domingo, 11 de outubro de 2026

4- REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA APARECIDA 4.1- FAZEI TUDO O QUE ELE VOS DISSER

 

4-  REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA APARECIDA

4.1- FAZEI TUDO O QUE ELE VOS DISSER


Mãe de Deus, Rainha e Padroeira do Brasil. Esta festa é muito mais do que uma memória histórica ligada ao encontro da pequena imagem nas águas do rio Paraíba; é a celebração da certeza de que Deus visita o seu povo por meio da ternura materna de Maria. A liturgia de hoje nos apresenta Maria como mulher atenta, intercessora e sinal da presença salvadora de Deus na história. Na primeira leitura proposta a nós nesta solenidade percebemos Ester, que se apresenta diante do rei para interceder em favor de seu povo. A tradição cristã sempre viu nessa figura uma imagem de Maria: assim como Ester, Maria se apresenta diante do Rei dos reis e intercede por nós. Ela conhece as dores de seus filhos: conhece as angústias de tantas famílias brasileiras, a fome, a violência, o desemprego, a enfermidade, o desânimo espiritual, a perda da esperança. E como mãe, ela apresenta tudo isso ao coração misericordioso de seu Filho. Foi exatamente isso que vimos no Evangelho das bodas de Caná. Maria percebe algo que ninguém havia notado: “Eles não têm mais vinho.” Essa frase revela toda a sensibilidade do coração materno. Maria é aquela que percebe aquilo que falta. Ela vê quando falta alegria numa casa, quando falta paz numa família, quando falta fé em um coração, quando falta esperança a um povo. Não faz alarde, não condena, não expõe a fragilidade dos noivos. Apenas leva a necessidade até Jesus. E depois dirige aos serventes – e a todos nós – a palavra que resume toda a espiritualidade mariana: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Aqui está a grande missão de Maria: ela nunca aponta para si mesma, mas sempre para Cristo. Toda verdadeira devoção a Nossa Senhora nos conduz a Jesus. Quem ama Maria de verdade torna-se discípulo obediente de seu Filho. No Apocalipse, a segunda leitura desta solenidade, contemplamos a visão da mulher vestida de sol, combatida pelo dragão, mas protegida por Deus. Essa mulher representa a Igreja, mas também Maria, a Mãe do Salvador, que participa da luta contra as forças do mal. Ao celebrarmos Nossa Senhora Aparecida, recordamos que ela é sinal de esperança em meio às batalhas da nossa história. O Brasil tantas vezes parece atravessar momentos de divisão, sofrimento, injustiça e incerteza. Mas a presença de Maria nos recorda que o mal não tem a última palavra. Deus sustenta o seu povo. E há ainda um detalhe profundamente simbólico na história de Apareci- da: Maria foi encontrada nas águas, primeiro o corpo, depois a cabeça, e após isso veio a pesca abundante. É como se Deus quisesse dizer ao nosso povo que, quando acolhemos Maria, reencontramos a unidade; quando a colocamos no centro de nossa vida cristã, experimentamos a abundância da graça. A pequena imagem negra, marcada pelas águas e pelo tempo, fala profun- damente ao coração do povo brasileiro. Ela nos lembra que Deus escolhe os pequenos, os simples, os esquecidos. Maria Aparecida é o sinal de que Deus olha com predileção para os pobres e caminha com os humildes. Hoje, diante de nossa Padroeira, somos convidados a renovar nossa confiança filial. Talvez também em nossa vida esteja faltando “vinho”: talvez falte alegria, coragem, perseverança, fé. Apresentemos tudo isso a Maria. Ela continua olhando para cada um de nós e dizendo a Jesus aquilo que tantas vezes não conseguimos expressar. E continua repetindo a nós: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Que Nossa Senhora Aparecida interceda por nossa pátria, por nossas famílias, pelos doentes, pelos pobres, pelos que perderam a esperança. E que, sob seu manto, o Brasil reencontre o caminho da fé, da reconciliação e da paz.

Dom Edilson de Souza Silva Bispo Auxiliar de São Paulo Região Episcopal Lapa

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