sexta-feira, 17 de julho de 2026

4- REFLEXÕES PARA O 16.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A 4.1-NO CAMPO DA VIDA: PACIÊNCIA, GRAÇA E CONVERSÃO

 

 

4- REFLEXÕES PARA O 16.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

4.1-NO CAMPO DA VIDA: PACIÊNCIA, GRAÇA E CONVERSÃO

Quando nos deparamos com a parábola do joio e do trigo, tendemos logo a imaginar as pessoas boas como trigo e as pessoas más como joio, como se as “boas” nada tivessem de negativo e as “más” nada tivessem de positivo. Deus é luz e n’Ele não há trevas (cf. 1Jo 1,5), mas já em nós nem sempre é assim... Precisamos tomar cuidado para não sermos simplistas. Esta parábola, nos põe diante da realidade que permeia nossa vida, pois podemos encontrar joio e trigo dentro de nós mesmos, em nossas comunidades, organizações, instituições, enfim, em nossa sociedade como um todo. A questão é o que fazer diante dessa realidade. A parábola nos permite pensar e nos ajuda a escolher o melhor caminho. Jesus disse que o trigo é semeado à luz do dia e o joio à noite. Aqui Ele nos dá um critério: guiemo-nos pela luz, não permitindo que as trevas dominem nosso interior (cf. Mt 6,22-23). A luz é Jesus! Ele é o que semeia o trigo! O inimigo, por sua vez, semeia o joio. E há muitas formas de permitirmos que o joio penetre nosso interior, daí a necessidade da vigilância. Diante dos que julgamos serem joio, nosso impulso é o mesmo daqueles empregados que queriam arrancá-lo logo; entretanto, se na natureza joio é sempre joio e trigo sempre trigo, na ordem da graça, porém, o joio poderá ser trigo. Nas parábolas da misericórdia Jesus e na sua atitude para com os pecadores, Jesus nos ensinou isso, e é por isso mesmo que Ele nos advertiu para não julgarmos (cf. Lc 6, 37-38). O irmão que eu julgo ser joio, amanhã poderá ser trigo! Aqui está algo belo: Deus espera isso, essa é a esperança de Deus, se assim podemos dizer. Ele vem em nosso socorro com sua misericórdia, sua ternura e sua graça. Temos pressa de resultados quando se trata da mudança dos outros, mas Deus tem paciência para conosco: “teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente. (...) dominando tua própria força, julgas com clemência” (Sb 12, 16.18). Ele nos dá essa lição: “Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser humano” (Sb 12, 19). Isso porque Ele é clemente e fiel, amor, paciência e perdão (cf. Sl 85/86, 15). O Espírito que “vem em socorro da nossa fraqueza” (cf. Rm 8, 26) nos ajuda para que, em nós, o trigo prevaleça e o joio não prospere. Confiando na graça de Deus aprendemos que ninguém é um caso absolutamente perdido. Assim como o joio de hoje poderá ser trigo amanhã, há também a possibilidade inversa: aquele que hoje é trigo pode amanhã se tornar joio. E isso exige ainda mais cuidado sobre nós mesmos: “Não somos desertores, para nossa perdição. Perseveramos na fé, para nossa salvação” (Hb 10, 39). Sejamos, portanto, dóceis em acolher e espalhar a boa semente, que contém em si a capacidade de tornar-se árvore frondosa e capaz de produzir bons frutos para o Reino de Deus; prontos para rejeitar e não espalhar a má semente, lançada na escuridão pelo inimigo e misericordiosos com os que erram, pois também somos frágeis. Não somos a Igreja dos perfeitos, mas uma comunidade de pecadores perdoados que acolhem a misericórdia de Deus, como bem lembrava o Papa Francisco, sempre atentos ao que disse São Paulo: “quem julga estar de pé tome cuidado para não cair” (1Cor 10, 12)!

Dom Edilson de Souza Silva Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Lapa

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