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LITURGIA QUARTA-FEIRA DE CINZAS- ANO A
- No começo da caminhada quaresmal, Jesus nos dirige sua
palavra convidando-nos a seguir com Ele o caminho rumo à Páscoa. O
"discurso da montanha" tem como conteúdo o anúncio inicial da
proclamação do Reino de Deus, da nova aliança que se cumpre em Jesus, o
Salvador. - No Evangelho de hoje somos
chamados pelo Mestre a assumir, com fidelidade, as obras de justiça no
relacionamento com o próximo: a esmola; para com Deus: a oração; para consigo
mesmo: o jejum. A esmola, a oração e o jejum são práticas antigas e
consideradas parte dos exercícios da ascese espiritual. Elas sempre foram
retomadas e recomendadas pelos mestres e seus seguidores. Jesus também retoma
tais exercícios e, para que respondam à sua finalidade essencial, os enquadra
na relação de intimidade com o Pai e com os discípulos. O evangelista ressalta
o contraste entre a prática sugerida por Jesus e a dos fariseus e escribas.
Para estes, tais práticas são expressão da observância da Lei, em vista da
recompensa, mesmo que não correspondam a uma atitude interior. Para o Mestre, a
esmola, a oração e o jejum devem simbolizar a fidelidade e a comunhão do novo
povo com Deus. Sua prática deve, contudo, evitar a busca de privilégios, poder
e recompensas. Isto, além de bloquear a relação filial com Deus, torna-se fonte
de conflitos entre as pessoas. A recompensa anunciada por Jesus é o reino
prometido e oferecido a quem, na obediência, abre-se às exigências de sua
novidade.
- Na primeira
leitura, o profeta Joel, diante das plantações devastadas pela praga dos
gafanhotos, reflete com o povo sobre a exigência de uma nova vida. A devastação
era um sinal da proximidade do dia de Javé. O profeta incentiva o povo ao
cuidado da terra devastada e convoca todos à conversão, à penitência e à
mudança de vida. Isto não pode ser algo apenas exterior, aparente e sem
consequências práticas, mas deve significar uma transformação radical rumo a Deus.
- Na segunda leitura, Paulo afirma à
comunidade de Corinto que Jesus não cometeu pecado algum. Assumindo, porém,
a nossa condição humana, reconcilia-nos com Deus. Em meio às dificuldades e
tensões da comunidade, a palavra do Apóstolo transforma-se em exortações, em
convite e em oração à reconciliação. Paulo recorda-nos de que esse é o momento
oportuno e favorável da salvação.
- Na Quarta-feira
de Cinzas, a Igreja abre o Tempo da Quaresma. Esse tempo precede e
predispõe à celebração da Páscoa. Pela meditação assídua da Palavra de Deus, a
oração e a prática da caridade, somos convidados a entrar na dinâmica pascal da
conversão que consiste na passagem da morte para a vida, das trevas para a luz,
do egoísmo e do pecado para a vitória da ressurreição. A Quaresma é um tempo
primordial de conversão, isto é, de reconciliação com Deus e com os irmãos.
- As cinzas evocam
nossa realidade humana. Através do gesto ritual da imposição das cinzas,
reconhecemos nossa fragilidade e nossa condição de pecadores. Também, nos
dispomos a caminhar para o dia maior da ressurreição, vivendo a misericórdia de
Deus, a exemplo de Cristo obediente e ressuscitado. As cinzas lembram o Cristo
vitorioso sobre a morte.
- Assim, a
Quaresma é um tempo favorável à renovação de nossa vida batismal, isto é, de
nossa fé. Apesar da secularização e dos desafios do fenômeno religioso da
sociedade contemporânea, o povo cristão percebe que durante a Quaresma é
preciso orientar os ânimos para as realidades que verdadeiramente contam; que
exige empenho evangélico e coerência de vida, traduzida em obras, em formas de
renúncia, em manifestações de solidariedade com os sofredores e necessitados.
- Ao participar da
celebração da bênção e da imposição das cinzas, aderimos à dinâmica pascal.
É o Senhor quem convida a voltarmos para Ele de todo o coração. Como
convertidos, devemos agir para que a fé a ser vivida no presente continue a
testemunhar um Reino de justiça, amor e paz para todos.
- Obs.: Quem faz a partilha da Palavra, poderá trazer alguma reflexão sobre a
Campanha da Fraternidade do ano corrente e até mesmo realizar o gesto da
"abertura da CF 2026" com a apresentação do cartaz como indicado ao
final do folheto
https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/02/18_02_26.pdf
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