2-Liturgia da Solenidade de Santa Maria, Mãe de
Deus- Ano A
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Celebramos a solenidade de Maria, Mãe de Deus. Ela encerra a Oitava do Natal.
"Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino,
deram-lhe o nome de Jesus" (Lc 2,21). Por oito dias, a alegria do
Nascimento do Senhor se prolongou para nós. A presença de Maria nos textos
bíblicos de hoje é discreta, pois o acento maior está sobre o seu Filho, o
Filho de Deus. De fato, este é o lugar onde ela mesma sempre se colocou: à
sombra de seu Filho, à sombra de Deus, que realizou por meio dela a entrada da
salvação no mundo. Maria sempre se fez instrumento nas mãos do Senhor:
"Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra"
(Lc 1,38).
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Este dia, por desejo do Papa São Paulo VI, é celebrado em toda a Igreja como o Dia Mundial da Paz. Com Maria, elevamos
a Deus esta oração, pois foi por meio dela que o Príncipe da Paz entrou no
mundo. Rezemos pelo nosso país, pelo mundo e por tantas situações de dor,
guerra, violência, discórdia e divisão, que ferem a humanidade e machucam o
coração de Deus. Na mensagem deste ano, o Papa Leão, recordando as palavras
ditas no dia de sua eleição, desejou à Igreja e ao mundo a paz do Senhor:
"A paz esteja com todos vós! [...]. Também eu gostaria que esta saudação
de paz entrasse no vosso coração, chegasse às vossas famílias, a todas as
pessoas, onde quer que se encontrem, a todos os povos, a toda a terra. A paz
esteja convosco!". Esta é a paz de Cristo Ressuscitado: uma paz
"desarmada" e, ao mesmo tempo, "desarmante", humilde e
perseverante, que vem de Deus, que nos ama a todos incondicionalmente. O Papa
convida a humanidade a renunciar à lógica da violência e da guerra, em vista de
uma paz autêntica: "desarmada", não baseada no medo, nas ameaças ou
nas armas; e "desarmante", porque capaz de dissolver conflitos, abrir
os corações, gerar empatia, confiança e esperança. Uma paz capaz de produzir
verdadeira fraternidade entre os homens.
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Sobre o tesouro da fraternidade humana, cujo modelo é Jesus Cristo, Filho de
Deus e Filho de Maria, Paulo exorta os Gálatas a renovar o estilo de vida,
abandonando a escravidão e vivendo como filhos e filhas de Deus: "Quando
se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher,
sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei, para que todos
recebêssemos a filiação adotiva" (Gl 4,4-5). Se todos vivemos do mesmo
Espírito de Jesus, que nos leva a chamar Deus de Pai, esta intimidade com Ele
supõe também uma fraternidade entre nós: todos somos irmãos, filhos do mesmo
Pai e da mesma Mãe. Logo, temos responsabilidade uns pelos outros: cuidar,
zelar, amar e proteger os mais frágeis. Amar como Jesus nos amou, Ele que é o
modelo da humanidade nova.
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Neste mesmo dia celebramos ainda o início do ano civil: o ano de 2026 da graça
do Senhor. A primeira leitura nos mostra como os sacerdotes do Antigo
Testamento deviam invocar a bênção sobre o povo de Deus. Ainda hoje, tais
palavras permanecem atuais, pois o sacerdócio da Nova Aliança continua a invocar
sobre o povo a bênção do Senhor. Essa bênção é comunicação de vida: Deus nos dá
daquilo que Ele é, trazendo-nos força, vigor e felicidade. São três invocações,
cada uma com dois pedidos: "O Senhor te abençoe e te guarde!" (vida e
proteção); "O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de
ti" (graça e misericórdia); "O Senhor volte para ti o seu rosto e te
dê a paz!" ("shalom": plenitude e felicidade). Assim, o Nome do
Senhor é invocado sobre nós no início deste ano, para que Sua presença redentora
nos acompanhe. Contudo, é preciso cuidado: a bênção não é fórmula mágica. Deus
e magia não combinam. A bênção - que é a vida de Deus - só frutifica em nós
quando acolhida com o nosso SIM. - No Evangelho, os pastores - pobres,
excluídos da religião oficial, vítimas de preconceito - acolhem a novidade
anunciada pelos anjos e correm às pressas para encontrar o Menino. Encontram
tudo como lhes havia sido dito e relatam maravilhas. A Boa Notícia se abre para
todos, e todos ficam admirados com o que ouvem. "Quanto a Maria, guardava
todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração" (Lc 2,19). A
atitude de Maria é a do coração capaz de se maravilhar diante da ação de Deus
libertador, que age com amor em favor da humanidade. "Observar",
"conservar" e "meditar" é ter sensibilidade para reconhecer
os sinais de Deus e sabedoria da fé para interpretá-los à luz do Seu plano. É
isso que faziam os profetas. A atitude meditativa de Maria, que interioriza e
aprofunda os acontecimentos, complementa a atitude missionária dos pastores,
que anunciam a salvação de Deus manifestada no nascimento de Jesus. Eis duas
coordenadas essenciais da vida do cristão: anúncio (evangelização) e
contemplação (oração).
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Filhos de Deus pela graça de Cristo,
somos também filhos de Maria, segundo a vontade de Jesus. Ela é modelo,
sinal de esperança e segurança no caminho para Deus. Sua atitude meditativa faz
de seu coração verdadeira Arca da Palavra de Deus, onde estão guardados os
insondáveis mistérios do Verbo. Mistérios acolhidos, guardados e meditados.
Recorrer a Maria é buscar este tesouro precioso. Com ela aprendemos a acolher o
Senhor, obedecendo à sua Palavra, para gerar Cristo em nós - não por esforço
próprio, mas pela graça que se derrama abundantemente. Também em nós Cristo é gerado
quando acolhemos a Palavra e deixamos que ela nos transforme. Que a bênção do
Senhor, acolhida em corações generosos neste início de ano, nos enriqueça com a
vida divina. Como Maria, sejamos repletos de graça e capazes de irradiar a
verdadeira Paz. Amém.
https://diocesedesaomateus.org.br/wpcontent/uploads/2025/12/01_01_26.pdf
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