sábado, 21 de fevereiro de 2026

BEM-VINDO AO SB SABENDO BEM DE 22 DE FEVEREIRO DE 2026- PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A




 A linguagem da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para os que foram salvos, para nós, é uma força divina. (I Coríntios 1, 18).

PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA – 22 DE FEVEREIRO DE 2026

 (Ano A/Roxo) 1.º DOMINGO DA QUARESMA- 22 de Fevereiro de 2026

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2026 TEMA: “Fraternidade e Moradia” LEMA: “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14)

 VENCER AS TENTAÇÕES COMO JESUS

Hino da CF 2026

https://youtu.be/aaO9Uqjok4?si=ldn46WmP2TQtCLa4



SB SABENDO BEM DE 22 DE FEVEREIRO DE 2026 INFORMA

Caro(a) Leitor(a) amigo(a):

O meu abraço fraterno e uma ótima semana a todos!

ACESSE SEMPRE O BLOG: sbsabendobem.blogspot.com e divulgue aos seus amigos, conhecidos e contatos nas redes sociais. Comente, faça sugestões. Agradeço!

Escreva para: sbsabendobem@gmail.com

 

SB SABENDO BEM DE 22 DE FEVEREIRO DE 2026

 

SEJA BEM-VINDA! SEJA BEM-VINDO!

01- SB SABENDO BEM DE 22 DE FEVEREIRO DE 2026- PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA – ANO A

 

 

01-          SB SABENDO BEM  DE 22 DE FEVEREIRO DE 2026- PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA – ANO A

1.1-   Orientações e Sugestões

 

Durante o Tempo da Quaresma o espaço celebrativo deve ser simples e despojado: sem flores, sem enfeites e poucos instrumentos musicais. Preparar na entrada da igreja uma cruz de madeira com um pano roxo, o cartaz e os materiais dos Círculos bíblicos referentes à Campanha da Fraternidade 2026. Onde for possível, confeccionar uma casinha de madeira, ou de papelão, ou de isopor etc... com o tema e o lema da CF 2026. Ela permanecerá nos domingos da Quaresma. Para iniciar a celebração, cantar de forma orante até a assembleia silenciar.

1.2-   O que Celebramos?

Queridos irmãos e irmãs, sejam todos bem-vindos! Acolhemos vocês para celebrar o amor misericordioso do nosso Deus que nos ajuda a enfrentar e superar as tentações. Nesta Quaresma, somos chamados a percorrer o caminho da penitência e da conversão para edificarmos o Reino de Deus. Iniciamos o caminho quaresmal, tempo de graça e de profunda renovação interior. O primeiro Domingo da Quaresma nos coloca diante do mistério das escolhas humanas e da luta interior entre o bem e o mal. As tentações que Jesus enfrenta representam as seduções que, ainda hoje, procuram afastar-nos do projeto de Deus. A Quaresma é, portanto, um tempo de escolhas novas, de conversão sincera e de penitência que purifica o coração. Que esta celebração nos ajude a escolher o caminho da vida verdadeira em Cristo Jesus.

- Neste primeiro domingo da Quaresma trazemos a Campanha da Fraternidade 2026 que nos propõe para estudo, reflexão e oração, o “Tema: Fraternidade e Moradia” e o Lema: “Ele veio morar entre nós’’ (Jo 1,14). A cada ano somos convidados a viver através do espírito quaresmal nossa conversão pessoal, comunitária e social.

Irmãos e irmãs, estamos vivendo um tempo de graça! Preparando-nos para a Páscoa, recordamos nosso caminho de fé batismal. Conduzidos pelo Espírito, seguimos com Jesus ao deserto. Com Ele, aprendemos a resistir às tentações do Maligno, que procura nos afastar da consagração batismal e apagar em nós o entusiasmo pelo Reino de Deus. Diante das tentações, renovemos nossa fidelidade ao Deus vivo e verdadeiro, sustenta- dos pela força de sua Palavra.(INTRODUÇÃO DO FOLHETO POVO DE DEUS EM SÃO PAULO).

1.3- PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA- VENCER AS TENTAÇÕES COMO JESUS

 

 

1.3-       PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA-

VENCER AS TENTAÇÕES COMO JESUS

Data e Importância Espiritual

primeiro domingo da Quaresma marca o início oficial de sua jornada espiritual de transformação. A Quarta-feira de Cinzas foi apenas o sinal de partida; agora você entra no deserto junto com Jesus, assim como Ele enfrentou quarenta dias no deserto para ser tentado pelo demônio.

O Evangelho: As Tentações de Jesus (Mateus 4,1-11)

A liturgia deste domingo nos apresenta um dos momentos mais críticos da vida de Jesus:

"Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo demônio. Jejuou quarenta dias e quarenta noites; depois teve fome. O tentador se aproximou e lhe disse: Se és Filho de Deus, transforma estas pedras em pão." (Mateus 4,1-3)

Neste evangelho sagrado, Jesus passa 40 dias no deserto. Após este tempo extremo de oração e jejum, quando seu corpo está enfraquecido, aparecem as três tentações fundamentais:

1. A Tentação da Gula: "Se és Filho de Deus, transforma estas pedras em pão"

·         Representa o apego aos bens materiais, ao conforto físico

2. A Tentação do Poder: "Todos estes reinos do mundo te darei, se caíres em adoração diante de mim"

·         Representa a busca por domínio, controle, ambição

3. A Tentação da Glória Vã: "Lança-te daqui abaixo... pois Deus enviará anjos"

·         Representa a soberba, a vaidade, a busca por reconhecimento

Jesus responde a cada uma delas não com poder divino, mas com a Palavra de Deus. Ele cita as Escrituras: "Nem só de pão vive o homem", "Adorarás ao Senhor teu Deus", "Não tentarás o Senhor teu Deus". Esta é a lição central: a fé em Deus é mais poderosa que qualquer tentação.

Significado Teológico Profundo

Há três camadas de significado teológico que precisamos compreender:

Nível 1 — O Modelo de Cristo para Nossas Tentações

Jesus não foi poupado de tentações. Ele as enfrentou plenamente, justamente quando estava mais vulnerável. Isto nos ensina algo fundamental: a tentação não é pecado. Sofrer tentação é normal, é humano. O que importa é a resposta que damos.

Se o próprio Filho de Deus foi tentado, você também será. Mas você não está sozinho. Você tem o mesmo Espírito Santo que fortaleceu Jesus no deserto. A diferença entre Jesus e o demônio é que Jesus respondeu com a Palavra de Deus, enquanto o demônio tentava desviá-lo com mentiras.

Nível 2 — A Progressão Temática da Quaresma

Por que este é o primeiro domingo? Porque estabelece o tom de toda a jornada quaresmal. Os primeiros dias são sempre sobre purificação e vitória sobre o mal. Você está sendo convidado a entrar no deserto com Jesus, a confrontar suas próprias fraquezas, seus próprios demônios internos.

Não é um passeio fácil. É confronto. Mas no final, como Jesus, você sai vitorioso. Este domingo nos promete: sim, você será tentado, mas você também pode vencer.

Nível 3 — O Significado Sagrado do Número 40

Na Bíblia, o número 40 sempre marcou períodos de transformação espiritual profunda:

·         40 dias de dilúvio (purificação da terra)

·         40 anos de Israel no deserto (transformação de um povo escravo em povo livre)

·         40 dias de Jesus no deserto (transformação da humanidade através da redenção)

Você está participando de uma tradição milenar. Esses 40 dias não são aleatórios; são um chamado divino para transformação pessoal.

Aplicação Prática: Como Viver Este Domingo

Agora que você compreende o significado, como viver isto na prática?

1. Reflexão Pessoal Sincera

Qual é SUA maior tentação? Não responda superficialmente. Silencie e pense:

·         É a tentação da gula? (apego a confortos, comida, bebida, prazer físico)

·         É a tentação do poder? (necessidade de controlar tudo e todos ao seu redor)

·         É a tentação da glória? (busca por aprovação das pessoas, validação nas redes sociais, reconhecimento)

Conhecer sua tentação é o primeiro passo para vencê-la.

2. Oração Fortalecedora

Reze a oração de Jesus no Getsêmani: "Pai, não seja feita a minha vontade, mas a Tua". Este é o segredo supremo: submissão à vontade de Deus, não à nossa vontade.

3. Ação Concreta

Escolha seu sacrifício baseado em SUA tentação pessoal:

·         Se sua tentação é conforto/gula, jejue da comida favorita, da sobremesa, de doces

·         Se sua tentação é poder/controle, reze pela mansidão, pratique obedecer sem questionar

·         Se sua tentação é glória/aprovação, pratique humildade, peça desculpas sinceras a alguém, faça um gesto de caridade sem contar a ninguém

4. Participação Litúrgica

Ao participar da Missa deste domingo, você não está apenas ouvindo uma história antiga. Você está participando misticamente com Jesus no deserto. Sua presença no templo é um "sim" a Deus: "Vou confiar em Ti como Jesus confiou".

Cor Litúrgica: O Roxo da Penitência

Note a cor que o sacerdote veste no altar: roxo. Esta não é aleatória.

 

O roxo é a cor de introspecção, arrependimento, e transformação espiritual. Não é o negro do luto, nem o branco da festa. É a cor de quem está em movimento, em jornada espiritual. Cada vez que você vê esta cor durante a Quaresma, lembre-se: você está em transformação.

https://www.santoscatolicos.blog.br/2026/01/quaresma-2026-qual-liturgia-de-cada.html

1.4- Carnaval 2026, um resumo da grande polêmica

 

1.4-       Carnaval 2026, um resumo da grande polêmica

A maior festa popular  do Brasil e, também do mundo levou muita alegria e descontração nos dias quentes e chuvosos em várias partes do Brasil, porém, a meu ver, independente de ser de direita ou de esquerda, o mau uso para fins políticos, o que aconteceu no desfile da Escola de samba Acadêmicos de Niteroi que homenageava o atual Presidente Lula Inácio da Silva.Como a repercussão ainda continua e continuará, não poderia deixar sem apresentar nada. Pesquisei bastante e escolhi alguns textos que vai mostrar o que foi apresentado numa das alas durante o desfile no dia 15/02 na Sapucaí(RJ).

Um resumo dos últimos acontecimentos políticos do Brasil, do ponto de vista da esquerda, abriu passagem para a Acadêmicos de Niterói, primeira a desfilar na noite inaugural dos desfiles do Grupo Especial 2026, neste domingo (15).  O abre-alas da escola que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, teve esculturas e fantasias que remetiam aos ex-presidentes Michel Temer, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro, além do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e do próprio homenageado. A alegoria causou polêmica ao apresentar Bolsonaro caracterizado como o palhaço Bozo, apelido dado pelos opositores, e fazendo gestos como o de apontar uma arma, como o ex-chefe de estado chegou a exibir quando exercia o mandato.

Ao colocar lado a lado figuras associadas a diferentes momentos de tensão institucional, disputas eleitorais e decisões judiciais que marcaram o país recentemente, do impeachment de Dilma (2016) aos dias de hoje, a escola apostou num tom crítico e satírico, atiçando ainda mais a oposição, que já recorreu à Justiça alegando propaganda eleitoral antecipada.

https://vejario.abril.com.br/cidade/carro-polemico-desfile-lula-academicos-da-niteroi/

Desfile pró-Lula retrata evangélicos em “lata de conserva” e provoca reação nas redes

Representação no desfile da Acadêmicos de Niterói provoca acusações de preconceito religioso e amplia tensão política no Carnaval

Marina Verenicz

Uma ala do desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no domingo (15), colocou a chamada “família tradicional” — representada por um casal heterossexual com filhos — dentro de uma lata de conserva.

Na mesma alegoria, também apareceram figuras associadas a evangélicos, militares e mulheres brancas. A cena, apresentada na Marquês de Sapucaí, provocou reação imediata de parlamentares e lideranças ligadas a pautas conservadoras.

As críticas se concentraram na leitura de que a encenação teria ultrapassado o campo da sátira social e atingido a fé cristã.

https://www.infomoney.com.br/politica/desfile-pro-lula-retrata-evangelicos-em-lata-de-conserva-e-provoca-reacao-nas-redes/

Segundo a escola de samba, as pessoas fantasiadas de latas representam os “neoconservadores”, que a Acadêmicos de Niterói classifica como “um grupo que atua fortemente em oposição a Lula, votando contra a maioria das pautas defendidas por ele, como privatizações e o fim da escala de trabalho 6×1”.

A escola ainda acrescenta que “a fantasia traz uma lata de conserva, com uma defesa da dita família tradicional, formada exclusivamente por um homem, uma mulher e os filhos. Na cabeça dos componentes, há uma variação de elementos para enumerar os grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo. São eles: os representantes do agronegócio, os defensores da Ditadura Militar e os grupos religiosos evangélicos”.

https://www.metropoles.com/brasil/direita-reage-a-conserva-em-desfile-pro-lula-com-trending-da-lata

Concluindo

A esquerda resolveu zombar das famílias brasileiras, chamando de “enlatada” aquilo que sustenta milhões de lares: fé e princípios. A família não é fantasia de carnaval e não se mistura com as alegorias de quem vive para desprezar o povo.

Somos assumidamente conservadores. Conservamos as coisas boas: Família, Deus , Pátria e Liberdade…

Quem quer uma sociedade fraca sabe: primeiro é preciso enfraquecer o lar. Por isso tentam nos ridicularizar e nos constranger. Como se preservar valores fosse vergonha, como se proteger nossos filhos fosse atraso. Não é. Chesterton já alertava que o mundo moderno enlouqueceu.

1.5- MISSA DE ACOLHIDA DE DOM CELSO ALEXANDRE

 

1.5-       MISSA DE ACOLHIDA DE DOM CELSO ALEXANDRE




 

A Missa do novo Bispo da Região Episcopal Ipiranga, Dom Celso Alexandre foi realizada na Paróquia Nossa Senhora da Saúde, Vila Mariana em São Paulo no dia 20 de fevereiro. Teve início às 20h e terminou às 21h30.A Igreja de Nossa Senhora da Saúde estava lotada com a presença do Cardeal Arcebispo Dom Odilo Pedro Sherer, Dom Márcio Antônio Vidal de Negreiros(que será acolhido no dia 21/02 às 16h na Basílica Menor de Santana); os Freis Agostinianos Recoletos receberam muito bem todos os padres, diáconos, seminaristas, acólitos, coroinhas e os muitos leigos representando as várias paróquias da Região Episcopal Ipiranga. A missa de acolhida foi muito bem preparada pela Equipe Litúrgica e de Cantos. Foi elaborado um Folheto Litúrgico da Sexta-Feira Depois das Cinzas.

No início da Celebração foi lido um breve histórico da vida de Dom Celso Alexandre. Depois o Bispo foi acolhido pelo Cardeal Arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Sherer.

Além da Homilia do novo Bispo para a Região Episcopal Ipiranga, o padre Jorge Bernardes acolheu Dom Celso em nome do Clero da Região Episcopal do Ipiranga com palavras de acolhida e presentes e também uma leiga da Pastoral Familiar falou em nome dos Leigos/as e ofereceu de presente uma caneta.

Veja o link que está abaixo para acompanhar também as palavras do novo Bispo da Região Episcopal Ipiranga.

https://youtu.be/MAbaYvB1_YE?si=UpInZ66dp-qSrqBj

Seja Bem-vindo Dom Celso Alexandre! Apascentai as ovelhas deste rebanho da Região Episcopal Ipiranga com um Ministério Episcopal profícuo!

002- LITURGIA DA PALAVRA DO PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA - ANO A

 

 

002-          LITURGIA DA PALAVRA DO PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA -  ANO A

 

A Palavra que ouviremos é nosso alimento. Neste tempo santo de escuta do Senhor, deixemo-nos converter por sua Palavra.

 

PRIMEIRA LEITURA (Gn 2,7-9 ; 3,1-7)

 

Leitura do Livro do Gênesis.

 

7 O Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e o homem tornou-se um ser vivente. 8 Depois, o Senhor Deus plantou um jardim em Éden, ao oriente, e ali pôs o homem que havia formado. 9 E o Senhor Deus fez brotar da terra toda sorte de árvores de aspecto atraente e de fruto saboroso ao paladar, a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal. 3,1A serpente era o mais astuto de todos os animais dos campos que o Senhor Deus tinha feito. Ela disse à mulher: “É verdade que Deus vos disse: ‘Não comereis de nenhuma das árvores do jardim?’” 2 E a mulher respondeu à serpente: “Do fruto das árvores do jardim, nós podemos comer. 3 Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus nos disse: ‘Não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário, morrereis’”. 4 A serpente disse à mulher: “Não, vós não morrereis. 5 Mas Deus sabe que no dia em que dele comerdes, vossos olhos se abrirão e vós sereis como Deus conhecendo o bem e o mal”. 6 A mulher viu que seria bom comer da árvore, pois era atraente para os olhos e desejável para se alcançar conhecimento. E colheu um fruto, comeu e deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu. 7 Então, os olhos dos dois se abriram; e, vendo que estavam nus, teceram tangas para si com folhas de figueira.

 

- Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

 

SALMO 50(51)

 

Piedade, ó Senhor, tende piedade, / pois pecamos contra vós.

 

1. Tende piedade, ó meu Deus, misericórdia! * Na imensidão de vosso amor, purificai-me! / Lavai-me todo inteiro do pecado * e apagai completamente a minha culpa.

2. Eu reconheço toda a minha iniquidade, * o meu pecado está sempre à minha frente, / foi contra vós, só contra vós que eu pequei * e pratiquei o que é mau aos vossos olhos!

3. Criai em mim um coração que seja puro, * dai-me de novo um espírito decidido. / Ó Senhor, não me afasteis de vossa face * nem retireis de mim o vosso Santo Espírito!

4. Dai-me de novo a alegria de ser salvo * e confirmai-me com espírito generoso! / Abri meus lábios, ó Senhor, para cantar * e minha boca anunciará vosso louvor!

 

SEGUNDA LEITURA (Rm 5,12-19 | + longa)

 

 Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

 

Irmãos: 12consideremos o seguinte: O pecado entrou no mundo por um só homem. Através do pecado, entrou a morte. E a morte passou para todos os homens, porque todos pecaram. 13Na realidade, antes de ser dada a lei, já havia pecado no mundo. Mas o pecado não pode ser imputado, quando não há lei. 14No entanto, a morte reinou, desde Adão até Moisés, mesmo sobre os que não pecaram como Adão, – o qual era a figura provisória daquele que devia vir. – 15Mas isso não quer dizer que o dom da graça de Deus seja comparável à falta de Adão! A transgressão de um só levou a multidão humana à morte, mas foi de modo bem mais superior que a graça de Deus, ou seja, o dom gratuito concedido através de um só homem, Jesus Cristo, se derramou em abundância sobre todos. 16Também, o dom é muito mais eficaz do que o pecado de um só. Pois a partir de um só pecado o julgamento resultou em condenação, mas o dom da graça frutifica em justificação, a partir de inúmeras faltas. 17Por um só homem, pela falta de um só homem, a morte começou a reinar. Muito mais reinarão na vida, pela mediação de um só, Jesus Cristo, os que recebem o dom gratuito e superabundante da justiça. 18Como a falta de um só acarretou condenação para todos os homens, assim o ato de justiça de um só trouxe, para todos os homens, a justificação que dá a vida. 19Com efeito, como pela desobediência de um só homem a humanidade toda foi estabelecida numa situação de pecado, assim também, pela obediência de um só, toda a humanidade passará para uma situação de justiça.

 

 - Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

 

 ACLAMAÇÃO (L.: Mt 4,4b | M.: Adenor L. Terra)

 

 Louvor e glória a ti, Senhor, Cristo, Palavra de Deus. Cristo, Palavra de Deus. O homem não vive somente de pão, / mas de toda a palavra da boca de Deus.

 

EVANGELHO (Mt 4,1-11)

 

P. O Senhor esteja convosco. T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus. T. Glória a vós Senhor.

 

P. Naquele tempo, 1 o Espírito conduziu Jesus ao deserto, para ser tentado pelo diabo. 2 Jesus jejuou durante quarenta dias e quarenta noites, e, depois disso, teve fome. 3 Então, o tentador aproximou-se e disse a Jesus: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães!” 4 Mas Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”. 5 Então o diabo levou Jesus à Cidade Santa, colocou-o sobre a parte mais alta do Templo, 6 e lhe disse: “Se és Filho de Deus, lança-te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’”. 7 Jesus lhe respondeu: “Também está escrito: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus!’” 8 Novamente, o diabo levou Jesus para um monte muito alto. Mostrou-lhe todos os reinos do mundo e sua glória, 9 e lhe disse: “Eu te darei tudo isso, se te ajoelhares diante de mim, para me adorar”. 10Jesus lhe disse: “Vai-te embora, Satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a ele prestarás culto’”. 11Então o diabo o deixou. E os anjos se aproximaram e serviram a Jesus.

 

- Palavra da Salvação. T. Glória a vós, Senhor.

 

https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2025/12/Ano-50A-17-1o-DOMINGO-DE-QUARESMA.pdf

003 LITURGIA DO PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

 

003           LITURGIA DO PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

- No início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à "conversão", isto é, somos convidados a ter Deus no centro da nossa existência, aceitando a comunhão com Ele, escutando as suas propostas e concretizando-as no mundo, com fidelidade.

- Certa vez foi dito que para chegar ao cume do monte onde Jesus foi tentado em Jerusalém é preciso muito fôlego, boas pernas e certa determinação, pois a escalada não é nada fácil! Assim é a nossa caminhada de fé rumo à Páscoa do Senhor: cada dia precisamos do fôlego do Espírito Santo para aceitarmos com alegria e boa disposição os desafios que o Senhor nos aponta a seguir.

 - Um dos temas da Liturgia deste primeiro Domingo da Quaresma é o pecado. O que é o pecado? De acordo com a Palavra de Deus, o pecado é uma ação maléfica que direta ou indiretamente nos afasta de Deus. Esta ação maléfica tem vários nomes tais como: tentação, mentira, desobediência, orgulho, inveja e ambição. A partir destas ações, originam-se muitas outras.

- Na primeira leitura, o autor sagrado apresenta-nos o pecado através da ação maléfica de Adão e Eva. Isto é, eles desobedeceram a Deus e, por isso, pecaram. Na verdade, Deus criou o homem e a mulher para a felicidade e para a vida plena, e não para o pecado. Quando escutamos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a felicidade, mas, sempre que prescindimos de Deus e nos fechamos em nós próprios, inventamos esquemas de egoísmo, de orgulho, de prepotência e construímos caminhos de sofrimento e de morte. Assim, quando pecamos, nos afastamos de Deus.

- No Evangelho, São Mateus diz que Jesus, o Homem de Nazaré, venceu o tentador, porque nele estava a força vivificadora do Espírito Santo que o conduziu ao deserto. Não é possível superar as tentações com as nossas próprias forças. Eis a razão pela qual a Igreja sabiamente nos propõe este tempo de quarenta dias - chamado Quaresma - para nos ajudar a renovar as nossas forças no seguimento do Senhor por meio da conversão do coração em espírito de oração. O número 40 nas Sagradas Escrituras tem um rico significado e, ao mesmo tempo, mostra a sua importância na vida do povo escolhido por Deus para amar e servir. Também nós fazemos parte deste povo de Deus e somos chamados a dar continuidade à missão que Ele nos confiou.

- Ainda no texto, é importante destacar a recusa, de forma absoluta, de Jesus em relação às propostas do tentador. Na perspectiva cristã, uma vida que ignora os projetos do Pai e aposta em esquemas de realização pessoal é uma vida perdida e sem sentido. Toda tentação de ignorar Deus e as suas propostas é uma tentação diabólica que o cristão deve, firmemente, rejeitar. As tentações nas nossas vidas nunca acabam. É preciso orar sempre; meditar a Palavra de Deus e buscar caminhos de conversão para vencer o tentador. Aliás, na oração do Pai-Nosso Jesus nos ensina a pedir ao Pai que não nos deixe cair na tentação!

- Na segunda leitura, São Paulo nos exorta a acreditar que, em Cristo, somos todos salvos, pois o pecado que herdamos dos "nossos primeiros pais" foi redimido através da sua Vida, Paixão, Morte e Ressurreição. Adão representa o homem que escolhe ignorar as propostas de Deus e decidir, por si só, os caminhos da salvação. Jesus é o novo Adão que escolhe viver na obediência às propostas de Deus e que vive em plenitude os projetos do Pai. O esquema de Adão gera egoísmo, sofrimento e morte. O esquema de Jesus, o Homem Novo, gera vida em abundância. Qual caminho queremos seguir: o de Jesus ou do homem pecador? Escolhamos o caminho de Jesus pela conversão do coração.

- Paulo ainda nos fala sobre a justiça, ou seja, a ação bondosa e misericordiosa de Deus que, para nos salvar do pecado e da morte eterna, deu-nos uma vida nova por meio de Jesus, seu Filho. Por exemplo, na Celebração Eucarística, o padre ou o bispo, no momento da doxologia, ao final da prece eucarística, eleva o Corpo e o Sangue de Cristo em ação de graças e diz: "por Cristo, com Cristo e em Cristo". Todos aclamam com um grande "Amém" reconhecendo que é em Cristo, no Mistério Pascal, que somos justificados no amor! - Em Cristo já estamos salvos, mas ainda não em plenitude. A salvação exige de nós um contínuo caminho de fé, oração, renúncia, sacrifício e conversão, para experimentarmos a graça de Deus, para que possamos imitar o Senhor diante das tentações do dia a dia e, com o coração alegre, celebrar dignamente a Páscoa de Cristo.

https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2026/02/22_02_26.pdf

04- REFLEXÕES PARA ESTE 1.º DOMINGO DA QUARESMA 4.1- QUARESMA: RECOLOCAR DEUS NO CENTRO DA VIDA

 

004-          REFLEXÕES PARA ESTE 1.º DOMINGO DA QUARESMA

 

4.1- QUARESMA: RECOLOCAR DEUS NO CENTRO DA VIDA

 

No início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à “conversão”, a recolocar Deus no centro da nossa existência, a aceitar a comunhão com Ele, a escutar as suas propostas, a concretizar no mundo os seus projetos. O Evangelho apresenta, de forma mais clara, o exemplo de Jesus. Ele recusou uma vida vivida à margem de Deus e dos seus projetos. As tentações se passam no deserto. Mateus diz explicitamente que “Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo demônio”. Os quarenta dias e quarenta noites que Jesus aí passou, recordam os quarenta anos que Israel passou em caminhada pelo deserto. O deserto é, o lugar da “prova”, onde os israelitas experimentaram, por diversas vezes, a tentação do abandono do Senhor e do seu projeto de libertação. Mas é justamente o lugar do encontro com Deus, o lugar da descoberta do rosto de Deus, o lugar onde o Povo fez a experiência da sua fragilidade e pequenez e aprendeu a confiar na bondade e no amor de Deus. O relato que hoje nos é proposto é uma página de catequese, cujo objetivo é ensinar-nos que Jesus, apesar de ter sentido – como nós – a dureza das tentações, soube pôr acima de tudo o projeto do Pai. No relato de Mateus há um diálogo entre Jesus e o diabo, feito de citações do Antigo Testamento que nos ensinam que só obedecendo à Palavra é que iremos vencer as nossas tentações. A catequese sobre as tentações de Jesus aparece em três quadros: A primeira sugere que Jesus poderia ter escolhido um caminho de satisfação de seus desejos. É a tentação de fazer dos prazeres a prioridade fundamental da vida. No entanto, Jesus sabe que “nem só de pão vive o homem” e que a realização do homem não está no uso egoísta, desordenado ou na promiscuidade. A resposta de Jesus cita Dt 8,3 e sugere que o seu alimento – isto é, a sua prioridade – não é um esquema de satisfação, mas é o cumprimento da Palavra (isto é, da vontade) do Pai. A segunda sugere que Jesus poderia ter escolhido um caminho de êxito fácil, mostrando o seu poder através de gestos espetaculares e sendo admirado e aclamado pelas multidões (sempre dispostas a deixarem-se fascinar pelo “show” mediático). Jesus responde a esta tentação citando Dt 6,16, e sugere que não está interessado em utilizar os dons de Deus para satisfazer projetos pessoais de êxito e de triunfo humano. “Não tentar” o Senhor Deus significa, neste contexto, não exigir de Deus sinais e provas que sirvam para a promoção pessoal e para que ele se imponha aos olhos dos outros. A terceira sugere que Jesus poderia ter escolhido um caminho de poder, de acumulo e de colocar sua alegria nas riquezas e prepotência, ao jeito dos grandes da terra. No entanto, Jesus sabe que a tentação de fazer do poder e do domínio a prioridade fundamental da vida é uma tentação diabólica; por isso, citando Dt 6,13, diz que, para Ele, só o Pai é absoluto e que só Ele deve ser adorado. As três tentações aqui apresentadas não são mais do que três faces de uma única tentação: a tentação de deixar Deus de lado e de escolher um caminho de egoísmo, de vaidade e de auto-suficiência. Para Jesus, ser “Filho de Deus” significa viver em comunhão com o Pai, escutar a sua voz, realizar os seus projetos, cumprir obedientemente os seus planos. Ao iniciarmos nossa caminhada quaresmal, façamos um grande propósito de vivermos este tempo, com as atitudes fundamentais da quaresma: oração, penitência e a caridade, nos propondo a uma revisão de nossa vida e uma busca sincera de crescer na obediência a Palavra de Deus.

 

 Pe. Carlos Alberto Doutel Vigário Episcopal e Geral para a Região Santana

 

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4.2- 22 de fevereiro – 1º DOMINGO DA QUARESMA Por Junior Vasconcelos do Amaral* Não tentarás o Senhor teu Deus!

 

 

4.2- 22 de fevereiro – 1º DOMINGO DA QUARESMA

Por Junior Vasconcelos do Amaral*

Não tentarás o Senhor teu Deus!

I. INTRODUÇÃO GERAL

A Quaresma – iniciada na Quarta-feira de Cinzas, com a imposição das cinzas sobre nossa cabeça, recordando-nos que somos pó e ao pó voltaremos – consiste num tempo de conversão e penitência, marcado pela singularidade do deserto, lugar metafórico de purificação e escuta atenta da voz de Deus. O Evangelho das tentações evidencia que, nas três tentações, há o aspecto de decisão ética pela vida que Jesus nos ensina, para que não nos deixemos sucumbir às seduções e investidas do demônio, símbolo da divisão interna que persiste em nos habitar e desumanizar, esgarçando o tecido de nossa consciente relação com Deus mediante a fé. Na primeira leitura, vemos o soprar de ruah de Deus nas narinas do homem, feito com o pó da terra. Se a condição natural é adâmica, da humildade da terra, a inspiração é divina, tornando o ser humano capax Dei, capaz de Deus. O casal primevo sucumbe à provocação da serpente e Deus os castiga, expulsando-os do jardim do paraíso (pardés). Na segunda leitura, Paulo reflete que, se por um homem, adâmico, entrou o pecado no mundo, por Cristo entra a salvação. Se o primeiro foi desobediente a Deus, o segundo é, por antonomásia, obediente e, sendo divino, pode nos salvar.

 

II. COMENTÁRIO DOS TEXTOS BÍBLICOS

 

1. I leitura (Gn 2,7-9; 3,1-7)

A narrativa exemplar de desobediência do casal adâmico se contrapõe à obediência do Filho de Deus, Jesus Cristo, que no deserto será tentado pelo diabo, mas não sucumbirá. O relato diz que Deus criou da terra, adamah – que em hebraico significa “vermelho”, pela cor da terra –, o ser humano. Deus também plantou um jardim e ali pôs o ser humano (Gn 2,7-8). Trata-se de imagem antropomórfica de um Deus laboral, que cultiva e cuida, um agricultor. No meio do jardim há também duas árvores, a da vida e a do conhecimento do bem e do mal (v. 9). Toda essa narrativa é mitológica, amplamente simbólica, para falar da condição humana no jardim do paraíso, que de protológica (primeiro) passa a ser escatológica (final). Isso significa dizer que Deus destinará o ser humano a uma existência paradisíaca, onde a vida e o conhecimento do bem e do mal estarão no centro de tudo.

Em 3,1 aparece logo a serpente, símbolo da astúcia, do mal e da dissimulação que porá em xeque a condição de Adão e Eva de criaturas obedientes, que recebem de Deus um interdito (v. 3): “Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus nos disse: ‘Não comais dele nem sequer o toqueis, do contrário, morrereis’”. A astúcia da serpente está em questionar o interdito, a lei de Deus. Ela não está interessada na causa da lei, mas nas consequências, pois comer o fruto do conhecimento do bem e do mal é equiparar-se a Deus. A serpente engana o casal primevo, dizendo que não morrerão, mas conhecerão o bem e o mal, tornando-se iguais a Deus. O desejo do casal primitivo não é conhecer o bem e o mal, mas se tornarem divinos. Eles não estão preocupados com o fato de viverem a condição de criaturas e de a assumirem em suas potencialidades e limites (não comer de duas árvores, quando podiam comer das demais), mas estão preocupados em divinizar-se, tornar-se deuses. O mesmo veremos no Evangelho, quando o diabo instiga Jesus a jogar-se do mais alto do pináculo do templo e tentar a Deus, para que o salvasse. Jesus resiste a tal tentação, mas Adão e Eva não. Eles querem a divindade, pois não se contentam com sua humanidade. Por que ser humano, quando se pode ser divino?

O efeito de ceder à tentação está no v. 7, quando viram que estavam nus, perdendo o sentido da graça primeira, criacional. Eles agora se veem como são, desobedientes, desvestidos da graça do Criador, pois optaram pelo conhecimento. Segundo frei Jacir de Freitas, a nudez coloca o ser humano na condição de fertilidade, de doador da vida, algo que somente cabia a Deus. Adão e Eva se veem como um deus diante de outro Deus, poderoso, Deus Adonai, e têm medo.[1] O casal primitivo agora tem medo de tomar a responsabilidade sobre a própria existência. Nós também, diante das exigências da vida, temos medo. Contudo, inspirados em Cristo, que vence toda tentação, somos fortalecidos: “Não tenhais medo” (Mt 10,26).

 

 

2. II leitura (Rm 5,12-19)

Na arte retórica de Paulo em Romanos, ele certifica que o pecado entrou no mundo por um só homem e, por meio do pecado, entrou a morte, que passou para toda a humanidade, pois todos pecaram (v. 12). A condição da natureza, fortalecida pela graça, é pecadora. No v. 13, o apóstolo diz que o pecado não pode ser imputado quando não há lei, e a Lei só entrou após muito tempo. Para Paulo, mesmo sem a Lei, a morte dominou desde Adão até Moisés, também sobre os que não pecaram como Adão, que era figura provisória (v. 14). A condição humana é de pecado, embora tenha sido criada pela bondade de Deus, como vemos no primeiro relato da criação humana. A desobediência de um levou todos à morte, mas a obediência de outro, Jesus Cristo, leva-nos todos à salvação, a entrarmos no santuário do céu. O v. 15 situa-se, nessa leitura, como ato de transformação, a fim de responder ao nó representado pela questão do pecado adâmico que habita em nós. A graça de Deus não nos é estéril em Cristo. Somos salvos por sua obediência amorosa a Deus, que é seu Pai e nosso. O v. 17 contrapõe a morte e a vida: de um lado, a desobediência adâmica; de outro, a obediência jesuânica. Por Cristo, recebemos o “dom gratuito e superabundante da justiça”. O v. 18 diz que, se por um ato de um entra a condenação, pelo ato de outro entra a salvação, entendida em Paulo como justificação. Essa é a pérola de grande valor na teologia paulina, a teologia da graça. A desobediência gerou um sistema de injustiça, e a obediência levou à situação de justiça. Portanto, por Cristo, somos justificados com Deus e salvos da vida mortal de pecado.

3. Evangelho (Mt 4,1-11)

O 1º Domingo da Quaresma apresenta-nos as tentações de Jesus. Desde que assumiu a condição humana, Cristo “foi tentado em todas as formas, à nossa semelhança, menos no pecado” (Hb 4,15). No primeiro Evangelho escrito – de São Marcos –, Jesus foi tentado a todo tempo, os quarenta dias e noites, em alusão à sua vida total, pela qual perpassam inúmeras tentações. Lucas e Mateus, porém, distinguem-se de Marcos, narrando três tentações diferentes, ligadas à experiência existencial vivida por Jesus. Os outros dois sinóticos diferem na ordem das duas últimas tentações, um detalhe que aqui ressaltamos, mesmo que en passant. Para Mateus, a segunda tentação de Jesus é ser levado ao pináculo do templo de Jerusalém, enquanto para Lucas esse seria o terceiro modo de o demônio tentar Jesus. Mateus segue uma espécie de crescendum nas tentações, das realidades menores para as maiores. Da pedra em pão até chegar à possível posse dos reinos da terra.

Os sinóticos (Mt, Mc e Lc) apresentam-nos as tentações de Jesus logo no início de seu ministério público. A cena tem início com a ação dinâmica do Espírito, que conduz Jesus para o deserto, segundo os três Evangelhos. Marcos, porém, usa o verbo grego ekballei (Mc 1,12) – dando a entender uma força escomunal do Espírito que “expulsa” Jesus para o deserto –, enquanto Mateus utiliza o verbo anēchthē (Mt 4,1), traduzido por “conduzir”. Lucas 4,1 usa o verbo ēgeto. Possivelmente Mt e Lc compartilharam das mesmas fontes: Mc e a Quelle, os ditos de Jesus, pois naqueles dois materiais vemos as palavras de Jesus em contrapartida às insídias do diabo.

Duas das três ciladas do diabo estão acompanhadas dos termos: “Se és o Filho de Deus” (v. 3.6). Primeiro, para que as pedras se convertam em pão, a fim de saciar a fome daquele que está em jejum, no deserto. Jesus responde: “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (v. 4). Jesus tem uma resposta valiosa para rebater seu sedutor. Na segunda tentação, o diabo ordena a Jesus que se lance abaixo da parte mais alta do templo (v. 5). Jesus, às justificativas do diabo (v. 6), responde: “Não tentarás o Senhor teu Deus” (v. 7). Na última tentação, o diabo leva Jesus ao local mais alto (v. 8) e lhe propõe que se ajoelhe diante dele em adoração, em troca de lhe serem dados todos os reinos da terra. A resposta de Jesus, no entanto, é enfática: “Vai-te embora, satanás, porque está escrito: ‘Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a ele prestarás culto’”.

A teologia que floresce desse texto é a certeza de que, com Deus, Jesus vence as tentações diabólicas que dividiriam sua consciência de Filho de Deus. Contudo, sendo Filho de Deus, Jesus vem para cumprir a vontade do Pai, não permitindo divisões internas em sua estrutura psíquica e espiritual. Essa certeza permite-nos intuir que, para vencermos também as tentações do diabo em nossa vida espiritual cristã, precisamos ter sempre presente a pessoa de Jesus, que nos acompanha na caminhada. Somos seus discípulos/as e ele é o Senhor com quem podemos contar para o destino que chamamos de Reino dos Céus, em nossa Páscoa definitiva.

III. PISTAS PARA REFLEXÃO

Convidar a comunidade a vivenciar a profundidade da Quaresma mediante a oração mais frequente, a leitura cotidiana da Palavra, seguindo a liturgia diária, e a criação de oportunidades de experimentar a caridade fraterna, sobretudo para com os que mais necessitam. Meditar em grupos a via-sacra, as reflexões da Campanha da Fraternidade propostas pela CNBB e outros materiais produzidos em nossas dioceses, Igrejas locais. Meditar sobre as tentações atuais que nos cercam, como a indiferença para com nossos irmãos, os excessos diante das redes sociais, que muitas vezes nos alienam, e o desejo excessivo de poder, que pode contaminar nosso coração.

[1]Disponível em: https://franciscanos.org.br/vidacrista/a-nudez-o-fruto-proibido-a-serpente-e-o-sofrimento-humano-na-inspiracao-de-gn-39-24/#gsc.tab=0. Acesso em: 18 ago. 2025.

 

Junior Vasconcelos do Amaral*

*é presbítero da arquidiocese de Belo Horizonte-MG e vigário episcopal da Região Episcopal Nossa Senhora da Esperança (Rense). Doutor em Teologia Bíblica pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (Faje), realizou parte de seus estudos de doutorado na modalidade “sanduíche”, estudando Narratologia Bíblica na Université Catholique de Louvain (Louvain-la-Neuve, Bélgica). Atualmente, é professor de Antigo e Novo Testamentos na PUC-Minas, em Belo Horizonte, e desenvolve pesquisa sobre psicanálise e Bíblia. É psicanalista clínico. E-mail: jvsamaral@yahoo.com.br

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