sábado, 5 de fevereiro de 2022

SEJA BEM-VINDO!

DOMINGO, 06 DE FEVEREIRO  DE 2022

5.º DOMINGO DO TEMPO COMUM -  ANO C

“Vamos lançar as redes para as águas mais profundas”(cf. Lc.5,5

OLÁ: PRA COMEÇO DE CONVERSA...

01- Liturgia do 5.º Domingo do Tempo Comum- ANO C

A Liturgia da Palavra deste 5º Domingo do Tempo Comum convida-nos a responder positivamente ao chamado de Jesus. Não devemos ter medo da missão que Ele nos confia, porque seremos preparados e enviados como nos diz a Palavra de Deus. É missão da Igreja lançar as redes em águas mais profundas a fim de viver com ardor o que Jesus nos mandou: o Reino de Deus que é justiça, amor e paz. Dia 11, memória de Nossa Senhora de Lourdes, é dia Mundial dos Enfermos. Rezemos em comunhão com os enfermos, com suas famílias e peçamos a Deus a graça da saúde para todos

As leituras da Missa de hoje referem-se às vocações de Isaías e de Pedro. Discernindo que é mesmo Deus que os chama, sentem-se indignos de tal vocação. É de homens assim humildes, que Deus se quer servir para a realização de Seus projetos.

Apesar da nossa indignidade, também cada um de nós é chamado a cooperar num projeto divino. Se o aceitarmos, Ele, nos purificará e com a nossa sempre pobre colaboração, fará obras maravilhosas, como só Ele pode e quer realizar.

02-  FEVEREIRO ROXO E LARANJA

 

Fevereiro Roxo - Lúpus, Fibromialgia e Mal de Alzheimer

A campanha surgiu em Uberlândia-MG no ano de 2014 para promover a conscientização, com o lema “Se não houver cura que, no mínimo, haja conforto”.

As três doenças têm características distintas e são incuráveis. As ações ressaltam a importância do diagnóstico precoce e o tratamento correto.

 

Fevereiro Laranja - Leucemia

A União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) criou em 2005 a campanha, já que dia 4 desse mês é a data do Dia Mundial do Câncer.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) essa doença maligna, que possui 12 tipos, é a 9ª mais comum em homens e a 11ª entre mulheres.

https://www.calendarr.com/brasil/cores-dos-meses/

03- ALGUMAS NOTÍCIAS:

Depois de um mês sem postar notícias no SB SABENDO BEM, destaco as seguintes:

Ø  As aulas foram retomadas no início deste mês de fevereiro na maioria dos Estados brasileiros.
Ø  A obrigatoriedade de vacina é antiga e eficaz, mas a politização minou adesões.
Ø  O número de pessoas infectadas voltou a crescer e os leitos dos hospitais estão lotados.
Ø  A média móvel de mortes por Covid voltou a superar 500; Brasil registrou 695 óbitos em 24h( 29/01- Segundo o G1).
Ø  O Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga prevê pico da ômicron em três semanas. A ômicron se espalha mais rapidamente, embora aos vacinados têm causado menos danos.
Ø  Médicos falam do arrependimento de não vacinados com quadro grave.
Ø  E a polêmica: vacinar ou não as crianças? Até agora não há uma adesão total. E se não forem vacinadas as crianças poderão ou não frequentar as Escolas?

04-  AGRADECIMENTOS

Meu filho Giovanni e eu estivemos de férias no Espírito Santo. Pelas fotos postadas no Facebook deu para ver onde estivemos, onde passamos. Infelizmente, não deu para visitar todos os familiares, porém, gostaria de fazer os meus agradecimentos a todos pela acolhida fraternal e carinhosa para comigo e o meu filho. Além dos familiares, visitamos os freis Agostinianos Recoletos de duas Paróquias: Nossa Senhora da Consolação e Nossa Senhora da Penha. Também fomos muito bem acolhidos. O nosso Muito Obrigado a todos!

SB SABENDO BEM DESTE DOMINGO E DESTA SEMANA


01-  OLÁ PRA COMEÇO DE CONVERSA

1.    Liturgia do 5.º Domingo do Tempo Comum-  Ano C;

2.    Fevereiro Roxo e Laranja;

3.    Algumas Notícias;

4.    Agradecimentos.

02- LEITURAS DA MISSA DO 5.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- C;

03-  LITURGIA DA SEMANA E DATAS COMEMORATIVAS;

04-  REFLEXÃO DOMINICAL I : “VAMOS LANÇAR AS REDES PARA AS ÁGUAS MAIS PROFUNDAS”;

05- REFLEXÃO DOMINICAL II: Is 6,1-2a.3-8; Sl137; 1Cor 15,1-11; Lc 5,1-11

06- NOSSA SENHORA DE LOURDES -11 de Fevereiro

07-  A EFICÁCIA DA MISERICÓRDIA (II);

08-  FEVEREIRO ROXO: VOCÊ JÁ OUVIU FALAR SOBRE O FEVEREIRO ROXO? ENTENDA SOBRE ESSA CONSCIENTIZAÇÃO!

09-  SOLIDARIEDADE: CONSIDERAÇÕES À LUZ DA ENCÍCLICA FRATELLI TUTTI DO PAPA FRANCISCO (I);

10-  HISTÓRIA INSPIRADORA- FÓRMULA 1: RAZÕES PARA SER FÃ DO CATÓLICO SERGIO PÉREZ;

11-  PARÁBOLAS PARA UMA CATEQUESE DE ATITUDE. O EXEMPLO DO BOM SAMARITANO (Lc 10,25-37);

12-  SANTO AGOSTINHO: 10 SÁBIAS CITAÇÕES DE SANTO AGOSTINHO PARA SUA REFLEXÃO;

13-  SUGESTÃO DE LEITURA:

1.    As Parábolas de Jesus para Catequistas (Pe. José Carlos Pereira, CP).

2.    Por onde for o teu passo, que lá esteja o teu coração ( Pe. Fábio De Melo).

Caro(a) Leitor(a) amigo(a):

O meu abraço fraterno e uma ótima semana a todos!

ACESSE SEMPRE O BLOG: sbsabendobem.blogspot.com e divulgue aos seus amigos, conhecidos e contatos nas redes sociais. Comente, faça sugestões. Agradeço!

Escreva para: sbsabendobem@gmail.com

 

QUANDO CUIDO DE MIM, CUIDO DE VOCÊ TAMBÉM!
# VACINAR É UM ATO DE AMOR!


LEITURAS DA MISSA

5º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO C

Primeira Leitura

Comentário:  Isaías, apesar de se sentir indigno do chamamento de Deus, que o levou a ficar como que estarrecido perante a grandeza de Deus e a sua pequenez, confiou no chamamento e aceitou o que o Senhor lhe pediu, respondendo: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

Isaías 6, 1-2a.3-8

1No ano em que morreu Ozias, rei de Judá, vi o Senhor, sentado num trono alto e sublime; a fímbria do seu manto enchia o templo. 2aÀ sua volta estavam serafins de pé, que tinham seis asas cada um 3e clamavam alternadamente, dizendo: «Santo, santo, santo é o Senhor do Universo. A sua glória enche toda a terra!» 4Com estes brados as portas oscilavam nos seus gonzos e o templo enchia-se de fumo. 5Então exclamei: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros, moro no meio de um povo de lábios impuros e os meus olhos viram o Rei, Senhor do Universo». 6Um dos serafins voou ao meu encontro, tendo na mão um carvão ardente que tirara do altar com uma tenaz.7Tocou-me com ele na boca e disse-me: «Isto tocou os teus lábios: desapareceu o teu pecado, foi perdoada a tua culpa». 8Ouvi então a voz do Senhor, que dizia: «Quem enviarei? Quem irá por nós?» Eu respondi: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».
– Palavra do Senhor – Graças a Deus!

Salmo Responsorial

 

Sl 137 (138), 1-2a.2bc-3.4-5.7c-8 (R. 1c)

 

Comentário: É um ato de justiça o louvor que todo o ser deve dar ao Senhor. Os homens e os anjos, mais do que ninguém, o devem fazer, pois são as únicas criaturas que O conhecem.

 

Refrão:   NA PRESENÇA DOS ANJOS EU VOS LOUVAREI, SENHOR.

 

De todo o coração, Senhor, eu Vos dou graças,

porque ouvistes as palavras da minha boca.

Na presença dos Anjos Vos hei-de cantar

e Vos adorarei, voltado para o vosso templo santo.

 

Hei-de louvar o vosso nome pela vossa bondade e fidelidade,

porque exaltastes acima de tudo o vosso nome e a vossa promessa.

Quando Vos invoquei, me respondestes,

aumentastes a fortaleza da minha alma.

 

Todos os reis da terra Vos hão-de louvar, Senhor,

quando ouvirem as palavras da vossa boca.

Celebrarão os caminhos do Senhor,

porque é grande a glória do Senhor.

 

A vossa mão direita me salvará,

o Senhor completará o que em meu auxílio começou.

Senhor, a vossa bondade é eterna,

não abandoneis a obra das vossas mãos.

 

Segunda Leitura *

 

Comentário: A certeza da ressurreição de Jesus, facto testemunhado pelos Apóstolos e por mais de quinhentos irmãos, é fundamento da nossa fé.

 

* O texto entre parêntesis pertence à forma longa e pode ser omitido.

 

1 Coríntios Cor 15, 1-11; forma breve: 1 Coríntios 15, 3-8.11

 

[1Recordo-vos, irmãos, o Evangelho que vos anunciei e que recebestes, no qual permaneceis 2e pelo qual sereis salvos, se o conservais como eu vo-lo anunciei; aliás teríeis abraçado a fé em vão.]

3Transmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, 4segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, 5e apareceu a Pedro e depois aos Doze. 6Em seguida apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maior parte ainda vive, enquanto alguns já faleceram. 7Posteriormente apareceu a Tiago e depois a todos os Apóstolos. 8Em último lugar, apareceu-me também a mim, como o abortivo.

[9Porque eu sou o menor dos Apóstolos e não sou digno de ser chamado Apóstolo, por ter perseguido a Igreja de Deus. 10Mas pela graça de Deus sou aquilo que sou e a graça que Ele me deu não foi inútil. Pelo contrário, tenho trabalhado mais que todos eles, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo. Por conseguinte,] 11tanto eu como eles, é assim que pregamos; e foi assim que vós acreditastes.

– Palavra do Senhor- Graças a Deus!

 

Aclamação ao Evangelho (Mt 4,19)   

       

Comentário:  O discernimento da nossa vocação passa por escutar e seguir a Palavra de Deus. Dessa opção livre e voluntária, depende a felicidade terrena e eterna de tantos homens. Como é importante cumprir a vontade de Deus!

 

ALELUIA

Vinde comigo, diz o Senhor, e farei de vós pescadores de homens.


Evangelho: Lc 5,1-11

Naquele tempo, 1estava a multidão aglomerada em volta de Jesus, para ouvir a palavra de Deus. Ele encontrava-Se na margem do lago de Genesaré 2e viu dois barcos estacionados no lago. Os pescadores tinham deixado os barcos e estavam a lavar as redes. 3Jesus subiu para um barco, que era de Simão, e pediu-lhe que se afastasse um pouco da terra. Depois sentou-Se e do barco pôs-Se a ensinar a multidão. 4Quando acabou de falar, disse a Simão: «Faz-te ao largo e lançai as redes para a pesca». 5Respondeu-Lhe Simão: «Mestre, andámos na faina toda a noite e não apanhámos nada. Mas, já que o dizes, lançarei as redes». 6Eles assim fizeram e apanharam tão grande quantidade de peixes que as redes começavam a romper-se. 7Fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco para os virem ajudar; eles vieram e encheram ambos os barcos de tal modo que quase se afundavam. 8Ao ver o sucedido, Simão Pedro lançou-se aos pés de Jesus e disse-Lhe: «Senhor, afasta-Te de mim, que sou um homem pecador». 9Na verdade, o temor tinha-se apoderado dele e de todos os seus companheiros, por causa da pesca realizada. 10Isto mesmo sucedeu a Tiago e a João, filhos de Zebedeu, que eram companheiros de Simão. Jesus disse a Simão: «Não temas. Daqui em diante serás pescador de homens». 11Tendo conduzido os barcos para terra, eles deixaram tudo e seguiram Jesus.

– Palavra da Salvação – Glória a Vós, Senhor!

LITURGIA DA SEMANA E DATAS COMEMORATIVAS


LITURGIA DA SEMANA: DE 07/02 A 13 DE FEVEREIRO DE 2022

7- 2ª 1Rs 8,1-7.9-13 / Sl 131(132) / Mc 6,53-56 – Cinco Chagas do Senhor.

8- 3ª 1Rs 8,22-23.27-30 / Sl 83(84) / Mc 7,1-13- São Jerônimo Emiliano.

9- 4ª 1Rs 10,1-10 / Sl 36(37) / Mc 7,14-23

10-  5ª 1Rs 11,4-13 / Sl 105(106) / Mc 7,24-30 –Santa Escolástica, virgem.

11- 6ª 1Rs 11,29-32; ou Is 66,10-14c / Sl 80(81) / Mc 7,31-37 ou Jo 2,1-11 - Nossa Senhora de Lourdes .

12-Sáb.: 1Rs 12,26-32; 13,33-34 / Sl 105(106) / Mc 8,1-10- Santa Eulália de Barcelona, virgem e mártir.

13-DOM.: 6.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO C: Jr 17,5-8;Sl 1; 1Cor 15,12.16-20; Lc 6,17.20-26. –Beata Cristina de Spoleto(Santoral Agostiniano).

DATAS COMEMORATIVAS: DE 07/02 A 13 DE FEVEREIRO DE 2022

07- Dia do Gráfico.
08- Dia do Magistério Militar.
09- Dia da Internet segura.
10-Dia do Atleta Profissional, Dia Mundial das Leguminosas.
11- Dia do Zelador, Dia Mundial do Enfermo, Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.
12- Dia de Darwin.
13-Dia Mundial do Rádio e Dia do Serviço de Assistência Religiosa do Exército.

REFLEXÃO DOMINICAL I

“Vamos lançar as redes para as águas mais profundas”(cf. Lc.5,5)

Padre Wagner Augusto Portugal.

Meus queridos Irmãos,

Vamos caminhando adentro do tempo chamado comum ou cotidiano: Deus se realiza na história e nos convida a avançar para as águas mais profundas. Neste quinto domingo do Tempo Comum nós somos convidados a refletir sobre a nossa vocação cristã, a vocação que Jesus nos convida a sermos pescadores de homens.

A Primeira Leitura (cf. Is. 6,1-2a.3-8) nos apresenta a vocação de Isaías, resumida em uma palavra – PRONTIDÃO. Ao adorar no Templo, Isaías experimenta a presença do Deus inacessível (6,1-4) e toma consciência de sua impureza diante do Sagrado (6,5). Mas Deus o purifica (6,6-7), para lhe conferir sua missão, que Isaías prontamente aceita (6,8). Por amor de Deus, terá que dirigir palavras duras ao povo do meio do qual ele é chamado.

Da primeira leitura nós podemos concluir que cada um de nós, como batizados, temos um itinerário de vocação: de muitas formas Deus entra na nossa vida, nos desafia para a missão, pede uma resposta positiva à sua proposta.

A missão que Deus propõe está, frequentemente, associada a dificuldades, a sofrimentos, a conflitos, a confrontos… Por isso, é um caminho de cruz que, às vezes, procuramos evitar. Nesse sentido é preciso ter consciência, também, que as minhas limitações e indignidades muito humanas não podem servir de desculpa para realizar a missão que Deus quer me confiar: se Ele me pede um serviço, dar-me-á a força para superar os meus limites e para cumprir o que Ele me pede. O Profeta Isaías aceita o envio, ainda antes de saber, em concreto, qual é a missão. É o exemplo de quem arrisca tudo e se dispõe, de forma absoluta, para o serviço de Deus.

Jesus hoje não está na sinagoga. Seu afastamento da sinagoga não significa rompimento, mas alargamento. A sinagoga era sectária, isto é, reservada aos observantes da lei de Moisés. Para o Evangelista São Lucas, Jesus viera trazer uma mentalidade e uma espiritualidade universalista. Assim Lucas coloca Jesus fora da sinagoga pregando em praças, em estradas, nas praias, etc.

Todos os elementos estão presentes no Evangelho de hoje (cf. Lc. 5,1-11): a terra, o mar, o céu aberto, a multidão, os indivíduos com seus nomes, a pregação, o trabalho, o fracasso, a confiança, a abundância, a presença do Senhor, a presença de um homem pecador, o medo, a admiração, o tempo presente, o tempo futuro, a partilha do trabalho apostólico e a derrota de Satanás. Jesus não só prega sobre as ondas, isto é, sentado com poder sobre os demônios, mas faz a pesca milagrosa, mostrando poder também nas profundezas, aonde apenas chegava a fantasia popular.

Lucas coloca Jesus escolhendo Pedro para a pregação. Neste episódio Lucas relembra o doce convite de Jesus: “Vamos lançar as redes para as águas mais profundas” (cf. Lc.5,5).  O que significa isso, lançar as redes para as águas mais profundas? Significa que todos nós somos convidados a evangelizar, a evangelizar com renovado ardor missionário em que todos os homens e mulheres devem deixar o seu comodismo e dar testemunho do Senhor Ressuscitado.

Jesus pregou a multidão a PALAVRA DE DEUS. A Palavra é o próprio Jesus. Jesus, por iniciativa própria, escolhe alguns para participarem de sua missão. Ninguém é presbítero por vontade própria, mas por chamado e mandato de Nosso Senhor Jesus Cristo. Assim acontece com os religiosos, com as religiosas, com os consagrados e com todos aqueles que se dedicam ao seguimento de Jesus.

Jesus escolhe seus discípulos e os envia para serem “pescadores de homens”. Os escolhidos para a missão eram pescadores. Porão sua experiência humana a serviço de uma missão divina, como Jesus pusera sua divindade a serviço de uma missão humana, na peregrinação neste vale de lágrimas.

O que é ser pescadores de homens? Precisa de santidade? Precisa de ciência? Isso, evidentemente, ajuda e vem com o tempo. Mas as condições para ser pescadores de homens são duas:

1. Uma confiança inabalável em Jesus. Uma confiança como aquela de Pedro, que exausto da pesca, da falta de peixe, confiou em Jesus e a barca transbordou de pesca depois da confiança no Redentor. Confiança que todos nós devemos ter sempre e em todas as circunstâncias, é uma qualidade do apóstolo do Senhor.

2. A segunda condição vem do reconhecimento da divindade de Cristo. Quando Pedro se ajoelha e reconhece a sua pequenez, a sua nulidade, o seu estado de pecador você adere e se abre para a graça santificante de Deus. O discípulo de Jesus não pode ser orgulhoso, ao contrário, deve ser humilde, generoso e amigo. Irmão no meio dos irmãos a serviço da comunidade de fiéis. O apóstolo tem que ter consciência de que a seara não lhe pertence, mas que nela é um trabalhador vocacionado, um servidor. Essa humildade de reconhecer-se, apesar da inteligência, do jeito e da experiência, mero cooperador de Deus, é também condição fundamental para o verdadeiro apostolado. O apóstolo é um prolongamento de Jesus. A palavra pertence a Jesus, mesmo quando pronunciada pelo apóstolo. As mãos eram de Pedro, as redes eram de Pedro, a barca era de Pedro, o trabalho foi de Pedro, mas o milagre foi e é de Jesus. Junto a isso temos que ter na vida de comunidade e de trabalho apostólico a edificação da comunidade, do trabalho coletivo, do trabalho em benefício da comunidade.

Devemos tomar consciência de que nosso caminho é feito no barco de Jesus, ou, às vezes, embarcamos em outros projetos onde Jesus não está e fazemos deles o objetivo da nossa vida.

Por isso somos instados a deixar que Jesus viaje conosco. Por isso ao longo da viagem, devemos ser sensíveis às palavras e propostas de Jesus. Com segurança da fé as suas indicações são para nós sinais obrigatórios a seguir, quando reconhecemos que Jesus é “o Senhor” que preside à nossa história e a nossa vida, em que o centro do qual constituímos nossa existência está no Senhor. Chamados a ser “pescadores de homens”, temos por missão combater o mal, a injustiça, o egoísmo, a miséria, tudo o que impede os homens nossos irmãos de viver com dignidade e de ser felizes.

A Segunda Leitura (cf. 1Cor 15,1-11 ou 15,3-8.11) apresenta o Evangelho de Paulo: a Ressurreição de Cristo. Este trecho paulino é a fórmula mais antiga do querigma cristão, o anúncio de Cristo morto e ressuscitado. Paulo inclui-se na lista das testemunhas, pois ele também viu o Senhor glorioso, no caminho de Damasco. Na fé da ressurreição baseia-se toda a esperança da vida cristã. A Segunda Leitura é ligada ao Evangelho na transformação da vocação, ou melhor, o encontro com Cristo opera nas pessoas. Pode-se propor esta ideia para a aplicação pessoal na vida de cada um. Pois não é preciso fazer parte da hierarquia para receber tal vocação transformadora. Transformadora, não só da gente, mas também do mundo em que a gente vive. A ressurreição de Cristo garante-nos que não há morte para quem aceita fazer da sua vida uma luta pela justiça, pela verdade, pelo projeto de Deus.

Qual é o conteúdo da missão dos apóstolos? A segunda leitura explicita a nossa indagação: o anúncio de Cristo morto e ressuscitado. Olhem só como Paulo, o apostolo dos gentios, assume essa missão com toda a força. Para pescar na empresa de Jesus precisamos de transmitir o que recebemos a seu respeito, a mensagem de sua vida, morte e ressurreição. Esta é o núcleo central do apóstolo, da missão, da pastoral. Mas, para sermos escutados, talvez devamos abordar o assunto por um outro lado, mais próprio da situação das pessoas. De todas as maneiras devemos chegar a comunicar que Jesus por sua vida e morte nos mostrou quem é Deus e qual é o sentido de nossa vida e da nossa história: amou até o fim, dom de vida. Transmitir isso é o que se chama “tradição” cristã, a memória de Cristo que devemos manter viva na história e na comunidade.

Rezemos, pois, para que em cada missa a comunidade crista se sinta convidada a realizar uma intensa experiência de Deus para que, em seguida, participe da missão libertadora de Cristo, Jesus. Daí os momentos de profunda adoração em forma de doxologia, como os pórticos de entrada nas diversas partes da Missa. Assim Jesus nos dirá; “Não tenhais medo. Ide também vós e preparai os corações das pessoas para a minha chegada. Amém!”.

https://catequizar.com.br/liturgia/homilia-do-5o-domingo-do-tempo-comum-c/

REFLEXÃO DOMINICAL II

- A liturgia deste domingo leva-nos a refletir sobre a nossa vocação: somos todos chamados por Deus e d'Ele recebemos uma missão para o mundo.

- Na primeira leitura, encontramos a descrição do chamamento de um profeta: Isaías. E aqui, ele quer deixar claro que sua vocação é obra do Senhor por que o profeta tem consciência dos seus limites e sua indignidade. Mas Deus o chama para uma missão. De uma forma simples e questionadora, apresenta-se o modelo de um homem que é sensível aos apelos de Deus e que tem a coragem de aceitar ser enviado. A "purificação" sugere que a indignidade e a limitação não são impedimentos para a missão: a eleição divina dá ao profeta autoridade, apesar dos seus limites humanos. Chama-nos a atenção que, Isaías se oferece ainda sem saber qual a missão que lhe será confiada. Manifesta, dessa forma, a sua disponibilidade absoluta para o serviço de Deus. - O mesmo acontece com cada um de nós em nossa história vocacional: de muitas formas Deus entra em nossa vida, chama-nos para a missão e nos pede uma resposta positiva ao seu chamado. Temos consciência de que Deus nos chama. Estamos atentos aos sinais que Ele semeia na nossa vida e através dos quais Ele nos diz o que quer de nós?

- No Evangelho, Lucas apresenta um grupo de discípulos que partilharam a barca com Jesus, que acolheram sua proposta e souberam reconhecê-lo como seu "Senhor". Aceitaram o convite para serem "pescadores de homens" e deixaram tudo para seguir Jesus. Neste quadro, reconhecemos o caminho que os cristãos são chamados a percorrer, ou seja, ser cristão é estar com Ele na barca, escutar sua proposta e fazer o que Ele diz: cumprir as suas indicações e lançar as redes. Isso requer uma confiança incondicional. Ser cristão é reconhecer Jesus como Senhor e aceitar a missão confiada a nós: ser pescadores de homens. O que exige de nós um despojamento, ou seja, deixar tudo para seguir o mestre.

- A segunda leitura propõe-nos refletir sobre a ressurreição: trata-se de uma realidade que deve dar forma à vida do discípulo e levá-lo a enfrentar sem medo as forças da injustiça e da morte. Nós, cristãos, ressuscitaremos um dia, porque Cristo já ressuscitou. O Ressuscitado fez-se presente na vida dos apóstolos e, como tal, converteu-se em motivo da pregação e da fé. Falar da ressurreição de Jesus, não é falar de um fato apenas histórico, mas de um fato que ultrapassa a explicação e torna-se um dado de fé. Ela aconteceu e tem eficácia até hoje, porque continua convertendo em homens novos todos os que aceitam o projeto de Deus. Somos convidados a continuar com nossas vidas o testemunho da ressurreição de Cristo e sua ação libertadora.

http://diocesedesaomateus.org.br/wp-content/uploads/2021/12/06_02_22.pdf

NOSSA SENHORA DE LOURDES -11 de Fevereiro

- Foi no ano de 1858 que a Virgem Santíssima apareceu, nas cercanias de Lourdes, França, na gruta Massabielle, a uma jovem chamada Santa Marie Bernard Soubirous ou Santa Bernadete. Essa santa deixou por escrito um testemunho, que entrou para o ofício das leituras do dia de hoje.

- “Certo dia, fui com duas meninas às margens do Rio Gave buscar lenha. Ouvi um barulho, voltei-me para o prado, mas não vi movimento nas árvores. Levantei a cabeça e olhei para a gruta. Vi, então, uma senhora vestida de branco; tinha um vestido alvo com uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa de ouro em cada pé, da cor do rosário que trazia com ela. Somente na terceira vez, a Senhora me falou e perguntou-me se eu queria voltar ali durante quinze dias. Durante quinze dias lá, voltei; e a Senhora apareceu-me todos os dias, com exceção de uma segunda e uma sexta-feira. Repetiu-me, várias vezes, que dissesse aos sacerdotes para construir, ali, uma capela. Ela mandava que fosse à fonte para lavar-me e que rezasse pela conversão dos pecadores. Muitas e muitas vezes perguntei-lhe quem era, mas ela apenas sorria com bondade. Finalmente, com braços e olhos erguidos para o céu, disse-me que era a Imaculada Conceição”.

- Maria, nessa aparição, pediu o essencial para a nossa felicidade: a conversão para os pecadores. Ela pediu que rezássemos pela conversão deles com oração, conversão, penitência. Isso aconteceu após 4 anos da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição.

Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós!

https://santo.cancaonova.com/santo/nossa-senhorade-lourdes/

OREMOS: Ó Virgem puríssima, nossa Senhora de Lourdes, que vos dignastes aparecer a Bernadete, no lugar solitário de uma gruta, para nos lembrar que é no sossego e recolhimento que Deus nos fala e nós falamos com Ele, ajudai-nos a encontrar o sossego e a paz da alma que nos ajude a conservar-nos sempre unidos em Deus. Nossa Senhora da gruta, dai-me a graça que vos peço e tanto preciso: (pedir a graça). Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós. Amém!

(Oração do site:
https://www.a12.com/jovensdemaria/artigos/crescendo-na-fe/reze-essa-oracao-poderosa-anossa-senhora-de-lourdes).

A EFICÁCIA DA MISERICÓRDIA (II)

Por Luiz Alexandre Solano Rossi (*)

  1. A radicalidade do desafio de Jesus (Continuação...)

Com a frase, “mas eu digo a vocês, que estão me escutando”, Lucas inicia uma nova seção no discurso (6,27-36). Estamos diante de uma frase de extrema importância porque, de certa forma, ela ressoa nos versos 18 e 47. Para Lucas, escutar e transformar parecem como irmãos siameses que não podem ser separados. O imperativo de Jesus é dirigido a todos quantos ouvem – tanto no passado quanto no presente − a sua voz. O discípulo tem o dever, portanto, de estar bem atento à palavra de Deus. E escutar não é fácil, principalmente as palavras de Jesus, que exigem transformação. Não é possível ouvir Jesus e continuar do mesmo modo.


            “Amai os vossos inimigos” está sintetizado nos versos 27 e 28 e encerram 4 mandamentos de Jesus: amar, fazer o bem, bendizer, orar. Devemos nos lembrar de que em 6,22 são descritos 4 ultrajes. Nesse sentido, o autor do texto cria um belo equilíbrio. Encontramos praticidade nas palavras/conselhos. Não é suficiente ser um ótimo teórico. O primeiro mandamento, por exemplo, amar os inimigos – não se encontra isolado e de forma absoluta. Afinal, se assim fosse poderíamos até mesmo perguntar: mas como? De que maneira deveríamos amar? Não basta saber o que fazer, é necessário saber fazer e, por isso, a práxis da misericórdia é apresentada da seguinte maneira: fazendo o bem, bendizendo e orando. Não há dúvida de que o verdadeiro discípulo de Jesus somente se revela na prática. A intuição de Bovon (1995, p. 445) é espetacular: “quando amamos a nossos inimigos, eles deixam de ser nossos inimigos”.


            Jesus intima seus seguidores a dar testemunho da abertura mais radicalmente humana e do mais vivo interesse pelos próprios inimigos. Exige, portanto, de seus discípulos algo que vai muito mais além das relações costumeiras e cordiais do dia a dia. Exige, por isso, uma benevolência ativa, desinteressada e extraordinária justamente com as pessoas que se apresentam como seus oponentes. Afinal, todos esperariam relações e expressões de carinho e de amor entre membros da mesma família e entre marido e mulher. Jesus nos ajuda a ver para além das fronteiras que criamos para que outras pessoas não possam entrar e nos incomodar. Barreiras que impedem outros de viver não são criações apenas de países ricos na tentativa de impedir todos aqueles que, segundo a mentalidade e política imperial, são inapropriados e indignos de viver junto. Barreiras também são construídas por cada ser humano quando ele não é capaz de misericordiosamente romper com os fantasmas que o assombram. No entanto, a exigência de Jesus não é abusiva. Ele é o reflexo mais cristalino da realidade divina: “tudo nele fala de misericórdia. Nele, nada há que seja desprovido de compaixão” (MV, n. 8).


            “Façam o bem a quem odeia vocês”, “bendizei os que os maldizem” são expressões que causam estremecimento e pavor em nossos corpos. Exigem muito mais do que pensávamos. Certamente o caminho do discipulado não é tão fácil como imaginávamos. Um caminho que se apresenta contracultural e que procura mudar não somente as relações que temos e mantemos uns com os outros, mas, principal e primeiramente, mudar essencialmente quem somos.


            A regra dos essênios em Qunram, por exemplo, aconselhava a bendizer tão somente os membros da própria comunidade – que eram chamados de filhos da luz – e maldizer todos aqueles que não faziam parte do grupo ou que ainda haviam abandonado o grupo – chamados de filhos das trevas.  Uma sociedade dividida, portanto, entre os que eram e os que não eram; entre os que tinham direito e os que não tinham; uma sociedade dividida entre os de dentro e os de fora; para uns havia a benção e para os outros – todos os outros – restava apenas a maldição. Nessa sociedade dominada por fronteiras, o outro será sempre nosso mortal inimigo. Nesse mundo, a misericórdia estará sempre do lado de fora dos muros!


            As palavras de Jesus devem sempre ser lidas em contraste e inculcam uma atitude diametralmente oposta. Fitzmeyer (1987, p. 611) afirma que “não basta a aceitação passiva da maldição pronunciada pelo inimigo; é preciso responder com uma atuação positiva de benção”. Encontramos eco desse tipo de comportamento requerido por Jesus em outros textos da Bíblia: Rm 12,14; 1Cor 4,12; 1Pd 2,23.


            Os mandamentos dos versos 29 e 30 desconstroem e deslegitimam a velha regra de Talião (Ex 21,24; Lv 24,30; Dt 19,21). Já o verso 30 – “a todo que lhe pede, dá” – é uma verdadeira chamada à renúncia ao próprio interesse, e não admite restrições (Fitzmeyer, p. 613). Perante a necessidade de uma pessoa, o discípulo de Jesus não pode adotar uma atitude de reserva interessada. Mesmo num texto muito antigo como esse é possível verificar como ele lança luzes sobre a nossa realidade. Afinal, como viver o princípio da misericórdia numa sociedade que nos ensina a consumir e a acumular cada vez mais? Parece que a expressão “renúncia” não costuma fazer parte do vocabulário do cristão. No melhor dos cenários, iremos dar a partir do momento em que tivermos o suficiente. Mas como corremos cada vez mais atrás do que é supérfluo, o suficiente jamais se apresenta e, com isso, jamais temos alguma coisa para renunciar.


            Nos versos 31 e 35, estamos diante de uma fórmula de reciprocidade. “Tratem as pessoas como vocês gostariam que elas tratem vocês” é uma formulação de Lucas da chamada regra de ouro (cf. Mt 7,12). Mas não podemos pensar em mera reciprocidade. O amar a si mesmo não deve ser a única e suprema pauta de comportamento para o discípulo; esse é de fato o conteúdo implícito da máxima. Assim, a tríplice manifestação do serviço traduzida nas palavras “amai, ajudai e emprestai” resume o serviço que supera os limites de uma resposta de contornos apenas recíproca.


            O itinerário chega ao seu ápice no verso 36. A fórmula de Lucas, diferentemente daquela de Mateus (5,48: “sejam perfeitos”), radicaliza a máxima ao colocá-la no imperativo, ou seja, um mandato, ao mesmo tempo em que a expressa em termos de misericórdia. Lucas provavelmente traz uma ressonância de Lv 19,2: “Sede santos, porque eu, o Senhor, vosso Deus, sou Santo”. Propõe-se uma imitação de Deus e, precisamente, de uma qualidade que, no Antigo Testamento, se atribui frequentemente a Deus. E, de acordo com Fitzmeyer (1995, p. 617), em todo o Antigo Testamento jamais se aplica o adjetivo “perfeito” ou seu sinônimo “imperfeito”; porém, se diz que Ele é misericordioso (Ex 34,6; Dt 4,31; Jl 2,13; Jn 4,2).


O verso 36 se apresenta como aquele que anula as armas da violência, pois resume a eficácia da misericórdia. Trata-se do final de um itinerário. Vejamos:


Amar

Inimigos

Fazer o bem

Odiar

Falar bem

Falar mal

Rezar

Caluniar

Oferecer a face

Bater na face

Entregar a túnica

Tirar o manto

Dar algo

Pedir algo

Não pedir de volta

Pegar o que não é seu


Numa única expressão, é possível perceber a necessidade de quebrar com a espiral de violência a partir de gestos concretos que anulem e inviabilizem a cultura da violência. Um texto que mostra um ideal a ser alcançado, ou seja, as relações do cotidiano precisam ser permeadas de misericórdia. E a fonte dessa misericórdia se encontra unicamente em Deus e, por isso, precisamos imitá-lo. Por causa dele, a misericórdia será sempre maior do que qualquer pecado e, consequentemente, ninguém terá condições de colocar um limite ao amor de Deus que perdoa. Devemos pensar sempre que os limites se encontram no ser humano que deseja construir fronteiras que o separem de todos quantos ele considera pecador, impuro e inconveniente. Todavia, essas fronteiras são criadas pelo próprio ser humano, e não por Deus. Limites são artificiais e o amor misericordioso, divino.


A que distância nos encontramos da misericórdia? Possivelmente ela se tornou um produto raro em nossos dias. A convocação do ano da misericórdia, pelo Santo Padre, pode muito bem ser uma confirmação desse distanciamento. Quando nos afastamos demasiadamente daquilo que deveria fazer parte da nossa vida – “misericórdia é a lei fundamental que mora no coração de cada pessoa” (MV, n. 2) −, é necessário que alguém indique a direção a seguir a fim de retomar o caminho. A impressão primeira que fica é que nos tornamos uma igreja e discípulos de Jesus com muita teoria e pouca prática. Se Jesus Cristo é o rosto da misericórdia e revelador da misericórdia do Pai, qual a distância que nos encontramos de Jesus? E, não menos importante, qual a distância em que nos encontramos uns dos outros? Principalmente daqueles mais fragilizados?


            Misericórdia exige atitude. É sempre algo mais do que o discurso. Na verdade, as pessoas já não querem mais nossas palavras; elas desejam pessoas que sejam sinal eficaz do agir de Deus. Pelos frutos seremos conhecidos, e não pelos nossos belos discursos. Somente se em nossa prática refletirmos a ação de Deus é que poderemos ser considerados eficazes. Muitos discursos possuem uma bela estrutura, mas não apresentam conteúdo. Claro está que a misericórdia não é algo que se inicia e finaliza em Deus; não é algo exclusivo de Deus e limitado a apenas sua ação. Não somente Deus age de forma misericordiosa. A misericórdia há de se tornar o critério por excelência para indicar quem são os verdadeiros filhos de Deus, assim como também o critério de credibilidade da nossa fé. E segundo Stoger (1979, p. 198), “é misericordioso aquele que se deixa afetar pela miséria do homem, aquele que está aberto à necessidade alheia e presta ajuda onde se encontra alguém oprimido por um peso”.


            A misericórdia de Deus é expressa em gestos concretos e sempre prevalece sobre um possível ideário de destruição. Portanto, não é uma ideia abstrata. A misericórdia se insere no cotidiano e, a partir do cotidiano, revela a face de Deus. Por isso, o refrão do Salmo 136 – “eterna é a sua misericórdia” – que acompanha a narração da história da revelação de Deus na vida do povo do Antigo Testamento, é um convite para integrarmos a misericórdia de Deus também em nossa história.

 

Conclusão

 

Dom Oscar Romero disse, em 04/12/1977, de forma acertada: “uma religião de missa dominical, mas de semanas injustas, não agrada ao Deus da vida. Uma religião de muita reza, mas de hipocrisias no coração, não é cristã. Uma igreja que instala só para estar bem, para ter muito dinheiro, muita comodidade, porém que não ouve os clamores das injustiças, não é verdadeira igreja de nosso Divino Redentor”. Uma fé que se estabelece de forma pública e que procura, exatamente por isso, se afirmar como uma contracultura (sociedade alternativa) a um ambiente marcado por relações econômicas e políticas predatórias. Mutualidade e relações não predatórias configurariam uma nova forma de ordenamento social, bem como de vivência da fé. A injustiça não é sagrada. Os fragilizados passam a ser percebidos como resíduos e, com isso, perdem até mesmo sua condição humana. Se vivemos uma cultura da indiferença e nos tornamos incapazes de nos compadecer e de ouvir os clamores dos pobres, se o drama deles já não extrai lágrima de nossos olhos, se evitamos caminhar na mesma rua que eles, jamais podemos nos esquecer de que Deus ouve o clamor dos pobres.


            Mas, entre a simultaneidade de conversões, isto é, interna e externa, quais poderiam ser os sinais eficazes da misericórdia de Deus?


– Uma ação pastoral permeada de ternura;

– Consciência de ser instrumento de perdão;

– Atitude proativa para não se deixar cair na indiferença;

– Atenção às necessidades das pessoas;

– Uma compreensão de que Jesus jamais olhou primeiramente para o pecado das pessoas, e sim para o seu sofrimento.

 

Bibliografia

 

BONINO, J. M. The Struggle of the Poor and Church. Ecumenical Review. Vol. XXVII, n. 1, p. 44, jan. 1975.

BOVON, F. El Evangelio segun Lucas. Lc 1-9. Vol. 1. Salamanca: Sigueme, 1995

FITZMEYER, J. A. El Evangelio segun Lucas. Vol. II. Traduccion y Comentario. Capítulos 1-8,21. Madri: Cristiandad, 1987.

PAPA FRANCISCO. Misericordiae Vultus. O rosto da misericórdia. Bula de proclamação do jubileu extraordinário da misericórdia. São Paulo: Paulinas, 2015.

SICRE, J. L. Justiça social nos profetas. São Paulo: Paulinas, 1990.

STOGER, A. El Evangelio segun Lucas. Vol. 1. Barcelona: Herder, 1979.

 

Luiz Alexandre Solano Rossi

Doutor em Ciências da Religião pela UMESP e pós-doutor em História Antiga pela UNICAMP e em Teologia pelo Fuller Theological Seminary. É professor no mestrado e doutorado em Teologia da PUCPR e coordenador da graduação em Teologia da PUCPR. E-mail: luizalexandrerossi@yahoo.com.br

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