4.3- 23.º DOMINGO DO
TEMPO COMUM – ANO A – SUBSÍDIOS EXEGÉTICOS PARA A LITURGIA DOMINICAL
Primeira
Leitura: Ez 33,7-9
Salmo: Sl 93,1-2.6-7 .8-9
Segunda Leitura: Rm
13,8-10
Evangelho: Mt 18,15-20
Evangelho
No evangelho de Mateus,
Jesus faz cinco grandes discursos. Neles, o evangelista apresenta um plano de
ação pastoral. São as “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora” da Igreja de
Mateus. O trecho do evangelho de hoje faz parte do quarto discurso, que tem
como grande tema “A comunidade fraterna”. O evangelista mostra que a vivência
em comunidade só será bem-sucedida se houver correção fraterna e o perdão.
Os versículos lidos nesta liturgia
apresentam uma questão bem concreta: O que fazer quando acontecerem ofensas pessoais entre os
irmãos?
O caminho que Jesus propõe não é
apenas de correção, mas
também de reconciliação. Por
isso, são vários os passos e as estratégias pastorais.
A primeira atitude a ser tomada,
descrita no v. 15, é uma conversa
privada, cuja iniciativa é da pessoa ofendida: se teu irmão
pecar contra ti. Neste caso, a ação de quem sofreu a ofensa é a mesma do
pastor, descrita imediatamente antes, nos vv. 10-14: procurar a ovelha que se
havia perdido.
A segunda atitude é apresentada no v.
16: se o encontro a sós não surtiu efeito, a parte interessada na reconciliação
e na recuperação deve envolver
outros irmãos no processo: se não te escutar, toma contigo uma
ou duas pessoas. O princípio legal de chamar testemunhas está formulado em Dt
19,15: Uma só testemunha não basta ... A acusação só é válida quando for feita
por duas ou três testemunhas.
Se também esta atitude não surtir o efeito
desejado, o passo
seguinte é apresentado no v.17a: Se não quiser
escutá-las, dize-o
à Igreja. O sentido primeiro do termo grego ekklesía é
“assembleia reunida para fins políticos”. Ao apropriar-se deste termo
originalmente laico, os cristãos reconhecem que a sua comunidade não é apenas
uma reunião de culto e de devoção; é também um encontro em que se assumem
opções com consequências na vida política, social e cultural. Em outras
palavras, a Igreja não é um mundo à parte e isolado do que acontece ao seu
redor.
Mas, pode acontecer de o irmão
corrigido preferir continuar no erro. O último passo, apresentado no v. 17b,
tem um aspecto radical: Mas, se também não quiser escutar a Igreja, será para
ti como o pagão e o coletor de impostos.
Normalmente,
esta palavra de Jesus é interpretada como excomunhão: Jesus estaria dizendo que
é para expulsar da comunidade o irmão pecador teimoso. Mesmo que fosse isso,
não se deve confundir a expulsão da comunidade com o conceito atual de
excomunhão, uma punição extrema na Igreja Católica. Ocorre, porém, que o texto
de Mateus não tem nada a ver com excomunhão.
“Tratar como pagão e coletor de
impostos” não significa banir alguém da comunidade, mas sim considerar aquela
pessoa como alguém
que necessita de uma atenção redobrada, como alguém que ainda
não pertence a comunidade e que exigirá dos irmãos maior atenção e paciência.
Não se trata, portanto, de excomunhão, mas sim missão: os membros da Igreja são
chamados a se empenhar para restaurar e formar aquele irmão.
"A experiência da paternidade comum
de Deus revela-se na missão
de Jesus que acolhe os pecadores, eliminando as barreiras
hipócritas criadas no ambiente religioso".
A experiência da paternidade comum de Deus revela-se
na missão de Jesus que acolhe os pecadores, eliminando as barreiras hipócritas
criadas no ambiente religioso. Ele fundou, na nova comunidade, uma experiência
de fraternidade que ocorre em relações de misericórdia e aceitação mútuas. O
perdão inicial de Deus deve continuar e expandir-se na experiência humana e
eclesial. Quando nos falta a capacidade de reproduzir essa lógica da
misericórdia no relacionamento intereclesial, fechamo-nos à experiência do
perdão definitivo e escatológico de Deus. A misericórdia entre irmãos torna-se,
assim, um momento de verificação da experiência de fé dos discípulos que
experimentaram autenticamente a paternidade de Deus.
Relacionando com os outros textos Ezequiel 33,7-9
Ezequiel foi um profeta que atuou na
Babilônia, durante o tempo do exílio dos judeus naquela terra. Ezequiel era um
sacerdote do templo de Jerusalém, mas foi deportado para a Babilônia em 597
a.C., quando os exércitos de Nabucodonosor invadiram Jerusalém.
Chamado para ser profeta no exílio,
Ezequiel torna-se agora também a “sentinela
da palavra de Deus”. O profeta quer evitar o pior, isto é, que
o povo esqueça a palavra de Deus. Por isso, assume a função da sentinela: prevenir,
dar o alarme, explicar o que está acontecendo. O profeta,
portanto, não é um adivinho; na verdade, ele lê e interpreta os acontecimentos,
a fim de anunciar a
palavra do Senhor. E a tragédia nacional faz Ezequiel
compreender que a palavra do Senhor para o povo exilado é uma palavra de
salvação.
A
imagem da “sentinela” evoca a urgência e o perigo do momento. O profeta aparece
nos momentos mais difíceis mais dramáticos. Ele não faz previsões no “achismo”:
ele interpreta os acontecimentos à luz da Palavra que recebeu de Deus e nesse
confronto enxerga os caminhos que o povo deve seguir para ter vida e esperança.
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