4- REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DA ASSUNÇÃO DE NOSSA
SENHORA
4.1- NÃO NASCEMOS PARA MORRER,
MORREMOS PARA RESSUSCITAR!
Ao final de sua vida neste mundo, Maria, concebida
sem pecado, não conheceu a corrupção da morte, mas, por sua fidelidade a Deus,
foi elevada ao céu tanto em corpo quanto em alma, como afirma o dogma
proclamado pelo Papa Pio XII, em 1950. Essa profissão de fé nos motiva a
enfrentar os desafios cotidianos e reforça a esperança na vida eterna,
lembrando que, unidos a Cristo, também somos chamados à glória celestial.
Contudo, pensar no futuro e na Assunção não deve nos afastar da realidade
presente. O Evangelho mostra como Maria vivenciou sua fé: ouvindo a voz de
Deus, estando sempre pronta a servir e reconhecendo as obras maravilhosas do
Senhor em sua vida. A novidade anunciada pelo anjo não a acomoda, mas põe a
“serva do Senhor” em movimento para servir a quem precisa. Sua Visitação
simboliza a conver- gência entre o Antigo e o Novo Testamento. Duas mulheres
grávidas de esperança, carregam em seus ventres a realização das promessas de Deus.
Isabel, idosa e considerada estéril, mãe de João Batista, personifica a
expectativa do povo de Israel na vinda do Messias. Maria, jovem Virgem de
Nazaré, Mãe de Jesus, representa o cumprimento dessa promessa. Esse encontro
ressalta alegria, acolhimento e a certeza de que para Deus nada é impossível,
transformando situações de esterilidade e dúvida em vidas plenas de propósito.
Há uma identificação universal com Maria que transcende o pensamento teológico
e toca no sentimento e na fé de muita gente. É um senti- mento cultivado de
geração em geração. Nossa Senhora é a Mãezinha do céu nos momentos mais
difíceis. Como entender tanta força dessa mulher cuja devoção é um dos pilares
da piedade católica? Como fazer dessa devoção uma força para a manifestação do
Reino de Deus já neste mundo: a unidade em torno da justiça, da dignidade
humana e da paz? Os sofrimentos vivenciados por mães ao redor do mundo remetem
à figura da Mãe de Jesus, Ele que foi perseguido e morto por combater todas as
formas de violência em nome da fé no Deus que valoriza cada vida humana como
mistério insondável de amor e, por isso, um território inviolável de dignidade
diante do qual a reverência é atitude urgente e necessária. Em Maria, Deus
realiza plenamente seu projeto de salvação: ela representa humildade e acolhida
à nova vida em Cristo. Com ela, nós proclamamos: “dispersou os soberbos e
exaltou os humildes” (cf. Lc 1,51-52) Os humildes são aqueles que creem no
cumprimento da promessa de Deus e se colocam alegremente a seu serviço, aqueles
que acolhem até ao mais íntimo do seu ser a Vida nova, o Cristo, para levá-la
ao mundo. Deus faz neles maravilhas. O Brasil será um país melhor quando nós,
devotos de Maria, nos tornarmos mais solícitos ao sofrimento alheio e nos
empenharmos corajosamente na construção de uma sociedade regida pela partilha,
amor e justiça. Neste fim de semana celebramos a vocação à Vida Religiosa
Consagrada. Maria é considerada mãe e modelo das vocações por sua escuta,
fidelidade e serviço, ensinando os consagrados a viverem seus votos de
castidade, pobreza e obediência. Nossa Senhora da Assunção, padroeira da
Catedral Metropolitana de São Paulo, rogai por nós, para que sejamos dignos das
promessas de Cristo.
Pe. Jorge Bernardes Vigário Episcopal Adjunto
– Região Ipiranga
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