sábado, 21 de fevereiro de 2026

04- REFLEXÕES PARA ESTE 1.º DOMINGO DA QUARESMA 4.1- QUARESMA: RECOLOCAR DEUS NO CENTRO DA VIDA

 

004-          REFLEXÕES PARA ESTE 1.º DOMINGO DA QUARESMA

 

4.1- QUARESMA: RECOLOCAR DEUS NO CENTRO DA VIDA

 

No início da nossa caminhada quaresmal, a Palavra de Deus convida-nos à “conversão”, a recolocar Deus no centro da nossa existência, a aceitar a comunhão com Ele, a escutar as suas propostas, a concretizar no mundo os seus projetos. O Evangelho apresenta, de forma mais clara, o exemplo de Jesus. Ele recusou uma vida vivida à margem de Deus e dos seus projetos. As tentações se passam no deserto. Mateus diz explicitamente que “Jesus foi conduzido pelo Espírito ao deserto, a fim de ser tentado pelo demônio”. Os quarenta dias e quarenta noites que Jesus aí passou, recordam os quarenta anos que Israel passou em caminhada pelo deserto. O deserto é, o lugar da “prova”, onde os israelitas experimentaram, por diversas vezes, a tentação do abandono do Senhor e do seu projeto de libertação. Mas é justamente o lugar do encontro com Deus, o lugar da descoberta do rosto de Deus, o lugar onde o Povo fez a experiência da sua fragilidade e pequenez e aprendeu a confiar na bondade e no amor de Deus. O relato que hoje nos é proposto é uma página de catequese, cujo objetivo é ensinar-nos que Jesus, apesar de ter sentido – como nós – a dureza das tentações, soube pôr acima de tudo o projeto do Pai. No relato de Mateus há um diálogo entre Jesus e o diabo, feito de citações do Antigo Testamento que nos ensinam que só obedecendo à Palavra é que iremos vencer as nossas tentações. A catequese sobre as tentações de Jesus aparece em três quadros: A primeira sugere que Jesus poderia ter escolhido um caminho de satisfação de seus desejos. É a tentação de fazer dos prazeres a prioridade fundamental da vida. No entanto, Jesus sabe que “nem só de pão vive o homem” e que a realização do homem não está no uso egoísta, desordenado ou na promiscuidade. A resposta de Jesus cita Dt 8,3 e sugere que o seu alimento – isto é, a sua prioridade – não é um esquema de satisfação, mas é o cumprimento da Palavra (isto é, da vontade) do Pai. A segunda sugere que Jesus poderia ter escolhido um caminho de êxito fácil, mostrando o seu poder através de gestos espetaculares e sendo admirado e aclamado pelas multidões (sempre dispostas a deixarem-se fascinar pelo “show” mediático). Jesus responde a esta tentação citando Dt 6,16, e sugere que não está interessado em utilizar os dons de Deus para satisfazer projetos pessoais de êxito e de triunfo humano. “Não tentar” o Senhor Deus significa, neste contexto, não exigir de Deus sinais e provas que sirvam para a promoção pessoal e para que ele se imponha aos olhos dos outros. A terceira sugere que Jesus poderia ter escolhido um caminho de poder, de acumulo e de colocar sua alegria nas riquezas e prepotência, ao jeito dos grandes da terra. No entanto, Jesus sabe que a tentação de fazer do poder e do domínio a prioridade fundamental da vida é uma tentação diabólica; por isso, citando Dt 6,13, diz que, para Ele, só o Pai é absoluto e que só Ele deve ser adorado. As três tentações aqui apresentadas não são mais do que três faces de uma única tentação: a tentação de deixar Deus de lado e de escolher um caminho de egoísmo, de vaidade e de auto-suficiência. Para Jesus, ser “Filho de Deus” significa viver em comunhão com o Pai, escutar a sua voz, realizar os seus projetos, cumprir obedientemente os seus planos. Ao iniciarmos nossa caminhada quaresmal, façamos um grande propósito de vivermos este tempo, com as atitudes fundamentais da quaresma: oração, penitência e a caridade, nos propondo a uma revisão de nossa vida e uma busca sincera de crescer na obediência a Palavra de Deus.

 

 Pe. Carlos Alberto Doutel Vigário Episcopal e Geral para a Região Santana

 

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