4- REFLEXÕES PARA A
SOLENIDADE DE NOSSA SENHORA APARECIDA
4.1- FAZEI
TUDO O QUE ELE VOS DISSER
Mãe de Deus, Rainha e Padroeira do Brasil. Esta festa é muito mais do que uma
memória histórica ligada ao encontro da pequena imagem nas águas do rio
Paraíba; é a celebração da certeza de que Deus visita o seu povo por meio da
ternura materna de Maria. A liturgia de hoje nos apresenta Maria como mulher
atenta, intercessora e sinal da presença salvadora de Deus na história. Na
primeira leitura proposta a nós nesta solenidade percebemos Ester, que se apresenta
diante do rei para interceder em favor de seu povo. A tradição cristã sempre
viu nessa figura uma imagem de Maria: assim como Ester, Maria se apresenta
diante do Rei dos reis e intercede por nós. Ela conhece as dores de seus
filhos: conhece as angústias de tantas famílias brasileiras, a fome, a
violência, o desemprego, a enfermidade, o desânimo espiritual, a perda da
esperança. E como mãe, ela apresenta tudo isso ao coração misericordioso de seu
Filho. Foi exatamente isso que vimos no Evangelho das bodas de Caná. Maria percebe
algo que ninguém havia notado: “Eles não têm mais vinho.” Essa frase revela
toda a sensibilidade do coração materno. Maria é aquela que percebe aquilo que
falta. Ela vê quando falta alegria numa casa, quando falta paz numa família,
quando falta fé em um coração, quando falta esperança a um povo. Não faz
alarde, não condena, não expõe a fragilidade dos noivos. Apenas leva a
necessidade até Jesus. E depois dirige aos serventes – e a todos nós – a
palavra que resume toda a espiritualidade mariana: “Fazei tudo o que Ele vos
disser.” Aqui está a grande missão de Maria: ela nunca aponta para si mesma,
mas sempre para Cristo. Toda verdadeira devoção a Nossa Senhora nos conduz a
Jesus. Quem ama Maria de verdade torna-se discípulo obediente de seu Filho. No
Apocalipse, a segunda leitura desta solenidade, contemplamos a visão da mulher
vestida de sol, combatida pelo dragão, mas protegida por Deus. Essa mulher
representa a Igreja, mas também Maria, a Mãe do Salvador, que participa da luta
contra as forças do mal. Ao celebrarmos Nossa Senhora Aparecida, recordamos que
ela é sinal de esperança em meio às batalhas da nossa história. O Brasil tantas
vezes parece atravessar momentos de divisão, sofrimento, injustiça e incerteza.
Mas a presença de Maria nos recorda que o mal não tem a última palavra. Deus
sustenta o seu povo. E há ainda um detalhe profundamente simbólico na história
de Apareci- da: Maria foi encontrada nas águas, primeiro o corpo, depois a
cabeça, e após isso veio a pesca abundante. É como se Deus quisesse dizer ao
nosso povo que, quando acolhemos Maria, reencontramos a unidade; quando a
colocamos no centro de nossa vida cristã, experimentamos a abundância da graça.
A pequena imagem negra, marcada pelas águas e pelo tempo, fala profun- damente
ao coração do povo brasileiro. Ela nos lembra que Deus escolhe os pequenos, os
simples, os esquecidos. Maria Aparecida é o sinal de que Deus olha com
predileção para os pobres e caminha com os humildes. Hoje, diante de nossa
Padroeira, somos convidados a renovar nossa confiança filial. Talvez também em
nossa vida esteja faltando “vinho”: talvez falte alegria, coragem,
perseverança, fé. Apresentemos tudo isso a Maria. Ela continua olhando para
cada um de nós e dizendo a Jesus aquilo que tantas vezes não conseguimos expressar.
E continua repetindo a nós: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Que Nossa
Senhora Aparecida interceda por nossa pátria, por nossas famílias, pelos
doentes, pelos pobres, pelos que perderam a esperança. E que, sob seu manto, o
Brasil reencontre o caminho da fé, da reconciliação e da paz.
Dom Edilson de Souza Silva Bispo
Auxiliar de São Paulo Região Episcopal Lapa
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