sábado, 14 de maio de 2022

CATEQUESE

A MISSA EXPLICADA: O SENTIDO DE CADA PARTE DA MISSA (II)

III LITURGIA EUCARÍSTICA

Onde o mesmo pão é repartido entre muitos… O Sacrifício redentor de Cristo é universal. Destina-se a toda a humanidade. Seu valor é espiritual, infinito para todos.

A Eucaristia, como Sacramento, renova a Ceia Pascal; como Sacrifício, renova a ato redentor de Cristo na Cruz.

Todos os gestos, palavras, preces e cantos da Liturgia da Palavra devem levar a Assembleia a participar da Ceia que o Senhor desejou “ardentemente” celebrar com seus discípulos.

1. Preparação das Oferendas (Ofertório)                   

i) Canto e Procissão das Oferendas

Durante e preparação das oferendas, canta-se o Canto do Ofertório. As principais ofertas são o pão e o vinho. Podem-se trazer outras coisas, como ramos de trigo, cachos de uva, água, flores.

O ato de levar ao altar as ofertas significa que o pão e o vinho estão saindo das mãos do homem que trabalha. As outras oferendas representam também a vida do povo: a flor, símbolo de amor e gratidão; a coleta em dinheiro, fruto do trabalho e da generosidade dos fiéis.

O dinheiro para o ofertório é a nossa oferta para a conservação e manutenção da casa de Deus. Não é uma “esmola”, pois Deus não é mendigo, mas o Senhor de nossa vida. Outra condição para Deus aceitar a nossa oferta é que estejamos em paz como nossos irmãos. A fé pede nossa comunhão com Deus e com os irmãos (cf. Mt 5,23-24).

A procissão é opcional. Quando houver, deve haver alguma colocação do comentarista, explicando o sentido das ofertas, sobretudo quando se leva algo que não seja o pão e o vinho. As ofertas devem ter um significado e ajudar a participação da comunidade na Liturgia.

As pessoas que trazem as oferendas em procissão não as trazem apenas em seu nome, mas representando toda a comunidade.


No início da Missa, o Presidente e seus Ministros ficam nas cadeiras em frente ao altar. Eles não vão para o altar, porque este representa a mesa da Ceia, que começa na Liturgia Eucarística.

Ao fim da Oração dos Fiéis, o Presidente e os Ministros vão para o altar para preparar as oferendas: corporal estendido no centro (como uma toalha), missal aberto, o cálice e a patena com a hóstia grande do sacerdote (que pode vir junto com as hóstias dos fiéis, na âmbula sentido de unidade do Presidente com a Assembleia).

ii) Apresentação do Pão e do Vinho

Na Missa, oferecemos a Deus o pão e vinho que, pelo poder do mesmo Deus, mudam-se no Corpo e no Sangue do Senhor. Deus aceita nossa oferta e a transforma numa dádiva de valor infinito a própria Divindade!

O Presidente recebe as ofertas da comunidade e, por sua vez, oferece o pão a Deus, dizendo:

“Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos de vossa bondade, fruto da terra e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos e para nós se vai tornar pão da vida!”

E a Assembleia responde:

“Bendito seja Deus para sempre!”

Então o padre coloca a hóstia (de trigo puro, não fermentado) sobre o corporal e prepara o vinho para oferecê-lo do mesmo modo. Antes, ele põe um pouco de água no vinho e diz: “Pelo mistério desta água e deste vinho, possamos participar da divindade de vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade.”

A mistura da água no vinho (puro, de uva) simboliza a união da natureza humana com a divina. Nós (água), na Missa, nos unimos a Cristo (vinho) para formar um só Corpo com Ele. Em seguida, o Presidente eleva o cálice e diz:

“Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo vinho que recebemos de vossa bondade, fruto da videira e do trabalho do homem, que agora vos apresentamos e para nós se vai tornar vinho da salvação!”

E a Assembleia bendiz a Deus:

“Bendito seja Deus para sempre!”

Abençoar é bendizer! Bendizemos a Deus nessa hora porque o pão comum que oferecemos vai se tornar para nós o “Pão da Vida” e o vinho, o “Vinho da Salvação”. E porque recebemos muito mais do que oferecemos.

O cálice com o vinho e a âmbula com as hóstias para a comunidade ficam sobre o corporal, no centro do altar, junto da hóstia grande do Presidente, que é colocada sobre a patena.

iii) Presidente lava as mãos

A oração seguinte fala que nosso sacrifício é aceito por Deus quando temos um coração purificado e humilde.

Após colocar o cálice sobre o corporal, o padre inclina-se diante do altar e reza em voz baixa:

“De coração contrito e humilde, sejamos, Senhor, acolhidos por vós; e seja o nosso sacrifício de tal modo oferecido que vos agrade, Senhor, nosso Deus!”

Essa oração é tirada do Livro de Daniel. Deportado para a Babilônia, o Povo de Israel estava longe do Templo e não podia oferecer a Deus os sacrifícios de cordeiros e bois. Então Azarias fez essa bela oração, oferecendo a Deus o seu sacrifício espiritual.

Quando a missa é festiva, costuma-se incensar o altar, o Presidente da Celebração e a Assembleia. O incenso significa que aquele sacrifício deve subir até Deus, como a fumaça.

Antigamente a comunidade levava para o altar ofertas como alimentos e outros objetos que poderiam sujar as mãos do padre, que, por isso, lavava as mãos. Hoje, além da purificação das mãos, há também o sentido da purificação espiritual. Ao lavar as mãos, o padre reza em voz baixa:

“Lavai-me, Senhor, das minhas faltas e purificai-me do meu pecado.” (Sl 50,4)

Essa oração lembra Davi pedindo perdão de seu pecado.

iv) Orai, irmãos!

O sacerdote intercede por toda a Assembleia, que deve responder ativamente.

Assim, o padre se volta ao povo e pede:

“Orai, irmãos, para que o nosso sacrifício seja aceito por Deus Pai Todo-Poderoso!”

Ao que a Assembleia responde:

“Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória de seu nome, para nosso bem e de toda a santa Igreja.”

Em primeiro lugar, a glória de Deus!

v) Oração sobre as Oferendas

Tem por fim colocar nas mãos de Deus os dons que trouxemos para o sacrifício.

É um modo de insistir a mesma coisa diante de Deus, como nas parábola que Jesus contou (cf. Lc 11,5-8 e 18,1-8).

2. Oração Eucarística ou Anáfora

Inicia o centro, o “coração” da Celebração o Mistério da presença real de Jesus no pão e vinho consagrados. Não é “mais uma oração” da missa é a própria Missa.

Para os judeus, santo era todo o lugar onde Deus se manifestava. De modo especial, o Templo era santo. Dentro do Templo, havia uma parte santíssima o “santo dos santos”, uma sala que continha a Arca da Aliança ou Tabernáculo. Lá só o sumo sacerdote entrava, e uma vez por ano apenas, para o sacrifício expiatório. Só depois de se purificar é que o sacerdote podia entrar ali.

Hoje, em termos de presença de Deus, o mais simples templo católico é mais importante que o Templo de Jerusalém, porque tem dentro de si mais que a Arca da Aliança: o próprio Cristo, Deus Vivo, no sacrário, com a luz acesa ao lado. Ele é o verdadeiro “Santo dos Santos”.

Antes do Concílio Vaticano II, havia uma só forma de Oração Eucarística. Atualmente, para que cada povo possa participar mais e utilizarem sua própria cultura existem várias fórmulas que são aprovadas pela Igreja. No Brasil existem 14 formas.

i) Prefácio e “Santo”

O Prefácio é um hino de “abertura”, que nos introduz no Mistério Eucarístico. Nele, o padre convida o povo a elevar seus corações a Deus e proclamar a santidade de Deus, dando-lhe graças.

No Prefácio, o Presidente sempre reza de braços abertos. Ele inicia com o diálogo:

Padre: O Senhor esteja convosco!
Povo: Ele está no meio de nós.
Padre: Corações ao alto!
Povo: O nosso coração está em Deus.
Padre: Demos graças ao Senhor nosso Deus!
Povo: É nosso dever e nossa salvação.

O trecho seguinte do Prefácio compreende algumas palavras próprias, dependendo do Tempo Litúrgico ou da festa que se celebra.

O final do Prefácio é sempre igual. Termina com o cântico:

“Santo, Santo, Santo, Senhor, Deus do universo! O céu e a terra proclamam a vossa glória. Hosana nas alturas! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!”

O “Santo” é tirado de Is 6,3. A repetição, dizendo 3 vezes “Santo” significa o máximo de santidade, “Santíssimo”.

Às vezes, quando o “Santo” é cantado, mudam-se algumas palavras, mas o sentido deve ser o mesmo. O Santo deveria ser sempre cantado.

ii) Invocação do Espírito Santo

Momentos antes da Consagração, o padre estende as mãos sobre o pão e o vinho e pede ao Pai que os santifique, enviando sobre eles o Espírito Santo. Toda invocação do Espírito Santo é feita de pé.

iii) Narrativa da Ceia e Consagração do Pão e do Vinho

Neste momento a Assembleia se ajoelha, ou mesmo de pé (normalmente aqueles que por algum problema não podem ajoelhar-se) porém em posição de adoração (cabeça baixa, em posição de reverência). A Ceia Eucarística celebrada por Jesus com os Apóstolos teve origem na Ceia Pascal Hebraica, que também não é celebrada como uma simples recordação, mas como um acontecimento que se faz presente.

Dentro da missa, esta é a hora da transformação do pão e do vinho, que se tornam o Corpo e o Sangue do Senhor.

Por ordem de Cristo, o Presidente recorda o que Jesus fez na Última Ceia. Ele pega o pão, o apresenta ao povo e pronuncia as palavras de Consagração:

“Tomai, todos, e comei, isto é o meu corpo que será entregue por vós.” (Lc 22,17ss)

Após a consagração do pão, o padre levanta a hóstia à vista da Assembleia. A seguir, genuflecte para adorar Jesus presente no Santíssimo Sacramento.

A mesma coisa faz o padre com o cálice de vinho. Ele recorda que Jesus tomou o cálice em suas mãos, deu graças novamente e o deu a seus discípulos, dizendo:

“Tomai, todos, e bebei: este é o cálice do meu Sangue, o Sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos, para remissão dos pecados. Fazei isto em memória de mim.”

Novamente, o padre genuflecte para adorar o Cristo presente após a consagração do vinho.

Na Consagração do pão e do vinho o povo deve ajoelhar-se ou ainda fazer uma profunda inclinação de cabeça no momento em que o padre eleva a hóstia e o cálice.

Durante as palavras de Consagração é que há a transubstanciação a transformação das espécies no Corpo Eucarístico. Nessa hora, o silêncio deve ser total não deve haver nem mesmo fundo musical.

Lembremos que na missa o padre age “in persona Christi”, ou seja, em lugar da pessoa de Cristo. É como se Jesus estivesse pessoalmente presidindo a Celebração.

A Igreja celebra a Missa para cumprir a vontade de Jesus, que mandou celebrar a Ceia:

“Fazei isto em memória de mim!”

No início das comunidades cristãs, eles não falavam “missa”, mas “fração do pão” (cf. At 2,42). São Paulo também fala de missas celebradas em algumas comunidades (cf 1Cor 11,17-34), inclusive celebradas por ele (cf. At 20,7-11).

A Eucaristia não é simplesmente uma das coisas que Jesus fez por nós: é a grande surpresa que Ele nos preparou durante toda a sua vida. Ele já havia prometido nos dar “pão vivo descido do céu” e que esse pão seria a sua carne “para a nossa salvação” (cf. Jo 6,35-69).

iv) “Eis o Mistério da Fé!”

Terminada a Consagração, o Presidente proclama solenemente, mostrando o Sacramento:

“Eis o Mistério de nossa fé!”

v) Lembrança da Morte e Ressurreição de Jesus

A Assembleia, levanta-se no mesmo momento em que o padre (logo depois da consagração do vinho ele genuflectiu e se levantou) e responde:

“Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus!”

Há outras formas de resposta. O que é importante é que todos respondam com fé! O Mistério só é aceito por quem crê! Assim, as palavras do celebrante soam como que um “desafio à fé”: “Eis o Mistério da fé!” No Emaús temos o costume de cantar o Maranatha que é perfeitamente litúrgico para o momento, é um clamor ao Jesus que vem!

vi) Orações pela Igreja

A Igreja é o “Corpo Místico de Cristo”. Nela circula a vida da Graça. É o que chamamos de Comunhão dos Santos, dita no “Creio”. Entre todos os membros da Igreja, no céu ou na terra, existe a intercomunicação da Graça. Uns oram pelos outros, pois somos todos irmãos, membros da grande Família de Deus.

Assim, na Missa, dentre as orações pela Igreja, a primeira é pelo Papa e pelo Bispo Diocesano, pelas suas grandes responsabilidades. Pedimos também pelos evangelizadores e evangelizados, pela conversão dos pagãos e pela perseverança dos cristãos.

Oramos também pelos falecidos um ato de caridade. Na Bíblia há um elogio a Judas Macabeu pela sua intercessão e oferecimento de um “sacrifício expiatório pelos que haviam morrido, a fim de que fossem absolvidos do seu pecado” (2Mac 12,45-46).

Finalmente pedimos por nós como “povo santo e pecador”, para que estejamos um dia reunidos com a Virgem Maria, os Apóstolos e todos os bem- aventurados no céu, para louvarmos e bendizermos a Deus. A oração termina “por Jesus Cristo nosso Senhor”, que nos disse:

“Em verdade, em verdade, vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai em meu nome, ele vos dará. Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis.” (Jo 16,23-24)

vii) Louvor Final (“Por Cristo…”)

É dito pelo sacerdote e somente por ele. Esse é o verdadeiro ofertório, pois é o próprio Cristo que oferece e é oferecido. É por meio de Jesus que damos graças e louvores ao Pai. Ele é o nosso Pontífice, isto é, a nossa “ponte” entre o céu e a terra, como Ele disse:

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim.” (Jo 14,6)

Por isso, encerra-se a Oração Eucarística proclamando:

Padre: “Por Cristo, com Cristo e em Cristo, a vós, Deus Pai Todo-Poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda honra e toda a glória, agora e para sempre!”

Depois disso a Assembleia responde o chamado GRANDE AMÉM, que é o principal de toda a missa! Devia ser festivamente dito ou cantado com uma profunda devoção pois é o Amém Síntese da Missa.

Esse até de louvor é dito de pé, sendo que o Presidente levanta a hóstia e o cálice.

3. Rito da Comunhão

i) Pai-Nosso e Oração Seguinte

Começa a preparação para a Comunhão Eucarística. É a síntese do Evangelho. Para bem rezá-lo, precisamos entrar no pensamento de Jesus e na vontade do Pai. É uma oração de sentido comunitário que, mesmo rezada só, deve-se proferi-la em intenção de todos.

Para comungar o Corpo do Senhor na Eucaristia, preciso estar em comunhão com meus irmãos membros do Corpo Místico de Cristo.

A oração do Pai Nosso é rezada da seguinte forma:

“Pai nosso que estais nos céus, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje; perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal.”

O primeiro céus aparece no plural na versão em português do Pai-Nosso por significar TODO LUGAR e um estado de espírito, de alegria de VIDA. O segundo céu aparece no singular em oposição a terra, significando realmente o céu no sentido da Vida Eterna.

Dizemos perdoai-NOS com a partícula NOS pois pedimos que Deus perdoe a NÓS e não as nossas ofensas, assim como perdoamos AQUELES que nos ofenderam e não os pecados deles.

Dentro da missa, o Pai Nosso não tem o AMÉM final. A oração do Pai Nosso se estende até o final da oração que o sacerdote reza a seguir, pedindo a Deus que nos livre de todos os males. Porque só quando estamos libertos do mal é que podemos experimentar a paz e dar a paz. Assim como só Deus pode dar a verdadeira paz, também só quem está em comunhão com Deus é que pode comunicar a seus irmãos a paz.

Sac.: Livrai-nos de todos os males, ó Pai, e dai-nos hoje a vossa paz. Ajudados pela vossa misericórdia, sejamos sempre livres do pecado e protegidos de todos os perigos, enquanto, vivendo a esperança, aguardamos a vinda do Cristo salvador.

O “Amém” do Pai Nosso, dentro da missa é substituído pela oração: “Vosso é o reino, o poder e a glória para sempre!”, que é dito logo após a oração anterior.

ii) Saudação da Paz                                

A paz é um dom de Deus, que só ele pode dar:

“Deixo-vos a paz. Dou-vos a minha paz. Não a dou como o mundo a dá.” (Jo 14,27)

Antes de o Presidente convidar a Assembleia para que se saúdem mutuamente no amor de Cristo, ele recorda as palavras de Jesus, fazendo este diálogo com o povo:

Padre: Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja; dai-lhe segundo o vosso desejo, a paz e a unidade. Vós, que sois Deus, com o Pai e o Espírito Santo.


Povo: Amém!

Padre: A paz do Senhor esteja sempre convosco!


Povo: O amor de Cristo nos uniu.

iii) Fração do Pão

Ao fim da saudação entre os fiéis, o celebrante parte a hóstia grande e coloca um pedacinho dela dentro do cálice com vinho consagrado. Esse ato tem o sinal da fraternidade, da repartição do pão, como Jesus o fez para seus discípulos na Ceia, além do reconhecimento de Cristo, por parte dos discípulos de Emaús, ao partir o pão em sua casa.

iv) Cordeiro de Deus

Logo após, o Presidente põe um pedaço da Hóstia no cálice e reza em voz baixa:

“Esta união do Corpo e do Sangue de Jesus, o Cristo e Senhor, que vamos receber, nos sirva para a vida eterna!”

Ao mesmo tempo, a Assembleia canta o “Cordeiro de Deus”.
Embora no Ato Penitencial todos já se tenham purificado, ao aproximar-se do momento da Comunhão os fiéis sentem-se indignos de receber o Corpo do Senhor e pedem perdão mais uma vez, dizendo:

“Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós! Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós! Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz!”

Enquanto isso, o padre se inclina diante do Santíssimo Sacramento e pede a Jesus que aquela comunhão seja para a sua salvação.

Ninguém se atreva a receber o Corpo do Senhor indignamente!

No AT e no NT Jesus é apresentado como o “Cordeiro de Deus”. Sete séculos antes de Cristo, o profeta Isaías predisse que o Messias seria levado à morte, “sem abrir a boca, como um cordeiro conduzido ao matadouro” (cf. Is 53,7). João Batista, ao ver Jesus passando, disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). São Paulo disse: “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado” (1Cor 5,7b).

E, de fato, na hora em que Jesus morria na cruz, era imolado no Templo o cordeiro pascal para os judeus comemorarem a Páscoa. São Pedro também disse que não fomos resgatados pelo preço vil de ouro ou de prata, mas “pelo sangue precioso de Cristo, o Cordeiro sem mancha” (cf. 1Pd 1,18-19).

v) Felizes os Convidados!

Terminado o “Cordeiro de Deus”, o Presidente levanta a Hóstia consagrada e a apresenta à Assembleia, dizendo:

“Felizes os convidados para a Ceia do Senhor! Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! ”

Pelo sangue de Cristo fomos salvos. Jesus é o nosso Libertador. Dele nos aproximamos com alegria. Daí o Presidente nos convidar à comunhão, dizendo “Felizes os convidados”.

Ao que o povo responde:

“Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo.”

Essa resposta é tirada da resposta do oficial romano, o centurião, dada a Jesus (cf. Mt 8,8). Na verdade, ninguém é digno de comungar. É por bondade de Jesus que Ele vem a nós. Por isso, nos aproximamos da Comunhão com fé e humildade.

A comunhão eucarística não é um “prêmio” para os justos que já se libertaram de todos os pecados, mas um Alimento que fortalece os pecadores na sua caminhada em busca da libertação de todo o mal.

vi) Distribuição da Comunhão

Comungar é receber Jesus Cristo, Rei dos reis, para alimento de vida eterna. Quem comunga deve meditar um pouco nesse Mistério da presença real do Senhor em sua vida. E não comungar e já ir saindo da Igreja, ou ficar conversando e se distraindo. Não convém nem mesmo ir rezar diante de alguma imagem, pois Jesus deve ser o centro da atenção e piedade nessa hora. Ele é o Hóspede divino que acaba de ser recebido.

Após dizer “Felizes os convidados…”, com a resposta da comunidade, o padre reza em voz baixa:

“Que o Corpo de Cristo me guarde para a vida eterna.”

Em seguida, comunga o Corpo e o Sangue do Senhor. Depois o padre e os ministros dão a comunhão para os fiéis. Mostrando a Hóstia a cada um, diz:

“O Corpo de Cristo!”

E quem comunga responde: “Amém!”

Quanto ao modo de receber a comunhão, na boca ou na mão, é de competência do Bispo. Quem comunga, recebendo a Hóstia na mão, deve elevar a mão esquerda aberta, para o padre colocar a comunhão na palma da mão. O comungante, imediatamente, pega a Hóstia com a mão direita e comunga ali mesmo, na frente do padre. Não pode sair com a Hóstia na mão e comungar andando.

Para comungar é preciso estar na Graça de Deus (sem pecado grave) e em jejum (uma hora antes da comunhão).

Por uma questão prática, normalmente se dá apenas a Hóstia e não o Vinho Consagrado. Porém, na Hóstia está o Cristo inteiro e vivo, com seu corpo, sangue, alma e divindade.

vii) Canto de Ação de Graças

Após a Comunhão do povo, convém haver alguns momentos de silêncio para interiorização da Palavra de Deus e ação de graças. Pode-se também recitar algum salmo ou cantar algum canto de ação de graças. Não é o momento de dar avisos ou prestar homenagens a alguém.

A Ação de Graças é de toda a Assembleia e não apenas dos cantores ou de algum solista. Ação de graças não é o nome mais apropriado, pois toda a missa é Ação de graças.

viii) Oração após a Comunhão

Apenas após terminada esta oração, que é presidencial, podem-se dar avisos e fazer convites. Se for algo breve, a Assembleia pode ouvir de pé, caso contrário, pode sentar-se.

IV RITOS FINAIS

1. Comunicados e Convites

2. Bênção Final

Solene, dada pelo Presidente. Antes da bênção, o Presidente da Celebração saúda a Assembleia, dizendo: “O Senhor esteja convosco!” E todos respondem: “Ele está no meio de nós.”

Nesta hora, se a comunidade estiver sentada, deve levantar-se. Aí vem a bênção, que pode ser com uma fórmula simples ou solene. Por exemplo, uma fórmula é: “Abençoe-vos Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo!” E todos respondem “Amém!”

Ao dar a bênção, o padre traça uma cruz sobre a Assembleia e todos devem inclinar a cabeça.

É muito importante a bênção de Deus dada solenemente na Missa! Essa bênção é para cada pessoa presente! É preciso valorizar mais e receber com fé a bênção solene dada no final da Missa.

A Missa termina com a bênção! Em seguida, vem o canto final, que deve ser alegre, pois foi uma felicidade ter participado da Missa.

3. Despedida

Todos devem esperar o sacerdote sair do altar para depois se retirarem.

Bibliografia:                                                                                             

A Missa Parte por Parte -Pe. Luiz Cechinato, 18ª ed., Ed. Vozes, 1992
Celebrar a Vida Cristã – Ed. Vozes
Catecismo da Igreja Católica
Riquezas da Mensagem Cristã – Ed. Lumen Christi

(Via Fé Explicada/Emaús Nacional)

https://pt.aleteia.org/2018/07/02/o-sentido-de-cada-parte-da-santa-missa/

EDUCAÇÃO

A que se destina e em que sentido nos interpela?

Por Frei Claudino Gilz

Introdução

A respeito do termo educação, cada um de nós já traz consigo um conjunto memorável de aprendizados, de questões, de saberes, de práticas e de experiências desenvolvidas. Todavia, a que se destina e em que sentido a missão da educação nos interpela?

Asseguram alguns historiadores1 que a educação não foi inventada pelos gregos. A educação é contemporânea ao aparecimento das primeiras experiências humanas individuais e da vida em grupo. É contemporânea ao desenvolvimento da linguagem, das atividades laborais, da arte, da religiosidade, entre outras práticas humanas. Por ser inerente à formação e aos aprendizados de cada ser humano, a educação veio se delineando, ao longo da história, numa expressiva variedade de pressupostos teóricos, de delineamentos metodológicos, de tensões, de conflitos, de ideologias, de erros e acertos, de descobertas e avanços.

“A Ordem dos Frades Menores, por sua parte, quase desde suas origens, reconheceu que sua vocação essencialmente evangelizadora exigia dela ocupar-se também da tarefa educativa. Atividade que se concretizou, de uma maneira muito especial, nas Universidades e, depois, nas chamadas terras de missão.”2. E, neste atual momento de 2022, para quais escolhas e práticas a educação nos mobiliza a empreender?

A Educação como tema privilegiado por três Campanhas da Fraternidade

Desde meados da década de 60 (séc. XX), a educação esteve já por duas vezes (1982 e 1998) entre os temas contemplados pela CNBB à promoção da Campanha da Fraternidade. À luz do lema “A verdade vos libertará”, a Campanha da Fraternidade de 1982 tinha como principal objetivo mobilizar a Igreja e a sociedade a criar condições para a prática de uma educação libertadora, a serviço da construção de uma sociedade fraterna. Inspirada no lema “A serviço da vida e da esperança”, a Campanha da Fraternidade de 1998 visava disseminar a educação como caminho à realização humana, à vivência em comunidade, ao exercício da cidadania e à promoção de ações para a erradicação do analfabetismo no Brasil.

Em 2022, a Campanha da Fraternidade privilegia pela terceira vez a temática da Educação com o lema “Fala com sabedoria, ensina com amor.” (Pr 31,26). Alguns excertos do texto-base3 dessa atual Campanha nos auxiliam a identificar aspectos não só basilares da educação em si, mas também apelos da Igreja enquanto missão a realizar:

1 “A realidade da educação nos interpela e exige profunda conversão de todos. Verdadeira mudança de mentalidade, reorientação da vida, revisão das atitudes e busca de um caminho que promova o desenvolvimento pessoal integral, a formação para vida fraterna e para a cidadania.” (CF-2022, Texto-Base, n. 5).
2 “A educação é um indispensável serviço à vida. Ela nos ajuda a crescer na vivência do amor, do cuidado e da fraternidade.” (CF-2022, Texto-Base, n. 6).
3 “Educação não é condicionamento ou adestramento. É conduzir e acompanhar a pessoa para sair do não saber, rumo à consciência de si mesma e do mundo em que vive. É tornar a pessoa consciente, para que se torne sempre mais sujeito de seus sentimentos, pensamentos e ações.” (CF-2022, Texto-Base, n. 22).
4 “Educar, antes de dar lições, é aprender com as lições cotidianas e com as crises.” (CF-2022, Texto-Base, n. 34).


5 “O projeto de vida de sociedade pode colocar em seu núcleo central a pessoa humana, a cooperação e a superação das desigualdades. Dessa forma, o projeto de vida não é algo que se revela somente no exercício de autoconhecimento, mas também na relação com o outro, com as demandas da sociedade, sempre em espírito de fraternidade e serviço.” (CF-2022, Texto-Base, n. 38).
6 “Educar é humanizar. A educação é um ato de amor e esperança no ser humano.” (CF-2022, Texto-Base, n. 69).


7 “A educação, precisamente porque tem por objetivo tornar a pessoa mais humana, só pode realizar-se autenticamente em um contexto relacional e comunitário.” (CF-2022, Texto-Base, n. 167).


8 “Toda proposta educativa tem subjacente uma concepção do ser humano, da cultura, da sociedade e da história. […] A educação que parte de uma antropologia cristã também considera o fim último da pessoa: conhecer e amar a Deus no tempo e na eternidade, e os irmãos e irmãs por meio da fraternidade. A educação não é só integral no sentido temporal, mas eterno. (CF-2022, Texto-Base, n. 169).


9 “Educar para o humanismo solidário implica, também, trabalhar por uma verdadeira inclusão, considerando o que é próprio de cada cultura e de cada contexto, sempre com o olhar cuidadoso para as gerações futuras.” (CF-2022, Texto-Base, n. 177).


10 “Educar com sabedoria e amor é estimular o cuidado pela vida, desde a concepção, passando pelo fim natural, até a eternidade.” (CF-2022, Texto-Base, n. 221).


11 “A humanização de uma sociedade passa também pelo modo de lidar com a fragilidade, a morte e o luto. […] Olhar a educação à luz da fragilidade e da morte tão próxima significa perguntar o que é que estamos fazendo com a vida, a morte e o luto.” (CF-2022, Texto-Base, n. 248).


12 “Não há dúvidas de que a qualidade da educação depende da participação de todos os atores envolvidos em um clima de apoio e solidariedade.” (CF-2022, Texto-Base, n. 268).

A educação é, segundo estes 12 excertos, uma constante necessidade do ser humano em qualquer momento, etapa de sua efêmera, mas sagrada existência. A educação é uma atividade humana sumamente complexa, repleta de pressupostos, de personagens interdependentes e também de riscos. Um desses riscos consiste na tendência do ser humano de se eximir de escutar devidamente o seu semelhante. “[…] estamos a perder a capacidade de ouvir a pessoa que temos à nossa frente, tanto na teia normal das relações cotidianas como nos debates sobre os assuntos mais importantes da convivência civil.”4.

A Missão de educar para a Fraternidade e o Humanismo Solidário

Cada etapa da história da educação está articulada ao nosso presente e, por isso, ajuda-nos a refletir sobre as mais diversas questões e problemáticas do tempo presente. Não obstante acontecimentos tais como a tragédia que abalou Petrópolis (RJ) ao final da tarde de 15 de fevereiro último, a percepção da missão de educar para a Fraternidade e ao Humanismo Solidário também depende de fatores, tais como:

– a ideia de que de que o ser humano “[…] está se fazendo continuamente”5;

– a compreensão cristã e franciscana da criação6;

– a finalidade da educação conforme a LDB/967;

– a memória de que “a fraternidade intuída e vivida por Francisco de Assis não é só humana, mas inclusive cósmica: ela se estende a todas as criaturas.”8.

– o alcance de uma convivência fraterna, alimentada pela cultura do diálogo, pela globalização da esperança, pela viabilidade da inclusão, por relações que compõem uma comunidade viva, interdependente, vinculada a um destino comum9;

– a aspiração de se alcançar um olhar mais amplo em relação à instauração de um novo modelo ético-social, capaz de abranger parcelas cada vez maiores da humanidade, mobilizando-as a contribuir na promoção da paz, da justiça e da solidariedade;
– a imperiosa necessidade de se contrapor ao cenário atual, multifacetado e em constante mudança, atravessado por intolerâncias de naturezas diversas, por múltiplas crises (econômicas, financeiras, políticas, democráticas, ambientais, demográficas e migratórias), pelo terrorismo, pelo aumento da miséria, do desemprego e das desigualdades sociais, por ataques irracionais a provocar instabilidades emocionais e sentimentos de ódio etc.;

– o desenvolvimento de atividades educativas voltadas à promoção de redes de cooperação, à instauração de uma cultura solidária junto às atuais gerações escolares e universitárias, de modo a contrapor ao individualismo, à ideologia do conflito e à relativização dos princípios religiosos;

– a sensibilização de todas as pessoas da sociedade para o apreço do verdadeiro, do bom, do belo e do desenvolvimento integral da pessoa humana.

Cada um dos aprendizados, dos saberes, das práticas e das experiências sobre educação que nos acompanham são, por assim dizer, importantíssimos ao propósito ampliar lastros e práticas em prol de uma vida fraterna, solidária e feliz. Tanto a educação acadêmica como a educação não-formal precisam se alimentar da articulação de saberes interdisciplinares, oriundos da História, da Religião, da Pedagogia, da Biologia, da Ecologia, da Arte, da Linguística, da Matemática, da Política, da Economia, da Filosofia, da Geografia, do Direito, das culturas, das relações sociais, do senso comum. Educação essa capaz de se servir da sabedoria dos Pais e dos Avós, dos Santos e Santas. Do contrário, a educação jamais chegará ao comprometimento de todos nós, membros itinerantes e convivas nesta Aldeia terrena.

A pessoa revela-se não como um ser solitário, autossuficiente nem absoluto, mas como um centro ou um núcleo de relações com o mundo, os seres humanos, o Transcendente e consigo mesmo. Estas relações se interagem e se integram na promoção do crescimento do ser humano. […] Francisco de Assis, a partir desta perspectiva, é um modelo de integração consigo mesmo e com os outros. De fato, a forte experiência de Deus como Pai e Sumo Bem o levou a uma atitude de agradecimento e de louvor ao Criador por suas maravilhas e o fez irmão de todos os homens e de todas as criaturas10

Para uma cifra significativa de pessoas, a vida fraterna não passa de comodismos lamentáveis, de experiências sofríveis, de relações tóxicas alimentadas por carências e inseguranças. A missão de educar para a Fraternidade e ao Humanismo Solidário denota um conjunto de escolhas que precisamos fazer, principalmente em favor dos que vivem nas periferias11 das pessoas menos assistidas, dos sem teto, dos famintos e dos abandonados. “O ser humano contemporâneo experimentou que o que acontece numa parte do mundo pode ter consequências noutras, e que ninguém pode, a priori, sentir-se seguro num mundo onde há sofrimento e miséria.”12

Educar para a Fraternidade e o Humanismo Solidário é uma missão muito digna e sagrada que o Altíssimo Deus sempre de novo nos confia. Que não nos falte motivações existenciais, eclesiais13 e franciscanas para tanto! Que não nos falte ousadia, comprometimento, atitude dialógica, prudência e amor capaz de gestos supremos (Cf. Jo, 15,13) em favor dos mais necessitados e sofredores!


1 Cf. GAUTHIER, Clermont e TARDIF, Maurice. A pedagogia: teorias e práticas da antiguidade aos nossos dias. Tradução de Lucy Magalhães. Petrópolis: Vozes, 2010. CAMBI, Franco. História da Pedagogia. Tradução de Álvaro Lorencini. São Paulo: UNESP, 1999; NEVES, Joana. História Geral: a construção de um mundo globalizado. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005; SAVIANI, Demerval. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2007.

2 ORDEM DOS FRADES MENORES – Secretariado para a Evangelização (coord.). Ide e ensinai: Diretrizes Gerais para a Educação Franciscana, Roma, 2009, p. 7.

3 CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL. Campanha da Fraternidade 2022: texto-base, n.º 167. Brasília: Edições CNBB, 2021.

4 PAPA FRANCISCO. Escutar com o ouvido do coração: mensagem para o 56.º dia mundial das comunicações sociais. Roma, 24/01/2022.

5 BOFF, Leonardo. Tempo de transcendência: o ser humano como um projeto infinito. Rio de Janeiro: Sextante/ Lumensana Publicações Eletrônicas, 2000, p. 6.

6 “Se nos aproximarmos da natureza e do meio ambiente sem esta abertura para a admiração e o encanto, se deixarmos de falar a língua da fraternidade e da beleza na nossa relação com o mundo, então as nossas atitudes serão as do dominador, do consumidor ou de um mero explorador dos recursos naturais, incapaz de pôr um limite aos seus interesses imediatos.” (PAPA FRANCISCO. Carta Encíclica Laudato Si: sobre o cuidado da casa comum, n. 11. Roma: maio de 2015).

7 “[…] A educação […], inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” (LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL, n.º 9394 de 20/12/1996.

8 ORDEM DOS FRADES MENORES. O grito da terra e o grito dos pobres – um subsídio da Ordem para o cuidado da Criação. Tradutor desconhecido. Roma: OFM Communications Office, 2016, p. 20.

9 Cf. CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA. Educar ao humanismo solidário – para construir uma ‘civilização do amor’: 50 anos após a Populorum Progressio. Roma: Institutos de Estudo, 2017.

10 ORDEM DOS FRADES MENORES – Secretariado para a Evangelização (coord.). Ide e ensinai: Diretrizes Gerais para a Educação Franciscana, Roma, 2009, p. 21-22.

11 “A inclusão ou exclusão da pessoa que sofre na margem da estrada [cf. Parábola do Bom Samaritano, Lucas 10:25-37] define todos os projetos econômicos, políticos, sociais e religiosos. Dia a dia enfrentamos a opção de ser bons samaritanos ou viandantes indiferentes que passam ao largo.” (PAPA FRANCISCO. Carta Encíclica Fratelli Tutti – sobre a fraternidade e a amizade social (n. 69). Assis (Itália), 3 de outubro de 2020).

12 CONGREGAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO CATÓLICA. Educar ao humanismo solidário – para construir uma ‘civilização do amor’: 50 anos após a Populorum Progressio. Roma: Institutos de Estudo, 2017, n. 28-29.

13 “Saiamos! […] prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças.” (PAPA FRANCISCO. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium aos fiéis leigos sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, n. 49, Roma 24/12/2013.

https://franciscanos.org.br/vidacrista/educacao-a-que-se-destina-e-em-que-sentido-nos-interpela/#gsc.tab=0

REZAR EM FAMÍLIA

Como a espiritualidade mariana deve ser vivida em família?

Angela Abdo (*)


Num mundo tão complexo como o atual, precisamos entender o que é a espiritualidade e o porquê dela ser importante, antes de contextualizar esse tema na família. A Bíblia nos ensina que espiritualidade é fazer a vontade de Deus, deixando ser guiado pelo Espirito Santo e moldando o seu jeito de ser de acordo com a Palavra de Deus. Sabemos que o homem físico não aceita as moções do Espirito, responde com a carne às situações cotidianas, esquecendo que foram criados à imagem de Deus, portanto podem ser espirituais. Quando usam as capacidades herdadas de Deus para desenvolver a espiritualidade, pode ter visão e acesso à vida eterna e à paz que acalma o coração e permite ser felizes na terra.

Para desenvolver a espiritualidade, é necessário, primeiro, aprender a obedecer aos mandamentos de Deus, depois, orar pedindo ajuda para conseguir alcançar sabedoria para lidar com os desafios diários e buscar amigos espirituais que contribuem para aumentar a vida espiritual. Quando esses amigos são partes da família, a alma vai sendo trabalhada, desde o ventre materno, a ter consciência de sua necessidade espiritual, de encontrar a realização em Cristo, desfrutar os frutos do espírito (amor, alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, fé, brandura, autodomínio), manter a paz e união e acreditar que a meta é céu.

Foto Ilustrativa: djedzura by Getty Images


Como a espiritualidade mariana ajuda a família?

Diante desses desafios, a espiritualidade mariana pode ajudar as famílias a serem felizes, porque a piedade de Maria está fundamentada na fé, com o sustento na esperança e vivenciada na caridade da rotina do cotidiano. A família que aprende a rezar com Maria, consegue modelar o verdadeiro seguimento de Jesus e edificar o lar no amor e serviço ao reino de Deus. Existem várias portas para se chegar a Deus, mas Maria nos ensina um caminho que nos leva a um encontro pessoal com Cristo por meio da oração. Quando os filhos vivenciam o testemunho de pais orantes, a família consegue ter forças para buscar permanecer em Deus.

Segundo o Papa Francisco, uma comunhão familiar bem vivida, propicia um caminho que vai além da santificação, porque leva a um crescimento místico e a uma união íntima com Deus. Porque, no cotidiano, as exigências da vida comunitária são oportunidades para abrir o coração às relações fraternas com os outros e com Deus. Reforçando que, família concentrada em Cristo tem sua existência iluminada e comunhão com Ele, ajudando as pessoas a suportarem melhor os sofrimentos provocados pelos problemas do mundo.

Devoção mariana

A devoção mariana faz parte da cultura do nosso povo venerada por vários títulos, mas que sempre deve apontar para uma espiritualidade verdadeiramente cristã, guiada pelo Espírito Santo e que nos leve ao seguimento à pessoa de Jesus Cristo. Pelas passagens bíblicas, constamos que Maria foi dócil à ação de Deus e como exerceu seu papel no plano da salvação na pequena família de Nazaré. Desde a Anunciação, acolheu a vontade de Deus, não como Rainha, mas como Serva que obedece.

Em nossas famílias, precisamos retomar a obediência filial, muitas vezes, perdida por um excesso de valorização das vontades dos filhos, que geram pessoas egocêntricas e com dificuldades de servir o outro. Maria ensina que, apesar de ter seus problemas, Ela vai ao encontro da sua prima Isabel para ajudá-la. Nas bodas de Caná, percebe que o vinho acabou, mostrando que, como família, as pessoas precisam ser sensíveis às necessidades dos outros, Ela sabe que não pode resolver o problema sozinha, mas conhece a missão e o poder do seu Filho e tem a coragem de interceder pelos noivos. A família precisa redescobrir a importância de convidar Jesus e Maria para participarem das suas refeições, sejam materiais ou espirituais, porque, diante das dificuldades, poderão contar com apoio amoroso da Mãe e a presença d’Aquele que tudo pode, essa fé sustenta a caminhada familiar e disponibilidade de interceder pela dificuldade dos outros.

Num mundo tão complexo como o atual, precisamos entender o que é a espiritualidade e o porquê dela ser importante, antes de contextualizar esse tema na família. A Bíblia nos ensina que espiritualidade é fazer a vontade de Deus, deixando ser guiado pelo Espirito Santo e moldando o seu jeito de ser de acordo com a Palavra de Deus. Sabemos que o homem físico não aceita as moções do Espirito, responde com a carne às situações cotidianas, esquecendo que foram criados à imagem de Deus, portanto podem ser espirituais. Quando usam as capacidades herdadas de Deus para desenvolver a espiritualidade, pode ter visão e acesso à vida eterna e à paz que acalma o coração e permite ser felizes na terra.

Para desenvolver a espiritualidade, é necessário, primeiro, aprender a obedecer aos mandamentos de Deus, depois, orar pedindo ajuda para conseguir alcançar sabedoria para lidar com os desafios diários e buscar amigos espirituais que contribuem para aumentar a vida espiritual. Quando esses amigos são partes da família, a alma vai sendo trabalhada, desde o ventre materno, a ter consciência de sua necessidade espiritual, de encontrar a realização em Cristo, desfrutar os frutos do espírito (amor, alegria, paz, paciência, bondade, benignidade, fé, brandura, autodomínio), manter a paz e união e acreditar que a meta é céu.

Deixe Jesus entrar na sua família

Escutar Jesus e acolhe-Lo na família é aceitar que Ele pode transformar a sua vida e a dos seus. Aprender o jeito de ser de Maria ajuda a família a desenvolver virtudes que são pilares que sustentam o lar diante das tempestades; a combater valores que o mundo quer destruir e a ser discípulos missionários de Jesus.

Assim sendo, a exemplo de Maria — que deu seu sim a Deus e se pôs a serviço do outro—, como seus devotos, possamos desenvolver as mesmas atitudes. Que o sim a Deus leve você ao encontro dos que mais precisam no mundo de hoje e ofereça ajuda em meio às tempestades da vida. Modelar a família na espiritualidade mariana é enxergar a Mulher alegre, enraizada na história do seu povo, de uma fé profunda e grata pela sua missão.

Que as famílias possam colocar seus filhos na escola da família de Nazaré, para aprender com Maria as virtudes da obediência aos pais, castidade, bondade e disponibilidade de servir aos seus e aos outros.

 

 (*) Mestre em Ciências Contábeis pela Fucape, pós-graduada em Gestão de Pessoas pela FGV, Gestão de Pessoas pela Faesa, graduada em Serviço Social pela Ufes e psicanalista. Consultora e Executiva na área de RH e empresa hospitalar. Foi coordenadora do grupo fundador do Movimento Mães que Oram pelos Filhos da Paróquia São Camilo de Lellis, em Vitória (ES) e do grupo de Amigos da Canção Nova de Vitória. Atualmente, é coordenadora nacional e internacional do Movimento Mães que Oram pelos Filhos. Escritora dos livros “La Salette, o grito de uma Mãe!” (2018), “Superação x Rejeição: Aprendendo a ser livre” (2017), “Ser Mulher À Luz da Bíblia: Porque Deus Pode Tudo!” (2016) e “Mães que Oram pelos Filhos” (2016). Participa do programa “Papo de Mãe que Ora”, no canal Mães que Oram pelos Filhos Oficial, e do “Mães que Oram pelos Filhos”, na Rádio América.  Autora de livros publicados pela Editora Canção Nova.

https://formacao.cancaonova.com/nossa-senhora/devocao-nossa-senhora/como-espiritualidade-mariana-deve-ser-vivida-em-familia/ 

HISTÓRIA INSPIRADORA


Amor à farmácia e ao próximo: uma história inspiradora

Stefane de Oliveira Izequiel tem 25 anos, mora na Vila Maria, em Aparecida de Goiânia, e graduou-se há 4 anos (2011) em farmácia pela Universidade Paulista (UNIP). Desde pequena sempre quis fazer algo na área da saúde e o curso de farmácia chamou sua atenção. Depois que entrou na faculdade e começou a fazer os estágios, confirmou que estava no caminho certo: “sou apaixonada pelo que faço!”

Dentre as várias áreas de atuação de um farmacêutico, ela escolheu trabalhar em drogaria, dedicando-se à atenção farmacêutica e ao cuidado com o paciente. “Gosto muito de interagir, saber a história do paciente, por isso fiz uma pós-graduação especifica em atenção farmacêutica.”

Stefane conheceu o projeto MARIA MARIA por meio do Facebook. O grupo começou a atuar começou no natal de 2013 servindo jantar para moradores de rua, uma vez por semana, e é idealizado pela Elizabeth Silva. Com a divulgação, eles conseguiram aumentar a produção e com isso atender famílias carentes, pessoas que estão precisando de alimentos, pessoas doentes que precisam de certas medicações, alimentação especial, curativos, fraldas geriátricas, crianças que usam leites especiais, que são mais caros, tudo por meio de doações.

Exemplo em casa

“Eu sempre gostei de ajudar as pessoas, foi o que aprendi em casa. Minha mãe, antes de falecer com um câncer, foi voluntaria em uma associação para portadoras de câncer de mama e meu pai sempre a ajudava.”

O projeto não tem vinculo com político, igreja e não é uma ONG. Na sede onde preparam o jantar, as integrantes organizam as doações recebidas, fazem um bazar para conseguir arcar com custos. “Eu amo estar nesse projeto”.

Elas também fazem visitas a asilos, creches e ao aterro sanitário para levar cestas básicas, roupas, brinquedos e calçados. “Às vezes é difícil , cansativo e dá trabalho, mas ver o sorriso das crianças , o agradecimento no olhar das pessoas é uma sensação única, e motiva a  gente a continuar sempre.

http://sindicatodosfarmaceuticos.com.br/sem-categoria/amor-a-farmacia-e-ao-proximo-uma-historia-inspiradora/

ATUALIDADE

Por que o fanatismo é tão perigoso para os indivíduos e a sociedade

Luiz Antonio Araujo Pierre

O fanatismo pode emergir da área pessoal e se transformar em fenômeno coletivo, atingindo uma dimensão social de larga proporção, conduzindo grupos ou até parte da população a atitudes impensáveis

A palavra “fanático” vem do latim fanum: templo, lugar sagrado, santuário, e se referia àquele que frequentava um destes locais, sem nenhuma outra conotação. A partir do século XVIII, esse termo passa a expressar o excesso de zelo que beira a obsessão e desencadeia atitudes extremistas. É a adesão cega a uma doutrina, a um sistema, a um partido político, em que o sentimento pesa mais que a razão, gerando intolerância, preconceito, irracionalidade, ou seja, o reverso do que é o diálogo.

A pessoa é levada a considerar que existe somente a sua verdade, confundindo as relações e se colocando como “dono desta verdade única”, como sendo a maneira correta de interpretar e de agir. Não leva em conta o pensamento e a fundamentação do outro, considerando como “inimigos” a serem combatidos todos os que possuam outra religião ou convicção política.

Ódio

O fanático perde o sentido de suas capacidades críticas e vê, em um objeto, pessoa ou ideia – foco de sua opção – qualidades que não existem ou são superestimadas. Combate o “outro lado” com ódio, dispondo-se até mesmo a arriscar a própria vida e negando as evidências que são contrárias à sua causa.

Uma pessoa pode possuir personalidade com tendência a esta “entrega” sem maiores questionamentos ou a escolha da religião ou do partido político pode ocorrer de forma natural, baseada na tradição familiar, mas, depois, se tornar uma participação fanática. Existem também os grupos que induzem seus membros ao fanatismo.

Dimensão

O fanatismo pode emergir da área pessoal e se transformar em fenômeno coletivo, atingindo uma dimensão social de larga proporção, conduzindo grupos ou até parte da população a atitudes impensáveis. Representa, no aspecto político, constante perigo à democracia, quando a massa humana é manipulada por organismos poderosos para lutar por ideais colocados por esses agentes.

O fanático acredita em tudo que é divulgado a favor do tema que defende, sem checar fonte, autoria ou veracidade. A aceitação das fakes news, sobretudo distribuídas em larga escala no WhatsApp, é um exemplo contundente. As mensagens anônimas, sem qualquer credibilidade, sem pesquisa sobre a fundamentação, são repassadas como verdadeiras.

Desprezo

O fanático tem total desprezo e desconsideração pela opinião alheia contrária à sua crença e ou posição, o que traz em relevo um aspecto crucial e fundamental: o diálogo ou a falta do diálogo, pois não há disposição para ouvir o outro em seus argumentos.

Na área política com elementos religiosos, os líderes são considerados escolhidos e enviados por Deus, e isso pontecializa de forma exponencial o fanatismo e leva a tomar decisões de forma irracional, com adesão passional, impedindo o diálogo e criando uma ruptura aparentemente insuperável.

Na realidade, em nenhuma situação, a verdade, ainda que parcial, está na posse de alguém ou de um grupo, pois esta possui muitas facetas e é muito mais complexa do que possamos imaginar ou alcançar num debate caloroso e apaixonado.

Diálogo

De outro lado, deixar de abordar assuntos polêmicos, para manter uma aparente situação de harmonia, é omissão grave, pois podemos ignorar questões de urgência e importância para a sociedade.

É possível e salutar dialogar sobre ideias, possibilitando a coexistência harmônica entre pessoas que tenham pensamentos diferentes; com isso se evita discutir sobre as paixões, o que, na maioria das vezes, leva a resultados destrutivos e desagregadores.

Ouvir com atenção, aprender com o outro, agir com humildade e grandeza, colocando-se no lugar do outro, até conseguir pensar, analisar e interpretar um tema, levando em conta os sentimentos e as experiências do interlocutor.

Indispensável manter a pluralidade de opiniões, de pontos de vista, de opções, de escolhas, e isso se consegue tendo como base o diálogo entre as muitas tendências e posições pessoais e de grupos. Assim, é possível contribuir com a construção de uma sociedade participativa, plural, democrática e justa.

https://pt.aleteia.org/2022/02/09/por-que-o-fanatismo-e-tao-perigoso-para-os-individuos-e-a-sociedade/