4.2- A QUEM JESUS ATRAI ?
A
liturgia deste domingo ensina-nos onde encontrar Deus. Garante-nos que Deus não
Se revela na arrogância, no orgulho, na prepotência, mas sim na simplicidade,
na humildade, na pobreza, na pequenez. A primeira leitura apresenta-nos um enviado
de Deus que vem ao encontro dos homens na pobreza, na humildade e na
simplicidade; o profeta Zacarias descreve, neste oráculo, o regresso de um rei
vitorioso a Jerusalém. A cidade é convidada a alegrar-se e regozijar-se pois o
seu rei, “justo e salvador”, chegou. Ele vem ao encontro do Povo para o
libertar e para lhe trazer a paz. Na segunda leitura, Paulo convida os
cristãos, comprometidos com Jesus desde o dia do Batismo, a viverem “segundo o
Espírito” e não “segundo a carne”. A vida “segundo a carne” é a vida daqueles
que se instalam no egoísmo, orgulho e na autossufici- ência; a vida “segundo o
Espírito” é a vida daqueles que acolhem de coração a salvação que vem de Deus.
Na perspectiva de Paulo, a salvação é um dom não merecido - porque todos vivem
mergulhados no pecado (Rm 1,18-3,20) - que Deus oferece a todos por pura
bondade (Rm 3,1- 5,11). Essa salvação chega-nos através de Jesus Cristo (cf. Rm
5,12-8,39) e atua em nós pelo Espírito (cf. Rm 8,1-39). Assim Paulo convida os
cristãos a tirarem as conclusões práticas desta realidade: se viverem “segundo
a carne”, morrerão, ou seja, não encontrarão a vida definitiva; mas se viverem
segundo o Espírito, ressuscitarão para a vida nova. Viver “segundo a carne” é,
na perspectiva de Paulo, viver em oposição a Deus, na recusa de seus mandamentos
e dos valores que brotam da Lei de Deus; “viver segundo o Espírito” é viver em
comunhão com Deus, na obediência aos seus mandamentos na doação da própria em
favor do bem. No Evangelho, Jesus louva o Pai porque a salvação que vem de
Deus, rejeitada pelos “sábios e entendidos”, encontrou acolhimento no coração
dos “pequeninos”. Os “grandes”, instalados no seu orgulho e na sua autossuficiência,
não tem disponibilidade para acolher a boa nova de Jesus; mas os “pequenos”, na
sua pobreza e simplicidade, estão sempre disponíveis para acolher a novidade
libertadora que vem de Jesus. Ouvimos também a grande promessa que Jesus faz no
fim do trecho do Evangelho: “Vinde a mim todos os que estais cansados sob o
peso do vosso fardo e vos darei descanso”. Essa é a promessa de Jesus de que
não há ninguém que se dirija a Ele, que confie totalmente a Ele sua existência
e não seja fortalecido por uma nova esperança. Mas quem vai até Ele? A quem o
Pai revela a verdade do Filho? Jesus certa vez disse: “Ninguém pode vir a mim
se o Pai, que me enviou não o atrair” (Jo 6,44). Mas quem o Pai atrai, responde
o Evangelho de hoje: não os sábios e os entendidos, mas os pequenos. Jesus é o
Filho de Deus; mas isto só os pequenos, os humildes, os dóceis podem
compreendê-lo.
Dom Celso Alexandre
Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Ipiranga
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