4- LITURGIA DO 24.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A
- A Liturgia
de hoje faz parte de um caminho de correção fraterna que visa o crescimento
pessoal e comunitário de todos. Um tema tão essencial e urgente,
principalmente em nossos dias: o perdão!
Deus se apresenta como Aquele que perdoa sem medidas e nos convida a fazer este
caminho de liberdade interior. Pensemos juntos a nossa realidade cercada por
tantos formadores de opinião, influenciadores e famosos, que inspiram o povo a
não perdoar, a não ouvir e a não acolher. Tantos "nãos" que vão
contra o Evangelho. Pensemos a ação de Jesus, nossa maior inspiração, o único
que deve influenciar a nossa vida. Ele nos indica o perdão sem limites como
critério de uma vida em plena liberdade. Somente quem perdoa é realmente livre!
- Já no Antigo
Testamento existiam normas e leis que convidavam o povo a viver o perdão para
com os irmãos de comunidade. Contudo, não era um perdão total, porque
excluía os inimigos e os estrangeiros. Pedro representa a comunidade ainda
presa às atitudes legalistas. Ele pergunta a Jesus qual é o número de vezes que
se deve perdoar. Também nós temos essa atitude. Quantas vezes pensamos e agimos
assim, limitando a nossa bondade por causa dos erros dos outros. Como imagem e
semelhança de Deus, devemos ser bons sempre, independente da ação do outro. A
minha bondade não pode ser pautada na bondade ou gestos alheios, mas sim na
gratuidade, no amor e no perdão recebidos como dons, primeiramente de Deus.
- O
convite do Evangelho de hoje é que nos assemelhemos ao Deus em quem cremos.
Ele é bom, e nós precisamos fazer este caminho de bondade. Ele perdoa, e precisamos perdoar. A atitude egoísta do funcionário
do Evangelho é denunciada na primeira leitura do Eclesiástico: "Não tem
compaixão do seu semelhante e pede perdão para os seus próprios pecados?".
Parece que conhecemos bem esse caminho quando rezamos a oração do Pai-Nosso:
"perdoainos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem
ofendido". O perdão de Deus está intimamente ligado ao perdão mútuo entre
os irmãos. O mesmo coração que recebe o perdão deve se tornar fonte de perdão,
como ensinou o Papa Francisco: "fui misericordiado e, consequentemente,
feito instrumento da misericórdia" (Misericordia et misera).
- Mas atenção! O perdão não pode ser confundido com omissão ou silêncio diante do que
é errado. O cristão não silencia diante da injustiça e da maldade; não
aceita o pecado e não se cala diante do erro. Perdoar não significa ficar em
silêncio nem fugir do dever de colaborar na construção de um mundo mais
fraterno. Perdoar não significa esquecer, mas significa estar sempre disposto a
ir ao encontro do outro, a estender a mão para levantar quem caiu e a quer
outra oportunidade de recomeçar, assim como Deus, em sua infinita misericórdia,
faz conosco. Perdoar é experimentar o amor de Deus e deixar-se transformar por
Ele. Perdoar é deixar partir um peso que não nos pertence.
- Quantas vezes nosso irmão erra e nós
carregamos o peso de um erro que não é nosso? Perdoar é deixar ir. Não poderemos pedir a plenitude do perdão para
os nossos pecados enquanto não somos capazes de perdoar o mínimo da ofensa que
nos fizeram. O próprio Jesus já havia dito que somente quem muito ama será
capaz de muito perdoar (Lc 7,36-50). Ser discípulo de Jesus Cristo significa
assumir uma atitude de bondade e compreensão e, assim, ter a vida marcada pela
misericórdia, pelo acolhimento e pelo amor, que é a origem de todo perdão.
Lembremos São Francisco de Assis: "é perdoando que se é perdoado".
https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/07/13_09_26.pdf
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