sábado, 3 de janeiro de 2026




s://youtu.be/pfUusotxMUw?si=dKpbTfAF_hTdb-1l

DOMINGO,  04 DE JANEIRO DE 2026 

 (Ano A/Branco) Solenidade da Epifania do Senhor

PELA ESTRELA, AO MENINO VIMOS ADORAR!

 

NA IGREJA, CRISTO SE REVELA A TODOS OS POVOS

 

SEJA BEM-VINDO!

DOMINGO, 04 DE JANEIRO DE 2026

1-    SEJA BEM-VINDO AO SB SABENDO BEM DE 04/01/2026

Irmãos e irmãs, sejam todos bem-vindos! Com alegria nos reunimos para celebrar nossa fé no Deus da Vida, que se manifesta a todos os povos. Uma luz brilhou! Jesus foi revelado,

A Epifania do Senhor é a convocação que Deus faz a todos os povos e raças para se encontrarem e tornarem o mundo mais humano e fraterno. É a revelação do amor de Deus que deseja salvar a todos. Em Jesus essa proposta toma forma e a pequena criança é o grande sinal de esperança. Esta Liturgia expressa o mistério do Messias prometido, Filho de Deus e Salvador do mundo. Deus se manifestou na história humana para restaurar e completar o seu projeto de salvação.

Irmãos e irmãs, nós celebramos hoje a manifestação do Senhor Jesus a toda a humanidade, representada pelos magos provenientes de terras distantes. Eles se- guiram a luz da estrela, que os guiou até Belém, onde encontraram o Menino Deus e ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra. Nesta celebração, contemplando a manifestação da glória divina, adoremos e ofereçamos a Deus os nossos dons, juntamente com todos aqueles que o buscam de coração sincero

SB SABENDO BEM INFORMA

Caro(a) Leitor(a) amigo(a):

O meu abraço fraterno e um ótimo 2026 a todos!

ACESSE SEMPRE O BLOG: sbsabendobem.blogspot.com e divulgue aos seus amigos, conhecidos e contatos nas redes sociais. Comente, faça sugestões. Agradeço!

Escreva para: sbsabendobem@gmail.com



Janeiro Branco e conscientização sobre a saúde mental

O propósito é abrir novas possibilidades para tratamentos nos aspectos emocionais e mentais da nossa vida.

Assim como o Outubro Rosa conscientiza sobre a importância do combate ao câncer de mama e o Novembro Azul sobre a saúde do homem, o Janeiro Branco é dedicado à conscientização dos cuidados com a nossa saúde mental.

Além de quebrar tabus e mostrar a importância de estar em dia com nosso cérebro, a campanha, criada por psicólogos brasileiros em 2014, tem como propósito abrir novas possibilidades para tratamentos nos aspectos emocionais e mentais da nossa vida.

Janeiro Branco: o que é?

 

O mês de janeiro foi escolhido por simbolizar culturalmente um período de renovação de esperanças e de novos projetos de vida, já que em todo fim de ano avaliamos o que passamos e planejamos o que está por vir.

A campanha Janeiro Branco propõe o debate e a elaboração de ações em benefício de nosso bem-estar, com a pretensão de difundir um conceito ampliado de saúde mental e saúde emocional, como um estado de equilíbrio.

https://www.marceloparazzi.com.br/blog/janeiro-branco-e-conscientizacao-sobre-a-saude-mental/

LITURGIA DA PALAVRA DA SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR ANO A

 

 

 

1-   LITURGIA DA PALAVRA DA SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR ANO A

 

Ouviremos o Senhor. Sua Palavra é manifestação do seu amor por nós. Como a manjedoura que acolheu o Senhor, nossos ouvidos agora o acolhem, presente em sua Palavra.

 

PRIMEIRA LEITURA (Is 60, 1-6)

 

Leitura do Livro do Profeta Isaías.

 

¹Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. ²Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. ³Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão de tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêm chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. Ao vê-los, ficarás radiante, com o coração vibrando e batendo forte, pois com eles virão as riquezas de além-mar e mostrarão o poderio de suas nações; será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor.

 

- Palavra do Senhor. T. Graças a Deus!

 

SALMO 71(72)

 

As nações de toda a terra / hão de adorar-vos, ó Senhor!

 

1. Dai ao rei vossos poderes, Senhor Deus, * vossa justiça ao descendente da realeza! / Com justiça ele governe o vosso povo, * com equidade ele julgue os vossos pobres.

2. Nos seus dias a justiça florirá * e grande paz, até que a lua perca o brilho! / De mar a mar estenderá o seu domínio, * e desde o rio até os confins de toda a terra!

3. Os reis de Társis e das ilhas hão de vir * e oferecer-lhe seus presentes e seus dons; / Os reis de toda a terra hão de adorá-lo, e todas as nações hão de servi-lo.

4. Libertará o indigente que suplica, * e o pobre ao qual ninguém quer ajudar. / Terá pena do indigente e do infeliz, * e a vida dos humildes salvará

 

SEGUNDA LEITURA (Ef 3, 2-3a.5-6)

Leitura da Carta de São Paulo aos Efésios.

 

 ²Irmãos: Se ao menos soubésseis da graça que Deus me concedeu para realizar o seu plano a vosso respeito, ³a e como, por revelação, tive conhecimento do mistério. Este mistério, Deus não o fez conhecer aos homens das gerações passadas, mas acaba de o revelar agora, pelo Espírito, aos seus santos apóstolos e profetas: os pagãos são admitidos à mesma herança, são membros do mesmo corpo, são associados à mesma promessa em Jesus Cristo, por meio do Evangelho.

 

 - Palavra do Senhor. T. Graças a Deus!

 

ACLAMAÇÃO (Mt 2,2)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

Vimos sua estrela no Oriente / e viemos adorar o Senhor.

 

 EVANGELHO (Mt 2, 1-12)

 

P. O Senhor esteja convosco. T. Ele está no meio de nós! P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. T. Glória a vós, Senhor!

 

P. ¹Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, ²perguntando: “Onde está o rei dos judeus, que acaba de nascer? Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”. ³Ao saber disso, o rei Herodes ficou perturbado assim como toda a cidade de Jerusalém. Reunindo todos os sumos sacerdotes e os mestres da Lei, perguntava- -lhes onde o Messias deveria nascer. Eles responderam: “Em Belém, na Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: ‘E tu, Belém, terra de Judá, de modo algum és a menor entre as principais cidades de Judá, porque de ti sairá um chefe que vai ser o pastor de Israel, o meu povo’”. Então Herodes chamou em segredo os magos e procurou saber deles cuidadosamente quando a estrela tinha aparecido. Depois os enviou a Belém, dizendo: “Ide e procurai obter informações exatas sobre o menino. E, quando o encontrardes, avisai-me, para que também eu vá adorá-lo”. Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até parar sobre o lugar onde estava o menino. ¹Ao verem de novo a estrela, os magos sentiram uma alegria muito grande. ¹¹Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e o adoraram. Depois abriram seus cofres e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra. ¹²Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram para a sua terra, seguindo outro caminho.- Palavra da Salvação. T. Glória a vós, Senhor!

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2025/10/Ano-50A-09-SOLENIDADE-DA-EPIFANIA-DO-SENHOR.pdf

Liturgia da Epifania do Senhor- Ano A

 

1-    Liturgia da Epifania do Senhor- Ano A

 

- Com a epifania de Jesus, celebramos a vontade de Deus que deseja salvar a todos. Cristo é o centro. Todos os reis e nações da terra devem buscá-lo. Nele se converge e se recapitula o plano de Deus. Tudo o que estava dividido encontra unidade. O termo unidade em muitos momentos é mal interpretado por uniformidade. Há conflitos, por querer impor pela força, poder, riqueza, armas e ideologias à vontade de alguns sobre todos. A liturgia nos revela que a unidade não pode ser imposta, mas conquistada. Ela se vive no acolhimento, reconhecimento, valorização da simplicidade, diferenças e vivência do amor.

- Na primeira leitura, temos um cenário do pós-exílio. O povo está diminuído, prostrado por falta de recursos. Tudo está para ser feito. Diante disso, o profeta suscita ânimo e esperança. Ele convida o povo a se levantar e resplandecer, pois Deus continua sustentando a caminhada. Pela imagem do casamento, ele diz que Deus é o esposo fiel que não abandona a esposa amada e a faz fecunda e repleta de luz. A ação de Deus faz a comunidade, outrora desanimada, fecunda em filhos, acolhedora, justa e fraterna a ponto de atrair todos a si.

- Na segunda leitura, São Paulo ensina que os horizontes da Aliança firmada com os judeus são ampliados em Jesus Cristo. Nele, somos um ser humano novo e membros do mesmo povo escolhido. Todos os povos formam um só corpo, onde todos são participantes das promessas feitas aos antepassados. Isso significa que a missão do cristão é trabalhar pela reconciliação entre as pessoas e a unidade na diversidade dos povos.

- O Evangelho mostra o nascimento de Jesus e a visita dos magos. Deus se manifesta a todos no Menino de Belém. Os magos, representando os pagãos, traduzem à abertura da salvação de Deus a todos os povos. O menino que nasce é aclamado e adorado como verdadeiro rei dos Judeus. Ele é filho do povo, simples e humilde. É o grito do povo oprimido que quer liberdade. A nova Sião não é, Jerusalém, mas Belém, também isso, é cumprimento das profecias (v. 6; Mq 5,1). O evangelista Mateus continua a descrever os acontecimentos da infância de Jesus, à luz das profecias que dizem: "O cetro não será tirado de Judá" (Gn 49,10); "Uma estrela surge de Jacó, um cetro se levanta de Israel" (Nm 24,17).

- A vida nova trazida por Jesus é um poder libertador que atrai a raiva dos poderosos, inclusive de Herodes, homem violento, assassino, prepotente, dominado pelo poderio romano opressor. O Messias nascido, aos cuidados de sua mãe, nos ensina que sua Epifania é contrária à avareza do poder, comodismo, intolerância religiosa, xenofobia e toda forma de divisão e violência. Todas essas coisas provocam trevas na vida humana. O Senhor nascido em Belém é luz que ilumina os povos e diante dele ficamos radiantes, nosso coração vibra e bate forte de alegria (cf. Is 60,5).

- Os magos representam os verdadeiros adoradores espalhados em todos os povos e nações. Os que em meio a uma sociedade conflituosa sabem que a salvação vem por Jesus. A violência, falsas religiões e o poder tirano não podem salvar. Como os magos, cada cristão deverá encontrar formas alternativas para adorar Jesus Cristo e anunciá-lo a todos. A Igreja de Cristo deverá sempre ser sinal do respeito às culturas de todos os povos. Todavia, deverá ter diante de si a firme missão de anunciar a Boa Notícia de Deus que se revela como Deus da justiça e da paz em Jesus Cristo nascido em Belém. Em Cristo, uma multidão de raças, povos, línguas e nações saúdam a Deus. - Esclarecidos por sua Palavra, sejamos luzes nos caminhos por onde passarmos. Deixemo-nos ser guiados por Jesus neste mundo em que habitam tantas trevas. Sirvamos o Senhor que nasceu pequenino em Belém para sermos robustecidos com os dons do vosso Espírito.

 

https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2025/12/04_01_26.pdf

 

REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR 4.1- O MISTÉRIO DA MANIFESTAÇÃO DO SENHOR AO MUNDO

 

1-    REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR

 

4.1- O MISTÉRIO DA MANIFESTAÇÃO DO SENHOR AO MUNDO

 

Hoje, celebramos a Epifania do Senhor, uma das festas mais antigas da liturgia cristã, anterior até mesmo à celebração do Natal em algumas regiões do Oriente. O termo “epifania” vem do grego epipháneia, que significa “manifestação”, “aparição” ou “revelação”. Esta solenidade marca a manifestação pública de Jesus como o Messias, o Filho de Deus e Salvador não apenas de Israel, mas de toda a humanidade. No Evangelho de hoje, vemos que os primeiros a reconhecerem e adorarem Jesus como rei não são judeus, mas estrangeiros — os magos vindos do Oriente. O evento da Epifania revela a universalidade da salvação, já anunciada pelos profetas e agora realizada em Cristo. Algumas coisas nos chamam a atenção nesta solenidade. Os magos, por exemplo: representam a humanidade pagã em busca da verdade. A tradição, embora não nomeada nas Escrituras, os identificou como reis, e suas origens foram associadas a regiões como a Pérsia, a Arábia ou a Babilônia. Mais do que figuras históricas, os magos são figuras teológicas: símbolos de todos os povos chamados à salvação em Cristo. São homens sábios, atentos aos sinais dos tempos, que, iluminados pela razão e pela fé incipiente, percebem na estrela um chamado à busca do verdadeiro Rei. Como ensina o Concílio Vaticano II na Lumen Gentium, “todos os homens, de qualquer religião, participam, de algum modo, da busca pela verdade e pela vida plena” (cf. LG 16). Eles viram a estrela. A estrela não força, convida. Deus não se impõe — Ele atrai. Chegando a Jerusalém, os magos perguntam: “Onde está o recém-nascido rei dos judeus?”. Os chefes dos sacerdotes e escribas recorrem à Escritura — e veem que o Messias deveria nascer em Belém, conforme a profecia de Miquéias (Mq 5,1): Belém significa “Casa do Pão”, e isso já antecipa o misté- -rio eucarístico. Jesus, o Verbo feito carne, nascerá em Belém, e se tornará, mais tarde, o Pão da Vida. Há aqui um contraste catequético: os que conhecem a Escritura (Herodes e os sacerdotes) não se movem, enquanto os que vêm de longe, sem acesso à Lei ou aos Profetas, partem ao encontro do Messias. A fé exige mais do que saber: exige acolhimento e resposta. Ao encontrarem o Menino com Maria, sua mãe, os magos se prostram e O adoram. Este é um momento profundamente teológico: eles reconhecem naquela criança a presença de Deus. Além disso, Lhe oferecem presentes que não são apenas simbólicos — são profundamente catequéticos, revelando quem é Jesus: o ouro – dom oferecido a reis quer aludir a Jesus que é o Rei dos reis: mas não à maneira dos reis terrenos, seu trono é a cruz, e sua coroa, de espinhos; o ouro, portanto, representa sua dignidade real. O incenso – utilizado no culto divino – mostra que Jesus é Deus verdadeiro, digno de adoração. Ele é o novo templo, onde Deus habita em plenitude (cf. Jo 2,21). A mirra, por sua vez, – usada para embalsamar corpos – aponta para sua humanidade e seu sofrimento redentor. Desde o nascimento, já se vislumbra a cruz. Esses dons, portanto, são uma profissão de fé cristológica: Jesus é Rei, Deus e Homem, mistério que será proclamado nos credos da Igreja. Por fim, o Evangelho conclui com uma nota rica de significado: “Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, retornaram por outro caminho.” Essa mudança de caminho é sinal de conversão. O encontro com Cristo transforma e exige nova direção de vida. Aqueles que verdadeiramente se encontram com o Senhor não podem mais caminhar como antes. Este é o itinerário do discípulo: busca, encontro, adoração e conversão. Isso faz com que assumamos compromissos eclesiais: Aquele que é manifestado ao mundo é a Cabeça do Corpo, que é a Igreja. Por isso, a Igreja é chamada a ser sacramento da luz, sinal visível da presença de Cristo entre os povos. Queridos irmãos e irmãs, a estrela cumpriu sua missão ao guiar os magos até Cristo. Hoje, nós somos chamados a ser essa estrela, luz que aponta para Cristo. Através do nosso testemunho, da caridade vivida, da fé professada com alegria, somos chamados a guiar os que ainda estão longe. Que a Epifania nos desperte para a vocação missionária da Igreja: ser luz das nações, reflexo da Luz verdadeira que veio ao mundo. Que a Virgem Maria, silenciosa no Evangelho de hoje, mas sempre presente, nos ensine a contemplar, guardar no coração e oferecer Cristo ao mundo.

 

Dom Cícero Alves de França Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Belém .

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4.2- 4 de janeiro – EPIFANIA DO SENHOR Por Junior Vasconcelos do Amaral* Jesus, o Filho de Deus

 

4.2- 4 de janeiro – EPIFANIA DO SENHOR

Por Junior Vasconcelos do Amaral*

Jesus, o Filho de Deus

I. INTRODUÇÃO GERAL

A solenidade da Epifania do Senhor nos convida a contemplar Jesus, o Senhor que nos salva. Epifania, do latim, significa “manifestação”. Na celebração deste domingo, Jesus se manifesta ao mundo como Salvador da humanidade. Aquele que assumiu a carne humana também a redimirá, no mistério de sua paixão e cruz. Na primeira leitura, ouvimos Isaías, que busca recuperar a esperança dos exilados para reconstruírem juntos Jerusalém: a luz chegou para seu povo que vivia na escuridão. O Evangelho nos convida a olhar para a manjedoura de Jesus em seu Natal e contemplar o amor de Deus por nossa humanidade. Na fragilidade de um menino, Deus revela sua força vital. Ele veio nos visitar, humanizou-se entre nós. Com os magos, somos convidados a oferecer a Cristo ouro, incenso e mirra, bem como ofertar aos que sofrem a esperança, o amor e a paz. Na segunda leitura, Paulo convida os irmãos e irmãs da comunidade de Éfeso a admitir a todos no corpo de Cristo, que é a Igreja. Paulo nos faz lembrar o papa Francisco, de saudosa memória: “Na Igreja há lugar para todos, todos e todos!” Todos somos chamados a crer na pessoa de Jesus Cristo e a ver nele a salvação para o descompasso da humanidade, perdida em si mesma, dilacerada por discórdias e guerras que desumanizam e desfiguram a imagem do ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus.

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

 

2. I leitura (Is 60,1-6)

Isaías, no seu terceiro livro, convida todos os ouvintes e leitores a contemplar a glória de Jerusalém. Essa passagem está ligada a um contexto de pós-exílio, no qual o profeta, como porta-voz de Deus, repete a mensagem consoladora do Senhor à comunidade que retornou da Babilônia, cuja fé e esperança devem ser sustentadas. A princípio, no v. 1, o profeta convida Jerusalém a pôr-se em pé, com o sentido de prontidão para servir, “porque tua luz é chegada, a glória do Senhor raia sobre ti”. A terra, contudo, está coberta de trevas, alerta o profeta, e a escuridão envolve as nações. Sobre Israel levanta-se o Senhor Adonai (v. 2). Sob a luz caminharão as nações, e os reis no clarão do sol nascente (v. 3).

O profeta, no v. 4, pede que Jerusalém erga os olhos e veja que todos se reúnem e vêm até ela. A imagem é dos filhos que vêm de longe e as filhas carregadas em suas ancas (v. 4). Tal imagem mostra Jerusalém como mãe que cuida, que dá de si para a vida dos filhos, que os ensina a caminhar. É um tempo novo, como atesta o v. 5, pois as riquezas virão de além-mar, virão para ela os tesouros das nações. Uma horda de camelos inundará a cidade, os camelinhos de Madiã e Efa, todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso, proclamando os louvores do Senhor (v. 6). Tais ofertas aludem à visita ao rei-messias, imagem que prefigura aqueles que visitam Jesus, como atestará Mt 2,11. Esse tempo messiânico que inspira o profeta faz lembrar a glória de Jerusalém, cidade santa e bem edificada, morada do grande Rei, o Senhor. A shequinah do Senhor lá está, e a ela as pessoas se dirigem para oferecer incenso e ouro, oblatas que indicam a divindade e a realeza do Senhor de Israel, Adonai.

 

2. II leitura (Ef 3,2-3a.5-6)

Paulo, dirigindo-se aos efésios, trata sobre o mistério de Deus revelado em Cristo, que ele, por dom de Deus e pura gratuidade, é capaz de acolher, assim como nós acolhemos tal mistério em sua epifania, manifestação-doação. Deus se revela na história humana por meio de uma pessoa, Jesus Cristo. Assim, temos hoje o encontro não com uma doutrina, com um dogma, com uma verdade, mas com uma pessoa, que pode nos levar à salvação. A fé cristã é uma proposta de alteridade que salva. Ao olharmos para a face do Senhor, que assumiu nossa condição humana, com exceção do pecado, somos configurados em novas criaturas salvas. O que Deus revelou outrora, ele agora revela a nós por seus profetas e santos apóstolos, em Jesus Cristo. Todos somos membros do corpo de Cristo, que é a Igreja, e esta tem hoje uma missão especial de anunciar Jesus Cristo ao mundo, revelando-o a todos e todas, em vista da salvação. A eclesiologia de Paulo em Efésios está ligada intrinsecamente à cristologia. Há uma eclesiologia, pois existe uma missão soteriológica de Cristo, que desejou que sua Igreja fosse construtora de pontes a fim de que todos possam participar da vida divina e celestial.

3. Evangelho (Mt 2,1-12)

Belém, que em hebraico significa “casa do pão”, é um lugar especial para a fé judaica e cristã. Lá nasceu o rei Davi e, tradicionalmente, se considera que é a cidade de nascimento de Jesus, onde hoje está situada a basílica da Natividade. Belém era a cidade da bisavó de Davi, Rute (Rt 1,1-4), e de sua família (1Sm 16; 17,12). Uma citação de Mq 5,1 foi mudada por Mt de “clãs de Judá” para “regentes de Judá”, a fim de realçar o aspecto messiânico, acrescentando “apascentará Israel, o meu povo” de 2Sm 5,2. A narrativa de Mateus afirma que, no tempo do rei Herodes, tendo nascido Jesus em Belém, vieram magos do Oriente a Jerusalém, perguntando: “Onde está o rei dos judeus recém-nascido?” (v. 2). Tal questão alerta Herodes e, com ele, toda a cidade de Jerusalém. Para Herodes, não poderia existir outro rei que colocasse seu trono em xeque, seu poder em disputa. Herodes, o Grande, era um rex socius de Roma (rei vassalo do império) que governou de 37 a 4 a.C., uma figura forte e igualmente citada em Lc 1,5 como “o rei da Judeia”.

Os magos, por sua vez, seguiram a estrela, desde seu surgimento, no Oriente, e vieram para homenagear o Senhor. Os magos podem ser entendidos como uma casta de sábios astrólogos ou intérpretes dos sonhos, ligados também ao zoroastrismo, religião persa que definia o mundo como uma oposição entre bem e mal. Eles são apenas citados por Mateus, mas, na tradição cristã posterior, tornaram-se reis, à luz da interpretação do Sl 72,10: “Os reis de Társis e das ilhas trarão presentes; os reis de Sabá e de Seba oferecerão dons”, e de textos como Is 49,7 e 60,10. Uma espécie de midrash faz essas figuras do passado darem sentido à presença dos magos que visitam o Filho de Deus com presentes. Por fim, foram nomeados como Gaspar, Baltasar e Melquior, representando os gentios.

Ao chegarem ao lugar, os magos viram o menino deitado na manjedoura e sua Mãe. Em seguida, ofereceram, tal como na primeira leitura, ofertas ao Rei-Messias: ouro, incenso e mirra. O ouro é símbolo da realeza de Jesus. O incenso simboliza sua divindade, e a mirra constitui sinal de sua humanidade, que será, no fim do Evangelho, ungida para o sepulcro em vista da ressurreição. O v. 12 conclui o relato desta celebração, dizendo que os magos tomaram outra direção e voltaram para sua terra sem terem voltado a Herodes, que certamente esperava informações precisas sobre onde o menino teria nascido. Voltar por outro caminho deflagra um novo caminho tomado pelos magos: não o caminho do poder, mas o do discipulado; não o caminho que lhes garantiria uma recompensa, mas o do abandono, do sair de si para ir ao encontro dos outros, que certamente vão ouvir deles algo sobre o menino Jesus, nascido em Belém. Eles caminham na direção contrária para nos indicar que o caminho do cristão é o mundo, o qual deve ser lugar do anúncio de Jesus, como nos apontou o papa Francisco no adágio “Igreja em estado permanente de missão” – portanto, “Igreja em saída” para as fronteiras e periferias existenciais.

 

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

 

Compreender que a unidade das três leituras objetiva que toda pessoa humana tenha acolhimento na comunidade dos fiéis e seja luz para os escombros do mundo, sobretudo para os que vivem em suas “trincheiras”. Perceber que o Natal do Senhor renova nossa esperança de um mundo mais justo e solidário, pois Deus mesmo veio visitar nossa história. Epifania é essa manifestação divina na história da humanidade. Propor que a comunidade litúrgica se sinta chamada, nesta liturgia, a unir-se sempre mais como corpo de Cristo, convidada à salvação em Cristo. Por fim, despertar em cada fiel o propósito de ofertar-se ao Senhor tal qual os magos outrora, que o presentearam com ouro, incenso e mirra, ofertando aos mais necessitados o pão físico e espiritual, da própria existência. Assim, podemos ser um “alimento” para a vida dos outros.

Junior Vasconcelos do Amaral*

*é presbítero da arquidiocese de Belo Horizonte-MG e vigário episcopal da Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança (Rense). Doutor em Teologia Bíblica pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje), realizou parte de seus estudos de doutorado na modalidade “sanduíche”, estudando Narratologia Bíblica na Université Catholique de Louvain (Louvain-la-Neuve, Bélgica). Atualmente, é professor de Antigo e Novo Testamentos na PUC-Minas, em Belo Horizonte, e desenvolve pesquisa sobre psicanálise e Bíblia. É psicanalista clínico. E-mail: jvsamaral@yahoo.com.br

https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/4-de-janeiro-epifania-do-senhor-2/

 

 

 

 

MÚSICAS PARA A SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR ANO A

 

1-    MÚSICAS PARA A SOLENIDADE DA EPIFANIA DO SENHOR ANO A

 

https://youtu.be/pfUusotxMUw?si=dKpbTfAF_hTdb-1l

Baixe as partituras:

Entrada: Venimus adorare eum (partitura)

Ato Penitencial: Senhor que sois o caminho (partitura)

Glória: Glória a Deus nas alturas  (partitura)

Melodia e cifra do Salmo 71

Aclamação: Aleluia (Coral CN) (partitura)

Oferta: Oh, vinde adoremos (partitura)

Santo: Santo (Coral CN) (partitura)

Comunhão: Ouro, incenso e mirra (partitura

Final: Glória a Deus os anjos cantam (partitura)

 

https://musica.cancaonova.com/liturgia/repertorio-para-a-missa-da-epifania-do-senhor/

ANÚNCIO DA PÁSCOA E DAS FESTAS MÓVEIS LEITURAS DA SEMANA: DE 05 DE JANEIRO A 11 DE JANEIRO DE 2026

 

 

1-    LEITURAS DA SEMANA: DE 05 DE JANEIRO A 11 DE JANEIRO DE 2026

           05- 2ª 1Jo 3,22–4,6 / Sl 2 / Mt 4,12-17.23-25

          06- 3ª 1Jo 4,7-10 / Sl 71(72) / Mc 6,34-44

          07-   4ª 1Jo 4,11-18 / Sl 71(72) / Jo 6,45-52

          08-     5ª 1Jo 4,19–5,4 / Sl 71(72) / Lc 4,14-22a

          09-    6ª 1Jo 5,5-13 / Sl 147(147B) / Lc 5,12-16

          10-    Sáb.: 1Jo 5,14-21 / Sl 149 / Jo 3,22-30

          11-   DOM.- Batismo do Senhor, Festa, Ano A

                  Is 42,1-4.6-7;Sl 28(29),1a.2.3ac-4.3b.9b-10 (R. 11b)

                 At 10,34-38; Mt 3,13-17 (Jesus batizado por João)

 

ANÚNCIO DA PÁSCOA E DAS FESTAS MÓVEIS

 

Irmãos caríssimos, a glória do Senhor manifestou-se, e sempre há de manifestar-se no meio de nós até a sua vinda no fim dos tempos. Nos ritmos e nas vicissitudes do tempo, recordamos e vivemos os mistérios da salvação. O centro de todo o ano litúrgico é o Tríduo do Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado, que culminará no Domingo de Páscoa, este ano a 05 de abril. Em cada Domingo, Páscoa semanal, a santa Igreja torna presente este grande acontecimento, no qual Jesus Cristo venceu o pecado e a morte. Da Páscoa do Senhor, procedem todas as celebrações do Ano Litúrgico: as Cinzas, início da Quaresma, a 18 de fevereiro; a Ascensão do Senhor, a 17 de maio; Pentecostes, a 24 de maio; Corpo e Sangue de Cristo, a 04 de junho. O primeiro Domingo do Advento ocorrerá no dia 29 de novembro. Também nas festas da Santa Mãe de Deus, dos Apóstolos, dos santos e na Comemoração dos Fiéis Defuntos, a Igreja peregrina sobre a terra proclama a Páscoa do Senhor. A Cristo, que era, que é e que há de vir, Senhor do tempo e da história, louvor e glória pelos séculos dos séculos. T. Amém.

7- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*) "ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE: O VÍNCULO CONJUGAL RESSIGNIFICADO À LUZ DA ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO" [Parte III-02]

 

 

7- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*)

"ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE: O VÍNCULO CONJUGAL RESSIGNIFICADO À LUZ DA ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO"

                     [Parte III-02]

          "Onde houver ódio, que eu leve o amor.

                [Atribuída a  São Francisco de Assis]

Obs.: esta terceira parte, tópico 02, finaliza a terceira parte, tópico 01.

ONDE HOUVER ÓDIO, QUE EU LEVE O AMOR!

O ódio, ao contrário do que se possa pressupor, não costuma poupar ninguém, e nenhum tipo de vínculo está totalmente protegido contra sua ação corrosiva e desarticuladora. No tocante ao vínculo conjugal, há duas portas principais por meio das quais ele tem sua entrada facilitada. A primeira ocorre quando deixamos a porta totalmente aberta, escancarada, sem nenhum tipo de proteção ou salvaguarda. Nesse caso ele pode invadir súbita e abruptamente nossa vida por intermédio de um ato de traição, de violência, ou de qualquer outro tipo de infidelidade percebida como grave e insuportável. Os efeitos costumam ser catastróficos e devastadores; tanto em virtude do dano em si, quanto do notório e costumeiro despreparo de ambos os parceiros em lidar com ele. Até mesmo os alicerces de matrimônios que se supunha construídos sobre rocha firme podem sofrer abalos profundos - isso, claro, quando a construção inteira não desaba por completo. Provavelmente São Paulo buscava evitar essa súbita e inesperada tomada de assalto quando advertiu: “Se vos irardes, não pequeis; que o sol não se ponha sobre a vossa ira; não deis entrada ao demônio”. A ira não é exatamente sinônimo de ódio, mas costuma funcionar como uma de suas principais portas de entrada. Conceder ao ódio o benefício do tempo necessário para que ele seja processado e elaborado, é mais que importante; é essencial. Mas isso não significa permanecer passivo e desprotegido, permitindo que ele fique à vontade para disseminar seus estragos. Por outro lado, combatê-lo não significa expulsá-lo com a mesma rapidez com que ele invade nossa vida. Pelo contrário, a melhor estratégia é sempre enfrentá-lo em nosso próprio campo de batalha. Seria insensatez enfrentar qualquer inimigo no terreno que lhe favorece; isso apenas o fortaleceria. Mas permitir que ele entre, se acomode e se sinta à vontade, sem enfrentá-lo com todas as armas disponíveis, seria sem dúvida uma insensatez ainda maior. O ódio que chega abruptamente, sem pedir licença e sem mandar recado, pelo simples oportunismo de encontrar a porta escancarada, é invasivo, insolente e desrespeitoso. Mas existe um outro tipo que só entra com nossa permissão e quando se sente convidado. É desse tipo de ódio que falaremos a seguir.

A segunda maneira de se permitir que o ódio ultrapasse as defesas que protegem o vínculo conjugal não é abrupta, não é invasiva, e tampouco barulhenta, ainda que continue sendo desrespeitosa e indesejada. Exatamente por isso, torna-se menos perceptível e geralmente mais difícil de ser combatida. Tal tipo de facilitação só é possível pelo fato de que, exceto o assim chamado “amor Ágape” - amor incondicional e totalmente destituído de interesse, que Freud admitiu desconhecer e jamais haver experimentado - todos os demais tipos de amor - “Eros” e “Philos” - são potencialmente capazes de ativar seu contrário, ou seja, o ódio. É de Lou Marinoff a seguinte afirmação: "...enquanto a base do apego em um relacionamento amoroso for a gratificação do ego, concordo que esse apego é potencialmente insalubre e tem a capacidade de ativar seu polo oposto: a raiva ou o ódio...". No presente caso, essa transformação indesejada do vinho em água - água contaminada, o que é ainda pior - geralmente costuma ocorrer da seguinte forma. No início do relacionamento, estamos propensos e dispostos a aceitar, sem maiores queixas, as falhas, limitações e imperfeições do companheiro; nosso foco são suas virtudes, talentos e qualidades. Como bem observou Sheakspeare, "o amor é cego" - sobretudo nessa fase, diríamos nós. Aqui a porta permanece fechada à tranca para o ódio. Mas na medida em que o tempo passa, as qualidades e as virtudes vão sendo percebidas como subentendidas, pressupostas, não mais que simples obrigações; nossa atenção se volta então para as pequenas coisas que nos desagradam, incomodam, e nos irritam com frequência. Porta destrancada e semiaberta para o ódio. Finalmente, nosso foco se dirige para os vícios, as falhas, as imperfeições e as atitudes que nos irritam profundamente, e que já não somos capazes de suportar. Porta escancarada para o ódio.

E é assim que, sem que consigamos de início compreender o como e o porquê, o amor acaba se transformando no seu exato oposto: o ódio. Um apego positivo e saudável - a Teoria do Apego o chamaria de "apego seguro" - se transformando num apego negativo e doentio. Daí para frente é um Deus nos acuda - isso, naturalmente, quando há um Deus presente nessa história; quando não há, costuma ser demônio e satanás sendo invocado o tempo todo. Perceba que esse é um tipo de ódio progressivo, cumulativo, consolidado apenas depois de uma sequência de pequenos ódios - contrariedade, desgosto, irritação, raiva e ressentimento - porém cada vez mais intensos, até se transformarem num ódio insuportável. Quando se chega a exclamar: “meu relacionamento está um inferno!”, ou se faz uso de expressões desse tipo, compreende-se bem de que tipo de ódio estamos falando. Esse é um ódio estrategista, paciente, que sabe esperar a hora certa para dar o bote - tal como a serpente que, astuta e ardilosamente, acabou provocando nossa expulsão do paraíso. Só entra em cena na condição de convidado e quando a porta foi finalmente deixada escancarada.

Felizmente, como todo tipo de veneno tem seu antídoto, o veneno do ódio também tem o seu: chama-se “amor”. Francisco, - que até onde se sabe não teria contraído vínculo conjugal - parecia saber disso como ninguém. Por isso suplicou: “onde houver ódio, que eu leve o amor! Onde houver ofensa, que eu leve o perdão!”. Mas, como negacionismo e automedicação existem em toda parte, com o amor conjugal não poderia ser diferente. E assim muitos cônjuges, ao experimentarem o ódio dilacerante decorrente de uma traição ou grave infidelidade, se recusam a acreditar na eficácia do amor, convictos de que existem soluções mais criativas e mais eficazes - não é raro que certos terapeutas, passando ou tendo passado por situações semelhantes, acabem validando tais experiências. Dessa forma, não hesitam em lançar mão de suas criativas criações, muitas delas, na prática, verdadeiras gambiarras. Uns entendem que pagar com a mesma moeda é, sem dúvida, a melhor saída: olho por olho, dente por dente; outros acreditam que romper definitivamente o vínculo é a forma mais contundente e convincente de expressar a intensidade do ódio que estão sentindo; outros ainda, decidem viver uma relação paralela apenas como forma de ferir para sempre o perpetrador do delito; certo grupo decide recorrer ao silêncio absoluto como punição tida por eficaz e eficiente, como se a supressão do diálogo provocada pelo celular, por si só, não bastasse; outro grupo decide entregar-se a humilhações mútuas, prolongando deliberadamente a dor e aumentando-a ainda mais; há ainda os que passam a manipular emocionalmente o parceiro, usando culpa e chantagem como formas de controle; e, por fim, não faltam os que mergulham numa frieza calculada, convivendo sob o mesmo teto, recusando sexo e afeto, apenas para que o outro “sinta na pele” o deserto afetivo que decidiram impor como pena. É impressionante constatar como a criatividade na automedicação em substituição ao amor não tem limites. A grande maioria dessas engenhocas emocionais - senão todas - não passam de artefatos que se assemelham a certo tipo de míssil que, quando disparado, produz efeito semelhante ao de uma bomba atômica:  espalha fragmentos dilacerantes e destruição brutal para todos os lados.

"Se não podes amar, cessa ao menos de odiar": essa é a máxima da misericórdia sob forma de perdão, sugerida por André Comte-Sponville, em seu Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Mas, como se sabe, o ódio não se extingue por decreto, desejo ou intimidação da vontade. A ciência psicológica, mais realista - mas nem por isso menos otimista - que o reducionismo simplista presente em certas abordagens religiosas, sugere um processo gradual e progressivo de dessensibilização e ressensibilização, partindo do pressuposto de que, se certas atitudes são tão víciosas ao ponto de transformar o amor em ódio, existem condutas tão virtuosas ao ponto de conseguir transmutar o ódio em amor. Lou Marinoff, com tonalidades mais filosóficas que psicológicas, resumiu da seguinte forma esse processo de dessensibilização e ressenssibilização sugerido pela psicologia: "primeiro passo: dê, a quem o feriu profundamente, um dom de amor hoje. Pode ser tão pouco quanto um bom pensamento, um gesto de consideração, uma gentileza não solicitada. Segundo passo: permita que o ofensor lhe dê um dom de amor hoje. Mais uma vez, sua magnitude não é importante. Terceiro passo: se há alguém que você odeie, tome providências imediatas para transformar seu ódio em desagrado, o desagrado em pequeno incômodo, e o pequeno incômodo em indiferença. Quarto passo: agora que você liberou energia que costumava estar presa ao ódio, que era um mau investimento, volte a primeiro passo e invista essa energia em amor". Difícil, mas não impossível. Um esclarecimento importante pode ajudar a abrir mão da automedicação e evitar o negacionismo: perdoar não é apagar a falta, esquecer ou redimir completamente, como sugerem certas tradições religiosas. Isso é absolvição. “O passado é irrevogável, e nem Deus pode fazer com que o que foi feito não o tenha sido”, ensinava Descartes. Conscientizar-se dessa verdade, sem permitir que a culpa se instale, torna a "pre"disposição para o perdão mais generosa e menos onerosa. E como ninguém está isento de erro - “quem não tiver pecado que atire a primeira pedra” - Francisco nos lembra, ao final de sua Oração, que é dando que se recebe, que é perdoando que se é perdoado. Uma coisa é absolutamente certa: todo ato ou atitude com o potencial de despertar o pior de nós - nossa capacidade de odiar - é e será sempre, ao mesmíssimo tempo, um termômetro a testar a magnitude do nosso amor, bem como o grau de congruência entre o amor declarado e jurado em forma de promessa, e o amor real, concreto e efetivamente manifesto.

Obs.: esta terceira parte, tópicos 01 e 02, continua e será completada com a quarta parte, de mesmo título.

( * ) Texto enviado pelo autor de Vitória (ES)via WhatApp.