quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

2-Liturgia da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus- Ano A

 

 

2-Liturgia da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus- Ano A

 

- Celebramos a solenidade de Maria, Mãe de Deus. Ela encerra a Oitava do Natal. "Quando se completaram os oito dias para a circuncisão do menino, deram-lhe o nome de Jesus" (Lc 2,21). Por oito dias, a alegria do Nascimento do Senhor se prolongou para nós. A presença de Maria nos textos bíblicos de hoje é discreta, pois o acento maior está sobre o seu Filho, o Filho de Deus. De fato, este é o lugar onde ela mesma sempre se colocou: à sombra de seu Filho, à sombra de Deus, que realizou por meio dela a entrada da salvação no mundo. Maria sempre se fez instrumento nas mãos do Senhor: "Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua Palavra" (Lc 1,38).

- Este dia, por desejo do Papa São Paulo VI, é celebrado em toda a Igreja como o Dia Mundial da Paz. Com Maria, elevamos a Deus esta oração, pois foi por meio dela que o Príncipe da Paz entrou no mundo. Rezemos pelo nosso país, pelo mundo e por tantas situações de dor, guerra, violência, discórdia e divisão, que ferem a humanidade e machucam o coração de Deus. Na mensagem deste ano, o Papa Leão, recordando as palavras ditas no dia de sua eleição, desejou à Igreja e ao mundo a paz do Senhor: "A paz esteja com todos vós! [...]. Também eu gostaria que esta saudação de paz entrasse no vosso coração, chegasse às vossas famílias, a todas as pessoas, onde quer que se encontrem, a todos os povos, a toda a terra. A paz esteja convosco!". Esta é a paz de Cristo Ressuscitado: uma paz "desarmada" e, ao mesmo tempo, "desarmante", humilde e perseverante, que vem de Deus, que nos ama a todos incondicionalmente. O Papa convida a humanidade a renunciar à lógica da violência e da guerra, em vista de uma paz autêntica: "desarmada", não baseada no medo, nas ameaças ou nas armas; e "desarmante", porque capaz de dissolver conflitos, abrir os corações, gerar empatia, confiança e esperança. Uma paz capaz de produzir verdadeira fraternidade entre os homens.

- Sobre o tesouro da fraternidade humana, cujo modelo é Jesus Cristo, Filho de Deus e Filho de Maria, Paulo exorta os Gálatas a renovar o estilo de vida, abandonando a escravidão e vivendo como filhos e filhas de Deus: "Quando se completou o tempo previsto, Deus enviou o seu Filho, nascido de uma mulher, sujeito à Lei, a fim de resgatar os que eram sujeitos à Lei, para que todos recebêssemos a filiação adotiva" (Gl 4,4-5). Se todos vivemos do mesmo Espírito de Jesus, que nos leva a chamar Deus de Pai, esta intimidade com Ele supõe também uma fraternidade entre nós: todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai e da mesma Mãe. Logo, temos responsabilidade uns pelos outros: cuidar, zelar, amar e proteger os mais frágeis. Amar como Jesus nos amou, Ele que é o modelo da humanidade nova.

- Neste mesmo dia celebramos ainda o início do ano civil: o ano de 2026 da graça do Senhor. A primeira leitura nos mostra como os sacerdotes do Antigo Testamento deviam invocar a bênção sobre o povo de Deus. Ainda hoje, tais palavras permanecem atuais, pois o sacerdócio da Nova Aliança continua a invocar sobre o povo a bênção do Senhor. Essa bênção é comunicação de vida: Deus nos dá daquilo que Ele é, trazendo-nos força, vigor e felicidade. São três invocações, cada uma com dois pedidos: "O Senhor te abençoe e te guarde!" (vida e proteção); "O Senhor faça brilhar sobre ti a sua face e se compadeça de ti" (graça e misericórdia); "O Senhor volte para ti o seu rosto e te dê a paz!" ("shalom": plenitude e felicidade). Assim, o Nome do Senhor é invocado sobre nós no início deste ano, para que Sua presença redentora nos acompanhe. Contudo, é preciso cuidado: a bênção não é fórmula mágica. Deus e magia não combinam. A bênção - que é a vida de Deus - só frutifica em nós quando acolhida com o nosso SIM. - No Evangelho, os pastores - pobres, excluídos da religião oficial, vítimas de preconceito - acolhem a novidade anunciada pelos anjos e correm às pressas para encontrar o Menino. Encontram tudo como lhes havia sido dito e relatam maravilhas. A Boa Notícia se abre para todos, e todos ficam admirados com o que ouvem. "Quanto a Maria, guardava todos esses fatos e meditava sobre eles em seu coração" (Lc 2,19). A atitude de Maria é a do coração capaz de se maravilhar diante da ação de Deus libertador, que age com amor em favor da humanidade. "Observar", "conservar" e "meditar" é ter sensibilidade para reconhecer os sinais de Deus e sabedoria da fé para interpretá-los à luz do Seu plano. É isso que faziam os profetas. A atitude meditativa de Maria, que interioriza e aprofunda os acontecimentos, complementa a atitude missionária dos pastores, que anunciam a salvação de Deus manifestada no nascimento de Jesus. Eis duas coordenadas essenciais da vida do cristão: anúncio (evangelização) e contemplação (oração).

- Filhos de Deus pela graça de Cristo, somos também filhos de Maria, segundo a vontade de Jesus. Ela é modelo, sinal de esperança e segurança no caminho para Deus. Sua atitude meditativa faz de seu coração verdadeira Arca da Palavra de Deus, onde estão guardados os insondáveis mistérios do Verbo. Mistérios acolhidos, guardados e meditados. Recorrer a Maria é buscar este tesouro precioso. Com ela aprendemos a acolher o Senhor, obedecendo à sua Palavra, para gerar Cristo em nós - não por esforço próprio, mas pela graça que se derrama abundantemente. Também em nós Cristo é gerado quando acolhemos a Palavra e deixamos que ela nos transforme. Que a bênção do Senhor, acolhida em corações generosos neste início de ano, nos enriqueça com a vida divina. Como Maria, sejamos repletos de graça e capazes de irradiar a verdadeira Paz. Amém.

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