sexta-feira, 15 de maio de 2026

4-REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR 4.1- JESUS NOS ESPERA NOS CÉUS

 

4-REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR

4.1- JESUS NOS ESPERA NOS CÉUS

“Reinos da terra, celebrai o nosso Deus, cantai-lhe salmos! Dai glória a Deus e exaltai o seu poder sobre as nuvens, aleluia”. Com essas palavras tiradas do salmo 67, a Igreja, em sua liturgia, convida a todos os fiéis a alegrarem-se e darem glória a Deus, neste dia em que, em pleno tempo pascal, celebramos a Solenidade da Ascensão de Jesus aos céus. Esta solenidade é oficialmente celebrada 40 dias após a Ressurreição do Senhor, na quinta-feira da sexta semana da Páscoa. No Brasil e em muitos países, devido à sua importância e para facilitar que todos os católicos possam celebrá-la, a solenidade é transferida para o domingo seguinte. O Catecismo da Igreja Católica, com base no testemunho do Novo Testa- mento (ver Lc 24,50-53; At 1,9-11; Mc 16,19; Jo 20,17; Ef 4,8-10; Heb 4,14) ensina, como parte de sua profissão de fé, que Jesus ascendeu ao Céu, em seu corpo glorificado, à vista de seus apóstolos. Tal acontecimento é históri- co é parte essencial do mistério Pascal; não constitui o fim da missão de Jesus Cristo, mas sim, uma nova forma de presença, invisível aos olhos humanos, mas vivenciada e percebida aos olhos da fé. Tão pouco constitui apenas um deslocamento meramente físico de Jesus; mais do que isso: Ele entra definitivamente na plenitude divina de Deus, onde “senta-se à direita do Pai”, participando plenamente do poder, da honra e da autoridade divina. Em outras palavras, a Ascensão do Senhor é a glorificação definitiva da humanidade de Cristo, que no mistério da Encarnação, celebrado no Natal, assume no tempo e para toda a eternidade a natureza humana. Ascendendo aos Céus, Jesus nos precede na participação da Glória de Deus, leva a nossa humanidade consigo e revela com clareza os desígnios de Deus para a humanidade. E nos Céus, “Jesus exerce em caráter permanente seu sacerdócio, por isso, Ele tem poder ilimitado para salvar aqueles que, por seu intermédio, se aproximam de Deus” (CIC 662). O mistério da Ascensão de Cristo guarda um paradoxo interessante: Ele sobe aos Céus, onde nos espera, e, ao mesmo tempo, permanece conosco mantendo a Sua presença viva na Igreja, nas palavras de São Paulo Apóstolo, “o Corpo místico de Cristo” em que Ele é a cabeça e verdadeiramente presente na Eucaristia. Segundo a narrativa do Evangelho, antes de subir aos céus, Cristo deixa-nos um mandato: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28, 19). Ao longo de 21 séculos de história, a Igreja católica, assistida pelo Espírito Santo, unida ao Santo Padre, aos Bispos com os seus presbíteros, diáconos e todos os batizados, vêm incansavelmente cumprindo essa missão com seu apostolado pessoal, santificando os fiéis com a celebração dos sacramentos, anunciando o Querigma, catequizando; com as suas obras de misericórdia corporais e espirituais praticam o mandamento do amor a Deus e ao próximo, ao mesmo tempo em que santificam-se, seja nos conventos como em meio ao dia a dia da vida cotidiana. Com as suas pastorais, institutos educativos, hospitais, casas de acolhida, os fiéis discípulos de Jesus Cristo, cada qual segundo o carisma e vocação suscitados por Deus, procuram, como é vontade de Jesus, serem “o sal da terra e a luz do mundo”, em meio às sombras e luzes da história humana. É fato que a Igreja Católica, apesar de seus limites humanos, é a instituição que mais bem faz à humanidade. A Solenidade da Ascensão de Jesus nos recorda o fim último para onde se encaminha a nossa existência: o Reino dos Céus. Auxiliados e movidos pela virtude teologal da esperança que recebemos como graça no sacramento do batismo, vivemos no mundo sem sermos mundanos, com um pé na terra e os olhos para a eternidade, onde Jesus nos espera. Ali, onde segundo o Livro do Apocalipse, “Deus enxugará toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem dor” (Ap 21,4).

Pe. Michelino Roberto Vigário Episcopal para as Comunicações Sociais

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ano-50A-32-ASCENSAO-DO-SENHOR.pdf

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