sábado, 21 de fevereiro de 2026

003 LITURGIA DO PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

 

003           LITURGIA DO PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA- ANO A

 

- No início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à "conversão", isto é, somos convidados a ter Deus no centro da nossa existência, aceitando a comunhão com Ele, escutando as suas propostas e concretizando-as no mundo, com fidelidade.

- Certa vez foi dito que para chegar ao cume do monte onde Jesus foi tentado em Jerusalém é preciso muito fôlego, boas pernas e certa determinação, pois a escalada não é nada fácil! Assim é a nossa caminhada de fé rumo à Páscoa do Senhor: cada dia precisamos do fôlego do Espírito Santo para aceitarmos com alegria e boa disposição os desafios que o Senhor nos aponta a seguir.

 - Um dos temas da Liturgia deste primeiro Domingo da Quaresma é o pecado. O que é o pecado? De acordo com a Palavra de Deus, o pecado é uma ação maléfica que direta ou indiretamente nos afasta de Deus. Esta ação maléfica tem vários nomes tais como: tentação, mentira, desobediência, orgulho, inveja e ambição. A partir destas ações, originam-se muitas outras.

- Na primeira leitura, o autor sagrado apresenta-nos o pecado através da ação maléfica de Adão e Eva. Isto é, eles desobedeceram a Deus e, por isso, pecaram. Na verdade, Deus criou o homem e a mulher para a felicidade e para a vida plena, e não para o pecado. Quando escutamos as propostas de Deus, conhecemos a vida e a felicidade, mas, sempre que prescindimos de Deus e nos fechamos em nós próprios, inventamos esquemas de egoísmo, de orgulho, de prepotência e construímos caminhos de sofrimento e de morte. Assim, quando pecamos, nos afastamos de Deus.

- No Evangelho, São Mateus diz que Jesus, o Homem de Nazaré, venceu o tentador, porque nele estava a força vivificadora do Espírito Santo que o conduziu ao deserto. Não é possível superar as tentações com as nossas próprias forças. Eis a razão pela qual a Igreja sabiamente nos propõe este tempo de quarenta dias - chamado Quaresma - para nos ajudar a renovar as nossas forças no seguimento do Senhor por meio da conversão do coração em espírito de oração. O número 40 nas Sagradas Escrituras tem um rico significado e, ao mesmo tempo, mostra a sua importância na vida do povo escolhido por Deus para amar e servir. Também nós fazemos parte deste povo de Deus e somos chamados a dar continuidade à missão que Ele nos confiou.

- Ainda no texto, é importante destacar a recusa, de forma absoluta, de Jesus em relação às propostas do tentador. Na perspectiva cristã, uma vida que ignora os projetos do Pai e aposta em esquemas de realização pessoal é uma vida perdida e sem sentido. Toda tentação de ignorar Deus e as suas propostas é uma tentação diabólica que o cristão deve, firmemente, rejeitar. As tentações nas nossas vidas nunca acabam. É preciso orar sempre; meditar a Palavra de Deus e buscar caminhos de conversão para vencer o tentador. Aliás, na oração do Pai-Nosso Jesus nos ensina a pedir ao Pai que não nos deixe cair na tentação!

- Na segunda leitura, São Paulo nos exorta a acreditar que, em Cristo, somos todos salvos, pois o pecado que herdamos dos "nossos primeiros pais" foi redimido através da sua Vida, Paixão, Morte e Ressurreição. Adão representa o homem que escolhe ignorar as propostas de Deus e decidir, por si só, os caminhos da salvação. Jesus é o novo Adão que escolhe viver na obediência às propostas de Deus e que vive em plenitude os projetos do Pai. O esquema de Adão gera egoísmo, sofrimento e morte. O esquema de Jesus, o Homem Novo, gera vida em abundância. Qual caminho queremos seguir: o de Jesus ou do homem pecador? Escolhamos o caminho de Jesus pela conversão do coração.

- Paulo ainda nos fala sobre a justiça, ou seja, a ação bondosa e misericordiosa de Deus que, para nos salvar do pecado e da morte eterna, deu-nos uma vida nova por meio de Jesus, seu Filho. Por exemplo, na Celebração Eucarística, o padre ou o bispo, no momento da doxologia, ao final da prece eucarística, eleva o Corpo e o Sangue de Cristo em ação de graças e diz: "por Cristo, com Cristo e em Cristo". Todos aclamam com um grande "Amém" reconhecendo que é em Cristo, no Mistério Pascal, que somos justificados no amor! - Em Cristo já estamos salvos, mas ainda não em plenitude. A salvação exige de nós um contínuo caminho de fé, oração, renúncia, sacrifício e conversão, para experimentarmos a graça de Deus, para que possamos imitar o Senhor diante das tentações do dia a dia e, com o coração alegre, celebrar dignamente a Páscoa de Cristo.

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