004-
REFLEXÕES PARA ESTE 2.º DOMINGO DA QUARESMA
4.1- A
TRANSFIGURAÇÃO DO SENHOR NO MONTE TABOR
Neste segundo domingo da Quaresma a liturgia da Igreja
nos apresenta o mistério da Transfiguração de Jesus: consiste numa manifestação
externa e visível da sua natureza divina. Trata-se de uma exceção: em geral,
Jesus não centra a atenção dos outros em sua Pessoa, ainda que dê mostras do
seu Ser divino, quando concede o perdão dos pecados, em suas palavras de
sabedoria, por conhecer os pensamentos das pessoas, mostrar que conhece o
passado e o futuro, além de realizar todo tipo de milagres. Nesta cena há o simbolismo
da montanha, como o lugar da subida, onde se respira o ar puro da criação,
permite contemplar a imensidão da natureza e a sua beleza. Aparecem Moisés e
Elias, que representam a Lei e os Profetas: falam com Jesus sobre a sua morte,
que se haveria de cumprir em Jerusalém. Jesus leva apenas três dos Apóstolos à
montanha. Por que somente estes três? Porque eles serão testemunhas da agonia
de Jesus no horto das Oliveiras. Depois também assistirão a outras humilhações:
os maus tratos em casa do sumo sacerdote e o julgamento iníquo e falso em que
se forjará sua condenação sumária. Deus permite que eles saboreiem a visão da
sua Glória para que se mantenham firmes e não desanimem ao tomar contato com o
sofrimento de Jesus no Horto das Oliveiras, causado pela miséria humana e o
resgate oferecido pelos nossos pecados. No entanto, tal como aconteceu com
estes três Apóstolos, a divindade de Cristo continuou sendo um mistério. Quando
falta a fé, não bastam os sinais: os Apóstolos duvidaram, vacilaram; e Pedro chegou
a negar que conhecia Jesus, quando foi preso. Como sentimos falta de uma
comprovação da nossa fé, entendemos a reação de Pedro no Monte Tabor: Senhor, é
bom estarmos aqui. Se queres, farei três tendas... (Mt 17,4). Se tanta
felicidade vislumbraram os Apóstolos vendo a humanidade de Cristo transfigurada
e dois membros da sociedade dos santos, quando maior será a felicidade da visão
beatífica, em que poderemos ver Deus face a face, tal como Ele é, em seu trono
de Glória, rodeado do coro dos Anjos e dos Santos do céu! A reação de Pedro é
compreensível: queremos perpetuar os momentos de alegria, de felicidade, de
satisfação. Sempre que nos sentimos bem numa festa, numa reunião de amigos ou
parentes, numa viagem, etc; a nossa reação é também esta: “vamos ficar um pouco
mais...”. Seria bom se a nossa proximidade com Deus, a nossa amizade com Jesus
fosse tão viva, tão pessoal que pudéssemos dizer o mesmo. Podemos agora
dirigir-nos a Jesus e dizer: “Jesus, que bom você estar aqui... Que bom tê-lo
como Amigo! Você é o Amigo em quem eu posso confiar totalmente, porque você
nunca vai me decepcionar”. Nós podemos encontrar-nos com Jesus quando entramos
numa igreja, quando recebemos seu perdão no Sacramento da Penitência e, de modo
especial, em sua presença eucarística no sacrário das nossas igrejas. Estamos
nos preparando para a Páscoa: vamos cuidar da nossa vida diária de oração,
preparar muito bem cada Comunhão e demonstrar nosso amor a Deus com obras de
caridade, seja com as pessoas próximas, quanto com as mais necessitadas.
Dom Carlos Lema
Garcia Bispo Auxiliar de São Paulo Vigário Episcopal para a Educação e
Universidades
https://arquisp.org.br/wp-content/uploads/2026/01/Ano-50A-18-2o-DOMINGO-DE-QUARESMA.pdf
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