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SANTO AGOSTINHO COMENTOU SOBRE O TRIGO E O JOIO
Sermão
073
Este sermão de Santo Agostinho compara a parábola
do joio e do trigo com a parábola do semeador. Ele explica que as parábolas
podem usar termos diferentes para representar a mesma ideia. O sermão exorta os
maus cristãos a se tornarem bons e pede paciência aos bons cristãos.
Sermão 073 O joio e o trigo. Santo Agostinho
O Reino dos céus é semelhante a um homem que tinha
semeado boa semente em seu campo. Na hora, porém, em que os homens repousavam,
veio o seu inimigo, semeou joio no meio do trigo e partiu. O trigo cresceu e
deu fruto, mas apareceu também o joio. Os servidores do pai de família vieram e
disseram-lhe: “ Senhor, não semeaste bom trigo em teu campo? Donde vem, pois, o
joio? ” Disse-lhes ele: “ Foi um inimigo que fez isto! ” Replicaram-lhe: “ Queres
que vamos e o arranquemos? ” “ Não ” , disse ele; “ arrancando o joio,
arriscais a tirar também o trigo. Deixai-os crescer juntos até a colheita. No
tempo da colhei-ta, direi aos ceifadores: arrancai primeiro o joio e atai-o em
feixes para o queimar. Recolhei depois o trigo no meu celeiro ”
“Frente
ao mal que se propaga no mundo, vem a pergunta: por que Deus não intervém e
resolve tudo? Jesus responde com a parábola do joio e de trigo, uma lição de
paciência e esperança.
O
tema contido no Evangelho deste domingo (Mt 13, 24 – 43) é precisamente o Reino
dos Céus. O “Céu” não deve ser entendido unicamente no sentido da altura que
nos ultrapassa, porque tal espaço infinito possui também a forma da
interioridade do homem. Jesus compara o Reino dos Céus com um campo de trigo,
para nos levar a compreender que dentro de nós foi semeado algo de pequeno e
escondido que, no entanto, possui uma força vital insuprimível. Não obstante
todos os obstáculos, a semente desenvolver-se-á e o fruto amadurecerá. Este
fruto só será bom, se o terreno da vida for cultivado em conformidade com a
vontade divina. Por isso, na parábola do trigo bom e do joio, Jesus
admoesta-nos que, depois da sementeira realizada pelo dono, “enquanto todos
dormiam”, interveio “o inimigo”, que semeou a erva daninha. Isto significa que
devemos estar prontos para conservar a graça recebida desde o dia do Batismo,
continuando a alimentar a fé no Senhor, a qual impede que o mal ganhe raízes.
Santo Agostinho, comentando esta parábola, observa que “muitos, primeiro são
joio e depois tornam-se trigo bom,” e acrescenta: “Se eles, quando são
malvados, não fossem tolerados com paciência, não chegariam à mudança
louvável”.
O
campo é o mundo e a História, onde coexistem o trigo e o joio. É também o
coração de cada um, capaz de escolher o bem e o mal; é o lugar onde o Senhor
semeia continuamente a semente da sua graça: semente divina que, ao arraigar
nas almas, produz frutos de santidade. Com que amor Jesus nos dá a sua graça!
Para Ele, cada homem é único, e, para redimi-lo, não vacilou em assumir a nossa
natureza humana.
A
parábola não perdeu atualidade: muitos cristãos dormiram e permitiram que o
inimigo semeasse a má semente na mais completa impunidade; surgiram erros sobre
quase todas as verdades da fé e da moral.
É
necessário que vigiemos dia e noite, e não nos deixemos surpreender; que
vigiemos para podermos ser fiéis a todas as exigências da vocação cristã, para
não deixarmos prosperar o erro, que leva rapidamente à esterilidade e ao
afastamento de Deus. É necessário que vigiemos, sobretudo o nosso coração, sem
falsas desculpas de idade ou de experiência, pois ” o coração é um traidor, e
tem que estar fechado a sete chaves” (Caminho, 188).
Diz
Jesus: “o joio são os filhos do Maligno, e o inimigo, que o semeou, é o diabo”
(Mt 13, 39). O inimigo de Deus e das almas sempre lançou mão de todos os meios
humanos possíveis. Vemos, por exemplo, que ora se desfiguram umas notícias, ora
se silenciam outras; ora se propagam ideias demolidoras sobre o casamento, por
meio dos seriados de televisão de grande alcance, ora se ridiculariza o valor
da castidade e do celibato; defende-se o aborto ou a eutanásia, ou semeia-se a
desconfiança em relação aos Sacramentos e se dá uma visão pagã da vida, como se
Cristo não tivesse vindo redimir-nos e lembrar-nos que o Céu nos espera. E tudo
isto com uma constância e um empenho incríveis. O inimigo não descansa!
A
parábola constitui, pois, um convite universal à vigilância, a não deixar
passar em vão a hora da graça e a estar preparados para a ceifa, porque tal
como o joio é apanhado e queimado no fogo, assim será no fim do mundo”. Então,
“todos os que fazem outros pecar e os que praticam o mal, serão lançados na
fornalha de fogo, enquanto os justos brilharão como o sol no Reino de Seu Pai”
(Mt 13, 40-43).
A
abundância do joio só pode ser enfrentada com maior abundância de boa doutrina:
vencer o mal com o bem (Rm 12, 21), com o exemplo da vida e a coerência da
conduta. O Senhor nos chama para que procuremos a santidade no meio do mundo, no
cumprimento dos deveres cotidianos.
O
joio e o trigo estão presentes em toda parte: Mesmo em nossas comunidades
cristãs vemos presente tanto joio de desunião, de inveja, de fofocas…
Fiquemos
atentos pois, dentro de cada um de nós, há trigo e joio! Peçamos ao Senhor para
que sejamos trigo de amor, dedicação e colaboração. Que seja afastado de nós o
joio de ódio, discórdia, calúnia…
É
preciso saber valorizar a semente de trigo presente no coração de cada pessoa;
cultivá-la com paciência e profundo respeito. Respeitar o processo de
amadurecimento de cada pessoa, usando de paciência.
Para
que possamos transformar o joio em trigo, devemos ser a semente de mostarda,
pequena, insignificante, mas que cresce até aninhar os pássaros em seus ramos.
Devemos ser o fermento, que leveda toda a massa da farinha, o mundo em que
vivemos…
Somos
convidados a imitar a misericórdia do Pai celeste, aceitando pacientemente as
dificuldades provenientes da convivência com os inimigos do bem e tratá-los com
bondade fraterna na esperança de que, vencidos pelo amor, mudem de
comportamento. Deve-se recorrer também à oração, para que o Senhor defenda os
seus filhos de serem contagiados. “Que o Espírito Santo venha em auxílio de
nossa fraqueza, pois não sabemos o que pedir… É que o Espírito intercede pelos
cristãos de acordo com a vontade de Deus” (Rm 8, 26-27). Há que deixar em Suas
mãos a causa do bem!
Deus
é lento para a ira e rico de misericórdia, e deseja que o pecador se converta e
viva, dando todas as oportunidades para cada um refazer a existência e entrar
no Reino. Um plano de salvação oferecido gratuitamente a todos.
https://diocesepetropolis.com.br/a-semente-em-terrenos-diferentes-mons-jose-maria-pereira-2/
Deus é paciente porque sabe que mesmo o coração que está
manchado há muito tempo, por muitos pecados pode mudar e dar bons frutos. Santo
Agostinho, comentando essa parábola, contribui com sua experiência como pastor
de almas e verifica que “muitos, primeiro são joio e depois tornam-se trigo
bom”, de modo que é necessária paciência saudável, que não é indiferença ao
mal: “Se eles, quando são malvados, não fossem tolerados com paciência, não
chegariam à mudança louvável”[1]
[1] Santo
Agostinho, Quaest.
septend. in Ev. sec. Matth., 12, 4: PL 35, 1371.
O dono do campo não confunde o bem com o mal. Ele sabe o que é
saudável e o que é prejudicial à saúde, mas não permite que os servos se
precipitem para dar tempo à misericórdia. Jesus nos ensina a moderar o momento
e a saber esperar: o que é ruim pode se transformar em algo bom. A conversão é
possível e sempre há esperança de que isso aconteça.
https://opusdei.org/pt-br/gospel/evangelho-decimo-sexto-domingo-comum-ano-a/#_ednref5
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