sábado, 30 de julho de 2022

PECADOS CAPITAIS: COMO PODEMOS COMBATER O PECADO DA AVAREZA?

 


PECADOS CAPITAIS

Como podemos combater o pecado da avareza?

 

Padre Elenildo Pereira(*)

Qual é o remédio para o pecado da avareza?

Dando continuidade a nossa série de estudos sobre os pecados capitais, tomemos conhecimento, agora, do pecado da avareza e de qual é o remédio para combatê-lo: o desprendimento.

Jesus, já no Sermão da Montanha, alertou os discípulos quanto ao pecado da avareza. “Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou odiará a um e amará o outro, ou dedicar-se-á a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e à riqueza.” (cf. Mt 6,24). O avarento faz do dinheiro e da riqueza seus deuses; e nada é mais importante para ele do que seus bens.

 

São Paulo, na Carta aos Colossenses, chama o pecado da avareza de pecado de idolatria. “Mortificai, pois, os vossos membros terrenos: fornicação, impureza, paixões, desejos maus, cupidez e a avareza, que é idolatria” (Cl 3,5). O amor a Deus é desvirtuado pelo amor aos bens materiais. O problema não está em possuir dinheiro, pois ele é necessário para as necessidades do ser humano; o pecado está em fazer do dinheiro seu próprio deus. Em outras palavras, podemos dizer que o mal não é o dinheiro em si, mas o amor a ele. O mal consiste em buscar o dinheiro como um fim, não como meio.

Amor do avarento ao dinheiro chega a tal ponto, que ele tem coragem de fazer qualquer coisa em nome do dinheiro, inclusive tirar a vida do outro. Quantas pessoas passando necessidade por consequência do pecado da avareza! A pessoa não se contenta com o que tem, quer sempre mais e mais.

O catecismo não exita em dizer: “Uma teoria que faz do lucro a regra exclusiva e o fim último da atividade econômica é moralmente inaceitável. O apetite desordenado pelo dinheiro não deixa de produzir seus efeitos perversos. Ele é uma das causas dos numerosos conflitos que perturbam a ordem social”. (Catecismo, n. 2424).

Precisamos combater a avareza de nosso coração, porque ela é um mal tanto para nós mesmos e, acima de tudo, para os outros. Além do mais, ela poderá nos levar para o inferno. “Porque sabei-o bem: nenhum dissoluto, ou impuro, ou avarento verdadeiros idólatras! – terão herança no reino de Cristo e de Deus.” (Ef 5,5). O Senhor foi claro, quem dela praticar não herdará o reino de Cristo.

Infelizmente, “a riqueza é o grande deus atual; a ele rendem homenagem instintiva a multidão e toda a massa dos homens. Medem a felicidade pelo tamanho da fortuna e, segundo a fortuna, medem também a honradez (…). Tudo”. (Catecismo, n.1723).

Santo Agostinho nos ensina algo belíssimo! O “homem não se torna bom por possuir coisas boas. Ao contrário, o homem torna boas as coisa que possui, ao usá-las bem”. Ele ainda dizia: “não andes averiguando quanto tens, mas o que tu és”. É perceptível a crise em nosso tempo, existe um claro conflito entre o “ter” e o “ser”. Para muitas pessoas, o que importa mesmo é o ter. Não tomaram ainda consciência de quem elas são de fato.

Desprendimento

Entre os remédio contra o pecado da avareza a Igreja coloca a esmola, além do jejum e da oração. Vale citar várias passagens bíblicas onde a esmola ocupar um lugar privilegiado.

-Quem se apieda do pobre, empresta ao Senhor, que lhe restituirá o benefício. (Prov. 19,17).

-Dá esmola de teus bens, e não te desvies de nenhum pobre, pois, assim fazendo, Deus tampouco se desviará de ti.” (Tob 6,8).

-A esmola será para todos os que a praticam um motivo de grande confiança diante de Deus altíssimo. (Tob 4,12).

-Encerra a esmola no coração do pobre, e ela rogará por ti a fim de te preservar de todo mal. Para combater o teu inimigo, ela será uma arma mais poderosa do que o escudo e a lança de um homem valente. (Eclo 29,15-16).

Uma belíssima oração de pós-comunhão nos ajuda a refletir sobre o desapego dos bens materiais, e assim vencer o pecado da avareza. “Aproveite-nos, ó Deus, a participação nos vossos mistérios. Fazei que eles nos ajudem a amar, desde agora, o que é do céu; e caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”. O segredo está exatamente nisto: “caminhando entre as coisas que passam, abraçar as que não passam”. Precisamos nos prender aos bens eternos e não aos bens passageiros deste mundo.

 

(*)Padre Elenildo Pereira é membro da Comunidade Canção Nova. Licenciado em Filosofia pela Faculdade Canção Nova, Cachoeira Paulista (SP).  Bacharelando em Teologia pela Faculdade Dehoniana, Taubaté (SP) e pós-graduando em Bioética pela Faculdade Canção Nova. Atua no Departamento de TV da Canção Nova, no Santuário Pai das Misericórdias e Confessionários. Autor do livro “Ser humano, obra prima das mãos de Deus”, pela Editora Canção Nova.

https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/como-podemos-combater-o-pecado-da-avareza/

 


A VIDA ECONÔMICA: O HOMEM, POBREZA E RIQUEZA SEGUNDO OS ASPECTOS BÍBLICOS

 

A VIDA ECONÔMICA

O homem, pobreza e riqueza segundo os aspectos bíblicos

 

O homem colocado a serviço da humanidade e seguindo a Deus

 

324 No antigo Testamento, se percebe uma dupla postura em relação aos bens econômicos e a riqueza. Por um lado, apreço em relação a disponibilidade dos bens materiais considerados necessários para a vida: por vezes a abundância – mas não a riqueza e o luxo – é vista como uma bênção de Deus. Na literatura sapiencial, a pobreza é descrita como uma consequência negativa do ócio e da falta de laboriosidade (cf. Prov 10,4), mas também, como fato natural (cf. Prov 22,2). Por outro lado, os bens econômicos e a riqueza não são condenados por si mesmos, mas pelo o mau uso deles. A tradição profética estigmatiza as fraudes, a usura, a exploração, as injustiças manifestas, frequentes em relação aos mais pobres (cf. Is 58,3-11; Jr 7,4-7; Os 4,1-2; Am 2,6-7; Mq 2,1-2). Tais tradições, mesmo considerando um mal a pobreza dos oprimidos, dos fracos, dos indigentes, neles vê também um símbolo da situação do homem diante de Deus; d’Ele provêm todos os bens como dom a ser administrado e a ser partilhado.

325 Aquele que reconhece a própria pobreza diante de Deus, qualquer que seja a situação que esteja vivendo, é objeto de particular atenção da parte de Deus: quando o pobre O procura, o Senhor responde; quando grita, Ele o escuta. Aos pobres se dirigem as promessas divinas: eles serão os herdeiros da aliança entre Deus e o seu povo. A intervenção salvífica de Deus, se atenuará através de um novo David (cf. Ez 34,22-31), o qual, como e mais que o Rei David, será defensor dos pobres e promotor da justiça; ele estabelecerá uma nova aliança e escreverá uma nova lei no coração dos fiéis (cf. Jr 31,31-34).

A pobreza, quando é aceita ou procurada com espírito religioso, predispõem ao reconhecimento e à aceitação da ordem criatural; o -rico- nesta perspectiva, é aquele que repõem a sua confiança nas coisas que possui, mais que em Deus, é o homem que se faz forte pela obra de suas mãos e que confia somente nesta força. A pobreza assume o valor moral, quando se manifesta como humilde disponibilidade e abertura para com Deus, confiança n’Ele. Estas atitudes tornam o homem capaz de reconhecer a relatividade dos bens econômicos e dos tratados como dons divinos da administração e da partilha, porque a propriedade originária de todos os bens pertence a Deus. (…)

Vocação

326 À luz da Revelação, a atividade econômica deve ser considerada e desenvolvida como resposta reconhecida à vocação que Deus reserva a cada homem. Ela é colocada no jardim para cultivá-la e guardá-la, usando-a dentro de limites bem precisos (cf. Gn 2,16-17), no esforço de aperfeiçoamento (cf. Gn 1,26-30; 2,15-16; Sab 9,2-3). Fazendo-se testemunha da grandeza e da bondade do Criador, o homem caminha para a plenitude da liberdade em que Deus o chama. Uma boa administração dos dons recebidos, também dos dons materiais, é obra de justiça para consigo mesmo e para com os outros homens: aquilo que se recebe deve ser bem utilizado, conservado, acrescido, tal como ensina a parábola dos talentos (cf. Mt 25,14-31; Lc 19,12-27).

A atividade econômica e o progresso material devem ser colocados a serviço do homem e da sociedade; se a eles nos dedicarmos com a fé, a esperança e a caridade dos discípulos de Cristo, a própria economia e o progresso podem ser transformados em lugares de salvação e de santificação; nestes âmbitos também é possível dar expressão a um amor e a uma solidariedade mais que humanas e contribuir para o crescimento de uma humanidade nova, que prefigure o mundo dos últimos tempos. Jesus sintetiza toda a Revelação pedindo ao crente enriquecer diante de Deus (cf. Lc 12,21): também a economia é útil para este fito, quando não trai a sua função de instrumento para o crescimento global do homem e das sociedades, da qualidade humana da vida.

As riquezas existem para ser partilhadas

329 (…) As riquezas realizam a sua função de serviço ao homem quando destinadas a produzir benefícios para os outros e a sociedade: ”Como poderíamos fazer o bem ao próximo – interroga-se Clemente de Alexandria – se todos não possuíssem nada”? Na visão de São João Crisóstomo, as riquezas pertencem a alguns, para que estes possam adquirir mérito partilhando com os outros. Elas são um bem que vem de Deus: quem o possuir, deve usá-lo e faze-lo circular, de sorte que também os necessitados possam fruir; o mal está no apego desmedido às riquezas, no desejo de açambarcá-las. São Basílio Magno convida os ricos a abrirem as portas de seus armazéns e exclama: ”Um grande rio se derrama, em mil canais, sobre o terreno fértil: de igual modo, por mil vias, tu faze chegar a riqueza à habitação dos pobres”. A riqueza, explica São Basílio, é como a água que flui mais pura da fonte na medida em que dela se haure com mais frequência, mas que apodrece se a fonte permanece inutilizada. O rico, dirá mais tarde São Gregório Magno, não é mais que um administrador daquilo que possui; dar o necessário a quem necessita é obra a ser cumprida com humildade, porque os bens não pertencem a quem os distribui. Quem tem as riquezas somente para si não é inocente; dar a quem tem necessidade significa pagar um débito.

Fonte: Compêndio da Doutrina Social da Igreja

 

https://formacao.cancaonova.com/igreja/catequese/o-homem-pobreza-e-riqueza-segundo-os-aspectos-biblicos/

 


5G no Brasil: guia explica o que vai mudar com a nova tecnologia

 



5G no Brasil: guia explica o que vai mudar com a nova tecnologia

 

 

 

Belo Horizonte, João Pessoa e Porto Alegre serão as próximas capitais a receberem o 5G 'puro', que também está disponível em Brasília. Nova geração de internet oferece mais velocidade, mas vai demorar para chegar a todo o país. Tire dúvidas.

Por Alessandro Feitosa Jr e Victor Hugo Silva, g1

O 5G será ativado em mais três cidades na próxima sexta-feira (29): Belo Horizonte, João Pessoa e Porto Alegre. A informação foi confirmada pelo conselheiro Moisés Moreira, da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Uma reunião do Gaispi, grupo criado pela Anatel para cuidar da implantação da quinta geração de internet móvel está marcada para a quarta-feira (27) e deve formalizar a ativação da tecnologia nas três capitais.

Elas se juntarão a Brasília, que no início de julho se tornou a primeira capital do país a receber o 5G.

O prazo para todas as capitais brasileiras receberem o 5G é 29 de setembro de 2022. Inicialmente, ele era até 31 de julho, mas dificuldades logísticas na importação de equipamentos fizeram a Anatel estender o prazo. A previsão é de o 5G chegará a todas as cidades no Brasil até dezembro de 2029.

A quinta geração de internet móvel promete uma revolução: conexão com velocidade ultrarrápida, avanços de tecnologias como carros que dirigem sozinhos e a possibilidade de ligar muitos objetos à internet ao mesmo tempo.

 

O que é o 5G?

 

É a nova geração de internet móvel, uma evolução da conexão 4G atual.

A promessa é que ela trará mais velocidade para baixar e enviar arquivos, reduzirá o tempo de resposta entre diferentes dispositivos e tornará as conexões mais estáveis.

 

Essa evolução da rede vai permitir conectar muitos objetos à internet ao mesmo tempo: celular, carro, semáforo, relógio. Tudo isso já pode ser ligado ao 4G, mas é esperada uma melhoria na conexão.

O que significa Mbps, Gbps, MHz e GHz?

 

·         Hz: hertz, é a unidade de medida de frequência de ondas e equivale a um ciclo por segundo.

·         MHz: megahertz, representa 1 milhão de hertz (1 milhão de ciclos por segundo).

·         GHz: gigahertz, representa 1 bilhão de hertz (1 bilhão de ciclos por segundo).

·         Bps: bits por segundo, é a menor unidade medida de transmissão de dados por segundo.

·         Mbps: megabits por segundo, representa 1 milhão de bits por segundo.

·         Gbps: gigabits por segundo, representa 1 bilhão de bits por segundo.

 

O quanto ele é melhor que o 4G (na prática)?

 

A média da velocidade 4G no Brasil entre as quatro maiores operadoras é de 17,1 Mbps (megabits por segundo), de acordo com um relatório da consultoria OpenSignal de maio de 2021.

O valor pode variar de região para região, da operadora utilizada e até mesmo do horário em que uma pessoa acessa a rede.

Uma conexão 4G com excelente performance chega a próximo 100 Mbps, segundo Leonardo Capdeville, chefe de inovação tecnológica da TIM.

"Se fizermos uma analogia com o mundo real, 100 vezes mais rápido é a diferença de velocidade entre um ciclista de alta performance e um caça de guerra", afirmou Capdeville.

 

O 5G, por sua vez, pode chegar à velocidade entre 1 e 10 Gbps – uma diferença de 100 vezes ou mais em relação ao 4G.

Nem sempre o 5G vai atingir as velocidades absolutas, mas a melhora pode ser significativa.

 

As vantagens do 5G

o 5G também promete baixa latência, ou seja, um tempo mínimo de resposta entre um aparelho e os servidores de internet – aquele "delay" que acontece em ligações em vídeo, quando é preciso esperar uns segundos até que a pessoa do outro lado veja e ouça o que falamos.

"No 4G, quando é muito boa a latência, ela é de 50 a 70 milissegundos. No 5G, pode ficar de 1 a 5 milissegundos. Estamos falando em reduzir numa ordem de 10 vezes o tempo que uma informação leva para percorrer a rede", disse Capdeville.

 

Outra característica do 5G que difere das gerações de rede anteriores é que ele poderá lidar com muito mais dispositivos ligados ao mesmo tempo. A conexão também será mais confiável, pois um aparelho vai poder se conectar com mais de uma antena ao mesmo tempo.

 

O que o 5G vai permitir?

 

Essas melhorias de velocidade, tempo de resposta e confiança na rede prometem abrir um leque de aplicações, segundo especialistas.

Tecnologias como os carros autônomos e a telemedicina devem avançar com o 5G, bem como a chamada "indústria 4.0" com toda a linha de produção automatizada. Cirurgias feitas remotamente, por exemplo, serão mais confiáveis quando a rede oferecer um tempo de resposta mínimo.

Wilson Cardoso, membro do Instituto dos Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE) e diretor de soluções da Nokia na América Latina, lembra de usos da internet que passaram a ser possíveis com o 4G e faz um paralelo com a novidade.

"Não tínhamos Uber no 3G porque não as características que o Uber pede, de localização, de velocidade, não estavam disponíveis. Essas aplicações surgiram com as redes 4G espalhadas. Quando tivermos o 5G espalhadas, teremos sensores e novas aplicações", afirmou.

É o caso dos carros autônomos. Eles já existem, mas o tempo de resposta do 4G ainda não é veloz o suficiente para evitar acidentes em situações extremas, além de não suportar tantos dispositivos conectados ao mesmo tempo.

O 5G também pode revolucionar o próprio smartphone, já que as altas velocidades permitiriam que muito do processamento de tarefas deixe de acontecer no chip do aparelho e passe a ser na nuvem, pegando emprestado a potência dos computadores. O mesmo pode acontecer com acessórios médicos, como pulseiras e relógios conectados.

 

Em termos práticos e do dia a dia, as videochamadas devem se tornar mais claras, a experiência de jogos on-line também deve ser aprimorada, as transmissões de vídeo ao vivo devem travar menos e perder sinal em meio a uma multidão não deve mais acontecer.

 

Veja mais: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2022/07/06/5g-chega-ao-brasil-nesta-quarta-guia-explica-o-que-vai-mudar-com-a-nova-tecnologia.ghtml

 

 


SANTOS DA PRIMEIRA SEMANA DE AGOSTO EM DESTAQUE

 

SANTOS DA PRIMEIRA SEMANA DE AGOSTO EM DESTAQUE

 01de agosto Memória de Santo Afonso Maria de Ligório

 

Santo Afonso Maria de Ligório nasceu em Marianella, perto de Nápoles, a 27 de setembro de 1696. Era o primogênito de uma família bastante numerosa, pertencente à nobreza napolitana. Recebeu uma esmerada educação em ciências humanas, línguas clássicas e modernas, pintura e música. O jovem Afonso recebeu a formação completa para ser um cidadão da classe nobre. Era um jovem normal da sociedade napolitana.

Sua formação humana e espiritual foi esmerada. Sua mãe e seu pai lhe ensinaram um profundo amor a Jesus Cristo visto como o Menino de Belém, o Crucificado, o Jesus da Eucaristia, e Maria. Afonso aprendeu a buscar a perfeição humana e espiritual. Procurava viver na graça de Deus e não pecar. Desde pequeno participa da vida de comunidade, pertencendo a diversos grupos pastorais para convivência, crescimento espiritual e comprometimento com os necessitados. Eram as confrarias.

Foi ordenado sacerdote a 21 de dezembro de 1726, aos 30 anos. Seu sacerdócio foi o segundo passo para a definição de sua vida. Chamamos de êxodo. Seu sacerdócio é para o serviço da pregação e do atendimento as pessoas na confissão e orientação dos fiéis. Viveu seus primeiros anos de sacerdócio procurando atender os marginalizados de Nápoles. Fundou as "Capelas da Tarde", que eram centros dirigidos pelos próprios leigos para a oração, proclamação da Palavra de Deus, atividades sociais, educação e vida comunitária. Na época da sua morte, havia 72 dessas capelas com mais de 10 mil participantes ativos. Este foi o terceiro passo de sua caminhada espiritual. Começou a dedicar sua vida em favor dos pobres da cidade. 

Em 1729 Afonso deixou a família e passou a residir no Colégio Chinês de Nápoles. Foi aí que começou a sua experiência missionária no interior do Reino de Nápoles, onde ele encontrou gente muito mais pobre e mais abandonada que qualquer menino de rua de Nápoles. Ele fazia parte de uma associação de missionários da cidade de Nápoles. Era o grande pregador. Numa das missões conhece o pobre do campo. Indo fazer férias em um lugarejo, perto de Scala, tomou contato com a situação de abandono humano e espiritual dos pobres do interior.

 

Decisão vocacional


Teve grande sucesso em seu desenvolvimento profissional. Vivia sua vida cristã intensa, com sua família e no grupos espirituais em que participava. Mas faltava, como ele diz, a conversão. Esta ocorreu na Semana Santa de 1722. Em 1723, depois de um longo processo de discernimento, abandonou a carreira jurídica, definiu-se pelo Evangelho e, não obstante a forte oposição do pai, começou os estudos eclesiásticos. Foi o primeiro passo de sua caminhada.

 

Fundação da Congregação Redentorista 


Nestas férias conheceu uma irmã do mosteiro de Scala que estava trabalhando na fundação de uma nova congregação de irmãs contemplativas. Ela se chamava 
Maria Celeste Crostarosa. Estabeleceu-se uma grande amizade que vai durar a vida inteira, tanto é que guardou suas cartas por toda a vida. Ajudou-a na fundação da Ordem do Santíssimo Redentor, no dia 13.05.1731. Ela mesma diz a ele que o “Senhor queria que ele deixasse Nápoles e viesse para Scala para fundar a congregação dos homens para a evangelização”. Afonso, diante da experiência com os pobres, sua experiência pastoral e esta chamada de Deus, deixa Nápoles e vai para Scala “para viver entre os casebres e os currais dos pastores”, como escreve seu primeiro biógrafo. Foi o 4º passo de sua caminhada em seu êxodo em direção aos mais abandonados e por sua resposta ao chamado de Deus. 

 

No dia 9 de novembro de 1732, Afonso fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, popularmente conhecida como Redentorista, para seguir o exemplo de Jesus Cristo anunciando a Boa Nova aos pobres e aos mais abandonados. Daí em diante, dedicou-se inteiramente a esta nova missão. Não estava sozinho. Os primeiros companheiros, animados, não chegaram a um acordo e o deixaram só. Depois, lentamente vieram outros com grande força apostólica e muita santidade. Entre eles, temos o Beato Sarnelli, S. Geraldo e outros padres jovens animados pelo mesmo ideal de dar a vida pela Copiosa Redenção. Hoje já são 5.500 redentoristas. 

 

Uma vida dedicada à evangelização


Afonso era um amante da beleza: músico, pintor, poeta e escritor. Colocou toda a sua criatividade artística e literária a serviço da missão e o mesmo ele pediu aos que ingressavam na sua Congregação. Escreveu sobre espiritualidade e teologia 123 obras, que tiveram 21.500 edições e foram traduzidas em 72 línguas, o que comprova que ele é um dos autores mais lidos. Entre suas obras mais conhecidas estão: O Grande Meio da Oração, A Prática de Amar a Jesus Cristo, As Glórias de Maria e Visitas ao Santíssimo Sacramento. A oração, o amor, a comunhão com Cristo e sua experiência imediata das necessidades espirituais dos fiéis fizeram de Afonso um dos grandes mestres da vida interior. Os livros de espiritualidade eram lidos pelo povo, o que ajudou na formação e na piedade não somente dos letrados, como também dos humildes. 

 

https://www.a12.com/redentoristas/santos-e-beatos/santo-afonso-de-ligorio

 

 

 

 

 

04 de agosto -São João Maria Vianney

 

 

Com admiração, alegramo-nos com a santidade de vida do patrono de todos os vigários, conhecido por Cura D’Ars. São João Maria Vianney nasceu em Dardilly, no ano de 1786, e enfrentou o difícil período em que a França foi abalada pela Revolução Napoleônica.

Camponês de mente rude, proveniente de uma família simples e bem religiosa, percebia desde de cedo sua vocação ao sacerdócio, mas antes de sua consagração, chegou a ser um desertor do exército, pois não conseguia “acertar” o passo com o seu batalhão.

Ele era um cristão íntimo de Jesus Cristo, servo de Maria e de grande vida penitencial, tanto assim que, somente graças à vida de piedade é que conseguiu chegar ao sacerdócio, porque não acompanhava intelectualmente as exigências do estudo do Latim, Filosofia e Teologia da época (curiosamente começou a ler e escrever somente com 18 anos de idade).

João Maria Vianney, ajudado por um antigo e amigo vigário, conseguiu tornar-se sacerdote e aceitou ser pároco na pequena aldeia “pagã”, chamada Ars, onde o povo era dado aos cabarés, vícios, bebedeiras, bailes, trabalhos aos domingos e blasfêmias; tanto assim que suspirou o Santo: “Neste meio, tenho medo até de me perder”. Dentro da lógica da natureza vem o medo, mas da graça, a coragem. Com o Rosário nas mãos, joelhos dobrados diante do Santíssimo, testemunho de vida, sede pela salvação de todos e enorme disponibilidade para catequizar, o santo não só atende ao povo local como também ao de fora no Sacramento da Reconciliação.

Dessa forma, consumiu-se durante 40 anos por causa dos demais (chegando a permanecer 18 horas dentro de um confessionário alimentando-se de batata e pão). Portanto, São João Maria Vianney, que viveu até aos 73 anos, tornou-se para o povo não somente exemplo de progresso e construção de uma ferrovia – que servia para a visita dos peregrinos – mas, principalmente, e antes de tudo, exemplo de santidade, de dedicação e perseverança na construção do caminho da salvação e progresso do Reino de Deus para uma multidão, pois como padre teve tudo de homem e ao mesmo tempo tudo de Deus.

Foi canonizado pelo papa Pio XI, no ano de 1925.  Foi proclamado padroeiro dos sacerdotes e no dia de sua festa passou a ser celebrado o Dia do Padre.

 

São João Maria Vianney, rogai por nós!

 

https://santo.cancaonova.com/santo/sao-joao-maria-vianney/

 

 

 

 


SANTO AGOSTINHO E O PENSAMENTO SOCIAL: A CARIDADE E O RETO USO DOS BENS

 


A caridade e o reto uso dos bens

Francisco Venceslau de Oliveira Jales1

João Paulo Araújo Pimentel Lima2

 

É importante salientar que o desejo que Agostinho demonstra pela igualdade no seu Comentário a primeira carta de São João, não se refere à abolição das classes ou funções sociais, mas à igualdade de dignidade. Pois os bens mínimos destinados à vida humana foram dados por Deus a todos para serem usados ordenadamente:

Deus, pois, sapientíssimo criador e justíssimo ordenador de todas as naturezas, que na terra estabeleceu o gênero humano para ser-lhe o mais belo ornamento, deu aos homens certos bens convenientes a esta vida, quer dizer, a paz temporal, pelo menos a de que nosso destino mortal é capaz, a paz na conservação, integridade e união da espécie, tudo o que é necessário à manutenção ou à recuperação dessa paz, como, por exemplo, os elementos na convivência e no domínio de nossos sentidos, a luz visível, o ar respirável, a água potável e tudo quanto serve para alimentar, cobrir, curar e adornar o corpo, sob condição, muito justa, por certo, de que todo mortal que fizer uso legítimo desses bens apropriados à paz dos mortais os receberá maiores e melhores, a saber, a paz da imortalidade, acompanhada de glória e de honra próprias da vida eterna, para gozar de Deus e do próximo em Deus.36

E para que esses bens sejam usados ordenadamente, a fim de obtenhamos tanto a paz terrena como a celeste, Deus deixou dois preceitos:

... o amor a Deus e o amor ao próximo, nos quais o homem descobre três seres como objeto de amor, isto é, Deus, ele mesmo e o próximo, e não pecar , amando-se a si mesmo, quem ama a Deus, é lógico leve cada qual a amar a Deus o próximo a quem o mandam amar como a si mesmo. Assim deve fazer com a esposa, com os filhos, com os domésticos e com os demais homens com quem puder, como quer olhe o próximo por ele, caso venha a necessitar. Assim terá paz com todos em tudo que dele dependa, essa paz dos homens que é a ordenada concórdia. Eis a ordem que se há de seguir: primeiro, não fazer mal a ninguém; segundo, fazer bem a quem a gente possa.37

Tal ordem precisa ser rigorosamente respeitada para que os homens mantenham, entre si, uma relação de colaboração mútua e não de dominação, pois Deus: “Quis que o homem racional, feito à sua imagem, dominasse unicamente os irracionais, não o homem ao homem”38. Portanto, para garantir o ideal de igualdade, mesmo entre aqueles que mandam e os que obedecem (seja em relação aos deveres domésticos ou políticos), é preciso que exista um vínculo baseado não no domínio, mas no amor mútuo. Pois, o homem justo até quando exerce autoridade, o faz servindo, e a “... razão é que não manda por desejo de domínio, mas por dever de caridade, não por orgulho de reinar, mas por misericórdia de auxiliar” 39 . Não podemos esquecer que a busca pela igualdade atinge também um sentido político quando é estimulada a participação na vida pública a fim de tornar a sociedade mais justa e pacífica40. No entanto, se não é possível criar as condições objetivas de igualdade, cada um deve fazer a sua obrigação, que começa pelo atendimento aos mais pobres. Portanto, temos a dever de dividir e quem não compartilha o seu supérfluo não age com caridade e não está com Deus. Para Agostinho, numa sociedade desigual, a atitude ideal é que ocorra a doação do excedente, pois aquilo que o homem tem de supérfluo já não lhe pertence mais, porque os bens são de quem deles precisa; de modo que “... possuem bens alheios os que possuem bens supérfluos” 41 . O apego aos bens materiais é contrário ao preceito da caridade e se torna um obstáculo para a vida feliz. Quando, ao invés de compartilhar o excedente, o homem acumula riquezas, atrai para si dois grandes problemas. O primeiro é a negação da ordem do amor e, por conseguinte, o afastamento de Deus. Pois, se Deus está onde existe a caridade, aquele que não a pratica também não vivencia a presença de Deus. E o segundo são os próprios males oriundos do acumulo de bens e riquezas, que o afastam da vida feliz:

 

As riquezas, o brilho das honras e as demais vaidades com as quais os mortais se julgam felizes — por não conhecerem a verdadeira felicidade — nada trazem de seguro. Pois, que consolo podem trazer, quando para essas pessoas é mais importante a ostentação do que o necessário? Quando os bens adquiridos atormentam mais pelo temor de os perder, do que pelo prazer de os possuir? Com tais bens os homens não se tornam bons. Os que chegam a se tornar bons, na verdade, é pelo bom uso que deles fazem. E isso é o que torna esses bens algo de bom.42

Portanto, se não são usados retamente, os bens constituem um obstáculo para a vida feliz, e seu acúmulo é nocivo para a vida dos homens. Para Agostinho, quem amontoa riquezas, preenche-se de perturbações e afasta-se da beatitude. Logo, é preferível ter uma vida moderada; e o supérfluo deve ser obrigatoriamente divido, pois o ato de acumular constitui grave transgressão da ordem do amor. Poder-se-ia, então, perguntar: já que o acúmulo de bens constitui um obstáculo para a vida feliz e, de acordo com a ordem do amor, é imperativo doar o excedente, existe, no pensamento de Agostinho, uma predileção para a comunhão de bens e, por conseguinte, certo desprezo pela propriedade privada? A resposta seria positiva, pois, como demonstram seus escritos, ele tem uma clara preferência pelo que é comum em detrimento do que é privado43 .

Contudo, não há uma explícita condenação da propriedade privada. O que existe, na verdade, é uma tolerância à propriedade privada se considerada o uso correto da mesma. Segundo Ramos, o que Agostinho afirma é que a posse dos bens deve ser orientada pela ordem do amor44. E, conforme já apresentamos, esta ordem nos impele à assistência aos mais pobres e ao compartilhamento dos bens supérfluos. E no caso específico do Estado, é preciso que ele funcione para diminuir as injustiças, tornando menos nociva a opressão sobre os mais frágeis. Não existe, portanto, uma acomodação às regras civis. A lei terrena deve ser guiada pela lei eterna e, assim, garantir o mínimo de injustiças, enquanto a verdadeira amizade, baseada no amor gratuito, não é efetivada. Por esse motivo, torna-se claro que há, no pensamento social de Agostinho, uma preferência do comum sobre o privado. Tanto os homens como Estado devem agir priorizando o bem comum. Pois “... para a caridade importa mais o que é comum do que o que é privado”45 uma vez que “... é no privado que se deleita toda a soberba”46 . Em outros momentos, entretanto, o Bispo de Hipona chega a tecer críticas contundentes aos bens particulares, inclinando seu pensamento para uma apologia à comunhão dos bens. Diz ele: “... necessariamente se torna soberbo quem possui bens particulares”47 . Neste sentido, poderíamos então considerar a posse de qualquer bem um passo para a soberba? Agostinho desenvolve uma resposta a essa pergunta em uma longa e importante passagem do seu Comentário aos Salmos:

Quem, contudo, quer arranjar um lugar para o Senhor, contente fica não com seus bens particulares, mas com os comuns. Foi isso que os fiéis então fizeram com seus próprios bens; puseram-nos em comum. Então perderam o que tinham de seu? Se os possuíssem sozinhos, cada qual teria o que era seu; teria apenas isso; ao tornarem comuns seus bens particulares, também os bens dos outros se fizeram seus. A caridade esteja atenta. Por causa dos bens que cada um de nós possui, existem contendas, inimizades, discórdias, lutas entre os homens, tumultos, dissensões, escândalos, pecados, iniquidades, homicídios. Por que razão? Por causa do que possuímos em particular. Acaso brigamos por causa do que possuímos em comum? Em comum respiramos o mesmo ar, vemos em comum o mesmo sol. Felizes, portanto, os que de tal modo dispõem um lugar para o Senhor, que não gostam de ter bens particulares.48

Não se pode negar que há em Agostinho uma veemente defesa da comunhão dos bens. Pois, o compartilhamento destes é um caminho para o fim das pelejas entre os homens, ao passo que o seu acúmulo inclina a humanidade à soberba. Por fim, vejamos como bispo de Hipona antepõe o comum ao privado na sua obra Regra para os servos de Deus:

Igualmente, que ninguém trabalhe para si próprio, mas cada um de vós trabalhe em favor de todos. E nisso ponha mais aplicação, constância e zelo do que se trabalhasse em benefício pessoal [...]. Isso significa que o bem comum deve se antepor ao bem particular e não o bem particular ao comum. E, assim, podereis medir vosso crescimento, pelo modo com que vos preocupais com o interesse comum, colocando-o acima de vosso interesse particular.49

Apesar de ter sido escrita para o uso monástico, a Regra traz ensinamentos universais importantes que corroboram as citações das outras obras. Portanto, não restam dúvidas de que, entre o comum e o privado, Agostinho demonstra uma clara preferência pela vida em comum, ou seja, pela comunhão dos bens

Conclusão

Embora o Bispo de Hipona não aborde os temas de forma sistemática, é possível traçar, através do corpus agostiniano, os caminhos do seu rigoroso pensamento. Acerca da caridade, buscamos realizar uma análise, à luz do seu pensamento social, levantando passagens de seus tratados, comentários e cartas, que fossem suficientes para comprovar a tese final deste texto: o amor a Deus implica necessariamente no amor fraterno, e este se concretiza na prioridade do comum frente ao particular, no que diz respeito o uso dos bens. Desse modo, entendemos que o compromisso com o bem comum, exposto por Agostinho, deve nortear a lei terrena. E mesmo que a opção pela comunhão dos bens e a igualdade social jamais seja alcançada, ela funciona como um ideal, ou seja, como modelo de uma sociedade onde imperam a caridade e a justiça. Pois uma vida orientada pela caridade fraterna é, sem dúvida, uma vida a serviço do outro.

 

NOTAS

1 Professor do Curso de Filosofia da Universidade Estadual do Ceará – UECE.

2 Mestre em Filosofia pela Universidade Federal do Ceará – UFC

36 De civ. Dei, XIX, 13. 

37 De civ. Dei, XIX, 14.

38 De civ. Dei, XIX, 15

39 De civ. Dei, XIX, 14

40 Cf. Ep., 138, III, 17.

41 En., Ps., 147, 12.

 42 Ep. 130, 1, 3.

43 Cf. Ep. 140, 24-25.

44 Cf. RAMOS, Manfredo. A ideia de estado na doutrina ético-política de Santo Agostinho: um estudo do Epistolário comparado com o “De Civitate Dei”. Porto Alegre: Letra&Vida, 2015. p. 262.

45 Ep. 140, 25, 62. “Y pues la caridad mira más por lo común que por lo privado”

46 Ep. 140, 24, 61. “en lo privado en lo que se deleita toda soberbia”.

47 En. Ps., 131, 7.

48 En. Ps., 131, 5.

49 Reg., V, 31

 

Referências

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______. Comentário da primeira epístola de São João. Tradução e notas de Nair de Assis Oliveira. São Paulo: Paulinas, 1986.

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NERI, Demetrio. Filosofia moral: manual introdutório. Tradução de Orlando Soares Moreira. São Paulo: Loyola, 2004.

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