sexta-feira, 1 de setembro de 2023

OLÁ! PRA COMEÇO DE CONVERSA.

 

 

OLÁ! PRA COMEÇO DE CONVERSA.

Sejam bem-vindos amados irmãos e irmãs!

A liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum convida-nos a descobrir a “loucura da cruz”: o acesso a essa vida verdadeira e plena que Deus nos quer oferecer passa pelo caminho do amor e do dom da vida (cruz).

E Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que devia ir a Jerusalém, e sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos doutores da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar ao terceiro dia. Então Pedro levou Jesus para um lado, e o repreendeu, dizendo: Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isso nunca te aconteça! Jesus, porém, voltou-se para Pedro, e disse: Fique longe de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim, porque não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens!

Então Jesus disse aos discípulos: Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz, e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perde a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. Com efeito, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que um homem pode dar em troca da sua vida?  Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a própria conduta

 

Pedro é estabelecido como o fundamento da comunidade que Jesus está organizando e que deverá continuar no futuro. Jesus concede a Pedro o exercício da autoridade sobre essa comunidade, autoridade de ensinar e de excluir ou introduzir os homens nela. Para que Pedro possa exercer tal função, a condição fundamental é ele admitir que Jesus não é messias triunfalista e nacionalista, mas o Messias que sofrerá e morrerá na mão das autoridades do seu tempo. Caso contrário, ele deixa de ser Pedro para ser Satanás. Pedro será verdadeiro chefe, se estiver convicto de que os princípios que regem a comunidade de Jesus são totalmente diferentes daqueles em que se baseiam as autoridades religiosas do seu tempo.


A morte de cruz era reservada a criminosos e subversivos. Quem quer seguir a Jesus esteja disposto a se tornar marginalizado por uma sociedade injusta (perder a vida) e mais, a sofrer o mesmo destino de Jesus: morrer como subversivo (tomar a cruz).

 

 

FRANCISCANOS.ORG

 

https://www.catequistasemformacao.com/2017/09/homilia-22-domingo-do-tempo-comum.html

- A liturgia deste domingo nos convida a descobrir a "loucura da cruz". A cruz é o símbolo do amor de Deus em sua máxima expressão na vida, missão e obediência de Jesus Cristo. Nossa vivência do Reino só terá sentido quando assumirmos na cruz de Cristo a nossa cruz, ou seja, os desafios cotidianos do Reino de Deus. Pela cruz entendemos o caminho do despojamento e da obediência que nos leva para a vida eterna.

 - Na primeira leitura, Jeremias descreve sua experiência desolada. Sentiu que Deus o chamava a ser profeta. Viveu numa época histórica bastante conturbada: período de grande instabilidade, injustiças sociais gritantes, infidelidade religiosa etc. Sua pregação não foi apreciada, pois era considerado um "profeta da desgraça". Mas ele é o modelo dos profetas que sofreram por causa da sua missão. Estava, verdadeiramente, apaixonado pela Palavra do Senhor e sabia que não teria descanso se não a proclamasse com fidelidade.

 - Seduzido pelo Senhor, o profeta colocou toda a sua vida a serviço de Deus. Sentiu-se abandonado diante dos insultos e zombarias de seus adversários. Conheceu o sofrimento, a solidão, a perseguição, mas o amor a Deus e sua Palavra eram tão grandes no coração de Jeremias que era impossível resistir. A Palavra de Deus é um fogo devorador. Ao profeta resta, portanto, continuar o serviço da Palavra, enfrentando o seu destino de solidão e de sofrimento, na esperança de, ao longo da caminhada, reencontrar esse amor de Deus que um dia o seduziu e ao qual o profeta nunca poderá renunciar. É essa a experiência de todos aqueles que acolhem a Palavra de Deus e vivem na coerência.

- A segunda leitura convida os cristãos a oferecerem sua existência a Deus, comportando-se de acordo com as exigências da sua condição de batizados. Diante da bondade e do amor de Deus, os cristãos são aqueles que se entregam completamente em Suas mãos e que, em todo instante da sua existência, vivem para Ele. Essa oferta será um "sacrifício vivo, santo e agradável". Este é o "culto espiritual" que Deus espera do homem. Mas o que significa oferecer-se inteiramente a Deus? Em primeiro lugar, não se conformar com "este mundo", ou seja, manter distância dos esquemas e valores sobre os quais o egoísmo e o pecado se constrói. Em segundo lugar, uma mudança de coração, de mentalidade e de inteligência, que possibilite discernir qual é a vontade de Deus, a fim de poder percorrer, com fidelidade, os seus caminhos.

- No Evangelho, Jesus explica aos discípulos o sentido autêntico do seu messianismo e da sua filiação divina. Fiéis no seguimento, eles acreditam que Jesus é o "Messias, Filho de Deus" e querem parti- lhar o seu destino de glória e de triunfo. Jesus vai, no entanto, explicar-lhes que o seu messianismo não passa por triunfos e êxitos humanos, mas pela cruz e viver como discípulo é seguir esse caminho da entrega e dom da vida. Em suas palavras encontramos uma catequese sobre esse destino de cruz que aparece em seu horizonte.

- É conveniente recordar que o caminho cristão não é um caminho fácil, percorrido no meio de aplausos. Pedro não está de acordo que Jesus caminhe em direção à cruz. Essa oposição significa que a compreensão dele sobre o mistério de Jesus é imperfeita. Jesus o repreende com dureza, porque os discípulos precisam corrigir sua perspectiva sobre Ele e o plano do Pai que veio realizar. Quem quiser ser discípulo de Jesus, tem de "renunciar a si mesmo", "tomar a cruz" e seguir no caminho do Mestre. - O cristão não pode viver fechado em si mesmo, preocupado apenas em concretizar os seus sonhos pessoais, seus projetos de riqueza, segurança, bem-estar, êxito, triunfo. Ele deve fazer da sua vida um dom generoso a Deus e aos irmãos. Só assim poderá ser discípulo de Jesus e integrar a comunidade do Reino. Que assim seja, amém

https://diocesedesaomateus.org.br/wp-content/uploads/2023/07/03_09_23.pdf

 

01-  LITURGIA DO 22.º DOMINGO DO TEMPO COMUM – ANO A

 

“O caminho da cruz”

      

“O trecho do Evangelho de hoje (cf. Mt 16, 21-27) está ligado ao do domingo passado (cf. Mt 16,13-20). Depois de Pedro, em nome também dos outros discípulos, ter professado a fé em Jesus como Messias e Filho de Deus, o próprio Jesus começa a falar-lhes da sua paixão. A caminho de Jerusalém, ele explica abertamente aos seus amigos o que o espera no final na cidade santa: prediz o seu mistério de morte e ressurreição, de humilhação e glória. Ele diz que deve “sofrer muito da parte dos anciãos, e, dos príncipes dos sacerdotes e dos escribas, ser morto e ao terceiro dia ressuscitar” (Mt 16, 21). Mas as suas palavras não são compreendidas, porque os discípulos têm uma fé ainda imatura e demasiado ligada à mentalidade deste mundo (cf. Rm 12, 2). Pensam numa vitória demasiado terrena, e por esta razão não compreendem a linguagem da Cruz. Perante a perspectiva de que Jesus possa falhar e morrer na cruz, o próprio Pedro rebela-se e diz-lhe: “Deus te livre de tal, Senhor; isso não há de acontecer!” (v. 22). Ele acredita em Jesus - Pedro é assim -, ele tem fé, acredita em Jesus, acredita; quer segui-lo, mas não aceita que a sua glória passe pela Paixão. Para Pedro e para os outros discípulos - mas também para nós! - a cruz é uma coisa desconfortável, a cruz é um “escândalo”, enquanto Jesus considera um “escândalo” fugir da cruz, o que significaria fugir da vontade do Pai, da missão que Ele lhe confiou para a nossa salvação. É por isso que Jesus responde a Pedro: “Afasta-te, Satanás! Tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!” (v. 23). Dez minutos antes, Jesus louvou Pedro, prometeu-lhe que ele seria a base da sua Igreja, o fundamento; dez minutos depois disse-lhe: “Satanás”. Como é que isto pode ser compreendido? Acontece a todos nós! Em momentos de devoção, de fervor, de boa vontade, de proximidade ao nosso semelhante, olhamos para Jesus e vamos em frente; mas nos momentos em que ele vai ao encontro da cruz, fugimos. O diabo, Satanás - como diz Jesus a Pedro - tenta-nos. É típico do espírito mau, é característico do diabo afastar-nos da cruz, da cruz de Jesus. Dirigindo-se a todos, Jesus acrescenta: «Se alguém quiser vir após mim, renegue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me» (v. 24). Desta forma Ele mostra o caminho do verdadeiro discípulo. ... Que a Virgem Maria, unida ao seu Filho até ao Calvário, nos ajude a não retroceder perante as provações e sofrimentos que o testemunho do Evangelho implica para todos nós.”

 

(Papa Francisco, oração do Ângelus”, 30/8/2020).

 

https://www.diocesedeerexim.org.br/painel/admin/upload/revistas_pdf/rev-406-9.missassetembro2023.pdf

 

 

02-  SETEMBRO, MÊS DA BÍBLIA

 

O Mês da Bíblia, itinerário promovido nas paróquias e comunidades de todo o Brasil no mês de setembro, é um convite especial para todas as pessoas que gostam de estudar a Palavra de Deus. Em 2023, o Livro bíblico escolhido para aprofundamento é a Carta aos Efésios, com a inspiração: “Vestir-se da nova humanidade!

 

Em 2023, o Livro bíblico escolhido para aprofundamento é a Carta aos Efésios, com a inspiração: “Vestir-se da nova humanidade! (cf. Ef 4,24)”. Este Texto-Base procura explorar o sentido da unidade do Corpo de Cristo, que significa a vivência como filhos e filhas reconciliados com Deus, e assumir, no cotidiano, a vida nova experimentada no Batismo individualmente e em comunidade.

Onde encontrar:


O texto-base para o Mês da Bíblia 2023 pode ser adquirido no site da 
Edições CNBB.

 

https://www.cnbb.org.br/seminario-biblico-para-animadores-do-mes-da-biblia-2023/#:~:text=O%20M%C3%AAs%20da%20B%C3%ADblia%2C%20itiner%C3%A1rio,Vestir%2Dse%20da%20nova%20humanidade!

 

 

 

 

 

03-  NOSSA SENHORA DA CONSOLAÇÃO- 04/09

 

Padroeira da Ordem Agostiniana

 

A bem-aventurada Virgem Maria é venerada como Mãe da Consolação, porque através dela “Deus mandou ao mundo o Consolador”, Cristo Jesus. A participação nas dores da paixão de seu Filho e nas alegrias de sua ressurreição a põem em condição de consolar a seus filhos em qualquer aflição que se encontrem. Depois da ascensão de Jesus Cristo, em união com os Apóstolos, implorou com ardor e esperou com confiança o Espírito Consolador. Agora, elevada ao céu, “brilha ante o povo peregrino de Deus como sinal de segura esperança e consolação”. (LG 69). 
Desde o século XVII, “Mãe da Consolação” ou “Mãe da Correia” é o título principal com que a Ordem agostiniana honra a Virgem. Em 1439, obteve a faculdade de erigir para os leigos a “confraria da cintura”. Uma antiga lenda, nascida no seio da Ordem, narrava que a Virgem tinha aparecido a Santa Mônica, afligida pela sorte de Agostinho, consolando-a e dando-lhe uma correia, a mesma com que depois se cingiriam Agostinho e seus frades. De ordinário, a iconografia representa a Virgem e o menino no ato de entregar correias, respectivamente, à Santa Mônica e a Santo Agostinho. Em 1945, surgiu na Igreja agostiniana de Bolonha a confraria de “Santa Maria da Consolação”. Em 1575, ambas as confrarias se fundiram em uma única arquiconfraria da Correia, a que os papas enriqueceram com abundância de indulgências. 
A proteção da Mãe da Consolação nos dá serenidade e consolo nas provas para que, também nós, possamos consolar a nossos irmãos.

 

https://psarj.com.br/santosagostinianos

 

04-  Setembro amarelo - mês da prevenção do suicídio

Qual cor representa o mês de setembro: azul ou amarelo?

Setembro Amarelo é o mês (de 1 a 30 de setembro) dedicado à prevenção do suicídio. Trata-se de uma campanha, que teve início no Brasil em 2015, e que visa conscientizar as pessoas sobre o suicídio, bem como evitar o seu acontecimento.

É nesse mês que no dia 10 se comemora o dia mundial de prevenção do suicídio.

Ao mesmo tempo em que há muita discussão sobre o tema e que são organizadas caminhadas, durante esse mês alguns locais são decorados com a cor amarela. Assim, já foram iluminados de amarelo o Cristo Redentor, o Congresso Nacional, a Catedral e o Paço Municipal de Fortaleza, entre outros.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), 32 pessoas se suicidam por dia no Brasil, o que significa que o suicídio mata mais brasileiros do que doenças como a AIDS e o câncer.

O assunto é envolto em tabus, por isso, a organização da campanha acredita que falar sobre o mesmo é uma forma de entender quem passa por situações que levem a ideias suicidas, podendo ser ajudadas a partir do momento em que as mesmas são identificadas.

As situações que levam a esse fim podem surgir de quadros de depressão, bem como do consumo de drogas.

É por isso que “Falar é a melhor solução” é o slogan da campanha, cujos envolvidos na sua organização acreditam que conscientizando as pessoas podem prevenir 9 em cada 10 situações de atos suicidas.

Origem do Setembro Amarelo


O Setembro Amarelo começou nos EUA, quando o jovem Mike Emme, de 17 anos, cometeu suicídio, em 1994.

Mike era um rapaz muito habilidoso e restaurou um automóvel Mustang 68, pintando-o de amarelo. Por conta disso, ficou conhecido como "Mustang Mike". Seus pais e amigos não perceberam que o jovem tinha sérios problemas psicológicos e não conseguiram evitar sua morte.

No dia do velório, foi feita uma cesta com muitos cartões decorados com fitas amarelas. Dentro deles tinha a mensagem "Se você precisar, peça ajuda.". A iniciativa foi o estopim para um movimento importante de prevenção ao suicídio, pois os cartões chegaram realmente às mãos de pessoas que precisavam de apoio.

Em consequência dessa triste história, foi escolhido como símbolo da luta contra o suicídio, o laço amarelo.

Outras campanhas de saúde, como o Outubro rosa e Novembro azul, também utilizam cores como forma de alerta e de identificação sobre as questões que abordam.

Se pensar em suicídio busque ajuda


É importante que as pessoas que estejam passando por momentos de crise busquem ajuda. O ideal é um acompanhamento psicológico, além do apoio da família e dos amigos. Para isso, é essencial que as pessoas consigam falar sobre o que sentem.

Se você estiver com sérios problemas e chegar a considerar o suicídio, pode procurar ajuda entrando em contato com o Centro de Valorização à Vida (CVV).

Esse é um projeto que fornece apoio emocional e prevenção do suicídio. Através de telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias da semana, eles atendem de forma voluntária e gratuita todos que precisam conversar. O serviço é totalmente sigiloso.

O site do CVV é www.cvv.org.br.

https://www.tjdft.jus.br/informacoes/programas-projetos-e-acoes/pro-vida/dicas-de-saude/pilulas-de-saude/setembro-amarelo-mes-da-prevencao-do-suicidio

SB SABENDO BEM DE 03 DE SETEMBRO DE 2023

 

 

SB SABENDO BEM DE 03 DE SETEMBRO DE 2023

01- OLÁ! PRA COMEÇO DE CONVERSA...

 

1.    Liturgia do 22.º Domingo do Tempo Comum– Ano A;

2.    Mês da Bíblia;

3.    Nossa Senhora da Consolação- 04 de setembro;

04- Setembro amarelo - mês da prevenção do suicídio.

05-  SB SABENDO BEM DE 04 DE SETEMBRO A 10 DE SETEMBRO DE 2023;

06-  SB SABENDO BEM INFORMA;

07- LEITURAS DO 22.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- ANO A

 

08- LEITURAS DA SEMANA DE 04 DE SETEMBRO A 10 DE SETEMBRO;

 

 

09- REFLEXÃO DOMINICAL I: “A LOUCURA DA CRUZ”;

 

10- REFLEXÃO DOMINICAL II: REFLEXÃO SOBRE Mt 16,21-27;

 

11- REFLEXÃO DOMINICAL III: SEGUIR O SENHOR;

12-  ESPIRITUALIDADE: AS RAZÕES PELAS QUAIS OS CATÓLICOS DEVEM LER A BÍBLIA SEMPRE;

13- GÊNEROS LITERÁRIOS E VERDADE BÍBLICA;

14-  SANTO AGOSTINHO E AS SAGRADAS ESCRITURAS

HISTÓRIA INSPIRADORA: POR QUE SANTO  AGOSTINHO ACHAVA A BÍBLIA ENTEDIANTE?

15- SUGESTÃO DE LEITURAS

1.    Mês da Bíblia- Texto-Base) Ed. CNBB);

2.    Santo Agostinho e as Sagradas Escrituras (Evandro de Santana Andrade).

LEITURAS DA MISSA 22.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- Ano A

 

LEITURAS DA MISSA

 

22.º DOMINGO DO TEMPO COMUM- Ano A

Anim. Temos sede de Deus, sede de sua Palavra. Aproximemo-nos da fonte de água viva, o próprio Senhor, que agora nos vai falar.

 

 PRIMEIRA LEITURA (Jr 20,7-9)

 Leitura do Livro do Profeta Jeremias.

 

7 Seduziste-me, Senhor, e deixei-me seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder. Tornei-me alvo de irrisão o dia inteiro, todos zombam de mim. 8 Todas as vezes que falo, levanto a voz, clamando contra a maldade e invocando calamidades; a palavra do Senhor tornou-se para mim fonte de vergonha e de chacota o dia inteiro. 9 Disse comigo: “Não quero mais lembrar-me disso nem falar mais em nome dele”. Senti, então, dentro de mim um fogo ardente a penetrar-me o corpo todo: desfaleci, sem forças para suportar.

 

 - Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

 

 SALMO 62(63)

 

 A minh’alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!

                                                                                                          

1. Sois vós, ó Senhor, o meu Deus! * Desde a aurora ansioso vos busco! / A minha alma tem sede de vós, * como terra sedenta e sem água! / Venho, assim, contemplar-vos no templo, * para ver vossa glória e poder.

2. Vosso amor vale mais do que a vida: * e por isso meus lábios vos louvam. / Quero, pois, vos louvar pela vida, * e elevar para vós minhas mãos! / A minh’alma será saciada, * como em grande banquete de festa. 3. Cantará a alegria em meus lábios, * ao cantar para vós meu louvor! / Para mim fostes sempre um socorro; * de vossas asas à sombra eu exulto! / Minha alma se agarra em vós; * com poder vossa mão me sustenta.

 

SEGUNDA LEITURA (Rm 12,1-2) 8

 

Leitura da Carta de São Paulo aos Romanos.

 

1 Pela misericórdia de Deus, eu vos exorto, irmãos, a vos oferecerdes em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus: este é o vosso culto espiritual. 2 Não vos conformeis com o mundo, mas transformai-vos, renovando vossa maneira de pensar e de julgar, para que possais distinguir o que é da vontade de Deus, isto é, o que é bom, o que lhe agrada, o que é perfeito.

 

 -Palavra do Senhor. T. Graças a Deus.

 

ACLAMAÇÃO (Ef 1,17-18)

 

Aleluia, aleluia, aleluia.

 

 Que o Pai do Senhor Jesus Cristo / nos dê do saber o espírito; / conheçamos, assim, a esperança / à qual nos chamou, como herança!

 

EVANGELHO (Mt 16,21-27)

 

 P. O Senhor esteja convosco. T. Ele está no meio de nós.

P. Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

 T. Glória a vós, Senhor.

 

 Naquele tempo, 21Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia. 22Então Pedro tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” 23Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: “Vai para longe, satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” 24Então Jesus disse aos discípulos: “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. 25Pois quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la. 26De fato, que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua vida? O que poderá alguém dar em troca de sua vida? 27Porque o Filho do Homem virá na glória do seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um de acordo com a sua conduta”.

 

 

- Palavra da Salvação. T. Glória a vós, Senhor.

LEITURAS DA SEMANA: 04 DE SETEMBRO A 10 DE SETEMBRODE 2023- ANIVERSÁRIO DA DEDICAÇÃO DA CATEDRAL METROPOLITANA

 

LEITURAS DA SEMANA: 04 DE SETEMBRO A 10 DE SETEMBRODE 2023

04( 2.ª feira)-1Ts 4,13-18;Sl 95(96),1 e 3.4-5.11-12.13 (R. 13b);Lc 4,16-30

05(3.ª feira)- 1Ts 5,1-6.9-11;Sl 26(27),1.4.13-14 (R. 13);Lc 4,31-37

06(4.ª feira)- Cl 1,1-8;Sl 51(52),10.11 (R. 10b);Lc 4,38-44

07(5.ª feira)- Cl 1,9-14;Sl 97(98),2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 2a);Lc 5,1-11

08(6. Feira)-Natividade de Nossa Senhora, Festa, Ano A

Mq 5,1-4a ou Rm 8,28-30;Sl 70(71),6;Sl 12(13),6 (R. Is 61,10)ou mais breve 1,18-23; Mt 1,1-16.18-23

09(Sábado)- Cl 1,21-23;Sl 53(54),3-4.6 e 8 (R. 6a);Lc 6,1-5

 

10(DOMINGO)-23º Domingo do Tempo Comum, Ano A

Ez 33,7-9; Sl 94(95),1-2.6-7.8-9 (R. 8);Rm 13,8-10;Mt 18,15-20

 

ANIVERSÁRIO DA DEDICAÇÃO DA CATEDRAL METROPOLITANA

 

No dia 5 de setembro, como acontece todos os anos, celebramos o aniversário da dedicação da Catedral Nossa Senhora da Assunção, de nossa Arquidiocese. Na própria Catedral, celebra-se como solenidade litúrgica e, nas demais igrejas da Arquidiocese de São Paulo, como festa litúrgica. O Missal traz os textos próprios para a comemoração do aniversário da dedicação de uma igreja. Da mesma forma, também o lecionário traz leituras próprias, que são muito bonitas. Os templos têm um simbolismo muito importante para nossa fé religiosa. São “casa de Deus” entre as nossas casas, na nossa cidade, em cada bairro. E isso retrata a nossa fé: nós queremos que Deus habite conosco e não nos deixe sós. Não queremos edificar a cidade, a sociedade e nossa vida privada sem Deus. Ele não precisa de casa, pois o universo inteiro é casa de Deus e sua glória resplandece em todas as criaturas. Mas nós é que precisamos expressar nossa certeza de que Deus permanece entre nós e, por isso, dedicamoslhe templos, traduzindo dessa forma a nossa fé e confiança em Deus. O aniversário da dedicação de uma igreja sempre nos recorda que nós, com nosso corpo, somos “templo de Deus”, no dizer de São Paulo. Templos vivos, que devem honrar a Deus mediante uma vida humana honesta e digna de Deus. Nossa Catedral é a igreja – mãe de todas as demais igrejas da Arquidiocese, não porque é a mais antiga, mas porque é a igreja do Arcebispo da Arquidiocese. Chama-se “catedral” porque nela está a cátedra do Arcebispo, a partir da qual ele exerce, simbolicamente, a sua missão de mestre da fé e de pastor e guia do povo que lhe foi confiado. Pelo significado que a Catedral da Sé tem para todo o povo da Arquidiocese, é importante visitar essa igreja – mãe de todas as demais igrejas paroquiais e capelas. É importante levar as crianças e os adolescentes, até mesmo para visitar a Catedral, conhecer sua arte e participar de alguma missa no domingo. Que Deus, pela intercessão de Nossa Senhora da Assunção, titular de nossa Catedral, abençoe toda a nossa Arquidiocese.

 

Cardeal Odilo Pedro Scherer Arcebispo de São Paulo

 

https://arquisp.org.br/sites/default/files/folheto_povo_deus/ano-47-a-50-22-domingo-do-tempo-comum.pdf

REFLEXÃO DOMINICAL I "A LOUCURA DA CRUZ"

 

REFLEXÃO DOMINICAL I   

"A LOUCURA DA CRUZ"

Domingo à tarde, um sol de lascar! Clima propício para uma praia ou piscina, ou deitar-se em uma rede na varanda e ficar de “papo pro ar” até o anoitecer. Tenho uma amiga que pode fazer isso e eu até a invejo, entretanto, em algumas tardes de domingo, ela se reúne com uma galera da faculdade, para visitar asilos e orfanatos, levam alimentos que arrecadam junto a comunidade, formaram um conjunto musical, ela mesma toca sanfona e dá até gosto quando vão ao asilo e fazem os velhinhos e velhinhas rodopiarem pelo salão, no baile que vai até a tardezinha.

É um grupo que não pertence a nenhuma igreja em particular, e o irmão mais velho dessa minha amiga,  comenta que a irmã é maluca, pois após uma semana de exaustivo estudo e trabalho nada mais justo do que relaxar no domingo, usufruindo das propriedades que tem: uma bela chácara e ainda uma casa na praia. Minha amiga talvez não sabe, mas ela está no caminho certo do discipulado. Carregar a cruz e renunciar-se a si mesmo – é ser capaz de ir além, em um amor sem medidas.

Qualquer cristão que trabalhe e estude a semana inteira e que no domingo vai à missa, a tarde, com todo direito e razão, conforme a lógica humana, irá descansar, em alguma atividade de lazer ou esporte. A renúncia proposta por Jesus vai nesse sentido: ultrapassar os limites da normalidade renunciando algo que é de direito. Nos evangelhos há muitas exortações de Jesus, que vão nesse sentido, “Se alguém lhe roubar a túnica, dá-lhe também a  capa”, “Se alguém lhe obrigar a andar cinquenta passos, anda com ele outros cem” e o mais difícil de todos “Amai os vossos inimigos, rezai por eles e abençoai-os e não os amaldiçoeis”.

Poderíamos dizer que ser cristão, é estar acima da média, na relação com o próximo, pois quem permanece na mediocridade do estritamente necessário, não pode dizer que é discípulo.

Talvez um outro exemplo que poderá nos ajudar a compreender melhor o altruísmo da cruz, seja um atleta olímpico, que tem sempre como meta quebrar até o próprio recorde: qual atleta que vai deixar seu país, indo para as Olimpíadas pretendendo uma classificação bem modesta? Atleta que pensa dessa maneira, dificilmente irá algum dia ao podium. Cristão que não se doa, não se entrega, e que não é capaz de carregar as pequenas cruzes do dia a dia, não pode atribuir-se o título de discípulo.

O amor humano é limitado e finito, pode até se acabar um dia, mas o amor Cristão não tem limites e nem medidas, vai sempre além, São Francisco de Assis poderia até ser Santo, sem precisar fazer o que fez, despojar-se de tudo que tinha e era seu por direito, até mesmo a roupa do corpo. O próprio Deus, para salvar a humanidade, não poupou nem o seu Filho querido, e diante disso, a mesquinhez humana questiona: será que precisava tanto?

A parábola do Bom Samaritano não deixa nenhuma dúvida a esse respeito, o Samaritano não apenas parou, para ver o que estava acontecendo com o homem caído à beira da estrada, mas foi muito além, cuidando das suas feridas, colocou-o no próprio animal, transportou para a Hospedaria mais próxima e não contente, pediu ao Hospedeiro que cuidasse dele, que na volta pagaria todas as despesas.

Nesse sentido, o discípulo é como um atleta olímpico, que ao cumprir a lei do amor, quebra todos os recordes. Claro que a modernidade se opõe a esse modo de pensar, até se ensina em algumas culturas para que a pessoa pratique o bem, mas há um limite. Poderíamos dizer que aí está a grande diferença entre o pensamento dos homens, que coloca um limite para o amor, e o pensamento de Deus, que rompe todos os limites, vivendo o amor ágape.

O apóstolo Pedro se opõe a esse modo de pensar e agir de Jesus, para ele, a ação messiânica de Jesus não precisa passar por tão grande sacrifício, pois não é essa a vontade de Deus. É por causa dessa última afirmação que Pedro é chamado de Satanás por Jesus, que significa aquele que é contra o projeto de Deus, que criou o homem e o chamou para viver a vocação do amor em toda sua plenitude, Deus não é um masoquista que gosta de ficar vendo o homem sofrer, o sofrimento é conseqüência da rejeição, que no tempo de Jesus, e na modernidade, o homem manifesta, recusando-se a viver aquilo que é essencial para quem quiser ser discípulo e merecer o nome de Cristão.

A recusa e rejeição ocorrem porque uma vida assim, de entrega total pela causa do reino, implica em uma grande perda, exatamente como pensa o irmão da minha amiga, que aos olhos do mundo PERDE seu precioso tempo de lazer e descanso, nas tardes de domingo, só para ver um sorriso no rosto de tantos velhinhos e velhinhas, que a amam de paixão, e até reclamam que ela deveria ir ao asilo mais vezes.

“Quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la, e quem perder a sua vida, por causa de mim, vai ganhá-la”

José da Cruz é Diácono da
Paróquia Nossa Senhora Consolata – Votorantim – SP
E-mail  
jotacruz3051@gmail.com

http://www.npdbrasil.com.br/religiao/rel_hom_gotas0344.htm#msg01

REFLEXÃO DOMINICAL II REFLEXÃO DE Mt 16,21-27

 

REFLEXÃO DOMINICAL II


REFLEXÃO DE Mt 16,21-27

Neste vigésimo segundo domingo do tempo comum, a liturgia propõe Mateus 16,21-27 para o Evangelho. Trata-se do primeiro anúncio explícito da paixão feito por Jesus aos discípulos e da reação desses, marcada pela não aceitação de um messias sofredor. Esse trecho é a sequência imediata do Evangelho do domingo passado, Mateus 16,13-20, quando Jesus perguntou sobre a sua identidade, e Pedro, em nome do grupo, confessou a sua fé, afirmando com aparente convicção que Jesus era o Messias esperado, o Filho do Deus vivo.



Com a confissão solene e objetiva da fé feita por Pedro (cf. Mt 16,13-20), Jesus imaginava que o grupo dos discípulos tivesse atingido um grau considerável de maturidade para compreender o seu destino de sofrimento, por isso começou a anunciar de modo explícito quais seriam as consequências da forma como estava vivendo e fazendo as suas opções. Esse destino não poderia ser outro senão a cruz, ou seja, a condenação total e humilhante de jesus por parte dos detentores do poder político e religioso, incomodados com a sua mensagem de libertação.



Podemos dizer, logo de início, que o Evangelho de hoje apresenta a negação ou o recuo das palavras firmes que Pedro tinha pronunciado no episódio anterior, na região de Cesaréia de Filipe. Assim, podemos também dizer que, juntando esses dois episódios, temos as duas faces de uma mesma moeda, opostas obviamente. De elogiado a reprovado, Pedro é a imagem da comunidade de Mateus, marcada por inconstância, ambiguidade, incoerência e incompreensão.



O episódio de Cesaréia de Filipe foi um divisor de águas na vida de Jesus e no seu relacionamento com os discípulos. Por isso, esse texto do evangélico começa com uma indicação cronológica importante, infelizmente omitida pelo liturgia: “a partir de então” ou “desse momento em diante”  (v. 21a). Sem essa indicação, o texto litúrgico começa assim: “Jesus começou a mostrar a seus discípulos que devia ir a Jerusalém e sofrer muito da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos mestres da Lei, e que devia ser morto e ressuscitar no terceiro dia” (v. 21). Como vemos, são muitas informações para um único versículo, o que requer uma explicação cuidadosa e lenta.



A primeira informação importante do versículo é a mudança de rumo e sentido na pregação de Jesus. Como Ele já havia anunciado bastante sobre o Reino dos céus; agora, é chegado o momento de deixar claro quais são as consequências para a vida de quem “busca em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (cf. Mt 6,33). Como a busca pelo Reino requer opções, tais opções trazem também consequências. Assim, o que Ele começou a mostrar aos discípulos, do episódio de Cesaréia em diante, foi exatamente essas consequencias. Ora, fazer opção pelo Reino é, antes de tudo, mostrar indignação, inconformismo e resistência a todas as forças que impediam a concretização desse Reino.



Tendo optado pelo Reino acima de tudo, Jesus tinha muita clareza do seu destino: sofrer e morrer pelas mãos dos inimigos do Reino. Não se trata de uma predestinação, mas de uma necessidade. Jesus tinha muita clareza da sua missão de instaurar o Reino do seu Pai na terra e sabia que, para isso, deveria enfrentar muitas forças hostis e adversas, principalmente a religião que oprimia, excluía e matava em nome de um Deus que em nada parecia com o seu Pai. Era necessário desmascarar essa religião, e isso lhe traria consequências inevitáveis. Como era em Jerusalém que essa religião estava enraizada institucionalmente, era para lá que Jesus devia ir. Por isso, sua ida até ela era necessária.



Jesus sabia antecipadamente quem seriam seus algozes principais: “os anciãos, os sumos sacerdotes e os mestres da lei”, a elite religiosa de Jerusalém. Não sabia disso por possuir conhecimento de coisas misteriosas e futuras, mas pela consciência de que seu projeto colidia com os interesses dessa elite. Era o confronto de dois projetos bem distintos: o Reino de Deus com sua justiça, acolhida, misericórdia e amor, de um lado e, a instituição religiosa com seus dogmas, sua lei e seus preceitos excludentes, segregadores, manipuladores e exploradores, do outro lado. O confronto era inevitável. Como centro de poder e, portanto, de exploração, Jerusalém e sua elite religiosa e política eram conhecidas por “matar profetas” (cf. Mt 23,37; Lc 13,34). Aliás, convém recordar que, de acordo com o Evangelho de Mateus, desde o seu nascimento, Jesus é almejado pelos detentores de poder (cf Mt 2,16ss). Portanto, nenhuma novidade!



As elites se enganam ao imaginar que matando Jesus poriam fim ao projeto do Reino. A confiança de Jesus no Pai ultrapassa todos os limites da existência humana. Vai morrer sim, mas irá ressuscitar ao terceiro dia. Assim como Herodes imaginava, no início do Evangelho (cf. Mt 2,16ss), que matando os inocentes estaria eliminando as ameaças ao seu falso senhorio, também a elite religiosa imagina que matando Jesus estaria eliminando o perigo do Reino de Deus. O Reino de Deus é perigo mesmo para qualquer sistema incompatível com sua proposta! A certeza da ressurreição era fruto de uma íntima e profunda confiança no Pai, confiança essa ainda não experimentada pelos discípulos, como a sequência do texto mostrará. A ressurreição é certeza para quem confia verdadeiramente no Pai. A expressão “no terceiro dia”, no entanto, não é um dado cronológico, mas teológico. Ao longo da história bíblica, “o terceiro dia” indica uma intervenção extraordinária de Deus na história, basta recordar a narrativa da teofania do Sinai: foi no terceiro dia que Moisés recebeu as tábuas da Lei (cf. Ex 19,16ss). Portanto, na ressurreição, Deus agirá de modo admirável e novo.



Mais uma vez, a reação dos discípulos às palavras de Jesus é encabeçada por Pedro: “Então Pedro, tomou Jesus à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Deus não te permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça!” (v. 22). A atitude de Pedro é de reprovação total ao que Jesus tinha acabado de dizer. Com essa atitude, Pedro e todo o grupo, pois é em nome do grupo que ele age, jogam por terra toda uma caminhada de discipulado. É como se ele revogasse a belíssima confissão proferida pouco tempo antes (cf. Mt 16,23-20). Ora, ao repreender Jesus, Pedro deixa de lado sua condição de discípulo para ser mestre. É uma atitude arrogante e arbitrária, totalmente incompatível com o que Jesus tinha ensinado até então. Pedro sabia que, inevitavelmente, o caminho do discípulo é o mesmo do mestre. Assim, se Jesus morresse pelo Reino, também ele e os demais discípulos morreriam. Por isso, tenta tirar essa ideia de Jesus. Essa tem sido uma das grandes tentações da Igreja ao longo da história: desconsiderar a força das palavras de Jesus e seus impactos na vida de cada um e na sociedade. Convicto de seguir o messias glorioso, Pedro não aceita de modo algum a ideia de um messias sofredor.



Jesus logo percebe a ideia infeliz de Pedro e, com muita sinceridade, chama-lhe a atenção: “Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensa as coisas de Deus mas sim as coisas dos homens” (v. 23). Aqui, o texto liturgico apresenta um grande equivoco: Jesus não manda Pedro ir para longe, mas para atrás de si, ou seja, voltar ao lugar de discípulo. O evangelista usa aqui a mesma expressão empregada no momento do chamado: “vinde atrás de mim” (cf. Mt 4,19), ou seja, “segui-me”. Jesus não afasta Pedro, mas o convida a colocar-se em seu devido lugar: no seguimento, deve continuar aprendendo, afinal, tinha demonstrado não ter aprendido praticamente nada a respeito do caminho de Jesus com suas opções e consequências. Pedro é chamado de satanás porque, na verdade, satanás aqui não é uma pessoa ou um ser específico, mas é uma atitude. Impedir a realização do Reino é o papel e a atitude de satanás. Essa atitude é, na maioria das vezes, assumida pelos de dentro, ou seja, por quem se apresenta como seguidor, mas não se abre aos desígnios do Pai.



Pouco tempo antes, após ter confessado a sua fé, Pedro tinha sido proclamado bem-aventurado pela sua sintonia com o Pai (cf. Mt 16,17); agora, ele é duramente repreendido por trocar os pensamentos do Pai pelas coisas dos homens e gerenciar sua vida a partir dessas coisas. As coisas do Pai às quais Jesus se refere são doação, serviço e amor; as coisas dos homens são o medo, a ambição e a sede de poder e dominação. Esse paradoxo não poderia passar despercebido por Jesus. Por isso, de pedra da construção, ele passa a ser pedra de tropeço, ou seja, escândalo para a comunidade. É importante estarmos atentos a essa situação: a edificação do Reino é confiada à comunidade cristã, a Igreja. Essa pode tanto construí-lo, quanto fazê-lo sucumbir. A construção depende da fidelidade e da capacidade de doação da vida, o que requer renúncias e perdas. Mais importante ainda é saber que o que escândalo para Jesus não é a transgressão de regras morais, mas sim a omissão, a falta de convicção e de capacidade para doar a própria vida em prol do Reino de Deus.



Ao perceber o recuo de Pedro, Jesus sente a necessidade de reforçar a sua catequese aos discípulos e de falar com cada vez mais clareza. Ninguém tem obrigação de segui-lo, pois o seguimento é livre e opcional. No entanto, a quem opta pelo sguimento, são feitas exigências, ou seja, opções bastante radicais, e isso Jesus deixa muito claro: “Se alguém que me seguir, renuncie a si mesmo, toma a sua cruz e me siga” (v. 24). Com essa afirmação, Ele chama a atenção dos discípulos para a seriedade do seguimento.



A primeira exigência não é um convite à negação de si nem à resignação, mas a todo e qualquer projeto pessoal e individualista de realização. É assumir um projeto coletivo, cujo centro de interesse será sempre o bem do próximo. É ter consciência dos desafios inerentes ao seguimento de Jesus e, mesmo assim, abraçá-los. É o que estava faltando a Pedro naquele momento, ao trocar os pensamentos de Deus pelas coisas dos homens.



O convite a carregar a cruz é a certeza de que o projeto de Jesus é incompatível com o sistema vigente. É importante ressaltar que não é Jesus quem oferece a cruz. A cruz é consequência do seu seguimento fiel. Jesus convida o discípulo a assumir corajosamente uma atitude de repulsa ao domínio religioso e imperial. A cruz é, portanto, sinal e prova de que tal atitude foi assumida com seriedade. Tudo isso, claro, considerando que a cruz não era um adorno sacro, como foi adotado posteriormente, mas um sinal de rebeldia, inconformismo e humilhação, já que era a pena reservada ao que havia de pior na sociedade, ou seja, aos rebeldes que ameaçavam a ordem vigente e, por isso, “mereciam” uma pena humilhante e exemplar.



É lamentável que, de sinal de rebeldia, o cristianismo tenha transformado a cruz em sinal de resignação. Hoje, quando se fala em carregar a cruz, geralmente, se faz referência à aceitação passiva dos problemas e sofrimentos causados pelo sistema. Uma pena, pois esse tipo de cristianismo nada tem a ver com os propósitos de Jesus. A exigência de carregar a cruz foi e sempre será um convite à desobediência, à subversão e à não aceitação das injustiças oficialmente cometidas pelas classes detentoras de poder. Sem essas disposições, vive-se uma religião de fachada, se faz teatro, mas não seguimento de Jesus.



O autêntico seguimento de Jesus é desafiador porque exige uma lógica completamente nova no modo de conceber a vida. Por isso, seus discípulos ainda não tinham compreendido. Ora, eles estavam seguindo-o como Messias, mas segundo o messianismo tradicional, ou seja, esperavam que Jesus fosse o messias glorioso, potente e guerreiro que, eliminando o poder romano, imporia o seu poder, restaurando o reino davídico-salomônico para impor-se sobre outros povos. Jesus, pelo contrário, propunha o Reino do seu Pai, um reino sem dominador nem dominados, mas um reino de servidores, iguais em dignidade e amor. Abraçar esse projeto ousado de Jesus é ver o mundo com outros olhos; é deixar de pensar somente em si para pensar no bem comum.



O jogo de palavras perda/ganho empregado por Jesus significa a passagem de uma mentalidade individualista para uma concepção comunitária de sociedade e de mundo(vv. 25-26). Mais que salvar sua vida, o cristão autêntico pensa no advento do Reino. Somente no Reino de Deus a vida poder ser vivida em sua plenitude e dignidade e, portanto, tentar vivê-la fora desse projeto é perdê-la, simplesmente. Vale lembrar que esse Reino não é uma vida no além, mas a vida presente, uma vez que é no hoje, no dia-a-dia, que o Reino de Deus deve ser edificado.



Somos desafiados por esse trecho do Evangelho a refletir e redefinir nossa maneira de viver e seguir a Jesus, cada vez mais conscientes dos desafios e dificuldades, renovando a coragem de abraçar a cruz, não como mero simbolismo, mas como disposição para a luta por um mundo novo, mesmo que isso nos renda, como rendeu a Jesus, o título de loucos, subversivos, bandidos e marginais. Os sinais do Reino só

 

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