sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

BEM-VINDO, BEM-VINDA AO SB SABENDO BEM DE 11 DE JANEIRO DE 2026- BATISMO DO SENHOR




 A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. (I Coríntios 1, 18).

 DOMINGo 11 DE JANEIRO DE 2026

FESTA DO BATISMO DO SENHOR- ANO A

"ESTE É O MEU FILHO AMADO, NO QUAL PUS O MEU AGRADO"

 


https://youtu.be/Xsqt6JDNAgo?si=RUhfaEyQmiHD6mJy

QUEM NÃO RENASCER DO DA ÁGUA ...

SB SABENDO BEM DE 11 DE JANEIRO DE 2026 INFORMA

 

 SB SABENDO BEM DE 11 DE JANEIRO DE 2026 INFORMA

Caro(a) Leitor(a) amigo(a):

O meu abraço fraterno e uma ótima semana a todos!

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SB SABENDO BEM DE 11 DE JANEIRO DE 2026

SEJA BEM-VINDO! SEJA BEM-VINDA!

1- SB SABENDO BEM DE 11 DE JANEIRO DE 2026- INTRODUÇÃO , BÊNÇÃO E ASPERSÇAO DA AGUA

 

 

1-    SB SABENDO BEM DE 11 DE JANEIRO DE 2026- INTRODUÇÃO , BÊNÇÃO E ASPERSÇAO DA AGUA

Amados irmãos e irmãs, sejam bem-vindos! Hoje, na festa do Batismo do Senhor, nos reunimos para contemplar Jesus, o Filho amado do Pai. Na esperança de que a Luz do Senhor nunca se apague em nossas vidas e em nossa caminhada rumo aos céus.

A Liturgia deste domingo tem como cenário o projeto salvador de Deus. No batismo de Jesus às margens do Jordão, revela-se o Filho amado de Deus, que veio ao mundo enviado pelo Pai, com a missão de salvar e libertar os homens. Hoje, também é dia de recordar o nosso próprio Batismo, o nosso mergulho na vida e missão do Senhor Jesus. Que a graça recebida no Batismo seja renovada em nós por esta celebração.

Irmãos e irmãs, a festa de hoje encerra o santo tempo do Natal: o Pai manifesta a Israel o Salvador, nascido da Virgem Mãe e batizado por João no Jordão. Jesus, o Filho Amado, revestido do Espírito Santo, inicia sua vida pública e a missão de anunciar a Boa Nova aos pobres, santificar a humanidade e cuidar das ovelhas feridas. Ele é o Servo anunciado por Isaías, chamado a cumprir sua missão com humildade e dor. Ao celebrarmos este dia festivo, supliquemos ao Senhor que nos conceda a graça de viver plenamente o nosso batismo, comunicando a todos a alegria de saber que Deus é solidário à nossa fraqueza e não nos deixa sozinhos.

Ø  BÊNÇÃO E ASPERSÃO DA ÁGUA (MR, p. 1224)

P. Meus irmãos e minhas irmãs, invoquemos o Senhor nosso Deus, para que abençoe esta água que vai ser aspergida sobre nós, recordando o nosso Batismo. Que ele se digne ajudar-nos, para permanecermos fiéis ao Espírito que recebemos. (silêncio)

P. Deus eterno e todo-poderoso, pela água, fonte de vida e princípio de purificação, quisestes lavar-nos do pecado e dar-nos o prêmio da vida eterna. Neste dia que vos é consagrado, nós vos pedimos que vos digneis abençoar + esta água, para que ela seja sinal da vossa proteção. Renovai em nós a fonte viva da vossa graça, e libertai-nos por ela de todo mal do espírito e do corpo, para que possamos nos aproximar de vós com o coração puro e receber dignamente a vossa salvação. Por Cristo, nosso Senhor. T. Amém! (enquanto a assembleia é aspergida com água benta, canta-se: És Água Viva-669(Eu te peço..)

2- LITURGIA DA PALAVRA DA FESTA DO BATISMO DO SENHOR ANO A

 

 

2- LITURGIA DA PALAVRA DA FESTA DO BATISMO DO SENHOR ANO A

Como discípulos que desejam ouvir seu Mestre e segui-lo, acolhamos no coração a Palavra de Deus.

 PRIMEIRA LEITURA (Is 42,1-4.6-7)

Leitura do livro do profeta Isaías.

Assim fala o Senhor: ¹“Eis o meu servo, eu o recebo; eis o meu eleito, nele se compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. ²Ele não clama nem levanta a voz, nem se faz ouvir pelas ruas. ³Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega; mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra; os países distantes esperam seus ensinamentos. Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança do povo, luz das nações, para abrires os olhos dos cegos, tirar os cativos da prisão, livrar do cárcere os que vivem nas trevas”.

– Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

 SALMO 28(29)

 Que o Senhor abençoe / com a paz o seu povo.

 1. Filhos de Deus, tributai ao Senhor, * tributai-lhe a glória e o poder! / Dai- -lhe a glória devida ao seu nome; * adorai-o com santo ornamento!

2. Eis a voz do Senhor sobre as águas, * sua voz sobre as águas imensas! / Eis a voz do Senhor com poder! * Eis a voz do Senhor majestosa!

3. Eis a voz do Senhor no trovão! * No seu templo os fiéis bradam: “Glória!” / É o Senhor que domina os dilúvios, * o Senhor reinará para sempre!  

SEGUNDA LEITURA (At 10, 34-38)

Leitura dos Atos dos Apóstolos.

Naqueles dias, ³Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, estou compreendendo que Deus não faz distinção entre as pessoas. ³Pelo contrário, ele aceita quem o teme e pratica a justiça, qualquer que seja a nação a que pertença. ³Deus enviou sua palavra aos israelitas e lhes anunciou a Boa-nova da paz, por meio de Jesus Cristo, que é o Senhor de todos. ³Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: ³como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele”.

- Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO (Mc 9,6)

Aleluia, aleluia, aleluia

. Abriram-se os céus e fez-se ouvir a voz do Pai: / Eis meu Filho muito amado, / escutai-o, todos vós!

EVANGELHO (Mt 3,13-17)

P. O Senhor esteja convosco. T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus T. Glória a vós Senhor.

Naquele tempo, 13Jesus veio da Galileia para o rio Jordão, a fim de se encontrar com João e ser batizado por ele. 14Mas João protestou, dizendo: “Eu preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” 15Jesus, porém, respondeu-lhe: “Por enquanto deixa como está, porque nós devemos cumprir toda a justiça!” E João concordou. 16Depois de ser batizado, Jesus saiu logo da água. Então o céu se abriu e Jesus viu o Espírito de Deus, descendo como pomba e vindo pousar sobre ele. 17E do céu veio uma voz que dizia: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado”.

– Palavra da salvação. T. Glória a vós, Senhor.

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Ano-50A-10-BATISMO-DO-SENHOR.pdf

3- LITURGIA DA FESTA DO BATISMO DO SENHOR ANO A

 

3- LITURGIA DA FESTA DO BATISMO DO SENHOR ANO A

- A Festa litúrgica do Batismo do Senhor encerra o tempo do Natal e marca o início da vida pública de Jesus. O Batismo foi o seu primeiro ato público. O próprio Deus Pai apresenta Jesus ao mundo dizendo: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo!" (3,17). No Jordão, Jesus foi ungido com o Espírito Santo como o Messias. Impulsionado por Ele, após o seu batismo, Jesus inicia sua missão de anunciar o Reino de Deus. É na força do Espírito Santo que Ele pregará, fará milagres, expulsará Satanás e inaugurará o Reino. Fortalecido, Ele viverá em obediência ao Pai em doação aos irmãos até a morte na Cruz.

- As leituras deste domingo nos convidam a refletir sobre a identidade e missão de Jesus, reveladas em seu batismo: deixará o deserto e percorrerá o caminho da Galileia, onde tocará e curará os doentes, defenderá os pobres, acolherá à sua mesa pecadores e prostitutas e abraçará crianças da rua.

- O texto de Isaías apresenta o primeiro poema do "Servo do Senhor". Sua missão é realizar a justiça e promover, com fidelidade, o direito entre as nações. Sua força e autoridade nascem do amor e do serviço, da ternura e do compromisso com as pessoas enfraquecidas. Tal Servo é amado por Deus e escolhido com o propósito de estabelecer a justiça e ser luz para as nações quando o povo de Israel vivia em grande aflição por causa do exílio babilônico. Nesse caso, a promessa do Servo de Deus traz esperança de libertação e renovação, pois sua missão será pautada pelo acolhimento e compaixão. No batismo de Jesus, o Espírito está sobre Ele, cumprindo a profecia de Isaías e afirmando sua missão de justiça e libertação.

- Na segunda leitura, Pedro anuncia aos gentios que Deus não faz distinção de pessoas. O apóstolo faz um resumo do ministério de Jesus, iniciado após seu batismo por João. Jesus foi marcado e ungido com o Espírito Santo e com poder, e andou por toda parte, fazendo o bem e curando os oprimidos, porque Deus estava com Ele. O texto dos Atos dos Apóstolos dá ênfase à universalidade e grandiosidade da missão de Jesus, pois a mensagem de salvação é para todas as nações. O batismo de Jesus e sua unção com o Espírito Santo são apresentados como o início de seu projeto, que atravessa a história de forma dialogal e transformadora, respeitando as diversidades culturais e étnicas, na convicção de que o Reino de Deus é justiça, igualdade e fraternidade para todas as nações.

- No Evangelho somos convidados a meditar profundamente sobre o Batismo de Jesus e o nosso. Ao ser batizado no Jordão, Jesus é ungido pelo Pai para cumprir sua missão de salvar a todos. Jesus é o Filho querido, o Servo sofredor, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, o Messias, o Ungido de Deus! Ele deverá ser cheio de misericórdia para com os pecadores, os fracos, os pobres, os sem esperança. Jesus é a aliança com os povos, luz das nações, para restaurar a paz e felicidade dos oprimidos. Ainda podemos dizer que o Messias pede para ser batizado para que se cumpra toda justiça, isto é, se realize o desígnio do Pai que passa pelo caminho da obediência filial e da solidariedade com o homem frágil e pecador. É o caminho da humildade e da plena proximidade de Deus a seus filhos.

- Pelo Batismo, todos nós participamos do Sacerdócio e da missão de Jesus. Ser batizado é tornar-se servo com Cristo e passar a nossa vida fazendo o bem. Devemos agradecer a Deus a graça do Batismo, pois por ele, o cristão passa a fazer parte de um povo: a Igreja, que se apresenta como a verdadeira família dos filhos de Deus. O Batismo é a porta por onde se entra na Igreja. Ele é um selo que exprime a pertença do batizado na Trindade. A festa do Batismo do Senhor nos provoca a sermos humanos até o fim, como Jesus, o "Filho amado do Pai". Com Ele, busquemos promover a libertação e a justiça entre nós.

https://diocesedesaomateus.org.br/wp-content/uploads/2025/12/11_01_26-1.pdf

4-REFLEXÕES PARA O DOMINGO DA FESTA DO BATISMO DO SENHOR 4.1-11 de janeiro – BATISMO DO SENHOR Por Junior Vasconcelos do Amaral* Eis o meu servo, eis o meu eleito!

 

 

4-REFLEXÕES PARA O DOMINGO DA FESTA DO BATISMO DO SENHOR

4.1-11 de janeiro – BATISMO DO SENHOR

Por Junior Vasconcelos do Amaral*

Eis o meu servo, eis o meu eleito!

I. INTRODUÇÃO GERAL

Jesus é batizado no Jordão, embora não necessitasse ser batizado, pois não era pecador. Contudo, o sentido que Jesus dá ao batismo nos faz lembrar de sua solidariedade para com os que procuravam o batismo no tempo de João Batista – os pecadores e pobres – e, até os dias de hoje, para com aqueles que são congregados e enxertados na vida da fé da Igreja. O batismo é nossa participação no mistério da paixão, morte e ressurreição do Senhor. Pelo batismo, morremos para o pecado e ressurgimos para a vida nova dos eleitos, a fim de servirmos o mundo com nossos dons e testemunho.

Na primeira leitura, o profeta Isaías, no cântico do Servo, dá testemunho acerca daquele que é o Servo de Deus para servir o povo, como eleito; não como um privilégio, mas como uma missão. O Servo de Adonai, que será no Novo Testamento (NT) Jesus Cristo, é constituído, de acordo com a segunda leitura, como Ressuscitado, Senhor de todos. Jesus, segundo o Antigo Testamento (AT), foi ungido para fazer o bem e salvar a todos, expulsando os demônios. Ele é o eleito de Deus que desejou ser batizado para solidarizar-se com seu povo, o qual procurava João no Jordão para redimir-se de seus pecados, de acordo com o Evangelho deste domingo. Jesus, em seu batismo, aproxima-se dos pecadores, pois sua missão é salvar a todos, curando os que estavam feridos no coração.

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

 

1. I leitura (Is 42,1-4.6-7)

O profeta Isaías, no primeiro cântico do Servo (Is 42), fala a respeito do Servo de Deus, o eleito do Senhor, sobre quem o Espírito de Deus pairou – assim como em Jesus, no Evangelho desta festa (Mt 3,16). A eleição é a imagem tipológica para pensar, desde o AT, a pessoa de Jesus, que desce ao rio Jordão para ser batizado por João. A eleição, na Sagrada Escritura, não é sinal de honra, mas de serviço. O Servo do Senhor é uma figura isaiana corporativa, que cumpre uma missão, a vontade de Deus; ele é o Eved Adonai. Quatro são os cânticos dedicados ao Servo (Is 42,1-7; 49,1-6; 50,4-9; 52,13-53,12), o qual constitui um personagem revelador do conhecimento de Deus, de sua misericórdia e fidelidade. Ele é símbolo da aliança (Berit) entre Deus e o povo, a fim de restaurar a paz e trazer a felicidade aos oprimidos. O contexto do exílio babilônico deve ser levado em consideração na composição literária dessa figura teológica, que testemunha o Deus verdadeiro no meio das nações. O Servo é sinal de Deus, não apenas seu Servo, mas deve ser luz para as nações (cf. Is 49,1-6).

 

2. II leitura (At 10,34-38)

O texto de Atos é, por natureza, querigmático e anuncia do início ao fim a paixão, morte e ressurreição de Jesus, o mistério pascal, que pode ser considerado o evento fundador do NT. O querigma significa, para o início do cristianismo e seu desenvolvimento até os dias hodiernos, uma espécie de baliza e fundamento para a fé. Seguimos não dogmas, mas uma pessoa: Jesus Cristo, que viveu, morreu e ressuscitou para nossa salvação. O dogma que surge da relação que os primeiros cristãos têm com Jesus Cristo serve para que, no depósito da fé, todos nos enriqueçamos com a profissão de fé dos primeiros apóstolos, os que acompanharam Jesus em sua itinerância até a ressurreição. O relato deste domingo está enxertado na catequese de Pedro na casa de Cornélio, centurião romano pagão (At 10,34-43). Os v. 37-43 constituem uma espécie de resumo do Evangelho de Marcos, que foi inspirado por Pedro. Marcos teria sido o hermeneuta de Pedro, interpretando o sensus fidei e inspirando também Lucas, que tem como fonte o Evangelho marcano.

O presente relato de Atos serve como modelo paradigmático para o anúncio cristão. A entonação é universalista, pois Pedro anuncia a missão de Jesus, o Messias e Filho de Deus, a partir de sua investidura, o batismo, que pode ser entendido como o empoderamento de Jesus para sua missão soteriológica de salvar a humanidade do pecado, que Adão instaurou por sua liberdade arruinada. Jesus é aquele que livremente assume o projeto salvífico pretendido por Deus, o Pai, e seu batismo constitui a porta de entrada para uma vida devotada a Deus. Por isso, nós, cristãos, ao sermos batizados, somos enxertados na nova vida que é de Cristo e temos como “sobrenome e identidade” o termo “cristão”, que significa ungido, enviado para uma missão – a de continuar a missão de Jesus Cristo, colaborando para que outros e outras encontrem também a salvação querida por Deus.

3. Evangelho (Mt 3,13-17)

O batismo de Jesus é a porta de entrada para sua vida pública. Jesus desce ao Jordão para recordar que o povo de Deus também passou pelo Jordão, liderado por Josué (cf. Js 3), cujo nome tem a mesma raiz do nome Jesus, que lembra “Deus salva”. Josué passa pelo Jordão para ressignificar a passagem pelo mar Vermelho, lugar onde Deus salvou seu povo da opressão egípcia. O batismo é o mergulho na morte para o pecado com Cristo e o ressurgir para uma vida nova, na ressurreição à qual ele nos destina. Pelo batismo, todo cristão é lavado da antiga culpa e ressurge para a vida nova em Cristo.

O batismo é narrado por Mc 1,9-11, Mt 3,13-17 e Lc 3,21-22 e é ministrado por João Batista, o precursor de Jesus e supostamente seu mestre, a quem Jesus se dirigiu para iniciar seu ministério, sinalizando o início de seu messianismo nas águas do Jordão. Trata-se de um ato público, com efeitos essenciais na vida de Jesus, que, a partir daquele momento, assume uma missão soteriológica (para a salvação de todos).

A narrativa proposta para este domingo, a versão mateana, é a mais rica em detalhes, que abarcam tanto o sentido literário como o teológico, trazendo a incompreensão de João Batista e a certeza manifestada por Jesus de estar cumprindo a justiça de Deus (tsedakah, no hebraico; dikaiosyne, no grego; iusticia, em latim). Tal termo pode ser entendido como retidão, cumprimento da vontade de Deus por parte de seu servo. Jesus é o Servo de Adonai e cumprirá todo o programa estipulado por Deus, seu Pai. Para o Evangelho de Mateus, Jesus é o novo Moisés, aquele que vem cumprir a justiça estipulada por Deus.

A cena do batismo se passa em um cenário que é, para além de geográfico, teológico: o Jordão, o local para o qual se encaminham os pecadores a fim de ouvirem a voz do profeta que fala aos corações, convidando-os à metanoia, ao arrependimento, que leva a ultrapassar os pensamentos e ações que levam ao pecado. Jesus não carecia de conversão por ser o Filho de Deus, mas se faz solidário e próximo dos pecadores. Ele é, na perspectiva tardia, o Cordeiro de Deus que vem tirar o pecado do mundo (Jo 1,29), por isso o quarto Evangelho acena para um homem que se aproxima dos pecadores do mundo. Jesus é ainda próximo dos marginalizados e pobres, sobretudo dos que são excluídos pela religião oficial da época.

A cena do batismo no Jordão apresenta figuras importantes: João, o Batista; Jesus, o Filho de Deus; o Espírito em forma corpórea de pomba (Yonah, em hebraico; peristerán, no grego); a voz do céu (foné ek ton ouranón), para simbolizar o Pai. O Espírito, simbolizado na pomba, faz-nos recordar o Espírito que, em Gn 1,2, pousava sobre as águas na criação, o que recorda o batismo como fonte de nova criação para os cristãos. Do batismo Jesus será enviado para o deserto para ser tentado (Mt 4,1), iniciando sua vida ministerial. Em Gn 8,6-11, Noé, na nova criação, no recomeço, envia uma pomba para trazer o ramo de oliveira, símbolo da aliança que Deus estabelece com seu povo. Em Mt 10,16, no discurso apostólico, Jesus envia seus discípulos em missão para serem simples como as pombas. Elas são símbolo da simplicidade e, com seu arrulhar, parecem estar em oração suplicante. Por fim, são também símbolo da realidade que permanece, pois fazem seu ninho num local fixo e voltam todo ano para lá viverem a experiência da fecundidade. A voz que veio do céu é a do Pai, que elege seu Filho agraciado. Jesus é aquele que cumpre a vontade do Pai. Em toda sua vida, ver-se-á descortinar a vontade de Deus, a qual se realizará plenamente no amor derramado na cruz.

 

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

Levar a comunidade a perceber a relação entre as leituras, desde o profeta Isaías, que fala da missão a partir de uma eleição, ao Evangelho, que evidencia ser Jesus o eleito do Pai para cumprir uma missão soteriológica, culminando com sua morte e ressurreição – o conteúdo anunciado pela segunda leitura. Esta celebração pode ser uma grande mistagogia batismal, levando a comunidade cristã a revisitar o sentido teológico e pastoral do sacramento do batismo, que nos incorpora a todos na missão de Cristo, no povo de Deus, no corpo místico de Cristo, a Igreja, tornando-nos templos do Espírito Santo. Desse modo, percebe-se que toda vivência espiritual do cristão é trinitária, desde o nascimento para a fé até sua total acolhida no coração da Santíssima Trindade. Relembrar que o batismo nos constitui a todos sacerdotes, profetas e pastores para cuidar deste mundo, testemunhando o amor de Deus pela humanidade.

Junior Vasconcelos do Amaral*

*é presbítero da arquidiocese de Belo Horizonte-MG e vigário episcopal da Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança (Rense). Doutor em Teologia Bíblica pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje), realizou parte de seus estudos de doutorado na modalidade “sanduíche”, estudando Narratologia Bíblica na Université Catholique de Louvain (Louvain-la-Neuve, Bélgica). Atualmente, é professor de Antigo e Novo Testamentos na PUC-Minas, em Belo Horizonte, e desenvolve pesquisa sobre psicanálise e Bíblia. É psicanalista clínico. E-mail: jvsamaral@yahoo.com.br

https://www.vidapastoral.com.br/roteiros/11-de-janeiro-batismo-do-senhor-2/

4.2- POR QUE BATIZAR AS CRIANÇAS?

 

4.2- POR QUE BATIZAR AS CRIANÇAS?

Com a celebração do Batismo do Senhor se encerra o Tempo do Natal. A liturgia de hoje marca o início da vida pública de Jesus, revelando sua missão salvadora e identidade divina. Jesus se aproxima de João Batista junto aos pecadores que buscavam conversão. O protesto de João, “Eu é que preciso ser batizado por ti!”, confirma que Jesus não tinha pecado algum. A resposta de Jesus resume sua missão, que é realizar plenamente a vontade de Deus: “Devemos cumprir toda a justiça”. Na Sagrada Escritura, “justiça” significa viver em conformidade com o projeto divino. Assim se cumpria a profecia de Isaias: “(Ele) proclamará fielmente a justiça!”. Ao se colocar entre os últimos, Jesus manifesta a lógica do Reino, onde os pequenos, excluídos e marginalizados são os preferidos de Deus. De fato, Ele andou por toda parte fazendo o bem e curando os males, conforme narrado nos Atos dos Apóstolos. No momento do batismo, a manifestação do Espírito Santo e a voz do Pai, “Este é o meu Filho amado”, confirmam Jesus como o Messias esperado, único mediador entre o céu e terra. O relacionamento entre Deus e a humanidade é restabelecido agora não por sistemas religiosos, mas pela própria pessoa de Jesus. O significado do nosso batismo se revela neste ato: deixar o pecado para trás e começar uma nova vida em Cristo. Para as famílias cristãs, o batismo é um momento de profunda alegria e significado. É o início da caminhada espiritual da criança, um compromisso assumido por pais, padrinhos e comunidade. Batizar crianças é uma tradição que remonta aos primeiros tempos da Igreja. A criança é batizada na fé da Igreja, e essa fé será cultivada ao longo da vida por meio da catequese e do testemunho. O batismo infantil não compromete a liberdade da criança, visto que ela depende dos responsáveis para seu desenvolvimento integral, inclusive no âmbito religioso. Dessa forma, torna-se fundamental o acompanhamento espiritual contínuo, permitindo que a graça adquirida no batismo possa se desenvolver plenamente. Ser batizado, em qualquer fase da vida, significa participar da vida, morte e ressurreição de Cristo, recebendo um sinal espiritual permanente de pertencimento a Deus. Ao ser crismado, o cristão confirma sua liberdade religiosa, assumindo conscientemente a missão de Jesus e contribuindo para anunciar o Evangelho ao mundo como membro efetivo da Igreja. Como disse o Papa Leão: “uma Igreja que não coloca limites ao amor, que não vê inimigos, mas apenas pessoas para amar, é exatamente a Igreja de que o mundo precisa” (Dilexi Te). Que a celebração do Batismo do Senhor nos inspire a renovar nosso compromisso com Deus. Que possamos ouvir sua voz com sensibilidade ao Espírito Santo, presente nas situações do dia a dia. E que, como filhos e filhas amados, vivamos com alegria o amor e a fraternidade que brotam do coração do Pai.

Pe. Jorge Bernardes Vigário Episcopal Região Ipiranga

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2025/11/Ano-50A-10-BATISMO-DO-SENHOR.pdf

5- LEITURAS PARA A SEMANA DE 12 A 18 DE JANEIRO E ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO

 

5- LEITURAS PARA A SEMANA DE 12 A 18 DE JANEIRO E ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO

12- 2ª 1Sm 1,1-8 / Sl 115(116) / Mc 1,14-20

13- 3ª 1Sm 1,9-20 / (Sl) 1Sm 2,1.4-5 / Mc 1,21b-28

14- 4ª 1Sm 3,1-10.19-20 / Sl 39(40) / Mc 1,29-39

15- 5ª 1Sm 4,1-11 / Sl 43(44) / Mc 1,40-45

16- 6ª 1Sm 8,4-7.10,22a / Sl 88(89) / Mc 2,1-12

17- Sáb.: 1Sm 9,1-4.17-19; 10,1a / Sl 20(21) / Mt 19,16-26

18- Dom.: 2º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Is 49,3.5-6;Sl 39(40),2.4ab.7-8a.8b-9.10 (R. 8a.9a)

1Cor 1,1-3;Jo 1,29-34

Oração de agradecimento e bênção

No dia do meu batismo, quero agradecer a todos aqueles que decidiram me guiar no caminho de Jesus, no caminho de meu pai celestial.

O batismo representa o início oficial da fé cristã e a permanência nela. Hoje começa um caminho cheio de ensinamentos e muito aprendizado da minha parte. Estou imerso no caminho de Cristo, meu pai.

Ó! Senhor, obrigado por me teres recebido e escutado em todas as minhas orações. Meu maior desejo é ficar ao seu lado para o resto da minha vida, porque sei que você cuidará de mim.

Por favor, não me abandones, e eu não te deixarei sozinho, porque de agora em diante serei teu fiel crente e servo. Só você poderá me conduzir pelo caminho, porque conheci o verdadeiro amor que transborda na fé. Amém!

https://oracaoja.com.br/batizado/

6-SUGESTÕES DE CANTOS PARA A FESTA DO BATISMO DO SENHOR ANO A

 

6-SUGESTÕES DE CANTOS PARA A FESTA DO BATISMO DO SENHOR ANO A


ENTRADA

Deixa a Luz do Céu Entrar

Espírito de Deus

Chuva de graça

És Água Viva-669(Eu te peço..)


ASPERSÃO DA ÁGUA

Vem ó Água Viva(Batiza-me)

PERDÃO

Confesso a Deus, Pai todo poderoso

Misericórdia Senhor


GLÓRIA

Glória, Min. Amor e Adoração

Glória-Capella

Glória a Deus nos altos Céus-melodia:

Cristãos Vinde Todos-Natal

SALMO 28

Que o Senhor abençoes com a paz..


ACLAMAÇÃO

Abriram-se os Céus..

Meu coração transborda de amor


OFERTÓRIO

Pois Pra te Adorar(Venho Senhor Oferecer)

Meu Coração é Para ti Senhor-647

Cristãos vinde todos


SANTO

Várias opções de Santo

CORDEIRO

Várias opções de Cordeiro


COMUNHÃO

A luz resplandeceu em plena escuridão

Vou Cantar seu Amor-818

O Meu Corpo e o Meu Sangue vos Dou

Da cepa brotou a rama

A estrela anuncia ao longe


PÓS COMUNHÃO

Doce é sentir
É impossivel
Eis me aqui
FINAL

És Água Viva-669(Eu te peço..)

https://www.folhetosdecanto.com/2014/09/cantos-missa-batismo-senhor-cifras.html

7- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*)

 7- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*)


"ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE: O VÍNCULO CONJUGAL RESSIGNIFICADO À LUZ DA ORAÇÃO DE SÃO FRANCISCO"

                      [Parte IV-01]

            "Onde houver ofensa, que  eu  leve o perdão!"

                [Atribuída a  São Francisco de Assis]

Obs.: esta quarta parte, tópico 02, dá sequência e complementa as anteriores, de mesmo título.

ONDE HOUVER OFENSA, QUE EU LEVE O PERDÃO!

Dois anos após o atentado que por pouco não lhe tirou a vida, o então Papa João Paulo II visitou seu agressor na prisão e ofereceu-lhe perdão e reconciliação de forma generosa, respeitosa e decidida. Esse gesto não se restringiu a palavras formais ou a uma demonstração de aproximação pública visando marketing ou publicidade. Consistiu em olhar firme e humildemente para seu agressor, buscando ouvi-lo ativa e empaticamente, se dispondo a conceder-lhe remissão do grave erro cometido. Com seu gesto, deixava claro que o perdão pode existir independentemente da disposição - e até mesmo da aceitação - do ofensor. Cogitou-se, à época, se o Pontífice teria ou não invocado algum tipo de clemência ou diminuição de pena em favor de seu agressor. Até onde se sabe, entretanto, nenhum gesto dessa natureza teria sido levado a cabo e, em tendo ocorrido, acabou permanecendo no anonimato e fora do alcance da mídia. Esse exemplo paradigmático deixa uma lição que muitos de nós temos grande dificuldade em compreender: a de que o perdão nasce de uma disposição de conceder ao ofensor o benefício da remissão da culpa, sem, contudo, impedir que as consequências humanas decorrentes do erro sigam seu curso. Perceba que aqui, diferentemente da narrativa do servo severo das Escrituras, em que o perdão decreta remissão total e absoluta das consequências, nesse caso o perdão não trouxe consigo remissão da pena, mas tão somente possibilidade de remissão da culpa e do reequilíbrio mental, emocional e espiritual do agressor.

Em se tratando do vínculo conjugal, essa postura pode ser interpretada no sentido de que nem todo vínculo deva, necessária e obrigatoriamente, ser reatado; não raro, a própria terapêutica pode exigir exatamente o contrário. O exemplo citado demonstra que, embora limitado - diferentemente do perdão de Deus, que é sempre total, irrestrito e absoluto - o perdão humano representa um gesto de misericórdia e de profunda liberdade interior, mesmo quando o vínculo ou o relacionamento não podem ser plenamente restaurados. Mas aqui surge um problema: "o que Deus uniu, o homem não separe!". Como conciliar um vínculo que não pode ou não deve ser reatado, com essa categórica afirmação de que quilo que Deus uniu o homem não separe? Para que se possa superar esse impasse, é preciso avançar um pouco mais.

É impossível ignorar ou deixar de reconhecer o bem que a maioria das religiões têm produzido ao longo dos tempos; as evidências são por demais expressivas para que se ouse negar esse fato. O difícil, porém, é saber com certeza  se o mal que essas mesmas religiões têm disseminado é menor ou maior do que o bem produzido. "O que Deus uniu, o homem não separe!": não é difícil imaginar quanto bem essa máxima terá gerado; mas é igualmente impossível ignorar o quantitativo de culpa e de sofrimento psíquico que essa "crença central", como a chamaria a Teoria Cognitivo-Comportamental - "matriz", no jargão do Psicodrama - terá produzido e continua produzindo. E aqui o paradoxo se torna ainda mais complexo: quanto maior a fé, e mais intenso o fervor que ela suscita, tanto maior o quantitativo de dano psíquico decorrente dessa crença inabalável. Nada contra que a chamada família de Nazaré - Jesus, Maria e José - seja colocada como exemplo singular para os casais que decidem por constituir família. Mas é imperativo que a honestidade religiosa reconheça:  como família humana que foi, a família de Nazaré não constitui regra, mas sim raríssima e singular exceção. Senão vejamos: o filho, Jesus, era nada menos que Filho de Deus; a mãe, Maria, fora preservada do pecado original -  que de acordo com as Escrituras, é a fonte de todo mal e desordem que assolam a humanidade; o pai, José, fora previamente escolhido para ser, nada menos, que o pai do Filho de Deus e esposo da bem-aventurada e imaculada Virgem Maria Santíssima. Se uma família desse tipo não se constitui em absoluta exceção, muito me surpreenderia se a experiência humana    fosse capaz de apontar uma outra - única, que seja - com essas mesmas características. Até aqui, nenhuma análise crítica ou juízo de valor; pura constatação dos fatos biblicamente relatados. Falamos da família, e pouco ou nada do vínculo estabelecido entre José e Maria. Seria injusto ignorar a singularidade desse vínculo, sugerida como paradigma para os demais casais humanos.

Se olharmos com igual honestidade para o vínculo entre José e Maria, concluiremos que o caráter de exceção se torna ainda mais notório e evidente. Trata-se de uma relação fundada não na dinâmica ordinária do desejo, da escolha mútua progressiva, da negociação cotidiana de frustrações e expectativas, mas, antes de tudo, numa obediência radical a um desígnio que antecede e ultrapassa ambos. José não se decide finalmente por Maria a partir de um enamoramento como qualquer outro; ele a acolhe a partir de uma revelação que suspende, por assim dizer, os critérios humanos habituais de escolha, dúvidas, e tomada de decisão. Maria, por sua vez, não entra em definitivo nessa relação a partir de um projeto conjugal convencional, mas a partir de um consentimento absoluto dado a um chamado divino singularíssimo. Não há aqui simetria de condições com qualquer outro casal humano: a castidade praticada, a ausência de competição por interesses recíprocos, a inexistência de ambivalências típicas do amor conjugal ordinário, bem como a presença constante de uma finalidade sobrenatural explícita, retiram desse vínculo suas principais características tipicamente humanas. Diferentemente de Jesus - do qual se afirma ter assumido em tudo, menos no pecado, a nossa condição humana - apenas metaforicamente se pode dizer o mesmo de José e Maria no tocante ao vinculo que os unia. Elevar portanto esse vinculo à categoria de paradigma ou de modelo universal, é confundir a regra com a exceção, o excepcional com o ordinário, e transformar um acontecimento único e singularíssimo em um parâmetro "idealizado" para relações marcadas por fragilidade, ambiguidade, conflito e reconstrução contínua. Aqui, novamente, não há juízo negativo ou depreciativo, apenas constatação. O vínculo entre José e Maria não descreve o caminho comum dos vínculos conjugais humanos - ele literalmente o transcende de maneira extraordinária e única. Considerá-lo como um exemplo para os demais casais humanos é algo plenamente aceitável, sem dúvida; mas tomá-lo como modelo arquetípico com essa mesma finalidade, sem dúvida ultrapassa o limite do razoável.

A rigor, à luz da convivência conjugal entre José e Maria, tal como transmitida pela tradição e ensinada pela Igreja, poder-se-ia considerá-los um autêntico casal de celibatários, pouco ou nada diferente de qualquer membro de uma comunidade ou ordem religiosa. Isso porque a concepção de Jesus, como se sabe, foi extraordinária e milagrosa, sem a necessidade de relação íntima entre seus pais. José - por ser um homem justo, de acordo com as Escrituras - chegou a cogitar despedi-la em segredo, ao tomar conhecimento desse fato. Só não o fez em razão de outra revelação igualmente milagrosa, que o teria colocado a par dos misteriosos desígnios do Criador. Ainda de acordo com a tradição da Igreja, Maria não teria tido nenhum outro filho ou filha. Considerando-se o que a encíclica Humanae Vitae deixou como orientação para os casais - sobretudo os casais cristãos - de que "todo ato sexual humano, em princípio, deve estar aberto à vida", e presumindo que recomendação semelhante teria sido feita também a José e Maria - o mesmo Espírito que aqui age e sopra, supõe -se que também lá agiria e sopraria - em termos lógicos restariam basicamente duas possibilidades: ou José e Maria não mantiveram entre si nenhum relacionamento de natureza sexual durante todo o restante de suas vidas, ou, caso isso tenha ocorrido, a mencionada orientação não teria sido seguida à risca. E se agiam orientados pelo Espírito, parece mais razoável e lógico admitir a primeira hipótese: a de que se abstiveram de relações íntimas por toda sua vida, ou pelo menos pelo tempo de vida de um deles - supõe-se que José teria morrido antes de Maria. Ora, essa é a definição de "celibato" tal como nós, leigos, a concebemos. Mas, nesse caso, a problemática se agravaria ainda mais, ao produzir o que poderíamos chamar de "paradoxo primordial": os casais humanos são exortados a crescerem e a se multiplicarem, tendo um casal celibatário - José e Maria - como modelo ou paradigma.

Retomando de onde havíamos parado, em razão do impasse surgido: é perfeitamente razoável que a máxima - não se configura como mandamento e menos ainda como dogma, ou inversamente se se preferir - "aquilo que Deus uniu o homem não separe" possa ser proposta como princípio estruturante para os demais casais humanos, desde que não só se admita mas se respeite e se celebre as inevitáveis exceções que tal máxima dela porta consigo. Seria um equívoco desastroso concluir que enquanto perdura o amor o vínculo não se rompe, e que se o vínculo se rompeu é porque o amor deixou de existir. É preciso ir além de um amor mesquinho e sucateado para compreender que não só se mostra necessária a separação de determinados vínculos, mesmo quando o amor ainda se sustenta, como também que, em certos casos, é justamente a presença de um amor mais maduro e responsável que exige a rescisão de tais vínculos, tanto para o bem do próprio casal quanto da própria família. Parece simples e lógico condenar uma mãe ou um casal que, no limite de determinada situação, decidam doar seu filho para ser criado por outra família; a regra geral presente nas mentes menos evoluídas parece interpretar tal gesto como simplesmente inconcebível. O que muitas vezes se nos escapa - incapazes que somos de perceber e de sentir a partir de um patamar de consciência mais elevado - é que, não raro, um gesto dessa natureza pode estar sendo impulsionado por um amor ainda mais excelso do que aquele que se expressa convivendo lado a lado com o filho. Também aqui, em situações fronteiriças semelhantes, a afirmação de Dom Armando Falcão, ex-Arcebispo de Brasília, se revela carregada de sentido: "o julgamento é da história - ele pregava - mas o veredito último é de Deus".

Se a misericórdia é de fato a virtude do perdão por excelência, como afirma Comte-Sponville, e se ao ato de perdoar não se deve impor restrição ou limites, como por mais de uma vez insistiu o Mestre, o mesmo não se pode dizer de sua extensão. Nem sempre é possível ou recomendável que o perdão humano seja total, incondicional e absoluto. Diferentemente do perdão divino, o perdão humano, para ser terapêutico e poder contribuir para a excelência do prognóstico, requer muitas vezes - para o bem maior de ambas as partes, incluindo aqui os eventuais netos e filhos - que o relacionamento, no mínimo, seja interrompido por tempo indeterminado e, se depois desse tempo se mostrar viável e conveniente, reconfigurado. Caso, entretanto, essa reconfiguração se mostre inviável, a coerência religiosa - já invocada em momentos anteriores - jamais poderá perder de vista um princípio basilar compartilhado pela diversidade de saberes humanos, sem exceção, incluindo as diferentes religiões: o de que "considerados os princípios fundamentais da ética, e as normas fundamentais dos distintos campos do conhecimento humano, a consciência é e será sempre o critério mais próximo - e nesse sentido, "último" - de decisão de cada pessoa". E para que remorso e culpa não dificultem a tarefa da consciência em momento tão importante e decisivo, é aliviador saber que também Deus não só respeita como certamente abençoa essa decisão - qualquer que ela seja - desde que fundamentada na reta intenção. Afinal, como afirmava Kant, a única coisa absolutamente boa é a boa intenção. "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça, quem puder compreender, compreenda".

Obs.: Esta quarta parte continua e será completada pela quinta parte, de mesmo título.

(* ) Possui graduação em teologia pelo Instituto teológico pio XI (1983), graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1997), graduação em Filosofia pela Faculdade Salesiana de Filosofia, Ciências e Letras (1986) e mestrado em Filosofia pela Pontificia Universidade Gregoriana, Roma - Itália(1988) . Foi por 11 anos consecutivos professor de filosofia jurídica e psicologia Jurídica do Centro Universitário de Vila Velha, ES. Durante esses 11 anos foi Coordenador Pedagógico por 05 anos e de Ensino por 1 ano e meio do mesmo Curso de Direito. Atualmente é terapeuta de grupo, individual, vocacional, Consultório Clínico Psicológico particular. Formou-se recentemente em Psicodrama (02 anos) pelo Instituto Pegasus de Vitória, ES. Atualmente, cursa a pós graduação TCC - Terapia Cognitivo Comportamental.

Fonte: https://sbsabendobem.blogspot.com/2025/12/8-refletindo-com-lindolivo-soares-moura.html