11,19-26;Sl 86(87),1-3.4-5.6-7 (R. Sl 116(117),1a); Jo 10,22-30

03/05 (4.ª feira) -1Cor 15,1-8: Sl 18(19A),2-3.4-5 (R. 5a);Jo 14,6-14

04/05( 5ª feira) - At 13,13-25; Sl 88(89),2-3.21-22.25 e 27 (R. cf. 2a);Jo 13,16-20

05/05 (6ª feira) - At 13,26-33; Sl 2,6-7.8-9.10-11 (R. 7); Jo 14,1-6

06/05 (Sábado) - At 13,44-52: Sl 97(98),1.2-3ab.3cd-4 (R. 3cd);Jo 14,7-14

07/05 (Domingo)- 5.ºDOMINGO DA PÁSCOA: At 6,1-7;Sl 32(33),1-2.4-5.18-19 (R. 22); 1Pd 2,4-9; Jo 14,1-12

 

ORAÇÃO VOCACIONAL

 D. Rezemos juntos a oração do Ano Vocacional Nacional:

 Senhor Jesus, enviado do Pai e Ungido do Espírito Santo, que fazeis os corações arderem e os pés se colocarem a caminho, ajudai-nos a discernir a graça do vosso chamado e a urgência da missão. Continuai a encantar famílias, crianças, adolescentes, jovens e adultos, para que sejam capazes de sonhar e se entregar, com generosidade e vigor, a serviço do Reino, em vossa Igreja e no mundo. Despertai as novas gerações para a vocação aos Ministérios Leigos, ao Matrimônio, à Vida Consagrada e aos Ministérios Ordenados. Maria, Mãe, Mestra e Discípula Missionária, ensinai-nos a ouvir o Evangelho da Vocação e a responder com alegria. Amém!

REFLEXÃO DOMINICAL I COMO RECONHECER A VOZ DO BOM PASTOR

 

 

REFLEXÃO DOMINICAL I

COMO RECONHECER A VOZ DO BOM PASTOR

O quarto domingo de Páscoa, que celebramos hoje, é dedicado a Jesus Bom Pastor. O Evangelho diz: “As ovelhas ouvem a sua voz: ele chama as ovelhas pelo nome” (Jo 10, 3). O Senhor nos chama pelo nome, nos chama porque nos ama. Porém, diz ainda o Evangelho, há outras vozes a não serem seguidas: as de estranhos, ladrões e malfeitores que querem o mal das ovelhas. Essas diferentes vozes ressoam dentro de nós. Há a voz de Deus, que gentilmente fala à consciência, e há a voz tentadora que induz ao mal. Como fazer para reconhecer a voz do Bom Pastor e a do ladrão, como fazer para distinguir a inspi- ração de Deus da sugestão do maligno? Pode-se aprender a discernir essas duas vozes: na verdade, elas falam duas línguas diferentes, ou seja, têm maneiras opostas de bater em nosso coração. Falam línguas diferentes. Mas assim como nós sabemos distinguir uma língua da outra, também podemos distinguir a voz de Deus e a voz do maligno. A voz de Deus nunca obriga: Deus se propõe, não se impõe. Em vez disso, a voz ruim seduz, assalta, obriga: suscita ilusões deslumbrantes, emoções tentadoras, mas passageiras. No início persuade, nos faz acreditar que somos oni- potentes, mas depois nos deixa vazios por dentro e nos acusa: “Tu não vales nada”. A voz de Deus, pelo contrário, nos corrige, com muita paciência, mas sempre nos encoraja, nos consola: sempre alimenta a esperança. A voz de Deus é uma voz que tem um horizonte. A voz do mal, por outro lado, te leva para um muro, te leva para um canto. Outra diferença. A voz do inimigo distrai do presente e quer que nos concentremos nos medos do futuro ou na tristeza do passado, o inimigo não quer o presente: faz brotar a amargura, as recordações dos erros sofridos, daqueles que nos fizeram mal e tantas más recordações. Em vez disso, a voz de Deus fala no presente: “Agora podes fazer o bem, agora podes exercitar a criatividade do amor, agora podes renunciar aos arrependimentos e aos remorsos que mantém prisioneiro o teu coração”. Nos anima, nos leva em frente, mas fala no presente: agora! E ainda: as duas vozes suscitam em nós questionamentos diferentes. A que vem de Deus será: “O que me faz bem?”. Em vez disso, o tenta- dor insistirá em outra pergunta: “O que eu gostaria de fazer?”. O que eu quero! A voz ruim sempre gira em torno do eu, suas pulsões, suas necessidades, ao tudo e imediata- mente. É como os caprichos das crianças, tudo e agora. A voz de Deus, pelo contrário, nunca promete a alegria a baixo preço: nos convida a ir além de nosso eu para encontrar o verdadeiro bem, a paz. Lembremo-nos: o mal nunca dá paz, antes provoca o frenesi e depois deixa a amargura. Este é o estilo do mal. Por fim, a voz de Deus e a do tentador falam em “ambientes” diferentes: o inimigo prefere as trevas, a falsidade, a fofoca; o Senhor ama a luz do sol, a verdade, a transparência sincera. O inimigo nos dirá: “Fecha-te em ti mesmo, ninguém te entenda e te ouve mesmo, não confie!”. O bem, pelo contrário, nos convida a nos abrir, a sermos límpidos e confiantes em Deus e nos outros. Queridos irmãos e irmãs, neste momento, tantos pensamentos e preocupações nos levam a reentrar em nós mesmos. Prestemos atenção às vozes que chegam ao nosso coração. Perguntemos de onde elas vêm. Peçamos a graça de reconhecer e seguir a voz do Bom Pastor, que nos fará sair dos recintos do egoísmo e nos conduz às pastagens da verdadeira liberdade.

 Papa Francisco Regina Caeli, 03/05/2020 Os salmos em canto gregoriano com letras

https://arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/ano-47-a-31-4-domingo-de-pascoa.pdf

REFLEXÃO DOMINICAL II Jesus, a porta de pastores e ovelhas

 

REFLEXÃO DOMINICAL II

 

Jesus, a porta de pastores e ovelhas

 

Por Pe. Johan Konings, sj

 

 

I.              Introdução geral

 

O quarto domingo pascal é conhecido, na pastoral, como o domingo do Bom Pastor. A oração do dia é inspirada por esse tema (a fraqueza/fragilidade do rebanho e a fortaleza do Pastor). Porém, desde a reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, o conjunto literário do “Bom Pastor”, no Evangelho de João, foi repartido pelos três anos do ciclo, A, B e C. Neste ano A, a leitura do evangelho não apresenta, propriamente, a parábola do Bom Pastor (Jo 10,11-18, evangelho do ano B), e sim o trecho anterior, a parábola da porta e dos pastores (Jo 10,1-10). Essa parábola dá ensejo à exploração de outros temas que não os tradicionais, para que, segundo o desejo do concílio, seja “ricamente servida” a mesa da Palavra.

 

II.            Comentário dos textos bíblicos


 

  1. I leitura: At 2,14a.36-41

 

A primeira leitura é a continuação da pregação missionária de Pedro que já ouvimos no domingo anterior. Apresenta-se o querigma cristão e a conversão, o que combina bem com o espírito da Páscoa como celebração do batismo. Pedro conscientiza os judeus de Jerusalém de que Jesus, rejeitado e morto por eles, foi por Deus constituído Senhor e Cristo (v. 36). Essa pregação provoca o arrependimento (metanoia) no coração dos ouvintes: convertem-se e aderem ao círculo dos discípulos (v. 37-41). O povo de Israel é agora obrigado a optar, e não só Israel, mas também os que o Senhor chamou “de longe”, os não israelitas (v. 39; cf. Is 57,19). Parte da população de Jerusalém se converte, então, àquilo que Pedro anunciou. Essa conversão pode reter, hoje, a nossa atenção. É o protótipo da adesão à Igreja em todos os tempos. Nós estamos acostumados a nascer já batizados, por assim dizer. Mas isso não quer dizer que nos tenhamos convertido para aderir a Cristo na sua Igreja. Pensemos naquela multidão que, pouco antes, desconhecia ou até desprezava o caminho e a atitude de Jesus de Nazaré e, ativa ou passivamente, havia concordado com sua crucifixão. Agora que Pedro, pela força do Espírito, lhes mostra que essa vida (de Jesus) foi certa e por Deus coroada, eles deixam acontecer no seu coração a verdadeira metanoia, a “revirada” do coração. Em virtude daquilo que lhes foi pregado a respeito do Cristo, mudam sua maneira de ver, sua escala de valores. Essa metanoia é o passar pela porta que é Cristo, como diz o evangelho, o recusar-se a ladrões e assaltantes, que se apresentam sem passar por ele. É aderir a nada que não seja conforme Cristo, marcado por sua vida e situado no seu caminho. Será que nós fizemos essa conversão?

 

  1. II leitura: 1Pd 2,20b-25

Pedro ensina os que vivem na condição de escravo ou servo (cf. 1Pd 2,18) a trilhar os passos de Jesus Cristo pastor. Assemelhado ao Servo Padecente de Deus (cf. Is 52-53), Cristo deu, no seu sofrer, o exemplo da paciência. A imagem das ovelhas perdidas, no v. 25, corresponde à imagem do pastor, ao qual o rebanho se confia pelo batismo. Ele nos abre o caminho certo: não o da violência opressora, mas o da justiça que, para se provar verdadeira, não se recusa a sofrer.

  1. Evangelho: Jo 10,1-10

 

O evangelho de hoje é a parábola da porta do rebanho e dos pastores. No contexto anterior, a história do cego (Jo 9), os fariseus mostraram ser os verdadeiros cegos. Eles deveriam ser os pastores de Israel, mas não o são. Em continuidade direta com esse episódio – pois não há nenhuma nova indicação de cenário –, Jo 10 mostra quem não é e quem é o verdadeiro pastor. Os vv. 1-5 narram uma parábola: a cena campestre do redil comunitário, onde entram e saem os pastores e as ovelhas, mas onde também entram, por vias escusas, os assaltantes, para roubar e matar. As autoridades judaicas não entendem a parábola (v. 6), pois só entende quem crê em Cristo. Em seguida, nos vv. 7-18, a parábola é explicada em dois sentidos: Jesus é a porta (vv. 7-10), Jesus é o pastor (vv. 11-18). No trecho lido hoje, é apresentada a parábola introdutória e a primeira explicação: Jesus Cristo é a porta. Por ele entram os pastores verdadeiros, por ele são conduzidas as ovelhas até os prados onde encontrarão vida. Antes dele vieram pessoas que entravam e saíam, não pela porta, mas por outro lugar: eram assaltantes, conduziam as ovelhas para a perdição, para tirar-lhes a vida. Pouco importa quem sejam esses assaltantes – Jesus parece pensar nos mestres judeus de seu tempo –, não os devemos seguir. O que importa é a mensagem positiva: que passemos pela porta que é Jesus Cristo. Só o caminho que passa por ele é válido. Essa porta se situa, portanto, na comunidade dos fiéis a Cristo. Na comunidade que representa o Cristo, depois da ressurreição, encontramos o que nos serve para sempre; teremos o mesmo acesso ao Pai que os apóstolos encontraram na pessoa de Jesus (cf. Jo 14,6-9). Jesus com a sua comunidade é a porta que dá acesso ao Pai. Jesus dá acesso ao caminho da salvação tanto aos pastores, para entrarem, quanto aos rebanhos, para saírem rumo às pastagens. Onde há vida, é por Cristo que chegamos a ela (cf. Jo 14,6). O prefácio da Páscoa II (“Cristo, nosso guia para a vida nova”) e a oração final (proteção e “prados eternos” para o rebanho) dão continuidade a esse tema.

 

III.           Dicas para reflexão: A salvação por meio de Jesus

 

O tempo pascal é um tempo de reflexão sobre a realidade de nosso batismo e de nossa fé. Ora, nosso batismo não é real sem metanoia, sem mudança de caminho, para conscientemente passar por Cristo. O batismo por conveniência não tem nada a ver com a conversão implicada no batismo verdadeiro.

Conversão como reconhecimento do que está errado e adesão a Cristo como escolha do caminho certo, eis o que nos propõe a liturgia de hoje. Mas, apesar de certa austeridade nessas considerações, temos também o testemunho da gratificação vital que essa conversão a Cristo nos traz. No contexto em que vivemos, podemos, porém, fazer uma pergunta: a salvação vem só por Cristo?

A parábola e sua primeira explicação (Jesus, a porta) nos ensinam que pastor, mesmo, é só quem passa através de Jesus e faz o rebanho passar por ele. O sentido fundamental da pastoral é ir às pessoas por Cristo e conduzi-las através dele ao verdadeiro bem. As maneiras podem ser muitas: antigamente, talvez, usavam-se modos mais paternalistas; hoje, modos mais participativos. Mas pode-se chamar de pastoral uma mera ação social ou política? Por mais importante que seja, ainda não é, de per si, ação pastoral cristã. Para ser pastoral cristã, a atuação precisa ser orientada pelo projeto de Cristo, que ele nos revelou, dando sua vida por nós.

Nessa ótica, os pastores devem ir aos fiéis (não aguardá-los de braços cruzados), através de Cristo (não através de mera cultura ou ideologia), para conduzi-los a Deus (não apenas à instituição que é a Igreja), fazendo-os passar por Cristo, ou seja, exigindo adesão à prática de Cristo. Os fiéis devem discernir se seus pastores não são “ladrões e assaltantes”, e o critério para discernir é este: se chegam através de Cristo e fazem passar os fiéis por ele.

A julgar pelas palavras do Novo Testamento, parece que toda a salvação passa por Cristo. Mas isso deve ser entendido num sentido inclusivo, não exclusivo. Todo caminho que verdadeiramente conduz a Deus, em qualquer religião e na vida de “todos aqueles que procuram de coração sincero” (Oração Eucarística IV), passa, de fato, pela porta que é Jesus. Dirigido, provavelmente, a pessoas que já aderiram à fé em Jesus, o Evangelho de João ensina: não precisam procurar a salvação fora desse caminho. Isso vale ser repetido para os cristãos de hoje. Por outro lado, não é preciso que todos confessem o Cristo explicitamente para encontrar a salvação. Basta que, nas opções da vida, optem pela prática que foi, de fato, a de Cristo. Agir como Cristo é a salvação. E é a isso que a pastoral deve conduzir.

 

Pe. Johan Konings, sj

 

Nascido na Bélgica, reside há muitos anos no Brasil, onde leciona desde 1972. É autor em teologia e mestre em Filosofia e em Filologia Bíblica pela Universidade Católica de
Lovaina. Atualmente é professor de Exegese Bíblica na FAJE, em Belo Horizonte. Dedica-se principalmente aos seguintes assuntos: Bíblia – Antigo e Novo Testamento (tradução), evangelhos (especialmente o de João) e hermenêutica bíblica. Entre outras obras, publicou: Descobrir a Bíblia a partir da liturgia; A Palavra se fez livro; Liturgia dominical: mistério de Cristo e formação dos fiéis – anos A-B-C; Ser cristão; Evangelho segundo João: amor e fidelidade; A Bíblia nas suas origens e hoje; Sinopse dos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas e da “Fonte Q”. E-mail: konings@faculdadejesuita.edu.br

 

https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/7-de-maio-4o-domingo-da-pascoa/

REFLEXÃO DOMINICAL III "UM ESTRANHO NO REDIL"

 

 

REFLEXÃO DOMINICAL III

"UM ESTRANHO NO REDIL"

Eu achava estranho esse evangelho do Bom Pastor no tempo pascal, parece que interrompem-se bruscamente  as narrativas das famosas aparições de Jesus Ressuscitado ao discípulos , tão cheias de mistério e encanto, para falar de um assunto que não tem nada a ver, mencionando palavras repetitivas como redil, porta, pastor, ovelhas....E alguns adjetivos como, estranho, ladrão, assaltante, que nos faz imediatamente pensar nos outros, naqueles que são de fora do rebanho, nos que hostilizam a Igreja e o Reino de Deus, são esses que devemos ter cuidado, mas não ! Jesus fala com os de “dentro”, ou seja, com a comunidade, e aqui precisamos tomar muito cuidado, para não nos julgarmos como membros exclusivos de um Rebanho de qualidade superior a todos os demais, os “queridinhos e prediletos” de Deus.

E uma boa chave de leitura aparece logo no início do evangelho: Jesus é a Porta!Para entrar no Redil, para fazer parte da comunidade da Igreja, só há uma porta: Jesus Cristo, é ele que no dia do nosso Batismo nos introduz na comunidade. Não posso ser  Cristão por razões ideológicas, ou para sentir-me bem com a minha consciência, vivendo em paz, sem preocupações nesta vida. Não posso tão pouco participar da comunidade e das celebrações apenas por preceito, pois existe aí o perigo dos nossos interesses falarem mais alto, conheci dois casos diferentes, em um deles, porque mudaram as músicas que vinham sendo cantadas, um instrumentista enfiou o violão no saco e saiu pisando duro, dizendo que nunca mais botaria os pés na igreja, e conheci um acordeonista, que ao contrário, começando a tocar em celebrações sertanejas, tornou-se um membro ativo da comunidade e tomou gosto pela vida em comunhão, ai está a grande diferença entre, ser freqüentador da comunidade, e ser um Seguidor de Jesus de Nazaré. Quem tornou-se cristão por causa de Jesus, após ter feito com ele uma experiência profunda de Vida em comunhão,  passou pela Porta, mas aqueles que são meros freqüentadores, e não fizeram ainda essa experiência querigmática com o Senhor, são os que pularam a janela, entraram as escondidas pelos fundos, e quando chega a crise, esses mercenários  são os primeiros a darem no pé, porque sentem que vão perder algo.

Mudam de igreja, de comunidade, de paróquia, de grupo, e nunca se encontram, há os que mudam até de família, passam a vida procurando a perfeição do cristianismo, e não encontrando acabam caindo no desânimo e frustração descobrindo mais tarde,  que quem tinha de mudar eram eles, e não as pessoas.

Quando nossos interesses falam mais alto que as coisas do Reino de Deus, nos tornamos estranhos no ninho, ladrões e assaltantes, porque roubamos o espaço e o tempo da assembléia, das pastorais e movimentos, só para vender nossa imagem fazendo o nosso marketing pessoal. Tornamo-nos estranhos ao rebanho porque a nossa conduta e procedimento, e o  jeito de pensar, não reflete de forma alguma o santo evangelho, a vida de comunhão ou a koinonia como diz o termo grego.

Ao contrário, quem passa pela Porta que é Jesus Cristo, torna-se também um pastor, aquele que cuida, mostra o caminho, socorre os fracos e feridos, que na comunidade são tantos, e se for preciso, carregam no colo as ovelhinhas que não podem caminhar, exatamente como faz esse Bom Pastor que é Jesus Cristo. As ovelhas o seguem, porque ouvem e conhecem sua voz, ou seja, a relação com ele é marcada por uma grande intimidade, de quem conhece a voz, isso é, a Palavra de Deus, e que por isso se torna um discípulo.

Claro que o evangelho desse 4º Domingo da Páscoa, fala forte no coração dos jovens despertando uma possível vocação, projetando esse pastoreio na Vocação Sacerdotal, mas é preciso essa compreensão mais ampla de que somos todos ovelhas e pastores, somos cuidados mas também somos cuidadores, em um amor co responsável, que vai ao encontro do outro porque  o aceita como irmão no Senhor Jesus.

E há na segunda leitura dessa liturgia, uma afirmação do apóstolo Pedro, que reforça essa comunhão de vida: Carregou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que , mortos aos nossos pecados vivamos para a Justiça.

Ser comunidade é carregar o outro em nossa vida, com todos os seus pecados e defeitos, fazer isso por puro amor, amor que aceita, que compreende, que perdoa sempre e é misericordioso, pois carregar o outro com seus carismas e perfeições, não requer nenhum sacrifício e é até agradável.A exemplo de Jesus, Nosso Deus e Senhor, sejamos todos pastores e que aprendamos a amar a todos, mesmo os “estranhos” do Redil, pois o amor poderá salvá-los, levando-os a uma experiência sincera com Jesus.

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  
jotacruz3051@gmail.com

 

http://www.npdbrasil.com.br/religiao/rel_hom_gotas0335.htm#msg01

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 60.º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

 

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA O 60.º DIA MUNDIAL DE ORAÇÃO PELAS VOCAÇÕES

 

 (30 de abril de 2023 – IV Domingo de Páscoa)

Vocação: graça e missão

Amados irmãos e irmãs, queridos jovens!

É a sexagésima vez que se celebra o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, instituído por São Paulo VI em 1964, durante o Concílio Ecuménico Vaticano II. Esta providencial iniciativa visa ajudar os membros do Povo de Deus a responder, pessoalmente e em comunidade, à chamada e à missão que o Senhor confia a cada um no mundo de hoje, com as suas feridas e as suas esperanças, os seus desafios e as suas conquistas.

Neste ano, proponho-vos refletir e rezar guiados pelo tema «Vocação: graça e missão». É uma preciosa ocasião para redescobrir, maravilhados, que a chamada do Senhor é graça, dom gratuito e, ao mesmo tempo, é empenho de partir, sair para levar o Evangelho. Somos chamados a uma fé testemunhada, que estreita fortemente o vínculo entre a vida da graça, através dos Sacramentos e da comunhão eclesial, e o apostolado no mundo. Animado pelo Espírito, o cristão deixa-se interpelar pelas periferias existenciais e é sensível aos dramas humanos, tendo sempre bem presente que a missão é obra de Deus e não a realizamos sozinhos, mas em comunhão eclesial, juntamente com os irmãos e irmãs, guiados pelos Pastores. Pois este sempre foi o sonho de Deus: vivermos com Ele em comunhão de amor.

Escolhidos antes da criação do mundo

O apóstolo Paulo abre-nos de par em par um horizonte maravilhoso: Deus Pai «escolheu-nos em Cristo antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis na sua presença, no amor. Predestinou-nos para sermos adotados como seus filhos por meio de Jesus Cristo, de acordo com o beneplácito da sua vontade» (Ef 1, 4-5). São palavras que nos permitem ver a vida no seu sentido pleno: Deus «concebe-nos» à sua imagem e semelhança e quer-nos seus filhos: fomos criados pelo Amor, por amor e com amor, e somos feitos para amar.

No decurso da nossa vida, esta chamada, inscrita nas fibras do nosso ser e portadora do segredo da felicidade, alcança-nos, pela ação do Espírito Santo, de maneira sempre nova, ilumina a nossa inteligência, infunde vigor na vontade, enche-nos de admiração e faz arder o nosso coração. Às vezes irrompe até de forma inesperada. Assim aconteceu comigo em 21 de setembro de 1953, quando, a caminho da festa anual do estudante, senti o impulso de entrar na igreja e me confessar. Aquele dia mudou a minha vida, dando-lhe uma fisionomia que dura até hoje. Mas a chamada divina ao dom de nós mesmos abre estrada gradualmente, através dum caminho: em contacto com uma situação de pobreza, num momento de oração, graças a um claro testemunho do Evangelho, a uma leitura que nos abre a mente, quando ouvimos uma Palavra de Deus e a sentimos dirigida precisamente a nós, no conselho dum irmão ou uma irmã que nos acompanha, num período de doença ou de luto… A fantasia de Deus que nos chama é infinita.

E a sua iniciativa e dom gratuito esperam a nossa resposta. A vocação é uma «combinação entre a escolha divina e a liberdade humana», [1] uma relação dinâmica e estimulante que tem como interlocutores Deus e o coração humano. Assim, o dom da vocação é como uma semente divina que germina no terreno da nossa vida, abre-nos a Deus e abre-nos aos outros para partilhar com eles o tesouro encontrado. Esta é a estrutura fundamental daquilo que entendemos por vocação: Deus chama amando, e nós, agradecidos, respondemos amando. Descobrimo-nos como filhos e filhas amados pelo mesmo Pai, e reconhecemo-nos como irmãos e irmãs entre nós. Santa Teresa do Menino Jesus, quando «viu» com clareza esta realidade, exclamou: «Encontrei finalmente a minha vocação! A minha vocação é o amor! Sim, encontrei o meu lugar na Igreja (…): no coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor». [2]

Eu sou uma missão nesta terra

Como dissemos, a chamada de Deus inclui o envio. Não há vocação sem missão. E não há felicidade e plena autorrealização sem oferecer aos outros a vida nova que encontramos. A chamada divina ao amor é uma experiência que não se pode calar. «Ai de mim, se eu não evangelizar!»: exclamava São Paulo (1 Cor 9, 16). E a I Carta de João começa assim: «O que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram relativamente ao Verbo da Vida [feito carne] (…), isso vos anunciamos (…) para que a nossa alegria seja completa» (1, 1.3.4).

Há cinco anos, na exortação apostólica Gaudete et exsultate, dizia eu a cada batizado e batizada: «Também tu precisas de conceber a totalidade da tua vida como uma missão» (n. 23). Sim, porque cada um de nós, sem exceção, pode dizer: «Eu sou uma missão nesta terra e para isso estou neste mundo» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 273).

A missão comum a todos nós, cristãos, é testemunhar com alegria, em cada situação, por atitudes e palavras, aquilo que experimentamos estando com Jesus e na sua comunidade, que é a Igreja. E traduz-se em obras de misericórdia materiais e espirituais, num estilo de vida acolhedor e sereno, capaz de proximidade, compaixão e ternura, em contracorrente à cultura do descarte e da indiferença. Fazer-nos próximo como o bom samaritano (cf. Lc 10, 25-37) permite-nos compreender o «núcleo» da vocação cristã: imitar Jesus Cristo que veio para servir e não para ser servido (cf. Mc 10, 45).

Esta ação missionária não nasce simplesmente das nossas capacidades, intenções ou projetos, nem da nossa vontade nem mesmo do nosso esforço de praticar as virtudes, mas duma profunda experiência com Jesus. Só assim podemos tornar-nos testemunhas de Alguém, duma Vida; e é isso que nos torna «apóstolos». Reconhecemo-nos então «como que marcados a fogo por esta missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 273).

Temos um ícone evangélico desta experiência nos dois discípulos de Emaús. Estes, depois do encontro com Jesus ressuscitado, confidenciavam um ao outro: «Não nos ardia o coração, quando Ele nos falava pelo caminho e nos explicava as Escrituras?» ( Lc 24, 32). Podemos ver neles o que significa ter «corações ardentes e pés ao caminho». [3] É o que desejo também para a próxima Jornada Mundial da Juventude em Lisboa, que aguardo com alegria e que tem como lema: «Maria levantou-se e partiu apressadamente» ( Lc 1, 39). Que cada um e cada uma se sinta chamado a levantar-se e partir apressadamente, com coração ardente!

Chamados juntos: convocados

O evangelista Marcos narra o momento em que Jesus chamou para junto d’Ele doze discípulos, cada um pelo próprio nome. Estabeleceu-os para estarem com Ele e os enviar a pregar, curar as doenças e expulsar os demónios (cf. Mc 3, 13-15). Assim o Senhor lança as bases da sua nova Comunidade. Os Doze eram pessoas de ambientes sociais e profissões diferentes, não pertencentes às categorias mais importantes. Os Evangelhos referem ainda outras chamadas, como a dos setenta e dois discípulos que Jesus envia dois a dois (cf. Lc 10, 1).

O termo Igreja deriva precisamente de Ekklesía, palavra grega que significa assembleia de pessoas chamadas, convocadas, para formar a comunidade dos discípulos e discípulas missionários de Jesus Cristo, comprometendo-se a viver entre si o seu amor (cf. Jo 13, 34; 15, 12) e a espalhá-lo no meio de todos, para que venha o Reino de Deus.

Na Igreja, somos todos servos e servas, segundo diversas vocações, carismas e ministérios. A vocação ao dom de si próprio no amor, comum a todos, desenvolve-se e concretiza-se na vida dos cristãos leigos e leigas, empenhados a construir a família como uma pequena igreja doméstica e a renovar os diversos ambientes da sociedade com o fermento do Evangelho; no testemunho das consagradas e consagrados, entregues totalmente a Deus pelos irmãos e irmãs como profecia do Reino de Deus; nos ministros ordenados (diáconos, presbíteros, bispos) colocados ao serviço da Palavra, da oração e da comunhão do Povo santo de Deus. Só na relação com todas as outras é que cada vocação específica na Igreja se revela plenamente com a sua própria verdade e riqueza. Neste sentido, a Igreja é uma sinfonia vocacional, com todas as vocações unidas e distintas em harmonia e juntas «em saída» para irradiar no mundo a vida nova do Reino de Deus.

Graça e missão: dom e tarefa

Amados irmãos e irmãs, a vocação é dom e tarefa, fonte de vida nova e de verdadeira alegria. Que as iniciativas de oração e animação pastoral ligadas a este Dia reforcem a sensibilidade vocacional nas nossas famílias, nas paróquias, nas comunidades de vida consagrada, nas associações e nos movimentos eclesiais. Que o Espírito do Ressuscitado nos faça sair da apatia e nos dê simpatia e empatia, para vivermos cada dia regenerados como filhos de Deus-Amor (cf. 1 Jo 4, 16) e sermos, por nossa vez, geradores no amor: capazes de levar a vida a todos os lugares, especialmente onde há exclusão e exploração, indigência e morte. Que deste modo se alarguem os espaços de amor [4] e Deus reine cada vez mais neste mundo.

Acompanhe-nos neste caminho a oração composta por São Paulo VI para o 1º Dia Mundial das Vocações (11 de abril de 1964):

«Ó Jesus, divino Pastor das almas, que chamastes os Apóstolos para fazer deles pescadores de homens, continuai a atrair para Vós almas ardentes e generosas de jovens, a fim de fazer deles vossos seguidores e vossos ministros; tornai-os participantes da vossa sede de redenção universal, (…) abri-lhes os horizontes do mundo inteiro, (…) para que, respondendo à vossa chamada, prolonguem aqui na terra a vossa missão, edifiquem o vosso Corpo místico, que é a Igreja, e sejam “sal da terra”, “luz do mundo” (Mt 5, 13)».

Que a Virgem Maria vos acompanhe e proteja. Com a minha bênção.

Roma, São João de Latrão, no IV Domingo de Páscoa, 30 de abril de 2023.

Francisco

[1] Sínodo dos Bispos – XV Assembleia Geral Ordinária (2018), Documento final Os jovens, a fé e o discernimento vocacional, n. 78.

[2] Manuscrito B, redigido durante o seu último Retiro (setembro de 1896): Opere complete (Roma 1997), 223.

[3] Francisco, Mensagem para o 97º Dia Mundial das Missões (6 de janeiro de 2023).

[4] « Dilatentur spatia caritatis»: Santo Agostinho, Sermão 69: PL 5, 440.441.

Três regras fundamentais para os leitores da missa

 

 

Três regras fundamentais para os leitores da missa

Por: Gelsomino del Guercio - Portal Aleteia
Fonte: 
http://pt.aleteia.org/2015/03/05/3-regras-fundamentais-para-os-leitores-da-missa/

 

A Palavra de Deus na celebração litúrgica deve ser proclamada com simplicidade e autenticidade. O leitor, em resumo, deve ser ele mesmo e proclamar a Palavra sem artifícios inúteis. De fato, uma regra importante para a própria dignidade da liturgia é a da verdade do sinal, que afeta tudo: os ministros, os símbolos, os gestos, os ornamentos e o ambiente".
 
Também é preciso solicitar a formação do leitor, que se estende a 3 aspectos fundamentais:
 
1. A formação bíblico-litúrgica


O leitor deve ter pelo menos um conhecimento mínimo da Bíblia: estrutura, composição, número e nome dos livros do Antigo e Novo Testamentos, seus principais gêneros literários (histórico, poético, profético, sapiencial etc.). Quem vai ler na missa precisa saber o que vai fazer e que tipo de texto vai proclamar.
 
Além disso, precisa ter uma preparação litúrgica suficiente, distinguindo os ritos e suas partes, e sabendo o significado do próprio papel ministerial no contexto da Liturgia da Palavra. Ao leitor corresponde não só a proclamação das leituras bíblicas, mas também a das intenções da oração dos fiéis e outras partes que lhe são designadas nos diversos ritos litúrgicos.

 
2. A preparação técnica


O leitor deve saber como chegar ao ambão e posicionar-se nele, como usar o microfone e o lecionário, como pronunciar os diversos nomes e termos bíblicos, de que maneira proclamar os textos, evitando uma leitura apagada ou enfática demais.
 
Precisa ter clara consciência de que exerce um ministério público diante da assembleia litúrgica: sua proclamação, portanto, deve ser ouvida por todos. o "Verbum Domini" com o qual termina cada leitura não é uma constatação ("Esta é a Palavra do Senhor"), mas uma aclamação repleta de assombro, que deve despertar a resposta agradecida de toda a assembleia, o "Deo gratias": "Graças a Deus".


3. A formação espiritual


A Igreja não contrata atores externos para anunciar a Palavra de Deus, mas confia este ministério aos seus fiéis, porque todo serviço à Igreja deve proceder da fé e alimentá-la. O leitor, portanto, precisa procurar cuidar da vida interior da Graça e dispor-se com espírito de oração e olhar de fé.
 
Esta dimensão edifica o povo cristão, que vê no leitor uma testemunha da Palavra que proclama. Esta, ainda que seja eficaz em si mesma, adquire também, da santidade de quem a transmite, um esplendor singular e um ministério atrativo.


 
Do cuidado da própria vida interior do leitor, além do bom senso, dependem também a propriedade dos seus gestos, do seu olhar, do seu vestir e do penteado. É evidente que o ministério do leitor implica uma vida pública conforme os mandamentos de Deus e as leis da Igreja.


Ler na missa é uma honra, não um direito


Esta tripla preparação deveria constituir uma iniciação prévia à assunção dos leitores, mas depois deveria continuar sendo permanente, para que os costumes não se percam. Isso vale para os ministros de qualquer grau e ordem.
 
É muito útil para o próprio leitor e para a comunidade que todo leitor tenha a coragem de verificar se ele tem todas estas qualidades e, caso elas diminuam, saber renunciar a esta função com honradez.
 
Realizar este ministério é certamente uma honra, e na Igreja isso sempre se considerou assim. Não é um direito, mas um serviço em prol da assembleia litúrgica, que não pode ser exercido sem as devidas habilitações, pela honra de Deus, pelo respeito ao seu povo e pela própria eficácia da liturgia.

https://www.jesusbompastor.org.br/index.php/14-tema-de-estudos/131-tres-regras-fundamentais-para-os-leitores-da-missa

PARTILHANDO A PALAVRA DO QUARTO DOMINGO DA PÁSCOA

 

PARTILHANDO A PALAVRA DO QUARTO DOMINGO DA PÁSCOA

- Israel conhecia muito bem a figura do pastor de ovelhas. Essa imagem foi por muito tempo associada às relações com Deus. Os chefes do povo deveriam ser fiéis ao único pastor, no entanto, os interesses egoístas por muitas vezes os levavam a trair o povo e depredar o rebanho.

- Jesus se apresenta como o Pastor, segundo a vontade de Deus. Os que depredaram o povo são ladrões e assaltantes. Ele entra pela porta, porque é o enviado de Deus para conduzir o seu rebanho rumo às verdes pastagens (Sl 22), e Ele também é a Porta, porque é o mediador, isto é, somente por Ele temos acesso ao Pai e ao Reino. Cristo abre para nós essa porta por meio de sua morte e ressurreição.

 - Constituído por Deus Senhor e Cristo, conforme o discurso de Pedro, Jesus, como Pastor, é o guia das ovelhas. Ele conhece bem as suas ovelhas, porque Ele próprio é o "Cordeiro de Deus", que carregou em seu corpo os nossos pecados (2ª Leitura). Ele nos conduz com a autoridade de quem nos ama e deu a sua vida por nós. E o faz por meio de sua Palavra, isto é, ao escutarmos a sua voz, que reconhecemos como a voz do Pastor. Ele caminha à nossa frente e nós seguimos os seus passos, pelo exemplo que Ele nos deixou.

- Em nossos dias, a voz do Pastor se faz ouvir na voz dos pastores que Ele estabeleceu por seu chamado para guiar o seu povo. No texto dos Atos dos Apóstolos, Pedro discursa para a multidão do povo de Israel, cheio do Espírito Santo. O povo se constrange com a pregação de Pedro, pois reconhece em sua voz, a voz do Pastor. Por isso lhe pede um direcionamento: "O que devemos fazer?" E Pedro os guia ao encontro do Senhor: "Convertei-vos e cada um de vós seja batizado".

- A voz do Pastor será reconhecida pelas ovelhas, quando os pastores do povo de Deus os conduzirem ao encontro do Senhor, quando os convidarem a seguir os seus passos, dando-lhes a consciência de que esse caminho está repleto de desafios, mas que deve ser atravessado com a mesma confiança com que canta o salmista: "Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso, nenhum mal eu temerei; estais comigo com o bastão e com o cajado; eles me dão a segurança".

 - Quem são os pastores? O Papa é o pastor supremo. Ele é o centro de unidade e coesão da Igreja. O Bispo é o pastor da Igreja local, sinal da unidade de sua Igreja, mestre e pai da família diocesana. Os párocos e os outros sacerdotes são pastores dedicados ao seu povo na Paróquia, a quem servem com amor, respeito e dedicação exclusiva. Em nossas Comunidades, as figuras das lideranças, dos coordenadores de Comunidade, de pastorais, movimentos e serviços assumem, de certa maneira, um papel de pastoreio, isto é, de liderar e de guiar o povo ao encontro de Jesus. A autoridade que os pastores receberam na Igreja é um sinal do governo do Senhor. Não é uma autoridade absoluta, mas está em relação com o Cristo Ressuscitado. A obediência dos cristãos aos seus pastores também não são uma subordinação, mas a obediência da fé, que se oferece ao Senhor, reconhecido nas pessoas que pastoreiam a Igreja.

- Quanto ao rebanho do povo de Deus, não devem apenas ser exigentes com seus pastores, mas também sentir e manifestar-lhes o profundo amor, impregnado de franqueza, caridade e obediência, como se dedicassem ao próprio Cristo. Esta é a coesão sonhada por Jesus: "As ovelhas escutam a minha voz (na voz dos pastores), eu as conheço (um pastor conhece bem o seu povo) e elas me seguem (obediência da fé)

http://diocesedesaomateus.org.br/wp-content/uploads/2023/02/30_04_23.pdf

"APRENDENDO A LIDAR COM OS SENTIMENTOS E AS EMOÇÕES: NOSSO MELHOR E MAIS EFICAZ RECURSO TERAPÊUTICO"

 

"APRENDENDO A LIDAR COM OS SENTIMENTOS E AS EMOÇÕES: NOSSO MELHOR E MAIS EFICAZ RECURSO TERAPÊUTICO"

Por Lindolivo Soares Moura(*)

   "...a reconciliação com nossas feridas passa, primeiro,  pela fase de admitir a  dor e  a raiva diante das pessoas  que  nos machucaram" [Anselm Grün].

 

A ciência psicológica nos ensina que vivenciar e poder externalizar nossos sentimentos e emoções - dá -se a isso o nome de "catarse" - não apenas se constitui num recurso terapêutico poderoso, como deve ser tido como algo natural e saudável a fazer parte do nosso cotidiano e do nosso "modus vivendi". Essa percepção, para muitos, interpretada como uma espécie de "carta branca" ou princípio do "laissez faire", não nos isenta da responsabilidade de "educá-los" e aprimorá-los continuamente, ao longo do nosso processo de convivência e  interação junto aos demais. Nesse sentido, Francis Seeburger afirma que educar uma emoção é aprender a usar a emoção certa, na intensidade certa, no momento certo, no lugar certo, com a pessoa certa, e que a ausência de um só desses quesitos pode comprometer tanto a comunicação quanto as boas intenções que estejam em jogo. Por outro lado, encontra-se à nossa disposição toda uma vasta literatura de auto-ajuda cada vez mais aprimorada e disposta a nos socorrer nessa tarefa.

Entretanto, é  preciso ter presente que "educar" uma emoção ou um sentimento pressupõe não apenas um juízo de valor prévio e consensual sobre os mesmos, como também uma espécie de "comportamento padrão" quanto à maneira tida como mais correta e adequada de se lidar com eles. De um modo geral ambas as questões costumam ser resolvidas de forma bastante simplificada, classificando-se as emoções e os sentimentos como "positivos" e "negativos". Para com os primeiros, sugere-se uma vivência tão completa e intensa quanto possível, para com os segundos, distanciar-se deles tão longínqua e rapidamente  quanto o diabo foge da cruz. A simplificação em si não nos parece ser um problema que requeira análise e apreciação crítica, já o mesmo não ocorrendo com as "categorias" utilizadas para essa classificação. Sendo mais claro: classificar as emoções e os sentimentos humanos como "positivos" e "negativos" parece-nos uma atitude simplista e de cunho acentuadamente ideológico, que do ponto de vista  terapêutico e da saúde mental pouco ou nada tem de funcional, além de contribuir para aumentar ainda mais certo "mal estar na cultura e na civilização" já denunciado pelo pai da psicanálise. Qualquer recusa em admitir esse fato equivale ao nosso ver a uma postura de radicalismo, intransigência e dogmatismo.

Que o ser humano não seja, dentre os diversos seres vivos que habitam o planeta, o único ser "senciente" - isto é, em condições de ser "afetado" e "responder" aos estímulos emocionais diversos que experimenta - este é um fato sobre o qual os últimos estudos e pesquisas têm se debruçado e chamado nossa atenção. Seja porque tal pressuposição possa não parecer tão óbvia para muitos, seja pela pouca  importância que atribuímos ao fato. Há bastante tempo o renomado e controvertido cientista Peter Singer vem insistindo na afirmação de que todos os seres vivos são seres "sencientes", e que em razão disso devem gozar do direito à vida tanto quanto qualquer ser humano, sem que possam ser sacrificados em favor da nossa sobrevivência. Segundo ele, tal direito seria uma espécie de corolário do "princípio da igualdade",  princípio este a ser também ele estendido a todos os seres vivos e sencientes. Exagero ou não, o certo é que o modo de sentir humano difere essencialmente do modo de sentir de qualquer outro ser vivo, em razão da "autoconsciência"  - e não apenas da "senciência" - que trazemos conosco, uma ferramenta reconhecidamente específica e diferenciada de nossa espécie, ao menos no que tange ao "grau", já que para certos estudiosos tampouco a inteligência seria prerrogativa exclusiva da espécie humana. É justamente ela, a autoconsciência, que nos permite analisar, avaliar e emitir juízo crítico e de valor tanto sobre nossas escolhas e atos, como também sobre nossos sentimentos, paixões e emoções.

Mas com base em que critério podemos afirmar que um determinado sentimento ou uma determinada emoção são bons ou ruins, positivos ou negativos? E quando pontos de vista divergem em decorrência da natureza distinta dos saberes sobre os quais se assentam, por quais critérios devemos continuar nos orientando e nos deixando guiar em nossa apreciação crítica? Um ministro religioso certamente proferirá um discurso diferente sobre a raiva e o ódio, daquele que brota das convicções de um profissional psicólogo ou orientador filosófico. Ocorre que no primeiro caso tem-se quase sempre em mente o perdão e a reconciliação, e ainda que no segundo também se possa perseguir esse mesmo fim, provavelmente as falas divergirão significativamente uma da outra, tanto em razão dos princípios e convicções próprios de cada um, como também das orientações que emanam da ética que sustenta suas respectivas profissões. Curiosamente, é de um monge cristão, Anselm Grün, a seguinte afirmação: "...a reconciliação com nossas feridas passa, primeiro, pela fase de admitir a dor e a raiva diante daqueles que nos machucaram. O perdão está no fim da raiva, não no seu início. [...]. Precisamos criar, primeiro, uma distância em relação ao causador do ferimento, para só então podermos enfrentá-lo face a face".

Pensamentos, sentimentos e emoções não são da mesma natureza que nossos atos, atitudes e comportamento, e tampouco permitem ser avaliados e classificados com categorias idênticas. De uma lei ou norma de natureza jurídica não se diz que é "verdadeira" ou "falsa", e sim, que é "válida" ou "inválida", como bem o demonstrou Hans Kelsen. Qualquer outra apreciação ou juízo de valor, que de um tal tipo de lei ou norma se faça, não decorrerá de uma apreciação da lei ou da norma "em si", mas certamente de sua eficácia, utilidade, conveniência ou viabilidade. Da mesma forma, pensamentos, sentimentos e emoções não são bons ou ruins, positivos ou negativos "em si mesmos", e o mero fato de se senti-los ou experimentá-los não pode e menos ainda autoriza que sejam classificados como algo ruim, negativo, imoral ou pecaminoso, qualquer que seja a área ou esfera do conhecimento que esteja em jogo na emissão desse juízo. Complica e muito, o fato de uma pessoa receber orientação ou aconselhamento de um profissional psicólogo ou orientador filosófico, de acordo com os parâmetros mencionados, e posteriormente ser instruída com ensinamentos doutrinários não só divergentes, como por vezes  diametralmente opostos, vindos do púlpito de uma Igreja, do altar de uma sinagoga ou mesquita, ou de um líder espiritual por ela reconhecido e validado como autoridade representante e mediadora do sagrado. Contribuir para a educação  e a formação das pessoas é sem dúvida algo meritório e digno de apreço, mas requer-se para isso muito mais que bom propósito, boa fé e boa intenção. Os mestres orientais costumam ser bem mais exigentes para com seus neófitos e eventuais futuros mestres, que os formadores e mestres ocidentais. Períodos de formação costumam vir acompanhados de intensos e exigentes estágios de "provação". Da mesma forma, testes cognitivos de natureza científica são considerados importantes, sem dúvida, mas costumam ocupar um degrau bem abaixo na tabela que avalia aptidão, dignidade, idoneidade e confiabilidade dos postulantes a esse tipo peculiar de "magistério".

Retomando o foco de nossa reflexão, pergunto-me por quais razões nós ocidentais somos tão temerosos e desconfiados dos sentimentos, das emoções e das paixões humanas, em geral, e da corporeidade e da sexualidade, em particular. Não consigo encontrar melhor explicação para isso, senão o fato de que somos herdeiros, "em primeiríssimo grau", de um dualismo platônico acentuadamente exacerbado entre corpo e alma, posteriormente repassado ao cristianismo por intermédio sobretudo de Santo Agostinho,  e de uma "tentativa" aristotélica de reaproximação que ao fim e ao cabo tampouco resultou exitosa, em razão sobretudo de sua "lógica" se revelar excessivamente rígida e formal em seu papel e função de "defesa da verdade". A tríade de princípios "identidade", "não-contradição e "terceiro excluído" notoriamente não favorece muito o diálogo e a dialética, menos ainda o chamado "contraditório". "O "cristianismo cristão", como diria Nietzsche, e não exatamente o "cristianismo autêntico" - que segundo ele teria morrido na cruz -  sem dúvida se deixou seduzir prevalentemente pelo primeiro e apenas num segundo plano pelo segundo, em razão das vantagens e dos "benefícios" específicos que cada um deles lhe proporcionava: o primeiro, quanto ao conteúdo, o segundo, quanto à forma. Mas as consequências dessa aproximação, sobretudo no tocante às relações entre corpo e alma, e a valoração de nossos sentimentos, paixões e emoções, nós as continuamos experimentando ainda hoje. De resto, tanto para o cristianismo dos primórdios quanto para o cristianismo contemporâneo, corpo e alma - ou corpo e espírito como se preferir -  definitivamente não parecem vir se comportando como bons "companheiros de viagem", nessa espécie de incursão -  "excursão", nem pensar! - que o espírito vem empreendendo pelo planeta há alguns milhões de anos. Essa contribuição dualística platônico-agostiniana talvez seja um bom motivo a se incorporar àqueles que levam certos teólogos e exegetas a afirmar que "se São Paulo pode ser considerado o grande teólogo do cristianismo, Santo Agostinho não permitiu que fosse o único". Apenas causa certa estranheza o fato de que São Tomás de Aquino não tenha sido incluído nessa "declaração de fé", já que ambos, "pari pari", mas sem comparativo para com os demais, são citados centenas de vezes no último Concílio Ecumênico da Igreja, o Vaticano II.

Fica também fora de dúvida o fato de que uma visão dualística, como forma de explicar a interação e as relações e entre corpo e espírito, encontrará sempre sérias dificuldades em valorar positiva e afirmativamente os sentimentos, as emoções e as paixões humanas, e isso é o que aqui mais nos interessa.  Equações que resultam dessa visão ou concepção, estabelecem que o corpo está para o espírito na mesma proporção em que o mal está para o bem, o errado está para o certo, o negativo está para o positivo e....claro, o pecado está para a graça. Assim, em estreita analogia para com o arquetípico "pecado original", é  possível que nos encontremos aqui diante da "razão original" em virtude da qual os sentimentos e as emoções humanas são e provavelmente continuarão, por largo tempo, sendo classificados de acordo com as categorias dualísticas do "negativo versus positivo". Nenhum espaço para o que, de forma alternativa, Nietzsche chamaria de "para além do bem e do mal". A lógica do "terceiro excluído" também aqui se impõe. Qualquer proposta de se lidar com os sentimentos e as emoções humanas, portanto, que não se enquadre no arcabouço dessa milenar concepção filosófico-teológica, corre o sério risco de ser considerada uma verdadeira aberração em forma de contradição, e sofrerá certamente forte resistência quanto à sua aceitação. Em tempos não tão distantes, a re[tali]ação certamente iria muito além dessa mera postura de resistência. Ainda assim, parafraseando um certo "Che", "hay que insistir siempre, sin perder la esperanza jamás".

A forma como a cultura, a tradição, e sobretudo certas religiões e modalidades de espiritualidade, têm nos ensinado e orientado a lidar com nossos  sentimentos e nossas emoções - incluindo nesse bojo, nossos "pensamentos" -  tem sido francamente inadequada e ineficaz, para não dizer desastrosa, do ponto de vista terapêutico e da saúde mental. Provérbios e ditos populares do tipo "homem que é homem não chora", "quem não chora não mama", "roupa suja se lava em casa", são apenas alguns exemplos arraigados tanto no senso comum, como em meio à cultura tida como "nobre" e erudita. Tomemos apenas o último exemplo citado para fins de uma rápida consideração. Se o ambiente familiar fosse o mais favorável para a resolução de problemas conjugais e familiares, os consultórios e clínicas não estariam sendo tão requisitados, e os "confessionários" tão assiduamente frequentados, como de fato tem ocorrido ultimamente. Isso, sem se levar em conta que para muitos - quase sempre os que realmente mais necessitam - acompanhamento psicológico e psiquiátrico é coisa para maluco e gente ruim da cabeça. E o que mais chama a atenção é que essa mentalidade percorre mais as classes instruídas e teoricamente de boa formação, que aquelas menos providas de tais recursos. Por outro lado, nada parece mais difícil de ser rematrizado ou  ressignificado que certos conceitos oriundos do jargão teológico-homilético de certas religiões e  modalidades de  espiritualidade. "Culpa", "pecado" - "capital", "mortal",  precisava tanta gravidade? -  "inferno", purgatório, "condenação" - precisava ser  "eterna"? - são apenas alguns exemplos que podem levar uma mente ao delírio e uma consciência literalmente "ao surto", tamanho o comprometimento e o desequilíbrio que são potencialmente capazes de provocar.

Muitas das chamadas "noites escuras e tenebrosas" da alma - não necessariamente todas, é claro -  assim como as "áridas e torturantes" experiências vivenciadas por grandes ascetas, religiosos e místicos, não passaram certamente de experiências de muita dor e de muito sofrimento psico-físico, decorrentes do esforço "sobrehumano" em enfrentar e tentar barrar as incursões de forças de natureza sexual e libidinal, tidas como demoníacas  e ameaçadoras da  castidade, da vocação e da virtuosidade. De nenhum modo estamos subestimando e menos ainda descartando uma eventual presença do mal e de "suas forças" a irromper em meio à vastidão das experiências humanas. Terapias auto-suficientes e auto-realizadoras podem sem dúvida representar uma sutil forma de narcisismo e até de "idolatria", como adverte Sandro Spinsanti em sua introdução à obra "Jesus Psicoterapeuta", de Hanna Wolff. O outro lado perverso dessa mesma moeda, entretanto, consiste em continuar alimentando e perpetuando as neuroses produzidas por um tipo de religiosidade e de espiritualidade que acabam afastando as pessoas da fonte sadia e saudável de sua experiência afetivo-emocional, notadamente no tocante à vivência de seus sentimentos e de suas emoções. Às experiências e forças de tal tipo, Deepak Chopra as classifica como verdadeiros "assassinos da mente". Se esse conceito e essa expressão são ou não adequados, pode-se abrir discussão, mas o certo é que psicólogos, terapeutas e orientadores filosóficos, assim como aconselhadores e ministros religiosos diversos, têm ultimamente procurado enfrentar questões do tipo de uma forma conjugada, cooperativa e diferenciada, sem se sentirem mutuamente ameaçados. Afinal, saúde psico-física, bem-estar, libertação e "salvação", são conceitos e dimensões do humano perfeitamente conciliáveis, bastando para isso que as mentes e as mentalidades se mantenham abertas e flexíveis. Afinal, "a mente que se abre para uma nova ideia - como afirmava Oliver Holmes - jamais retorna às suas antigas dimensões".

Classificar grande parte do repertório de nossos sentimentos e emoções como "negativos", pecaminosos" ou "imorais", simplesmente porque os experimentamos e nos permitimos vivenciá-los, não significa apenas navegar contra a correnteza ou remar contra a maré. As diversas ciências que prestam ajuda, dentre elas a própria psicologia, vão cada vez mais se dando conta de que a "sublimação", tantas vezes sugerida como alternativa de solução para sentimentos e emoções tidos como negativos e inadequados, continua válida mas pode não ser de fato a melhor delas. Isso porque, como ensina Anselm Grün, "integração é mais que sublimação. [...] A pessoa que integra em sua alma tudo o que descobre dentro de si é verdadeiramente íntegra. É pura e completa". Essa ressignificação a que vem submetido o conceito de "integridade", por Anselm Grün,  denuncia o quanto tratamos e lidamos de maneira equivocada com nossos sentimentos, nossos afetos e nossas emoções. Muito se fala da importância de se viver e elaborar o luto, a dor e a perda, como recurso terapêutico privilegiado, com vistas à sua superação e eventual cura. "Vivenciar", no sentido mencionado, não significa outra coisa senão "sentir", "experimentar", e não apenas "admitir" ou "aceitar" de forma resignada sua presença em nós. Tampouco significa simplesmente "sublimar", e menos ainda "negar" ou "exorcisar", pois em ambos os casos percebe-se implícito um juízo de valor negativo, reprovativo e ao fim e ao cabo condenatório. E é por aí que se instalam, na mente e no coração, os monstros da auto-culpabilidade, da automartirização e da auto-condenação. E todos sabemos que a forma de se lidar com essa "tríade", historicamente não foi e não tem sido a mais adequada e a mais eficaz. Alguns mosteiros e ordens religiosas conservam ainda, como parte de seu "patrimônio histórico cultural", exemplares de instrumentos, "disciplinas" e "suplícios" utilizados como tentativa última de aquietar e domesticar pensamentos, sentimentos, emoções e paixões, tidos como "contrários à natureza", porque libidinosos e pecaminosos. Tais instrumentos e "disciplinas" pouco ou nada diferem daqueles utilizados para com mentes rebeldes, criminosas, pessoas escravizadas, aprisionadas e outros "gêneros" mais. O problema é que quando se equivoca na "receita", quase sempre se equivoca no "modo de preparo" e sobretudo na exatidão do "ponto". Do que pouco se fala, pouco se sabe, mas é certo que alguns saíam de suas "celas", tão auto-castigados e auto-fustigados, que sequer passavam pelo socorro médico, indo direto para o cemitério - na linguagem mais  requintada da espiritualidade, "abrigo dos mortos". Difícil mesmo, em casos do tipo, era saber se se tratava de "provação divina" ou "tentação demoníaca". Como "in dubio, pro reo", o ônus  recaía quase sempre na conta do "pai da mentira", o enganador por natureza. É possível conjecturar que certas modalidades de "automutilação", nos tempos atuais, talvez não passem de uma "versão moderna" dessa forma exdrúxula de autopunição de tempos idos.

À guisa de conclusão: céus, infernos e purgatórios, assim como pecado, culpa e condenação, sempre fizeram parte, como "pratos prediletos" do cardápio de certo número de religiões e de certos tipos de espiritualidade. Poucas são aquelas que se guiam e se  fazem nortear por uma favorável e saudável integração entre corpo e mente, corpo e espírito, ou corpo e alma, como se prefira. Para Platão e sua vertente agostiniana, o corpo é cárcere e privação, às quais o cristianismo acrescentou  provação e tentação. O afirmado vale como "regra geral", é bom que se diga, visto que o cristianismo admite a possibilidade de uma ressurreição "gloriosa" e "transfigurada"  desse nosso "pobre corpo mortal"; jamais, entretanto, nos moldes da "corporeidade" e "mundanidade" com que somos constrangidos e de certa forma obrigados a assumir, enquanto percorremos nossa jornada por "esse vale de lágrimas". Apesar dessa "brecha ", tal visão e tal crença, independentemente de sua facticidade ou não - só o saberemos "post mortem", evidentemente - nos parecem ainda pobres e insuficientes, pois pouco contribui para uma autêntica experiência de integridade e de integração entre ambos, "já nesta e não apenas na outra vida", tal como sugere Anselm Grün. Tem ainda o condão de desembocar numa antropologia comprometida em uma de suas principais dimensões: aquela relacionada aos nossos afetos e à nossa afetividade, por onde permeiam nossos pensamentos , sentimentos, emoções e paixões, e outras tantas experiências da sensibilidade que nosso ser nos proporciona. Lamentavelmente a concepção de "pecado" arraigada sobretudo em certas tradições religiosas, tende a macular tudo que toca, numa ação exatamente oposta à do "menino do dedo verde", de Maurice Druon, que na visão otimista e paradisíaca do autor transforma em flores tudo que seu dedo toca e alcança. De um tal poder maculador atribuído ao pecado, era inevitável que Jesus e Maria fossem preservados. E se necessário era: "fiat!". Assim foi feito! Aos demais mortais, resta disponível a penitência, seja como atitude seja como sacramento, e a promessa de salvação final.

 

Sob esse aspecto, há que se convir que o assim chamado Antigo Testamento, pelos cristãos, curiosamente se revela "mais humano", mais compreensivo e mais compassivo com as emoções e os sentimentos humanos, do que o Novo. Não há,  e tampouco parece disso haver indícios, de que haja ali uma "classificação prévia" a ser aplicada aos pensamentos, sentimentos, emoções e paixões do Criador. Deus tanto se manifesta como um ser que ora ri, chora, é fiel, se compadece e eternece, como também em outros momentos se irrita, enraivece, enfurece,  experimenta decepção, frustração, ódio, vingança e tantos outros "modos de ser", "se manifestar" e "se revelar". O Jesus histórico talvez experimentasse tudo isso - pois não nos é dito que ele "experimentou e vivenciou 'em tudo' a condição humana"? - mas a teologia posterior, provavelmente mais preocupada consigo mesma que em ser fiel à historicidade, parece ter optado por preservá-lo desses sentimentos e dessas emoções "menos nobres", "demasiado  humanas", diria Nietzsche, provavelmente com o fito de que a divindade que trazia consigo não fosse "arranhada", "desgastada", e menos ainda "comprometida" por esse lado tido como nada virtuoso de nossa humana condição.

Rematrizar e ressignificar, até que se nos convença do contrário, é uma prerrogativa tipicamente humana. Anselm Grün é um exemplo notório dessa capacidade, que todavia exige flexibilidade de espírito e sobretudo boa dose de coragem, tendo-se presente que  vivemos em um mundo em que tudo "flui" numa velocidade e profundidade que deixariam Heráclito realizado, por ver corroborada sua teoria, mas também desconcertado, por certamente jamais haver imaginado que seria num ritmo tão profundo e tão acelerado. "Desafiar" essa postura dicotômica "platônico-agostiniana" entre corpo e alma, que se mantém viva através de certa filosofia e de certas religiões e certas formas de espiritualidade, assim como ressignificar a maneira de conceber e lidar com nossos sentimentos e emoções, é desafio e tarefa para poucos. Afirmar, como faz Grüm, que "não apenas temos um corpo, somos corpo" e que precisamos aprender a descobrir nosso corpo "como o parceiro mais importante em nosso caminho espiritual", e que "quando queremos nos abrir para Deus, precisamos começar com o corpo", pode parecer sem dúvida pouco "palatável" e difícil de ser digerido para muitas mentes. Mas quando quem nos sugere pensar, sentir e agir a partir dessa "nova ordem" de crenças, concepções e percepções, não é um cientista, um filósofo ou um profissional psicólogo, mas um religioso e monge conhecido e reconhecido em quase todo o mundo, esse convite vem carregado de um significado particularmente especial. A isso se pode sem dúvida chamar de "crescimento espiritual", em cujo ápice se dá o despertar máximo e pleno de nossa consciência. Toda verdadeira e autêntica libertação talvez comece por aqui, e se essa libertação será coroada com o que se soe chamar de "salvação", por que não? - bem-vinda seja!

(*) Reflexão enviada de Vitória(ES) via whatsapp.