3-LITURGIA DA SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR
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Celebramos hoje a solenidade da Ascensão do Senhor. Durante toda essa semana
que passou, a liturgia nos preparou para essa celebração, colocando-nos, a cada
dia, o discurso de despedida de Jesus e suas recomendações para a continuidade
da sua missão, sendo que essa seria a forma mais eficaz de tê-lo sempre
presente. Vimos, portanto, que todo aquele que vive seus ensinamentos e coloca
em prática as suas palavras o terá sempre presente. Assim, quarenta dias depois
da Páscoa, chegamos a essa solenidade, que significa muito mais que a última
semana deste tempo litúrgico (a Páscoa), ou a elevação definitiva de Jesus ao
céu, mas a sua plena glorificação e, consequentemente, a nossa vitória. Assim
sendo, celebrar a Ascensão do Senhor é celebrar o compromisso definitivo de
colocar em prática os seus ensinamentos, indo para a missão e fazendo
discípulos dele todos os povos, como ele havia recomendado.
- O
Evangelho de Mateus, proposto para a liturgia deste domingo não fala
diretamente da ascensão. Ele fala do encontro do Ressuscitado com os
discípulos, no monte da Galileia, onde Jesus se apresenta vitorioso e glorioso,
com autoridade divina, e ali Ele envia seus discípulos. Desse modo, Ele estará
sempre com eles e conosco para sempre. Toda vez que colocamos em prática seus
ensinamentos, Ele se faz presente no meio de nós. Jesus se faz presente quando
celebramos a Eucaristia; quando proclamamos a Palavra de Deus; quando nos
empenhamos nos trabalhos pastorais e na vivência de comunidade fraterna; quando
nos solidarizamos com nossos irmãos; quando socorremos os necessitados; quando
praticamos obras de caridade; enfim, quando fazemos o bem. A ascensão de Jesus
possibilitou a vinda do Espírito Santo, que guia nossos passos e ações e nos
coloca em sintonia com Deus, na dinâmica do seu Reino.
- Lucas, por sua vez, relata a Ascensão do
Senhor com riqueza de detalhes na primeira leitura de hoje, dos Atos dos
Apóstolos. Lucas fala que Jesus foi levado para o céu, mas não sem antes
dar instruções, pelo Espírito Santo, aos seus apóstolos. Recorda o que vimos
durante esses quarenta dias do Tempo Pascal, isto é, as sucessivas aparições de
Jesus, em que Ele se mostrou vivo depois de sua Paixão, com numerosas provas.
Agora, eles já estariam mais que certos de que Jesus, de fato, ressuscitou e
não precisariam de novas aparições para acreditar. Semelhante a Mateus, Lucas
recorda a ordem dada por Jesus nessa ocasião: "Não vos afasteis de
Jerusalém, mas esperai a realização da promessa do Pai, da qual vós me ouvistes
falar: 'João batizou com água; vós, porém, sereis batizados com o Espírito
Santo dentro de poucos dias'" (At 1,4-5). É o anúncio da vinda do Espírito
Santo (Pentecostes) sobre os discípulos e cada um de nós, batizados, nos
capacitando e enviando para a missão aos confins da terra.
- Jesus é levado para o céu, porém deixou-nos
essa missão de sermos discípulos e missionários, levando a sua Palavra e os
seus ensinamentos por toda a terra. A Ascensão é, portanto, o nascimento da
Igreja missionária, guiada pelo Espírito Santo. Assim sendo, não podemos ficar
parados olhando para o alto, como fizeram, a princípio, seus discípulos;
devemos seguir adiante, olhar para frente e em nossa volta para enxergarmos a
realidade e nela trabalhar, como Jesus ensinou. A Ascensão do Senhor nos compromete
com a sua missão, a missão do Reino.
- Na segunda leitura, Paulo mostra que Deus
nos deu um Espírito de sabedoria para conhecermos e entendermos o que Ele quer
de nós. Que estejamos de coração aberto à sua luz para sabermos qual é a
esperança que o seu chamado nos dá e qual a riqueza da glória trazida pela
Ascensão de Jesus e do seu poder que nos envolve na missão. Cristo continua
sendo a cabeça da Igreja, e nós, os membros que compõem esse corpo.
- Com a Ascensão, começa definitivamente a
missão de anunciá-lo como Senhor de todos os povos; Senhor da história, do
tempo e da eternidade. Contudo, a liturgia da Palavra dessa solenidade
acentua muito mais a missão da Igreja do que o próprio fato da Ascensão. A
Ascensão é o marco da missão. Hoje, somos os discípulos missionários enviados
pelo Senhor. Está em nossas mãos dar continuidade àquilo que Jesus ensinou.
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