sábado, 11 de julho de 2026

4.4- QUEM CONTINUA A SEMEAR NO CORAÇÃO DO ENFERMO?

 

4.4- QUEM CONTINUA A SEMEAR NO CORAÇÃO DO ENFERMO?

No próximo dia 14 de julho, a Igreja celebra com grande alegria a memória de São Camilo de Lellis, padroeiro dos enfermos, dos profissionais da saúde e dos hospitais. Assim como São Camilo, desde a origem da Igreja nunca faltaram homens e mulheres que acolheram o convite de Jesus para cuidar dos enfermos: “Eu estava doente e cuidastes de mim” (Mt 25,36); “Ide pelo mundo inteiro... quando impuserem as mãos sobre os enfermos, estes, ficarão curados” (Mc 16, 15-18). Em nossa Arquidiocese, temos o testemunho luminoso de Santa Madre Paulina, Santo Antônio de Sant'Ana Galvão, São José de Anchieta, Beato Mariano e Beata Assunta. Cada um, a seu modo, expressou um profundo amor e cuidado para com os enfermos. A parábola do semeador nos recorda que a semente é lançada em diferentes tipos terrenos. O semeador é o próprio Cristo; a semente é a sua Palavra; e o terreno é o coração humano. O resultado da colheita depende da abertura ou do fechamento do nosso coração. Trazendo a parábola do semeador para a realidade da saúde e dos enfermos, podemos afirmar que todo cristão — e, de modo especial, os membros da Pastoral da Saúde e dos Enfermos — tem a missão de ser semeador de vida e esperança junto àqueles que sofrem no corpo e na alma. Como no Evangelho, também em nossa missão de semear encontramos diferentes respostas, como Jesus encontrou: - à beira do caminho: muitas vezes, a dor e o sofrimento levam o enfermo a fechar-se em si mesmo, a sentir-se só ou até a revoltar-se diante da realidade que vive; - um terreno rochoso: a semente que lançamos, muitas vezes, desperta a boa vontade do enfermo em acolher a Palavra de Deus, mas o sofrimento é tão grande que logo faz surgir o desânimo; - um terreno de espinhos: a luta contra a doença, as preocupações, as dúvidas e os medos acabam, por vezes, sufocando a esperança; - a terra boa: apesar das dificuldades e sofrimentos, o enfermo mantém sua confiança em Deus e a Ele se abandona plenamente, a exemplo da Virgem Maria, que disse: “Faça- -se em mim segundo a tua vontade” (Lc 1,38). A semente que lançamos é ação do próprio Deus da vida em favor do enfermo. E, como Deus nunca desanima, também nós somos chamados a permanecer ao lado deles com amor e ternura, sem nos preocuparmos excessivamente com os resultados. Assim como Maria permaneceu junto à cruz de seu Filho, também nós somos convidados a estar junto à cruz que o enfermo carrega. Como diz o refrão de um canto cristão: “Põe a semente na terra, não será em vão. Não te preocupe a colheita, plantas para o irmão” (José Acácio Santana). Nunca esqueçamos o ensinamento de São Camilo, ao assistir um enfermo: o quarto é uma igreja; o leito é o altar; e, sobre este altar, está, na pessoa do enfermo, o próprio Cristo sofredor. Cuidar de um enfermo é uma grande graça de Deus. Muitas vezes pensamos que vamos “dar muito” aos doentes, quando, na verdade, é eles que permitem que nosso coração de pedra se transforme em terra boa, capaz de produzir frutos: “um cem, outro sessenta, outro trinta por um”. A diferença na colheita não está na semente — que é sempre a mesma —, mas na receptividade do coração que acolhe a Palavra. Que Maria a Mãe de Jesus e nossa Mãe, a primeira agente da Pastoral da Saúde e dos Enfermos, com seu testemunho junto à sua prima Isabel, nos ajude a sermos sempre expressão do amor misericordioso de Jesus com aqueles que sofrem. Rezemos a oração do Papa Leão XIV para o Dia Mundial do Enfermo deste ano: “Doce Mãe, não vos afasteis, / vossos olhos de mim não aparteis. / Vinde comigo por todo o caminho, / e nunca me deixeis sozinho. /Já que me protegeis tanto / como uma verdadeira Mãe, / fazei com que me abençoem o Pai, / o Filho e o Espírito Santo”.

Cônego João Inácio Mildner Vigário Episcopal para a Pastoral da Saúde e dos Enfermos

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