4.3-Homilia do Diácono José da Cruz
– 16º Domingo do Tempo Comum – Ano A
"JOIO, TRIGO E A
PACIENCIA..."
Não há no calendário da igreja, pelo menos não tenho
conhecimento, de uma santa com o nome de Paciência, apesar disso, ela é muito
invocada pelas pessoas, quando alguém faz algo de errado, “Tenha Santa
Paciência!” eu cresci ouvindo essa expressão que acho bem interessante e
oportuna para a reflexão deste evangelho pois o homem paciente é aquele que
sabe esperar, empenhando-se em construir algo novo, acreditando que o seu
trabalho dará resultado, ainda que os frutos só sejam colhidos pelas gerações
futuras.
O Reino de Deus não cai do céu já pronto, e nem acontece no
imediatismo, mas como em um gigantesco quebra-cabeça, cada peça vai sendo
colocada, até que no final iremos todos ver uma belíssima obra, e, das
comparações que Jesus fez sobre o reino, a mais fiel é a parábola da semente,
algo que precisa ser plantado, cuidado, cultivado, para poder germinar, e
depois de germinado tem de ser muito bem conservado e mantido, ou seja, a
edificação do reino é algo permanente em nossa vida, que um dia, na visão
beatífica iremos contemplar e poder admirar toda sua beleza, e ainda mais,
sentir uma imensa alegria ao perceber que ajudamos a construí-lo.
Mas quem é que planta uma semente hoje e espera que amanhã ela
já brote e se transforme em uma planta? É preciso não ter pressa, nem para ver
a semente germinar, nem para colher os frutos, que se arrancados da árvore fora
de tempo, não estarão maduros e nenhum prazer trará a quem o comer. Eis o
grande mal que afeta a relação entre as pessoas, nos dias de hoje: a falta de
paciência! Talvez como conseqüência da relação homem versus máquina, dos
avanços da tecnologia e da informática, que nos permite no toque de uma tecla,
ver ou ter de imediato, aquilo que se quer, não se faz mais nenhum esforço para
abrir um portão, que é eletrônico, acender um fogão, ligar a TV ou mudar de
canal, sem levantar-se do sofá, e até controle eletrônico para o som do carro,
o que eu acho um absurdo.
E assim, acabamos transportando para a relação com as pessoas,
esse imediatismo, quando queremos resultados, ou mudanças de comportamento, as
grandes empresas investem largamente em cursos de treinamento, porque querem
resultado imediato na linha de produção.
Mas as pessoas não são máquinas, programadas para nos atender,
elas tem autonomia, são movidas por sentimentos, emoções, temperamento, estão
sujeitas a fraquezas, pequenos enganos ou erros atrozes, são volúveis, capazes
de amar e odiar, ao mesmo tempo, o homem é um mistério, um verdadeiro Fenômeno,
como define o conteúdo da obra de Pierre Teilhard de Chardin. E diante de toda
essa complexidade humana, em Jesus descobrimos que o Pai nos ama, e que o seu
amor é paciente, compassivo, tolerante e sabe esperar, confiando no ser humano,
quando o chama para viver a vocação do amor.
Entretanto, embora alcançado pela graça de Deus, o homem não
consegue refletir para o semelhante essa imagem e semelhança, com Aquele que é
a essência do puro amor, pois a impaciência, a intolerância e o radicalismo,
acaba prevalecendo em lugar do amor que tudo suporta e tudo crê, falta
paciência com os pais, com os idosos, com as crianças, com os enfermos, com os
pobres, com a esposa, com o esposo, com os netos, com os alunos, com a equipe
de trabalho, com os que são diferentes, no aspecto cultural, econômico,
político, religioso, onde fazemos, de simples adversário um inimigo mortal.
O que Jesus nos pede neste evangelho é justamente isso, a
paciência de crer e saber esperar o novo reino, ajudando a construí-lo no meio
dos homens, com todo empenho, dedicação e seriedade, o verdadeiro cristão
jamais pode ser radical ou imediatista, pois seria ingenuidade desejar fazer
acontecer o reino á toque de caixa, na família, na comunidade, no trabalho, na
escola ou na política, infelizmente ainda há muitos cristãos que se sentem
frustrados por não ver resultado do seu trabalho, são aqueles que não aceitam
que haja joio em meio ao trigo, fecham-se em seus grupos, suas comunidades, seu
pequeno mundo, e são sempre impulsionados a querer arrancar o joio de suas
relações, ignorando que a palavra de Deus e a verdade do evangelho, quando
testemunhadas de maneira autentica, tem poder sim, para transformar qualquer
joio em trigo, resultado da obra da salvação, desejada por Deus e realizada
plenamente por Jesus através da sua igreja.
José da Cruz é Diácono
da
Paróquia Nossa Senhora
Consolata – Votorantim – SP
E-mail jotacruz3051@gmail.com
http://www.npdbrasil.com.br/religiao/rel_hom_gotas0341.htm#msg01
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