domingo, 11 de outubro de 2026

3- LITURGIA DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DA CONCEIÇÃO APARECIDA

  

3- LITURGIA DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DA CONCEIÇÃO APARECIDA

- Deus continua a manifestar seu amor, sua proximidade e misericórdia para com o seu povo. A Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, é um sinal maravilhoso desse carinho divino, estendido a todas as nações e, de modo especial, ao povo brasileiro.

- São Paulo disse: "Trazemos este tesouro em vasos de barro, para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós" (2Cor 4,7). Assim como a pequena imagem de Aparecida, nós também, feitos do barro deste mundo - barro singelo, frágil e quebradiço, que por si mesmo nada produz - , somos envolvidos pelo amor de Deus. Maria e cada um de nós fomos revestidos de uma glória que não nos pertence, mas que vem de Deus. - Na primeira leitura, a rainha Ester - prefiguração da Virgem Maria - "revestiu-se com vestes de rainha e foi colocar-se no vestíbulo do palácio real" (Est 5,1b). Ester não estava destinada a ser rainha. Ela era uma plebeia judia, nascida do mesmo povo ameaçado pelas intrigas do palácio, e que recebeu, por graça, a chance de ser rainha. Da mesma forma, nós, que estávamos destinados a ser um "não-povo", fomos transformados no povo de Deus (cf. 1Pd 2,10), povo sacerdotal e régio, pela graça do Batismo. - Já na leitura do Apocalipse, vemos a plenitude de uma Mulher que está revestida de sol, ou seja, revestida do poder de Deus; com a lua sob os pés, isto é, dominando as adversidades deste mundo passageiro; e com a coroa de doze estrelas, a coroa do povo eleito. Ela é coroada porque dá à luz o Rei que reinará no céu, à direita de Deus. Essa mulher, segundo o autor sagrado, símbolo do povo eleito, do qual provém o Filho de Deus feito carne, e o novo povo de Deus, formado por aqueles que foram feitos filhos de Deus pelo Batismo: o antigo e o novo Israel de Deus. No Evangelho, o Senhor a proclama Mulher. Como Mulher, ela se torna Mãe: Mãe de Deus e nossa. Com todo fundamento, podemos ver nesta Mulher a Virgem Maria.

- O ponto alto da glória que recebemos no Batismo vem após o sofrimento causado pela perseguição do dragão, o inimigo de Deus. Nessa batalha, vemos a Mulher e o dragão. Este é expulso do céu, persegue a Mulher e seus filhos na terra. Porém, a terra ajuda a Mulher, e nós, seus filhos, devemos fazer o mesmo, defendendo-a das perseguições. No texto, vemos que o dragão quer submergir a Mulher com o seu vômito, ou seja, com a imagem das perseguições contra a Igreja; com a cultura individualista e desinstitucionalizante, que não permite à Igreja se pronunciar para o bem de seus filhos; com a polarização diabólica, que nos põe uns contra os outros dentro da própria Igreja e na sociedade, tornandonos incapazes de dialogar; e também com os pecados dos filhos da Igreja. Hoje, somos aqueles que se levantam para defender a Igreja e a Virgem Maria, nossa Mãe.

- Já o Evangelho mostra que a Mulher, ou seja, a Virgem Maria e a Igreja, está ao lado do seu povo, que não tem mais vinho: povo ameaçado e perseguido. A rainha Ester e Maria não pedem nada para si. Não pedem riquezas nem glórias humanas, mas pedem a vida de seu povo. Quais são, hoje, as ameaças contra o povo de Deus? O que temos feito pela promoção e defesa da vida em todas as suas formas?

- Pertence à nossa vocação batismal promover a paz em meio aos conflitos que geram exclusão, cancelamentos, discursos de ódio, violência e morte. Precisamos de conversão!. Foi por isso que rezamos, na oração inicial (Coleta), pedindo a Deus que o povo brasileiro, vivendo em paz e justiça, alcance a pátria definitiva. Nossa Senhora intercede pelo povo, para que assuma com coragem e alegria sua missão batismal!

- A Virgem Mãe nos dá a solução para que o povo tenha vida e recupere a alegria: fazer tudo o que Jesus disser. Ele nos manda encher as talhas de pedra de nossos corações endurecidos pela maldade e pelo pecado com a água da verdadeira purificação: a água do nosso Batismo, a água do Espírito Santo, mas também a água da fé, da fraternidade e da Palavra de Deus. Esta água é o próprio Cristo, a água viva. E Ele nos envia a levarmos dessa água aos irmãos a quem falta o vinho da alegria do Evangelho. Ao receberem o Cristo, todos serão transformados em "vinho novo": obedientes ao Pai, justos, fraternos, convertidos e anunciadores do Reino de Deus! - Peçamos à Maria Santíssima que interceda pela vida do seu povo. Que, assumindo o Cristo em nossas vidas, sejamos revestidos pelas vestes gloriosas do Batismo, fiéis promotores da paz e sedentos de justiça, para que sejamos dignos das bemaventuranças no Céu, onde estão o vosso Filho, o Pai e o Espírito Santo. Amém.

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