sexta-feira, 4 de setembro de 2026

4- REFLEXÕES DO 23.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A 4.1- AMAR E PERDOAR, APESAR DE TUDO!

 

4- REFLEXÕES DO 23.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

4.1- AMAR E PERDOAR, APESAR DE TUDO!

O evangelho deste domingo falanos sobre a correção fraterna. O ensinamento do Senhor aparece no contexto do poder de “ligar” e “desligar” conferido a Pedro (cf. Mt 16,19) e ao conjunto dos apóstolos (cf. Mt 18,18), portanto à Igreja. O foco é o bem do irmão, ajudá-lo a encontrar o caminho justo e exercitar a reconciliação. A correção fraterna é um bem, quando exercitada no amor que não faz nenhum mal contra o próximo e é o cumprimento perfeito da Lei (cf. Rm 13,10). Ela ajuda a comunidade a manter-se coesa e a viver o senso de responsabilidade no cuidado por todos os membros, que são preciosos para Deus, o qual não quer que ninguém se perca (cf. Jo 6, 39). A unidade e a comunhão na fé e no amor, vividas na Igreja, devem ser sinal para este mundo tão dividido. Na Oração Eucarística para diversas circunstâncias I, a Igreja pede a Deus: “Fortalecei o vínculo da unidade entre os fiéis e os pastores do vosso povo (...). Assim, neste mundo dilacerado por discórdias, o vosso povo brilhe como sinal profético de unidade e concórdia.”. A unidade e a concórdia são dons, mas, ao mesmo tempo, compromisso. A correção fraterna, cujo critério nos é dado no Evangelho, é um instrumento para isso. Ela é uma das sete obras de misericórdia espirituais. Como família de Deus e Corpo de Cristo, somos responsáveis uns pelos outros, e ajudar com amor o irmão a se reconduzir ao bom caminho é uma graça: “Meus irmãos, se alguém de vós se desviar da verdade e outro o reconduzir, que este então saiba: quem faz voltar um pecador do seu caminho errado, o salvará da morte e cobrirá uma multidão de pecados.” (Tg 5, 19-20). Para isso é necessário humildade – “Por que observas o cisco no olho do teu irmão e não reparas na trave que está no teu próprio olho?” (Mt 7, 3) –, discernimento do momento mais oportuno, a consideração a autoestima do irmão, atitude de misericórdia e não de condenação e seguir o critério do Evangelho: primeiro a sós com o irmão; se ele não ouvir, então na companhia de duas ou três testemunhas e, em última instância, levar o caso à Igreja. Infelizmente, porém, muitas vezes essa ordem é invertida: primeiro se leva o caso à Igreja – entendase aqui a maioria dos membros –, depois comenta-se o fato no círculo mais íntimo de convívio e, por fim, mas nem sempre, leva-se à própria pessoa. Isso torna a correção odiosa, cruel e injusta. Como antídoto, o Papa Francisco exortava: “Peçamos ao Senhor que nos faça compreender a lei do amor. Que bom é termos esta lei! Como nos faz bem, apesar de tudo amar-nos uns aos outros! Sim, apesar de tudo! A cada um de nós é dirigida a exortação de Paulo: ‘Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem’ (Rm 12, 21). E ainda: ‘Não nos cansemos de fazer o bem’ (Gal 6, 9)” (EG, n. 101). Junte-se a isso: fugir da fofoca (cf. Tg 3, 1-12; 1Pd 3, 10), da rispidez e grosseria, sendo mansos e humildes como Jesus o foi (Mt 11,29); da indiferença e do desprezo, que é uma violência, tendo cuidado com os julgamentos, que “será sem misericórdia para aquele que não praticou misericórdia” (cf. Tg 2,13). Aos sacerdotes, especificamente, lembrava o Papa Francisco: “A todos deve chegar a consolação e o estímulo do amor salvífico de Deus, que opera misteriosamente em cada pessoa, para além dos seus defeitos e das suas quedas” (EG, 44). Sejamos, pois, promotores da unidade e da comunhão, perdoemos sempre (cf. 1Pd 3, 9; Ef 4,26-32); saibamos acolher as correções fraternas e também fazê-las de modo justo; alegremo-nos com o progresso do outro (cf. 2Cor 13,11); sejamos instrumentos de reconciliação, construindo pontes e não muros (cf. Rm 14,19); exercitemos a paciência (cf. 1Ts 5,14; 1Cor 13,7); cultivemos a humildade (cf. Rm 13,13; 1Cor 3,2-3; Gl 5,19-21), lembrando que, nesta jornada, Jesus está conosco: “onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estou aí, no meio deles” (Mt 18,20).

 Dom Edilson de Souza Silva Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Lapa

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