4-REFLEXÕES PARA A SOLENIDADE
DE PENTECOSTES
4.1- UM SÓ ESPÍRITO
O
envio do Espírito Santo por Jesus ressuscitado e pelo Pai celestial marca o
início efetivo da missão da Igreja no mundo e na história. Depois de sua
Ascensão gloriosa ao céu, Jesus continua presente na sua Igreja, mas não mais
de modo visível e “histórico”, como antes de sua paixão e morte. Agora, sua
missão segue e é cumprida de modo visível e histórico pela Igreja, nas mais
diversas culturas, regiões e situações humanas e culturais. Mas isso não
acontece unicamente com as forças humanas da própria Igreja: Como Jesus
prometeu, o Pai e o Filho assistem e animam constantemente a Igreja mediante a
ação do Espírito Santo. É Ele o consolador, o defensor, o mestre, o inspirador,
a luz, o dinamizador e vivificador e renovador da Igreja. A ela, cabe abrir-se
ao Espírito, deixar-se conduzir por ele e colaborar com ele. Sem essa divina
presença e ação na Igreja, ela seria apenas uma organização humana, cuja
capacidade não iria além das capacidades humanas. No entanto, pela presença e
atuação do Espírito Santo, a pregação do Evangelho atinge os corações, desperta
a fé e leva à conversão, ao arrependimento dos pecados e à vida conforme o
Evangelho. Pela ação do Espírito Santo, os Sacramentos da Igreja são mais que
mero ritualismo e “teatrinho religioso”, mas têm efeito e realizam aquilo que
significam; pela mesma ação do Espírito Santo, podemos perseverar na fé e na
esperança e, sempre de novo, as pessoas se dedicam à caridade e à promoção das
obras de justiça e misericórdia. É ainda pela ação do Espírito Santo que desertam
vocações sacerdotais e religiosas e partem missionários, deixando tudo para
trás para se dedicar ao anúncio e a testemunho do Evangelho nos lugares mais
exigentes do mundo. É com a ação e a graça do Espírito Santo que casais se unem
em matrimônio e são fiéis um ao outro e a seus deveres matrimoniais e
familiares. Onde se realiza o bem, e não apenas na Igreja, é sempre pela ação e
com a ajuda do Espírito Santo. E também é pela ação do Espírito Santo que a
Igreja vive e cumpre sua missão, apesar das fragilidades humanas de seus
membros. Porque o Espírito Santo age na Igreja, ela é capaz de, sempre de novo,
partir em missão, chamar a humanidade à justiça, à fraternidade e à paz. São
Paulo recorda que há um só Espírito Santo e, por isso, não devem existir divisões
no corpo da Igreja. Todos os membros da Igreja, mediante as suas múltiplas
capacidades e dons, são chamados a contribuir para o bem desse único corpo de
Cristo. E ninguém pode pretender que possui o monopólio da inspiração e a ação
do Espírito Santo. Isso já seria um pecado contra o Espírito Santo, pois
equivaleria a negar, ou desprezar a ação do Espírito Santo nos outros membros
da Igreja. O critério para saber se estamos animados pelo verdadeiro Espírito
de Deus é a vivência da comunhão no corpo da Igreja. Nele se faz o
“discernimento dos espíritos” , é confirmada a nossa fé e a ação do Espírito
Santo. Feliz festa de Pentecostes! Que o Espírito Santo nos mantenha unidos na
comunhão da Igreja de Cristo.
Cardeal Odilo Pedro
Scherer Arcebispo de São Paulo
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/03/Ano-50A-33-SOLENIDADE-DE-PENTECOSTES.pdf
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