3- LITURGIA
DA BEM-AVENTURADA VIRGEM MARIA DA
CONCEIÇÃO APARECIDA
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Deus continua a manifestar seu amor, sua proximidade e misericórdia para com o
seu povo. A Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria da Conceição Aparecida,
Rainha e Padroeira do Brasil, é um sinal maravilhoso desse carinho divino,
estendido a todas as nações e, de modo especial, ao povo brasileiro.
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São Paulo disse: "Trazemos este tesouro em vasos de barro, para que todos
reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós" (2Cor
4,7). Assim como a pequena imagem de Aparecida, nós também, feitos do barro
deste mundo - barro singelo, frágil e quebradiço, que por si mesmo nada produz
- , somos envolvidos pelo amor de Deus. Maria e cada um de nós fomos revestidos
de uma glória que não nos pertence, mas que vem de Deus. - Na primeira leitura,
a rainha Ester - prefiguração da Virgem Maria - "revestiu-se com vestes de
rainha e foi colocar-se no vestíbulo do palácio real" (Est 5,1b). Ester
não estava destinada a ser rainha. Ela era uma plebeia judia, nascida do mesmo
povo ameaçado pelas intrigas do palácio, e que recebeu, por graça, a chance de
ser rainha. Da mesma forma, nós, que estávamos destinados a ser um
"não-povo", fomos transformados no povo de Deus (cf. 1Pd 2,10), povo
sacerdotal e régio, pela graça do Batismo. - Já na leitura do Apocalipse, vemos
a plenitude de uma Mulher que está revestida de sol, ou seja, revestida do
poder de Deus; com a lua sob os pés, isto é, dominando as adversidades deste
mundo passageiro; e com a coroa de doze estrelas, a coroa do povo eleito. Ela é
coroada porque dá à luz o Rei que reinará no céu, à direita de Deus. Essa
mulher, segundo o autor sagrado, símbolo do povo eleito, do qual provém o Filho
de Deus feito carne, e o novo povo de Deus, formado por aqueles que foram
feitos filhos de Deus pelo Batismo: o antigo e o novo Israel de Deus. No
Evangelho, o Senhor a proclama Mulher. Como Mulher, ela se torna Mãe: Mãe de
Deus e nossa. Com todo fundamento, podemos ver nesta Mulher a Virgem Maria.
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O ponto alto da glória que recebemos no Batismo vem após o sofrimento causado
pela perseguição do dragão, o inimigo de Deus. Nessa batalha, vemos a Mulher e
o dragão. Este é expulso do céu, persegue a Mulher e seus filhos na terra.
Porém, a terra ajuda a Mulher, e nós, seus filhos, devemos fazer o mesmo,
defendendo-a das perseguições. No texto, vemos que o dragão quer submergir a
Mulher com o seu vômito, ou seja, com a imagem das perseguições contra a
Igreja; com a cultura individualista e desinstitucionalizante, que não permite
à Igreja se pronunciar para o bem de seus filhos; com a polarização diabólica,
que nos põe uns contra os outros dentro da própria Igreja e na sociedade,
tornandonos incapazes de dialogar; e também com os pecados dos filhos da
Igreja. Hoje, somos aqueles que se levantam para defender a Igreja e a Virgem
Maria, nossa Mãe.
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Já o Evangelho mostra que a Mulher, ou seja, a Virgem Maria e a Igreja, está ao
lado do seu povo, que não tem mais vinho: povo ameaçado e perseguido. A rainha
Ester e Maria não pedem nada para si. Não pedem riquezas nem glórias humanas,
mas pedem a vida de seu povo. Quais são, hoje, as ameaças contra o povo de
Deus? O que temos feito pela promoção e defesa da vida em todas as suas formas?
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Pertence à nossa vocação batismal promover a paz em meio aos conflitos que
geram exclusão, cancelamentos, discursos de ódio, violência e morte. Precisamos
de conversão!. Foi por isso que rezamos, na oração inicial (Coleta), pedindo a
Deus que o povo brasileiro, vivendo em paz e justiça, alcance a pátria
definitiva. Nossa Senhora intercede pelo povo, para que assuma com coragem e
alegria sua missão batismal!
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A Virgem Mãe nos dá a solução para que o povo tenha vida e recupere a alegria:
fazer tudo o que Jesus disser. Ele nos manda encher as talhas de pedra de
nossos corações endurecidos pela maldade e pelo pecado com a água da verdadeira
purificação: a água do nosso Batismo, a água do Espírito Santo, mas também a
água da fé, da fraternidade e da Palavra de Deus. Esta água é o próprio Cristo,
a água viva. E Ele nos envia a levarmos dessa água aos irmãos a quem falta o
vinho da alegria do Evangelho. Ao receberem o Cristo, todos serão transformados
em "vinho novo": obedientes ao Pai, justos, fraternos, convertidos e
anunciadores do Reino de Deus! - Peçamos à Maria Santíssima que interceda pela
vida do seu povo. Que, assumindo o Cristo em nossas vidas, sejamos revestidos
pelas vestes gloriosas do Batismo, fiéis promotores da paz e sedentos de
justiça, para que sejamos dignos das bemaventuranças no Céu, onde estão o vosso
Filho, o Pai e o Espírito Santo. Amém.
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