sexta-feira, 21 de agosto de 2026

8- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*)

 8- REFLETINDO COM LINDOLIVO SOARES MOURA(*)


MÁXIMAS EPENSAMENTOS [IM]PERTINENTES QUE DÃO O QUE FALAR E PENSAR...

Parte 1

[] A ausência mais sentida não é aquela de quem está longe ou de quem já partiu para sempre de nossa vida, e sim a de quem está perto, compartilhando o mesmo teto, sem que sua presença sequer seja percebida. De pouco ou nada adianta a presença física e perceptível, se ela não vem acompanhada da presença amorosa e afetiva. Não vale um grão de pipoca que sequer pipocar pipocou direito. Vê se mexe mais da próxima vez. Milho ruim, esse! Ainda por cima, pipoca salgada! Pega a panela, frita outra panelada, e... Que venha o panelaço!

 

[] Família é família, amigo é amigo, vizinho é vizinho, colega é colega, conhecido é conhecido, estranho é estranho... – "Nossa! Quase acabei cochilando!" – e segue o cacarejar da curriola. Lidar com qualquer desses vínculos, da mesma forma como se lida com qualquer um dos demais, é confusão na certa. Mas se se quer confusão maior ainda, basta colorir a amizade, e pronto! De cara, ela muda de classificação. Aí o circo pega fogo de vez. Para piorar ainda mais a situação, o pãozinho subiu ontem e os fuzileiros e bombeiros entraram em greve na semana passada. Pega balde aí, gente, anda logo. Que lerdeza é essa!?

 

[] Há pessoas que são literalmente viciadas em cuidar dos outros. Uma espécie de “careaholic” desenfreada, que mais parece obsessão compulsiva e dependência afetiva. Até quando estão dormindo, parecem escutar seus sonhos pedindo: “E aí, meu arcanjo, que tal me dar uma mãozinha!?”. Até aí, tudo bem. O problema é que tais pessoas insistem em cuidar de Deus e todo mundo, mas não aceitam ser cuidadas por ninguém; nem por si mesmas. "Pera lá, isso existe!?". E como! Mais do que a gente imagina. Aí você, que sendo ou não sendo cristão, fez questão de ir à missa de corpo presente do finado seu João, deve estar lembrado do que disse o celebrante: “Meus queridos e amados irmãos, e minhas irmãs muitíssimo mais amadas e mais desejadas ainda... Me corrijo: mais queridas ainda! Amai o vosso próximo como amais a vós mesmos; ou se preferirdes, como amais as vossas próprias vidas. Isso não é egoísmo nem maldade; é simetria afetiva. Traz a água benta, um salzinho e uma folha de urtiga, que agora eu vou benzer o seu João. Chega o caixão um pouquinho pra frente. Isso!”. Dali em diante você ficou com aquela simetria na cabeça: simetria afetiva, simetria afetiva, simetria... Chega! É suficiente! Para bom entendedor, quanto menos palavras, melhor. E então? Conseguiu ou não entender qual o sentido daquela bendita simetria afetiva? Se não entendeu, paciência. Haverá outras celebrações de corpo presente, sétimo e trigésimo dia pela frente. Agora, se entendeu mas não pratica, com todo respeito: tem certeza de que você ainda continua passando bem da cabeça?

 

[] Não faz nenhum sentido afirmar que de boa-fé e de boa intenção o inferno está cheio. Se está ou não está, só Deus sabe – e suponho que o demônio também; mas, caso esteja, com certeza será de gente de absoluta má fé e demoniacamente mal-intencionada, e não o contrário, como afirma o ditado. Portanto, sem essa de ficar mandando tudo que é gente boa para o inferno e superlotando o paraíso de gente que não mereceria sequer uma vaguinha no purgatório. De má intenção e má-fé, isso sim, certamente o inferno anda cheio. Cheio, não, lotado! Lotado, não, lotadinho! Lotadinho, não, lotadíssimo! Lotadíssimo, não, lotadaço! Shiii!!! Alguém poderia me dar uma mãozinha? Não consegui achar nada que superasse o aço!

 

[] O melhor de uma pessoa não é o que esperamos que ela possa ou deva fazer por cada um de nós. O melhor de uma pessoa está naquilo que, dentro de suas condições – circunstâncias, possibilidades e limitações – ela efetivamente consegue fazer de melhor. E ponto. Deixe de se fazer de vítima e de choramingar feito uma criança. Tire logo essa chupeta da boca e calce essa meia direito! Olha aí o tamanho do buraco! Coisa feia!

 

[] Se a condição para se conceder o perdão é que o ofensor mereça ser perdoado, o círculo vicioso fica cada vez mais estreito e o coração cada vez mais fechado. E pronto! O perdão continua sendo negado. “Aqui você não entra. Nem por decreto. Rua! E não me apareça nunca mais por esses lados!". Veja bem: quem mais necessita do perdão é justamente quem menos merece ser perdoado. Perdão não é quitação da dívida, e sim remissão do débito. Ou será que você virou acumulador compulsivo e só pensa em continuar acumulando cada vez mais? Só faltava essa! Tem gente que acumula na bolsa, no sapato, e até na cueca. Ou na calcinha, caso tenha sido feita mudança de sexo.

 

[] Por que continuar usando e abusando da palavra culpa, se foi justamente ela que levou Judas primeiro ao remorso e depois ao suicídio? Arrependimento basta. É mais do que suficiente. Melhora a autoestima, aprimora a conduta e favorece o crescimento. Seus filhos e netos merecem ser educados no sublime temor do Senhor, e não no medo que fragiliza, paralisa e assusta. E vê se muda logo essa sua maneira culpênica de falar e essa forma bicho-papônica de educar. Pra hoje! Pra hoje, não, de preferência pra ontem. Daqui a pouco vai acabar ficando tarde.

 

[] Não se preocupe se sua fé não for grande o bastante para remover uma montanha. Até porque você dificilmente vai ter uma montanha precisando ser removida. Se sua fé for do tamanho de um grãozinho de mostarda – mostardeira, para ser mais preciso –, dê-se por grato e satisfeito. Mas nada de ficar convencido. O resto é por conta daquele que criou a mostarda, a mostardeira, o mostardeiro e, de quebra, esse mundão de Deus. Batizado ou não, você também é filho ou filha dele. Ou dela, vai-se lá saber. E seja humilde. Nada de sair por aí se vangloriando disso! Aleluia! Glória a Deus! Repita comigo: aleluia! Glória a Deus! Vamos, repita! Fica com essa cara de quem acabou de sair de velório não.

 

────────── PAUSA PARA O MERECIDÍSSIMO COFFEE BREAK --------------------

[] Com frequência ouvimos dizer que tornar-se idoso é como voltar a ser criança. Há muita verdade nesse dito, mas também uma grande diferença: enquanto o idoso tem um longo passado para trás, a criança tem um longo futuro pela frente. Jamais devemos tratar um idoso como se ele fosse uma simples criança, sem estarmos atentos a essa sutil diferença. No mais é beijin beijin, bracin bracin, e bola pra frente que atrás vem gente. “Ei! Empurra não! Seu mal-educado! Nunca teve pai nem mãe pra te educar não!?”.

 

[] Pais criam e avós descriam: já ouviu antes esse ditado? Em muitos casos, porém, o que se vê é exatamente o contrário: pais descriando e avós recriando, tendo que refazer lições e revisitar ditados. Para não esticar a conversa: respeitada a diferença de função e de papel, ser pai ou ser avô é indiferente quando se trata da criação e formação de filhos e netos; são pessoas, e não funções, que criam bem ou criam mal uma geração. “Agora, aqui entre nós: é cada dito popular, que, pelo amor de Deus! O bom seria dar uma chacoalhada nessa carrocinha, pra ver se as abobrinhas se ajeitam”.

 

[] Se na frente do filho o pai diz uma coisa e a mãe diz outra, o filho fica em silêncio, mas logo percebe a contradição. A lição que mãe e pai pretendiam ensinar vai por água abaixo, o filho fica mais confuso do que já estava antes, e a autoridade dos pais pode ficar tão comprometida quanto aquele tamborzão de couro que os monges budistas enchem de pancada sem um pingo de dó nem um grama de piedade. Pobre tamborzão! Vive sempre açoitado, é um pobre coitado, é mais um sofredô,ôô, como canta o Veloso.

 

[] Se, numa mesma situação, se pretende tecer um elogio e fazer uma correção, não há que pensar duas vezes: primeiro o elogio e só depois a correção. Um coração que se sente afagado e reconhecido está sempre mais aberto e receptivo ao aprendizado, seja ele uma lição de vida ou uma correção mais severa. Atenção, portanto, com o que você faz com o coração de seu neto, filho ou filha. Esse coração pode acabar se tornando vagabundo e sofredor, como já disse o Caetano. “Como não conhece!? Não sabe quem é Caetano Veloso!? Eita geração distraída e mal informada! De celular, celulose e celulite, sabe tudo; de cultura, arte e literatura, pouco ou nada!”.

 

[] Por vezes pode acabar pairando dúvida se nós, pais ou avós, devemos ou não reconhecer uma falha ou um erro nosso e pedir perdão por isso. Se a dúvida se refere a um eventual risco de perda de autoridade, melhor apostar na primazia da coerência e da humildade sobre a soberba e a arrogância. Não há como comprometer a autoridade quando se faz uma escolha desse tipo. “E já pra cama, seu fujão! Vai, vai logo! Tá esperando o que, seu pirralho!? A cama vir até você!?”.

 

[] O diálogo termina quando o grito começa. Corre sério risco de perder a razão e ter sua autoridade questionada quem faz uso do berro e da ameaça como instrumento de persuasão e convencimento. Palavras requerem suavidade e serenidade, e não descontrole e agitação, para poder exercer seu mágico poder de unir pessoas e reconciliar corações. Faça o teste – "test-drive", não; só teste mesmo" – e comprove. Mas não se esqueça de fazer um check-up do seu próprio coração. Vai que ele já anda às tantas, cansado de tantas emoções, como canta o Roberto, e pode acabar... “Santo Deus! Não falei!? Enfartou! Esse já era! Escafedeu de vez!”.

 

[] O fato de não conseguirmos apagar ou esquecer a ofensa não significa que o gesto não tenha sido válido ou que o perdão não tenha sido concedido. Nem Deus, em sua infinita onipotência, pode fazer com que aquilo que aconteceu não tenha acontecido. Pense bem nisso. Depois, vá refletir melhor sobre o que você pede no Pai Nosso com tanta insistência. “Eu, hein! Que gente esquisita! Esquisita ou esquizoide! Nem sei o que fica melhor! Quem sabe, os dois!”.

 

(*) Texto enviado pelo autor, via Whatsapp de Vitória (ES).

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