quinta-feira, 8 de outubro de 2026

3- A LITURGIA DO 28.º DOMINGO DO TEMPO COMUM - A

 

3-  A LITURGIA DO 28.º DOMINGO DO TEMPO COMUM  - A

 

- A Liturgia deste domingo nos conduz por uma imagem profundamente rica e consoladora: Deus prepara um banquete para a humanidade e convida todos a participar. No Livro de Isaías, o profeta apresenta essa visão cheia de esperança: o Senhor oferece um banquete abundante para todos os povos, um sinal de comunhão, alegria e plenitude. Não se trata apenas de alimento material, mas de uma realidade em que Deus mesmo sacia a fome mais profunda do coração humano. Nesse cenário, Ele destrói a morte, enxuga as lágrimas de todos e elimina toda forma de sofrimento. É a revelação de um Deus próximo, que não abandona seu povo, mas quer reuni-lo em torno de si, numa festa definitiva de vida e salvação.

- Essa promessa não permanece apenas como algo distante ou futuro, mas começa a se realizar na vida concreta daqueles que confiam em Deus. É isso que vemos na experiência de São Paulo, narrada na Carta aos Filipenses. Paulo testemunha que aprendeu a viver em todas as situações: na fartura e na escassez, na alegria e na dificuldade. O segredo dessa estabilidade interior não está nas circunstâncias, mas na sua união com Cristo: "Tudo posso naquele que me fortalece". Aqui encontramos uma ponte importante com a primeira leitura: o banquete de Deus não é apenas um evento futuro, mas uma realidade que já começa no coração daquele que confia. Quem vive em Deus já experimenta, mesmo em meio às limitações, a força, a paz e a providência que vêm do Senhor. Assim, Paulo nos ensina que participar desse banquete é, antes de tudo, viver uma relação profunda de confiança e abandono em Deus.

 

- No Evangelho, Mateus amplia e aprofunda essa reflexão ao apresentar a parábola do banquete de casamento. Jesus retoma a mesma imagem anunciada por Isaías, mas introduz um elemento dramático: o convite de Deus pode ser recusado. Os primeiros convidados, que tinham sido chamados, rejeitam o convite, alguns por indiferença, ocupados com seus próprios interesses; outros chegam a agir com violência. Essa atitude revela uma realidade muito atual: muitas vezes, Deus chama, mas o ser humano está distraído, fechado em si mesmo ou preso às suas prioridades.

- Diante da recusa, o rei abre o convite a todos, sem distinção: bons e maus são chamados. Aqui aparece claramente o cumprimento da profecia de Isaías: o banquete é universal, ninguém está excluído do amor de Deus. Contudo, Jesus dá um passo além ao apresentar a figura do convidado que entra sem o traje adequado e acaba sendo retirado da festa. Esse detalhe, à primeira vista duro, revela uma verdade essencial: não basta aceitar o convite exteriormente; é preciso assumir, interiormente, o compromisso com o Reino. O "traje de festa" simboliza uma vida transformada, revestida de atitudes concretas como a caridade, a justiça, a humildade e a fidelidade a Deus.

- Dessa forma, a Palavra de Deus não é apenas uma mensagem para ser compreendida, mas um chamado a ser vivido. Cada Eucaristia é uma atualização desse convite: Deus continua preparando a mesa e chamando seus filhos. No entanto, a resposta depende de cada um de nós. Podemos, como os primeiros convidados, nos deixar absorver por nossas preocupações e ignorar o chamado; ou podemos acolhê-lo com alegria, permitindo que nossa vida seja transformada. A boa notícia é que Deus não deixa de convidar. Ele continua oferecendo sua graça, sua força e sua presença. Como nos lembra São Paulo, Ele mesmo nos sustenta em tudo. Cabe a nós acolher esse convite com um coração disponível e permitir que nossa vida se torne, de fato, digna da festa para a qual fomos chamados.

 

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