3- LITURGIA DO 23.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A
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Neste 23º Domingo do Tempo Comum, a
Liturgia nos convoca a uma reflexão profunda sobre a nossa convivência.
Somos convidados a entender que a nossa fé não é um assunto particular entre
"eu e Deus", mas uma realidade que se vive no "nós" da
comunidade. As leituras de hoje nos
ensinam que o pecado e a graça de cada um afetam a todos, e que o amor cristão
exige coragem para cuidar e humildade para deixar-se cuidar.
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Na primeira leitura, o profeta Ezequiel
usa a imagem da "sentinela". Nas cidades antigas, a sentinela era
aquele vigia que ficava no ponto mais alto das muralhas. Se ele visse o inimigo
chegando e não tocasse a trombeta para avisar o povo, o sangue de todos estaria
em suas mãos. Deus aplica essa imagem a nós: se vemos um irmão ou irmã
caminhando para a destruição, para o pecado ou para o erro, e nos calamos por
comodismo ou medo de "nos envolver", tornamo-nos corresponsáveis por
esse erro. A correção fraterna não é um
ato de fiscalização da vida alheia, mas um gesto de socorro. Ser sentinela é
não ser indiferente à dor e ao desvio do próximo.
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São Paulo, na carta aos Romanos, resume
a dinâmica da correção fraterna em uma frase: "Não fiqueis devendo nada a
ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está cumprindo a
Lei". O amor é a única dívida que, quanto mais pagamos, mais queremos
dever. Quem ama o próximo cumpre toda a Lei de Deus. Se eu amo meu irmão, não
vou querer vê-lo no erro, não vou publicar seus defeitos e terei a paciência de
ajudá-lo a se levantar. O amor é o filtro pelo qual devem passar todas as
nossas correções e conversas.
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No Evangelho de Mateus, Jesus nos dá um
manual prático de como lidar com os conflitos. Ele reconhece que, onde há
seres humanos, haverá falhas. No entanto, o cristão não resolve conflitos com
fofoca ou exclusão, mas com uma pedagogia de amor em três degraus: Primeiro: o encontro a sós. Este é o
ponto mais importante. Jesus pede que,
antes de falar para qualquer outra pessoa, falemos diretamente com quem errou.
Isso protege a dignidade do irmão. Muitas vezes, destruímos a reputação de
alguém antes mesmo de dar a essa pessoa o direito de se explicar. A conversa
particular é o espaço da misericórdia. O objetivo aqui não é ganhar a
discussão, mas "ganhar o irmão". Segundo:
o apoio de testemunhas. Se o diálogo individual falhar, Jesus não manda
desistir. Ele pede para levar testemunhas. Não são "acusadores", mas
pessoas maduras na fé que possam ajudar a mediar a situação. Às vezes, o outro
precisa ouvir de mais vozes que o caminho que ele segue é perigoso. Terceiro: a voz da Comunidade. Por fim,
se o erro persiste, recorre-se à Igreja.
Isso nos mostra que a comunidade é a nossa família espiritual. O pecado
isola, mas a Igreja busca sempre reintegrar. O termo "seja para ti como um
pagão" não significa desprezo, mas sim que essa pessoa precisa ser
reevangelizada, amada de novo até que compreenda o caminho da verdade.
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Jesus confia à Igreja uma autoridade
impressionante: "Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu".
Isso significa que as nossas atitudes de reconciliação e perdão têm valor
eterno. Quando a comunidade se une para perdoar e acolher, o próprio Deus
confirma esse gesto. Por outro lado, quando nos fechamos no rancor, bloqueamos
a graça de Deus em nosso meio. A Igreja
é, portanto, o lugar onde o céu e a terra se encontram através do perdão.
Jesus conclui com uma promessa consoladora: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali,
no meio deles". Essa presença de Jesus não é automática; ela acontece
quando estamos reunidos "em seu nome", ou seja, de acordo com o seu
projeto de amor. Quando a comunidade reza unida, com o coração limpo de mágoas,
sua oração é irresistível ao coração do Pai. A unidade da Igreja é o que torna
Jesus visível ao mundo.
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Olhemos, também, com honestidade, para o
nosso próprio coração. É o momento de reconhecer que, muitas vezes, atropelamos
o próximo com palavras duras e julgamentos precipitados, em vez de buscar o
diálogo humilde e o encontro a sós que Jesus nos propõe. Reconhecemos ainda
que a indiferença nos fez silenciar quando deveríamos ter estendido a mão para
ajudar um irmão em dificuldade.
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Que tenhamos coragem de dar o primeiro
passo para o diálogo fraterno que gera perdão e que a nossa comunidade seja
reconhecida não como um tribunal de condenações, mas como um verdadeiro
hospital de pecadores: um lugar de acolhida onde todos se apoiam mutuamente na
caminhada para o céu.
https://diocesedesaomateus.org.br/wp-content/uploads/2026/07/06_09_26.pdf
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