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REFLEXÕES PARA O 6.º DOMINGO
DA PÁSCOA
4.1- GUARDAREIS
OS MEUS MANDAMENTOS
Estamos vivendo o Tempo Pascal, período privilegiado em que a Igreja nos conduz por um verdadeiro itinerário espiritual que parte da Ressurreição do Senhor e nos leva até a celebração de Pentecostes. Trata-se de um caminho de amadurecimento da fé, no qual somos convidados a contemplar o Cristo Ressuscitado que continua a manifestar-se à sua Igreja. Jesus revelou-se aos apóstolos por meio de suas aparições, mas continua também a manifestar-se através de sua Palavra, que permanece sempre Palavra de vida e salvação. Na Liturgia deste sexto domingo do Tempo Pascal, o Senhor nos convida a guardar os seus mandamentos e recorda-nos que não estamos sozinhos: não somos órfãos, pois somos constantemente acompanhados pela presença do Espírito Santo. No Evangelho, encontramos uma afirmação central para a vida cristã: “Se me amais, guardareis os meus mandamentos.” Guardar os mandamentos do Senhor significa reconhecer neles um tesouro precioso. Guardamos aquilo que tem valor para nós, aquilo que molda nossas escolhas e orienta nosso modo de viver. A Palavra de Jesus é o pleno cumprimento dos mandamentos; acolhê-la no coração torna-se fonte de profunda comunhão com Ele e critério seguro para a nossa caminhada. O Papa Bento XVI, na Exortação Apostólica Verbum Domini, recorda que a escuta da Palavra não é um ato meramente intelectual, mas uma experiência transformadora: “Receber o Verbo significa deixar-se plasmar por Ele, para se tornar, pelo poder do Espírito Santo, conforme a Cristo, ao Filho Único que vem do Pai. É o início de uma nova criação: nasce a criatura nova, um povo novo”. Assim, a Palavra acolhida deve necessariamente tornar-se Palavra testemunhada e anunciada. O Papa Francisco, na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, recorda-nos que a Igreja existe para evangelizar e ser sinal do amor misericordioso de Deus no mundo. Ensina-nos que ser Igreja significa ser fermento no meio da humanidade, levando esperança, consolo e sentido àqueles que muitas vezes se encontram desorientados diante dos desafios da vida. A comunidade cristã deve ser, portanto, espaço de acolhida, perdão e de promoção da vida segundo o Evangelho. Neste tempo, recordamos também o testemunho luminoso de São Francisco de Assis, que soube guardar e viver radicalmente a Palavra de Cristo. Sua conhecida exortação — “Pregai o Evangelho em todo tempo; se necessário, use palavras” — recorda-nos que o testemunho de vida constitui a forma mais eloquente de evangelização. A coerência entre fé e vida transforma o cristão em verdadeiro “Evangelho vivo” no cotidiano. A Nova Evangelização, tão fortemente impulsionada por São João Paulo II, passa precisamente pelo testemunho alegre e fiel dos mandamentos do Senhor. Eles não são imposições externas, mas expressão concreta do amor de Deus pela humanidade. O cumprimento desses mandamentos revela a autenticidade da resposta humana a esse amor divino. Não por acaso, os pagãos dos primeiros séculos, ao observarem a vida dos cristãos, admiravam-se e diziam: “Vede como eles se amam”. Todo esse caminho de acolhida e testemunho da Palavra é sustentado pela graça do Espírito Santo. Jesus consola seus discípulos com a promessa: “Não vos deixarei órfãos”, assegurando o dom do Paráclito, aquele que conduzirá a comunidade cristã à verdade plena e a uma comunhão cada vez mais profunda com o Pai. O Espírito Santo fortalece a missão da Igreja, inspira a pregação apostólica e concede coragem, perseverança, criatividade e linguagem adequada para anunciar o núcleo da fé cristã: a Ressurreição de Jesus Cristo. Pelo sacramento do Batismo, todos nós participamos dessa missão evangelizadora. Somos enviados a testemunhar o Reino de Deus nos diversos ambientes da sociedade, tornando presente o amor de Cristo nas realidades concretas da vida.
Dom
Carlos Silva, OFMCap Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal – Região
Brasilândia
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