sexta-feira, 22 de maio de 2026

7-MEDITANDO A PALAVRA DE DEUS E UMA CATEQUESE SOBRE OS SETE DONS DO ESPÍRITO SANTO DO PAPA FRANCISCO

 

7-MEDITANDO A PALAVRA DE DEUS E UMA CATEQUESE SOBRE OS SETE DONS DO ESPÍRITO SANTO DO PAPA FRANCISCO

 Hoje celebramos a Solenidade de Pentecostes. Percorremos exatos cinquenta dias do Tempo Pascal, e com esta celebração encerra-se esse tempo litúrgico e retomamos o Tempo Comum, o tempo da vida pública de Jesus e da nossa missão. A Solenidade de hoje marca simbolicamente, o início da Igreja Missionária. A Igreja que, guiada pelo Espírito Santo, vai até os confins da terra, levando a Palavra de Deus e anunciando o seu Reino. É do recebimento do Espírito Santo e do envio para a missão que fala a liturgia de hoje. A primeira leitura apresenta os discípulos reunidos no mesmo lugar. Destaque para a unidade, pois o Espírito é aquele que une. Estar reunidos num mesmo lugar é sinal de união. Lucas, em seguida, relata a manifestação do Espírito Santo com sinais Teofânicos (forte ventania) e com símbolos (línguas de fogo). As línguas de fogo se repartiam e pousavam sobre cada um deles, isto é, o Espírito preencheu cada um, na sua individualidade. É a unidade na diversidade. Todos receberam dons do Espírito Santo, que os une, dá entendimento, sabedoria, temor de Deus, fortaleza, ciência, conselho, inteligência. Somos diferentes, temos dons distintos, porém temos que estar unidos no mesmo Cristo Senhor. Essas diferenças de dons, de serviços, de ministérios é que fazem a riqueza da nossa Igreja. Uma Igreja ministerial, a serviço do Reino de Deus, unida pelo Espírito Santo em vista do bem comum. Como enviado do Pai, Jesus confirma os discípulos na missão: “Como o Pai me enviou, também eu vos envio”. E o Espírito Santo recorda tudo aquilo que Jesus disse. É a memória viva da Igreja. Jesus se coloca no meio dos discípulos. Esse gesto de Jesus significa que, Ele deve ser o centro da vida deles. Quem tem Jesus como centro de sua vida não teme e não se fecha, mas corajosamente se abre para a missão. Hoje esta missão está confiada a nós, discípulos missionários. Servir na humildade, porém com coragem e firmeza, significa ser perseverante diante dos obstáculos e não esmorecer quando as coisas não saem como queríamos que saíssem. Jesus chama, capacita e envia seus discípulos para a missão. A Solenidade de Pentecostes recorda que o Espírito foi derramado sobre nós para exercermos com afinco nossa missão de batizados. A luz de Cristo agora está no coração de cada ser humano para ser anunciada ao mundo. O sim a esta verdade depende de nós. (D.R) 27.

. O saudoso Papa Francisco nos deixou uma catequese sobre os sete dons do Espírito Santo

- Dom da Ciência O dom da ciência faz que o cristão penetre na realidade deste mundo sob a luz de Deus; vê cada criatura como reflexo da sabedoria do Criador e como caminho a Deus. Leva o homem a compreender o vestígio de Deus que há em cada ser criado. O homem foi feito para Deus e só n’Ele pode descansar, como disse Santo Agostinho. Por este dom o cristão reconhece o sentido do sofrimento e das humilhações no plano de Deus, que liberta e purifica o homem.

- Dom do Entendimento

O dom do entendimento ou inteligência nos ajuda a penetrar no íntimo das verdades reveladas por Deus e entendê-las. Por ele o cristão contempla os mistérios da fé. É um entendimento diferente daquele que o teólogo obtém pelo estudo; o que é penoso e lento. O dom da inteligência é eficaz mesmo sem estudo; é dado aos pequeninos e ignorantes, desde que tenham grande amor a Deus. Um irmão leigo franciscano disse certa vez a São Boaventura († 1274), o Doutor Seráfico: “Felizes vós, homens doutos, que podeis amar a Deus muito mais do que nós, os ignorantes!” Respondeu-lhe Boaventura: “Não é a doutrina alcançada nos livros que mede o amor; uma pobre velha ignorante pode amar a Deus mais do que um grande teólogo se estiver unida a Deus.” Por esse dom conhecemos os nossos 07 pecados e a nossa miséria. Os santos, quanto mais se aproximaram de Deus, mais tiveram consciência do seu pecado ou da sua distância de Deus.

- Dom da Sabedoria

O dom da sabedoria nos dá um conhecimento da verdade revelada por Deus. Abrange todos os conhecimentos do cristão e os põe sob a luz de Deus, mostra a grandeza do plano do Criador e a sua onipotência. Vem da intimidade com o Senhor. “O dom da sabedoria faz-nos ver com os olhos do Bem-amado”, dizia um grande místico. Isto não quer dizer que devemos menosprezar o estudo, pois, se Deus nos deu a inteligência, foi para que a apliquemos à verdade, que é Ele mesmo. Os teólogos afirmam que veremos a Deus face a face por toda a eternidade na proporção do amor com que O tivermos amado nesta vida.

- Dom do Conselho

O dom do conselho permite ao cristão tomar as decisões oportunas nas horas difíceis da vida, para que se comporte como verdadeiro filho de Deus. Isso, às vezes, exige coragem. Pelo dom do conselho o Espírito Santo nos inspira a maneira correta de agir no momento oportuno. “Todas as coisas têm o seu tempo, e tudo o que existe debaixo dos céus tem a sua hora [...]” (Ecl 3, 1-8); fora desse momento preciso, o que é oportuno pode tornar-se inoportuno; nem sempre é fácil discernir se é oportuno falar ou calar, ficar ou partir, dizer “sim” ou dizer “não”.

- Dom da Piedade

O dom da piedade nos orienta em todas as relações que temos com Deus e com o próximo. São Paulo se refere a isso: “Recebestes o Espírito de adoção filial, pelo qual bradamos: Abbá ó Pai” (Rm 8,15). O Espírito Santo, mediante o dom da piedade, nos faz, como filhos adotivos de Deus, reconhecer Deus como Pai. E, pelo fato de reconhecermos Deus como Pai, consideramos as criaturas com olhar novo. Este dom nos leva a considerar o fato de que Deus é sumamente santo e sábio: “Nós vos damos graças por vossa grande glória”. É o dom da piedade que leva os santos a desejar, acima de tudo, a honra e a glória de Deus. “Para que em tudo seja Deus glorificado”, diz São Bento. E Santo Inácio de Loiola exclama: “Para a maior glória de Deus”. É também o dom da piedade que desperta no cristão a inabalável confiança em Deus Pai, como, por exemplo, Santa Teresinha. Este dom leva o cristão a ver o outro como irmão e a amá-lo como filho de Deus.

 

- Dom da Fortaleza

O dom da fortaleza nos dá força para a fidelidade à vida cristã, cheia de dificuldades. Jesus disse que “o Reino dos céus sofre violência dos que querem entrar, e violentos se apoderam dele” (Mt 11,12). Pelo dom da Fortaleza o Espírito Santo nos dá a coragem necessária para a luta diária contra nós mesmos, nossas paixões e problemas, com paciência, perseverança, coragem e silencio. Nos dá forças além das naturais. Esta força divina transforma os obstáculos em meios e nos dá a paz mesmo nas horas mais difíceis. Foi o que levou São Francisco de Assis a dizer: “Irmão Leão, a perfeita alegria consiste em padecer por Cristo, que tanto quis padecer por nós”.

- Dom do Temor de Deus

O dom do temor de Deus nos leva a amá-Lo tão profundamente que tenhamos receio de ofendê-Lo. Nada tem a ver com o temor do mercenário ou o temor do castigo (do escravo); mas é o temor do amor do filho. É a rejeição que o cristão experimenta diante da possibilidade de ofender a Deus; brota das entranhas do amor. Não há verdadeiro amor sem este tipo de temor. Medo de ofender o Amado. Pelo dom do temor de Deus a vitória é rápida e perfeita, pois é o Espírito que move o cristão a dizer “não” à tentação. O dom do temor de Deus está ligado à virtude da humildade, que nos faz conhecer nossa miséria, impede a presunção e a vã glória, e assim, nos torna conscientes de que podemos ofender a Deus; daí surge o santo temor de Deus. Ele se liga também à virtude da temperança; combate a concupiscência e os impulsos desordenados do coração, para não ofender e magoar a Deus.

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