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SANTO AGOSTINHO E MARIA
Como Maria gera Cristo em nós
Frei Mário Sérgio, OSA.
Neste artigo, mergulhamos no pensamento de
Santo Agostinho sobre Maria, destacando sua importância na Igreja e o chamado
para que, como ela, possamos gerar Cristo em nossos corações por meio da fé e
da imitação de suas virtudes.O pensamento de Santo Agostinho
é cristocêntrico. Quer dizer, na sua vida e na sua reflexão, tudo gira em torno
de Cristo. Inclusive, quando ele fala da Igreja, do homem e, sobretudo, de
Maria, ele relaciona essas realidades importantes com Cristo. A linguagem
mariana de Agostinho, antes de ser aquela dos afetos e das orações, é a linguagem
da imitação, do exemplo. Não porque ele fosse contra dirigir súplicas à Virgem,
mas porque, no seu tempo, não existia, em Ocidente, um culto mariano
desenvolvido. Ele nutria um enorme afeto pela Mãe de Deus, dizendo, em certa
ocasião, contra um crítico, que, quando se trata da Virgem, ele não quer
levantar nenhuma suspeita quanto à sua santidade e pureza (cf. De nat.
et grat. 36)
Sua doutrina mariana deve ser entendida junto
com aquela mais geral sobre o papel dos santos no cristianismo. No seu tempo,
estava no auge o chamado culto aos mártires. Os cristãos tinham uma verdadeira
reverência por aqueles que tinham sido mortos testemunhando a fé durante as
terríveis perseguições dos séculos anteriores. Porém, não faltava entre os
cristãos daquela época quem exagerasse no tom da devoção, beirando quase a
superstição. Esses cristãos que exageravam na devoção davam motivos para os
críticos da prática. Então, Agostinho escreveu: "O povo cristão,
por outro lado, honra com solenidade religiosa as relíquias dos mártires, quer
para estimular a sua imitação, quer para ser associado aos seus méritos, quer
para obter a ajuda das suas orações. Consequentemente, porém, nós construímos
altares não para cada mártir, mas para o Deus dos mártires, embora sobre as relíquias
dos mártires" (Contra Fausto XX,21)
Agostinho, nas suas numerosas obras, exortava
os seus ouvintes a imitar as virtudes dos santos. Da mesma forma, quando ele
fala de Maria, conclama-nos a imitar suas virtudes. Ele crê que Maria é a
imagem perfeita daquilo que eu e você deveríamos ser na Igreja. Ela não foi um
simples membro da Igreja; foi o seu membro mais eminente. Agostinho medita
sobre a virgindade de Maria e exorta-nos, por exemplo, a imitá-la, ensinando
que, assim como Maria era virgem, a Igreja deve sê-lo, havendo uma fé pura e
íntegra. Em outras ocasiões, fala da maternidade de Maria, ensinando-nos que
Maria é uma figura da Igreja, porque, do mesmo modo como ela foi mãe de Cristo,
também a Igreja é mãe de muitos filhos que foram gerados no útero da pia
batismal. Nosso papel, como Igreja, é gerar muitos filhos para a fé.
Aliás, Agostinho frisava sempre o grande modelo
de fé que foi Maria. Segundo Agostinho, para Maria valeu mais ser discípula de
Cristo do que mãe de Cristo. Ela, antes — e essa é uma das frases mais bonitas
do nosso santo — de conceber Cristo no ventre, concebe-o no coração por meio da
fé (Sermo 25,7-8). Em um sermão sobre o nascimento de Cristo,
Agostinho usa a imagem da maternidade de Maria para exortar-nos a gerar o
Cristo em nós: "A sua mãe carregou Jesus no seu ventre;
carreguemo-lo no nosso coração. A Virgem engravidou da Encarnação de Cristo;
que os nossos corações fiquem grávidos da fé de Cristo. A Virgem deu à luz o
Salvador; nós damos à luz ao louvor de Deus. Não sejamos estéreis: que as
nossas almas sejam fecundas de Deus" (Sermo 189,3,3).
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