sexta-feira, 8 de maio de 2026

9- SANTO AGOSTINHO E MARIA Como Maria gera Cristo em nós Frei Mário Sérgio, OSA.

 

 

9- SANTO AGOSTINHO E MARIA

Como Maria gera Cristo em nós

 

Frei Mário Sérgio, OSA.

Neste artigo, mergulhamos no pensamento de Santo Agostinho sobre Maria, destacando sua importância na Igreja e o chamado para que, como ela, possamos gerar Cristo em nossos corações por meio da fé e da imitação de suas virtudes.O pensamento de Santo Agostinho é cristocêntrico. Quer dizer, na sua vida e na sua reflexão, tudo gira em torno de Cristo. Inclusive, quando ele fala da Igreja, do homem e, sobretudo, de Maria, ele relaciona essas realidades importantes com Cristo. A linguagem mariana de Agostinho, antes de ser aquela dos afetos e das orações, é a linguagem da imitação, do exemplo. Não porque ele fosse contra dirigir súplicas à Virgem, mas porque, no seu tempo, não existia, em Ocidente, um culto mariano desenvolvido. Ele nutria um enorme afeto pela Mãe de Deus, dizendo, em certa ocasião, contra um crítico, que, quando se trata da Virgem, ele não quer levantar nenhuma suspeita quanto à sua santidade e pureza (cf. De nat. et grat. 36)

Sua doutrina mariana deve ser entendida junto com aquela mais geral sobre o papel dos santos no cristianismo. No seu tempo, estava no auge o chamado culto aos mártires. Os cristãos tinham uma verdadeira reverência por aqueles que tinham sido mortos testemunhando a fé durante as terríveis perseguições dos séculos anteriores. Porém, não faltava entre os cristãos daquela época quem exagerasse no tom da devoção, beirando quase a superstição. Esses cristãos que exageravam na devoção davam motivos para os críticos da prática. Então, Agostinho escreveu: "O povo cristão, por outro lado, honra com solenidade religiosa as relíquias dos mártires, quer para estimular a sua imitação, quer para ser associado aos seus méritos, quer para obter a ajuda das suas orações. Consequentemente, porém, nós construímos altares não para cada mártir, mas para o Deus dos mártires, embora sobre as relíquias dos mártires" (Contra Fausto XX,21)

Agostinho, nas suas numerosas obras, exortava os seus ouvintes a imitar as virtudes dos santos. Da mesma forma, quando ele fala de Maria, conclama-nos a imitar suas virtudes. Ele crê que Maria é a imagem perfeita daquilo que eu e você deveríamos ser na Igreja. Ela não foi um simples membro da Igreja; foi o seu membro mais eminente. Agostinho medita sobre a virgindade de Maria e exorta-nos, por exemplo, a imitá-la, ensinando que, assim como Maria era virgem, a Igreja deve sê-lo, havendo uma fé pura e íntegra. Em outras ocasiões, fala da maternidade de Maria, ensinando-nos que Maria é uma figura da Igreja, porque, do mesmo modo como ela foi mãe de Cristo, também a Igreja é mãe de muitos filhos que foram gerados no útero da pia batismal. Nosso papel, como Igreja, é gerar muitos filhos para a fé.

Aliás, Agostinho frisava sempre o grande modelo de fé que foi Maria. Segundo Agostinho, para Maria valeu mais ser discípula de Cristo do que mãe de Cristo. Ela, antes — e essa é uma das frases mais bonitas do nosso santo — de conceber Cristo no ventre, concebe-o no coração por meio da fé (Sermo 25,7-8). Em um sermão sobre o nascimento de Cristo, Agostinho usa a imagem da maternidade de Maria para exortar-nos a gerar o Cristo em nós: "A sua mãe carregou Jesus no seu ventre; carreguemo-lo no nosso coração. A Virgem engravidou da Encarnação de Cristo; que os nossos corações fiquem grávidos da fé de Cristo. A Virgem deu à luz o Salvador; nós damos à luz ao louvor de Deus. Não sejamos estéreis: que as nossas almas sejam fecundas de Deus" (Sermo 189,3,3).

 

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