003 LITURGIA DO PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A
- No início da
nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à
"conversão", isto é, somos convidados a ter Deus no centro da
nossa existência, aceitando a comunhão com Ele, escutando as suas propostas e
concretizando-as no mundo, com fidelidade.
- Certa vez foi dito que para chegar ao cume do monte
onde Jesus foi tentado em Jerusalém é preciso muito fôlego, boas pernas e certa
determinação, pois a escalada não é nada fácil! Assim é a nossa caminhada de fé
rumo à Páscoa do Senhor: cada dia precisamos do fôlego do Espírito Santo para
aceitarmos com alegria e boa disposição os desafios que o Senhor nos aponta a
seguir.
- Um dos temas da Liturgia deste primeiro
Domingo da Quaresma é o pecado. O que é o pecado? De acordo com a Palavra
de Deus, o pecado é uma ação maléfica que direta ou indiretamente nos afasta de
Deus. Esta ação maléfica tem vários nomes tais como: tentação, mentira,
desobediência, orgulho, inveja e ambição. A partir destas ações, originam-se
muitas outras.
- Na primeira
leitura, o autor sagrado apresenta-nos o pecado através da ação maléfica de
Adão e Eva. Isto é, eles desobedeceram a Deus e, por isso, pecaram. Na verdade,
Deus criou o homem e a mulher para a felicidade e para a vida plena, e não para
o pecado. Quando escutamos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a
felicidade, mas, sempre que prescindimos de Deus e nos fechamos em nós
próprios, inventamos esquemas de egoísmo, de orgulho, de prepotência e
construímos caminhos de sofrimento e de morte. Assim, quando pecamos, nos afastamos
de Deus.
- No Evangelho,
São Mateus diz que Jesus, o Homem de Nazaré, venceu o tentador, porque nele
estava a força vivificadora do Espírito Santo que o conduziu ao deserto. Não é
possível superar as tentações com as nossas próprias forças. Eis a razão pela
qual a Igreja sabiamente nos propõe este tempo de quarenta dias - chamado
Quaresma - para nos ajudar a renovar as nossas forças no seguimento do Senhor
por meio da conversão do coração em espírito de oração. O número 40 nas
Sagradas Escrituras tem um rico significado e, ao mesmo tempo, mostra a sua
importância na vida do povo escolhido por Deus para amar e servir. Também nós
fazemos parte deste povo de Deus e somos chamados a dar continuidade à missão
que Ele nos confiou.
- Ainda no texto,
é importante destacar a recusa, de forma absoluta, de Jesus em relação às
propostas do tentador. Na perspectiva cristã, uma vida que ignora os
projetos do Pai e aposta em esquemas de realização pessoal é uma vida perdida e
sem sentido. Toda tentação de ignorar Deus e as suas propostas é uma tentação
diabólica que o cristão deve, firmemente, rejeitar. As tentações nas nossas
vidas nunca acabam. É preciso orar sempre; meditar a Palavra de Deus e buscar
caminhos de conversão para vencer o tentador. Aliás, na oração do Pai-Nosso
Jesus nos ensina a pedir ao Pai que não nos deixe cair na tentação!
- Na segunda
leitura, São Paulo nos exorta a acreditar que, em Cristo, somos todos salvos,
pois o pecado que herdamos dos "nossos primeiros pais" foi
redimido através da sua Vida, Paixão, Morte e Ressurreição. Adão representa o
homem que escolhe ignorar as propostas de Deus e decidir, por si só, os
caminhos da salvação. Jesus é o novo Adão que escolhe viver na obediência às
propostas de Deus e que vive em plenitude os projetos do Pai. O esquema de Adão
gera egoísmo, sofrimento e morte. O esquema de Jesus, o Homem Novo, gera vida
em abundância. Qual caminho queremos seguir: o de Jesus ou do homem pecador?
Escolhamos o caminho de Jesus pela conversão do coração.
- Paulo ainda nos
fala sobre a justiça, ou seja, a ação bondosa e misericordiosa de Deus que,
para nos salvar do pecado e da morte eterna, deu-nos uma vida nova por meio de
Jesus, seu Filho. Por exemplo, na Celebração Eucarística, o padre ou o bispo,
no momento da doxologia, ao final da prece eucarística, eleva o Corpo e o
Sangue de Cristo em ação de graças e diz: "por Cristo, com Cristo e em
Cristo". Todos aclamam com um grande "Amém" reconhecendo que é
em Cristo, no Mistério Pascal, que somos justificados no amor! - Em Cristo já
estamos salvos, mas ainda não em plenitude. A salvação exige de nós um contínuo
caminho de fé, oração, renúncia, sacrifício e conversão, para experimentarmos a
graça de Deus, para que possamos imitar o Senhor diante das tentações do dia a
dia e, com o coração alegre, celebrar dignamente a Páscoa de Cristo.
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