1.
REFLEXÕES PARA ESTE SEGUNDO DOMINGO DE PÁSCOA
1.1- A CERTEZA QUE VEM DA FÉ
No primeiro dia da semana Jesus ressuscitado
se manifesta aos seus! Por isso esse dia passou a se chamar “Domingo”, Dia do
Senhor, dia por excelência do encontro com o Ressuscitado. Na primeira vez que
apareceu, Tomé não estava com os discípulos, mas, no Domingo seguinte, se uniu
a eles e então pôde fazer a experiência de tocar o corpo glorioso do Senhor,
que traz as marcas da paixão, do amor sem limites que Ele nutre pela
humanidade, a ponto de ter dado a vida por ela. Jesus aparece e agracia a
Igreja ainda nascente com o dom do Espírito Santo, o dom da paz, que é fruto da
Sua vitória sobre a morte, e com o dom da misericórdia e do perdão dos pecados,
os quais devem ser acolhidos na fé: “Bem-aventurados os que creram sem ter
visto” (Jo 20,29). Aquele que crê encontra sua paz na certeza, que vem pela fé,
de que Jesus está vivo e permanece com os seus. Essa certeza, fruto da ação do
Espírito Santo, lhe dá a “esperança viva”, de que fala São Pedro na sua
epístola (cf. 1Pd 1,3), e o encoraja a enfrentar as aflições e provações do
tempo presente na expectativa da herança eterna. Essa esperança viva é Cristo
Ressuscitado, no qual o fiel crê sem ter visto, e que pode lhe proporcionar a
salvação que espera. A Igreja, comunidade de fé, tem a missão, na força do
Espírito, de anunciar esta maravilhosa esperança, a boa nova da ressurreição do
Senhor e sua vitória o mal e a morte. Ela, ao anunciar o Evangelho, desperta
para a fé, proclama a misericórdia de Deus que, em Cristo, nos perdoa os
pecados e nos reconcilia com Ele, faz com que nasçamos de novo para uma
esperança viva, ao mesmo tempo em que exorta a todos que, tendo obtido
misericórdia, sejam também misericordiosos para com os demais. É no seio da
Igreja que o cristão encontra sua identidade como discípulo de Cristo e filho
de Deus, alimenta a sua fé, esperança e caridade, vive em comunhão com os
irmãos e irmãs, faz a experiência do encontro com o Ressuscitado e pode, então,
exclamar como Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!”. Nos Atos dos Apóstolos (2,42)
encontramos um retrato da Igreja nascente, que é paradigma e referência para a
Igreja de todos os tempos: ela congrega os que são assíduos e perseverantes em
ouvir o ensinamento dos Apóstolos, isto é, fidelidade ao Magistério, que tem à
frente Pedro e seus sucessores; os que vivem na comunhão fraterna em unidade,
de modo que o mundo creia que Jesus é o Filho de Deus e nosso salvador (cf. Jo
17,21); os que participam na fração do pão, que é a Eucaristia, Pão vivo
descido do céu, e os que perseveram nas orações. Cristo deseja que façamos a
experiência do encontro com Ele, tenhamos a força do Espírito – que nos auxilia
nas tribulações e fadigas e nos dá aquela paz que o mundo não pode dar. Ele
deseja que sejamos testemunhas da esperança viva – fruto de Sua vitória sobre o
pecado, o mal e a morte – num mundo onde esta última parece ter a palavra
final. Deseja também que pratiquemos a misericórdia, amando e perdoando, sem
fazer acepção de pessoas – num mundo marcado por discórdias. Portanto, vivamos
e anunciemos a todos a fé que vence o mundo e o medo, ilumina a escuridão e
traz esperança, impulsiona a sair das falsas seguranças e proclamar com coragem
que Jesus veio para que tenhamos vida em Seu nome (cf. Jo 20,31).
Dom Edilson de Souza Silva Bispo Auxiliar de
São Paulo Vigário Episcopal para a Região Lapa
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Ano-50A-27-2o-DOMINGO-DE-PASCOA.pdf
Nenhum comentário:
Postar um comentário