sábado, 1 de janeiro de 2022

REFLEXÃO DOMINICAL II


"VIMOS A SUA ESTRELA..."

 

Na Liturgia da igreja, ainda dentro das festividades do natal celebra-se nesse domingo a Festa da Epifania que significa Manifestação de Deus. Há quem pense de maneira bem equivocada, que o cristianismo é um grupo fechado para o qual Jesus se manifestou e se revelou com exclusividade e por conta desse pensamento, muitos há que se apossam da salvação como se esta também fosse particular. Há outros ainda mais ousados que tendo séria dificuldade para ser seguidor fiel de Cristo e do seu santo evangelho, procuram adaptá-lo de acordo com suas conveniências ou interesses.


No passado realmente Deus escolheu o povo de Israel em particular para revelar-se porém, chegando a plenitude dos tempos, enviou–nos seu Filho Jesus Cristo que veio trazer a Salvação a toda humanidade e não mais a uma pessoa ou a um grupo em particular.


No evangelho desse domingo, uns magos do oriente, sobre os quais há muitas histórias, viram no céu um sinal e seguindo a estrela chegaram até Jesus na manjedoura. Não conheciam as profecias, eram de outra cultura religiosa, mas assim que viram a estrela no céu, puseram-se a caminho.


Não é de hoje que a humanidade sonha com uma Paz que reúna os homens do mundo inteiro, em uma unidade que não exclua a diversidade, afinal a humanidade tem algo em comum, somos todos filhos e filhas de Deus, irmanados em Jesus, de diferente nacionalidade, cultura, contexto histórico, social e político, mas somos iguais porque Jesus veio para todos.


Ser igual não significa necessariamente um mesmo jeito de rezar, de se relacionar com Deus, um mesmo rito e uma mesma maneira de manifestar a fé, se fosse assim, os magos do oriente não teriam jamais visto o sinal no céu. Quando pensamos na unidade de todos os povos e nações diante de Deus, estaríamos sendo ingênuos se desejássemos uma uniformidade, Deus não nos criou em série, mas temos cada um a nossa identidade própria, em uma diversidade, que longe de ser obstáculo para a unidade, é fator que enriquece e que solidifica a unidade.


O que faz a diferença é a fé, através da qual nos abrimos para Deus na medida em que o buscamos. Deus se manifesta a todos mas a reação de cada homem é diferente. Os poderosos e prepotentes como o Rei Herodes, embora tenham o conhecimento sobre a manifestação de Deus, em vez de se alegrarem, se sentem perturbados com esta manifestação divina, que os levará a rever seus princípios e ideologias. Mas em todos os tempos da nossa história sempre houve pessoas como os magos, que ao menor sinal de Deus, se põe a caminho e ao encontrá-lo na simplicidade da vida, não hesitam em adorá-lo e reconhecê-lo como único Deus e Senhor.


Abrir os cofres significa abrir o coração e a mente para uma compreensão clara de quem é Jesus, pois ouro, incenso e mirra significam a divindade, a realeza e a humanidade de Jesus. Deus é muito simples e está sempre ao alcance de todos, nós é que às vezes complicamos demais, quando queremos inventar fórmulas mirabolantes para se experimentar Jesus em nossa vida.


Os Magos na viagem de volta mudaram o percurso, iluminados pela luz da fé, todo aquele que conhece Jesus e o aceita como Salvador e Senhor, começa a percorrer um outro caminho, que não passa pela ambição dos poderosos e auto suficientes, mas sim pelo sonho dos que acreditam e lutam por um mundo novo, onde embora diferentes, todos os homens se reconheçam como irmãos e irmãs em Jesus, Filhos e Filhas de um mesmo Pai, que os criou para viverem na plenitude do amor.


A Jerusalém envolta em luz e que atrai a si todos os homens de todas as nações, não significa apenas um templo, mas sim uma grande assembléia na qual se insere todos os homens e mulheres de boa vontade, inclusive os pagãos, que como nos ensina o apóstolo Paulo, na graça santificante reconheceram a presença de Deus em Jesus Cristo.

 

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  
jotacruz3051@gmail.com

http://www.npdbrasil.com.br/religiao/rel_hom_gotas0299.htm#msg01

RELIGIÃO

O mês de janeiro e o esquecido Tempo da Epifania

Mastapiece/Shutterstock

Philip Kosloski


Sabia que, antigamente, o "Tempo da Epifania" ia até o início da Quaresma?


Durante muitos séculos, a Igreja Católica celebrou um “ciclo de Natal” que, geralmente, começava no fim de novembro e durava até o fim de janeiro.


Neste ciclo litúrgico, existiam três tempos litúrgicos diferentes. O primeiro era o Tempo do Advento, que continua sendo celebrado até hoje.


O segundo era o Tempo do Natal, que ia de 25 de dezembro a 6 de janeiro. A partir daí, começava o Tempo da Epifania, que durava até a Quarta-feira de Cinzas.


Os católicos que participam de forma extraordinária do rito romano estão familiarizados com esses tempos.


Já os anglicanos mantêm o Tempo da Epifania até o começo da Quaresma.


Atualmente, a maioria dos católicos romanos seguem o calendário geral romano, que inclui um curto Tempo da Epifania (dentro do Tempo do Natal) entre o domingo da Epifania e o Batismo do Senhor.


Depois disso, a Igreja inicia o Tempo Comum. Em latim, esse período é chamado de “Tempus Per Annum”. Trata-se de um momento em que focamos na vida de Cristo e seu ministério público.


É interessante notar que a cor do Tempo Comum e da Epifania é o verde (com exceção de alguns dias festivos).


Esta cor simboliza regeneração e renovação, que são temas relacionadas tanto à infância de Jesus quanto o seu ministério.


É um tempo que nos ajuda a preparar nossos corações para a Quaresma, quando focaremos na cruel realidade do sacrifício de Jesus na Cruz.

https://pt.aleteia.org/2019/01/11/o-mes-de-janeiro-e-o-esquecido-tempo-da-epifania/

JANEIRO BRANCO

Saúde Mental: Quem cuida da mente, cuida da vida.

Você sabia que quase 1 bilhão de pessoas vivem com transtorno mental? Que 3 milhões morrem todos os anos devido ao uso nocivo do álcool, que muitas vezes é causado por algum transtorno que a pessoa nem sabe que tem? Você sabia que uma pessoa morre a cada 40 segundos por suicídio? Esses são dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) e ela aponta que, com os reflexos da pandemia, esses números devem piorar.


Os transtornos mentais representam hoje um dos principais desafios para os órgãos de saúde. Estima-se que 30% dos adultos em todo o mundo atendam aos critérios de diagnóstico para qualquer transtorno mental. Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Medicina Social, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro mostra que no Brasil os transtornos depressivos e ansiosos correspondem, respectivamente, pela quinta e sexta causa de anos vividos com incapacidade.


É inevitável falar sobre a Covid-19 quando o assunto é saúde mental. Todos nós, de alguma forma, sentimos os impactos da pandemia e tivemos que nos acostumar com as drásticas mudanças, com as inúmeras restrições e, em meio a tudo isso, buscar um equilíbrio entre a adaptação da nova rotina de vida e a insegurança dos números da pandemia que crescia exponencialmente a cada dia.


O Instituto de Moléstias Cardiovasculares e o Hospital do Coração lançam este mês a Campanha Janeiro Branco, que alerta para os cuidados com a saúde mental. Assim como o Setembro Vermelho, o Outubro Rosa e o Novembro Azul, o Janeiro Branco é um mês dedicado à alertar a sociedade como um todo da importância de prevenir doenças, nesse caso, do cérebro.


A Campanha Janeiro Branco busca a promoção de saúde emocional na vida de todos, criando estratégias para que o adoecimento emocional seja prevenido, conhecido e combatido em todos os campos.


Nossa campanha é dedicada a mostrar que nossas vidas estão estruturadas com base em questões mentais, sentimentais, emocionais e comportamentais, sendo assim, precisamos nos dedicar aos cuidados com a mente em nosso cotidiano, para não sermos vítimas de nós mesmos.


Esse ano, em especial, nossa campanha alerta sobre os impactos do estresse causado pela pandemia, inclusive como podem se desdobrar em outras doenças. Segundo uma pesquisa feita na Faculdade de Medicina da Universidade Harvard, Estados Unidos, situações estressantes provocam uma produção excessiva de glóbulos brancos no organismo. Essas células, que fazem parte do sistema imunológico, quando produzidas em excesso, podem se acumular nas paredes das artérias, reduzindo o fluxo sanguíneo e favorecendo a formação de coágulos – elevando, assim, o risco de doenças cardiovasculares. De forma resumida, o estresse também pode levar a um infarto ou a um acidente vascular cerebral (AVC).


Durante todo o mês de janeiro, nossa instituição divulgará em suas redes sociais e site dicas e informações sobre o assunto para alertar a população. Além de realizar internamente uma série de ações para promover a saúde mental do nosso colaborador, afinal, quem cuida da mente, cuida da vida, e cuidar é o nosso compromisso.


http://imcriopreto.com.br/?p=699

POLÍTICA

O que é política?


Definir o que é política, assim como outras palavras como “amor” e “liberdade”, não é tarefa simples. Os significados, de todas elas, são abrangentes e subjetivos, dependendo do contexto e da opinião de quem as usa.


Mesmo assim, o exercício de definir o que essas palavras significam é útil para jogar luz sobre aspectos pouco falados e evitar equívocos. Portanto, entender o que é política é a chance de repensar seu significado e como ela está presente em nossas vidas.

 

A política e seus significados

Dos filósofos aos cientistas políticos, não foram poucos os que tentaram dizer o que é política. Para tornar mais fácil essa missão, vamos reunir e explicar alguns dos principais significados que a palavra assume em nossa sociedade atual, mas sem esquecer do passado.


A política como convivência

A palavra “política” é derivada do termo grego “politikos”, que designava os cidadãos que viviam na “polis”. “Polis”, por sua vez, era usada para se referir à cidade e também, em sentido mais abrangente, à sociedade organizada.


Onde quer que haja duas ou mais pessoas, haverá a necessidade de definir regras de convivência, limites de ação e deveres comuns. A política acontece justamente no ato de existir em conjunto.


Dessa forma, a origem da política remonta à participação na comunidade, à vida coletiva. Bem diferente do que se costuma pensar sobre a política como algo limitado aos políticos profissionais e longe do nosso cotidiano.


O filósofo grego Aristóteles definiu o ser humano como um animal político, ou seja, um ser que inconscientemente busca a vida em comunidade, porque suas necessidades materiais e emocionais só podem ser satisfeitas pela convivência com outras pessoas.


E você já parou para pensar o que define uma ideologia?

Além disso, o animal político se diferencia dos outros bichos pela sua capacidade de se comunicar em nível complexo, diferentemente de outras espécies. Por meio da linguagem, o humano pode trocar ideias, imaginar o futuro e criar regras para compartilhar o mesmo espaço.


A política, para Aristóteles, começa no seio familiar, na convivência entre familiares, e depois se expande para o resto da sociedade. A não ser que você seja um eremita (um indivíduo que foge completamente do convívio social), não conseguirá escapar da política.


A administração do Estado

Se para Aristóteles o “politiko” era o cidadão que participava da vida pública, essa palavra tem outro sentido hoje em dia.


Diferentemente da Grécia Antiga onde vivia o filósofo, na qual os cidadãos podiam participar diretamente das decisões da cidade, a sociedade atual é composta por um número muito maior de pessoas e, consequentemente, de problemas e necessidades muito mais complexos.


Por isso, ao invés de votar diretamente em cada tema de interesse público, nas democracias modernas, nós votamos em pessoas encarregadas da administração pública. Essas pessoas se dispõem a representar nossas ideias e interesses, de forma que possamos participar indiretamente das decisões coletivas.


A forma mais comum de pensar a política é justamente a atividade da gestão do Estado, do orçamento público e das decisões coletivas. Quando pensamos em políticos, logo imaginamos os prefeitos, governadores, presidentes, deputados, senadores etc.


Políticas públicas

Tendo em vista que a palavra política se refere, por definição, àquilo que é público, pode ser uma redundância pensar em “políticas públicas”. Porém, esse termo é bastante usado e fundamental para pensarmos o tema.


A função dos políticos é identificar e resolver os problemas e necessidades da sociedade. Para tal, fazem uma análise de cada situação, muitas vezes com a ajuda de especialistas no assunto e da própria sociedade civil, e montam um plano para agir.


Essa atuação é o que chamamos de política pública. Para deixar o conceito mais palpável, podemos citar exemplos como: programas de redistribuição de renda, fornecimento de serviços de saúde e educação, estratégias de segurança pública, entre outros.


Para resumir em uma frase: a política pública é a política sendo colocada em prática, de forma a impactar a vida dos cidadãos aos quais ela é direcionada.


O lado negativo da política

Sem uma apresentação mais profunda à política e todos os seus significados, tendemos a achar que ela se resume à atuação dos políticos e seus partidos. Essa atuação, por sua vez, chega até nós muitas vezes por meio de escândalos de corrupção divulgados pela imprensa.


Dessa forma, a palavra passa a ser associada a uma prática negativa e chega a ganhar uma variação: politicagem, a política praticada longe dos ideais mais nobres. Os políticos, por consequência, são vistos como indivíduos interessados apenas em se aproveitar dos recursos públicos. 


Essa concepção gera vários efeitos deletérios. Para começar, os cidadãos tendem a rejeitar a política institucional, ou seja, aquela praticada por políticos no âmbito do Estado. Esse afastamento dá mais liberdade a atores descompromissados com o interesse público.


Quebra-se, assim, a confiança dos cidadãos em relação à classe política, como acontece no Brasil, onde pouco mais de um terço da população diz acreditar no Congresso Nacional.


Segundo o filósofo francês Francis Wolff, essa desconfiança pode levar à sensação de que é preciso “limpar” a política, o que favorece ideias e propostas autoritárias, de modo a colocar a democracia em risco.


Será que vivemos em uma democracia?

A rejeição à política também afasta os cidadãos dos partidos políticos. O problema disso é que os partidos são uma das ferramentas mais importantes de participação na política. Com maior participação popular, eles podem representar melhor os interesses da sociedade e têm uma fonte de recursos que diminui sua dependência em relação aos recursos públicos, sejam aqueles obtidos de forma legal ou, nos piores casos, por meio da corrupção.


Os infinitos significados

Quanto mais se acompanha o assunto, mais conhecemos variações da palavra “política” e ocasiões em que ela aparece associada a outros termos. Por isso fica tão difícil resumir, em apenas um artigo, toda sua complexidade.


Há, por exemplo, a política externa, que designa as ideias e ações de uma nação no relacionamento com outras. Também existe a política fiscal, isto é, as medidas que o governo toma na administração de suas receitas e despesas.


Saiba mais: qual a diferença entre política fiscal, política monetária e política cambial?

Fora do âmbito do Estado, encontramos, por exemplo, as políticas de privacidade, que determinam a forma como uma empresa lida com os dados de seus clientes ou usuários. Ou políticas de comunidades, as regras que organizam determinado espaço de discussão em fóruns ou redes sociais.


Seja qual for o significado, mais abrangente ou mais específico, vale lembrar da origem da palavra: a “polis” representa o que é comum, aquilo que dividimos com outros indivíduos. Como animais políticos e habitantes da polis, não podemos escapar da política. O melhor, então, é participar e se informar sobre ela, de forma a torná-la mais próxima do que acreditamos ser a forma ideal.

https://www.politize.com.br/o-que-e-politica/

LEITURA PROFUNDA

O que é a leitura profunda e por que ela faz bem para o cérebro

Crédito, Getty Images

 

Ler estimula o pensamento crítico e a capacidade de análise

 

A pesquisa da neurocientista Maryanne Wolf aponta que "não há nada menos natural do que ler" para os seres humanos — e isso não é de forma alguma ruim.

 

"A alfabetização é uma das maiores invenções da espécie humana", diz a especialista. Além de útil, é tão poderosa que transforma nossas mentes: "Ler literalmente muda o cérebro".


O avanço da tecnologia e a proliferação das mídias digitais, contudo, têm modificado profundamente a forma como lemos.


Apesar de estarmos lendo mais palavras do que nunca — uma média estimada de cerca de 100 mil por dia —, a maioria vem em pequenas pílulas nas telas de celulares e computadores, e muita coisa é lida "por cima".


Essas mudanças de hábito têm preocupado cientistas, entre outros motivos, porque a transformação de novas informações em conhecimento consolidado nos circuitos cerebrais requer múltiplas conexões com habilidades de raciocínio abstrato que muitas vezes faltam na leitura "digital".

 

Um universo de símbolos

 

Ao contrário da linguagem oral, da visão ou da cognição, não existe uma programação genética nos humanos para aprender a ler.


Se uma criança, em qualquer parte do mundo, estiver em um ambiente em que as pessoas em seu redor conversam umas com as outras, sua linguagem será naturalmente ativada. O mesmo não acontece com a leitura, que implica a aquisição de um código simbólico completo, visual e verbal.


É uma invenção relativamente recente — "é uma piscadela em nosso relógio evolutivo: mal tem 6 mil anos", diz Wolf.


"Começou de forma simples, para marcar quantas taças de vinho ou ovelhas tínhamos. E, com o nascimento dos sistemas alfabéticos, passamos a ter um meio eficiente de armazenar e compartilhar conhecimento."


"Ler é um conjunto adquirido de habilidades que literalmente muda o cérebro", ressalta a neurocientista.


"Permite fazer novas conexões entre regiões visuais, regiões da linguagem, regiões de pensamento e emoção", completa.


Essa transformação "começa com cada novo leitor". "Não existe dentro de nossa cabeça. Cada pessoa que aprende a ler tem que criar um novo circuito em seu cérebro."


E isso abre portas para um novo mundo.

 

Saúde mental

 

"A leitura traz três poderes mágicos: criatividade, inteligência e empatia", pontua Cressida Cowell, escritora de literatura infantil e autora da série Como Treinar Seu Dragão.


"Ler por prazer é um dos fatores-chave para o sucesso financeiro de uma criança na vida adulta. É mais provável que ela não acabe na prisão, que vote, que tenha casa própria…"


Além disso, "ler uma grande história é muito mais do que entretenimento", acrescenta a biblioterapeuta Ella Berthoud.


"A leitura, na verdade, tem muitos benefícios terapêuticos. Seu cérebro entra em um estado meditativo, um processo físico que retarda o batimento cardíaco, acalma e reduz a ansiedade", diz Berthoud.


Para ela, por exemplo, o remédio para "claustrofobia, raiva, exaustão" é o romance Zorba, o Grego, de Níkos Kazantzákis.


A arte de prescrever ficção para curar as doenças da vida, batizada de biblioterapia, foi reconhecida no Publisher's Illustrated Medical Dictionary de Dorland em 1941.


A prática remonta à Grécia Antiga, quando avisos eram afixados nas portas das bibliotecas para alertar os leitores de que estavam prestes a entrar em um local de cura da alma.


No século 19, psiquiatras e enfermeiras prescreveram todos os tipos de livros para seus pacientes, desde a Bíblia até literatura de viagem e textos em línguas antigas.


Vários estudos mais recentes, dos séculos 20 e 21, mostraram que a leitura aguça o pensamento analítico, o que nos permite discernir melhor padrões, ferramenta muito útil diante de comportamentos desconcertantes dos outros e de nós mesmos.


A ficção, em particular, pode transformar os leitores em pessoas mais socialmente habilidosas e empáticas. Os romances, por sua vez, podem informar e motivar, os contos confortam e ajudam a refletir, enquanto a leitura de poesia já demonstrou estimular partes do cérebro relacionadas à memória.


Muitos desses benefícios, no entanto, dependem de um estado conhecido como "leitura profunda".

 

Pensamento analítico

 

"Quando lemos em um nível superficial, estamos apenas obtendo a informação. Quando lemos profundamente, estamos usando muito mais do nosso córtex cerebral", explica Wolf.


"Leitura profunda significa que fazemos analogias e inferências, o que nos permite sermos humanos verdadeiramente críticos, analíticos e empáticos."


Em seu livro Proust and the Squid: The Story and Science of the Reading Brain ("Proust e a Lula: a História e a Ciência por Trás do Cérebro que Lê", em tradução livre), a especialista em neurobiologia da leitura explica como, "a certa altura, quando uma criança vai da decodificação à leitura fluente, o caminho dos sinais através do cérebro muda".


"Em vez de percorrer um trajeto dorsal (...), a leitura passa a se deslocar por um caminho ventral, mais rápido e eficiente. Como o tempo depreendido e o gasto de energia cerebral são menores, um leitor fluente será capaz de integrar mais seus sentimentos e pensamentos à sua própria experiência", escreve.


"O segredo da leitura está no tempo que ela libera para que o cérebro possa ter pensamentos mais profundos do que antes."


Mas, enquanto o processo de aprender a ler muda nosso cérebro, o mesmo acontece com o que lemos e como lemos.

 

Tempos modernos

 

Há aqueles, contudo, que acreditam que as novas plataformas são parte da solução, e não do problema.


Para Chris Meade, autor que utiliza vários tipos de mídia para veicular seu trabalho, "pensamos no livro como a obra, mas o livro é apenas um mecanismo de entrega".


A narrativa transmídia é um tipo de história em que o enredo se desenrola por meio de múltiplas plataformas — aplicativos, livros digitais, games, quadrinhos, blogs — e na qual os consumidores podem assumir um papel ativo no processo de construção.


"As novas mídias estão dando voz a uma nova geração de escritores. Elas impedem que nos condicionemos a pensar que existe apenas um tipo de 'boa escrita' e permitem que as pessoas simplesmente compartilhem histórias e experiências", opina Natalie A. Carter, co-fundadora do clube do livro Black Girls Book Club.


"Não importa o meio, é a história que importa", emenda Melissa Cummings-Quarry, também co-fundadora do Black Girls Book Club.


"O romance está evoluindo. Há todo tipo de livro incrível sendo escrito especificamente para ser lido no telefone", afirma Berthoud.


"O livro talvez passe a ilusão de que ele é tudo. Nunca foi, é uma forma de entrar em um processo de pensamento", diz Meade.


Ainda assim, os cientistas afirmam que a leitura digital pode ter um custo para o cérebro do leitor.

 

Fragmentação

 

"Reunimos acadêmicos e cientistas de mais de 30 países para pesquisar o impacto das mídias digitais na leitura", afirma Anne Mangen, à frente da E-READ (Evolução da Leitura na Era da Digitalização), organização cujo objetivo é melhorar a compreensão científica das implicações da digitalização da cultura.


Faz parte do programa internacional da Cooperação Europeia em Ciência e Tecnologia (ou COST, sigla para European Cooperation in Science and Technology), que considera a leitura um "tema urgente".


"A pesquisa mostra que a quantidade de tempo gasto na leitura de textos longos está diminuindo e, devido à digitalização, a leitura está se tornando mais intermitente e fragmentada", algo que poderia "ter um impacto negativo nos aspectos cognitivos emocionais da leitura".


"Descobrimos que existe o que se chama de inferioridade na tela", destaca Mangen.


"Há muitas coisas que podem ser lidas igualmente bem no smartphone, como as notícias mais curtas, mas, quando se trata de algo que é cognitiva ou emocionalmente desafiador, ler em uma tela leva a uma compreensão de leitura pior do que ler no papel."


"A realidade é que não é apenas o que ou quanto lemos, mas como lemos que é realmente importante", concorda Wolf.


"O próprio volume [de informação disponível nas plataformas digitais] está tendo efeitos negativos porque, para absorver tanto, há uma propensão a se ler 'por cima'. O cérebro leitor tem um circuito plástico, que refletirá as características do meio em que se lê. As características do digital caminham para que sejam refletidas no circuito."


Em outras palavras, assim como ao aprender a ler da maneira tradicional o cérebro formata e registra os itinerários da razão e os caminhos para a emoção, ao aprender a ler da maneira como fazemos nas mídias digitais o cérebro traçará diferentes trajetórias e, se deixarmos a leitura profunda de lado, ele apagará as anteriores, caso tenham um dia existido.


"Se não treinarmos essas habilidades, podemos acabar perdendo a capacidade de entender conteúdos mais complexos e, talvez, de nos envolvermos e usarmos a imaginação", destaca Mangen.


Então, o que o futuro reserva para os livros e para o cérebro da leitura?


"A imaginação humana é uma coisa fantástica, somos muito flexíveis. Encontramos maneiras de fazer o que queremos com a tecnologia disponível", pontua Meade.


Para Carter, o futuro trará "muito mais coleções de contos, e acho que veremos muito mais livros curtos".


Nesse sentido, Cowell diz já ter sentido a mudança: "Mudei a maneira como escrevo, porque o tempo de atenção das crianças diminuiu. Os livros têm capítulos curtos e são incrivelmente visuais, brilhantes, como doces".


Para a neurocientista Maryanne Wolf, "assim como as pessoas podem ser bilíngues e trilíngues, minha esperança é que desenvolvamos um cérebro 'biletrado'. Podemos nos disciplinar para escolher o meio que melhor se adapta ao que estamos lendo e, assim, não perder o dom extraordinário que a leitura deu à nossa espécie".

 

*Este texto é baseado no vídeo "O que a leitura em telas faz com nosso cérebro?", da BBC Ideas e The Open University

https://www.bbc.com/portuguese/geral-59121175

SANTO AGOSTINHO E A MANIFESTAÇÃO DO SENHOR


Sermão 200 – A Manifestação do Senhor

1. Os magos vieram do Oriente para adorar o nascido da Virgem. Esta é a festa que celebramos hoje; a ela, damos a merecida solenidade e dedicamos o sermão. Este dia brilhou pela primeira vez para os magos; para nós, retorna anualmente nesta festividade. Eles foram os primeiros frutos dos gentios, nós somos o povo constituído de gentios. A nós foi anunciado pela linguagem dos apóstolos; para eles, uma estrela, como a linguagem do céu; e os próprios apóstolos, como se fossem céus, nos proclamaram a glória de Deus [1] . Por que não reconhecermos que os céus se tornaram tronos de Deus? Assim está escrito: A alma do justo é o trono da sabedoria [2]. Através destes céus reinou o criador e morador dos céus; ante tal trono o mundo estremeceu, e eis que aqui já crê. Grande mistério! Ele estava deitado na manjedoura e guiava os magos do Leste. Escondido em um estábulo, era reconhecido no céu, para que, reconhecido no céu, se manifestasse no estábulo e este dia recebesse o nome de Epifania, que pode ser traduzido como “manifestação”. Ao mesmo tempo, sua exuberância e humildade eram enaltecidas, para que aqueles que o buscavam o encontrassem em um estreito estábulo – para o qual os céus abertos guiavam com os sinais das estrelas – ; de modo que, mesmo sendo uma criança envolta em panos, os magos o adorassem e o maus o temessem [3] .


2. Com efeito, o rei Herodes o temeu quando os magos o anunciaram, ainda enquanto estavam procurando pelo Pequeno que já sabiam que ele nascera através do testemunho do céu. Como será o seu tribunal quando agir como juiz, se o berço do menino já aterrorizava os reis orgulhosos? Quão sábio são os reis agora que não buscam matá-lo, como Herodes, senão que, como os magos, se deleitam em adorar precisamente a quem sofreu por seus inimigos, da mão de seus mesmos inimigos, a mesma morte que o seu inimigo queria causá-lo e com sua morte ele matou a morte em seu corpo! Agora os reis sentem um piedoso temor a quem já está sentado à direita do Pai; a quem já temeu, quando Ele se encarnou no seio de sua Mãe, aquele rei ímpio. Ouçam o que está escrito: “Agora, ó reis, compreendei isso; instruí-vos, ó juízes da terra. Servi ao Senhor com respeito e exultai em sua presença; prestai-lhe homenagem com tremor […]”[4]. Aquele rei que vem aos reis ímpios e guia os piedosos, não nasceu como nascem os reis neste mundo, pois também nasceu o rei cujo o reino não é deste mundo. A nobreza do nascido manifestou-se na virgindade da Mãe e a nobreza da Mãe, na divindade do nascido. Finalmente, apesar de ter sido muito os reis dos judeus já nascidos e mortos, nenhum deles jamais procurou por magos para adorá-lo, visto que tampouco conheceram alguém pela voz do céu.


3. No entanto, os fatos não devem ser negligenciados, essa iluminação dos magos tornou-se o grande testemunho da cegueira dos judeus. Aqueles procuraram na terra daqueles o que estes não reconheceram em sua própria. Entre eles encontraram, sem palavras, o que os judeus negaram quando Ele ensinava. Esses peregrinos que vinham de longe adoravam a Cristo, uma criança que ainda não falava, ali onde seus concidadãos o crucificaram quando, já adulto, realizava milagres. Os magos o reconheceram como Deus na sua infância; os judeus sequer o perdoaram como homem quando Ele realizava suas grandiosas obras. Como se fosse algo maior ver uma nova estrela brilhante no dia de seu nascimento do que ver o sol chorar no dia de sua morte! Todavia, aquela mesma estrela que conduziu os magos ao lugar onde o menino Deus estava com sua Virgem Mãe e que certamente poderia ter os guiado até a mesma cidade, se escondeu e não voltou a aparecer até que haviam perguntado aos judeus em que cidade Cristo tinha que nascer, para que a nomeassem conforme o testemunho da Sagrada Escritura e disseram: Em Belém de Judá. Assim está escrito: “E tu, Belém, terra de Judá, não és de modo algum a menor entre as cidades de Judá, porque de ti sairá o chefe que governará Israel, meu povo.”[5]. O que mais a Providência divina quis dizer com isso, senão que as únicas Escrituras divinas ficariam sob a posse dos judeus com as quais os gentios seriam instruídos e eles cegados; que eles não a levariam como apoio para sua salvação, senão como testemunho da nossa? Pois, hoje mesmo, quando apresentamos as profecias sobre Cristo, já esclarecidas à luz dos acontecimentos, se por acaso nos comunicassem os pagãos, a quem queremos ganhar, que essas coisas não foram previstas de antemão, senão depois de acontecer o anunciado, de forma que o que se pensa ser uma profecia foi uma invenção dos cristãos, usamos os códices dos judeus para eliminar a dúvida dos pagãos. Pagãos que já estavam figurados naqueles magos a quem os judeus instruíram com as divinas Escrituras acerca da cidade em que Cristo nasceu, a quem eles nem buscavam, nem reconheciam.


4. Agora, pois, amadíssimos, filhos e herdeiros da graça, considerada vossa vocação e, uma vez manifestado Cristo aos judeus e aos gentios, apegue-se a ele como uma pedra angular [6] com um amor que não conhece limites. Com efeito, no limiar de sua infância Ele se manifestou tanto aos que estavam próximo e aos que estavam longe [7]. Aos judeus, nos pastores que se aproximaram e para os gentios, nos magos que vieram de longe. Aqueles chegaram no mesmo dia em que Ele nasceu; estes, acredita-se, hoje. Eles foram informados, pois, sem o primeiro ser sábio, nem o segundo apenas, pois na resistência dos pastores prevalece a ignorância, e nos ritos sacrílegos dos magos, a impiedade. Eles estavam unidos pela própria pedra angular, que veio para escolher os estultos do mundo para confundir os sábios [8], e não para chamar os justos, mas os pecadores, [9], para que ninguém, por maior que seja, vanglorie-se e ninguém, ainda que seja o menor, perca a esperança. Assim se explica que os escribas e fariseus, embora se considerem sábios e justos, ao mesmo tempo que, lendo os oráculos divinos, mostraram a cidade em que deveria nascer [10], enquanto construtores o rejeitaram. Mas como Ele se tornou a cabeça angular [11], o que Ele mostrou em seu nascimento se cumpriu em sua paixão. Apeguemo-nos a Ele em companhia do outro muro no qual estão os restos de Israel que, pela eleição livre, eles foram salvos [12]. Eles que haviam de se unir de perto, estão simbolizados nos pastores, para que também nós, cuja vocação significava a chegada de longe dos magos, permaneçamos nEle não mais como peregrinos e inquilinos, mas como concidadãos dos santos e familiares Deus, edificados com eles no alicerce dos apóstolos e profetas, sendo Cristo a pedra angular; Ele que fez dos povos um só [13], de modo que nEle amemos a unidade e possuamos uma caridade incansável para recuperar os ramos que, provenientes da árvore, também foram enxertados [14]; mas, desgastadas pela soberba, tornaram-se hereges. Deus é poderoso para enxertá-los novamente.


[1] Cf. Salmos XVIII,1

[2] Cf. Sabedoria VII,7

[3] Cf. São Mateus II,1-18

[4] Salmos II,10-11

[5] São Mateus II,5-6

[6] Cf. Efésios II,20

[7] Cf. Efésios II,17

[8] Cf. I Coríntios I,27

[9] Cf. São Mateus IX,13

[10] Cf. São Mateus II,4-6

[11] Cf. Salmos CXVII,22

[12] Cf. Romanos XI,5

[13] Cf. Efésios II,11-12

[14] Cf. Romanos XI,17-24


Traduzido por Ruan Gabriel a partir da versão espanhola de Pío de Luis, OSA, disponível em:

http://www.augustinus.it/spagnolo/discorsi/discorso_255_testo.htm

SUGESTÃO DE LEITURA

1. Propósito – A coragem de ser quem somos
Capa comum – 16 novembro 2016
Edição Português  por SriPrem Baba  (Autor)

POR QUE EXISTIMOS?

QUAL É A NOSSA MISSÃO DURANTE ESTA VIDA?

Em Propósito, Sri Prem Baba expande o diálogo amoroso a que sempre se propôs, abordando temas que têm a ver com os anseios mais íntimos do ser humano.

Aqui o leitor vai vislumbrar o horizonte de um trajeto precioso que o levará ao interior de si mesmo. Quando chegar ao seu destino, encontrará o Propósito de sua existência. Essa viagem será vigorosa, transformadora e única, mas poderá ser realizada com serenidade.

Sri Prem Baba é um mestre em ensinar o caminho do amor que renova os fundamentos da existência e pode alterar os rumos da vida pessoal e coletiva. O líder humanitário afirma que "não somos uma gota d'água no oceano", pois "o amor nos faz ser o próprio oceano". Também explica que a paisagem interna deverá ser esquadrinhada para que possamos discernir amorosamente qual é o nosso papel no mundo.

O livro está dividido em sete partes. Ao longo das seis primeiras, que tratam do nascimento à transcendência, o leitor encontrará as coordenadas para fazer a própria viagem interior. Na sétima, aprenderá as chaves práticas que vão guiar suas descobertas rumo ao despertar do amor.

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2. Até que sejamos um
Capa comum – 15 outubro 2021
Edição Português  por FrancisChan (Autor)

 

Se a unidade do Corpo de Cristo é tão essencial para Deus, por que somos o grupo religioso mais dividido do planeta? Até que sejamos um é a tentativa bem-sucedida de Francis Chan de explicar essa danosa contradição, além de revelar como essa trajetória nefasta pode e deve ser revertida.

O autor de Louco amor aponta como o povo de Deus tem falhado ao criar divisões pela ausência de uma postura cristocêntrica em relação ao próximo, em especial aos da família da fé. Mostra ainda o enfraquecimento da igreja ao ter de lidar com as próprias incoerências em detrimento de manter o foco na adoração a Deus.

Francis Chan pede que cristãos e igrejas em todo o mundo alinhem seu coração com Deus e levem a sério os numerosos mandamentos pela unidade. Seu alerta não está relacionado com questões doutrinárias, mas com a triste consequência de um cristianismo raso e com o amor superficial pelo próximo.

A boa notícia é que tanto o diagnóstico como a solução para esse grave problema podem ser encontrados nas Escrituras, daí o convite para crermos na Palavra e praticá-la.

Atualmente o mundo nos odeia não porque nos parecemos com Jesus, mas porque não nos parecemos. Somos arrogantes e há uma grave lacuna entre nossas crenças e ações.

Francis Chan

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