sexta-feira, 4 de setembro de 2026

3- LITURGIA DO 23.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

 

3- LITURGIA DO 23.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

- Neste 23º Domingo do Tempo Comum, a Liturgia nos convoca a uma reflexão profunda sobre a nossa convivência. Somos convidados a entender que a nossa fé não é um assunto particular entre "eu e Deus", mas uma realidade que se vive no "nós" da comunidade. As leituras de hoje nos ensinam que o pecado e a graça de cada um afetam a todos, e que o amor cristão exige coragem para cuidar e humildade para deixar-se cuidar.

- Na primeira leitura, o profeta Ezequiel usa a imagem da "sentinela". Nas cidades antigas, a sentinela era aquele vigia que ficava no ponto mais alto das muralhas. Se ele visse o inimigo chegando e não tocasse a trombeta para avisar o povo, o sangue de todos estaria em suas mãos. Deus aplica essa imagem a nós: se vemos um irmão ou irmã caminhando para a destruição, para o pecado ou para o erro, e nos calamos por comodismo ou medo de "nos envolver", tornamo-nos corresponsáveis por esse erro. A correção fraterna não é um ato de fiscalização da vida alheia, mas um gesto de socorro. Ser sentinela é não ser indiferente à dor e ao desvio do próximo.

- São Paulo, na carta aos Romanos, resume a dinâmica da correção fraterna em uma frase: "Não fiqueis devendo nada a ninguém, a não ser o amor mútuo, pois quem ama o próximo está cumprindo a Lei". O amor é a única dívida que, quanto mais pagamos, mais queremos dever. Quem ama o próximo cumpre toda a Lei de Deus. Se eu amo meu irmão, não vou querer vê-lo no erro, não vou publicar seus defeitos e terei a paciência de ajudá-lo a se levantar. O amor é o filtro pelo qual devem passar todas as nossas correções e conversas.

- No Evangelho de Mateus, Jesus nos dá um manual prático de como lidar com os conflitos. Ele reconhece que, onde há seres humanos, haverá falhas. No entanto, o cristão não resolve conflitos com fofoca ou exclusão, mas com uma pedagogia de amor em três degraus: Primeiro: o encontro a sós. Este é o ponto mais importante. Jesus pede que, antes de falar para qualquer outra pessoa, falemos diretamente com quem errou. Isso protege a dignidade do irmão. Muitas vezes, destruímos a reputação de alguém antes mesmo de dar a essa pessoa o direito de se explicar. A conversa particular é o espaço da misericórdia. O objetivo aqui não é ganhar a discussão, mas "ganhar o irmão". Segundo: o apoio de testemunhas. Se o diálogo individual falhar, Jesus não manda desistir. Ele pede para levar testemunhas. Não são "acusadores", mas pessoas maduras na fé que possam ajudar a mediar a situação. Às vezes, o outro precisa ouvir de mais vozes que o caminho que ele segue é perigoso. Terceiro: a voz da Comunidade. Por fim, se o erro persiste, recorre-se à Igreja. Isso nos mostra que a comunidade é a nossa família espiritual. O pecado isola, mas a Igreja busca sempre reintegrar. O termo "seja para ti como um pagão" não significa desprezo, mas sim que essa pessoa precisa ser reevangelizada, amada de novo até que compreenda o caminho da verdade.

- Jesus confia à Igreja uma autoridade impressionante: "Tudo o que ligardes na terra será ligado no céu". Isso significa que as nossas atitudes de reconciliação e perdão têm valor eterno. Quando a comunidade se une para perdoar e acolher, o próprio Deus confirma esse gesto. Por outro lado, quando nos fechamos no rancor, bloqueamos a graça de Deus em nosso meio. A Igreja é, portanto, o lugar onde o céu e a terra se encontram através do perdão. Jesus conclui com uma promessa consoladora: "Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou ali, no meio deles". Essa presença de Jesus não é automática; ela acontece quando estamos reunidos "em seu nome", ou seja, de acordo com o seu projeto de amor. Quando a comunidade reza unida, com o coração limpo de mágoas, sua oração é irresistível ao coração do Pai. A unidade da Igreja é o que torna Jesus visível ao mundo.

- Olhemos, também, com honestidade, para o nosso próprio coração. É o momento de reconhecer que, muitas vezes, atropelamos o próximo com palavras duras e julgamentos precipitados, em vez de buscar o diálogo humilde e o encontro a sós que Jesus nos propõe. Reconhecemos ainda que a indiferença nos fez silenciar quando deveríamos ter estendido a mão para ajudar um irmão em dificuldade.

- Que tenhamos coragem de dar o primeiro passo para o diálogo fraterno que gera perdão e que a nossa comunidade seja reconhecida não como um tribunal de condenações, mas como um verdadeiro hospital de pecadores: um lugar de acolhida onde todos se apoiam mutuamente na caminhada para o céu.

https://diocesedesaomateus.org.br/wp-content/uploads/2026/07/06_09_26.pdf

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