domingo, 8 de maio de 2022

A MISSA EXPLICADA

O SENTIDO DE CADA PARTE DA MISSA (I)

Para que a Santa Eucaristia não se constitua em um mero rito mecânico, onde as pessoas só “copiam” o que as outras fazem (gestos, sinal da cruz, genuflexão, etc.) sem entender exatamente o que está acontecendo, é bom que cada fiel católico entenda melhor a Santa Missa, pois só amamos aquilo que conhecemos.

A missa é igual para toda a Assembleia, mas a maneira de cada um participar pode ser diferente pois depende da fé que as pessoas têm e também do grau de formação na religião. As vezes vamos fazendo muitas coisas sem saber por quê.

Para participar da missa com fé e alegria, além da sua formação catequética básica, o fiel deve conhecer todas as etapas da liturgia da missa pois ninguém ama o que não conhece.

A palavra MISSA vem do latim missio, que significa despedida ou envio. E, quando os catecúmenos saíam antes do início da Liturgia Eucarística o celebrante os despedia. Desta forma, toda a Celebração Eucarística acabou por ser denominada missa.

A missa é dividida em quatro partes principais: Ritos Iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Eucarística e Ritos Finais.

I RITOS INICIAIS

1. Monição Ambiental

Ao entrar e sair de uma igreja com um sacrário, procedemos à genuflexão um gesto de adoração a Jesus Eucarístico.

Feita pelo comentarista, ao lado do altar. Um convite à Assembleia para participar da Celebração, criando um clima de oração e fé. Solicita que todos, de pé, recebam o celebrante.

2. Canto de Entrada e Sinal da Cruz

Durante o canto, o padre, os ministros e/ou acólitos dirigem-se ao altar. O padre faz uma inclinação profunda e deposita o beijo no altar, endereçado a Cristo.

Em seguida, o padre faz o sinal da cruz e o povo faz com ele (não precisa beijar a mão após o sinal), mas sem dizer nada. Ao final, todos respondem o “Amém”.

A expressão “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” quer dizer a pessoa, não apenas o “nome”. Iniciamos a Missa colocando nossa vida e toda a nossa ação invocando a Santíssima Trindade.

3. Acolhida e Saudação

É o “bom dia” de inspiração divina dado pelo Presidente à Assembleia. Em uma das formas litúrgicas, o padre saúda o povo com as palavras de São Paulo aos Coríntios (2Cor 13,11-13):

– A graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco!

Independente da forma utilizada, todos respondem:

– Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!

4. Ato Penitencial

“Se estás diante do altar para apresentar a tua oferta e ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa tua oferta lá diante do altar. Vai primeiro reconciliar-te com teu irmão, depois volta para apresentares tua oferta.” (Mt 5,23-24)

Convite para cada um olhar para si (reconhecer os próprios pecados e não os dos outros), buscando um arrependimento sincero.


Precisamos pedir que Jesus purifique nosso coração para termos parte com ele.

A absolvição geral que o padre dá no Ato Penitencial é uma purificação das faltas leves, e realmente nos purificam para participarmos da Ceia do Senhor. Os pecados graves necessitam de uma confissão sacramental.

5. Hino de Louvor (Glória)

É um cântico solene, uma das mais perfeitas formas de louvor à Santíssima Trindade, porque se dirige ao Pai e a Jesus Cristo, na unidade do Espírito Santo. Vem logo após o Ato Penitencial, porque o perdão de Deus nos faz felizes e agradecidos.

Inspirado no canto dos anjos que louvaram a Deus no nascimento de Jesus: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens de boa vontade.” (Lc 2,14)

O Glória não é cantado (nem recitado) na Quaresma e no Advento, tempos que não são próprios para se expressar alegria.

6. Coleta

Do latim “collígere”, que quer dizer reunir, recolher, coletar. Tem o sentido de reunir, numa só oração, todas as orações da Assembleia.

Por isso, começa com o “Oremos um convite aos presentes para que se ponham em oração seguida de uma pausa, para que cada um faça mentalmente a sua oração pessoal.

A seguir, o padre eleva as mãos assumindo as intenções dos fiéis e elevando-as a Deus e profere a oração em nome de toda a Igreja.
Por fim, todos dizem “Amém” para dizer que a oração do padre também é sua.

É uma oração presidencial, feita apenas pelo padre, como representante de Cristo. Todas as orações presidenciais são compostas por: invocação, pedido e conclusão. As orações são dirigidas ao Pai, em nome de Jesus nosso mediador, na unidade do Espírito Santo.

II LITURGIA DA PALAVRA

Após o “Amém” da Coleta, a comunidade senta-se, aguardando, antes, o Presidente dirigir-se à sua cadeira.

A Eucaristia é o “mistério de nossa fé” e a fé vem pela Palavra de Deus (cf. Rm 10,14). Daí a importância da pregação, abrangida pela Liturgia da Palavra. “Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.” (Mt 4,4)

A Palavra de Deus não é para ser apenas “lida”, mas “proclamada” solenemente. “A fé entra pelo ouvido.”

As leituras das missas dominicais variam a cada ano, repetindo-se a cada três anos. São os chamados ANOS A, B e C. Em cada ano meditamos o Evangelho segundo Mateus, Marcos e Lucas respectivamente. O Evangelho segundo João intercala-se durante o ano em momentos fortes.

Os 3 primeiros Evangelhos fazem como que uma sinopse dos fatos acerca da vida de Jesus são, por isso, chamados de “sinóticos”. O Evangelho escrito por São João focaliza outros fatos e palavras de Jesus, destacando Sua divindade e penetrando mais o Mistério do Filho de Deus.

A Liturgia da Palavra é tão importante quanto a Liturgia Eucarística e deve ter um lugar reservado para a proclamação a MESA DA PALAVRA.

1. Primeira Leitura

A Primeira Leitura, em geral, é tirada no Antigo Testamento, onde se encontra o passado remoto da História da Salvação. Em alguns tempos litúrgicos também são tiradas de outros livros do Novo Testamento que não sejam os Evangelhos.

2. Salmo Responsorial

É uma resposta cantada ou recitada à mensagem proclamada. Ou ainda, uma “oração” da Leitura, ajudando o povo a rezar e a meditar na Palavra de Deus que acabou de ser proclamada. Não pode ser substituída por outros cânticos que não sejam inspirados no salmo previsto.

3. Segunda Leitura

Em geral, é uma carta, retirada do Novo Testamento. Só é proclamada em missas dominicais ou de dias festivos, não nas missas feriais (no meio da semana).

Assim, a Liturgia da Palavra, no decorrer das missas do ano, nos dá uma visão de toda a História da Salvação, recordando quase toda a Bíblia.

4. Canto de Aclamação ao Evangelho

Jesus Cristo é a Palavra de Deus. Ele se torna presente na proclamação do Evangelho. Aclamar é aplaudir com alegria, então o canto de Aclamação ao Evangelho é uma espécie de “aplausos” para o Senhor que vai nos falar.

Pode ser antecedido por um breve comentário (não é uma homilia, que não deve antecipar o que vai ser dito no Evangelho), convidando e motivando a Assembleia para ouvir o Evangelho. Na Quaresma e no Advento, o canto não tem “Aleluia”.

5. Proclamação do Evangelho

Antes da proclamação do Evangelho, pode-se fazer uma procissão com a Bíblia ou Lecionário e as velas. Para se dar mais destaque ao anúncio da Palavra de Jesus, dois ministros ou acólitos podem segurar uma vela em cada lado do ambão.

O diácono, e na falta deste o padre, proclama em um lugar mais elevado, para ser visto e ouvido por toda a Assembleia, que deve estar em pé, numa atitude de expectativa para ouvir a Mensagem. É como se o próprio Jesus se colocasse diante de nós para nos falar do que mais nos interessa.

O diácono/padre saúda a Assembleia:

– O Senhor esteja convosco!
– Todos: Ele está no meio de nós!
– Diácono/Padre: Evangelho de Jesus Cristo, escrito por …
– Todos: Glória a vós, Senhor!

E, ao final do Evangelho:

– Diácono/Padre: Palavra da Salvação! (E beija a Bíblia)
– Todos: Glória a vós, Senhor!

“Bem-aventurado os que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática.” (Lc 11,28)

6. Homilia (Pregação)

É a interpretação de uma profecia ou a explicação dos textos bíblicos das leituras proclamadas.

Os próprios Apóstolos, depois de ouvirem as parábolas, pediam a Jesus que lhes explicasse o que elas queriam dizer. Assim também é o Povo de Deus, que precisa de alguém que lhes explique as Escrituras, do mesmo modo que Filipe explicou ao ministro da Rainha Candace, da Etiópia, uma passagem do AT:

“Ouvindo que lia o profeta Isaías, disse-lhe: “Porventura entendes o que lês?” Ele respondeu: “Como é que vou entender se ninguém me explicar?”.” (At 8,30b-31a)

As Escrituras não são de simples compreensão e não estão sujeitas a interpretações particulares, mas tão somente da Igreja que Cristo fundou, sob o Primado de Pedro:

“Pois, antes de tudo, deveis saber que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal, porque jamais uma profecia se proferiu por vontade humana, mas foi pelo impulso do Espírito Santo que homens falaram da parte de Deus.” (2Pd 1,20-21)

“É o que ele faz em todas as epístolas em que vem a tratar do assunto. Nelas há alguns pontos de difícil inteligência, que homens ignorantes e sem firmeza deturpam, não menos que as demais Escrituras, para sua própria perdição.” (2Pd 3,16)

Além do que, a Bíblia não é a única fonte de doutrina para o cristão, mas, inclusive, a Tradição (Oral e Escrita) e o Magistério da Igreja fundada por Jesus:

“Jesus fez ainda muitas outras coisas. Se fossem escritas uma por uma, penso que nem o mundo inteiro poderia conter os livros que se deveriam escrever.” (Jo 21,25)

“Assim, pois, irmãos, ficai firmes e conservai os ensinamentos que de nós aprendestes, seja por palavras seja por carta.” (2Ts 2,15)

7. Creio (Profissão de Fé)

Crer em Deus é confiar nele! Com o Creio, a comunidade afirma que crê na Palavra de Deus que foi proclamada e está pronta para pô-la em prática. É como um juramento público.

Há dois textos diferentes para a Profissão de Fé: o Símbolo Apostólico e o Símbolo Niceno- Constantinopolitano.

O primeiro vem do tempo dos Apóstolos. É um resumo das verdades de fé professada pelos primeiros cristãos. É também mais curto e mais recitado nas missas no Brasil.

O Símbolo Niceno-Constantinopolitano surgiu no séc. IV, a partir da heresia de Ário, que, em sua heresia (negação de verdades de fé), disse que Jesus era apenas homem, não Deus (como hoje o fazem os espíritas e os “Testemunhas de Jeová”). Então a Igreja, no Concílio de Nicéia (ano 325), colocou no “Creio” algumas palavras a mais, acentuando a divindade de Jesus:

“Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro…”
Alguns anos depois, Macedônio, outro herege, negou a divindade do Espírito Santo. A Igreja reafirmou essa divindade, a partir do

Concílio de Constantinopla (ano 381):

“Senhor que dá a vida e procede do Pai e do Filho, e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado; ele que falou pelos profetas.”

Assim se formou esse Símbolo, surgido após os Concílios de Nicéia e Constantinopla. É uma síntese das verdades fundamentais da fé, para manter os cristãos unidos, à medida que iam se espalhando pelo mundo.

No Brasil, o Símbolo Niceno-Constantinopolitano é recitado apenas em alguns domingos, geralmente quando se fala de Jesus como Messias, o Filho de Deus. Eis o símbolo completo:

“Creio em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, criador do céu e da terra; de todas as coisas visíveis e invisíveis. Creio em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nascido do Pai antes de todos os séculos: Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro; gerado, não criado, consubstancial ao Pai. Por ele todas as coisas foram feitas. E por nós, homens, e para nossa salvação desceu dos céus: e se encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem. Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos; padeceu e foi sepultado. Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras, e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai. E de novo há de vir, em sua glória, para julgar os vivos e os mortos; e o seu reino não terá fim. Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida, e procede do Pai e do Filho; e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado: Ele que falou pelos profetas. Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica. Professo um só batismo para remissão dos pecados. E espero a ressurreição dos mortos e a vida do mundo que há de vir. Amém!”.

8. Oração dos Fiéis (Oração Universal)

No início da missa existe a Oração Coleta uma oração presidencial breve, a fim de colocar a Assembleia em clima de fé para ouvir a Palavra de Deus. A Oração dos Fiéis é um espaço mais abrangente para que os fiéis coloquem publicamente suas intenções.

Após ouvirmos a Palavra de Deus e de professarmos nossa fé nessa Palavra, nós colocamos em Suas mãos as nossas preces de modo oficial e coletivo.

Nessa oração, o povo exerce sua função sacerdotal, suplicando por todos os homens, incluindo as seguintes intenções:

– pelas necessidades da Igreja e do Papa;
– pelos governantes, legisladores e magistrados; (pois eles têm um poder temporal, e devem servir ao povo)
– pelos que sofrem qualquer necessidade, especialmente pelos doentes; e
– pelas necessidades da comunidade local.

A Equipe de Liturgia deve tomar a iniciativa de ver as intenções da comunidade incluídas na oração, possibilitando que a fé expresse algo mais concreto e vivencial.

O que não se pode fazer na missa são as orações particulares, como leitura de livros piedosos, novenas e o terço.

Na Oração dos Fiéis, a introdução e a conclusão são feitas pelo Presidente. As outras preces são feitas pelos fiéis, em voz alta, expressando a fé viva e alegria de toda a comunidade, unidade num só coração e numa só alma.

Durante a Oração dos Fiéis, todos ficam de pé a posição própria do orante e como rezavam os primeiros cristãos

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Bibliografia:                                                                                             

A Missa Parte por Parte -Pe. Luiz Cechinato, 18ª ed., Ed. Vozes, 1992
Celebrar a Vida Cristã – Ed. Vozes
Catecismo da Igreja Católica
Riquezas da Mensagem Cristã – Ed.
Lumen Christi

https://pt.aleteia.org/2018/07/02/o-sentido-de-cada-parte-da-santa-missa/

(Continua no próximo Domingo...)

HOMENAGEM ÀS MÃES


Obrigado, mamãe, por tudo o que fez e faz por todos nós. Obrigado por ser a melhor mãe do mundo! Todos os dias devemos prestar homenagem às mulheres que nos deram a vida e com tanto amor nos cuidaram. Parabéns a todas as Mães!


Frases famosas sobre mãe

Por fim, algumas citações sobre mãe que valem a pena e são ótimas fontes de inspiração:

 

1.    “Deus não poderia estar em toda a parte e, portanto, ele fez as mães.” – Provérbio Judaico

2.    “Mãe… São três letras apenas, as desse nome bendito: também o Céu tem três letras… E nelas cabe o infinito.” – Mário Quintana

3.    “Os homens são o que as mães fazem deles.” – Ralph Waldo Emerson

4.    “Tudo aquilo que sou, ou pretendo ser, devo a um anjo, minha mãe.”  – Abraham Linconln

5.    “O amor de mãe é o combustível que capacita um ser humano comum a fazer o impossível.”  – Marion C. Garretty

6.    “Nenhuma influência é tão poderosa quanto a de mãe.” – Sarah Josepha Hale

7.    “Tudo é incerto neste mundo hediondo, mas não o amor de uma mãe.” – James Joyce

8.    “A mãe compreende até aquilo que os filhos não dizem” – Textos Judaicos


https://www.mapadomeuceu.com.br/blog/mensagem-para-mae/

ESPIRITUALIDADE

O Dia das Mães e a maternidade espiritual de Maria e da Igreja


Maria, mãe de Cristo, é também mãe dos membros de Cristo, ou seja, da Igreja

O Dia das Mães convida-nos a pensar não só na mulher que nos deu a vida e nos criou, mas também na maternidade espiritual da qual beneficiamos constantemente: a de Maria e a da Igreja.


Como a Virgem Maria e a Igreja exercem esta maternidade?

Através do seu “decreto”, Maria consente ao mistério da Encarnação e desde então colabora em toda a obra que o seu Filho deve realizar. “Ela é mãe”, diz o Catecismo da Igreja Católica, “ali onde Ele é o Salvador”. Desde os primeiros tempos, a Santíssima Virgem é chamada de “Mãe de Deus”. O seu papel em relação à Igreja e a toda a humanidade é único: “Ela colaborou de forma totalmente única na obra do Salvador através da sua obediência, da sua fé, da sua esperança e do seu amor ardente, para restaurar a vida sobrenatural dos homens. Por isso ela é nossa mãe pela ordem da graça” (Vaticano II, Lumen gentium § 61).


Maria, mãe de Cristo, é também mãe dos membros de Cristo, ou seja, da Igreja. Ela cooperou com a sua caridade no nascimento dos fiéis na Igreja. É fruto da sua peregrinação de fé, na qual, fielmente unida ao seu Filho até à Cruz, é finalmente entregue ao discípulo como sua mãe: “Mulher, aqui está o teu filho” (Jo 19,26).


A Igreja também exerce uma maternidade porque por meio dela recebemos a vida da fé. “Cremos na Igreja como mãe do nosso novo nascimento e não na Igreja como se ela fosse a autora da nossa salvação“ (Santo Fausto de Riez). Por ser nossa mãe, ela é também educadora da nossa fé. Ela é, por exemplo, quem nos ensina que Deus pode ser conhecido com certeza através da luz natural da razão. Se não tivéssemos aprendido isso, quantos diriam que Deus é naturalmente conhecível?


https://pt.aleteia.org/cp1/2021/05/05/o-dia-das-maes-e-a-maternidade-espiritual-de-maria-e-da-igreja/

HISTÓRIA INSPIRADORA

Mãe de padre brasileiro se torna freira na mesma família religiosa

Instituto do Verbo Encarnado | Facebook

“Estamos seguindo a Cristo no mesmo caminho, na mesma vocação, e, como se não bastasse, com o mesmo carisma, o que é motivo para dar graças a Deus”

 

Francisco Vêneto – Da Aleteia


A mãe de um padre brasileiro se tornou freira na mesma família religiosa a que o filho pertence, o Instituto do Verbo Encarnado. O próprio padre Jonas Magno de Oliveira relatou a peculiar história vocacional, que tem chamado as atenções nas redes sociais.


Durante uma conversa com a agência de notícias ACI Prensa, o sacerdote testemunhou que começou a sentir o chamado à vida consagrada quando tinha 8 anos e frequentava a Missa com a família, o que lhe permitia constatar o zelo e cuidado pastoral de um sacerdote diocesano que o inspirava a dedicar a vida a Deus.


A família achava que esse primeiro interesse vocacional era “sonho de criança”, mas Jonas tinha a certeza de que era algo maior. Sua mãe, relata o agora sacerdote, não queria forçar a sua vocação, mas ficava ao seu lado ensinando-lhe as virtudes:


“Ela se inspirava em Nossa Senhora, que sempre esteve em silêncio, deixando que Cristo fizesse o que Ele tinha que fazer”. Jonas tinha 13 anos quando sua mãe foi convidada a fazer os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola. Enquanto ela transcorria os dias de retiro em silêncio, ele convivia com os formadores no seminário menor do Instituto do Verbo Encarnado, cujo reitor o “ajudou a discernir as preocupações vocacionais e confirmar que eu tinha uma vocação”.



O jovem decidiu entrar no seminário. Por ser filho único, temia que a mãe ficasse sozinha. A Providência, porém, tinha outros planos para ela também…


As irmãs do Instituto Servidoras do Senhor e da Virgem de Matará, que formam o ramo feminino do Instituto do Verbo Encarnado, a convidaram a viver com elas. O fato de ser enfermeira também lhe possibilitaria ajudar a cuidar de pessoas com deficiências mentais, o que a mãe do futuro pe. Jonas achou maravilhoso.


Ela aceitou a proposta e passou a viver com as religiosas pouco depois que ele próprio tinha entrado no seminário menor. Por sua vez, o pe. Jonas foi ordenado em 8 de maio de 2020 e vive hoje em Roma, de onde se mostra muito agradecido a Deus “por estar tão perto de minha mãe, por estar aqui, por ser sacerdote, na missão, trabalhando e ajudando”.


O jovem sacerdote acrescenta que a vocação da mãe é um “presente espetacular”:


“Quando se fala de vocação, a maioria das pessoas diz: meu pai ou minha mãe foram contra… Mas comigo não foi assim. Minha mãe foi a favor, e não só a favor: agora estamos seguindo a Cristo no mesmo caminho, na mesma vocação, e, como se não bastasse, com o mesmo carisma, o que é muito especial e é um motivo para dar graças a Deus”.


http://www.aroldomura.com.br/historias-inspiradoras-mae-de-padre-brasileiro-se-torna-freira-na-mesma-familia-religiosa

A ESPERANÇA COMO PERSPECTIVA PASTORAL PARA A COMUNICAÇÃO

Por Marcus Tullius*


A pandemia deu visibilidade ao trabalho desenvolvido pela pastoral da comunicação e à necessidade de tê-la articulada às realidades eclesiais. O comunicador cristão, pela sua ação, torna-se um mantenedor da esperança, especialmente diante de cenários de instabilidade.

 

Introdução

 

A pandemia da Covid-19 escancarou as mazelas de sociedades marcadas por chagas as mais diversas e, em contrapartida, abriu oportunidades para a comunicação possibilitar a sobrevivência da humanidade em meio ao caos. A pastoral da comunicação foi – e está sendo – heroica na missão de promover a cultura do encontro e manter acesa a chama da esperança, especialmente nas estradas digitais.

O chamado e esperado “novo normal” só será novo, de fato, se soubermos ressignificar a prática pastoral à luz da Palavra de Deus, do magistério da Igreja e do olhar atento às realidades que nos cercam – off-line e on-line.

 

1.    A partir de uma pandemia

 

Aprendemos, desde crianças, que de tudo devemos tirar uma lição. Mesmo quando o caminho percorrido não é o que escolhemos, dali devemos extrair ensinamentos e sair melhor como humanidade. A pandemia está durando mais tempo do que o esperado e, talvez, ainda será insuficiente para nos fazer mudar de vida. Não é possível que tantas vidas perdidas, tantos erros cometidos, não nos façam olhar o mundo de uma maneira diferente. Em face disso, perguntamos: que lições podemos tirar da pandemia para a vida e para a comunicação?

O centenário filósofo francês Edgar Morin recorda que houve muitas pandemias na história, mas a novidade radical da Covid-19 está no fato de dar origem a uma “mega” crise feita da combinação de crises políticas, econômicas, sociais, ecológicas, nacionais, planetárias, que se sustentam mutuamente com componentes, interações e indeterminações múltiplas e interligadas, ou seja, complexas” (MORIN, 2020, p. 21). Das 15 lições elencadas por Morin nessa obra, pelo menos cinco dizem muito da nossa forma de olhar o mundo enquanto sujeitos eclesiais:

  1. Sobre nossa existência: diante do consumismo desenfreado, “a experiência do isolamento precisa abrir nossos olhos para a existência daqueles que o suportam na penúria e na pobreza” (idem, p. 23);
  2. Sobre nossa condição humana: fomos dominando a criação e, com isso, “nossa fragilidade estava esquecida; nossa precariedade, ocultada” (idem, p. 23);
  3. Sobre nossa civilização: muitos já convivem com essa realidade diariamente, mas, para uma parcela, “as injunções do isolamento reduziram nossas compras ao indispensável, mostrando-nos que muita coisa supérflua nos parecia necessária” (idem, p. 28);
  4. Sobre o despertar da solidariedade: mesmo diante de catástrofes, “vimos a lição, ainda que simbólica, da solidariedade nacional” (idem, p. 28);
  5. Sobre a desigualdade: “o isolamento serviu de lente de aumento para as desigualdades sociais” (idem, p. 29).

Com base nesse recorte da realidade, podemos recolher alguns elementos que nos ajudarão a refletir sobre a importância da comunicação e sua perspectiva pastoral.


2.    Sede de esperança

 

Sempre fomos acostumados a contemplar a sede como privação, como algo negativo e, por vezes, até como um castigo. Em situações de elevada temperatura, em regiões de duras secas, não há nada mais reconfortador do que receber um copo de água fresca; não há nada mais salvador do que saciar a necessidade fisiológica do organismo. Não é dessa sede, porém, que quero tratar no início deste texto. Chamo a atenção para a sede de esperança, aquela que deve habitar o mais profundo do coração humano e nunca pode faltar ao comunicador. A sede que a pandemia também veio intensificar no coração humano.

O comunicador deve viver com sede, para sempre ter o desejo de se saciar. Ele deve dizer com o salmista, no Salmo 62,2: “Ó Deus, tu és o meu Deus, ansiosamente te procuro. Minha alma tem sede de ti. Por ti desfalece a minha carne, como terra seca e exausta, sem água”. A imagem da secura do deserto estimula a pensar que sem Deus não existe a verdadeira vida; que sem Deus não se comunica a verdadeira vida. Assim como Davi, que deseja uma experiência mais profunda com Deus, quem se propõe comunicar deve ter esse mesmo ideal. Avançando no referido salmo, no versículo 5, temos a seguinte proclamação: “Sim, vou te bendizer enquanto eu viver e, em teu nome, levantarei as mãos”. É a alegria daquele que conhece a Deus e o louva pela vida toda. É o louvor do sedento!

Comunicar é uma necessidade humana. Por meio de diversos sinais – sons, imagens, textos, gestos, silêncio e outros mais –, o ser humano delimita seu ser-estar no mundo. Qual sede deve ter o comunicador? Antes da sede de comunicar, da ânsia de produzir e transmitir, ele deve ter sede de Deus, sede de rezar, sede de se formar, sede de servir, sede de saciar, sede da sede.

Sobre a sede e a fonte que a sacia, reflito um pouco mais no livro Esperançar: a missão do agente da pastoral da comunicação, publicado pela Editora Paulus na coleção Ecclesia Digitalis. Ali, discorro sobre minha experiência pessoal com a leitura e as pregações do cardeal José Tolentino Mendonça, arquivista e bibliotecário da Santa Sé, em O elogio da sede. O cardeal madeirense afirma que a fé não resolve nossa sede, mas dilata nosso desejo de Deus, para intensificar nossa busca (TOLENTINO, 2018). A sede é plena de esperança. Já que “a esperança não decepciona” (Rm 5,5), ela pode dar sentido à sede. Só a esperança pode dar sentido à sede e nos inserir na dinâmica própria do Espírito!

 

3.    Não há comunicação real sem a presença do Espírito

 

Muitas pessoas e grupos começam suas atividades eclesiais no fazer. Na cultura popular, encontramos o ditado que diz que a necessidade faz o sapo pular. De fato, a pandemia fez diversas comunidades eclesiais sentir a necessidade da pastoral da comunicação. Grande número de pessoas, até de maneira improvisada, começou a fazer transmissões de missas, criar posts para as mídias sociais e se envolver nas circunstâncias impostas pela pandemia. Que proveito, porém, podemos extrair dessa situação? Não podemos ficar eternamente no improviso e no amadorismo e absortos na lógica do fazer. É aqui que surge um alerta!

Na pressa do fazer e na ânsia de produzir, há o risco de negligenciar a dimensão espiritual, ainda mais necessária aos nossos dias. As atuais Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil sustentam que é preciso superar a ideia de que o fazer já é uma forma de oração. Esse é um desafio a ser vencido por todas as pastorais e movimentos, mas mais particularmente pela pastoral da comunicação, ante os perigos do encantamento com a técnica, com as plataformas e com as múltiplas possibilidades oferecidas pela comunicação digital. Esse fascínio pode levar facilmente à tentação do ativismo. O problema, apontam as Diretrizes, é que “os agentes de pastoral correm o risco de se esquecer da dignidade batismal, como verdadeiros sujeitos eclesiais, reduzindo-se a meros voluntários” (CNBB, 2019, p. 55).

É sempre necessário recordar que somos discípulos-missionários, não apenas operadores de máquinas. Para operar um equipamento, tirar uma foto, fazer uma live, escrever um texto… enfim, para realizar qualquer atividade comunicativa, é preciso estar imbuído do Espírito, a fim de que a ação leve a um testemunho. O Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil afirma que “o anúncio sempre deve ser acompanhado pelo testemunho” (CNBB, 2014, p. 161). Ora, o testemunho que o comunicador deve oferecer à sua comunidade parte de um encontro pessoal com a Pessoa de Jesus Cristo, encontro renovado diariamente no exercício de seu ministério.

Não é à toa que a espiritualidade é um dos eixos da pastoral da comunicação. Ela dá sentido aos demais (formação, produção e articulação), constitui o alicerce (CNBB, 2014, p. 164). Para viver a espiritualidade, é preciso ter sede. O agente da pastoral da comunicação deve ter a consciência da necessidade de intimidade com Deus, de um encontro pessoal com o Criador, para criar raízes “na verdadeira e inesgotável fonte de onde emana o sentido profundo dessa mensagem comunicativa”. A comunicação, portanto, torna-se experiência de graça, porque “o ser humano tem a possibilidade de fazer certa experiência do Absoluto que o transcende” (CNBB, 2014, p. 45)


4.    “Quem comunica se faz próximo”

 

Um dos grandes desafios impostos pela pandemia foi o isolamento social. Especialmente aqui no Brasil, com uma cultura marcada por abraços e apertos de mão, por aglomerações tão naturais nos encontros familiares, nas festas, nas igrejas. O isolamento, à primeira vista, é o calcanhar de aquiles da proximidade. Será que, depois desse tempo de privação, olharemos para o conceito de proximidade da mesma forma? Nossas comunidades físicas, com a presença corpórea das pessoas, terão a mesma dinâmica pastoral? Nossa comunidade presencial terá a mesma intensidade que a overdose de eventos e celebrações realizados de forma digital?

Na mensagem para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 2014 – a primeira escrita por Francisco no seu pontificado, visto que a anterior fora elaborada pelo papa emérito Bento XVI –, já lançava luzes para encarar essa realidade: “como se manifesta a ‘proximidade’ no uso dos meios de comunicação e no novo ambiente criado pelas tecnologias digitais?” (PAPA FRANCISCO, 2014).

Sempre que releio tal mensagem, essa pergunta me provoca e me desloca. Primeiramente, pela perspectiva que Francisco lança, com base na parábola do samaritano, para uma comunicação eficaz ao nosso tempo: “Quem comunica se faz próximo”. Ainda gastaremos muitos caracteres e muitas lives para compreender a profundidade dessa simples frase. Em segundo lugar, pela inversão da lógica, proposta por Jesus e evocada por Francisco: “Não se trata de reconhecer o outro como um meu semelhante, mas da minha capacidade para me fazer semelhante ao outro”.

Chamo a atenção para o desafio da proximidade em tempos digitais, quando corremos o risco de nos tornarmos máquinas por trás de máquinas. Cabe compreender que a proximidade deve ter lugar mesmo quando a distância geográfica é evidente. Na Palavra de Deus, fonte da comunicação e do comunicador, constatamos que as comunidades cristãs conseguiam viver a proximidade. Não obstante a distância geográfica, elas não estavam isoladas. Darlei Zanon aponta alguns laços que contribuem para manter as comunidades ligadas: “evangelização, solidariedade, formação, trabalho, ajuda etc.” (ZANON, 2018, p. 83).

A fim de compreender melhor o hoje e o amanhã, precisamos ter a ousadia de olhar para o ontem, para as primeiras comunidades, e encontrar nelas o impulso e o ardor missionário para viver a proximidade. Além disso, cabe-nos perceber algo muito simples: elas não contavam com o aparato que possuímos atualmente, mas deixavam-se possuir pela Palavra.


5.    Comunhão e participação para manter a esperança

 

Talvez alguns cheguem a este ponto da leitura cansados de ouvir/ler sobre esperança. Ela deve ter sido uma das palavras positivas mais ditas e escritas durante a pandemia. Crentes e não crentes usaram-na sem moderação. Ela foi, e continuará a ser, conforto para os desanimados. No livro de minha autoria indicado neste artigo, dedico um capítulo aos mantenedores da esperança. Talvez tenha sido uma forma de homenagear os homens e mulheres dispostos a viver de esperança. Basta olharmos para uma vela e encontraremos o sentido. Quem vive sem esperança vai cruzar os braços e deixar que ela se apague. Já o mantenedor é alguém que está encantado com a vida, que não vai medir esforços, que fará todo o possível (e o impossível também) na luta por mantê-la acesa. Vejo os agentes da pastoral da comunicação como mantenedores da esperança, pois, mesmo quando a chama parece se esvair, eles estão ali.

Sobre isso, é oportuno lembrar que a pastoral da comunicação não pode ser reduzida aos meios de comunicação. Novamente, à luz do Diretório de Comunicação, compreendemos que “ela é um elemento articulador da vida e das relações comunitárias. Ela favorece o cultivo do ser humano enquanto pessoa que comunica valores, vivenciados a partir da Palavra de Deus e da Eucaristia” (CNBB, 2014, p. 161).

O dístico “comunhão e participação”, eco da 3ª Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, realizada em Puebla no ano de 1979, apresenta as duas âncoras presentes no exercício de comunicar. Comunhão, por uma razão não somente etimológica, mas de natureza, e participação, não apenas por retórica, mas por necessidade.

Embora tenham se passado 40 anos da Conferência de Puebla, ainda seguimos buscando comunhão e participação – em outros meios, mas rumo ao mesmo fim. Neste tempo hiperconectado, é preciso tomar consciência dos riscos de fazer uma comunicação para privilegiados, apenas para os que têm acesso às tecnologias, e considerar que se esteja comunicando de maneira democrática. Ledo engano! O papa Francisco continuamente nos chama a atenção para a realidade das periferias, não apenas geográficas, mas também existenciais. Pode ser que haja muitas delas (quase invisíveis como o vírus) no território de sua comunidade eclesial. A comunicação é poderoso instrumento para gerar comunhão e garantir a participação de todos nos meios e processos.


6.    Pistas para uma pastoral da proximidade e da esperança

 

Diante da reflexão apresentada, proponho algumas pistas para a vivência da pastoral da comunicação.

  • Buscar intimidade com a Palavra de Deus. Com base na consciência do discipulado e da missão, o comunicador cristão deverá ser um mistagogo, deixando-se renovar continuamente pelo Espírito em busca da verdadeira intimidade com Deus. Há que ter cuidado para não ser algo puramente intimista, fugindo da dimensão comunitária, ou algo superficial. A intimidade alimenta-se no encontro contínuo com a Palavra e com a Eucaristia.
  • Reencantar-se pela escuta e pelo outro. Atualmente, a dimensão mais perdida (e, ao mesmo tempo, mais essencial) da comunicação é a escuta. Buscamos constantemente aperfeiçoar a fala, em detrimento da escuta. Com isso, o outro vai sendo apequenado e reduzido a mais um. Na pastoral vivida no ambiente digital, também é preciso abrir-se à realidade da escuta. Mais do que oferecer respostas prontas aos algoritmos, é preciso oferecer ouvidos atentos, capazes de discernir os verdadeiros anseios das pessoas.
  • Ter consciência de ser uma pastoral transversal. À medida que os eixos da pastoral da comunicação (formação, articulação, produção e espiritualidade) são vividos de maneira harmônica, dão sustentação às demais ações da comunidade, paróquia ou diocese. Perceber a integração e interligação dos eixos ajuda a promover uma pastoral mais fortalecida e também colabora, de maneira mais efetiva, para a pastoral orgânica, mediante a característica da transversalidade. Essa característica deve ser muito bem assimilada pelos agentes, pois a pastoral da comunicação não encerra em si suas atividades; ela é a pastoral do serviço, existe para as demais atividades evangelizadoras.
  • Valorizar gestos de solidariedade e partilha. O agente da pastoral da comunicação, no ato de esperançar, deve ser um alimentador de gestos de solidariedade e partilha existentes em sua realidade eclesial. Para tanto, deve apoiar ações caritativas promovidas pelas pastorais sociais, conferindo ampla visibilidade ao exercício do Evangelho.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL (CNBB). Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil. Brasília: CNBB, 2014.

______. Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil: 2019-2023. Brasília: CNBB, 2019.

MENDONÇA, José Tolentino. Elogio da sede. São Paulo: Paulinas, 2018.

MORIN, Edgar. É hora de mudarmos de via: lições do coronavírus. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2020.

PAPA FRANCISCO. Mensagem para o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais, 1 jun. 2014. Disponível em:

<http://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/communications/documents/papa-francesco_20140124_messaggio-comunicazioni-sociali.html>. Acesso em: 17 jan. 2021.

ZANON, Darlei. Igreja e sociedade em rede: impactos para uma cibereclesiologia. São Paulo: Paulus, 2018.

 

Marcus Tullius*

é licenciado em Filosofia, bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda, pós-graduando em Influência Digital: Conteúdo e Estratégia. Coordenador geral da Pascom Brasil, membro do Grupo de Reflexão em Comunicação da CNBB e coordenador de conteúdos da TV Pai Eterno. E-mail: soumarcustullius@gmail.com

https://www.vidapastoral.com.br/edicao/a-esperanca-como-perspectiva-pastoral-para-a-comunicacao/

ESTILO DE VIDA

QUANDO A AFETIVIDADE GERA INFIDELIDADE

A afetividade desintegrada é uma causa de infidelidade pouco conhecida, mas que precisa ser tratada

Nos casos de infidelidade, costuma-se assumir uma relação com um terceiro, com o estímulo da paixão carnal devido a uma sexualidade desintegrada. Essa é a razão pela qual a pessoa se submeterá à dominação do impulso carnal.

Por outro lado, em uma sexualidade integrada, a inteligência, a vontade e os apetites sensitivos operam numa ordem hierárquica, na qual as faculdades superiores prevalecem sobre os apetites da carne para um bem superior: o amor.

No entanto, há outra causa menos reconhecida de infidelidade, mas não menos comum por isso, que é uma afetividade desintegrada.

É uma disfunção da personalidade, pela qual a inteligência e a vontade não são mais submetidas aos impulsos sensitivos da carne, mas aos impulsos dos sentimentos e emoções. Isso acontece devido a múltiplas causas, como:

  • a imaturidade da juventude, aliada a uma má educação da afetividade;
  • um coração negligenciado e desprovido de afeto;
  • pessoas que sofreram uma perda dolorosa ou experiência afetiva, deixando-as com baixa autoestima ou um pobre autoconceito.

Na sexualidade desintegrada, muitas vezes se confunde o amor com a paixão do amor, enquanto na afetividade desintegrada, o que se confunde é o amor com mero sentimentalismo.


De onde vem a infidelidade?

Por causa dessa disfunção de personalidade, homens e mulheres muitas vezes se apaixonam pela pessoa errada quando solteiros ou até casados, algo que geralmente acontece quando essa fraqueza afetiva é detectada por quem busca a sedução para alimentar seu ego. Ou – pior – para gratificação sexual.

Como o que não se conhece não se ama, quem erra guiado pelo sentimentalismo ilude-se, acreditando conhecer uma realidade que acaba por ser apenas uma miragem, um produto da manipulação.

Uma miragem formada pelas primeiras confidências, em que uma ou ambas as partes constroem uma imagem angelical para a outra, às vezes misturando-a com uma certa vitimização.

Por exemplo: detalhes sutis como um presente comprado em uma viagem, com a mensagem explícita ou silenciosa de que se lembraram do outro.

Na infidelidade às vezes começamos prestando atenção em quem achamos mais interessante, mais espiritual…

Outras formas: mensagens com pensamentos estereotipados nas redes sociais ou em notas manuscritas que pretendem promover uma imagem de maturidade e até uma certa espiritualidade, ao mesmo tempo que lisonjeiam a figura do outro.

Como os olhos são as janelas da alma, recorrem-se a olhares enganosos de clara aceitação e desapego de afeto, enquadrados num leve sorriso, que, sendo vazio, finge dizer muito, e consegue, enganando.


Manifestações de afeto e infidelidade

As manifestações de afeto começam com contatos corporais sutis. Ambos já estão deixando de ser infiéis com seus pensamentos, para serem infiéis em ações.

A pressão e a urgência da parte infiel aumentam.

No entanto, a vítima do autoengano ainda pode reagir e colocar bloqueios no coração. Isso é alcançado se você colocar distância. Você deve reconhecer que o que veio clamar por todos os seus sentimentos é algo que está profundamente errado em si mesmo.


Como recuperar a integração da afetividade?

Em casos como este, qual é a verdade que deve ser apresentada à consciência para recuperar a integração da afetividade?

A primeira coisa é admitir que a vida afetiva sensível, sendo natural e gratificante, é extremamente enganosa e doentia quando o amor se reduz a apenas sentimentos, acima de sua verdade.


Como perceber?

O amor pessoal é sincero e transparente, ama desinteressadamente, busca o bem da pessoa amada mesmo às custas do seu próprio bem, e com um sacrifício que, pela própria força do amor, se revela agradável. Em contrapartida, o afeto demonstrado em um relacionamento ilícito não é livre para satisfazer uma necessidade do ego, afetiva ou sensual. Isso é muito fácil de detectar se você esfriar a cabeça.

O amor pessoal, por sua beleza, dispensa artifícios, como acontece entre uma pedra preciosa quanto à sua melhor imitação.


https://pt.aleteia.org/2022/02/09/quando-a-afetividade-gera-infidelidade/

SANTO AGOSTINHO E A INFLUÊNCIA DE SUA MÃE SANTA MÔNICA

 

Santa Mônica e o poder da oração das mães

A força de uma mulher de fé que quer manter sua família no caminho de Deus é indestrutível. Nem o tempo é capaz de fazê-la desistir. Este é o testemunho de vida que Santa Mônica deu para a humanidade. O testemunho da mulher forte, da mulher de fé inabalável, da mulher que ama de verdade, da mulher que persevera até o fim.

No dia 27 de agosto a Igreja celebra a festa de Santa Mônica. No dia seguinte, 28 de agosto, é a festa de Santo Agostinho. E isso não é à toa. Santo Agostinho é filho de Santa Mônica. Mãe e filho santos. E se o filho se tornou santo, foi graças à oração e às lágrimas de sua mãe. Foi graças à santidade de sua mãe. A história de vida desses dois é maravilhosa e inspiradora.

Mônica nasceu no ano 331 na cidade de Tagaste, atualmente Sukh Ahras, Argélia, Norte da África. Filha de família nobre, recebeu educação cristã de sua babá. Seu pai conseguiu-lhe um casamento arranjado e ela se casou aos 17 anos com um nobre chamado Patricio, bem mais velho, com 40 anos. E, além de mais velho, Patrício era violento e mulherengo, o que fez Mônica sofrer durante muitos anos.

O casal teve três filhos: Agostinho, Navígio e Perpétua. O mau exemplo do pai foi absorvido pelo filho mais velho, Agostinho. Este também se perdeu, abandonando os ensinamentos da mãe. Por isso, Mônica passou a sofrer duplamente. Por um lado, o marido. Por outro, o filho. Ambos longe de Deus, ambos dando inúmeros motivos para Mônica desanimar e abandonar a fé.

Mônica, porém, não desistiu. Não lhe faltaram os “conselhos” de amigos e parentes para que ela abandonasse o marido e voltasse para a casa dos pais. Mas ela não cedeu. Ao contrário, rezava incessantemente pela conversão dos dois. Perseverava na prática do catolicismo fervoroso, na oração e nas obras de caridade, sempre ajudando aos mais necessitados.

As graças, porém, demoraram a acontecer. Foi somente depois de quase 19 anos de casada que seu marido finalmente se converteu e recebeu o batismo. Mas, nesse ponto, Agostinho não quis seguir o pai. Mônica viveu feliz com seu marido pouco menos de um ano, pois este faleceu no mesmo ano em que se converteu. A ela restou o consolo de saber que Patrício falecera na graça de Deus. Mas seus sofrimentos ainda estavam longe de terminar.

Logo que Patrício faleceu, Agostinho saiu de casa e foi estudar filosofia e retórica na cidade de Cartago. Lá, com apenas 17 anos, começou uma vida mundana. Ao ter notícias do filho, a decepção de Mônica só aumentava. A situação chegou a tal ponto que ela chegou a proibir o filho de entrar em casa. E ela só o aceitou de volta, depois de algumas revelações que teve quando estava rezando pelo filho. Com efeito, ela sentiu em seu coração que, no futuro, Agostinho iria se converter.

Assim, sabendo que a esperança não decepciona, ela começou um novo tempo de oração em sua vida. Mas Agostinho continuava longe de Deus. Envolveu-se com uma moça e teve um filho com ela. Este filho se chamou Adeodato. Mônica, movida pela fé e pela esperança, acolheu os dois e perseverou na oração pelo filho durante 30 anos, sem desanimar. Certa vez, chorando sua dor ao bispo de Tagaste, este disse a ela uma palavra que serve para todas as mães que choram por filhos “perdidos”. O bispo lhe disse: “O coração de teu filho não está ainda preparado, mas Deus determinará o momento certo. Vai e continua a rezar: é impossível que se perca um filho de tantas lágrimas”.

Movida por esta palavra, ela perseverou firme. Finalmente, Agostinho se converteu e, junto com ele, o filho Adeodato, neto de Santa Mônica. E a conversão de A foi tão verdadeira que, mais tarde, ele se tornou bispo aclamado pelos fiéis e um dos mais importantes e influentes pensadores do cristianismo e da humanidade.

Mas Santa Mônica e Santo Agostinho tiveram pouco tempo para “curtirem” um ao outro nesta terra. Pouco tempo depois da conversão do filho e vendo quão profunda tinha sido esta conversão, Santa Mônica disse ao filho: “Vendo-te hoje cristão Católico, nada mais me resta fazer neste mundo” Ela já estava pressentindo sua morte. De fato, logo depois ela contraiu uma grave enfermidade e veio a falecer aos 56 anos.

Mais tarde Santo Agostinho dirá em seus escritos maravilhosos quão grande era a saudade e a falta que ele sentia das conversas que tinha com sua mãe depois de sua conversão. Eram conversas reveladoras, profundas. Palavras de uma mãe que conhece seu filho mais do que ele mesmo. Palavras que o fizeram crescer e se afirmar na fé. Conversas consoladoras que, mesmo muito tempo depois do falecimento da mãe, ainda aqueciam o coração do filho. Conversas de uma santa que o firmou no caminho da santidade.

Mais tarde, Santo Agostinho recebeu outro golpe: seu filho Adeodato faleceu por causa de uma doença. Então ele passou a se dedicar mais ainda ao serviço dos irmão e ao ministério episcopal para o qual Deus o chamara tão claramente através do povo.

Seu ministério foi fecundo e precioso. Fiéis vinham de longe para ouvir as palavras de sabedoria proferidas pelo homem que conheceu o mundo, mas depois, conheceu o Criador do mundo. Santo Agostinho tem uma mensagem importante para a humanidade pelo simples fato de ele ter sido um devasso e depois um convertido. Ele conheceu a fraqueza humana, mas conheceu também o amor de Deus. Ele conheceu os devaneios do pensamento humano e, durante anos, se aprofundou em filosofias que, mais tarde, se revelaram vazias e enganadoras. Então, ele conheceu a verdade. A verdade de Jesus Cristo. E a Verdade foi tão brilhante que ele dirá em seus escritos: “Tarde te amei, beleza infinita! Tarde te amei!”

Por causa de sua obra e de sua pregação Santo Agostinho foi declarado Doutor da Igreja. Sua obra influenciou e influencia até o hoje o cristianismo em todas as suas vertentes, o catolicismo e todo o pensamento do Ocidente. Em seu livro autobiográfico intitulado “Confissões”, ele relata todo o seu trajeto intelectual e espiritual da devassidão à busca pela verdade e do encontro com ela. Um grande santo, fruto do amor de Deus e da oração incessante de sua mãe. Mães, vale a pena rezar por seus filhos.

27 e 28 de agosto. Santa Mônica e Santo Agostinho. Mãe e filho santos. Que essa história maravilhosa nos sirva de inspiração. Santa Mônica nos ensina que a oração e a perseverança são virtudes que conquistam o impossível. E Santo Agostinho nos ensina que a busca sincera pela verdade, nos conduz a Jesus Cristo, o Filho de Deus, aquele que disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida.”

(fonte:www.psmleblon.com)

https://www.facebook.com/nossasenhoradasaude/posts/1085123921567238/

SUGESTÃO DE LEITURA

1. A cabana
07 de agosto de 2008
Autor: William P. Young


A filha mais nova de Mackenzie Allen Philip foi raptada durante as férias em família e há evidências de que ela foi brutalmente assassinada e abandonada numa cabana. Quatro anos mais tarde, Mack recebe uma nota suspeita, aparentemente vinda de Deus, convidando-o para voltar aquela cabana para passar o fim de semana. Ignorando alertas de que poderia ser uma cilada, ele segue numa tarde de inverno e volta a cenário de seu pior pesadelo. O que encontra lá muda sua vida para sempre. Num mundo em que religião parece tornar-se irrelevante, "A Cabana" invoca a pergunta: "Se Deus é tão poderoso e tão cheio de amor, por que não faz nada para amenizar a dor e o sofrimento do mundo?" As respostas encontradas por Mack surpreenderão você e, provavelmente, o transformarão tanto quanto ele.

https://www.saraiva.com.br/a-cabana-2591423/p

 

2. O Pequeno Príncipe
27 de agosto de 2018
Edição Português  por Antoine de Saint-Exupéry (Autor),
Dom Marcos Barbosa (Tradutor)

Nesta clássica história que marcou gerações de leitores em todo o mundo, um piloto cai com seu avião no deserto do Saara e encontra um pequeno príncipe, que o leva a uma jornada filosófica e poética através de planetas que encerram a solidão humana. A edição conta com a clássica tradução do poeta imortal dom Marcos Barbosa, e é a versão mais consagrada da obra, publicada no Brasil desde 1952.

https://www.amazon.com.br/pequeno-pr%C3%ADncipe-Antoine-Saint-Exup%C3%A9ry/dp/8595081514