4- REFLEXÕES PARA O 16.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A
4.1-NO CAMPO DA VIDA: PACIÊNCIA, GRAÇA E CONVERSÃO
Quando
nos deparamos com a parábola do joio e do trigo, tendemos logo a imaginar as
pessoas boas como trigo e as pessoas más como joio, como se as “boas” nada
tivessem de negativo e as “más” nada tivessem de positivo. Deus é luz e n’Ele
não há trevas (cf. 1Jo 1,5), mas já em nós nem sempre é assim... Precisamos
tomar cuidado para não sermos simplistas. Esta parábola, nos põe diante da
realidade que permeia nossa vida, pois podemos encontrar joio e trigo dentro de
nós mesmos, em nossas comunidades, organizações, instituições, enfim, em nossa
sociedade como um todo. A questão é o que fazer diante dessa realidade. A
parábola nos permite pensar e nos ajuda a escolher o melhor caminho. Jesus
disse que o trigo é semeado à luz do dia e o joio à noite. Aqui Ele nos dá um
critério: guiemo-nos pela luz, não permitindo que as trevas dominem nosso
interior (cf. Mt 6,22-23). A luz é Jesus! Ele é o que semeia o trigo! O
inimigo, por sua vez, semeia o joio. E há muitas formas de permitirmos que o
joio penetre nosso interior, daí a necessidade da vigilância. Diante dos que
julgamos serem joio, nosso impulso é o mesmo daqueles empregados que queriam
arrancá-lo logo; entretanto, se na natureza joio é sempre joio e trigo sempre
trigo, na ordem da graça, porém, o joio poderá ser trigo. Nas parábolas da
misericórdia Jesus e na sua atitude para com os pecadores, Jesus nos ensinou
isso, e é por isso mesmo que Ele nos advertiu para não julgarmos (cf. Lc 6,
37-38). O irmão que eu julgo ser joio, amanhã poderá ser trigo! Aqui está algo belo:
Deus espera isso, essa é a esperança de Deus, se assim podemos dizer. Ele vem
em nosso socorro com sua misericórdia, sua ternura e sua graça. Temos pressa de
resultados quando se trata da mudança dos outros, mas Deus tem paciência para
conosco: “teu domínio sobre todos te faz para com todos indulgente. (...)
dominando tua própria força, julgas com clemência” (Sb 12, 16.18). Ele nos dá
essa lição: “Assim procedendo, ensinaste ao teu povo que o justo deve ser
humano” (Sb 12, 19). Isso porque Ele é clemente e fiel, amor, paciência e
perdão (cf. Sl 85/86, 15). O Espírito que “vem em socorro da nossa fraqueza”
(cf. Rm 8, 26) nos ajuda para que, em nós, o trigo prevaleça e o joio não
prospere. Confiando na graça de Deus aprendemos que ninguém é um caso absolutamente
perdido. Assim como o joio de hoje poderá ser trigo amanhã, há também a
possibilidade inversa: aquele que hoje é trigo pode amanhã se tornar joio. E
isso exige ainda mais cuidado sobre nós mesmos: “Não somos desertores, para
nossa perdição. Perseveramos na fé, para nossa salvação” (Hb 10, 39). Sejamos,
portanto, dóceis em acolher e espalhar a boa semente, que contém em si a
capacidade de tornar-se árvore frondosa e capaz de produzir bons frutos para o
Reino de Deus; prontos para rejeitar e não espalhar a má semente, lançada na
escuridão pelo inimigo e misericordiosos com os que erram, pois também somos
frágeis. Não somos a Igreja dos perfeitos, mas uma comunidade de pecadores
perdoados que acolhem a misericórdia de Deus, como bem lembrava o Papa Francisco,
sempre atentos ao que disse São Paulo: “quem julga estar de pé tome cuidado
para não cair” (1Cor 10, 12)!
Dom Edilson de Souza
Silva Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Região Lapa
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