sexta-feira, 7 de agosto de 2026

4- REFLEXÕES PARA O 19.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- A 4.1- “CORAGEM! SOU EU. NÃO TENHAIS MEDO!”

 

 

4- REFLEXÕES PARA O 19.º DOMINGO DO TEMPO COMUM-  A

4.1- “CORAGEM! SOU EU. NÃO TENHAIS MEDO!”

A liturgia deste domingo, 19° do tempo comum, nos conduz a uma experiência fundamental da fé: aprender a reconhecer Deus não no espetáculo, mas na presença que sustenta. Na primeira leitura, o profeta Elias, cansado, perseguido e com medo, sobe ao Horeb. Ali, Deus não se manifesta no vento impetuoso, nem no terremoto, nem no fogo, mas numa brisa suave. Essa cena nos ensina algo decisivo: Deus não se impõe, Ele se revela. Sua presença não é invasiva; é fiel, discreta e constante. A fé madura nasce quando aprendemos a escutar esse Deus que fala no silêncio. O Evangelho retoma essa mesma pedagogia divina. Os discípulos estão no mar, símbolo bíblico do caos, da morte e das forças que escapam ao controle humano. Jesus não está no barco. Ele está no monte, em oração. Aqui já encontramos um dado profundamente teológico: a missão de Jesus nasce da comunhão com o Pai. Antes de intervir, Ele reza; antes de agir, Ele se abandona à vontade do Pai. Quando Jesus caminha sobre as águas, o Evangelho não quer apenas nos mostrar um milagre, mas revelar quem é Jesus. Somente Deus, no Antigo Testamento, domina o mar. Ao caminhar sobre as águas, Jesus se manifesta como o Senhor da criação, aquele que vence o caos e conduz o povo à vida. Por isso Ele diz: “Sou eu” — expressão que evoca o próprio nome de Deus revelado a Moisés. Pedro representa a Igreja e cada um de nós. Ele deseja ir ao encontro do Senhor, mas sua fé ainda é frágil. Enquanto fixa o olhar em Cristo, caminha; quando se deixa dominar pelo medo, afunda. Isso revela uma verdade espiritual profunda: a fé não elimina as dificuldades, mas nos dá um novo modo de atravessá-las. Afundamos não porque as ondas existem, mas porque esquecemos em quem confiamos. O grito de Pedro — “Senhor, salva-me!” — é uma verdadeira oração de fé. E o gesto de Jesus, que estende a mão, revela o coração pastoral de Deus: Ele não censura antes de salvar; salva para depois ensinar. A correção vem, mas vem acompanhada da misericórdia. Quando Jesus entra no barco, o vento cessa. A Igreja aprende, então, que não é a ausência de tempestades que define a presença de Deus, mas a presença de Cristo no meio delas. Por isso, os discípulos professam a fé: “Verdadeiramente, tu és o Filho de Deus.” A travessia se transforma em profissão de fé. Pastoralmente, este Evangelho nos convida a educar a fé do povo para além de soluções imediatas. Não se trata de prometer mares tranquilos, mas de anunciar um Senhor que caminha conosco, mesmo quando a noite é longa e o vento é contrário. A comunidade cristã é chamada a ser esse barco onde Cristo está presente e onde ninguém atravessa sozinho. Peçamos hoje a graça de uma fé mais enraizada, capaz de escutar Deus no silêncio, de confiar no meio da instabilidade e de reconhecer que, mesmo nas tempestades, o Senhor continua vindo ao nosso encontro.

Dom Cícero Alves de França Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Belém

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/07/Ano-50A-45-19o-DOMINGO-DO-TEMPO-COMUM_.pdf

Nenhum comentário:

Postar um comentário